sexta-feira, 6 de junho de 2014
apenas por duas razões
digo que as coisas são simples
que a vida é simples
que a escola é coisa simples
as relações humanas, de amizade e companheirismo, são coisa simples
também reconheço que por razões várias, não duas mas muitas, gostamos de complicar aquilo que é simples;
seja por protagonismos individuais e parvos
porque alguém gosta de destacar o problema quando se procuram soluções
porque alguém gosta de encher o papo qual sapo até rebentar com a paciência dos outros;
ou de se colocar em bicos de pés, de modo a que os outros reparem na sua pequenez
ou porque simplesmente somos pacóvios, provincianos, poucachinhos
agora, cada vez mais me apercebo que as coisas são e devem ser simples
mas há sempre alguém que gosta de complicar
tábém
a coisa passa pela clarificação de posições e de escolhas, por militantes e simpatizantes, daquele que será o principal protagonista do ps;
argumentos que iremos de férias em breve, aqueles que as terão;
argumento pífio, como os resultados das últimas eleições,
pífio como o lider que temos tido,
gostava e preferiria que fosse mais cedo e mais rápido,
mas tábém, espera-se até lá
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Mudanças n(d)a educação
Em tempos de contagem de espingardas, isto é, de discussão tão interna quanto aberta no ps, talvez seja curioso equacionar e o que poderá mudar na educação, nas propostas de política educatica entre um e outro dos ainda não, mas já candidatos à liderança do ps?
A. Seguro foi, durante vários anos, presidente da comissão parlamentar de educação e ciência, será, de algum modo, conhecedor da dinâmica; as iniciativas do novo rumo neste campo permitiram também recolher opiniões e contributos, alguns interessantes outros pertinentes outros ainda necessários; contudo, A. Seguro nunca mostrou possuir ideias próprias sobre o tema, mas e diga-se em abono da verdade, mostrou sempre algum descontentamento (senão desacordo) relativamente às medidas de política do tempo de Lurdes Rodrigues;
A. Costa, casado com uma educadora de infância, foi sempre um defensor de Lurdes Rodrigues e das suas políticas educativas - dfizeram parte de um mesmo governo; pessoalmente não lhe reconheço ideias sobre a escola e a educação, mas acredito que terá uma ideia mais social (e, digo eu, pedagógica) que o rival (este, por ventura inserir-se-á na corrente mais liberal com ligeiras alterações);
Se é certo que o espaço de manobra do governo, de qualquer governo, está condicionado pelas políticas educativas de âmbito europeu (aposta nas literacias e numeracias, orientação pelos resultados, aumento da escolaridade e dos níveis de escolarização, integração e inclusão de todos, ainda que por vias diferenciadas, dimensão instrumental, preparatória, da escola para o mercado económico), há alguns espaço de manobra nacional ou, direi eu, de contextualização de políticas;
Entre um e outro o que poderá mudar na ação de política educativa estará em redor de dois ou três aspetos:
Manutenção, ainda que com correções, de uma aposta liberal da escola e da educação; manutenção por via de exames, por via dos indicadores de medida, e de correção por via de acertos/alterações legislativas (gestão, componentes letivas e não letivas, dimensão social da educação);
Atores, protagonistas e gestores das politicas e aqui podem existir muitas e significativas diferenças entre um e outro dos lados da disputa; a escolha dos atores políticos será determinante para a gestão dos muitos interesses e interessados na coisa educativa, na negociação com sindicatos e, não menos importante, na organização dos serviços do ministérios com sérias implicações ou repercussões no regional;
Finalmente, prioridades; estas estarão, em meu entender, algo na articulação das duas anteriores, políticas e atores, mas serão um sinal claro das diferenças entre lideres e protagonistas;
Para terminar e apesar de semelhanças e das diferenças entre um e outro, o que quero mesmo, o que se precisa mesmo é que este governo e estas políticas educaticas vão embora, saiam de cena...
terça-feira, 3 de junho de 2014
moengas e gestão
é o desaguar de quase tudo, de expetativas, ansiedades, perspetivas, desejos e vontades;
mas é também o afluir do trabalho, do empenho, o reconhecimento do que se fez ou do que ficou por fazer;
vai daí e, na minha escolinha, noto o acréscimo de moengas, seja por via de disputas entre alunos, seja na postura algo reivindicativa de pais, seja na estratégia de gestão dos docentes; seja pela fartura de quase todos da coisa;
e ainda não terminou, para a semana ainda há mais do mesmo
produção e edição
sentado na sala de profes de uma das escolas que frequento, olho para o armário que tinha em frente;
para além das caixas postais de muitos profes e turmas, um conjunto significativo de dossiers de turma que os respetivo diretores ali deixam para que estejam à mão de semear;
reparo numa turma em particular; lombadas iguais com adizeres diferentes, respetivamente volume I e volume II;
conheço a turma (sou docente da turma);
inicialmente era uma mega turma, 32 alunos, por via da opção da língua estrangeira e do acolhimento de uns quantos alunos oriundos de outras paragens ao longo do primeiro período;
se tinha 32 aluno tem, garantidamente, quase 32 casos, cada qual com as suas particularidades e caraterísticas;
uma aluna que não se reconhece na escola e que dela diverge forte e feiamente;
uma aluna que, por problemas sociais e familiares, entra em plena disputa com docentes;
muitos alunos que não se revêem na escola e que, por isso mesmo, entram em conflito com docentes apenas por dois motivos, por tudo e por nada;
alunos que procuram formas alternativas de vida;
alunos que nem sequer procuram a vida;
outros tantos institucionalizados com quem já aprendi que cada dia é diferente do outro e que pode não ter sequência;
faltas, fugas, doenças, justificações e muita, mesmo muita burrocracia leva a que a diretora de turma se veja em palpos de aranha para dar conta do recado;
e já vai no segundo volume, bem recheado,
felizmente está quase a terminar
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Das conversas
Numa sala de profes, qual sala de espera onde dominam e predominam ansiedades e algumas angústias, fala-se de quase tudo, há conversas sobre quase tudo;
Sobre o tempo, sobre os problemas do mundo e do país, sobre as disputas políticas e partidárias, sobre os pais de um ou de outro aluno, sobre um ou outro caso ou situação ocorrida, sobre a família ou sobre o fim de semana;
Contudo, habitualmente não me apercebo que se discutam as leituras e ou perspetivas sobre o 6/2014, sobre os pareceres do conselho geral; não é comum ouvir ideias sobre as estratégias de gestão de fim de ano, as perspetivas sobre a sequência de trabalhos;
Direi que, na sala de profes por onde ando, oiço muitas conversas mas poucas sobre escola e sobre o agrupamento; será que se fala de tudo para que não se fale da escola? Será mais fácil ter ideias sobre a crise no mundo do que sobre aquilo que nos diz diretamente respeito?
liberdade de escolha, de participação e de pensamento
por altura em que há manchetes com a crise do ps, a dança das cadeiras ou a guerra dos tronos (gosto particularmente desta última) talvez seja interessante dizer porque estou com a. costa - sem ser em tons de justificação;
como militante do partido socialista tenho tido, desde os idos anos 90 do século passado, uma assumida liberdade de estar, pensar e agir; vai daí e já fui conotado com muitos, chamado e apelidado de outros tantos e considerado no binómio bestial e besta;
obviamente que percebo a posição daqueles que são e pertencem a outros partidos, para esses sou bestial, mais não seja por que digo o que penso, critico internamente os meus e sirvo, nessa perspetiva, como argumento justificativo para muito;
como percebo a posição dos socialistas do distrito onde, relativamente à minha pessoa, oscilam entre algum reconhecimento com outro tanto constrangimento, ou simplesmente por me tolerarem sem me suportarem; vai daí e assumi lugares que alguém considerou que não ficaria mal, como também me dispensaram sem mais, apenas porque penso por mim e me atrevo a dizê-lo; e há quem pura e simplesmente não me suporte, dentro do ps, exatamente porque não controla a minha pessoa, não sabe com o que pode contar comigo;
e aqui há uma grande, mas mesmo muito grande questão da qual não abdico, mais não seja por uma mera questão de coluna, a de pensar por mim, a de me orientar por princípios, valores, ideias e convicções que há muito aprendi, adquiri e interiorizei;
lá por militar e pertencer a um partido não tenho de ser carneirista (apesar de sério admirador de Sá Carneiro), lá por ser militante, não procuro tacho nem protagonismos e menos ainda qualquer forma de poder que não passe por dar cumprimento ao que penso, ao que defendo a uma ideia de sociedade;
vai daí e estive com antónio josé seguro aquando da sua primeira eleição; pessoa que conheço (mas ele dificilmente me conhecerá) desde os inícios dos anos 90, considerei que podia e seria ou deveria ser uma lufada de ar fresco no descomprometimento ao aparelho e na assunção dos princípios socialistas; enganei-me, reconheço e assisti a um claro reforço do aparelho do partido socialista com o argumento de abertura; enganei-me pois assisti a um engajamento partidário em compromissos e acordo por debaixo da mesa em nome da transparência e da clareza;
não sou ingénuo e sei que que as lideranças se constroem por entre contratos ou simples compromissos; sei o que a casa gasta apesar de a minha fidelidade, o meu contrato e o meu compromisso ser comigo e com os meus princípios;
mas estou com a. costa por reconhecer nele, pelo menos neste momento e neste tempo, as condições para abrir o ps ao eleitorado socialista e social democrata, fazer do ps um espaço de confluência, encontro e determinação, mais que um ps de aparelho, de negócios feitos;
posso estar enganado, é verdade, mas sinto toda a liberdade por poder optar e redefinir o meu caminho;
coisa que com a. seguro não tem sido nem possível nem viável;
e não é nem de crise, nem de guerra e menos ainda de tronos que se deve falar, mas sim de democracia de abertura e pluralismo; como muitos outros defendem a realização de eleições antecipadas, apesar da pretensa legitimidade do governo, também defendo pelo menos a clarificação das ondas e das situações internas;
e nada melhor que a clarificação para se saber com o que contamos para o futuro; se a. costa perder fico na minha, à espera de outros modos e de outros tempos, com a mesma disposição e a mesma disponibilidade de hoje, completa, total - e há muitos que não podem dizer o mesmo, mesmo aqueles que são pretensamente grandes ou pretensamente maiores...
domingo, 1 de junho de 2014
da da (di) gestão
o processo de agregação veio colocar em evidência alguns elementos que se reúnem em torno da gestão, nomeadamente (mas não exclusivamente):
a dimensão como factor de gestão;
os processo de decisão e organização das escolas
a dimensão política da gestão por via dos inúmeros interesses, objetivos e preocupações que se cruzam nas escolas;
as lógicas, princípios e ideias sobre escola e os diferentes modelos de gestão;
as zonas de conforto da qual todos nos munimos;
ora esta evidência vem, no meu entender, colocar um enorme desafio senão mesmo alguns problemas de (di)gestão;
isto é, alguns agrupamentos, em particular os de maiores dimensões, têm de assumir a separação entre uma gestão administrativa e uma gestão pedagógica; a primeira será possível e será viável, mais não seja em determinadas rubricas orçamentais; a segunda e de acordo com a dimensão, tornar-se-á ingerível ou, pelo menos, de dificuldade acrescida; seja por via das lógicas de cultura organizacional, seja pela não partilha de ideias ou de ações, seja por que requer tempo e alguma orientação para que se consiga alguma coerência de procedimentos pedagógicos, pelo menos estes; e o que vejo é uma desarmonização de procedimentos, é o cada um faz com oque sabe ou como sempre fez;
é o pior que pode acontecer
organização - círculos - processos
habitual e tradicionalmente o processo de decisão era mais ou menos claro e mais ou menos transparente;
a decisão era, na generalidade das situações, casuística, fruto da situação, de um contexto (espaço, tempo e saberes) e das circunstâncias (quem coloca o problema, quem se assume na sua ação, que variáveis existem e pronto);
há assim dois tipos de decisão; uma imediata de gestão de situações ou de resolução de pequenos problemas; outra de médio longo prazo, de gestão de recursos, organização da escola, orientação da ação coletiva;
qualquer uma delas assentava na pessoa do presidente/diretor;
nas mais imediatas, decidia fruto da sua experiência, do conhecimento (factual ou empírico), de uma ou outra ideia que tinha ou detinha sobre o funcionamento da escola ou por orientação meramente administrativa;
noutras, naquelas de médio longo prazo, ouvia os mais próximos e/ou - direi que talvez na sua maioria - preparava um documento que apresentava em conselho pedagógico e que, na generalidade das situações, era aprovado;
é aqui que se começam a notar algumas alterações;
a decisão assumida raramente era contrariada, contraproposta, discutida; só por por vezes e de acordo com as dimensões da escola (dimensão essencial para a definição e constituição de massa crítica) podia existir um ou outro alinhavo, mas nada de significativo (inclusivamente para aqueles diretores mais batidos, eram introduzidos pontos para discussão e negociação, dando assim ideia de cedência);
com o crescer das escolas na sua dimensão, em particular naquelas que foram sujeitas a agregação, o número de variáveis cresceu significativamente e, entre elas, os princípios e as lógicas a que cada qual estava habituado e pelas quais se regia e orientava;
fruto das agregações, do crescer da dimensão de variáveis envolvidas, da sua manifesta dificuldade de controlo, o processo de decisão, que o diretor pretende manter, sofre abalos e é sujeito fortes pressões externas;
por um lado, as situações de contestação saem da gaveta e assumem o seu protagonismo no confronto de órgãos (em particular entre conselho geral e conselho pedagógico); neste confronto assumem-se (?) princípios diferentes, lógicas de ação distintas, opções manifestamente divergentes;
por outro, os níveis de questionamento, interrogação e de confronto sobem inevitavelmente fruto do crescimento do número de elementos envolvidos na decisão, mas também e por isso mesmo, porque o controlo sobre as variáveis da decisão passa a ser muito mais débil, senão mesmo inexistente;
nesta perspetiva há que alterar, em alguns contextos com algum radicalismo, os circuitos e os processos de decisão; experimentar a elaborar documentos postos à discussão, que sejam feitos, acrescentados bottom to top, debaixo para cima, envolvendo e implicando o maior número de elementos possíveis; com clareza de procedimentos e com regras de trabalho; talvez resulte
inexorável
estamos num novo mês que começa quase a brincar, com o dia da criança;
sábado, 31 de maio de 2014
escrita de fim de semana
poderes e escola - relações em reconfiguração - podia - e é - um título para esta entrada;
começo por dizer que a escola, desde as suas mais remotas origens, teve como objetivo moldar as crianças (corpo e mente) a uma língua, a uma cultura, aos processos que num tempo e num contexto, definiram a normalidade, as regras, os preceitos do governo do coletivo; não apenas pelos conteúdos disciplinares (aquilo que se ensina nas diferentes disciplinas), como pela seleção e organização das disciplinas (os tempos, os modos, as didáticas) e, mais ainda, pelo conjunto de preocupações que cada período expressa (preocupações pela natalidade juvenil, pelas dependências, consumos ou comportamentos, seja pela ação individual e/ou de grupo onde cada um se insere);
para o cumprimento desta missão foram definidos objetivos educativos que se expressavam na ação escolar (os modos de organização da escola, os tempos letivos e não letivos, o papel da escola e dos profes na guarda das crianças, a oferta escolar e formativa, entre muitas outras dimensões); foi ainda definida uma estrutura organizacional que tem variado muito pouco desde 1976, por altura do célebre e por alguns desejado, decreto 769-A/76, designado como o decreto da gestão democrática, assente num órgão de administração (o 769-A não o contemplava e o conselho diretivo assumia ambas, só depois do 115-A/1998 se definiu a sua separação na assembleia de escola, atual conselho geral), de gestão (o conselho diretivo ou o diretor, uninominalmente) uma estrutura de supervisão ou definição estratégica, desde sempre assumida pelo conselho pedagógico;
nesta estrutura os profes estiveram quase sempre em maioria; imbuídos de um espírito de grupo, homogeneizados pela formação inicial das ciências da educação, independentemente das suas origens, formados no espírito democrático do pós 25 de abril (do nacional porrerismo, das vontades de mudar o mundo, crentes no espírito harmonioso e equilibrado do universo, na crença que a educação e a escola mudam pessoas e mentalidades), as situações de conflito e/ou litígio e/ou divergência quanto às opções e sentidos e modos de gestão das escolas foi quase sempre minimizada, desvalorizada e relegada para questões mais pessoais, de desentendimentos e não questões de política dura; mais, para a generalidade dos profes, imbuídos de um espírito de alguma colegialidade, de pretensos interesses pedagógicos (como se estes não fossem eles mesmo de natureza política) sempre afirmaram que a política ficava à porta da escola; com esta afirmação quase sempre quiseram afirmar que política era partido e não opções, escolhas que se assumiam na direção ou na gestão - e só mesmo os profes acreditaram nestas palavras, tudo o resto os contrariava, desde os conselhos locais de educação ou, posteriormente, os conselhos municipais de educação, ao papel das câmaras e vereadores na gestão dos recursos afetos às escolas, à ação das estruturas centrais ou desconcentradas do ministério;
mais, o paralelismo que desde o 769-A foi configurado à administração (de longo prazo, estratégica, de ciclos de formação) e a gestão (mais imediata, de curto prazo, de resposta direta a situações ou problemas) fez com que a dimensão política das escolhas e das opções de escola se diluísse na personalidade e nos interesses de uns quantos e existisse, inclusivamente, alguma verdade na afirmação que a política era escassa na escola, e era mesmo, porque quase que centrada na pessoa do presidente/diretor, muito dependente da sua dinâmica, dos seus interesses e vontades - evidência ontem como hoje, o processo de discussão e de decisão dos diferentes órgãos e dos diferentes temas, quantas vezes não se discutem os problemas porque se assume que é questão do diretor e se assumem as suas determinações, porque são mesmo ou acabam por ser determinações e não orientações;
mesmo depois do célebre decreto da autonomia, o o decreto lei 43/89 (que ainda não foi revogado e que, se utilizado, como argumento ou justificação na escola, criaria de certezinha algumas moengas e engulhos a alguns), que passou a definir a autonomia enquanto projeto, configurando o projeto educativo como o programa de governo de uma escola, a dimensão política se insinuou ou se estabeleceu nas escolas; primeiro porque apenas se ligou ao projeto educativo a partir do momento em que a inspeção o passou a solicitar, coisa que apenas aconteceu já bem dentro dos anos 90; depois porque com ou sem projeto, sempre prevaleceu a vontade, o interesse e o protagonismos de uns quantos, sempre muito poucos, sempre muito juntinhos - por isso mesmo hoje se mantém uma questão claramente (im)pertinente, projeto educativo para quê? isso não é só faz de conta? isso não é apenas burocracia, perda de tempo?;
estou convencido que se não tivessem existido agregações a coisa se manteria como estava; isto é, um conselho geral de faz de conta, de anuência a diatribes e (in)disposições dos diretores, órgão de brincar às assembleias; estou certo que sem agregações se manteriam as escolhas e as personalidades dos diretores como determinantes dos sentidos e das opções mais ou menos democráticas da sua gestão - por exemplo, quantos agrupamentos ou escolas têm configurado critérios, regras e procedimentos coletivos do famoso artº. 20º dos decretos leis 75/2008 e/ou 137/2012, referente às competências do diretor? a generalidade assume que isso é competência do diretor, não se mexe, não se define - é livre arbítrio do diretor, e é pena, digo eu;
contudo, o processo de agregação veio introduzir um conjunto significativo de alterações em sede da administração e da gestão; o processo de agregação permitiu destapar as dimensões políticas da gestão; dimensões essas assentes nos interesses, nos objetivos e nas preocupações individuais, sejam de pessoas ou de grupos; e é essa a dimensão política que a escola sempre teve (interesses, objetivos individuais) mas que estavam como que subsumidos - mais cego é quem não quer ver:
com as agregações surgiram novas variáveis em todo o processo; escolas básicas a gerir interesses do secundário e dos profissionais, escolas secundárias confrontadas com as mobilidades do pré escolar ou do primeiro ciclo; no meio, todo o confronto de múltiplos interesses (pais/encarregados de educação, município, técnicos, recursos, profes, funcionários, sindicatos, plataformas, pedidos e urgências daqui e dali) agora de difícil (senão mesmo e em alguns casos, de quase impossível gestão);
por via do destapar das dimensões políticas das escolas evidenciam-se conflitos e divergências entre órgãos e estruturas; mantém-se, em alguns casos e em algumas situações, a retórica que não é política, nem é pessoal, destaca-se, na justificação ou na argumentação do conflito, a divergência pedagógica, a discordância ou mesmo a divergência de interesses, mas não a sua dimensão política; ele é em muitos sítios, o conjunto de pareceres expressos pelo conselho geral a produtos e documentos oriundos do conselho pedagógico; ele é a divergência de docentes quanto a horários, serviços, funções, afazeres entre muitos outros; ele é o nível de ruído que começa a crescer e a se afirmar em reuniões, ele é o papel dos pais/encarregados de educação que se expressam de modo diferente (e mais informado), ele é a câmara que se desliga quando não assume interesse ou preocupação; ele é o isolamento em que muitos diretores estão a cair;
isso é a reconfiguração dos poderes; poderes que se alteraram significativamente, quer na sua estrutura e organização, quer na expressão dos seus objetivos; e é esta re configuração que faz com que muitos agrupamentos sejam quase ingovernáveis; hoje não chega a vontade, o interesse ou a boa vontade de um diretor ou de um vice ou assessor; hoje é manifestamente insuficiente responder a interesses (pontuais, circunstanciais, individuais) para se ganhar o silêncio; hoje é impossível fazer panelinha com amigos ou parceiros; hoje as escolas são mais que a junção de interesses e funções; não chega a experiência ou a dinâmica de um diretor; é preciso muito mais que isso, é preciso, essencialmente, assumir a dimensão política da escola; sem a presença e a assunção desta dimensão estou convencido que os diretores terão um muito mais curto prazo de vida (profissional, entenda-se) que antes, que as mudanças e as mobilidades de estruturas intermédias será mais acentuada, que o cansaço e o desprendimento mais evidente;
sexta-feira, 30 de maio de 2014
resultado - atualização
continuidade 1
regressada (eu sei que ela não iria gostar nem permitir, mas... ) 17
faltou um e um branco - se não estiver a cometer erro
um claríssimo cartão vermelho à falta de tato, à excessiva dimensão partidária da coisa, à gestão com os pés e sem sentido;
não sei se é um regresso desejado e determinado, se apenas o mal menor ou a criação de alternativa à estupidificação da coisa,
será interessante perceber a dimensão gestionária (da escola e pedagógica) entre viana, sede de concelho, e alcáçovas, desde sempre envolvidas em guerras de alecrim e manjerona, com aguiar de permeio;
nunca foi uma solução, mas também não eram três problemas,
o que serão a partir daqui?
ante estreia
diz respeito à reconfiguração dos poderes escolares, isto é, aos (des)equilíbrios que noto, em particular na minha escola, por uma questão de proximidade, mas também em outras, entre órgãos e estruturas, posicionamentos e discussões; ele é a divergência, senão mesmo o conflito de interesses entre conselho geral e conselho pedagógico, departamentos e turmas, diretor e assessores;
os tempos na escola (mas não só), estão manifestamente diferentes, esquisitos, diferentes e fazem-se sentir nos equilíbrios cada vez mais precários entre nós e de nós mesmos; tempos de interesses, de orientação, de gestão;
o texto versará sobre a dimensão política da escola e das suas opções, como se expressaram elas no passado e no tempo presente, qual a reconfiguração que destaco fruto dos processos de agregação; dimensão de política escolar, aquela que acontece e tem como palco a escola, qualquer escola, mas contextos concretos de ação e de vivência, nem sequer é de política educativa, mais geral, mais governamental;
em ante estreia apenas faço votos para que dê que pensar, crie dúvidas, motive algumas interrogações ao pessoal que tiver a pachorra de ler;
o processo de agregação veio introduzir um conjunto significativo de alterações em sede da administração e da gestão das escolas; o processo de agregação permitiu destapar as dimensões políticas da gestão; dimensões essas assentes nos interesses, nos objetivos e nas preocupações individuais, sejam de pessoas ou de grupos; e é essa a dimensão política que a escola sempre teve (interesses, objetivos individuais) mas que estavam como que subsumidos - mais cego é quem não quer ver:
resultado
num dos agrupamentos, o 4, o inevitável, o esperado, a senhora diretora era única;
noutro, no 2, direi que esperado, alianças sem surpresas, posições direi quase que normais;
acrescento, em tons de concórdia, quando há opções internas quem vem de fora tem poucas hipóteses;
eu que o diga que o aprendi à minha custa;
fica a esperança de, num e noutro agrupamento, se afirmarem ideias de escolas e de educação num território concreto; não será fácil pelos tempos, pelas dimensões, pelas políticas, pelas posturas de todos - profes, pais, políticos e município...
quinta-feira, 29 de maio de 2014
dos manuais escolares - escolhas e dúvidas
hoje, depois de uma curta quanto interessante conversa com uma colega sobre tema, discorro novamente sobre a coisa;
da conversa
inúmeros, tantos, canseira e trabalheira
da pergunta
para que se quer um manual
aí a coisa já se divide;
um manual escolar pode (e deve) ser visto como:
suporte de trabalho ao aluno, instrumento de orientação do trabalho mais autónomo, mais individualizado do aluno enquanto estudante - isto se o aluno o souber utilizar, tenha pelo menos curiosidade em o ler e/ou folhear, seja capaz de perceber a relação existente entre documentos de apoio e escrita de orientação; situação que difere de ano/ciclo para ano/ciclo de ensino;
elemento de uma dinâmica de trabalho, seja ela a do aluno, individualmente considerado, seja a do docente, na preparação de aulas, na definição do trabalho a desenvolver; aqui surgiu e não há muito tempo, o manual do professor, com algumas diferenças relativamente ao manual do aluno, com destaque para propostas de trabalho e de dinâmicas de sala de aula, de trabalho e utilização do manual;
mas pode também ser visto e considerado enquanto elemento de apoio e não um instrumento em si, ser um suporte e não o suporte, ser mais um elemento na parafernália de elementos que hoje existem à disposição de quem quer satisfazer um pouco da sua curiosidade sobre o mundo;
certamente que existirão outras, mas destaco estas enquanto elementos mais claros na definição de objetivos e na criação do manual enquanto objeto de trabalho (a primeira com centralidade no aluno, a segunda muito assente no profe e a terceira em processo de articulação entre dinâmicas e interesses de trabalho);
pois bem, entre as diferentes perspetivas de utilização do manual interesso-me particularmente pela terceira; o manual é, para mim, apenas um ponto no meio de muitos outros, incluindo outros livros; é um meio de definir dinâmicas de trabalho em sala de aula, de despertar a curiosidade sobre o que fomos, de onde viemos, mais do que assentar arraiais na história que nos contam, de me sentir condicionado às/pelas fontes que se utilizam e apresentam;
já agora, apenas um dos manuais analisados e selecionados foi votado favoravelmente por mim, todos os restantes adoptados não mereceram o meu voto; fiquei em minoria, paciência... nada se perde, tudo se transforma
dos interesses, dos resultados e dos prognósticos
direi que prognósticos apenas no fim do jogo,
aí, saberei que não erro, nem entrarei em divagações;
a coisa está fininha, delicada e algo complexa, de resto algo à imagem e semelhança do próprio agrupamento - excessivamente grande, inúmeras, imensas variáveis que se procuram anular, condicionar e influenciar entre si, dando origem a arranjos, arrumos e configurações por vezes esquisitas;
tenho o meu... assim a modos que favorito, mas aqui, neste agrupamento, há demasiadas coisas em jogo - e o jogo tem andado algo por baixo - para poder distender a escrita sem entrar em susceptibilidades, pruridos e micoses; foram argumentos suficientes para ficar a apreciar a coisa;
Projetos - o desnecessário necessário
Uma escola pode viver e sobreviver sem projetos? Sejam eles o educativo, o regulamento interno ou de turma?
Poder pode, mas será a mesma coisa?
Qual a necessidade, utilidade, pertinência ou outra coisa para a prática de sala de aula decorrente da existência de projetos, regulamentos e escritas que tal?
Provavelmente nenhuma, pouca ou eventualmente não necessários, dirá a maior parte dos profes e não só;
Afinal a não existência de projetos ou regulamentos não inviabiliza o funcionamento das escolas; tantas há que funcionam, algumas até acima do razoável, e não têm projetos, os regulamentos são de gaveta e pronto;
E há tantos projetos, regulamentos, grelhas e papel que tal que apenas entopem os profes, os cobrem de "burrocracias" e servem apenas para enfeitar, dizer que há, fazer de conta;
pois é;
Mas considero que a existência de um projeto, nomeadamente o educativo, deve existir para que todos, mas mesmo todos (profes, alunos, funcionários, município, parceiros, pais, encarregados de educação) percebam para onde se vai, com quem e como;
A existência de um projeto será determinante para que o trabalho individual, os objetivos particulares, os interesses mais pessoais sejam enquadrados, balizados, e sejam elemento de orientação ao coletivo;
A existência de um projeto deve evitar situações arbitrárias, a descricionaridade da decisão, a transparência de processos;
Um projeto deve balizar o conhecimento do que se pretende, justificar procedimentos e orientar o trabalho de cada um;
O problema é que muitos continuam a afirmar o individualismo serôdio, o isolamento da ignorância, o trabalho por si e em função de cada um;
assim, a escola perde dimensão e escala, fecha-se e isola-se e muitos, aqueles que trabalham, geralmente não percebem nem porquê nem para quê...
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Autonomia por via do Normativo
Primeiras leituras do despacho normativo 6/2014, referente à organização do próximo ano letivo;
Notas aindas muito soltas;
Direi curioso que o discurso deste governo sobre a autonomia das escolas venha enrolado em despachos normativos - é uma perspetiva da autonomia, funcional, administrativa;
Termos como flexibilidade, sucesso, organização tornam-se algo predominantes - coisa que depois não é tolerada seja pelas aplicacões cegas do ministério, seja pelos serviços do dito cujo, delegações escolares, tão zelosas, ou inspeção, tão solicita;
Processos e procedimentos - transparência, clareza, participação, objetividade, coerência, simplificação - são referidos como indispensáveis à gestão, o que pressupõe que é coisa que, pelo menos, não predomina nas escolas - é a desconfiança, por um lado, como é o reconhecimento dos contextos;
Neste processo e em particular no apelo à simplificação, o governo cria uma forma de desmarcação aos complicometros que muitos profes conseguem criar, aos mais papistas que o papa;
Novas respostas - como resultado, ou corolário da coisa; mas estas novas respostas têm de ser autorizadas, têm de estar enquadradas, têm de ser normativas - o que não deixa de ser engraçado;
Depois há referências que são mesmo muito manhosas de descascar em escola, isto é, em eventuais discussões que, a não serem feitas, irão incontornavelmente conduzir à arbitrariedade e descricionaridade do senhor diretor - imagino que será coisa que irá acontecer pelos meus lados;
Mudança
Agrupamento de escolas de montemor-o-novo,
visitado 6, regressada 15;
Eu não disse que ia ser uma abada! Ah pois foi,
terça-feira, 27 de maio de 2014
a propósito do futuro
e um novo ciclo de inicie
tudo aponta, se a lógica não for uma batata e os receios e fantasmas sejam ultrapassados, para que o atual presidente da CAP perca para a antiga diretora da então c+s, para que nos entendamos; e perca um pouco à má fé, isto é, por muitos, seja capaz de levar uma abada;
espero para ver
contudo, e sem ser muito péssimista irá acontecer neste agrupamento - e em muitos outros - um pouco do que aconteceu no domingo passado, dia de eleições; isto é, os tempos poderão ser marcados por algum desencanto, senão mesmo desilusão;
gerir este tipo de agrupamentos, muitos alunos, muitos professores, muitas variáveis, muitos interesses e interessados, não direi que é ingerível, como alguns defendem, mas claramente e excepcionalmente complexo, complicado e, acima de tudo, delicado;
o despacho normativo 6/2014, referente à organização do ano letivo, que ainda estou a ler, não augura nada de bom na sua presunçosa flexibilização pedagógica,
a ver vamos
o futuro que se define
segunda-feira, 26 de maio de 2014
projeto educativo e mudança escolar

nem mais
na minha escolinha uns quantos discutem (enfim, força de expressão) o que fazer do projeto educativo que não existe;
na minha santa escolinha, o projeto educativo foi, por via do conselho geral, recomendado que se alargue nas formas de participação e discussão - não nos seus objetivos, funções ou sequer lógicas ou sentidos de organização ou orientação escolar e profissional, mas pronto, é o que temos;
por outro lado, na minha santa escolinha há quem afirme de forma categórica, que o projeto educativo, este ou qualquer outro, para nada serve; talvez, na sequência do que outros já escreveram, sirva apenas para a escola cosmética, um qualquer rendilhado que embeleza mas nada produz;
talvez
antónio nóvoa afirma exatamente o seu contrário, a importância crucial do projeto educativo para que, por seu intermédio se possam identificar elementos de mudança e de continuidade, de inovação e de tradição;
o projeto educativo tem de ser um elemento orientador do coletivo, que articule, relacione e defina formas de partilha entre disciplinas, pessoas, processos e ações;
certo
é preciso é saber o que fazer e como fazer
isto é
qual a ideia que se tem de escola; qual o papel, os objetivos e as orientações dos diferentes elementos que se cruzam na escola, professores, alunos, pais/encarregados de educação, funcionários, município, parceiros, etc...
o problema é que muitos dos que trabalham na escola não têm a mínima ideia sobre a escola (os seus objetivos para além do ensinar e do aprender, as funções para além da instrução ou da socialização, os seus processos de normalização e uniformização, as articulações, ligações, relações que se estabelecem) nem sabem (re)pensar o papel e a organização da escola (espaços, tempos, funções),
depois nada se discute, assume-se apenas o professor como funcionário e o aluno como objeto
e andamos felizes e contentes a dizer que o problema é das políticas e dos governos, a correr atrás do nosso rabo, sem tempo para nada, nem para ninguém, a preencher papeis apenas porque é bonito e fica bem, a identificar constrangimentos, problemas e oportunidades porque é de cosmética que a coisa trata,
no meio perdemos o aluno e a paciência
tá bem tá
reta
hoje, segunda feira, é o primeiro dia de um curto período que terminará, para alguns, já na próxima semana, para outros na semana seguinte;
os nervos começam a fazer-se sentir, o trabalho é reconhecido ou simplesmente ficam as expetativas não cumpridas;
faço avaliação por portefólio, e, nessa perspetiva, recuso qualquer sentimento ou pedido de nota em final de ano; ou há trabalho ou existirá qualquer outra coisa que terá a sua avaliação;
recuso resumir um ano (letivo) de trabalho à reta da meta, às benesses do que é ou do que devia ter sido;
costumo dizer que sou professor, não sou bombeiro para acudir a aflições; o pessoal sbe e pretensamente é conhecedor das regras e dos critérios de avaliação; assumam-se as responsabilidades e as competências de cada um;
aceito comentários, críticas e sugestões, venham elas de onde vierem (inclusivamente de pais ou avós extremosos); costumo dizer, venha quem vier, traga o/a aluno/a e o portefólio; então falamos...
domingo, 25 de maio de 2014
perdoa-me
em dia em que a democracia se expressa na sua plenitude, valha o que valer, seja o que dela fazemos, aparecem notícias destas, a atirar para um qualquer revivalismo de antigamente; quase que toca o perdoa-me antónio, que nós, tugas, pecámos na ausência da tua orientação;
nada tenho contra (ou sequer a favor) das aulas de religião, seja qual for o credo que se pratique;
já tenho coisas a dizer e a escrever quando as dimensões laicas da escola pública são entregues a mórmones, beatos, ortodoxos da política em detrimento de outras dimensões mais escolares e sociais;
considero que a escola até podia oferecer aulas de religião - e oferece, de acordo com a legislação ainda em vigor e que data dos anos 80 do século passado; mas não o deve fazer à custa de outras disciplinas mas da opção que os pais/encarregados de educação possam ou queiram assumir;
por este andar e o programa de história e de ciências naturais será em breve substituído e onde contam as teorias darwinistas e evolucionistas, passarão a constar as teorias criacionistas;
tá giro, tá...
do desconhecido
grosso modo era capaz de perceber os ip, de onde vinham o que liam e por onde paravam;
sabia as quantidades e as amizades que nos unem ou simplesmente que nos separam;
agora a coisa está claramente mais difícil;
não pretendo escrever para a gaveta, isto é, escrevo com o assumido objetivo que alguém me leia, me escute, concorde e discorde daquilo que digo e do que escrevo; que me julgue e avalie em função dos meus erros ortográficos, da minha sintaxe desajustada e inadequada, que esteja em desacordo com o meu pretenso acordo ortográfico;
mas, de momento, não sei quem vem, de onde vem e por onde se fica;
em tempos os passantes por este cantinho estavam referenciados, eram um ip que podia identificar, fosse regionalmente fosse mesmo individualmente; agora, as referências que a google me traz diz que o pessoa vem do feedspot, do taptu e de outros que tais;
por vezes tenho entradas, postas a zero, mas com centenas de referências de um desses feed que tudo juntam e aglutinam;
pronto, escrevo para ser lido, para que comentem, para que tenham manancial suficiente para me criticar, apontar, referenciar, dizer, mas digam;
digam agora que não sei de onde vêm...
divagações de fim de semana
sei que não sou filho dos zé dos elásticos, mas estico-me em escrita solta assumidamente presa à escola e a uma dimensão social da coisa educativa;
a escola é um mundo; melhor escrito, a escola são muitos mundos;
na escola se cruzam ideias de escola e de país, valores de uma língua e de uma cultura, modelos de ação e de educação, objetivos e funções de professor e de aluno, de pais e de sociedade; o que se quer e o que se deseja, os receios do presente com as esperanças de um futuro que foi passado;
na escola e na sala de aula, se cruzam mundivisões sobre o que fomos, o que somos e o que queremos ser;
na escola se cruzam vontades que não conseguimos cumprir, com desejos reflexos que se cumpram em outro;
enquanto pais pedimos à escola e aos profes que educam, complementem o que não fazemos, cumpram o que nós, pais, não conseguimos; enquanto encarregados de educação pedimos aos profes que sejam aquilo que devem ser, profes, que professem, que orientem, que conduzam, que levantem dúvidas sobre as certezas que todos nós temos;
enquanto alunos procuramos ali sentidos, para quê, por quê, com que objetivos, por quê aprender uma equação de segundo grau, a raiz quadrada de qualquer coisa, a sintaxe de uma frase, os adjetivos ou os predicados do que somos, com o espaço e os tempos que fomos e que somos;
enquanto profes queremos que nos deixem cumprir o programa, ser o que somos, profissionais da coisa; que não nos importunem por aí e além, que tirem a senha e que possamos seguir o nosso percurso;
enquanto políticos queremos resultados, que o insucesso decresça, que as literacias aumentem, que as comparações nos sejam favoráveis, que o voto seja o nosso;
entretanto, o mundo pula e avança, e a escola ressente-se das opções, das pressas, das pressões, das urgências e da emergência social;
entretanto, os dias não param, o ano letivo segue o seu curso, a burocracia tem de ser cumprida, as reuniões têm de ser feitas, as maledicências têm de ser ditas, mas não necessariamente ouvidas, corremos atrás do nosso rabo com a clara sensação que corremos atrás do tempos que não temos, mas que não perdemos, porque nunca o tivemos;
entretanto, o tempo passa, passam por nós professores, alunos, casos, situações, acontecimentos e nós com eles todos, apenas nos apercebemos das coisas um pouco depois, talvez tarde demais;
a escola é isso mesmo, um espaço de acontecimentos que aconteceram, que acontecem e que continuarão a acontecer apenas e simplesmente porque tem lá dentro pessoas, sentimentos, afetos, relações, modos e tempos
sábado, 24 de maio de 2014
privacidade que já era
de quando em vez, por uma ou outra razão, disperso-me por entre temas e assuntos mais próximos;
não há muito tempo conversámos sobre a internet, segurança, receios e princípios; uma das ideias que defendo é que privacidade nos tempos da internet, dos smartphones e dos inúmeros dispositivos móveis que temos a privacidade já era;
senão acreditam e caso utilizem dispositivos android, cliquem e reparem ou descubram por onde têm andado: Google Location History
no mínimo it's cripy;
em reflexão
tempo de reflexão;
será?
é mesmo preciso refletir?
ou se é
os tempos não estão fáceis, não são a preto e branco, nem certo nem apenas errado,
há muita coisa que se joga no meio de tudo e que condiciona a nossa vida, agora e depois;
para que possamos ter uma ideia mais ou menos clara daquilo que somos, entre o que defendemos e o que afirmamos, entre o que pensamos e onde votamos, experimentem ir a:
http://www.euvox2014.eu/
preencham o questionário, é extenso, podemo-nos cansar, como o aluno, desinteresse ou simples aborrecimento da coisa, mas garanto-vos que muitos se irão surpreender com o mapa político que dali sai, entre o que se pensa e onde votamos, entre o que achamos e o que dizemos;
eu fiquei assim a modos que surpreendido pela recomendação do voto, já o mapa político, a imagem, nem por isso, libertário de uma esquerda moderada e democrática;
sexta-feira, 23 de maio de 2014
contradições e verdades ao contrário
o tema pode ser a verdade e o seu contrário, o que não significa que seja mentira ou sequer falso; pode ser o conceito ou o seu oposto; ou pode ser sobre o que se diz, quem diz e o que se pretende dizer ou simplesmente como é que a notícia cria uma ideia ou opinião sobre a educação;
recentemente apareceram nos jornais notícias no mínimo contraditórias, repare-se:
em tempos apareceu aquela que a pior escola tem projeto único, pioneiro e, acrescento eu, deveras interessante sobre inclusão escolar,
ontem foi a de um «mau» aluno que ganhou uma medalha de pensamento matemático;
hoje é a vez de se cruzar desmotivação com prémios de educação financeira, logo nós, num país até há pouco intervencionado por quem sabe da coisa;
diferentes exemplos pelo qual o nosso sistema educativo (entre o dito e o feito, o escrito e o sentido) joga em tempos de contradição, destaca a crítica e o elogia, cria uma qualquer não equidistância entre o mérito ou o demérito, a referência negativa dos rankings e o cotejo sapiente da inclusão, o mau aluno que de besta interna é bestial lá fora;
em que ficamos? o que resumir da coisa?
pergunto eu e eu mesmo avento uma resposta, tudo e nada,
tudo porque é verdade verdadeira pelos factos, pelos maus resultados, pelo desinteresse e pela desmotivação;
nada porque simplesmente nada se pode esperar de um dia para o outro, de um ciclo para o outro;
precisa-se nas escolas aquilo que todos defendem e ninguém pratica, competência e conhecimento técnico, ultrapassar voluntarismos bacocos e serôdios e disponibilidades individuais apoiadas em situações ou circunstâncias únicas, e organizar com base num contexto concreto e objetivo, os processos de gestão e organização da escola; talvez se evite o que acontece pelo menos na minha escola, muitos docentes não pararem até apanharem o rabo do qual andam atrás, o seu...
dos professores - ânimos e espíritos
gostava de ter condições e ser capaz de comentar e escrever sobre as notícias de acordo com duas perspetivas, uma a minha, de professor, de envolvido e enleado em toda esta sina social e profissional; uma outra para todos aqueles que olham a escola por aquilo de que se lembram, pela sua passagem por lá, pelo seu papel de aluno ou pela perspetiva dos pais;
deixo apenas um comentário para que se leia de acordo com o referencial de cada um, a sua experiência e possibilidade;
direi que a avaliação de desempenho deixou marcas pesadas e profundas nos professores; mas a coisa já vem de mais atrás;
os professores têm tido e sentido manifestas dificuldades em lidar com a heterogeneidade da população escolar, com a concorrência colocada à escola pelas redes sociais, pela wikipédia, pela televisão;
temos tido e sentido manifestas dificuldades em lidar com grupos diferenciados em tudo, nos interesses, nas preocupações, nos objetivos ou na sua falta, na participação dos pais, mesmo quando não participam;
tido e sentido dificuldades em gerir um currículo muita das vezes desajustado, desadequado, extenso, complexo e problemático;
que dizer da indiferença, do alheamento e do desinteresse dos alunos, mas também a incompreensão de outros grupos sociais e profissionais; do isolamento a que nos votámos e a que fomos obrigados; da ação sindical que defende posições individuais, olha o instantâneo e esquece, estrategicamente, o dia seguinte, os tempos que se seguem;
a coisa vem de há muito, marcada por duas ou três situações, que não explicamos nem entendemos;
uma formação desajustada do contexto escolar; uma formação inicial que valorizou dimensões sociais, hoje questionada e desafiada pelo neo liberalismo serôdio, cego e darwinista;
um conjunto de políticas que obrigaram a escola (entendam-se os docentes) a assumir papéis, funções e objetivos que não são nem pedagógicos nem curriculares, o caso do papel de guarda das escolas, de sensibilização e formação cívica e de cidadania, os inúmeros problemas sociais a que a escola tem de dar resposta;
finalmente, direi que não é de motivação ou de falta dela que os docentes evidenciam; pelo que consigo perceber e ver é de desencanto e desilusão; primeiro nos políticos e nos governos, deram a maioria ao ps e foram sacudidos pela reconversão social e profissional da escola; votaram psd e cds e sentem-se enganados; como se fossem os outros os responsáveis pela sua vida, os docentes que há muito abdicaram da sua autonomia, por interesse, por lógicas momentâneas e circunstanciais; mas desilusão e desencanto também da e na sua profissão, na gestão e nos diretores; nos tempos e no (não) reconhecimento social, como se os outros não nos percebessem, nós que não nos entendemos;
e seja motivação, interesse ou ilusão, reflete-se na geração que formamos, na atitude e na dinâmica de sala de aula, na organização de respostas, na identificação dos problemas
quinta-feira, 22 de maio de 2014
do mesmo e da diferença
a anterior ia rapidamente a caminho dos 2 anos; esta é de hoje;
a anterior retratou um momento, uma situação, um tempo;
esta marca a mudança de visual, a alteração das gaffas, das lunetas, isto é, dos óculos, pronto;
é novo visual fruto do tempo e também de alguma necessidade;
o toto, esse, eu mesmo, continua o mesmo;
Professores - entre o que custam e o que valem
Tive oportunidade de ver, ainda que por enquanto em diagonal, um trabalho sobre as necessidades de professores para a década que decorre; como variam as necessidades de profes, isto é, que profes foram, são e serão necessários no período de 2010 a praticamente 2020;
Em números redondos, que não sou bom em contabilidade, diz-se que no princípio da década existiam quase (quase) dez mil profes no alentejo, do pré escolar ao grupo 900; que no final da década não se chegará aos seis mil, isto é, poucachinho mais do que metade dos existentes no início do período em estudo, 2010; que o período mais crítico deste "ajustamento" se terá dado neste ano letivo de 2013/2014, em que existirão quase oito mil docentes; significa que o "ajustamento" se manterá, isto é, a dispensa de docentes será para continuar, entre contratados que não existirão, a reformas e aposentações a simples desvinculação por ausência de componente letiva;
Daí eu colocar a questão entre o que custa um docente e o que ele poderá valer; se não se perceber que o trabalho docente não se fica por "dar aulas" o custo será elevado, se assumirmos que o trabalho de um profe passa também por educar e formar então estar-se-á a destacar o seu valor;
a questão é que politicamente, para este governo, o profe tem custos e não tem valor;
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Conceitos - ideias feitas ou por fazer
Ontem estive a apresentar uma parte do trabalho que desenvolvo sobre o pca;
No meio tive oportunidade de ouvir duas outras apresentações, uma sobre a avaliação das escolas, enquanto elemento de aferição de práticas, outra sobre o papel do diretor de turma como mediador de relações;
Gostei do que ouvi, dão para despertar a curiosidade, olhar para um e outro dos objetos com algum questionamento;
Contudo, os conceitos não foram explicitados, construídos, sequer apresentados; é coisa algo comum na escola e nos profes, darem de barato a partilha de ideias e conceitos; somos (todos) docentes e assim se parte do pressuposto (errado) que o outro tem, sobre os conceitos, a mesma ideia, a mesma leitura, a mesma interpretação; e não tem; e raramente as ideias que predominam num contexto, os conceitos que se afirmam perante um grupo/turma são trabalhados entre os elementos docentes; e é pena que assim seja, sem a clarificação das ideias e a explicitação dos conceitos alimentam-se desalinhamentos, desajustes, definem-se complicometros;
terça-feira, 20 de maio de 2014
Salve-se quem puder
De quando em vez tenho de regressar ao comentário mais critico, a isso me impelem atitudes e comportamentos;
Os tempos são o que deles fazemos e há pessoas que se sentem mais (ou menos) à vontade nestes tempos; são tempos marcados pelo desenrasca individual, como se as dimensões sociais fossem relegadas para segundo plano, não apenas pelo governo mas pelas pessoas, pelo cidadão, pelo nosso colega; são tempos de darwinismo social e profissional onde se pula e avança por entre corpos que trespassamos, senão pela espada, pelas atitudes;
Duas aconteceram-me hoje em menos de um bloco de aulas;
Sabem que tenho reunião agendada, sabem porque me o afirmam para, no mesmo parágrafo, dizerem paciência, eu marco primeiro, eu convoco primeiro, numa clarissima logica de quem primeiro chega, primeiro se avia, cagando o outro, o seu cadáver serve-me de apoio para chegar mais alto;
Logo de seguida chego à sala e está ocupada; certo, teste de um colega, mas, caramba, uma turma pequena em sala grande e eu, com turma de 31 (30, um faltou) vou para uma sala repleta de pc's onde o pessoal se acotovela; ninguém tem o desplante de me informar, xe apenas me comunicar, nem sequer é pedir, seria mesmo avisar para que pudesse reconfigurar estratégias e metodologias; qual que, o outro que se lixe;
Porra que os tempos não estão fáceis
segunda-feira, 19 de maio de 2014
da medição
as provas, estas ou quaisquer outras, têm como objetivo medir; medir algo ou alguma coisa; seja a quantidade dos conhecimentos, a sua qualidade, a adequação entre programa e práticas, entre o que se diz e o que se faz, o trabalho dos alunos ou aferir das práticas docentes;
sinceramente e não é esta a primeira vez, considero as provas (antes exames) bem feitas, bem estruturadas, bem esgalhadas; acho mesmo;
só falo da prova da tarde, claramente bem esgalhada no seu enunciado (não comento se difícil, se complicada, se complexa, se ajustada ou qualquer outra coisa, é mesmo uma apreciação interna da prova); sentido crescente de dificuldade, metas cada vez mais complexas e imbricadas entre si; passos (que não coelhos) sequenciais sem comprometer o antes nem criar hesitações para o depois; a cotação a corresponder, mas também com sentido de não complicar resultados, como se o árbitro, aquele que fez a prova, tivesse consciência do que pretende avaliar;
e, pelo que pude apreciar, o que se pretende avaliar não é apenas o programa, não serão apenas conhecimentos do aluno, não serão apenas os (des)ajustamentos entre o programa e as práticas docentes; em meu entender é tudo isso;
será que os docentes têm consciência disso?
será que os docentes, em sede de departamento ou onde entendam, analisam a coisa, discutem a coisa?
mesmo antes de resultados publicados, qual/quais o(s) impacto(s) desta prova na(s) prática(s) docentes?
final de ciclo
senão repararam, nada se perde e nada se transforma, tudo continua como antes;
dá gosto ver alguns docentes senhores da preocupação da fiscalização, outros algo mais... direi acabrunhuados com a presença da senhora inspetora na casa; mulher de voz grossa a mandar respeito em cidade da tropa; outros apenas se limitam a cumprir o indicado, estar presente, rabiscar e falar de acordo com o guião; e pronto
e pronto, foi visível (atão na foi) o rigor, a exigência e a qualidade que resulta destas provas finais de ciclo;
pendurado
quinta-feira, 15 de maio de 2014
sensibilidades, pruridos e urticárias
estamos de volta do processo, enleados em nós mesmos - um processo de agregação que não é digerido de maneira nenhuma, recusa do novo projeto educativo, manutenção da avaliação assente em projetos educativos desenhados numa realidade que hoje não existe; mas cá vamos;
no meio deste processo dou conta das sensibilidades, de pessoas que se julgam visadas em escritas e ideias onde não foram nem vistas nem achadas e menos ainda consideradas como pretexto na escrita; é disto que são feitas as escolas, de julgamentos apriorísticos, por vezes apressados, valorizações desfocadas quando não mesmo deslocadas; é disto que se tem de dar conta num acréscimo significativo de variáveis de gestão que me levam hoje a considerar algumas realidades ingeríveis face à falta de tato, à ausência de conhecimento suporte à ação e à gestão e à inexsitência de competências técnicas e profissionais (para não dizer políticas) que não existem em muitas escolas;
torna a coisa difícil, complicada, lá isso torna...
quarta-feira, 14 de maio de 2014
ouvir e sentir
de preferência não ajuizar, nem julgar - é tão fácil que rapidamente uma qualquer resposta ou sequência de conversa pode ir para esses caminhos;
hoje ouvi uma rapariga, uma rapariga que tem sido obrigada a crescer, fruto das suas circunstâncias de vida, do seu contexto; ouvia falar dos sentimentos e das opções que pretende assumir para o próximo ano letivo - deixar a escola, optar por caminho profissional, por outra escola, porventura mais próxima de casa; ouvia falar da irmã, do número de negativas que teve no período passado, nas dificuldades que enfrenta, no desgosto que sente em estar numa escola e em turma que não gosta; ouvia falar da avó, dos cozinhados e da companhia, da idade com que a mãe a teve, da idade com que mãe teve os irmãos;
o tom era sereno, calmo, pacífico, como se falasse de circunstância inevitável e incontornável - e é tudo isso;
não comentei, não falei, ouvi
dos manuais escolares
continuo a ir à apresentação do que as editoras definem como "projetos" editoriais para o próximo ano letivo; depois de ontem ter assistido a um três em um, isto é, três projetos numa apresentação, destaco uma ideia;
já o ano passado tinha pensado, aquando das apresentações dos manuais para o 7º e 10º anos, que qualquer um pode hoje dar aulas; qualquer um, com ou sem experiência, com ou sem qualquer tipo de conhecimento pedagógico ou do «eduquês» pode dar aulas; os manuais vêm completos, são elementos de facilitação do trabalho, tudo exposto, tudo apresentado, tudo editável, tudo à distância de um clique, ele são planificações (de ano, de unidade ou de aula), fichas e testes de avaliação (simples, mais complexas, para necessidades educativas, globais, tipo exame, etc), ele são caderno e propostas de atividade, propostas para plano de atividades onde apenas é necessário alterar cabeçalhjos e toda uma panóplia de elementos que claramente podem e devem facilitar a vida ao docente;
contudo, se qualquer um perante estas condições pode dar aulas, também afirmo que poder pode, só que se ficar por aí, certamente não será nem docente, nem professor, mas um qualquer funcionário, tipo amanuence eventualmente pedagógico;
as atuais propostas vão no sentido de libertar o docente para duas coisas que considero determinantes, e parece que não sou só eu, 1) para preparar e pensar a dinâmica de sala de aula e 2) criar e implementar processos de diferenciação pedagógica, escolar e curricular; aí sim, se quem der aulas pensar estas duas dinâmicas, então teremos um docente, um professor, alguém que encaminha, apoia e ajuda; se nos cingirmos às orientações então seremos apenas e simplesmente mais um, no meio da parafernália social que hoje faz e completa a escola...
Leitores, leituras, ler
Um dos grandes desafios dos professores passa por impingir a leitura ao pessoal;
Reconheço que a situação não é exclusiva dos tempos presentes, mas adquire características muito próprias num tempo dominado pela imagem, pelo imediato, pelo clique, pelo saltar do olhar por entre luzes e focos luminosos de dispersão, pela fugacidade das situações e das circunstâncias;
Como obrigar o aluno a ler, como convencer o pessoal que ler é viajar, conhecer, sonhar? Como mostrar a um aluno que embuido da fluidez e instantaneidade da internet mais vale ler?
Ler que implica trempo, paciência, disposição e disponibilidade
segunda-feira, 12 de maio de 2014
fontes
portugal está apenas em segundo lugar, fonte de referência da passada semana (período entre 6 e 11 de maio), sendo que os states são o primeiro lugar e aparece gente oriunda da rússia, da suécia ou do brasil - na imagem não aparecem, mas há também referências da china (acredito que de macau) ou de singapura;
ou vêm por engano ou o que será que aqui os trás? vá lá eu saber ou perceber;
se quiserem deixar comentários tenham a bondade, eu agradeço...
útil ou futil - conjuntura ou conjetura
é certo que o mais das vezes é ruído, uma qualquer cacofonia dispersa que não conduz a nada e apenas desperdiça tempo e recursos; consumimos tempo e latim a falar daquilo que nos preocupa sem perceber se o outro está, ou não, sintonizado no que dizemos, na preocupação que sentimos;
mas é essencial perceber e destrinçar o que é útil do que é fútil, aquilo que é da conjuntura e aquilo que é mera conjetura; e na escola as fronteiras entre uma e outra são muito débeis
domingo, 11 de maio de 2014
inforgrafia
uma primeira, sobre a cada vez maior competência e formação dos docentes dos ensinos básico e secundário; é um estudo académico desenvolvido por um docente do básico e do secundário; esta dimensão implicará, um dia destes, pensar novos papéis, definir outras funções ou competências aos docentes mais qualificados;
uma segunda perspetiva, para destacar que «muito uso (...) não significa melhores resultados e mais gente a trabalhar na área ou empresas a nascer no sector» sendo esta uma maleita no caso alentejano; o suso por si só não implica nem determina nada, há que criar algum sentido, alguma utilidade ao que se faz, caso contrário desvanece-se;
uma última para não me alongar muito, recupero o logo de um projeto onde tive o privilégio de trabalhar, o alentejo digital, um projeto na área das literacias digitais abandonado politicamente mas em que social e tecnicamente muito foi o rasto que deixou;
dinâmicas
manter e assegurar uma dinâmica de sala de aula equilibrada, talvez seja das situações mais complicadas e mais complexas que um docente assume nos tempos de hoje;
reconheço que há docentes que vão para a sala de aula munidos da sua vontade, das suas obrigações e da sua experiência; outros há que vão mesmo e apenas por obrigação; mas também há aqueles, e são muitos, que pensam no que fazer, como envolver as turmas, preparam dinâmicas e pensam em metodologias e estratégias de trabalho que impliquem o aluno; uns pensam no seu gosto, outros na centralidade do aluno, outros ainda doseiam a coisa entre o deve e o haver de uma sala de aula;
apesar da preparação umas vezes corre bem outras nem tanto, há inúmeras variáveis que fogem ao controlo, há excessivas variáveis num grupo/turma de 30 alunos; agora se não se levar nada pensado garantidamente a coisa não correrá bem;
sexta-feira, 9 de maio de 2014
contradições educativas ou apenas ideologia escolar?
há coisas que não percebo, por muito que tente ler, ouvir e conhecer, por vezes trocar ideias com quem defende as ideias, mas não consigo perceber;
uma delas diz respeito à liberdade de escolha da escola por parte dos pais, neste governo a coisa traduz-se numas vezes em processos de des-regulação da rede escolar, noutras no cheque ensino que volta à baila;
então como é, que me expliquem:
há liberdade de escolha pelos pais mediante o cheque ensino, mas é a tutela (ministério da educação) que define a rede escolar?
somos livres de escolher a escola mediante os projetos educativos, mas as escolas estão condicionadas à rede definida e aos recursos que gerem?
que conceito de liberdade de escola se pode instituir ou conceber em concelhos do interior como sejam arraiolos, montemor-o-novo, viana do alentejo, mora?
que liberdade de escolha se pode conceber quando, em concelhos como o de vendas novas em que existe oferta pública e privada, a escola pública está limitada e circunscrita ao que outros definem, determinam e mandam?
pensam-se em formas alternativas de financiar as escolas e a educação, mas impedem-se as escolas de gerar receitas próprias?
há falta de verbas, mas as escolas não podem gerir os seus recursos numa perspetiva de rentabilização financeira?
eu sei que sou um bocadinho lerdo, mas não percebo mesmo a coisa...
quinta-feira, 8 de maio de 2014
é do princípio da semana mas só hoje dei com uma entrevista a jorne ramos do ó, distinto professor do instituto de educação e discípulo de m. foucault, com quem aprendi muita coisa sobre a construção e o governo de nós mesmos;
nesta entrevista e a propósito das praxes, podemos perspetivar o papel da escola e da ação docente na construção do futuro cidadão e do que se está a construir;
para o bem e o para o mal, a ação escolar (com destaque para a ação docente, mas não só - há que incluir currículo, programas, metodologias, recursos, etc) pegam no aluno e, enquanto estudante, fazem dele cidadão, profissional, eleitor, futuro de nós e de si;
pensemos que se anda a construir, pensemos naquilo que queremos e não se diga que cai do céu...
Testes
Não é meu hábito, enquanto docente, fazer os chamados testes, qual momento mais ou menos solene de realização de prova escrita; considero-os simples unidades de medida que raramente medem o que pretendem medir, se é que se sabe o que se pretende medir - quantidade de conhecimentos, nível de competências, distância ou desvios às metas, o trabalho do aluno ou do professor, entre outros;
Em vez de testes prefiro utilizar esses tempos naquilo que designo como fichas de trabalho, geralmente bem mais complexas e complicadinhas que um teste, onde o meu objetivo não passa por medir mas por obrigar o aluno a pensar a disciplina, o seu trabalho com ela, o seu envolvimento e implicação com a disciplina ou com a escola;
E resulta bem melhor
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Dos juízos
Costumam até ser comigo os comentários de pais e encarregados de educação quanto às metodologias e dinâmicas de trabalgo em sala de aula, desta vez é com um colega que leciona duas disciplinas;
Numa, os pais enaltecem o trabalho do docente, o envolvimento e o gosto que os alunos denotam com a disciplina; noutra, pelo contrário, criticam o trabalho do docente afirmando que o aluno anda desorientado, perdido, desinteressado da disciplina;
Sendo o docente o mesmo, adotando a mesma dinâmica de trabalho numa e noutra disciplina, sendo o grupo/turma o mesmo o que varia na consideração e apreciação dos pais? Que fatores ou que elementos interferem na construção dos juízos por parte dos pais na apreciação do trabalho do professor? De acordo con a minha leitura, o facto de uma das disciplinas ser alvo de exame enquanto a outra não;
Na disciplina que os alunos irão ter exame os pais criticam a metodologia de trabalho, naquela em que não há exame os pais elogiam o trabalho do docente;
Assim se constroi a importância disciplinar e social de uma disciplina, assim se demarcam as disciplinas estruturantes das demais, assim se afirmam os juízos sobre o trabalho do professor;












