quinta-feira, 8 de maio de 2014

Testes

Não é meu hábito, enquanto docente, fazer os chamados testes, qual momento mais ou menos solene de realização de prova escrita; considero-os simples unidades de medida que raramente medem o que pretendem medir, se é que se sabe o que se pretende medir  - quantidade de conhecimentos, nível de competências, distância ou desvios às metas, o trabalho do aluno ou do professor, entre outros;
Em vez de testes prefiro utilizar esses tempos naquilo que designo como fichas de trabalho, geralmente bem mais complexas e complicadinhas que um teste, onde o meu objetivo não passa por medir mas por obrigar o aluno a pensar a disciplina, o seu trabalho com ela, o seu envolvimento e implicação com a disciplina ou com a escola;
E resulta bem melhor

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Dos juízos

Costumam até ser comigo os comentários de pais e encarregados de educação quanto às metodologias e dinâmicas de trabalgo em sala de aula, desta vez é com um colega que leciona duas disciplinas;
Numa, os pais enaltecem o trabalho do docente, o envolvimento e o gosto que os alunos denotam com a disciplina; noutra, pelo contrário, criticam o trabalho do docente afirmando que o aluno anda desorientado, perdido, desinteressado da disciplina;
Sendo o docente o mesmo, adotando a mesma dinâmica de trabalho numa e noutra disciplina, sendo o grupo/turma o mesmo o que varia na consideração e apreciação dos pais? Que fatores ou que elementos interferem na construção dos juízos por parte dos pais na apreciação do trabalho do professor? De acordo con a minha leitura, o facto de uma das disciplinas ser alvo de exame enquanto a outra não;
Na disciplina que os alunos irão ter exame os pais criticam a metodologia de trabalho, naquela em que não há exame os pais elogiam o trabalho do docente;
Assim se constroi a importância disciplinar e social de uma disciplina, assim se demarcam as disciplinas estruturantes das demais, assim se afirmam os juízos sobre o trabalho do professor;

g gestão e da informação

fará sentido uma gestão da informação com direito de reserva e sigilo da coisa pública?
será pertinente guardar a informação que pode ser adequada à decisão?
que papel compete à gestão da informação na gestão das decisões?
um conjunto de questões que levanto a mim mesmo por me ir apercebendo da gestão de algumas escolas, onde a informação é gerida ás mijinhas, onde alguns têm muita informação e muitos não têm voto na matéria mas os interesses são de (quase) todos;
são mesmo dúvidas que coloco quer à gestão quer à informação para que possa perceber qual o papel de uma na outra e de outra em uma;
são dúvidas que levanto na minha escrita para perceber a dimensão da informação, da participação e dos processos de decisão na coisa educativa, nos nossos tempos de escola, nas coisas que dizem respeito a muitos e não a alguns poucos;
a escola não é a famosa caixa negra onde poucos percebiam do que se passava, poucos conheciam os seus processos, poucos se vinculavam aos seus princípios; a escola hoje é espaço aberto, plural, heterógeneo, diversificado nos interesses, objetivos e funcionalidades; como gerir a informação, que papel ou que dimensões assumir no processo de decisão (obviamente para além daquele que está contemplado nos documentos oficiais, pois claro)

da política

as ditaduras têm o condão de transmitir que a política, a atividade política, é qualquer coisa de baixo, ignóbil, vil; nesta perspetiva a política deve ser deixada a alguns e ao comum dos mortais deve ser criada e incentivada a distância à política e ação política; foi isso mesmo que salazar nos fez passar e nos legou;
até hoje;
para todos os efeitos temos clube, temos opinião e opiniões, mas raramente, muito raramente, temos uma posição política e partidária; somos capazes de dizer mal do(s) governo(s), dos políticos da(s) política(s) mas, chegados ao ponto de assumir uma posição, tá quieto...se nos perguntam qual o partido, poucos têm partidos;
nos tempos que correm, o papel e a desvalorização da ação política tem sido por demais evidente, agravando-se pelas contradições, incoerências e inconsistências que as lideranças mais recentes têm enformado;
mas falta-nos uma dimensão política no quotidiano, não direi partidária, mas política, que sejamos capazes de assumir as nossas opções, fazer as nossas escolhas, saber responder à responsabilidade da nossa liberdade; falta política, a dimensão política conferida pela polis nas escolas e na educação, que saibamos largar o rebanho e ser tresmalhados pela opção e pelos sentidos que nos devem mover, reconhecer no coletivo a nossa ação individual e não nos enredarmos no individualismo do salve-se quem puder

domingo, 4 de maio de 2014

os maus

a avaliação à entrada da carreira não me incomoda;
contudo há um conjunto de situações que se destacam deste processo, onde a avaliação inicial é apenas um ponto do icebergue;
os professores foram vistos e considerados por este governo como um dos grupos sociais a abater; literalmente a abater; preguiçosos, excessivamente valorizados e considerados, horário profissional e funcional de regalia, excessos de vantagens e mordomias, excessivamente bem pagos, em número acima das necessidades, turmas reduzidas, tudo serviu e foi desculpa para atacar, desconsiderar e menosprezar os professores;
é certo que há do bom e do mau no grupo, como, de resto, em todos os grupos sociais; é certo que este grupo não é sociologicamente suporte ou enquadramento do governo ou sequer dos partidos que o apoiam; é certo que até deram e retiraram maiorias a partidos hoje na oposição; é certo que a escola e a classe docente precisa efetivamente de uma reconfiguração (desde logo profissional, mas também social); é certo que os sindicatos e em particular os filiados na fenprof, sempre foram mais coniventes com os governos de direita, mais não seja pelo silêncio e/ou pela omissão;
contudo e enquanto profissional, socialista e defensor da escola pública mas não estatizada sou suspeito, mas considero que os professores não seriam merecedores de toda a desconsideração considerada;
no meio da azáfama deita-se fora o bébé com a água do banho e é pena, perdem-se anos, experiências, culturas, práticas que, apesar de necessária a sua avaliação, algumas são essenciais à escola;

sábado, 3 de maio de 2014

silêncios: cumplicidades ou cobardias

évora deixou de ser notícia;
os blogues são politicamente corretos e socialmente inócuos;
antes dinâmicos, críticos, agora cordatos, prasenteiros, conformistas;
antes sabiam apontar, agora simplesmente não vêem;
antes sabiam escrever agora nem dizer sabem;
antes eram espaço de reflexão e debate, agora são culturalmente acéfalos;
porque não interessa veicular, difundir o que sai ou o que é dito, pois ainda tem origens lá atrás, na gestão socialista;
porque há um conjunto de interesses que se afirmaram na contradição da sua ação, antes barulhentos, com persistentes fugas de informação, com saídas airosas, hoje na chefia, na orientação das coisas e do pessoal, na distribuição do bodo;
porque é típico do pc, procurar passar por entre as gretas da chuva, pela desresponsabilização política e social, porque o coletivo é apenas um slogan, porque os interesses particulares e individuais estão salvaguardados;
porque quanto pior melhor para estes senhores que se afirmam sem uma ideia de cidade e menos ainda de sentido;
precisa-se de évora, precisa-se de uma dinâmica regional que tenha pés nas capitais de distrito, precisamos de futuros, precisamos de ideias e não de fingimentos;
évora perde dinâmica, volta atrás numa recuperação impossível e impensável do seu futuro;

Os livros e as dinâmicas de sala de aula

Estive em apresentação de manuais de História a adotar para o próximo ano letivo; 
O ministério define um conjunto de regras de seleção, por vezes incontornáveis; as editoras apresentam os seus argumentos, entre o apelativo e o facilitador, os professores fingem que escolhem; 
E há de tudo, desde aqueles em que qualquer um pode ser / fazer de professor, pois apresentam-se com quase tudo numa lógica de pronto a consumir, até a lógicas e dinâmicas por vezes interessantes a outras onde um do senhores se descaiu e refere ou compara a coisa com a bíblia; e é esta a lógica que ainda sustem muitos dos manuais; 
longe dos tempos da imagem, os manuais ainda se apresentam muito virados para a centralidade do professor enquanto orientador e organizador das atividades (circunstâncias quase que incontornável), onde se considera um aluno mais ou menos interessado, a privilegiar o aluno urbano, do litoral, do centro/norte do país, num claro processo de normalização social por via escolar;
ainda não tive oportunidade de ver propostas que integrem processos de articulação e integração entre o físico (o manual em si) e o digital, seja por via on ou off line (ainda que se apresentem alguns "produtos" editáveis); por exemplo, a possibilidade de aprofundar temas, de realizar tarefas autónomas ou a capacidade de criar processos individuais de aprendizagem, tipo costumização das aprendizagens;
Por esta última via, de costumização, não vislumbro processos de diferenciação; os manuais continuam a organizar os processos de aprendizagem de forma linear, sequencial, considerando como marcos os testes e os exames; 
e o manual condiciona, e de que maneira, as dinâmicas de sala de aula; 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

despedir

depois do documento de estratégia orçamental, áh doe, doe, doe mesmo, cá seguem mais notícias;
ordem para despedir são as gordas do correio da manhã;
fará sentido? mesmo à luz da quebra demográfica; fará sentido cortar sem nos perguntarmos sobre que serviços, que funções, que objetivos devem ser assegurados; fará sentido ao fim de três anos continuar a cortar nos mesmos?
está no tempo de recuperar uma velha afirmação:

AS PESSOAS NÃO SÃO NÚMEROS

sol

os dias aquecem, apesar de o final de tarde e as noites não serem ainda agradáveis;
o benfica está em mais uma final,
as notícias percorrem o sol e os festejos benfiquistas;
esquecemo-nos do aumento do iva, de reposição fingida dos cortes, do esvaziamento do Estado e das suas funções sociais;
para uns culpa de excessos, para outros opção ideológica, gestão política da coisa; para outros apenas uma tarde de sol, uma esplanada prazenteira e pronto,
o mundo pula e avança e nós cá continuamos, resignados, cabisbaixos, inertes
até quando

quinta-feira, 1 de maio de 2014

cortes

pelo que se diz e se sabe, o governo prepara mais cortes ao nível do ensino básico e secundário;
vejam-se as notícias e leia-se o documento;
as normais justificações, quebra demográfica, rede escolar e formativa, racionalização de custos e de proveitos;
quem circula pelas escolas saberá que é difícil cortar mais; o pelo está rente ou, melhor dito, já não há pelo sequer para cortar;
os funcionários esmifram-se, regressaram a um tempo em que eram pessoal de limpeza e onde hoje nem sequer a dimensão de guarda se assume porque simplesmente não há condições para assumir;
papel não há, não fossem algumas câmaras municipais e há muito que os alunos fariam os seus testes na antiga ardósia (preta ou verde, escolha-se);
manutenção está a cargo do desenrasca que ainda existe em cada escola, parque informático incluído; luz, aquecimento (ou arrefecimento);
o quadro docente está remetido para funções e competências dos anos 80, um docente, centenas de alunos, atenção quase nula, seleção (quase) natural dos que se interessam e motivam, dos que têm em casa condições e apoios; ;
recursos técnicos e pedagógicos (psicólogos, terapeutas, assistentes) um a dividir por duas, três ou mesmo quadro escolas, num rodopio frenético destes elementos;
neste processo acentua-se o fosso entre o aluno do litoral e do interior, o rural e o urbano, as condições não são as mesmas em évora ou vendas novas, entre arraiolos e barreiro,
não soubemos e não sabemos respeitar o que outros conseguiram para nós, condições dignas para a profissão, reconhecimento social e profissional de uma carreira, uma escola que apoia e colmata diferenças, uma escola que compensa;
deixámos e estamos a deixar que tudo nos escape, numa apatia estonteante,

da união e da força

em tempos marcados por um claro processo de darwinismo social e profissional, onde prevalece a lógica do pretensamente mais forte e mais, por estas bandas, do mais "esperto", em tempos marcados pela concorrência desenfreada do salve-se quem puder, o primeiro de maio quase que cai na banalidade do non sense;
na escola, na minha escola, o pessoal refugia-se na sala de aula, isola-se, cria distância onde, pretensamente, foge - ou procura fugir - aos tempos conturbados, à falta de sentido do que nos é solicitado e exigido; o tempo profissional, aquele que mais nos consome e desgasta, é passado quase que de fugida, entre uma e outra aula, entre um ou outro desabafo;
esquecemo-nos que é juntos que temos força, que é na união que podemos ser mais fortes e afirmar as nossas opções;
recordar é bom,

terça-feira, 29 de abril de 2014

a coisa educativa tá gira cá pela terra

mas é que tá mesmo gira a coisa educativa chamada escola; senão vejamos
uma diretora com quase (quase) um ano de mandato resigna, contando-se muitas e diferentes estórias, sendo certo que alguma delas (ou nenhuma) será a verdadeira;
um diretor recentemente empossado vê o seu projeto educativo ameaçado de recusa em sede de conselho geral, insinuando-se um cartão algo alaranjado à sua gestão, às opções e ao tato, ou falta dele;
dois outros diretores, ainda interinos, em comissão, viram o seu lugar arder mediante golpes e procedimentos ... palacianos, em processo gestão muito particular e... partidário;
um outro diretor vê o lugar arder, num aparente regresso ao passado, volta que estás perdoada e que as condições hoje são... piores, mas, pronto, volta - um assumido, regresso ao passado... ;
outro diretor, ainda em procedimento concursal sai, nem concorre, pois o lugar já foi negociado entre partidos e interesses locais e o nome aparentemente consensual, lugar preenchido, coisa arrumada; mais, neste caso, até um distinto conselheiro que teria assumido uma pretensa candidatura, antes de o ser já nem sequer o é;
outro caso, onde o conselho geral foi montado para, a despeito da desilusão que terá sido a gestão, enleada em si mesma e nas suas próprias contradições, garantir a continuidade de quem de direito, vai ao encontro das cores predominantes e não chateia quem está na autarquia; o coletivo é o que menos interessa, afinal quem vota são alguns, e alguns é que interessam;
outro diretor, ainda a ver se concorre ou se perde, vê também um certo regresso ao passado e, neste caso, um assumido cartão vermelho à gestão; prepara-se a confusão pois a resposta será sempre dada no terreno particular da pedagogia e da ação escolar, ah pois é, vai ser giro;
digam lá, tá ou não tá gira a coisa? e digam que o interesse é pedagógico, pois claro que é...

O estalar do verniz

Em tempos escolares marcados pelo salve-se quem puder, cada um por si, de darwinismo profissional e social, é ver a fina camada de verniz docente a estalar por todos os lados;
De origens sociais muito diversas, a profissão docente foi utilizada por muitos (o meu caso, por exemplo) como escada social, meio de fugir ao determinismo social imposto por uma sociedade em tempos excessivamente rigida e que, ainda hoje, olha mal os que fogem ao seu destino;
Perante a confusão instalada nas escolas, é ver (e sentir) esta fina camada de verniz a estalar; ele é a indiferença perante a condição do outro, o alheamento perante aquilo que não me diz respeito, o desinteresse por aquilo que não é meu, o silêncio perante assuntos que não são meus, a omissão por aquilo que, aparentemente não me atinge;
Estamos entregues a nós mesmos, o que é do pior que pode acontecer;

o fim do poder

já houve quem anunciasse o fim da história, agora anuncia-se o fim do poder (está a capa original mas está em português);
para quem tem uma ideia funcional do poder (eu tenho poder tu obedeces), numa lógica vertical (qual militar), a coisa será algo assim; para quem, como eu, assume uma ideia de poder relacional, que decorre das relações e onde tanto o oprimido como o opressor detém a sua quota parte de poder, numa lógica assente em m. foucault, então não é o fim do poder, mas a necessidade de equacionar outras formas de nos relacionarmos com formas e relações de poder;
este poder mais relacional decorre grandemente do poder disciplinar, da técnica e das ciências, das disciplinas entendidas como formas de organizar o pensamento e a ação coletiva; daí a ação que é solicitada à escola de disciplinar, moldar os espíritos e os corpos, a mente e a ação do aluno num processo de "normalização" social onde, hoje, esta norma nos foge como areia por entre os dedos;
mas persiste-se na ideia que detemos o uso e algum exclusivo do poder, baseado no lugar, na informação, na ação consertada, nada mais estúpido, mas ainda há tantos a pensar assim...

coisas do espetáculo

não é por o autor ter ganho há pouco tempo o nobel, é mesmo pelo ensaio que considero deveras interessante; interessante pela análise que faz à sociedade por intermédio de uma das suas dimensões, a cultura;
esta "civilização do espetáculo" dá-nos conta «de um mundo onde o primeiro lugar na tabela de valores é ocupado pelo entretenimento e onde divertir-se, fugir ao aborrecimento, é a paixão universal»;
esta civilização não se restringe aos mais novos, com as suas particularidades vai dos graúdos, dos mais velhos, dos pretensamente veiculadores de outras culturas, aos mais novos, aos nossos alunos;
é uma cultura hedonista, como uns lhe chamam, do prazer, do clique, do será bom não foi, do usar e deitar fora; da adrenalina, do politicamente correto, dos processos de vinculação, de olhar aos fins esquecendo que os meios são determinantes; é olhar os resultados e esquecer as pessoas;
a moenga, em meu entendimento, é que os mais novos estão mais adequados a esta dinâmica de espetáculo, os mais velhos apenas mostram desajustamentos, contradições, incoerências e, muito particularmente, muita estupidez;

segunda-feira, 28 de abril de 2014

dos interesses - dos poderes - das escolas

os procedimentos concursais, pelo distrito de évora, abriram quase que ao mesmo tempo em diferentes agrupamentos e em diferentes localidades; esta simultaneidade permitiu colocar em destaque algumas situações interessantes, em particulares para aqueles (como eu) que se interessam pela gestão e pelas lógicas do(s) poder(es) educativo(s);
os concursos para diretores permitem, nas pequenas localidades, destacar o papel das autarquias no controlo dos seus interesses e é interessante perceber como é olhada, sob este ponto de vista (dos poderes, dos interesses e da consolidação de uns e de outros) a escola nos tempos presentes, nas lógicas de ação municipal atuais;
qual discurso de mdernidade, de competência e rigor qual quê; a escola continua a ser olhada e utilizada como antes do 25 de abril com a particularidade de o reitor ter de ter algumas conivências locais;
em localidades de maior dimensão, são os interesses sociais e algo particulares (da fé ou do contrato) que se assumem como protagonistas; em localidades de média dimensão (ou grande à dimensão regional) é ver câmaras a negociar lugares e votos, interesses particulares a gerirem pretensos objetivos coletivos;
foi neste contexto que fui entalado entre pc e psd no concurso para o agrupamento de arraiolos no ano passado;
santo ingénuo que ainda pensei que as competências, a qualidade curricular ou a experiência contavam para alguma coisa; o tanas, o que interessa é o controlo da coisa, ser capaz de gerir estes ou aqueles interesses;
o resto, pedagogias, escolas ou escolaridades... o tanas, não interessam para (quase) nada- a não ser para exercer o seu protagonismo, assumir as suas preponderâncias;
mas muitos continuam a afirmar que a escola pertence aos professores e que os interesses são pedagógicos, tá bém tá, contem-me outra...

condições e contradições

na sequência da minha laracha sobre a tecno estrutura destaco aquilo que considero ser o desfasamento entre o pensamento e a ação, os objetivos e as funções do presente escolar;
é certo que raramente se pensa como se deve organizar e estruturar uma escola; aparentemente todas as escolas têm uma estrutura definida, rígida e normativa que decorre da legislação (decretos-lei 75/2008 e 137/2012 que define o regime de autonomia, administração e gestão das escolas;
raramente se pensa que, apesar dessa pretensa igualdade, cada escola se organiza de acordo com objetivos que são próprios, interesses que são particulares, circunstâncias que são individuais, contextos que são intransmissíveis, pensa-se, alguém pensa (e apenas porque convém ou porque dá jeito) que se é assim, assim é e não se discute; nada de mais errado;
as escolas organizam-se em função dos interesses, objetivos e estratégias de uns quantos, sejam eles o diretor, a direção ou quem detém capacidades e possibilidades de influência na decisão; mesmo que esses (objetivos, interesses ou estratégias) não sejam visíveis ou facilmente entendíveis e menos ainda discutidos ou debatidos, não invalida que eles não existam, que eles não marquem presença; estão lá e são determinantes à organização da cada escola e vão ao encontro de uns quantos (interessados, pelo menos);
a grande questão é que, quanto mais opacos e menos discutidos forem os objetivos, os interesses, as estratégias que deviam ser coletivas, mais e com maior preponderância surgem os desentendimentos, as discussões, as chamadas «entropias» ou os movimentos de resistência à mudança; a opacidade, a gestão de uma pretensa confidencialidade da gestão decorre de processos de um antigamente onde gerir informação conferia pretensamente algum poder a quem a detinha; hoje, com as redes sociais, é exatamente o contrário, quanto mais se gere a opacidade da informação se esconde ou omite maiores são os riscos de nada correr bem a quem omite, sonega ou esconde a informação;
são os tempos, e os tempos de muitas escolas permanecem num antigamente pouco propício ao desenvolvimento organizacional e coletivo, quando deviamos estar juntos, discutir juntos, participar coletivamente no encontro de soluções (apesar serem, quase sempre transitórias e pouco fiáveis) e na gestão do coletivo onde todos temos interesse e parte; mas não, é estúpido, mas verdadeiro, continuamos a querer um pai, um poderoso, um chefe, mais não seja para aligeirar as nossas responsabilidades, e é pena que assim seja, estamos a perder tempo, oportunidades e paciência...

domingo, 27 de abril de 2014

da tecnoestrutura e dos desajustamentos

quem estudou administração terá conhecido, melhor ou pior, mais superficial ou mais aprofundamente, o conceito de tecnoestrutura de Mintzberg; é um conceito que alguém considerou que caía que nem ginjas na escola e na educação;
há uma direção (seja colegial ou unipesspoal, saiba ou não para onde ir ou o que fazer), há uma tecnoestrutura geralmente associada ao conselho pedagógico e órgãos de apoio, que poderão ser estruturas educativas de nível intermédio ou esquemas mais ou menos funcionais, como sejam reprografias, secretaria, etc; na base aqueles que trabalham, os profs, pois claro;
esta ideia vigorou durante bastantes anos na análise e interpretação da escola como organização e ainda há quem se bata por ela com unhas e dentes;
não me interessa dissecar as suas mais valias ou os seus defeitos, apenas destacar que pode ser uma leitura da escola como organização, particularmente quando dá jeito ao diretor ou à direção; umas vezes utiliza-se a tecnoestrutura para dar ideia de participação (e não de dúvida do próprio), outras utiliza-se a linha direta que une diretor ao professor pouco importando a tecnoestrutura ou os órgãos de apoio;
mas este esquema dá conta do significativo desfazamento existente entre o que foi a escola e o que ela é hoje, de uma estrutura funcional, mais larga ou apertada, mais estrutural ou de apoio, com uma escola que hoje se enleia nas suas dúvidas do que é ou do que deve ser, perdida nas suas múltiplas funções que não apenas as escolares (ou com o alargamento do conceito de escolar(idade)) não se entendendo quanto aos procedimentos a adoptar que permitam facilitar a vida a quem lá está e trabalha;

esteriótipos, pré-conceitos, ideias feitas

Não só a escola, mas pelo que me interessa, destaco que a escola está cheia de esteriótipos, pré conceitos, ideias feitas que raramente se discutem, se questionam e menos ainda se contestam;
são coisas que se naturalizaram, são lugares comuns, banalidades que se tornaram normais e que muitos afirmam como verdades absolutas onde raramente se procura verificar da sua veracidade; são muitas e diferentes e irei procurar destacar algumas nos próximos tempos;
uma delas da qual que dei conta na análise aos resultados de 2ºP do meu departamento; todos passam, ninguém chumba; é uma ideia alimentada por determinados setores sociais e políticos, onde destacam o faciilitismo dos tempos presentes, colocados, muitas vezes em contraste com o antigamente onde a reprovação significaria exigência, rigor, seleção; nada de mais falso;
fui buscar os dados referentes aos alunos que entraram no 5º ano em 2009/2010 e analisei o seu percurso até hoje, pretensamente e considerando a ideia que ninguém chumba, todos eles deveriam estar no 9º ano neste ano letivo; pois é, mesmo considerando desvios considerados "normais", como sejam migrações ou para o privado, o certo é que dos 118 inscritos em 2009/2010 restam 97 em 2013/2014, qualquer coisa como menos 18% de alunos; e garanto que nem todos migraram ou saram para o privado;
são ideias feitas que importa desmontar;

coisas novas ou diferentes

reconheço que gosto da tecnologia, nomeadamente aquela que me facilita o trabalho, seja em sala de aula (aqui procuro duas coisas, uma em termos de dinâmica de trabalho com grupos outra em termos de registos) seja em termos de motivação/envolvimento do aluno para a aula ou para a disciplina (neste âmbito direi que gosto ou que procuro processos de envolvimento e trabalho para/do aluno);
recentemente andei a pesquisar sobre apresentações, dispositivos que me permitam ir além do power point e da ditadura da microsoft;
já conheço o prezi, mas queria algo que estivesse articulado, senão mesmo integrado, com o (meu) mundo android da google; referenciei dois que me têm despertado a curiosidade e, reconheço, consumido algum do meu tempo,
o metta.io é um autêntico produtor de multimédia, alia imagem, texto e vídeo, podendo (tal como o ppt) que sejam definidos tempos de apresentação, mas tem uma dinâmica incomparável; possibilidades bem mais avantajadas daquilo que conheço;
e o zoho é um power point substancialmente mais dinâmico, mais apelativo e com possibilidades limitadas pela imaginação;
um e outro têm a particularidade de estarem associados (e, se assim entendermos, integrados) com a drive do google o que não deixa de ser uma franca liberdade; um e outro são bastante simples de utilizar (o metta.io utiliza a lógica drag and drop, o zoho show vai na sequência do powerpoint), qualquer um merece, em meu entender, algum tempo para que se possa ganhar tempo e, essencialmente, ganhar o aluno;