Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

pormenores

ao fim de mais de seis anos de trabalho, acerto pormenores na minha tese de doutoramento;
não é ainda o final, algo ainda distante, há que passar pelo crivo do orientador enquanto documento completo ao qual faltarão certamente acertos e complementos;
mas é uma sensação de descanso, de serenidade que se apodera da minha pessoa; 
finalmente estou nos pormenores...

problematizando

desde de antes do natal que ando a querer comprar dois títulos que me fogem por entre os dedos; pela minha cidade não os encontrei, apesar de alguma insistência; pela capital entrei numa das grandes livrarias e acabei por sair com um terceiro (e sem os dois que procurava) que nem sequer me lembrava dele, apesar de o ter visto, há tempos atrás, num escaparate; 
já o percorri quase de ponta a ponta; VMG não necessita de apresentações, para quem é de história e aprendeu, nos bancos da universidade, o que eram os complexos histórico-geográficos, entre outros argumentos que trouxe à interpretação do processo histórico nacional, longe, muito longe, dos ditames de então; 
neste livro, entre ensaio e sebenta, mostra que, ao contrário do que nos querem impor, o presente não tem nada de "natural" nem de destino incontornável; são fatos e dados construídos com intencionalidade e propósito, é certo que nem sempre conhecidos e menos ainda reconhecidos por quem de direito; 
mais do que nos ficarmos pelo fado ou pela impotência incapacitante, há que problematizar, questionar os fatos do dia a dia que fazem e constroem a sociedade para que a possamos compreender, mas também criar alternativas; 
em tempos em que nos fazem crer (é mesmo uma questão de fé que se trata) que não há alternativas - ao despesismo do passado (mas que nos permitiu, depois de todos os outros, assegurar o Estado-Providência, reduzir diferenças sociais e políticas, cimentar a cultura como elemento estratégico), às opções neo-liberais (como se fosse agora, mais do que antes, o fim da história) - é imprescindível re-ler a história e a sociologia para perceber e saber para onde queremos ir...

estratégia

em pausa pedagógica, com muito pouca gente na escolinha e poucas ou nenhumas solicitações de quem quer que seja, há tempo para pensar os resultados do 1º período, compará-los com as tendências dos últimos 4/5 anos no mesmo período, perspectivar os resultados dos mesmos alunos entre o final do ano letivo transato e este 1º período;
não sou pessoa de números nem de resultados, como já me apontaram, mas são indispensáveis para se poder reequacionar a estratégia dos processos, pensar em formas de organizar apoios, a quem precisa e porque mais precisa, gerir recursos e perspetivar outros resultados; 
descobri que pela minha escola a tendência é pior no 1º período que nos restantes, contrariando um pouco a estatística geral - não há regra sem exceção; permite-me descobrir e ver outras realidades que se escondem na sala de aula todos os dias, nas práticas pedagógicas do quotidiano, nas relações entre alunos e professores; ver os "efeitos" de exames, de disciplinas de primeira e as outras, o final de ciclo, o papel dos diretores de turma, entre outros;
irá dar oportunidade a uma troca de impressões com outros elementos, de modo a que se possam pensar, coletivamente, estratégias e a re-organização de alguns processos; 
vamos ver como corre;

Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

produtividade

só com uma participação previamente assumida de assética e inócua se pode apresentar uma ordem de trabalhos para uma assembleia municipal com 10 pontos, entre os quais o orçamento e as opções do plano, empréstimos, o documento sobre a reforma da administração local, participação no irs, entre outros; 
não se discute, apenas se delibera, com serenidade e pacatez; 

assembleia

não pretendo recriar este espaço como área política, mas não resisto há tentação de comentar uma assembleia municipal onde se faz sentir o eu quero, posso e mando, descricionário e prepotente; a oposição é suportada, nem sequer tolerada, nem vislumbre de faz de conta; 
questiono os elementos eleitos sobre o porquê de hoje apresentarem uma deliberação sobre a reforma do poder local quando, antes, votaram contra a realização de reuniões da assembleia pelas freguesias, de os presidentes das juntas decidirem onde se coloca o contentor do lixo;
é uma profunda e significativa diferença entre aquilo que se diz e aquilo que se pratica; 

proposta

sob o ponto de vista de um elemento do órgão de um gestão, a proposta de revisão curricular (para além de qualquer consideração sobre o fato de a montanha ter parido um rato, que vai roer muita corda) considero que uma de duas situações se poderão passar:
a) os senhores diretores descartarem-se de qualquer responsabilidade, delegando, eventualmente, nas pseudo estruturas intermédias; decidam que eu aprovo e implemento;
b) assumirem-se decisões com laivos de arbitrariedade e alguma descricionaridade, do género artº 20º do decreto lei 75/2008, competências do diretor, eu quero, posso e mando;
considero que pode haver um meio termo, discutir-se uma proposta de escola, com base nos recursos e nas opções a assumir, justificar procedimentos com base nas opções; 

tá se bem

tenho, sinto algumas dificuldades em ser corporativo; no que toca à classe defendo-a, ainda que com salvaguardas; quanto aos senhores diretores, nada aponto, a não ser o tempo, jurássico, em que muitos perduram nos cargos e nas funções;
apesar das políticas ou do que seja, os diretores do alentejo fazem questão de afirmar, defender e justificar que, por cá, tá-se bem, obrigado, é o caso do comentário do senhor presidente da associação de diretores das escolas públicas quando afirma ter "reclamações vindas de quase todas as regiões do país: “A única excepção é o Alentejo"; tá-se bem...
reclamar para quê? ainda viam o que por cá se passa... ou não...

Domingo, 11 de Dezembro de 2011

defensiva

uma das situações que mais sobressai perante a gestão é aquilo que designo como pedagogia defensiva;
na generalidade os docentes apresentam as suas ideias de modo defensivo, como que resguardando-se perante situações que uns invocam como se de papões se tratasse - os pais, a inspecção, a tutela, os exames;
invocam-se desculpas, modos de agir que procuram a defesa de uma posição e não o risco de se assumir uma postura diferente; faz-se assim porque sempre assim foi, não se alteram estratégias para evitar contratempos, complica-se em vez de se simplificar para que haja coisa escrita que resguarde, salvaguarde, proteja, etc;
a pedagogia defensiva, mais que um contratempo, é um módus de acção docente que perpetua situações, erros; que faz com que não se alterem estratégias nem metodologias; torna quase que inviável pensar outras formas de se ser docente; está de tal modo entranhada que quase parece fazer parte do adn profissional; 

Domingo, 4 de Dezembro de 2011

inevitabilidade

da economia à educação, passando por qualquer sector querem-nos fazer crer, querer e pensar que o mundo é inevitável, que o fim da história, há muito anunciado, está cada vez mais próximo, que não há alternativas aos designios do destino, a esta marcha dos mercados, como se estes fossem gente, dotada de sentidos e qualidades próprias;
não acredito no destino, como não acredito em coincidências, acredito na vontade das pessoas que fizeram revoluções, que morreram por defender ideias e ideais, valores e conceitos de vivermos juntos; acredito em todos aqueles que se debatem por pensar que existem outros modos, que os tempos não são de uma inevitabilidade absoluta, que existem outros modos, formas e maneiras de sermos e fazermos;
também a escola, mais do que a educação, se debate com a inevitabilidade, como se não existissem alternativas; mas existem, estão dentro de nós, da acção colectiva de nos pensarmos e decidirmos qual o caminho a percorrer; existem alternativas nas práticas que muitos assumem há muito, de encorajamento, apoio, criatividade, de emoção e tensão que rodeia uma prática profissional feita com, por e para pessoas; 
saibamos aproveitá-las e termos pelo menos uns vislumbres de outras formas que contrariam a inevitabilidade que nos apregoam; 

criatividade

na posta que está abaixo, deixo uma outra perspectiva, pela qual seguirei, sem qualquer sentimento de fidelidade, na escrita dos próximos tempos, a perspectiva de um professor que está, temporariamente, num órgão de gestão;
um dos desafios que enfrento diz respeito à criatividade; saber aproveitar a criatividade de uns e de outros, o mais das vezes individual, para a colocar ao serviço de um grupo mais geral; criatividade em pensar outras formas de fazer o mesmo, de dar espaço, tempo e oportunidade a que nos pensemos e pensemos aquilo que fazemos, como fazemos e para quem fazemos; criatividade em definir oportunidades que outros saibam aproveitar e promover; criatividade em recriar aquilo que li numa acta e que alguém designou como «espaço/tempo de vivências e realizações»; criatividade em apoiar quem faz, ajudar quem precisa, facilitar modos e procedimentos sem que pareça determinação, assistencialismo ou mera arrogância pretensiosa; 
criatividade para ser criativo; 

resistência

por manifesta opção tenho escolhido não escrever;
em tempos em que a crítica se afigura fácil, prefiro remeter-me ao silêncio e ouvir os adizeres de outros;
a dúvida tem balanceado entre o retomar normal da escrita e adoptar uma reconfiguração, relativa às funções que desempenho; sempre seria uma outra perspectiva sobre a escola;
mas resisto, não tenazmente; resisto e pronto;
abdiquei de uma escrita pública, para me dedicar a escrever, como sempre o fiz, para os meus botões; a cacofonia é tanta que se perde o fio à meada e se torna difícil ouvir o nosso pensamento, quanto mais o pensamento dos outros;
apesar desta leve resistência, duas notas;
uma da missa a que fomos convidados a participar no decorrer da semana; primeiro pelos lados de beja, depois pelo norte alentejano e, finalmente, pelo alentejo ainda central; uma missa onde se revela a dimensão institucionalista que a educação adquire, a sua formalização em torno da instrução; chamados para nada, tudo o que se queira é de aguardar;
uma segunda nota para a rigidez da chamada gramática escolar; sou, de momento, presidente de uma comissão administrativa provisória, regressei à gestão escolar passados quase 20 anos; está tudo na mesma? não, não está, mas a gramática, aquilo que se diz e pratica não é assim tão diferente do que era à quase 20 anos atrás; permanece a centralidade do presidente do órgão, o eterno debate infindável sobre os problemas, algumas visões utópicas da escola enquanto fuga e resistência e esquecendo-se a pequena realidade, apregoando a sua dependência ao sistema, promovendo o esquecimento de muitas das possibilidades que existem no dia a dia; culpa minha, pois claro, e os órgãos da escola ainda parecem funcionar como há 20 anos atrás; 

Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

em dias cinzentos, uma imagem de verde no meio do sol


água

pela idade, pelo tempo, pela falta de manutenção, a minha escola mete água por muitos e variados cantos;
será de aproveitar para dar banho ao cão...

instrução

aquilo que se perspectiva, no que às políticas educativas se refere, remete, em muito e na minha opinião, para um regresso ao passado, ao antigo ministério da instrução;
há dias, em conversa com a filhota, perguntava-me ela que sentido tem a escola se retiradas todas as áreas que até são as mais interessantes no currículo;
terá a sua razão, e o que se nota é um regresso aos sentidos utilitaristas e instrumentais da escola, reduzida a uma mera função de instrução; vai ao encontro do cratês, é certo, mas perdem-se dimensões essenciais da escola e da educação; 
se é certo que resultam de pressões políticas e sociais, é também certo que esta redução da escola à sua dimensão de instrução, desvanece aquilo que muitos, bem ou mal, melhor ou pior, designam de escola pública; 
e agora não me digam que não se notam as diferenças entre esquerdas e direitas...

regresso

após uma valente pausa pedagógica, por opção e vocação, regresso com divagações e coisas que tais;
tenho andado de volta da minha escrita, angustiado e stressado pelo arrumar do documento;
nesta fase do trabalho, há dias, sem saber porquê, nem como acordei com esta música na cabeça:

Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

pulguinha

com as recentes nomeações, para a área da saúde no alentejo, fico com a pulga atrás da orelha;
continuo a dizer que acredito no pai natal e no coelhinho da páscoa, em coincidências é que não acredito e não terá sido coincidência a nomeação, nem a substituição de quem se perspectivava;
decidida à revelia de quase tudo e quase todos, apenas agrada a alguns, uns poucos que terão certamente outros interesses;
quais...

da cozinha

o alentejo está entalado nas malhas que uns e outros lhe teceram, obrigam tudo e todos a deitarem-se numa cama que alguém fez;
as nomeações regionais do actual governo dão conta da falta de capacidade do alentejo, das estruturas aqui existentes, contrariarem questões de cozinha;
não é de agora nem sequer tem a inovação deste governo vem detrás, de muito atrás, este silenciamento a que os alentejanos têm sido votados;
as questões políticas discutem-se e decidem-se na cozinha, por entre aventais e luva branca, longe das estruturas partidárias, são questões onde alguns lojistas dessa cozinha cruzam interesses e se afirmam contra tudo; 
até quando...

Domingo, 9 de Outubro de 2011

trabalho

já aqui escrevi uma vez que a minha tese tresanda a cerveja, jameson e jazz;
são companhias indefectíveis na escrita e no trabalho, compensam significativamente o isolamento, a solidão, acautelam um acelerado processo de estupidificação;
vai daí e ao ouvir um génio do trompete o trazer para este cantinho...

Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

cortes

perspectivam-se cortes e mais cortes;
na escola onde estou começamos a fazer contas, apenas qual merceeiro do antigamente, entre o que se tem e o que se deve e aquilo que fica;
da contabilidade sobressaiu uma preocupação; perante os cortes anunciados corre-se o sério risco de, a meio do próximo ano, trabalharmos à luz das velas, se trazerem mantas de casa; perante os aumentos da electricidade e a não haver compensação para o efeito, não sei como será...

professor

hoje, para além da república, o dia é também dos professores;
dia reconhecido e assumido pelas entidades internacionais para que, pelo menos uma vez no ano, qual natal ou dia disto e daquilo, se mostre o trabalho e o papel destes profissionais;
sou professor, escolhi a profissão e gosto de o ser, de me relacionar com este e com aquele, ouvir esta e aquela opinião, de trabalhar com os outros e para os outros;
ontem, e aqui fica o meu contributo, perguntei a um pequeno grupo de alunos se estavam a faltar, disseram-me que não apenas tinham aulas às 15h30, larguei o comentário que há grandes vidas, respondeu-me um que trocava comigo; vamos a isso, eu vou à aula e tu para o gabinete; afinal não quis;
que a profissão docente seja uma permanente reinvenção e crítica...

bolor

o discurso do presidente da república, no seu dia, deixou no ar um aroma a bolor, bafiento, com resquícios de um antigamente muito próximo do probrezinhos mas remediados e limpos;
é um discurso que prolonga a conversa do governo, de quanto pior melhor, para ressuscitarmos qual fénix, por obra e graça de um salvador pátrio;
é um discurso que não tem cabimento no espírito republicano, nem nos tempos que correm, onde se pretende que algo ou alguém nos conceda a luz de um qualquer futuro, nos faça perceber os sacrifícios e entender para onde vamos;
foi bafiento...

não se aguentou

o velho e novo blogue cá da aldeia, o atras dos quintais (sic) não se aguentou, era de esperar;
em terra pequena é difícil aguentar as diatribes daqueles que gostam de controlar o local, que nada se diga e tudo se cale;
é pena que não se tenha aguentado, faz falta um espaço de debate, senão mesmo de acusação, ao que não se passa nesta aldeia, ao esquecimento a que está votada por parte da câmara e da maioria dos vereadores, aos silêncios e omissões a que, o único espaço que cresceu entre censos, está sujeito, aos privilégios de uns e ao esquecimento de outros;
não se aguentou, hão-de aparecer outros...

Domingo, 2 de Outubro de 2011

prémio

o ministério roeu a corda na entrega dos prémios de mérito aos alunos que terminaram o ensino secundário;
alguns dirão que tem toda a legitimidade para o fazer, que é dinheiro que se poupa;
legitimidade tem, razão é que não; poupar sim senhor, mas não serão certamente os oitocentos mil euros que irão cobrir fundos e mundos do ministério;
na minha escola a câmara assumiu o encargo, e fez muito bem, reconhecendo e recompensando aqueles que obtiveram o mérito no final do secundário;
e não é de mecenato que se trata...

sossego

em terra de sossego aparecer um blogue anónimo que chama as coisas pelos nomes, dá luz e cor às situações, parodia uns e outros é coisa de monta;
por razões várias não tenho frequentado os centros de informação e comunicação cá da terra, mas imagino os adizeres que uns e outros procuram na caracterização - quando não mesmo na tentativa de identificação - de quem aponta o dedo e diz que está mal;
pena foi que ontem, ao final da manhã, não tenha tirado uma ou outra imagem da "rua das laranjeiras", passada que foi a feira de mercado, a rua apresentava-se em triste figura; 

Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

rede

tenho de reconhecer e há muito que assumo que sou um criativo, gosto de inventar, sou, numa qualquer apologia de senso comum, um chico-esperto - para todos os efeitos até tenho alguma formação, alguma experiência adquirida aqui e ali e uma ideia sobre aquilo que faço e gosto de fazer;
no âmbito da minha prática profissional e é neste campo que escrevo, nunca me custou identificar respostas e eventuais soluções, arranjar justificações e argumentos que permitam seguir um caminho; por vezes com alguns custos, é certo, algumas pequenas prevaricações que não colocam em causa nada nem ninguém a não ser a minha pessoa;
mas, presentemente, trabalhar sem a existência de uma direcção regional, é trabalhar mesmo sem rede; é assim que estamos na gestão escolar, pelo menos pelos meus lados, o alentejo, em que a presença daquela instituição nem sequer é virtual, é mesmo irreal;
há quem aplauda, há quem justifique por argumentos pertinentes, há quem consiga dizer o provável e o improvável, mas sente-se a ausência de uma retaguarda que, para o bom e para o menos bom, sempre justificava algumas coisas, era uma rede onde por alguns podiam escorregar minimamente amparados;
agora nem por isso, é a lei neoliberal do salve-se quem puder e, mesmo aqueles que agora aplaudem a iniciativa, espero para ver o que o futuro reservará...

Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

derivações

quem governa e quem gere necessita de apoio e de alguma orientação; é assim em qualquer lado e em qualquer lugar de gestão;
mas, para além disso, precisa de um rumo, um sentido, uma direcção, um caminho para onde se aponta, seja minimamente reconhecido pelo menos pela maioria e aceitável e compreensível por uns quantos;
engraçado ver e sentir, na pele, este governo à deriva e em divagações;
primeiro e mesmo ainda antes de estar no poder foi a revisão constitucional, adiada sine die;
depois foi a questão da dita cuja taxa social única, que ninguém sabia o que era e que todos já compreendemos que desde a sua inevitabilidade de redução à sua manutenção é curta a distância;
ontem gostei particularmente do senhor ministro da economia que, definitivamente ainda não assentou no país, afirmar que já não temos alta velocidade, mas velocidade alta;
pronto, tá bém, a moenga toda é que somos nós a pagar as diatribes inconsequentes destes senhores...

Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

justificação

a propósito da proposta governativa sobre a reorganização administrativa e territorial do espaço nacional, vulgo redução de freguesias e de municípios, apenas tenho a dizer duas pequenas coisas;
primeira - se tomarmos como exemplo o concelho de arraiolos, mas não só, diga-se, bem que se podiam extinguir todas as freguesias, senão mesmo o concelho;
as freguesias estão vazias de poderes, competências, capacidades ou possibilidades, para a mínima coisa o senhor presidente da junta, quando solicitado, telefona a um vereador, quando não mesmo ao presidente, para que se resolva, a junta apenas é presença controleira;
tanto assim é que, na única freguesia que não controlam, o vimieiro, até abriu uma loja do munícipe, nas restantes não vale a pena, não justificam tantas atenções;
segunda - quanto à eventual redução de elementos na vereação e a uma eventual "governamentalização" municipal, isto é, elege-se um governo municipal à semelhança do governo nacional, já em tempos proposta apresentada pelo ps e recusada por quase todos, também é perfeitamente aceitável pelo concelho de arraiolos;
dos 5 vereadores existentes, a cdu recusou a participação do 5, eleito pelo ps, e dão conta do recado, então para quê mais;
mais, mesmo aqueles que lá estão a sua maioria e na maioria das vezes, apenas fazem figura de corpo presente, verbo de encher, pois pouco fazem, nada decidem e, de acordo com fontes do município, alguns atrapalham;
venha então a discussão, pois o pc recusa-se a debater uma coisa desta em assembleia municipal, proposta apresentada pelo ps, mas onde circulou abaixo assinado a justificar o injustificável, pelo menos no concelho de arraiolos;
temos pena...

Domingo, 25 de Setembro de 2011

estratégia

o senhor ministro das finanças, a nova besta negra do governo, avisa que o pior ainda está para vir, como se não estivéssemos no fundo, a rapar o tacho e serenos, como sempre;
a estratégia não é nova, foi experimentada e utilizada por quase todos os governos da democracia, dois anos, a primeira metade do mandato, a apertar, a condicionar, a segunda metade a abrir, a caçar votos e a garantir confianças;
tudo isto, até ao final dos anos 90 do século passado, resultou, garantiu maiorias a cavaco e o governo a guterres; neste século as coisas têm sido diferentes viu-se na primeira coligação psd/pp, na estratégia de sócrates que esbarrou numa crise que não estava prevista nem agendadas;
agora repete-se, até onde nos levará, entre desculpas da troika e pretextos partidários é o que estaremos para ver...

Sábado, 24 de Setembro de 2011

dos quintais

mas soube recentemente do aparecimento de novo blogue cá da aldeia - o http://atrazdosquintais.blogspot.com/;
mais um anónimo que se aguenta à bronca, o apartachik cá do sítio não gosta, mesmo nada, das vozes dissonantes, daquelas vozes de criança que fazem perguntas incómodas, que transtornam na sua inocência simples e que fazem aquela figura pouco educada de, dedo em riste, apontar as coisas mais óbvias mas nas quais apenas as crianças reparam;
já foi corrigido na sua ortografia, referido na sua pessoa, etc; que se mantenha, que se aguente

zapping

fiz um zapping pelos blogues assinalados neste meu cantinho, por ausência percorri várias páginas, contribuindo não apenas para as page views mas também para o alimentar da minha curiosidade;
afinal o que se tem escrito e dito sobre o nosso cantinho;
descubro que nada de novo, repetem-se chavões, sucede-se o dito e o não dito, é uma clara cacofonia de vozes onde todos - ou quase - dizem a mesma coisa;
realmente não faço aqui falta, para chico-esperto escrevo cá para mim, cozo-me com os meus botões e chega bem...

passagem

sinceramente, sinceramente, sinto-me entre o dividido e o separado, ah pois é;
dúvidas existenciais, de quem não tinha propriamente saudades deste espaço, mas que não perde a vontade de escrever por estas bandas;
mas hoje, no meio da preguiça que tem caracterizado os meus fins de semana, regresso para diferentes notas, coisas soltas entre um post e outro;
para já a novidade do novo look do blogger, a google fez um refresh a todos os seus suportes, nem mais;
também o goolge+, interessante na continuidade e sequência do face, se a coisa dá certo e é moda, para quê inventar o que está inventado; falta-lhe apenas a integração das escritas, gostava de escrever aqui e poder associar ao + ou o seu inverso;
o que nota é a nuvem a crescer, este espaço sideral cada vez menos virtual mas cada vez mais nublado;
será futuro...

Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

comentário

afastado deste espaço, por opção (não quero nem pretendo ser comentador profissional de blogues e fazedor de opinião local), não resisto em regressar para um breve comentário à novel directora regional de educação do alentejo;
primeiríssima referência, nota-se, faz-se sentir o peso que a estrutura do pp tem regionalmente na educação; 
em tempos não designou uma directora regional, foi directo a uma secretária de estado; agora, dizem, que a secretária de estado também tem o dedo do pp regional e, ainda mais evidente, segundo as crónicas, a designação da senhora directora regional; 
segunda nota, afinal a estratégia preparada e montada pela estrutura do psd local (évora, pois claro) dá conta dos inúmeros buracos, pelos quais escoa a areia por entre os dedos; ostracismo ou simplesmente o reconhecimento do seu estatuto, talvez da sua menoridade; 
última referência, alteração de lógicas, princípios e sentidos da administração regional; nada melhor para contrapor a um universitário que uma docente do local, nada melhor para contrariar uma economia da educação, que um elemento das ciências sociais e humanas, nada melhor para contrabalançar rácios e relações que a crença e a fé; 
nem mais, cá estaremos para comentar e opinar, quando oportuno...

Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011

resistências

quanto à relação desencadeada pelo senhor ministro da educação e ciência com a proposta de um novo modelo de avaliação de desempenho docente (add), é engraçada uma qualquer análise dos discursos profissionais;
nem de pernas para o ar, nem a fazer o pino, nem assim nem assado, nem cozido nem frito, de molho de tomate deixa nódoa, de vinagrete azeda-me o estômago, afinal como ficamos; 
mais valia dizer que add não obrigado, desfazer-se-iam dúvidas, esclarecer-se-iam equívocos, clarificar-se-iam posições, pronto a coisa tornava-se mais clara; 
mas não; teóricos e práticos (e escuso-me de qualquer referência, de modo a evitar susceptibilidades) defendem a add, mas esta não;
qual esta? qualquer uma que se apresente, não importa o teor, o partido ou a política, as concepções ou os modelos, as ideias ou os valores; não, pronto; 
uma porque é burocratizante, outra porque é funcionalista, outra porque é mercantilista, outra porque é taylorista, outra porque é isto, outra porque é aquilo; 
logo os professores que passam os dias, junto dos alunos e dos pais, a defender a avaliação, a justificar a avaliação, os seus processos, os seus domínios, os seus instrumentos, os seus critérios; como forma de progressão (na escolaridade), na afirmação (escolar e social), como reflexo da motivação e do interesse que o aluno mostra, ou não;
a avaliação faz parte do eduquês, é um dos poucos domínios onde o docente se sente mais à-vontade para divagar, opinar, justificar posições e coisas que tais; 
não me imaginem a defender esta add e, menos ainda, este senhor ministro e, bem menos ainda, estas políticas; mas perceba-se que esta posição, do não porque não, não valoriza nada nem ninguém, descredibiliza uma profissão e desconsidera-se o papel que os docentes têm de assumir na sociedade; 
mas assim não e não porque não, pronto...

poleiros

um dos motivos de conversa, entre um café e dois dedos de debate, é ver como o poder condiciona opiniões e re-define estratégias; 
os do psd estão cada vez mais brutos com o seu partido, não há meio de acederem aos corredores do poder, receiam que antes desse acesso, o governo possa cair;
os do meu ps podem até não mudar de opinião, mas trocam argumentos como quem troca camisa no verão, estação amiga dos pobres até; 
em certos sectores há quem defenda hoje precisamente o contrário do afirmado ainda há pouco tempo; noutros, nota-se um afirmar de posições como que a defender o futuro, mais do que o presente - o seu pois claro;
entre uns e outros, ps e psd, fazem-se sentir as rivalidades de lojistas e beatos, como se notam as suas complementaridades e interesses; 
entre uns e outros notam-se aqueles que antes defendiam posições técnicas e hoje se afirmam políticos e o seu inverso;
o regional dava um filme, de quem não sei, mas seria certamente dentro da corrente do surrealismo... 

intermitências

apesar de não estar de férias, tenho andado arredio deste meu cantinho;
há pretextos para a escrita mais que suficientes, falta é a vontade que a desencadeia;
tenho andado entretido a conhecer os cantos a uma nova casa, como está organizada, como se arrumam e aconchegam interesses e objectivos, conhecer algumas coisas, ainda muito superficiais, como tenho andado entretido na minha escrita, onde sinto que o tempo encolhe enquanto os objectivos e as preocupações parece que se mantêm inalteráveis; 
sabia de antemão qual o desafio e ainda o considero muito escasso perante o que se perspectiva, mas lá vou conhecendo, por intermédio do que posso e como posso, tomando conhecimento de dinâmicas, orientações, sentidos colectivos, estratégias individuais ou particulares e têm sido interessante estes dias; 
são intermitências de escrita que ditam o distanciamento a este meu cantinho...

Quinta-feira, 11 de Agosto de 2011

encerramentos

nota-se na acção da política educativa, um qualquer sentimento que me apetece nomear mas deixo ao critério da imaginação de uns e de outros;
o encerramento das escolas é disso exemplo; encerram aquelas que têm a concordância dos municípios; se assim se mantiver a política, seria interessante implementar uma nova avaliação de desempenho docente com a concordância de, pelo menos, um dos sindicatos;
as escolas a encerrar, pelo menos na região do Alentejo, mostram os sentimentos que expresso por escrita ínvia,  qualquer coisa que se parece com a bonança antes da tempestade; coisas mais ou menos óbvias que, de tão óbvias até podem parecer mal, permanecem escolas com 5, 6,7 alunos, outras a meia dúzia de passos (literalmente) de centros escolares inaugurados há pouco tempo;
não é política, é cosmética, aguardam-se desenvolvimentos...

moderação

ao fim de quase uma semana de novo posto de trabalho, é engraçado perspectivar o balanço necessário entre moderação e bom senso, desafios e continuidades;
não é ideia nova, apenas confirmação empírica direi, que a escola permanece organizada em lógicas dos idos anos 80 e 90; nota-se, melhor, sente-se a lógica gestionária de um conselho directivo que, fruto de imposições, se tornou executivo, mas permaneceu em conselho;
os desafios, mais académicos que práticos ou mais quotidianos que estratégicos, consistem em equilibrar a necessidade, dita e defendida por quase todos, de repensar a organização da escola à luz dos desafios colocados à juventude e ao trabalho docente e as ideias, modelos e valores algo conservadores do trabalho docente;
conservadores mais por sentimentos de segurança do que que por ousadia, que existe mas se dilui em práticas individuais;
é de moderação, organizacional, mas pessoal e profissional de que se tratam os desafios; 
interessante e desafiante...

Segunda-feira, 8 de Agosto de 2011

regresso

regresso ao princípio do mesmo de sempre, à escola, porto de abrigo, cais de sossego e desafios;
depois de dois anos na direcção regional, naquele braço do polvo, regresso à escola, não é a minha, é emprestada, para desafio sempre interessante e desafiante;
procuro retomar dinâmicas, conhecer pessoas e interesses, perspectivar desafios e gerir situações;
a gestão escolar é um manifesto desafio, mais por aquilo que de diferente apresenta e exige do que por aquilo que aparentemente parece ser; 
este é o desafio, não o de implementar uma ideia de escola, não há oportunidade nem tempo para isso, apenas para procurar gerir desafios e desafiar o diferente;
vamos ver como corre...

Terça-feira, 2 de Agosto de 2011

em pausa pedagógica com pc que falha em teclas e assentos; é uma pausa de reconforto e simultaneamente de recuperação para os muitos afazeres que me esperam e votos de não confundir legislação da saúde com educação, por muitas relações que possam ter;

Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

seguro

finalmente chega o dia das eleições socialistas; 
finalmente porque eu e certamente todos os socialistas, tenho sido bombardeado com sms, e-mail, post aqui e acolá, correspondência devida e indevida que chegou ao enjoo; 
vou votar seguro, sem grande segurança; 
há 6 anos foi para mim mais fácil escolher sócrates, entre joão soares e manuel alegre na altura optei por quem poderia representar um futuro e não um olhar atrás;
hoje, entre seguro e assis, a afirmação é entre farinhas do mesmo saco; reconheço a seguro uma esquerda moderada, de afirmação social respeitando os famigerados mercados, traços que se cruzam com guterres (para mim indiscutivelmente o maior líder socialista); a assis a agilidade intelectual, o pensar a esquerda e a acção política; 
entre um e outro e para além das minhas opções, reconheço que a campanha serviu para animar as hostes e rever pessoas que há muito se tinham afastado, talvez sirva para se começar um novo caminho... ou ciclo...
(já agora, tenho as quotas em dia)

Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

balanço

apresto-me a terminar mais um ciclo da minha vida profissional; a passagem pela direcção regional de educação termina - nem abordo contextos ou circunstâncias, são, neste momento, perfeitamente prescindíveis; 
procuro fazer um género de balanço, entre o que se ganha e o que se perde, envolvendo, acima de tudo, relações e emoções; 
reconheci dinâmicas, algumas manifestamente congeladas no tempo, outras novas; apercebi-me de processos de municipalização interessantes, outros instrumentais; deu para perceber como as políticas acabam por interferir nos processos de gestão escolar, nos resultados; foi perceptível perceber quem tem uma ideia de escola e quem corre atrás de uma; quem age e quem reage; quem gere por uma imagem e quem promove conteúdos; 
pessoalmente saio sempre mais rico, mais conhecedor; cometi erros e omissões, só não o faz quem permanece quedo, mas, como sempre, assumo a tranquilidade da minha consciência; há quem goste como há quem saiba apontar mais defeitos que preceitos, como sempre, somos sempre um pouco treinadores de bancada; 
acima de tudo deu para perceber que há espaço importante para as direcções regionais, mas que a sua organização e actuação deverão ser repensadas e reequacionadas; 

questões

perante esta pergunta:


a mais óbvia das questões; mais do que reduzir o número de alunos por turma, mais do aligeirar a carga burocrática a que os docentes estão sujeitos, mais do que reforçar horas e mais horas para o estudo das mesmas coisas, mais do que disponibilizar recursos e meios, a redução do número de turmas por docente poderá ser um dos caminhos mais firmes e convictos para o sucesso escolar e educativo, de alunos e da escola, dos professores e das políticas educativas;
já tive mais de duzentos alunos, torna-se manifestamente impossível assegurar a mesma paciência para todos os alunos e para todas as turmas, torna-se quase que impossível conhecer dificuldades e características de cada um, o mais fácil e prático, é acentuar a linha de montagem escolar e educativa, homogeneizar procedimentos e métodos, tratar todos de igual forma, não havendo forma mais injusta que esta pretensa igualdade; 

Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

gestão

tenho de reconhecer que a gestão do silêncio, por parte do governo, excede um pouco as minhas expectativas; 
depois da criação de sound bites, daqueles que procuravam manchete e ruído de distracção, passou-se para o extremo oposto em que comentários não há, fazendo-se notar uma contenciosa contenção verbal; 
é certo que nem sempre há possibilidades de se fazer o que se prometeu e lá o primeiro-ministro misturou, indevida e contrariamente ao defendido, partido com governo, ou o seu inverso, que nem todos os governantes estavam preparados, isto é, conhecedores do que iam enfrentar e, antes que entre mosca ou saia asneira o melhor mesmo é estar calado; 
é certo que apenas se regista oposição na estrema esquerda, o ps anda entretido a contar espingardas, mas tenho de reconhecer que a gestão do silêncio se torna ruidosa... e proveitosa...

digital

uma das muitas curiosidades que sinto é aquela de me perguntar por onde passará o futuro do digital;
desde o cloud compunting, às redes abertas, à rede 4G que se prenuncia, passando pelas imensas redes sociais - onde a google quer reconquistar espaço - ou mesmo pelo trabalho docente, nomeadamente pelos registos dos professores;
agora, nas marcações que tenho no google, apareceu-me mais um desafio, o da escrita;
a questão coloca-se entre a escrita digital, esta mesmo decorrente de um qualquer teclado, real ou virtual, e a escrita cursiva, manual, da tradicional caligrafia;
o mundo transforma-se, como sempre, mas agora temos oportunidade e possibilidade de participar nesta transformação, de sermos sujeitos e não meros objectos da transformação;
e isto tem toda a diferença...

Domingo, 17 de Julho de 2011

análise

o miguel tem uma entrada digna de reflexão; 
perante os resultados das provas de aferição e dos exames nacionais, não há cão nem gato que não procure causas, culpados, circunstâncias directas ou indirectas, internas ou externas, endógenas ou exógenas para os resultados;
faço parte desse coro e procuro, perante os elementos que tenho, perceber algum dos porquês; 
o miguel tem toda a razão quanto ao papel do conhecimento na justificação do que que quer que seja, também o conhecimento, por muito científico que se afirme, carrega em si ideias, valores, crenças quando não mesmo modelos que, para o bom e para o mau, condicionam perspectivas e destacam uns lados em detrimento de outros e, assim, condicionam ou procuram condicionar a decisão política; 
já não terá tanta razão no título da sua entrada, em que afirma que conhecimento e política se jogam em campos diferentes, aí discordamos e daí este meu comentário;
conhecimento, política e decisão não são caminhos lineares nem assentam naquelas pretensas racionalidades weberianas de uma burocracia organizada a que uns compete uma coisa e outros outra; hoje há uma imbricação conjunta de situações e a decisão nunca se finaliza é sempre e apenas um dos processos, uma etapa entre muitas outras; 
temos tido, nos últimos anos, a prevalência de um dado conhecimento no apoio à decisão política; hoje temos um outro; nada tenho em que a política se apoie no conhecimento para a justificação ou legitimação da sua acção [só a título de exemplo espreitem este sítio sobre as relações entre conhecimento e política]; já tenho algum problema quando a política se mascara de cientificidade para fazer... política;
nem o conhecimento é asséptico nem a política (ou, pelo menos toda a política) está conspurcada; 
e os resultados das provas são disso exemplo; não basta definir uma qualquer cientificidade para que apareçam resultados, a educação e o ensino em particular, têm em si demasiadas variáveis para que possam ser controladas laboratorialmente; isolamos algumas, mas lá aparecem outras, controlamos outras, enquanto outras divagam por entre os resultados; 
numa perspectiva de análise considero que os resultados decorrem de duas ordens de razões; uma de organização, o sistema continua a ser mexido incessantemente não permitindo estabilidade e coerência na acção educativa e, nos últimos anos e pelo que se perspectiva nos próximos, assim continuará; não há instituição, empresa ou organização que consiga coerência de resultados no meio da balbúrdia e da confusão; precisa-se, com urgência, de estabilidade, de pequenos acertos e rectificações, pois as grandes reformas, bem ou mal, foram feitas; mas organização também ao nível da escola e da sala de aula que permanece em estrutura típica dos anos 80/90 do século passado, desfasada, desadequada de um tempo marcado que é pelas redes, pelas heterogeneidades, pela diversidade e pela multiplicidade; circunstância que é, para todos os efeitos, o grande mote na argumentação dos professores
e é este que me remete para o segundo factor com interferência directa nos resultados, a formação; há muitos e alguns muito bons profissionais, novos e menos novos, gestores e docentes, pessoas que amam aquilo que fazem e se dedicam de corpo e alma ao que fazem; mas não é de voluntarismo que a educação precisa, é de profissionais, que não se fiquem pela formação inicial e por uma ou outra medida avulsa, por obrigação, da chamada formação contínua; formação contextualizada, situada, adequada, sem a crença que existem milagres para resolver a indisciplina, o desinteresse, o alheamento ou a indiferença do aluno perante aquilo que o professor tem para dizer; uma formação que permita pensar, local e contigencialmente, perspectivas, hipóteses, tentativas de levar o aluno ao objectivo de toda a escola, a sua formação; uma formação que fomente o trabalho colaborativo, mas não caia na reunite aguda, que acentue as parecerias, sem fazer delas uma linha hierárquica, que promova o trabalho de equipa mas saiba respeitar as individualidades, que promova um espírito comum, sabendo-se da necessidade de espaços pessoais, que articule e potencie, em vez de minimizar ou reduzir; 
entre organização e formação na região nota-se o desfasamento entre uma e outra, patente no alheamento das instituições do ensino superior público na imbricação com o quotidiano educativo; os teips regionais são acompanhados por instituições de lisboa, setúbal ou faro, incrível; o mais sucesso, que tem um docente da universidade de évora como principal teórico e responsável, anda a milhas das escolas;
neste processo não aponto um dedo a um culpado; há culpados, vários e com várias implicações, o certo é se acentuam diferenças e se percebe que, afinal, a escola não é assim tão pública e que a licealização permanece, quando não se reforça; 
sinceramente teria muito mais para escrever, fico-me por aqui, pois não estou habituado a posts tão extensos; mas é de análise que se trata...

passeio

os filhos dão descanso [?] aos pais em fim-de-semana; os pais aproveitam o tempo e desfrutam da companhia;
o tempo não está por aí e além, para passeios mais culturais as distâncias, a partir daqui da aldeia, são na casa da centena de km; para além dos custos ficamos sempre com o travo na boca da ausência dos filhos;
a opção foi ir passear à barragem do divor, espelho de água cá do sítio;
pobreza franciscana aquela com que deparamos, certamente por má fé das políticas de direita; lixo por todo o lado, falta de civismo, campos desbravados de carros e outros se cruzarem por onde não devem, ausência de espaços de lazer, de estruturas de apoio que permitam que o espaço seja zona de lazer e convívio; estrada manhosa que apela à presença dos tt;
são oportunidades desbaratadas e ao desbarato...

Sexta-feira, 15 de Julho de 2011

tanga

já agora e se os homens podem prescindir da formal gravata, porque não impor a utilização da tanga às senhoras?
afinal, sempre existiria continuidade entre o estarmos de tanga e, aproveitando o pseudo calor deste julho, se obrigarem as meninas e senhoras a andarem mais... interessantes, direi;
sempre animava a coisa

estratégia

pensar que as orientações políticas, ou a sua falta, são coincidência, é pior que, como eu, acreditar no pai natal e no coelhinho da páscoa;
nota-se uma estratégia concertada da acção política deste governo, que medeia o desfrute do estado de graça e o benefício das dúvidas; 
os ministros organizam dossiers, implementam medidas de política que mais não são que uma tentativa de marcar a agenda; 
e nós, tugas de parcimónia assumida, cá nos aguentamos enquanto nos roubam vencimentos e sonhos...

curiosidades

apesar de novinho no sistema educativo, ainda hoje tive conversa com gente que há muito acompanha e participa no sistema, reconheço o retorno de algumas curiosidades;
por exemplo, a publicação ou, melhor dito, a divulgação, no sítio do ministério da educação, das orientações curriculares para o próximo ano; em anexo, sem mais;
apesar de novinho sou do tempo em que um ofício circular tinha tanta ou mais força que qualquer diploma publicado em diário da república; um esclarecimento ou nota informativa quase que se substituía a diplomas legais;
será, que se retoma a mesma história? seria, no mínimo, de evitar...

continuidades

aparentemente o senhor ministro da educação, o novo, parece que não fez o trabalho de casa; há diferenças significativas entre aquela que e opinião e aquilo que é uma realidade administrativa; 
perante os resultados dos exames nacionais, anuncia mais do mesmo, mais tempo para aquelas disciplinas que, por enquanto, são sujeitas a exame, a língua portuguesa e a matemática;
e quando a sociedade se surpreender com os demais exames que, quase que garantidamente, por aí virão?; 
se os exames se generalizarem devem faltar horas na semana para que os alunos possam treinar matérias e conteúdos; 
em alternativa safar-se-ão aqueles que têm possibilidades de recorrer às explicações; a escola pública, essa, pode esperar...