terça-feira, 22 de março de 2011

dúvidas

uma das questões com que as escolas se debatem é a manifesta dúvida, quando não mesmo incerteza, entre processos e produtos;
não advogo o quantitativo, mas torna-se essencial olhar os processos pelo lado dos seus resultados, daquilo que se obteve; de pouco importa uma teimosia nos processos quando eles levam a nada;
é, reconheço, uma cultura instalada, muita das vezes auto-justificativa dos próprios processos e algo incapacitante da auto-avaliação;
tem sido esta cultura que tem arrastado a escola, nomeadamente a do alentejo, para o fim das tabelas quanto a resultados, quando, pelo lado dos processos, se acumulam condições;
como inverter esta cultura é um dos desafios...

inversão

ele há coisas que mexem comigo;
ontem ouvi um texto onde estava presente todo um conjunto de ideias que, de alguma forma, têm condicionado e limitado as políticas educativas;
nota-se, no meu entendimento, uma inversão de princípios;
têm preponderado - e certamente ir-se-ão reforçar - retóricas quantitativas enquanto elementos justificativos das opções políticas, quando defendo exactamente o seu contrário, isto é, uma retórica política, onde se destacassem opções e sentidos sociais, com justificações quantitativas, sejam elas dos rácios ou dos custos ou beneficíos;
isto, este sentido, é, no meu entendimento, a melhor expressão daquilo que se valoriza, a dimensão social em detrimento de opções marcadamente liberais e quantittivas...

descontracção

uma das coisas que irei gostar lá mais para a frente será da descontracção da minha escrita, hoje algo condicionada pelas diatribes da minha pessoa;
ainda assim, há quem me diga que escrevo demais;
pois, se eu me esticasse é que era o bonito;
não receio a escrita, mas reconheço algumas (auto)limitações ao fluir dos textos;
lá mais para a frente darei início, ainda não sei se público ou privado, às pequenas estórias de um quotidiano passado na administração desconcentrada da educação;
mas isso é lá mais prá frente...

segunda-feira, 21 de março de 2011

alternativa

no meio da crise deixem-me ser persistente;
considero, pessoal e individualmente, que a solução da crise passa mais pelo ps que por coligações de direita;
passa por um ps que seja capaz de aliar a sua mais profunda matriz social e ideológica com os tempos, os desafios, a necessidade de nos repensarmos, os anseios e as expectativas das pessoas;
passa por um ps que seja capaz de mobilizar pessoas e ideias, encontrar outras soluções dentro do mesmo quadro ideológico e social;
não revejo numa eventual coligação de direita a capacidade e interesse no reforço da sustentabilidade do Estado social, no esbatimento das diferenças entre interior e litoral, urbano e rural, norte e sul;
não vejo também à direita a defesa de uma escola pública que seja capaz de esbater as diferenças de oriegem e, pelo contrário, perspectivo o retorno a uma aparente meritócracia retórica;
mas isso sou eu, pois claro...

considerações

em fim de festa ou de simples ciclo, fico algo surpreendido quando algumas pessoas tecem considerações negativas pelo facto de me aprestar a voltar à escola;
a escola é vista como castigo, pena, descrédito;
nunca assim a vi, muito pelo contrário, é porto de abrigo que, apesar das tempestades, me permite uma muito maior serenidade;
além do mais quem tece esse tipo de considerações não deve gostar da escola, eu gosto, gosto da sala de aula, dos miudos, das conversas na sala de professores, do burburinho dos corredores, até de ouvir as opiniões e algumas aleivosias nas reuniões, de aprender com quem tem ideias feitas e certezas inabaláveis;
se voltar à escola não me importo...

distância

foi um bom fim-de-semana;
desde logo com andorinha na 6ª feira, depois longe da máquina, do trabalho fechado em casa;
foi passado debaixo de um sol que picava nas costas e fazia transpirar;
andei de roda da horta, um entretem leve, que me cansa o físico e me descança a mente,
pronto para mais, venha o que vier...

quarta-feira, 16 de março de 2011

hábito

não sou rapaz de meias tintas, de me deixar levar por ondas ou ventos;
gosto de assumir as minhas posições e defender as minhas ideias, independentemente de modas, modos ou do que seja;
sempre me pautei por este princípio, umas vezes traz coisas boas outras nem tanto;
há 6 anos atrás, ainda muitos andavam a perceber qual a sua família política, assumi a minha posição em defesa de sócrates; discutia-se então qual o candidato a lider do ps;
hoje considero que é necessário e imprescindível alterar alguma da prática política, dos modos de organização do partido, garantir uma mais adequada separação entre o que é o partido e o que pertence ao governo, dar voz às pessoas e fazer-se ouvir;
vai daí e assumo, uma vez mais, a minha postura e subsrevi a moção ps vivo, portugal postivo;
é nos momentos de dúvidas que nos devemos assumir, isso é política...

segunda-feira, 14 de março de 2011

beco

manifestamente estamos num beco, mesmo daqueles sem saída nem alternativa;
a crise política está instalada, nada melhor que eleições para sacudir a água estagnada do pântano em que se caiu - ou em que fomos colocados;
contudo e apesar da manifesta soufreguidão laranja, não vislumbro alternativas que permitam pensar que, com outro partido, as coisas poderiam ser diferentes, se aliviassem os impostos, baixasse o preço dos combustíveis, existisse mais e melhor emprego, se acabasse com a avaliação de desempenho docente, que a administração pública funcionasse melhor;
mesmo indo para os extremos, bloco ou pp, não consigo perspectivar que o rumo fosse diferente; a prática política essa seria certamente diferente, mas não a seria na decisão, condicionados que estamos por bruxelas sem rumo nem eira nem beira;
é num beco que estamos e, muito provavelmente, a única alternativa será a da inversão de marcha...

sexta-feira, 11 de março de 2011

políticas

a juventude tem andado, enquanto conceito e ideia, na boca de alguns políticos e manchete de jornais;
a juventude, por muito incrível que possa parecer, é uma construção sociológica relativamente recente, na casa da década de 80 do século passado - ainda que se possam procurar raizes um pouco mais atrás;
foi a partir daí que se apresentaram as primeiras medidas de política que procuraravam responder a uma crescente massa de gente, vista cada vez mais, como esperança e oportunidade - de consuno, de desenvolvimento, de trabalho, de políticas, de educação;
o crescente protagonismo a que tem estado sujeita é reveladora de, entre outras que se podem destacar, duas dimensões:
um quase que completo falhanço das políticas de juventude - o ipj não tem sido capaz de integrar e articular as diferentes medidas sectoriais, o facto do ipj alentejo estar sem chefia há mais de 4 meses é disso revelador;
a crescente desadequação das expectativas da formação escolar e a correspondente ligação ao mundo do trabalho - que provoca desemprego, onde a escola é vista como mero instrumento de mobilidade social ou económica;
e é neste pé em que estamos e não se vislumbra saída...

quinta-feira, 10 de março de 2011

dos outros

de quando em vez comento, agora aproprio-me do texto, com a devida referência a um amigo destas lides:



se juntarmos a esta consideração o manual de governo do psd então corremos o sério risco de, descupem lá qualquer coisinha, sairmos da merda para ir para o atasqueiro;

oportunidade

desde o século xvi que o país tem andado de oportunidade em oportunidade... perdida;
desde os descobrimentos aos fundos comunitários de finais do século xx, passando pelo ouro do brasil ou pelas terras africanas, foi areia que nos passou pelos dedos;
a História tem ensinado pouco - ou nada - aos nosso políticos;
mesmo nos tempos de crise, das vacas magras, temos aproveitado pouco, muito pouco, para nos reorganizarmos e perspectivarmos novos e diferentes sentidos colectivos;
recentemente perdemos a oportunidade do plano de reestruturação da administração central; excelente iniciativa que deu em nada;
perdida a oportunidade confrontamo-nos com as dúvidas e incertezas sobre qual o papel do Estado;
para o comum dos portugueses o Estado continua a variar entre uma imensa seguradora (que abrange desde os riscos naturais aos planos de saúde e educação) ao maxibombo onde todos zurzem como imenso culpado de gastos e luxos;
o próprio governo socialista, onde deveria estar inscrita a matriz ideológica do estado-providência, se mostra enrolado, não na seguradora, mas no zurzir nos custos e arranjar suportes de governo;
e cá estamos n´so, entre oportunidades que vimos passar ao lado...

certezas

estamos rodeados de imensas incertezas;
dos tempos, das decisões, das opções, dos sentidos pessoais, políticos e colectivos;
mas, depois do discurso de tomada de posse daquele que ainda está excessivamente formatado no lugar de primeiro-ministro, resta-me a certeza que os tempos serão de faca na liga e sangue no alguidar;
que cabeças rolarão, que tripas se verão essa é a incerteza que perdura na certeza dos confrontos...

papas

e papistas;
de quando em vez surgem aqueles senhores que gostam de mostrar trabalho, não estando interessado na sua qualidade ou eventual pertinência;
assim aconteceu pelos lados de coimbra onde, pelo que se fica a parecer, as opiniões podem ser de delito;
se assim for, o que dizer do senhor secretário de estado que diz o que todos os outros dizem, será que se coloca em causa o dever de lealdade... ou de fidelidade canina...

sexta-feira, 4 de março de 2011

palhaço

há muito que sei que a minha pessoa, o modo de eu estar e ser, incomóda muita gente; em contexto profissional ou político, são poucos os que simpatizam comigo, ou gostam ou simplesmente não gostam; há muito que sei disso;
a hipócrisia de uns e de outros manifesta-se entre sorrisos forçados ou simplesmente cínicos, que me leva a retribuir muito do mesmo, por muito que me custe;
de quando em vez não consigo e sou directo entre brincadeira e coisa séria, revelando um pouco da ignominia de uns ou de outros e que custa a engolir e me reservam brinde para a primeira curva em que me possam apanhar;
sempre que podem, retribuem, utilizando funções ou cargos, pequenos poderzinhos indirectos, sendo certo que raramente, muito raramente, tiveram a capacidade de me afrontar de forma aberta e directa, reservam-se na sua pequenez de sentidos e de oportunidades, garantidos que estão na sua imensa certeza;
por isso e por muito mais, este carnaval vou fazer o que não faço há muitos anos, vou mascarar-me;
e, para que não restem dúvidas, mascaro-me de palhaço;
não sabem eles que para se ser palhaço há que ser mais, muito mais, que simples gente...

crença

não sei se por questão de fé se por mera crença, ontem gostei particularmente de ouvir as palavras da ministra da educação aos directores de escola e agrupamento da minha terra;
casa cheia, pois as expectativas são muitas, silêncio aqui e ali entrecortado por conversas de ouvido, comentários a isto ou àquilo que era dito;
mas foi dito de forma directa, aberta, sem rodeios, não escondendo nem omitindo que aquilo que se trata é de contenção, cortes, de dividir o esforço da dívida pública por todos, que as escolas fazem parte da administração pública e que as regras têm de ser claras e transparentes e os critérios idênticos;
que não vale a pena complicar o que já de si é complicado;
também houve os espaços de interpretação aleatória, que cada qual lerá de acordo com os seus interesses, informação ou meras preocupações; desde a rede do 1º ciclo às agregações as respostas foram politicamente correctas e juridicamente inócuas;
nos tempos que correm o espaço para argumentação pedagógica é muito curto e pode facilmente ser entendido como desculpa esfarrapada, justificação política, e não foi isso que aconteceu;
agora entre discursos e práticas, tanto políticas como dos senhores directores, vai um enorme fosso, de descontentamento, de angústia, de dúvidas que pode levar a que tudo fique na mesma... ou pior...

quinta-feira, 3 de março de 2011

dúvidas

este texto vai ao encontro daquilo que afirmei mais abaixo, que os tempos são de mudança e incerteza, que os sentidos são de duvidosa concepção;
afinal em que ponto nos posicionamos, entre a escola para todos e a escola para tolos, qual o papel da escola, entre a reprodução social, de modelos e ideias, valores e ideologias, e a reflexão entre o que temos e o que queremos;
é certo que o sistema educativo - e não só - se encontra entalado numa encruzilhada de sentidos; desde a revolução francesa, com os seus ideias e valores de liberdade, democracia e igualdade, do bom cidadão de rousseau aos tempos presentes de polivalência, flexibilidade, criatividade e autonomia, tudo importante desde que enquadrado em padrões de eficácia e eficiência;
à escola tem sido solicitado um pouco de tudo, que forme com autonomia e responsabilidade, desde que na regra predominante, forma para a cidadania desde que na norma política, que se evitem os comportamentos sociais de risco, desde que nos valores predominantes, que, entre a história e a matemática, a geografia ou as ciências, se fale da língua, desde que se respeite aquilo que camões nunca escreveu;
o difícil nisto tudo é perceber como nos organizamos, qual o papel da escola - entenda-se, do professor - num tempo marcado pelo fervilhar de informações tão diversas quanto dispersas, por múltiplos centros de atenção como são de conhecimento, num tempo em que os museus adquirem vida e a ciência se instala na rua, se pedem competências tão diversas quanto a sua amplitude e o trabalho já não é emprego mas reconversão, profissional, académica e social;
é nesta encruzilhada que estamos e iremos estar, pois as fontes de informação serão cada vez mais plurais e diversas, mais fiáveis e a requerer leitura crítica e reflexiva, que o trabalho em sala de aula considere o presente e o futuro, mas saiba respeitar a memória;

quarta-feira, 2 de março de 2011

apetites

não me tem apetecido escrever por estas bandas;
sinto demasiada confusão em redor para que a escrita possa fluir nas devidas condições;
sinto demasiadas contradições em tudo o que se escreve para que possa acrescentar alguma coisa de útil ou eventualmente pertinente;
a política está como está, do local ao internacional, é de reconfiguração que se trata, de alteração, para onde nos levará é a dúvida que poucos colocam mas muitos insinuam;
a educação entre dúvidas e ansiedades, incertezas e coisas banais que nos moem os dias e o espírito;
o meu próprio local de trabalho sujeito a um deixa andar, a ver onde nos levam dúvidas e incertezas;
as minhas próprias divagações estão condicionadas pela escrita de uma tese que não há meio de desenlear;
não há apetite para nada...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

barão

de acordo com o título de hoje do dn ter-me-ei de considerar um dos barões do ps;
tenho pena que a proposta de j. sócrates deixe cair a ideia;
mas, acima de tudo, fico na dúvida, pois por cá o actual presidente da federação candidatou-se com essa ideia; faz parte do grupo de notáveis que hoje apoiam e organizam a candidatura de j. sócrates;
como ficamos...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

fevereiro

este mês de fevereiro coincide com o ponto mais baixo do meu biorritmo;
tou cansado, apetecia-me sossego, modorra, amena cavaqueira em esplanada soalheira, de mini na mão e olhos no céu;
como sou transparente esse meu estado nota-se à distância e interfere nas relações e na produção;
que fazer;
aguardar pelo fim-de-semana para cansar o físico e espairecer o espírito;

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

cultura

já que tanto se fala em cultura, fruto de manifestações recentes pelo burgo, vale a pena afirmar que em arraiolos brinca-se ao faz de conta;
faz de conta que existe uma estratégia para a cultura, como se faz de conta que existe uma estratégia para o que seja;
os comunistas, por este lado, não generalizo, apostam na ignorância do faz de conta, faz de conta que existe uma estratégia, faz de conta que existem apostas, faz de conta que somos todos cegos;
como dizia um poeta, enganam-se alguns durante algum tempo, não se enganam todos todo o tempo;

ensurdecedor

tal como perspectivado a assembleia municipal decorreu sobre o signo da serenidade;
tenho que dar destaque aos silêncios do senhor presidente da câmara, questionado sobre qual a estratégia da semana do porco, que decorre no concelho, preferiu nem comentar; optou pelo silêncio;
quando questionado sobre as possibilidades do regulamento de resíduos ser um instrumento de incentivo disse nada;
o seu silêncio é ensurdecedor;
os eleitos pelo ps apresentaram duas propostas de alteração do regulamento, a possibilidade das juntas de freguesia participaram no processo de organização das recolhas e considerar factores de isenção nas tarifas para recolha de monos; as duas recusadas;
elucidativo das ideias que não se têm, dos argumentos que não se apresentam, da desfaçatez de uma maioria;
foi, para além dos silêncios do senhor presidente da câmara, uma reunião ensurdecedora...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

transformação

que a profissão docente se encontra, há já algum tempo, em estado de significativa mudança, não será novidade por aí além;
cada qual, fruto dos seus contextos (espaço, tempo e conhecimento) efectua as suas análises e perspectiva as suas dimensões;
há muito que aqui escrevo sobre isso, que me desinquieta e estimula a perceber a minha profissão, os seus contornos, as suas novas (ou apenas reconfiguradas) dimensões;
tenho pena de estar demasiado longe e não poder assistir a esta conferência;
valia a pena ouvir outras perspectivas e conhecer outras realidades;
lá, como cá, a profissionalidade muda, reconfigura-se e são desenhados novos objectivos e pedidas outras funcionalidades (requisitos) à docência;
o problema, talvez lá, quase certo por cá, é que políticos e sindicatos, profissionais e académicos ainda não se entenderam sobre o que muda e como muda na profissão docente e menos entendimento há sobre quais as suas consequências ou implicações nos desempenhos profissionais e na lógica organizacional das escolas;
é de transformação que se trata, para o bem e para o mal...

assembleia

hoje é dia de cumprir calendário na assembleia municipal de arraiolos;
vamos lá ver se o senhor presidente mantém o seu estado de ansiedade ou se, em alternativa, tem ideias para discutir;
são apenas dois os pontos da ordem de trabalhos, informação municipal e o regulamento de resíduos no concelho;
pela maioria detida, pela manifesta incapacidade da sua maioria expressar uma vontade mínima de debate, digo que é de cumprimento de calendário e de obrigação que se trata;
não há debate, discussão e menos ainda política neste concelho; apenas a afirmação de uma vontade onde sobra partido...

graça

hoje, depois de uma manhã entre o nublado e o cinzento, o sol, por estas bandas, dá um ar da sua graça, aquece os ânimos e afaga os espíritos;
e eu bem precisado tou...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

coisas

ele há coisas do arco da breca que é tão difícil de explicar como de compreender;
um miúdo, primeiro ciclo, está referenciado como hiperactivo; o docente titular da turma lá desenvolve estratégias de integração;
o pessoal que estás nas aec propõe à mãe que o retire daquela componente para não perturbar os colegas;
e esta hen...

avaliação

a avaliação é um processo bicudo;
desde os bancos da então escola primária não há quem não se recorde deste ou daquele processo, mais ou menos kafquiano, recambolesco ou simplesmente injusto de volta do processo de avaliação;
discorro hoje não sobre a avaliação de desempenho docente, mas a das organizações públicas organizadas em torno do siadap - coisa horrorosa;
a avaliação é, para todos os efeitos e dêa-se-lhe a volta que se der, subjectiva; por muitas grelhas, matrizes, tabelas que possam ser feitas, não assumir esta subjectividade é cair na iniquidade de um processo, no descricionarismo por vezes patético;
apanhei com um processo de avaliação no colo para o qual não fui nem visto nem achado; tábém, quem entra de novo paga o ovo, diriam os miúdos;
não foram levadas em consideração características de profunda aleatoridade funcional, da imprevisibilidade de solicitações, nem a componente de casamento entre o técnico e o político; tábém, afinal até sabia ao que vinha;
agora encerrar a coisa sem que exista um mínimo de articulação entre a profusão de critérios subjacente ao processo de avaliação e avaliadores é querer ser independente onde apenas se regista dependência; já na tábém, criam-se fricções, conflitos, atritos em zonas perfeitamente desnecessárias e muito pouco inóquas;
não são a regras que são más, sãos os processos e os procedimentos de quem orienta - ou deveria orientar  - a coisa que são ... patéticos...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

empréstimo

reconheço que, perante as grandes companhias/empresas, como sejam a edp, pt e outras que tais, não temos nem remédio nem volta a dar;
isto porque, como é meu hábito, efectuo a leitura do contador da luz mensalmente, a remeto, via on-line, para os senhores, de modo a não ter surpresas, como já tive, na altura dos acertos;
recentemente no sitio da edp quando remeti a leitura tive a indicação do valor a pagar; certo;
surpresa minha quando vi a factura, bem superior ao que me tinha sido dado como indicação;
vá de pegar no telefone, estar quase meia hora à espera e receber a informação que tiveram que fazer acertos por estimativa; e a minha contagem, para que serve...
fiquei a saber que emprestei dinheiro à edp e já não é a primeira vez, que oportunamente me será restituído;
esta é boa e resulta do confronto entre david e golias onde o grande ganha sempre...

saudade

reconheço que já tenho saudades dos dias azuis e solarengos, de uma cervejola em esplanada à beira estrada, de sentir o calor dos raios de sol;
este tempo cinzento, que hoje se imiscui com alguns laivos de sol, não contribui para a nossa felicidade..

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

sensações

uma das situações que mais tem sobressaído das escolas, perante cansaço, frutações e angústias, diz respeito à indiferença, alheamento e amorfismo com que alunos e turmas encaram, cada vez mais, o trabalho escolar;
são recorrentes e crescentes as afirmações de inúmeros docentes que se confrontam com turmas inteiras profundamente indiferentes, desmotivadas, desligadas;
perante estas situações que fazer, como proceder; não há receitas para a já de si normal indiferença, quando ela se agrava e se generaliza então ainda menos;
são tempos difíceis e complicados, aqueles que a escola enfrenta...

manifestações

pelos blogues docentes e da educação surgem, um pouco por todo o lado, manifestações e tomadas de posição contra a avaliação de desempenho;
certo;
mas os sindicatos foram um dos responsáveis por esta avaliação e agora...
e quais as alternativas que se poderão apresentar a esta avaliação - regressar a que passado, avançar para que futuro;
o que se coloca em evidência é a necessidade de repensar funções e acções do trabalho docente, manifestamente desenquadrado do presente, entalados entre obrigações e urgências, resultados e escolas;
para onde vamos...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

mapa

chegou-me a imagem da europa que aqui deixo;
é fruto da criatividade de tugas que gostam de olhar para o distante e diferente com permissas conhecidas e comuns;
é uma tentativa de fazer próximo o distante, conhecido o que não se conhece...

avaliação

a avaliação do desempenho docente foi, desde o seu início, um pau de dois bicos;
tanto serviu para (tentar) credibilizar e legitimar uma profissão que até então tinha uma avaliação de faz de conta, como serviu para a disputas de territórios entre sindicatos e tendências mais ou menos organizadas;
causa ou consequência, vá lá saber-se, o certo é que descambou na revelação daqueles que são mais papistas que o papa e, vai daí, se ter complicado o que já de si não era nem é tarefa fácil;
aparentemente todos ou quase, afirmarão a defesa da avaliação de desempenho, reconhecendo que por seu intermédio se valoriza uma profissão; todos e aqui são mesmo todos, afirmam a necessidade de rever procedimentos e modelos, estruturas e orientações;
e aqui corre-se o risco de se cair no contraditório, se são dadas excessivas orientações, limita-se o exercício das autonomias e o livre pensamento de cada escola; se elas não são dadas e é consignada à escola espaço para pensar a sua acção, fica-se no vazio legislativo e na desorientação burocrática;
é uma claríssima evidência das contradições que hoje vivemos na educação e não só, o confronto entre um modelo em desaparecimento, o francófono onde assentava toda a estrutura da educação, e preceitos mais saxónicos, impostos por modas e políticas;
sair do imbróglio não será tarefa fácil, mas continuo a defender que devem ser definidas as orientações nacionais e deixados os espaços necessários para que professores e outros possam definir a sua acção;

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

defender portugal

no próximo sábado realiza-se, em lisboa, uma sessão socialista designada de defender portugal;
designação sugestiva se considerarmos o que defender, que portugal está aqui em causa, que armas utilizar, que equilíbrio entre força da razão e razão da força, que sentido hoje tem o defender o quê;
para que não restem dúvidas, sou socialista, defendi e ainda defendo, agora em letras pequeninas sócrates e um vasto conjunto de medidas de política que foram marca incontornável de uma governação;
mas hoje, é difícil, mesmo para mim socialista assumido, defender políticas perante as quais tenho muitas dúvidas, afirmar argumentos onde tenho questões a colocar, tomar partido quando não me apetece partido;
mais, entre retóricas perante as quais até me reconheço, nos princípios e nos valores, nas ideias e nos propósitos, o difícil mesmo é comparar retóricas com práticas, ideologia com acção, conhecimento com mobilização;
apetecia-me estar - é na hora dos apertos que vê quem está - mas apetece-me não ir, demarcando-me, política e ideologicamente dessas profundas diferenças que são discursos e acção política, orientações e opções;
não vou, pronto...

anuncios

entre avisos que me vou a eles e anúncios do agarrem-me senão desfaço-o, lá surge uma data concreta para a apresentação de uma moção de censura;
está instalada a festa, o esfregar de mãos de quem espera quase que desesperadamente pelo poder - pelo menos pelos corredores - aqueles adizeres eu bem disse que, eu bem vos avisei, agora é a nossa hora e outras coisas que tais;
o giro da cena, sem dúvida caricata, é a coligação que se tem de formar para que a moção passe;
coligação que pode dar todos os trunfos a josé sócrates e ser uma claríssima bóia de salvação... ou talvez não...

justificações

sinceramente, sinceramente, não sou nem a favor nem contra os ditos mega-agrupamentos;
como tudo na vida, há vantagens e desvantagens, saiba-se lidar com a coisa, retirar proveitos das dificuldades;
agora há coisas que não lembram ao diabo, hoje um(a) director(a) entre justificações e desculpas  concedia à administração educativa todos os pretextos, e mais alguns, a justificar a junção de escolas na sua terrinha;
e depois dizem que são as políticas as culpadas pela acção; em grande parte até são, mas também em muitas situações, deita-mo-nos na cama que fizemos, para o bom e para o mau...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

disputas

de quando em vez, e quase sempre por razões que a maioria de razões deconhece, surgem notícias que colocam em causa não apenas o anonimato de quem as produz, mas e acima de tudo, os órgãos das organizações que são alvo de comentários;
sinceramente nunca percebi - de forma racional e lógica - o porquê destes comentários;
podem ser entendíveis considerando que se registam alterações na cultura de escola, que se colocam em causa procedimentos há muito instalados, lógicas de organização que atiraram a respectiva escola para o fundo educativo e pedagógico;
agora considerar que dois elementos conseguem convencer os demais 19 é dar excessivo valor aos 2 e desvalorizar os restantes, lá saberão;
dizer que a dreale interferiu mediante um elemento é ser desconhecedor da organização dos processos e dos procedimentos, revela ignorância, para além de má fé;
atitudes desta, com base no anonimato são apenas merecedoras do comentário que o paulo lhes faz...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

caricato

a situação da política nacional é de tal forma que permite algumas caricaturas - que apenas desmerecem quem nelas participa;
afinal, quem poderá apoiar a moção de censura do pc, será que existe uma coligação pc/psd/cds; que pretende o pc com esta atitude, entregar de bandeja o poder à direita;
e, por outro lado, que atitude assume e toma o ps no sentido de evidenciar as caricaturas sequiosas do poder, disfarça mal o incómodo;
no mínimo os tempos que correm são caricatos e muito piores que o pântano que guterres abandonou há 10 anos atrás...

ressentimento

fazer da crítica política e partidária coisa de ressentimento é querer diminuir a discussão de ideias, a procura de alternativas, o debate plural das situações que o partido e o país vivem;
afinal, acusar de ressentimentos quem defende outras posições e outras ideias é dar razão a quem expressou a sua opinião;
e isso não é bom...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

coisas

quem anda, como eu tenho andado, de escola em escola, dá para perceber o sentir de muitos e variados pulsos;
há aqueles que batem levezinho e que se fazem sentir com estrondo; há outros que procuram bater forte apenas para disfarçar a eventual angustia;
em todos eles, de uma maneira ou de outra, se percebem as dúvidas, as incertezas quer dos caminhos que nos obrigam a percorrer, quer das alternativas que não se vislumbram;
entre o deixar cair os braços, que muitos recusam, uma das coisas que mais se faz sentir é o desespero perante alunos e turmas;
há escolas, há concelhos que mais parecem caídos na crise de 1929 tal os condicionalismos, a apatia de pais e filhos, a manifesta incapacidade de a escola arranjar respostas que não são as suas mas que condicionam e interferem significativamente no trabalho em saula de aula, nas relações, na esperança que não se tem...

olhar

um olhar atento, uma crítica oportuna, uma perspectiva sagaz;
será que alguém a ouve ou o pessoal se limita a assobiar para o lado;
falta política onde sobra ausência neste governo; falta debate onde sobra isolamento na estrutura partidária; faltam pessoas onde sobram sombras de dirigentes;

oportunidades

já não é de crise e de oportunidades que escrevo, é de saber captar um momento, uma situação, qual imagem fotográfica que fica e perdura no registo do instântaneo;
a cantiga dos deolinda, que vira bandeira e hino, é exemplo disso, de momentos conturbados onde não existe correspondência entre expectativas e possibilidades, ligados que estamos a depender sempre do outro ou de alguém;
fomos educados na consideração que o estado era estabilidade e garantia, que se desvaneceu há muito; que ser doutor era preceito de qualificação e estatuto, e já não é; que conheciamos as fronteiras e os lugares comuns, que se abriram e espalharam, que eramos capazes de distinguir amigos de adversários, próximos de distantes e tudo se misturou;
e quase tudo permanece na mesma, mesmo a mudança; e, o mais grave, é que os políticos têm tido manifestas dificuldades em compreender e interpretar os sinais de uma democracia que,se não é paciente, está muito impaciente;

clandestino

oh meu caro anónimo s.s., até parece que não me conheces e que, sorrateira e clandestinamente, me insinuo por entre paredes e sombras para reunir com este ou aquele director, é isso e... couves;
quantos aos números eles são o que são, não resultam de nenhum inventário rigoroso, mas apenas de perspectivar a redução de docentes de evt, simples de fazer, e do número de horas de redução da área de projecto e pronto;
os números são sempre joguete na ponta do verbo, mas façam-se as contas, considerem-se os horários que existem, as turmas, os docentes e o valor a apurar será sempre mais fiável por escola;
agora em termos de oportunidade dizes mais do que aquilo que escrevi e tens razão, agora basta olhar a coisa pelo lado do problema ou da oportunidade...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

crise e oportunidade

o decreto-lei 18/2011 é claro no seu sentido de organização;
inerente a esta e a muitas outras propostas, as notícias dão conta do óbvio, o descontentamento de docentes, do que fazer com sindicatos e movimentos sociais e profissionais;
as escolas não perderão um quarto dos docentes, contas feitas e há variações entre os dois e os 10 docentes por escola, uma coisa situada na casa dos 10% de acordo com cada escola e que pode variar - mais para baixo do que para cima;
é de crise que se perspectiva, pois muitos contratados deixarão irremediavelmente o sistema; é de constrangimento que se perspectiva, pois muitos que têm os seus lugares assegurados correm o risco de terem de concorrer;
contudo é também de oportunidade que se trata, saibam as direcções das escolas mobilizar os tempos e as circunstâncias;
pessoalmente não acredito que exista espaço para mobilidades, assim sendo, resta a circunstâncias de os docentes terem de ficar onde estão com ou insuficiências lectivas ou simplesmente sem componente lectiva; assim sendo, é oportunidade de reorganizar processos e procedimentos, cooptar quem de direito para apoios e outras estruturas intermédias que sempre foram referência de necessidade nas escolas e que, por razões várias, nunca se organizaram; é agora oportunidade;
mas fica-me a dúvida, saberão os senhores directores aproveitar as oportunidades em prol dos alunos, do trabalho docente que vai para além da sala de aula, de resultados escolares ou simplesmente ficarão pela inacção ...

diatribes

a discussão entre a redução do número de deputados e a revisão administrativa do país, têm mais em comum do que se espera;
mas andar a dizer uma coisa agora e outra logo, de forma desgarrada umas das outras, apenas reforça a necessidade de repensar não as políticas, mas os políticos;
e ele há políticos que nem de encomenda...

sol e azul

dia bonito, com sol e muito azul no horizonte;
ficar por casa não foi a vontade, optei por andar de volta da courela, moto-enxada nas unhas e vá de andar de um lado para o outro até que a gasolina se acabou;
ainda assim aproveitei a nesga de bom tempo que se afirma e andei a podar árvores;
é cansar o corpo, pois a cabeça, essa, já deu o que tinha a dar...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

política

que é fim de ciclo que se trata parece que é de consenso, ainda que varie o tom, entre a boca pequenina e as expectativas que foram criadas e algumas alimentadas;
que tudo aponta para que o tempo socialista tenha chegado a um ponto de indecisão e se regresse ao confronto eleitoral tudo assenta na dúvida do quando e do como;
contudo, nem tudo é mau, nem tudo deve ser diabolizado; talvez os fazedores de opinião possam falhar, pelos prazos, pelas condições, pelos desejos; como se devem aguentar expectativas e não criar castelos no ar;
o que faz falta, nesta altura, diz respeito à política, à capacidade de apresentar ideias, defender opções, justificar orientações, ouvir as pessoas, trocar argumentos, alimentar ideias; coisa que tem sido pouca e muito fraca, seja no nacional, seja no regional, onde, entre uns e outros, se denotam interesses instalados e que condicionam, ou procuram condicionar a acção;
se existir mais política, no pleno sentido grego do conceito, estou convencido que este fim de ciclo se prolongará;
resta saber se é um estado comatoso recuperável ou se final, o tempo o dirá...

stresse

reconheço que gosto de algum stresse, da pressão de ter coisas para fazer, calendários para cumprir e sentir essa pressão sobre mim;
faz-me trabalhar, obriga-me a organizar as tarefas, a priorizar as acções, a definir objectivos;
como alentejano que sou quando não tenho coisas para fazer, ou elas são poucas e se estendem pelo tempo, relaxo, não ligo;
agora quando a pressão é excessiva, o físico já se começa a sentir;
ando em stresse com o meu trabalho, pedi mais um ano de prorrogação, aguardo resposta, mas envolvo-me naquilo que me falta e, como consequência desta pressão, também a tensão sobe, ando tenso, mais irascível, mais inconstante, o humor ressente-se;
é de stresse e este não é lá muito bom, mas terei de o aguentar, pois claro... 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

reorganização

a possibilidade de se rever o mapa municipal nacional é, entre ousadias e temeridades, qualquer coisa que provocará discussão, conflito, confronto, uma arrumação entre bons e maus;
por um lado, ninguém, ou quase ninguém, coloca em causa a necessidade de se repensar o mapa autárquico, manifestamente desadequado dos anos 60 altura em que aquilo que temos foi criado; o crescimento urbano, os desquilibrios interior litoral, norte sul, urbano e rural ditam a necessidade de se repensar esta realidade que terá de ir muito além do que pontualmente tem sido feito com a criação de concelhos ou freguesias;
contudo e por outro lado, tenho sérias dúvidas que se consigam arranjar pontos de consenso ou sequer de equilíbrio, pois ninguém aceitará mudar;
ficarei atento, defensor que sou da reorganização do mapa de portugal...

insinuações

progressivamente, fruto das vontades de acesso ao poder, começam-se a vislumbrar as linhas de orientação de política educativa dos concorrentes;
já nem falo dos debates televisivos, basta tomar em conta notícias, como esta, ou comemorações como ontem tive oportunidade de participar aqui pela minha terrinha;
se, no meio das confusões até podem existir algumas boas ideias, o certo é que se corre o sério risco de se descambar no liberalismo do mercado onde o Estado apenas é sal diluído no mar;
comecem-se a perspectivar as alternativas, pense-se naquilo que se tem e naquilo que se quer;
aquilo que se insinua por entre conversas e discursos é um retomar de políticas que certamente irão destacar algumas dores profissionais;
se de crescimento, se de consolidação, isso é o que se verá...