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quarta-feira, 17 de julho de 2013

regresso

não totalmente farto da distância, porque efectivamente nunca estive muito distante desta coisa, nem sequer cansado de nada dizer nem opinar (ando a atravessar um período de alguma irritação comigo mesmo e com a minha própria cacofonia ou, de acordo com um colega, farto da minha incontinência verbal), regresso devagarinho, quase que de mansinho, a ver se digo alguma coisa, ocupo o tempo, me entretenho;

segunda-feira, 27 de maio de 2013

como o tempo, as alterações do hu/amor

ele havia tanto para que não se escrevesse ou se dissesse nada; 
outros, mais atroantes, dizem e escrevem aquilo que reconheço para mim:
Uma completa desmotivação, uma forma elegante de referir uma invisível greve de zelo, atravessa o Estado e a sociedade, resultado da perda de tónus social que vem do empobrecimento. Funcionários públicos aviltados que quereriam fazer greve, mas sabem que vão ser as "chefias" a decidir quem vai para o Sistema de Requalificação da Administração Pública, nome orwelliano para o despedimento
e ele há por aí tanta coisa digna de se pensar e, melhor ainda, de se escrever; por aí, por onde nós andamos todos os dias e não por aquilo que outros replicam como se de novidade se tratasse; coisas nossas, de nós e sobre nós, que nos dizem directamente respeito, que nos interessam e mexem com a vida de todos os dias; 
sejam eles os silêncios de uns que nada dizem sobre o silêncio dos outros, coisas de nada que ninguém escuta e alguns rotulam de normal, como se a normalidade não fosse ela também construída, um constructo político e social; a nomeação de uns, a indicação de outros, coisas que parecem novas e que são velhas agora que olhamos para trás e percebemos os percursos feitos, o dedilhar das cordas que ainda não percebo se da viola que nos dá música, se do bonecreiro que anima o final do dia; 
ele há por aí tanta coisa que mais vale o silêncio e só há silêncio porque alguém faz barulho...

sábado, 27 de abril de 2013

seja bem vindo quem vier por bem

este meu cantinho, de escritas e divagações, ganhou alento mediante a publicitação da coisa via o meu mural  do facebook; 
rapidamente ultrapassou as 100 visitas diárias, coisa que em média costuma andar pelas 30/40; o contador de passantes ganhou dinâmica e da serenidade alentejana esta minha aldeia, até parece acelerado pela curiosidade passante; 
afinal, o pessoal escreve, aqui ou em qualquer outro lado, para ser lido, para dar a conhecer ideias e crenças, valores e meros pontos de vista; 
cá vou, cá me entretenho entre dizeres e adizeres, comentários e opiniões; 
como diria o poeta, traz outro amigo... pois é bem vindo quem vier por bem

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

natal

afinal é natal, afinal tristezas não pagam dívidas, afinal lágrimas não criam rios;
nunca fui otimista, mas também não posso assumir nenhuma espécie de pessimismo - para isso já basta a minha mãe; ontem, pela minha escolinha, queixaram-se da minha escrita; boa, gostei, atão vamos lá falar do sol que espreita por entre nesgas de cinza, dos gritos da maralhada, do espaço de lazer que é a biblioteca, das moengas do mestre zé ou da boa sopinha da minha cozinha....

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

rir

ele há coisas que só dão vontade de rir; ele há coisas que dão sentido e pertinência ao dístico que o miguel tem, há muito tempo, na entrada do seu espaço - a gargalhada;
o problema é que não é para rir, há quem considere que é razoável, que se deve discutir uma coisa destas, que isto é sério, pois da alemanha, para além dos bm, mercedes e outras coisas vendidas aos japoneses ou americanos, há exemplos a seguir;
a mim, só me dá vontade de rir, para não escrever outra coisa...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

posição

ser docente e pai sempre foi um posição/situação que me incomodou - reconheço, é um pouco estar dos dois lados da trincheira, ainda por cima quando tenho a mania de tomar o partido dos alunos ("compilica" deveras a coisa);
hoje fui contactado pela escola para onde a filhota vai com a indicação que terei de ir mostrar, urgentemente, assim me foi dito, o boletim de vacinas; 
pensei, mas não disse, será que a escola se quer substituir ao centro de saúde? 
faz parte daquelas coisas que, apesar de alteradas (a matrícula, dentro da escolaridade obrigatória, é automática, o papel e a acção das unidades de saúde familiar, entre outras) continuam como sempre... impávidas e serenas na sua rotina...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

hábito

mas quem estranha uma coisa desta?
só aqueles que acreditam em coincidências podem pensar que é por acaso;
há muito que estamos entregues à diatribes de mestres cozinheiros;

domingo, 4 de dezembro de 2011

inevitabilidade

da economia à educação, passando por qualquer sector querem-nos fazer crer, querer e pensar que o mundo é inevitável, que o fim da história, há muito anunciado, está cada vez mais próximo, que não há alternativas aos designios do destino, a esta marcha dos mercados, como se estes fossem gente, dotada de sentidos e qualidades próprias;
não acredito no destino, como não acredito em coincidências, acredito na vontade das pessoas que fizeram revoluções, que morreram por defender ideias e ideais, valores e conceitos de vivermos juntos; acredito em todos aqueles que se debatem por pensar que existem outros modos, que os tempos não são de uma inevitabilidade absoluta, que existem outros modos, formas e maneiras de sermos e fazermos;
também a escola, mais do que a educação, se debate com a inevitabilidade, como se não existissem alternativas; mas existem, estão dentro de nós, da acção colectiva de nos pensarmos e decidirmos qual o caminho a percorrer; existem alternativas nas práticas que muitos assumem há muito, de encorajamento, apoio, criatividade, de emoção e tensão que rodeia uma prática profissional feita com, por e para pessoas; 
saibamos aproveitá-las e termos pelo menos uns vislumbres de outras formas que contrariam a inevitabilidade que nos apregoam; 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

água

pela idade, pelo tempo, pela falta de manutenção, a minha escola mete água por muitos e variados cantos;
será de aproveitar para dar banho ao cão...

domingo, 2 de outubro de 2011

sossego

em terra de sossego aparecer um blogue anónimo que chama as coisas pelos nomes, dá luz e cor às situações, parodia uns e outros é coisa de monta;
por razões várias não tenho frequentado os centros de informação e comunicação cá da terra, mas imagino os adizeres que uns e outros procuram na caracterização - quando não mesmo na tentativa de identificação - de quem aponta o dedo e diz que está mal;
pena foi que ontem, ao final da manhã, não tenha tirado uma ou outra imagem da "rua das laranjeiras", passada que foi a feira de mercado, a rua apresentava-se em triste figura; 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

gestão

tenho de reconhecer que a gestão do silêncio, por parte do governo, excede um pouco as minhas expectativas; 
depois da criação de sound bites, daqueles que procuravam manchete e ruído de distracção, passou-se para o extremo oposto em que comentários não há, fazendo-se notar uma contenciosa contenção verbal; 
é certo que nem sempre há possibilidades de se fazer o que se prometeu e lá o primeiro-ministro misturou, indevida e contrariamente ao defendido, partido com governo, ou o seu inverso, que nem todos os governantes estavam preparados, isto é, conhecedores do que iam enfrentar e, antes que entre mosca ou saia asneira o melhor mesmo é estar calado; 
é certo que apenas se regista oposição na estrema esquerda, o ps anda entretido a contar espingardas, mas tenho de reconhecer que a gestão do silêncio se torna ruidosa... e proveitosa...

sábado, 9 de julho de 2011

desafio

como pessoa de processos aceito os desafios como coisa natural e normal;
gosto de desafios, pronto, são eles que aquecem os quotidianos, estimulam a adrenalina, perspectivam oportunidades ou simplesmente momentos;
pediram-me uma solução, não a consegui arranjar, então afirmei a minha disponibilidade para fazer parte da solução; um amigo e a família assim o determinaram;
mas já dei pelo facto que, apesar de me pedirem uma solução, havia quem já a tivesse pensado e que não passará pela minha pessoa;
lento que sou, ingénuo que me afirmo, apenas deixei a hipótese; mas para que me pedem soluções?
é a mesma coisa com os filhotes e com os alunos, se sabe para que é que pergunta?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

estado

nota-se e sente-se um certo estado de graça dos portugueses ao governo; é partilhado tanto pelo comum do cidadão como pelos fazedores de opinião; parece mal, passado tão pouco tempo sobre as eleições e particularmente da plena constituição do governo, que ninguém diz mal, critica ou insinua o que seja;
é comum um a ver vamos, esperar para ver, deixar os homens e as mulheres conhecerem os cantos à casa, afinal isto estava tão mal que é preciso algum tempo;
mas há duas ideias que me ocorrem - para além da assunção assumida (passe a redundância) entre o dito (em campanha ou na veiculação da opinião) e o feito (enquanto actor ministerial):
uma decorre do desequilíbrio do governo, que já aqui destaquei; mas não é apenas um desequilíbrio entre técnicos e políticos, desequilíbrio também entre gestores e tecnocratas, entre objectivos e intenções, entre estratégias e opções; é um desequilíbrio que, passada que for a tolerância, se irá reflectir na acção pública e na decisão política e que, consoante as circunstância, irá ser terreno fértil para a molhada;
como segunda ideia destaco o silêncio, enquanto forma de fazer política; é reconhecida alguma saturação de caras políticas que, por dá cá aquela palha, apareciam na tv (em entrevistas, comentários, análise ou como politólogos); agora prima-se pela ausência, desde os ministros marcadamente políticos (ausentes) aos técnicos tudo é parco em aparições e mais ainda em comentários ou explicações; repare-se como apareceu o imposto sobre metade do subsídio de Natal, apareceu mas não há comentários, não se alimentam especulações, não se incentivam argumentos;
entre desequilíbrio e silêncios, procura-se substituir uma dimensão política, inerente a qualquer governo, de um qualquer país, por uma pretensa dimensão técnica, como se esta não assumisse o seu quinhão de político, não enformasse de valores, ideologias, crenças e credos; como se o político (aquele que escolhe e decide) fosse sujo, estivesse conspurcado, e, do outro lado, o técnico, limpo, higienizado, asséptico;
é um estado que durará até novas oportunidades...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

oportunidade

no meio de uma qualquer ressaca eleitoral, a que aconteceu a 5 de junho ou aquela que irá acontecer lá mais para a frente no meu partido, há que fazer das crises oportunidades;
é escasso relembrar que crise, em chinês/mandarim, tem essa dupla conotação, de dificuldade e de oportunidade;
para não ser escasso regresso a um autor clássico, cada vez mais presente e pertinente nos tempos que correm, hannah arent que, com simplicidade própria dos génios, diz que:


Uma crise só se torna desastrosa quando lhe pretendemos responder com ideias feitas, quer dizer, com preconceitos. Atitude que não apenas agudiza a crise como faz perder a experiência da realidade e a oportunidade de reflexão que a crise proporciona.
Hanna arendt “a crise na educação

terça-feira, 7 de junho de 2011

papões

já agora e só para finalizar o dia de hoje, só tem medo dos papões quem tem fantasmas nos armários ou esqueletos no sótão;
política e profissionalmente não tenho nem uns nem outros; durmo descansado, sem monstros debaixo da cama...

descontracção

chegados ao fim de um ciclo a minha escrita solta-se um pouco mais sob o ponto de vista político e institucional;
é certo que muitos, de partidos que não aquele em que milito, me disseram que um dos grandes objectivos que o meu partido tinha para a minha pessoa era o de me calarem; não acredito;
calar, calar, não conseguiram (apesar daquilo porque passei), mas tornei-me mais comedido em alguns apontamentos, acima de tudo por respeito e consideração por pessoas que merecem a minha amizade;
há muitos defeitos que me podem apontar, mas há um que ninguém me pode referenciar, o de falta de lealdade e de honestidade; mas há muitos que confundem espírito crítico com crítica, reflexão com deslealdade, entre outras coisas;
mas não, não sou fiel, esse é o meu cão, mas respeito quem me merece respeito, considero quem se dá à consideração; quando se quebram estas barreiras, resta-me a descontracção quer da minha escrita quer da minha pessoa às situações fruto, acima de tudo, do descanso em que repousa a minha consciência;
e cada um fica com a sua...

ah pois é

repare-se apenas na hora desta posta;
estava na cama qual picanha que se quer bem passada, ora vira daqui, ora vira dali; 
para além de não dormir corria o risco de incomodar quem dormia descansada e recupera do dia;
ah é? então bule de castigo para frente da máquina;
a cabeça não parava de rodar em torno do trabalho que me falta, as ideias afluíam sempre com outras perspectivas de abordagem e, acima de tudo, de escrita;
se assim é nada melhor que aproveitar a dita cuja insónia e ir ver o que dão as ideias que me obrigavam a ficar bem passado na cama;
será que aqui e a esta hora funcionarão melhor, é o que irei ver;

sexta-feira, 20 de maio de 2011

memória

adoro andar a pé pela minha cidade;
é muito raro utilizar a viatura entre locais da cidade, prefiro caminhar, olhar o perfil do sol a bater nas paredes de ruas e vielas, sentir quem passa, ver as lojas;
em dias como o de hoje, em que o sol voltou a marcar presença, é um deleite andar pela cidade, sentir as gentes;
hoje, entre o passeio e a divagação, uma velhota aborda-me com a questão sobre que dia é hoje; reparei que não fazia a menor ideia em que dia estava;
perde-se a noção do tempo, dos dias, seja por doença ou por simples falta de ocupação;
a memória perde-se e com ela aquilo que somos...

semelhanças

se há coisa que se destaca naquele conjunto de afirmações da oposição de desprezo, quando não mesmo de ódio, por josé sócrates, ele diz respeito a um sentimento que foi partilhado por muitos aquando da governação de cavaco;
sócrates está hoje para a oposição, como cavaco esteve no seu tempo;
com uma agravante para a oposição; sócrates mantém-se, cavaco saiu;

essencial

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam  poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo secretário geral do coral.
‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial
*(atribuído a Mário de Andrade)