terça-feira, 29 de abril de 2014

a coisa educativa tá gira cá pela terra

mas é que tá mesmo gira a coisa educativa chamada escola; senão vejamos
uma diretora com quase (quase) um ano de mandato resigna, contando-se muitas e diferentes estórias, sendo certo que alguma delas (ou nenhuma) será a verdadeira;
um diretor recentemente empossado vê o seu projeto educativo ameaçado de recusa em sede de conselho geral, insinuando-se um cartão algo alaranjado à sua gestão, às opções e ao tato, ou falta dele;
dois outros diretores, ainda interinos, em comissão, viram o seu lugar arder mediante golpes e procedimentos ... palacianos, em processo gestão muito particular e... partidário;
um outro diretor vê o lugar arder, num aparente regresso ao passado, volta que estás perdoada e que as condições hoje são... piores, mas, pronto, volta - um assumido, regresso ao passado... ;
outro diretor, ainda em procedimento concursal sai, nem concorre, pois o lugar já foi negociado entre partidos e interesses locais e o nome aparentemente consensual, lugar preenchido, coisa arrumada; mais, neste caso, até um distinto conselheiro que teria assumido uma pretensa candidatura, antes de o ser já nem sequer o é;
outro caso, onde o conselho geral foi montado para, a despeito da desilusão que terá sido a gestão, enleada em si mesma e nas suas próprias contradições, garantir a continuidade de quem de direito, vai ao encontro das cores predominantes e não chateia quem está na autarquia; o coletivo é o que menos interessa, afinal quem vota são alguns, e alguns é que interessam;
outro diretor, ainda a ver se concorre ou se perde, vê também um certo regresso ao passado e, neste caso, um assumido cartão vermelho à gestão; prepara-se a confusão pois a resposta será sempre dada no terreno particular da pedagogia e da ação escolar, ah pois é, vai ser giro;
digam lá, tá ou não tá gira a coisa? e digam que o interesse é pedagógico, pois claro que é...

O estalar do verniz

Em tempos escolares marcados pelo salve-se quem puder, cada um por si, de darwinismo profissional e social, é ver a fina camada de verniz docente a estalar por todos os lados;
De origens sociais muito diversas, a profissão docente foi utilizada por muitos (o meu caso, por exemplo) como escada social, meio de fugir ao determinismo social imposto por uma sociedade em tempos excessivamente rigida e que, ainda hoje, olha mal os que fogem ao seu destino;
Perante a confusão instalada nas escolas, é ver (e sentir) esta fina camada de verniz a estalar; ele é a indiferença perante a condição do outro, o alheamento perante aquilo que não me diz respeito, o desinteresse por aquilo que não é meu, o silêncio perante assuntos que não são meus, a omissão por aquilo que, aparentemente não me atinge;
Estamos entregues a nós mesmos, o que é do pior que pode acontecer;

o fim do poder

já houve quem anunciasse o fim da história, agora anuncia-se o fim do poder (está a capa original mas está em português);
para quem tem uma ideia funcional do poder (eu tenho poder tu obedeces), numa lógica vertical (qual militar), a coisa será algo assim; para quem, como eu, assume uma ideia de poder relacional, que decorre das relações e onde tanto o oprimido como o opressor detém a sua quota parte de poder, numa lógica assente em m. foucault, então não é o fim do poder, mas a necessidade de equacionar outras formas de nos relacionarmos com formas e relações de poder;
este poder mais relacional decorre grandemente do poder disciplinar, da técnica e das ciências, das disciplinas entendidas como formas de organizar o pensamento e a ação coletiva; daí a ação que é solicitada à escola de disciplinar, moldar os espíritos e os corpos, a mente e a ação do aluno num processo de "normalização" social onde, hoje, esta norma nos foge como areia por entre os dedos;
mas persiste-se na ideia que detemos o uso e algum exclusivo do poder, baseado no lugar, na informação, na ação consertada, nada mais estúpido, mas ainda há tantos a pensar assim...

coisas do espetáculo

não é por o autor ter ganho há pouco tempo o nobel, é mesmo pelo ensaio que considero deveras interessante; interessante pela análise que faz à sociedade por intermédio de uma das suas dimensões, a cultura;
esta "civilização do espetáculo" dá-nos conta «de um mundo onde o primeiro lugar na tabela de valores é ocupado pelo entretenimento e onde divertir-se, fugir ao aborrecimento, é a paixão universal»;
esta civilização não se restringe aos mais novos, com as suas particularidades vai dos graúdos, dos mais velhos, dos pretensamente veiculadores de outras culturas, aos mais novos, aos nossos alunos;
é uma cultura hedonista, como uns lhe chamam, do prazer, do clique, do será bom não foi, do usar e deitar fora; da adrenalina, do politicamente correto, dos processos de vinculação, de olhar aos fins esquecendo que os meios são determinantes; é olhar os resultados e esquecer as pessoas;
a moenga, em meu entendimento, é que os mais novos estão mais adequados a esta dinâmica de espetáculo, os mais velhos apenas mostram desajustamentos, contradições, incoerências e, muito particularmente, muita estupidez;

segunda-feira, 28 de abril de 2014

dos interesses - dos poderes - das escolas

os procedimentos concursais, pelo distrito de évora, abriram quase que ao mesmo tempo em diferentes agrupamentos e em diferentes localidades; esta simultaneidade permitiu colocar em destaque algumas situações interessantes, em particulares para aqueles (como eu) que se interessam pela gestão e pelas lógicas do(s) poder(es) educativo(s);
os concursos para diretores permitem, nas pequenas localidades, destacar o papel das autarquias no controlo dos seus interesses e é interessante perceber como é olhada, sob este ponto de vista (dos poderes, dos interesses e da consolidação de uns e de outros) a escola nos tempos presentes, nas lógicas de ação municipal atuais;
qual discurso de mdernidade, de competência e rigor qual quê; a escola continua a ser olhada e utilizada como antes do 25 de abril com a particularidade de o reitor ter de ter algumas conivências locais;
em localidades de maior dimensão, são os interesses sociais e algo particulares (da fé ou do contrato) que se assumem como protagonistas; em localidades de média dimensão (ou grande à dimensão regional) é ver câmaras a negociar lugares e votos, interesses particulares a gerirem pretensos objetivos coletivos;
foi neste contexto que fui entalado entre pc e psd no concurso para o agrupamento de arraiolos no ano passado;
santo ingénuo que ainda pensei que as competências, a qualidade curricular ou a experiência contavam para alguma coisa; o tanas, o que interessa é o controlo da coisa, ser capaz de gerir estes ou aqueles interesses;
o resto, pedagogias, escolas ou escolaridades... o tanas, não interessam para (quase) nada- a não ser para exercer o seu protagonismo, assumir as suas preponderâncias;
mas muitos continuam a afirmar que a escola pertence aos professores e que os interesses são pedagógicos, tá bém tá, contem-me outra...

condições e contradições

na sequência da minha laracha sobre a tecno estrutura destaco aquilo que considero ser o desfasamento entre o pensamento e a ação, os objetivos e as funções do presente escolar;
é certo que raramente se pensa como se deve organizar e estruturar uma escola; aparentemente todas as escolas têm uma estrutura definida, rígida e normativa que decorre da legislação (decretos-lei 75/2008 e 137/2012 que define o regime de autonomia, administração e gestão das escolas;
raramente se pensa que, apesar dessa pretensa igualdade, cada escola se organiza de acordo com objetivos que são próprios, interesses que são particulares, circunstâncias que são individuais, contextos que são intransmissíveis, pensa-se, alguém pensa (e apenas porque convém ou porque dá jeito) que se é assim, assim é e não se discute; nada de mais errado;
as escolas organizam-se em função dos interesses, objetivos e estratégias de uns quantos, sejam eles o diretor, a direção ou quem detém capacidades e possibilidades de influência na decisão; mesmo que esses (objetivos, interesses ou estratégias) não sejam visíveis ou facilmente entendíveis e menos ainda discutidos ou debatidos, não invalida que eles não existam, que eles não marquem presença; estão lá e são determinantes à organização da cada escola e vão ao encontro de uns quantos (interessados, pelo menos);
a grande questão é que, quanto mais opacos e menos discutidos forem os objetivos, os interesses, as estratégias que deviam ser coletivas, mais e com maior preponderância surgem os desentendimentos, as discussões, as chamadas «entropias» ou os movimentos de resistência à mudança; a opacidade, a gestão de uma pretensa confidencialidade da gestão decorre de processos de um antigamente onde gerir informação conferia pretensamente algum poder a quem a detinha; hoje, com as redes sociais, é exatamente o contrário, quanto mais se gere a opacidade da informação se esconde ou omite maiores são os riscos de nada correr bem a quem omite, sonega ou esconde a informação;
são os tempos, e os tempos de muitas escolas permanecem num antigamente pouco propício ao desenvolvimento organizacional e coletivo, quando deviamos estar juntos, discutir juntos, participar coletivamente no encontro de soluções (apesar serem, quase sempre transitórias e pouco fiáveis) e na gestão do coletivo onde todos temos interesse e parte; mas não, é estúpido, mas verdadeiro, continuamos a querer um pai, um poderoso, um chefe, mais não seja para aligeirar as nossas responsabilidades, e é pena que assim seja, estamos a perder tempo, oportunidades e paciência...

domingo, 27 de abril de 2014

da tecnoestrutura e dos desajustamentos

quem estudou administração terá conhecido, melhor ou pior, mais superficial ou mais aprofundamente, o conceito de tecnoestrutura de Mintzberg; é um conceito que alguém considerou que caía que nem ginjas na escola e na educação;
há uma direção (seja colegial ou unipesspoal, saiba ou não para onde ir ou o que fazer), há uma tecnoestrutura geralmente associada ao conselho pedagógico e órgãos de apoio, que poderão ser estruturas educativas de nível intermédio ou esquemas mais ou menos funcionais, como sejam reprografias, secretaria, etc; na base aqueles que trabalham, os profs, pois claro;
esta ideia vigorou durante bastantes anos na análise e interpretação da escola como organização e ainda há quem se bata por ela com unhas e dentes;
não me interessa dissecar as suas mais valias ou os seus defeitos, apenas destacar que pode ser uma leitura da escola como organização, particularmente quando dá jeito ao diretor ou à direção; umas vezes utiliza-se a tecnoestrutura para dar ideia de participação (e não de dúvida do próprio), outras utiliza-se a linha direta que une diretor ao professor pouco importando a tecnoestrutura ou os órgãos de apoio;
mas este esquema dá conta do significativo desfazamento existente entre o que foi a escola e o que ela é hoje, de uma estrutura funcional, mais larga ou apertada, mais estrutural ou de apoio, com uma escola que hoje se enleia nas suas dúvidas do que é ou do que deve ser, perdida nas suas múltiplas funções que não apenas as escolares (ou com o alargamento do conceito de escolar(idade)) não se entendendo quanto aos procedimentos a adoptar que permitam facilitar a vida a quem lá está e trabalha;

esteriótipos, pré-conceitos, ideias feitas

Não só a escola, mas pelo que me interessa, destaco que a escola está cheia de esteriótipos, pré conceitos, ideias feitas que raramente se discutem, se questionam e menos ainda se contestam;
são coisas que se naturalizaram, são lugares comuns, banalidades que se tornaram normais e que muitos afirmam como verdades absolutas onde raramente se procura verificar da sua veracidade; são muitas e diferentes e irei procurar destacar algumas nos próximos tempos;
uma delas da qual que dei conta na análise aos resultados de 2ºP do meu departamento; todos passam, ninguém chumba; é uma ideia alimentada por determinados setores sociais e políticos, onde destacam o faciilitismo dos tempos presentes, colocados, muitas vezes em contraste com o antigamente onde a reprovação significaria exigência, rigor, seleção; nada de mais falso;
fui buscar os dados referentes aos alunos que entraram no 5º ano em 2009/2010 e analisei o seu percurso até hoje, pretensamente e considerando a ideia que ninguém chumba, todos eles deveriam estar no 9º ano neste ano letivo; pois é, mesmo considerando desvios considerados "normais", como sejam migrações ou para o privado, o certo é que dos 118 inscritos em 2009/2010 restam 97 em 2013/2014, qualquer coisa como menos 18% de alunos; e garanto que nem todos migraram ou saram para o privado;
são ideias feitas que importa desmontar;

coisas novas ou diferentes

reconheço que gosto da tecnologia, nomeadamente aquela que me facilita o trabalho, seja em sala de aula (aqui procuro duas coisas, uma em termos de dinâmica de trabalho com grupos outra em termos de registos) seja em termos de motivação/envolvimento do aluno para a aula ou para a disciplina (neste âmbito direi que gosto ou que procuro processos de envolvimento e trabalho para/do aluno);
recentemente andei a pesquisar sobre apresentações, dispositivos que me permitam ir além do power point e da ditadura da microsoft;
já conheço o prezi, mas queria algo que estivesse articulado, senão mesmo integrado, com o (meu) mundo android da google; referenciei dois que me têm despertado a curiosidade e, reconheço, consumido algum do meu tempo,
o metta.io é um autêntico produtor de multimédia, alia imagem, texto e vídeo, podendo (tal como o ppt) que sejam definidos tempos de apresentação, mas tem uma dinâmica incomparável; possibilidades bem mais avantajadas daquilo que conheço;
e o zoho é um power point substancialmente mais dinâmico, mais apelativo e com possibilidades limitadas pela imaginação;
um e outro têm a particularidade de estarem associados (e, se assim entendermos, integrados) com a drive do google o que não deixa de ser uma franca liberdade; um e outro são bastante simples de utilizar (o metta.io utiliza a lógica drag and drop, o zoho show vai na sequência do powerpoint), qualquer um merece, em meu entender, algum tempo para que se possa ganhar tempo e, essencialmente, ganhar o aluno;

ideias e esteriótipos - tendências

uma ideia que circula por entre professores e no contexto da escola, diz respeito ao papel, senão mesmo à preponderância que o aluno tem ou exerce sobre os resultados; isto é, as notas (a avaliação, em particular a final de período ou de ano) varia em função do aluno que se tem pela frente, quanto melhor o aluno, melhor a avaliação e vice versa;
o tratamento estatístico das avaliações num período de 5 anos na minha escola e num departamento não mostra isso, muito pelo contrário; o que se nota em termos de «tendência» é o efeito docente e não o efeito aluno; isto é, é a preponderância do docente que se expressa nas avaliações e não o aluno; isto por que, em termos de tendência e no intervalo considerado, cinco anos, o paralelismo das notas, ao longo dos anos e mesmo por período letivo, é por demais evidente, significando isto que não é o aluno que interfere na avaliação mas o docente;
e aqui há hipóteses, perspetivas de trabalho que podem ser consideradas; nomeadamente, que os professores utilizam a avaliação (o processo de avaliação, trabalhos, testes, discursos) como processo de aferição (alguns dirão que é de regulação) de comportamentos, de vinculação do aluno ao trabalho com/na disciplina

sábado, 26 de abril de 2014

antes de o ser já era

na primeira semana de aulas, ao seu segundo dia, um jornal titulava o óbvio, que este terceiro período antes de o ser já era;
estamos condicionados, na escola como na vida, ao calendário judaico-cristão, que nos impõe o pecado e a culpa como um todo "natural" e "normal" e, por essa via, define o calendário de tudo e de todos;
Nas primeiras aulas deste período tive a oportunidade de, juntamente com os alunos, programar as aulas, organizar as sessões e pensar as tarefas que se têm pela frente; objetivo, fazer ver ao aluno que o período é efetivamente curto e que num ai estaremos no fim de mais um ano letivo;
e depois não quero eu estar a envelhecer a olhos vistos, ah pois é...

das perguntas e das respostas - do diretor e do professor

muitos e em particular nas últimas semanas, quando me encontram me perguntam se concorro ao cargo de diretor de.. e são tantos, agrupamento 2 de évora ou o 3 ou o 4, a viana do alentejo, a montemor, etc, etc;
vá lá eu perceber do porquê, o certo é que gostam e me referenciar como putativo candidato, para não me adiantar muito;
não, não concorro a nada nem a lugar nenhum, gosto de ser professor (daqueles de sala de aula), gosto do meu espaço de ação e de intervenção e não de me sentir condicionado ou constrangido ou cerceado nas minhas ideias ou no meu pensamento; por incrível que possa parecer a muitos, sou pessoa de equipas e não as tenho longe de mim, nem as reconheço apenas nas amizades ou no contexto mais social;
enquanto «simples» docente tenho tempo para ler o que gosto, para escrever larachas e banalidades, para divagar e estar com os meus filhos;
ser diretor nestes tempos é ter menos espaço de manobra e de ação que um qualquer reitor nos tempos de antigamente; ser diretor agora é simplesmente cumprir sem questionar, eu que gosto de interpretar e de (re)criar; ser diretor agora é ser galo sem poleiro, rei sem roque, beijo sem amasso, não muito obrigado;
é certo que gosto da gestão das escolas, é certo que já concorri a uma (e fiquei entaladinho no meio de pretensos acordos entre pc e psd, bem feita), é certo que até pensei concorrer à «minha» escola, a gabriel pereira (lá andei como estudante, lá fiz a dissertação de mestrado e foi campo de investigação na minha tese de doutoramento), desisti quando me apercebi que tudo quanto é gato quer ter uma palavra a dizer nesse processo, quando se negoceia a coisa entre pessoas que nada têm a ver com a escola ou com o agrupamento, quando gente de partidos se move e movimenta por entre interesses e objetivos na gestão dos parcos poderes que por aí existem, quando coisas da fé ou da cozinha se misturam com pedagogia e didática sinto - e senti - que estava claramente a mais, que a coisa não é para mim;
talvez um dia, quem sabe;
(imagem tirada daqui)

sexta-feira, 25 de abril de 2014

da escola, da mudança, da permanência

nesta data será usual retomar as banalidades entre o que mudou e o que permaneceu, o que conquistámos e o que perdemos ao longo destes 40 anos;
para uns, coisas de monta e óbvias quanto perigosas, para outros, apenas coisas que nos ligam ao dia a dia e que pensamos «naturais»;
a escola mudou significativamente desde 74; não há palavras para descrever o quanto mudou e, essencialmente, permitiu que outros mudassem; o meu caso, estaria «condenado» a ir para a escola industrial e comercial; hoje sou doutorado, normal? impensável para os meus pais em 74!
contudo, tenho de reconhecer as permanências, aquilo que persiste teimosamente na escola como que se de destino se tratasse;
a dinâmica de sala de aula é muito diferente, dirão uns, eu direi que permanece quase que incólume, um ensina muitos como se de um só se tratasse; apesar das mudanças técnicas e tecnológicas (dos retroprojetores aos projetores vídeo, aos quadro interativos e aos tablets, escolham), o docente, as práticas docentes enraízam ainda numa gramática que se naturalizou e enquistou em modos organizacionais de princípios de século XIX;
e mudar hoje está fora de hipóteses, a capacidade e as possibilidades de organizar de modo diferente - ou diferenciado - a escola e as aulas (ou o trabalho dos professores) é coisas que os diretores não têm como fazer e muitos docentes nem sequer equacionam apesar do desconforto que sentem nas suas zonas de conforto;
não resisto ao óbvio; tenho sérias dúvidas que um médico que entrou em coma em 74 reconhecesse a sua sala ou os seus espaços de trabalho se acordasse hoje; tenho dúvidas que um arquiteto reconhecesse o seu atelier; um enfermeiro, um mecânico... não tenho grandes dúvidas que se fosse professor, reconheceria a sua sala de aula, ainda que pudesse perguntar que coisa é aquela que ocupa a parede e que pouco (ou nada) é utilizado?

banalidades particulares

escrever o que quer que seja sobre o 25 de abril é insistir e persistir em banalidades e vulgaridades, algo de parecido com lugares comuns, coisas mais ou menos óbvias; direi duas destas banalidades por que as sinto;
nasci em ditadura, em 63, mas costumo dizer que me fizeram o favor de me deixar crescer e viver em liberdade e democracia; tenho o dever e a obrigação de respeitar e honrar todos aqueles que para isso contribuíram, mais não sendo, promovendo a liberdade e defendendo a democracia, por que nunca é dado e adquirido, como se percebe;
quando fiz 40 anos disse que era a esquina da vida onde a emoção encontra alguma da razão; pode ser que esse encontro me/nos permita pensar o que queremos em função daquilo que uns conquistaram e outros viveram; talvez seja um momento de começar a pensar que o destino não é dado, nem definitivo mas que dele temos alguma coisa na mão, mesmo que não o possamos perceber ou ver;

quinta-feira, 24 de abril de 2014

regresso

não sabia se voltava à escrita pública, aos meus devaneios e desventuras, às minhas larachas ou aos meus bitaites;
equacionei, numa lógica de merceeiro, os prós e os contras, o que tenho de vontade como de contenção;
opto pelo regresso, em vésperas de nós mesmos, de abril, de futuro e não de saudade, de sonho e não de realidades, de avanço e não de ressabiamentos;
fez-se abril porque uns quantos acreditaram no futuro;
fez-se abril por que uns quantos acreditaram que a vontade é mais forte que a resignação;
fez-se abril a pensar nos outros, sabendo que nós próprios também somos;
nestes dias «vem-nos à memória uma frase batida», diz o poeta cantador, também a mim, e digo e repito, faça-se abril, (re)inventemo-nos, (re)encontremo-nos, saibamos que o futuro é o que dele fazemos e não o que outros querem que ele seja; o destino somos nós e não passados, fantasmas ou memórias, são importantes, mas para o futuro, olhemos além sabendo onde estamos e saibamos ir em frente, definir o nosso rumo, criar o nosso caminho;
com abril, sempre

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

de vez em enquando

é bom parar, posso não saber falar, mas a escrita está-me mais próxima e assim consigo parar;
de vez en quando é bom saber fazer um qualquer stand by, pensar o que se faz, o que se fez e o que se quer fazer;
de quando em vez é bom regressar aos básico (coisas, autores, sentimentos, emoções) e pensar o quanto é bom sentirmo-nos;
de quando em vez é bom perceber que se consegue pensar antes de dizer...
vale a pena, de vez em quando, ser o que se quer e em pausa;

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

a tendência da moinice

não sei se todos, mas muitos de nós temos tendência para descansar sobre o adquirido, o conquistado, o obtido;
para muitos, depois do esforço surge e apresenta-se o descanso; descanso que pode ser do guerreiro, como pode ser da vida; temos, na generalidade, tendência a criar as nossas zonas de conforto e segurança,. quais portos de abrigo onde sentimos guarida aos tempos e aos contextos;
é bom, previne-nos contra as intempéries, como nos garante a segurança necessária à vida;
mas também tem coisas menos boas, deixamos de batalhar, damos as coisas como naturais, acomodamo-nos;
de quando em vez preciso, e falo apenas por mim, que algo ou alguém me espicace, me espete a agulha do desconforto e me faça saltar da zona de modorra que, apesar do conforto e da segurança que sinto, não me leva a lado nenhum, me cristaliza e retira flexibilidade;
atravesso uma dessas fases, preciso de picos, preciso de espicaçar o ânimo, encontrar desafios que me retirem da modorra em que me sinto descair;

escritos soltos de um pensamento preso à escola

ontem, perante o trabalho de um grupo, escrevi assim:

Discutiram entre elas, zangaram-se, mas têm um trabalho muito bom, atingiram e superaram os objectivos; 
Não tenho duvidas que está bom; como professor registo... e os conteúdos?; 
Isto é, vale pena ficarmo-nos pela forma? 
São criativas, intempestiva e emotivas quanto a adolescência e a vontade de agradar o impõe; podem ser penalizadas por isso? 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Coisas da praxe e a praxe do governo

Aquilo que aparentemente o senhor ministro da educação se propõe fazer, de reunir reitores e associações académicas, tendo como objectivo analisar - senão mesmo proibir - as praxes não é, como pressupõe o seu antecessor, mariano gago, impor-se contra coisas fascistas, é, em meu enteder, pura e lúcida estupidez;
Que as praxes precisam de ser limitadas ou condicionadas? Não discuto, como não discuto que este governo também deve ter limites claros contra a estrupidez e o esmiframento daqueles que designam como povo;
que as praxes devem ter algum bom senso e os estudantes envolvidos tacto?, não discuto, como não discuto que os nossos políticos deviam ser pessoas sérias, fazerem o que prometeram e não o contrário do que defenderam em tempos;
Que as praxes deviam ser enquadradas num tempo e num espaço? Perfeitamente de acordo se as políticas estivessem também elas amarradas a um tempo e a um contexto e não valessem só  porque sim;
Sou de esquerda e sou a favor da praxe, não porque seja estupida ou simplesmente conservadora; isso até os politicos da nossa praça o podem ser e advogar-se, naquilo que lhe dá jeito e vai ao interesse;
Sou a favor da praxe enquanto espírito de grupo e de criação de laços de identificação social e institucional;
sou contra toda e qualquer forma de excesso, seja ela expressa em nome de uma qualquer praxe ou de um governo eleito e da crise que o suporta;
Sou contra a praxe pela praxe, mas também sou contra a desvinculação dos pais perante a acção dos filhos, como sou contra os Pilatos que lavam as mãos da coisa quando não lhes da jeito e os apresentam como cicerones quando lhes convém fazer bonecos;
Sou contra um governo que pretende desregulamentar a educação pública e se preocupa com a praxe como se fosse o cerne das suas políticas educativas;
Tenham juízo... F.R.A......F.R.E

sábado, 25 de janeiro de 2014

coisas das diferenças ou a diferença das coisas

há inúmeras diferenças entre, por exemplo, o norte e o sul, desde as paisagens à organização do território, passando, obviamente, pelas pessoas;
não são melhores, não são piores, têm coisas boas e têm coisas más, como tudo e como todos, há uns melhores outros piores outros assim assim; mas que são diferentes lá isso são;
Um exemplo;
imaginem um conjunto de amigos, de traço regional comum, o alentejo, com um passado de coincidências e as mesmas filiações políticas mas de origens tão diferentes quanto são évora, beja, serpa, portalegre ou santiago do cacém, por exemplo, que se juntavam para dissecar um passado, perspectivar um futuro, beber uns copos e trocar larachas? que postavam imagens no facebook e trocavam likes com outros amigos;
alguém imagina o que diriam, o que se diria? no mínimo que se faziam conjecturas ou se definiam conjunturas, que alguns ressabiados ou ressequidos conspiravam contra os legítimos detentores da verdade e do saber;
pois é, mas os meus camaradas do centro e do norte fazem-no; talvez haja alguém que afirme que são conspirações, missões que sem serem em sótão poderão dar origem a tremores e a tremeliques;
pois é, mas cá por baixo é a pobreza do deserto, a ausência de ideias, a lassidão do silêncio;
tenho saudades das conversas, das conspirações, da troca de argumentos só porque sim;

precisam-se sonhos - precisamos de ousar

há dias meti-me numa conversa, sendo convidado, sobre a necessidade de sonharmos;
em tempos muito marcados por um esforço quase sem sentido de muitos, sem percebermos qual o futuro dos nossos (dos filhos, por exemplo), para que serve estudar ou trabalhar (pois desconhecemos quase por completo o que o futuro nos reserva), acabamos por dizer que precisamos de sonhar;
precisamos de ter um futuro, precisamos de assumir que construímos o nosso futuro, que mandamos no nosso destino, que somos capazes de traçar e fazer o nosso caminho;
precisamos que se plantem sonhos, que se semeiem desejos, que se cultive uma qualquer vontade colectiva que permita construir sentidos colectivos;
não precisamos que ninguém que nos ilumine o caminho ou que se arme em deus ou farol, não precisamos que impinjam a nossa vontade, nos digam o que queremos ou que o merecemos;
precisamos de agir, precisamos de pensar, precisamos de ir de nós mesmos e fazermos por nós o que nos compete, o que está ao nosso alcance; não precisamos de mudar o mundo, nem alterar as constelações, apenas precisamos de pensar e dizer o que sentimos,
precisamos de ousar, de ser ousados, de quebrar regras e barreiras, ir além das normas e do normal, recusar o cinzento dos dias e assumir que a seguir a este inverno virá a primavera e ela só será bonita se eu fizer alguma coisa para lá chegar, para poder desfrutar das cores e dos aromas que polvilharão os campos;
não é destino, não é regra, não é normal, não é o fado nem o tem que ser, sempre foi assim, que é tudo o mesmo - não é e isso é mera política de ilusões, de subserviência, de dependência;
ousemos, arrisquemos, tentemos, experimentemos, vamos ver no que dá e o dá;
vamos ser gente, de novo, novamente, vamos sonhar com os olhos bem abertos, vamos criar as nossas ilusões, recuperar ideias e dizer aos mais novos que viver vale a pena; se fizermos por isso...

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Dinâmicas, mexidas, implicação, envolvimento

Estou constantemente a pensar sobre as minhas práticas profissionais; é mesmo no plural que as utilizo, considerando as solicitações, âmbitos e contexos de trabalho;
Trabalho com base em processos de diferenciação pedagógica que tanto assentam no movimento da escola moderna, sem respeitar nem considerar excessivamente, como em lógicas de projecto;
Faço a gestão das dinâmicas em função dos processos de regulação que já aqui referi, mas não deixo de sentir algumas dificuldades de gestão, seja por via de alguma banalização de processos, seja por via de algum cansaço ou mesmo desmotivação do aluno - por via da banalização de processos e/ou procedimentos;
Um dos desafios que sempre enfrento passa pela identificação de estratégias de (re)dinamização dos grupos e do aluno, pela implementação de factores de motivação para o aluno, de implicação no seu trabalho e na sua própria auto-regulação, coisa que em miúdos não é tarefa fácil, reconheça-se;
Tenho como objectivo para o fds pensar e identificar mais algumas estratégias de mair implicação, maior envolvimento e comprometimento do aluno nos seus processos de auto-regulação - passará certamente por amena cavaqueira com a aluna filha;

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Da vontade do conhecimento do interesse

as crianças não se cansam, aborrecem-se

Retirado da tese de p. abrantes (2008) que aborda o processo de transição entre ciclos de forma bem interessante, desmontando ideias feitas, desocultando processos e procedimentos;

Junto a esta ideia um texto que por aí circula sobre se a escola pode ser interessante; poder pode e seria uma coisa bem diferente;
A grande questão que teima e persiste na manutenção de uma mesma e quasi que eterna "gramática escolar" diz respeito à agulha conceptual dos professores que, perante as políticas educativas dos últimos anos, se recusam a sair de zonas de conforto e segurança onde sentem a mera ilusão de estabilidade, que o rodopio e o corropio é lá fora, lhes é exterior, e não é...

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

da (des)naturalização

um dos processos mais complexos das ciências sociais e da educação passa pela desocultação daquilo que muitos afirmam como natural, normal, sempre foi assim;
tenho tido conversas com os alunos sobre a necessidade de não aceitação, tácita e passiva, de tudo o que nos é colocado pela frente, das afirmações taxativas que é natural e que sempre assim foi;
até pode ser natural, até pode ter sido sempre assim, mas apenas porque interessou a uns quantos, por não existência de alternativas, por passividade ou omissão, o certo é que a naturalização das coisas é um processo que se reveste de inúmeros interesses, protagonistas e interessados;
um outro elemento é o receio dos não consensos na escola, que temos todos de puxar para o mesmo lado, para o lado que alguns afirmam como o melhor, o mais natural e o mais adequado muitas vezes sem especificar porquês, sem se desocultarem objectivos, sem se visibilizarem, pelo menos à primeira vista, os interesses que rodeia um tal consenso;
é certo que "ganho" amizades mas não deixo de chamar à atenção para aquilo que designam de natural e que de natural nem o ar que se respira...

da escola - do improviso - do gosto

de entre as muitas razões que me levam a gostar a da escola, do trabalho docente ou das funções que acontecem em tempo lectivo
(não acho piadinha nenhuma às burrocracias que se inventam para os tempos não lectivos),
decorre da imprevisibilidade dos tempos, dos modos, das relações, de tudo o que acontece fruto da mistura de gentes, caldilho de cultura e centro de emoções;
hoje, numa aula, fiquei sem perceber o que tinha acontecido ou como tinha corrido;
um aluno ficou retido na direcção por desacatos e respectivo raspanete; logo se gerou um diz que disse, que aconteceu e se julgaram e acusaram culpados e inocentes;
uma aluna chegou algo combalida segundo afirmava por ter levado um pontapé, logo duas ou três colegas a ampararam e aconchegaram, entre mimos e amizades, foi o bonito;
uma outra, pela cara de poucos amigos, dá-me conta que se tinha zangado com o pai; zanga que desaguou na sala de aula, não fez nada e esteve sempre assim a modos que;
uma outra nem percebi do porquê, se zanga, birra ou nada ou tudo, por altura da avaliação do trabalho feito defende zero, pois não tinha feito nada, certo, honesta, tábém;
um outro aluno regressou depois de longa ausência e foi processo de enquadramento tanto do docente como dos colegas, pergunta daqui e dali, curiosidade disto e daquilo e o tempo passou;
o bom disto é que sem se dar conta a aula aconteceu, ou não, fiquei sem saber...

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

amena cavaqueira entre aluna e professor - ou entre filha e pai

queixo-me que os ambientes pelos lado das minhas escolinhas andam assim a modos que, caras tristonhas,  resingonas, murchas, ambiente choucho; compreendo que seja segunda feira, compreendo até que algumas apenas hoje se tenham cruzado comigo depois daquelas reuniões de nada nem para nada, mas caramba, isso é coisa pouca, e os demais?
algumas para além do mal humorado claramente deseducadas, pouco faladoras, outras ainda arrogantes e pretensiosas, convencidas que são importantes, válidas em alguma coisa ou para alguma coisa que só elas sabem ou conhecem, outras então conhecedoras da sua certeza, certas da sua razão e da sua verdade, aquela que cada um constrói como que inabalável na sua santa ignorância - ignorância não, nada disso, certeza, consciência de si e de todos os outros;
a filha, por seu lado, remata com a figura triste que muitos professores fazem, considerando as criancinhas de 11º como se de criancinhas se tratassem, mas, como os próprios afirmam, pró que dá jeito, pró que interessa; fala da incoerência e da inconsistência dos profes, do que pedem e do que mandam, mas esquecem ou lembram de acordo com a gestão de comportamentos em sala de aula, benesses de animal amestrado;
não sei se fico contente por o ambiente macambuzio não se reduzir à minha escola se contente; vá lá saber...

domingo, 19 de janeiro de 2014

da escrita, dos escritos, das leituras e dos leitores

uma divagação em torno de mim mesmo, qualquer coisa como um desabafo ou um argumento de escrita;
escrevo por que gosto; gosto da escrita, gosto da leitura, gosto de sentir o prazer do fluir da caneta ou o som do teclado; gosto de ver o surgimento da escrita; gosto de apreciar o paralelismo entre as formas de raciocínio (oral, escrito, em pensamento) e da racionalização (de perceber os meus dias, os meus estados de espírito) que a escrita me permite e concede;
acreditem se quiser, tenho quatro diários, que não são propriamente diários, escrevo quando quero, quando considero interessante, oportuno senão mesmo necessário;
um pessoal, claro desabafo que de há uns anos a esta parte segue a minha idade; já me organizei pelos anos lectivos, depois pelo ano civil e agora e mais recentemente pelo intervalo em que faço anos; tenho pois um diário que designo de 50; este diário, tanto é um diário físico, que me acompanha para todo o lado e que me identifica, onde registo ideias e pensamentos, mas também as moengas das reuniões, as alembraduras dos afazeres, entre outros; é também digital, guardado algures no ciberespaço, onde deixo registos mais organizados, mais sistematizados e, particularmente, mais coerentes de mim mesmo, pois não misturo alhos com bugalhos;
depois tenho um diário de escola, onde registo ideias, situações, onde me escrevo enquanto docente, preocupações, notas, avaliações, críticas e comentários a mim mesmo; sejam de mim mesmo ou sobre mim mesmo; este mesmo diário já o dividi por via dos trabalhos e dos objectivos; deu origem a três segmentos, um exclusivamente sobre a actividade lectiva, outro referente aos afazeres escolares e, direi, socio-profissionais, e um terceiro exclusivo sobre o que investigo na escola, concretamente a análise sobre o pca;
depois tenho esta escrita, que escorre por aqui, mais pública, mais participativa, de âmbito de cidadania; são leituras que faço sobre os meus contextos, as minhas preocupações, os espaços e os tempos que me rodeiam, sejam eles a escola, a cidade ou o o que for;
não escrevo para que seja lido, mas obviamente que escrevo para que seja lido, pelo menos por aqui; é um qualquer fetiche de reconhecimento, participação pública, envolvimento pessoal e de sentimentos;
já houve circunstâncias de reparar que o contador avança a passos largos, outros, como os que correm, a mudança de algarismos ser pausada, suave, sem barulho;
paciência;
não estou referenciado em quase lugar nenhum (ao nível da educação não conheço, apenas alguns, poucos, locais de âmbito regional, mas poucos, poucachinhos), certamente que por questões de feitio, - tenho andado quase sempre em contraciclo; para além de não ter/apresentar razões para que me procurem e quem por aqui passa ficar com a ideia que não se justifica voltar;
então escrevo com maior liberdade, uma regulação desregulada, um sentimento difuso de liberdade e condicionalismo de escrita, escrevo por que gosto e pronto...


sábado, 18 de janeiro de 2014

já agora e sem ser a propósito

não direi que estranho, menos ainda que seja estranho, mas não deixo de franzir o sobrolho, pelo menos um bocadinho;
de franzir o sobrolho à total ausência de notícias, de comentários, de bocas ou do que seja ou do que se entenda ao facto de os vereadores eleitos pelo pc e os demais elementos entretanto nomeados, todos do pc, pois claro, em nome da participação e em nome da exigência, andarem quase todos, de candeias às avessas, uns atrás dos outros, mas sem se falarem, apenas o essencial, cumpre-se calendário mas a estratégia espera que o tempo melhore;
considero curiosa, quanto oportuna a circunstância particular de silêncio ou de omissão que recaiu sobre a câmara de évora depois de o pc ter ganho as eleições, certamente que será mera coincidência, pois claro;
por outro lado, não deixo de considerar interessante, quanto impertinente, a circunstância de não ler, nem ouvir nada sobre as desavenças da câmara, de, pelas aparências, tudo ser calmo, tranquilo, sereno por aquelas bandas;
perante o silêncio, perante as omissões até se pode ficar com a ideia que está tudo calmo, tranquilo, pacato;
afinal o povo é sereno e os interesses talvez (talvez) cheguem para todos, daí o silêncio;
a porra toda é que évora se afunda ainda mais no contexto da região e do país (mas beja ou portalegre não estão melhores, talvez seja nisso que os nossos camaradas se fundamentem); c
com o silêncio e a ausência de évora, o alentejo ganha distância ao pelotão da frente, talvez porque alguns, daquele conluio entre laranjas e melancias se afirme e se convença que alguém irá virar a tabela classificativa e de abaixo da metade da tabela fiquemos, por ordens da secretaria, acima da linha d'água; talvez saibam coisas que eu não sei, sejam conhecedores do que desconheço, não sei;
a coisa é que évora continua fechada ao fim de semana, o lixo um crime, as ruas um deserto de gente e polvilhadas de buracos, que os edifícios municipais - já não digo os demais - abandonados, votados ao deus dará; isto para já não falar do senhor presidente ou dos senhores vereadores que andarão por partes certas convencendo os convencidos, fazendo luz sobre os iluminados;
afinal ainda falta tanto tempo para as eleições...

coisas do fim de semana e deste meu concelho

uma coisa, sem referência nem enquadramento, sobre este concelho que me adoptou, o de arraiolos;
antes das eleições autárquicas (lembram-se? outubro do ano passado) a câmara foi célere em alcatroar uma das estradas que acede ou parte da aldeia; promessa para que logo depois (daquela, não das eleições ou teremos percebido menos bem) se seguiria a outra, de menor importância, apenas liga a aldeia à sede de concelho, portanto nada de mais;
qual quê, as eleições foram em outubro passado, quase há 5 meses, uma das estradas já está, apesar de um ou outro quase em falta, mas pronto, ninguém repara; agora a outra, aquela de menor importância que liga a aldeia à sede de concelho «na» vale a pena, deixa-se estar, o inverno que passe por cima dela, a pior e depois logo se vê, talvez nas próximas autárquicas;
certamente que o facto de o pc ter perdido a junta de igrejinha nada tem a ver com a coisa, pois claro, mera coincidência...
:)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

dilemas da profissão docente

na sequência da posta anterior, direi que a profissão docente, de há uns anos a esta parte, se encontra confrontada com um conjunto de dilemas difíceis de gerir e mais difíceis ainda de digerir;
em particular desde o período de david justino, 2003/2005, tudo mudou na educação, de um modo geral, e em particular na escola;
mesmo que permanecendo a sensação da mesma "gramática escolar" mudaram formas de organização, tempos escolares, disciplinas e tempos disciplinares, formas de relação e relacionamento, modos de gerir a avaliação e a acção pedagógica, as lógicas e os tempos de escola, mudaram políticos mas também mudaram políticas;
permanece como sensação de estabilidade, que as práticas não mudaram, que as concepções e alguns modos de agir, em particular docente, não mudaram; mas enganam-se redondamente, olhem as estatísticas, olhem os números e, não percebendo causas ou consequências, se percebem tempos e momentos de viragem, mudança - desde os pei aos pit's acabando nos ptt ou no raio que os parta;
mudaram as relações entre docentes, considerando os modos de gestão, de david justino, os titulares e os outros, da lurdes, os bons e os maus, da isabel, ou os das eses e os outros do agora crato;
mudaram as escolas, em função das agregações ou, melhor dito, dos ajuntamentos, mudaram as relações da escola com os pais, estes mais formados, mais (im)pertinentes, tanto ausentes como presentes, consoante processos de reivindicação escolar ou educativa;
sabem o que permaneceu? a mesma solidão e o mesmo isolamento profissional dos professores; a mesma falta de formação que de instrumental e utilitária não passa e à reflexão não chega; que os modos de gestão da "informação para que se transforme em conhecimento" chocam frontalmente com interesses e objectivos, tanto particulares, como sectoriais, que gerir ajuntamentos não é a mesma coisa que fazer o que sempre se fez agora a dobrar, ou alterar o topo da página e adequar cabeçalhos;
falta formação e, em particular e acima de tudo, reflexão à escola, aos seus profissionais, reflexão e pensamento colectivo, partilhado, sem medo nem vergonha de dizer o que se sente, aquilo que nos vai na alma (ou onde quer que seja), espaço para que nos oiçam e não nos julguem, apenas nos oiçam;

devagar vou lá, vou é devagar

devagar, devagarinho vou percebendo um pouco mais e talvez, apenas talvez, um pouco melhor o funcionamento e a organização da minha santa escolinha;
ontem estive em duas horas e meia de reunião (mais uma dúzia de pessoas) para receber informações (que de forma directa não tem implicações no quotidiano, seja docente seja de coordenador de um departamento) e se fazer o ponto de situação ao que um ou dois colegas têm feito;
percebi assim, uma das razões da falta de tempo, fez-se uma reunião para realizar o ponto de situação e ter-se-á que fazer pelo menos mais uma para se analisarem acções que se enquadrem no ponto de situação realizado e, talvez ou muito provavelmente, levar a discussão a conselho pedagógico que, como foi dito, é o local onde estão os mais implicados no processo ontem analizado; percebo que não haja tempo ou o que o tempo seja escasso para tanta reunião, como percebo o porquê de em tempos o ministério ter distribuído um power point de como se dirige uma reunião, a sua organização e etc, agora percebi, mais vale tarde que nunca, pronto;
percebi também que não se faz grande ideia do que compete às diferentes estruturas educativas, para que servem, quais os seus objectivos, qual a sua responsalidade na acção educativa e escolar; ou, talvez melhor dito (escrito), talvez exista uma ideia das estruturas, para que servem e o que fazem, não se terá é em grande ideia quem está à frente das ditas cujas e aí talvez eu tenha de dar a mão à palmatória e reconhecer que os chefes até são capazes de ter razão; chefes no qual incluo o ministro (pretensamente o pior ministro da educação, apenas pretensamente) em não confiar nos profes ou nas escolas, obrigado, se os que estão na escola não confiam neles como é possível que quem está por lisboa confie? tá quieto oh bicho;
percebi também que a gestão da informação é como era há muito tempo, guardada, como se a internet fosse um espaço fechado, gerida parcimoniosamente, como se não tivessesmos e trocássemos ideias com gente que está um pouco por todo o lado, como ali se faz ou deixa de fazer; disponibilizada de acordo com os interesses de quem a tem e não de quem a gere e tem como obrigação a sua implementação, como se não tivessemos conhecidos ou amigos aqui e ali; é pena, deve desgastar e cansar, para já não dizer que deve moer um pouco, mas pronto, percebi que a tradição ainda é o que era;
percebi que não são apenas os santos da casa que não fazem milagres - e atenção que não sou nem tenho nada nem nunca tive alguma coisa de santo; são mesmo as pessoas, os colegas da casa que não contam para nada; para percebermos o que nos pode ser útil teremos de perguntar a outros, aos académicos, sabedores da coisa mas a quem, depois de os ouvir, se atira com teóricos, desajustados e coisas que tal, para desanuviarmos da coisa teremos de perguntar a outros em processo dito de constituição de micro redes, isto é, forma outra de designar o que também foi designado de boas práticas (coisa tão cara à tecnocracia neoliberal que considera o outro acéfalo e capaz de se ajeitar mediante formação e conhecimento do bom, do belo); e eu pergunto, porque não começar com os da casa, encontrar espaços, momentos e tempos onde cef, pca, pief (e fica tudo em código tuguês) e uma ou outra turma que de regular apenas tem a sua própria irregularidade e trocar ideias, partilhas experiências, aferir estratégias, regular (porque não) práticas; discutir, debater, confundir o que nos é confuso, talvez, e apenas talvez se torne útil a alguém, mesmo que não se torne em conhecimento;
a este propósito - o do conhecimento - foi dito em ponto de situação que o importante destas coisas é transformar a informação em fontes de conhecimento; gostei, mas ninguém me conseguiu explicar o que significa tal coisa, mas é bonito de se ouvir, lá isso é;
e pronto, lá fiz novamente figura de tótó moenga, incomodando por perguntar, chateando por me desconsiderarem, moendo por me obrigarem a sucessivas de sucessivas reuniões e encontros de nada; dando razões e oferecendo argumentos para que me tratem e considerem como um moenga;

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

formas de regular a desorientação que se cria

decorrente da minha prática lectiva e pedagógica, assumo um conjunto de diferenças que precisam constantemente de ser acompanhadas, reguladas, monitorizadas e avaliadas; a preocupação recai sobre o trabalho do aluno, mas considero que a minha acção não é menos importante e carece também ela de ser acompanhada
relativamente ao aluno tenho uma dupla estratégia de regulação; 
uma regulação do trabalho do aluno, onde pretendo criar e implementar mecanismo que centrem o aluno no seu trabalho, o apoiem no desenvolvimento de competências, o centrem e concentrem na dinâmica de trabalho; 
uma regulação das aprendizagens onde dou destaque aos conteúdos, conceitos e elementos de base disciplinar; 
entre uma e outra das formas de regulação coloco ora fichas de trabalho (para a primeira) ora fichas de avaliação (para a segunda); a diferença entre elas decorre da sua importância (mais extrínseca, isto é, atribuída e construída, que intrínseca); as primeiras são feitas com consulta, visam os conceitos e os acontecimentos históricos, habitualmente não são corrigidas pelo docente; as segundas assentam prioritariamente em questões de desenvolvimento e são corrigidas pelo docente; nesta segunda opção ainda não senti dificuldades, nem qualquer processo de desvalorização ou de banalização; nas primeiras sim, senti que o aluno as desvalorizou, as minimizou e ficou quase sempre à espera das fichas de avaliação, corrigidas pelo docente, para se regular nos processos, tanto no seu trabalho, como na sua aprendizagem; vai daí e optei por fazer fichas de trabalho, na mesma e com as mesmas características, mas perante as quais introduzi uma ligeira - e espero para determinar a sua importância - alteração: dei a indicação para que na ficha de trabalho o aluno seleccionasse uma questão para entrega e correcção; proximamente serei eu a seleccionar a questão, algo aleatoriamente, mas considerando as características de cada aluno;

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

das redes sociais e a ausência social

de quando em vez afasto-me das redes sociais;
não digo o que faço, não dou conta a ninguém de como estou, omito por onde ando ou no que penso;
a pontos dos senhores do livro nas trombas me enviarem recordatórias que ando afastado, que tenho toques, notificações e coisas que tal à espera;
ao fim de algum tempo recordo ao conjunto dos vivos e aprecio aqueles que se passeiam pelas redes sociais, dão conta do que fazem, mostram imagens do que consomem e de si mesmos - por vezes em evidências de acentuado envelhecimento;
as redes sociais criam uma outra praça central que, tal como por aqui pela igrejinha, em que não há praça, mas há a praça, assim o pessoal do face percorre espaços, cruza amizades e dá de conta do que faz ou do que gostaria de fazer; aprecia os outros e desfruta de quem passa;
assim estou eu, como que encostado às arcadas da minha praça, braços cruzados como que à espera de coisa nenhuma, vejo quem passa e penso para o meus botões coisas que não digo, nem escrevo em voz alta...

do que ouvi, do sou ou do que fui

ontem, na minha sala de profes ouvi um conjunto de comentários a pais e mães, a alunos e a professores que me deixaram a pensar; inclusivamente cheguei a trocar conversa sobre o tema com um ou outro colega; estava assim a modos que... pensativo;
então é assim,
se eu, a minha pessoa, o je, hoje andasse na escola enquanto aluno o que seria de mim?
trazendo para os tempos actuais a minha pessoa e o meu contexto dos tempos de aluno o que esperar de mim enquanto aluno?
raramente os meus pais participaram em reuniões com directores de turma ou em reuniões desse tipo; não porque não existissem, apenas não iam porque ambos trabalhavam;
fui - e ainda sou - um qualquer tipo mediano, da média, nem bom nem mau, antes pelo contrário; é certo que nunca chumbei, mas passei sempre assim com notas a modos que, a generalidade três, um ou outro quatro que nem recordo a quê; aluno mediano em termos de rendimento, daqueles que não incomoda, mas também não se destaca;
em termos de comportamento, bem aí a coisa já chia mais fininho, filho único, criado e afirmado na transição democrática era o bom e o bonito; palavra sempre na ponta da língua (ainda hoje), teimoso q.b., por vezes insistente quando não mesmo irritante (ainda hoje), em particular quando sinto que estou na razão, vá lá saber porquê, ainda hoje sou assim; aluno de tirar do sério qualquer um e boas discussões recordo com um ou outro dos que foram meus professores; fruto dos argumentos e da palavra rápida ou simplesmente porque gosto de dar nas vistas (ainda hoje), não foram poucas as vezes que fui "arejar", apanhar ar, ver quem passa; a pontos de, não recordo em que ano, ter criado um registo de faltas para que não me descuidasse pois então em casa é que seriam elas;
em minha casa não abundavam os livros; a minha mãe lia as revistas femininas da altura, o meu pai um ou outro jornal (diário popular, a bola, pois claro) e um ou outro livro de cowboys, que recordo; obviamente que fizeram alguns sacrifícios de comprar as enciclopédias que começavam a circular, afinal eram a internet de então; discos nem vê-los; foram os meus primos que me despertaram a curiosidade, primeiros pelos discos, pois claro, depois pelos livros; e uns e outros comecei pelo lado mais difícil, piaf, breel, nascimento, vinicius, buarque, zeca, tudo coisas em onda de esquerda nos idos 70 e princípios de 80 do século atrás; a escrita começou com cristhies, com simenon, com os policiais que então fervilhavam na liberdade;
foi a escola e foi na escola que comecei a adequar a minha idade e as minhas leituras, na biblioteca da escola encontrei de tudo um pouco, os 5, memórias, perfis educativos, biografias e descobri o quanto gosto de ler;
e se fosse hoje? será que a escola me conseguiria interessar? será que seria aluno mediano mas sem retenções? será que conseguiria criar algum sentido ao que ali andaria a fazer? será que hoje a escola conseguiria colmatar o que em casa não tinha?

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A escola da diferença ou a indiferença da escola

Depois da minha posta de ontem vi, com atenção, a reportagem da rtp sobre duas escolas nas antípodas uma da outra;
fiquei a pensar para os meus botões sobre duas também elas distintas situações;
por um  lado, que as políticas educativas têm de dar resposta a todo um vasto conjunto de realidades, contextos e circunstâncias muito diferentes; não há abrangência possível que as políticas educativas consigam abarcar; são realidades, contextos e situações tão diferentes que apenas a construção local, a contextualização de políticas poderá fazer algum sentido; 
por outro, será que a escola deixou de fazer a diferença; será que a escola - políticas, professores o que seja - serão indiferentes a contextos, realidades, desejos, ambições? em tempos a escola foi instrumento de mobilidade social, permitiu criar alternativas e a mudança de contextos; e hoje que é que a escola permite? 

domingo, 12 de janeiro de 2014

das políticas, da estatística, dos professores e em fim de semana

regresso ao tema que me ocupa o fim de semana e me tem consumido os poucos neurónios nos últimos dias - a análise estatística do meu departamento;
e para trocar algumas ideias com a recente alteração ao código da estrada;
por ventura alguém alterou, de forma visível e significativa, o seu comportamento decorrente da alteração do código da estrada?
por ventura se foi à procura de informação quanto aos procedimentos a adoptar, as implicações das alterações, ou as coimas por se entrar em desconformidade?
tenho dúvidas, não digo que não exista um ou outro tuga que efectivamente tenha, pelo menos para já, alterado o seu comportamento, lido as implicações e pensado nas suas consequências; mas a generalidade esteve e está-se cagando para a coisa (à boa maneira alentejana);
é a associação que agora faço com as políticas educativas, para dizer que as concepções, as práticas e os modos de acção serão certamente muito mais importantes e relevantes que qualquer medida de política, qualquer alteração normativa ou qualquer orientação legislativa que aconteça e, não menos interessante, onde aconteça, se no terreiro do paço, nas próximidades ou na direcção daqueles que pretensamente nos (des)orientam; ;
as práticas, a acção e, acima de tudo, as concepções ou as formas de pensar aquilo que fazemos (porque fazemos, como fazemos, em nome do que fazemos) são bem mais importantes e determinantes na acção quotidiana do que qualquer medida de política;
tal situação faz com que a análise estatística (aquela mesma com que me entretenho) seja tão boa quanto chuva no verão, sopas depois de almoço e coisa que tal....
mas brinco com os números, aprendo com eles e fico a conhecer um pouco mais e um pouco melhor a casa onde trabalho, depois cada um fará o que entende, retomando o código das estrada, continua a fazer o que sempre fez, está-se cagando para alterações e/ou modernices...

sábado, 11 de janeiro de 2014

da recandidatura ou da dita dura

passos coelho, na falta de outro, na ausência de outros ou simplesmente na vez de outros, recandidata-se a líder de si mesmo, dos seus, do seu partido;
nem mais;
assume que aquilo que tem feito ainda é pouco, insuficiente, que a merda ainda não deita muito cheiro;
não segue as pisadas de cavaco, esse foi mais comedido nas opções, não se esticou tanto, mas dele ficou um leve aroma a salazar;
este passos coelho não é nada disso, tresanda a bafiento salazar, daquele mesmo que muitos tugas apreciam, o rigor, a exigência, a ordem, a disciplina, a determinação ignorante como se fosse convicção, a poupança, ser comedido nos gastos, frugal na acção; fingir que não se é político, que se abomina a política, como se a escolha dos nossos sentidos, das opções que nos orientam, da gestão que nos impingem fosse mera questão de fé, algo transcendente, entre o certo e o errado; e tudo isso fosse coisa normal, coisa natural, afinal sempre foi assim, porquê mudar, porquê ser diferente; afinal não são todos iguais, não é tudo farinha do mesmo saco, não são todos filhos da mesma puta;
fomos assim educados, desde os anos 30 do século passado que nos dizem que é bom ser pobrezinho (teremos um lugar no céu), que o importante é poupar, é saber poupar (no futuro se gastará, quando nem sequer temos para os gastos do dia-a-dia, quanto mais para poupar mas é desejo, meta, horizonte), que o importante é saber ser, não sabemos o quê, mas é ser, nem para quê, mas é ser; que se formos obedientes e submissos nos reservam uma promoção, um lugar junto daqueles que podem ou daqueles que sabem - afinal são os mesmos;
que não vale a pena sermos bons, mas vale a pena sermos ingénuos; que não vale a pena reivindicarmos um futuro, mas sermos humildes, isto é, subservientes; que se não discutirmos não teremos nem problemas nem moengas, como se a discussão fosse contratempo, como se ter ideias fosse uma moenga de oposição;
afinal, o senhor passos coelho recandita-se para si mesmo, certo, como muitos outros, que está a fazer a sua obrigação ou, melhor ainda, a obrigação de foder tudo e todos ... e nós gostamos, e nós apreciamos

coisas do fim de semana

ou de um qualquer dia de semana, pois a porra do quotidiano não faz pausa de fim de semana;

ontem tive oportunidade de «ouver» o senhor ministro da defesa, aguiar branco, a dizer com todas as palavras o estado de alma deste governo, que o Estado tem sido parte do problema e não da solução;

se é certo que afirmação foi feita no contexto da subconcessão dos estaleiros de viana, (perante o qual o silêncio socialista é ensurdecedor) não deixará de ser aceitável a sua generalização, enquanto ideia e princípio de governo, aos demais parceiros de governo e coligação;

e tá tudo dito; a partir desta afirmação se percebe que o rigor é amigo dos pobres, que a exigência beneficia os velhinhos, que os cortes orçamentais promovem as exportações, que os despedimentos da função pública mais não são que benesses sociais à sopa dos pobres;

assim será nos estaleiros de viana mas que me permitam a aleivosia, perfeitamente extensível à educação, à saúde, à justiça and so one...

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

dos sentidos ou da sua falta

ao nível da acção pedagógica sobre os resultados escolares, uma das ideias que tem despertado em mim algum interesse, relaciona-se com a relação entre resultados escolares e sentidos escolares;
ou seja, na generalidade das situações (não são todas, não é lei universal e indiscutível) o aluno com boas notas, bons resultados tem uma perspectiva de futuro, uma ideia do que anda aqui a fazer; vê e reconhece interesse na escola e no processo de escolarização mesmo que não saiba ainda para quê; pode não saber o que quererá fazer ou ser no futuro, mas aceita tacitamente que a escola é um meio para o que pretender ser e fazer no futuro; reconhece e assume o peso da escola e o papel dos professores nesse processo; mesmo que só mais tarde venha a descobrir ou a identificar um efectivo sentido à coisa;
um aluno com maus resultados, é um aluno que não faz a menor ideia do que quererá fazer amanhã e menos ainda no próximo ano lectivo; não vê nem reconhece utilidade à escola e menos ainda à sala de aula, circunstância que vê como constrangedora, castradora e inibidora da sua vontade ou disposição;
perguntem a um aluno que teve, no primeiro período, mais de 5 «negas» sobre o que ele pretende fazer no próximo período (o razoável seria mesmo perguntar o que pretende fazer no próximo ano ou quando deixar a escola, quais as suas expectativas), faça-se a mesma pergunta a um aluno que teve tudo três (ou tem média na casa dos 11/12) ou a um aluno que teve montes de 4 e 5 (ou tem média superior a 14) e analise-se- a resposta, considerando o tempo que medeia entre o pensamento e a acção, o seu presente e o seu futuro, o que descreve entre um e outro;
é neste processo que designo como de construção de sentidos, que o docente tem papel essencial, insubstituível; não vale a pena referenciar contextos, políticas ou outras coisas;

da estatística ou do que se quiser e os seus efeitos

já aqui o referi e volto a dizê-lo, não percebo quase nada de números, tenho sérias dificuldades em trabalhar números;
em tempos foi mesmo o meu calcanhar de aquiles pois o presidente da câmara de então sabia para onde me conduzir e, se o deixava, saía perdedor; profissionalmente tenho sempre procurado apoios, ajudas, parceiros que percebam dos números e tenham capacidade de me aturar de modo a organizar os dados para responderem à minha curiosidade, às questões que coloco, pois há muito que afirmo que não é o número que me interessa mas o que ele pretensamente mostra ou o que eventualmente esconde;
isto porque tenho andado entretido com a estatística do meu departamento, uma série de cinco ano, entre muitas e diferentes (pelo menos aparentemente) disciplinas, anos de escolaridade ou períodos lectivos;
é um trabalho claramente académico, mera masturbação intelectual; isto porque ainda não tive oportunidade de perceber se alguém, algum dia, alterou estratégias, modificou metodologias, adoptou outras técnicas de gestão de sala de aula só porque olhou a estatística do período, do ano lectivo ou da sua disciplina; mais, é mais fácil individualmente o docente olhar aquela sua turma, por ventura no contexto de outras, e tentar pensar nos números, na gestão, na dinâmica estatística que os números mostram ou escondem, destacam ou simplesmente omitem do que um departamento onde está o cão, o gato, o tareco e tudo o mais;
o que a estatística me mostra, na série de cinco anos lectivos em análise (na disciplina, na transição de períodos, na transições de anos ou no encontro de disciplinas, entre outras) , dentro das minhas sérias limitações, é tudo e não é nada; isto é, a partir de uma simples análise estatística poder-se-ão destacar:
efeito docente - na gestão das dinâmicas de sala de aula, na acção pedagógica de gerir interesses, comportamentos ou atitudes por parte do aluno; expresso na variabilidade entre o 3º e o 1º período, entre períodos, no arranjo dos sucessos entre diferentes disciplinas ou áreas disciplinares (and so one);
efeito grupo/turma - considerando origens, contextos sociais ou económicos, uniformidade ou homogeneidade, relações sociais ou familiares - os números mostram a capacidade reivindicativa de uns anos relativamente a outros, de determinadas disciplinas sobre outras; neste âmbito e sob este efeito, dá para perceber que a escola pública de vendas novas, a minha escola, não faz compensações sociais, não minimiza circunstâncias económicas, nem regula processos de mobilidade social, isto é, quem tem enquadramento (social, familiar, económico) é sempre favorecido (tem melhores resultados escolares, mais referências) relativamente aos que não têm;
efeito políticas (e aqui as políticas tanto são nacionais como locais) - momentos de viragem, períodos de conflito, circunstância de discussão, debate ou afloramento; orientações ou determinações; reforço de autonomia ou desresponsabilização pessoal e/ou profissional;
O que claramente não se nota (ou notar-se-á pela sua fragilidade senão mesmo ausência) é o trabalho intradepartamento, de articulação entre diferentes docentes, de diferentes ciclos ou de diferentes áreas; talvez porque não sabem, porque é chato e dá trabalho, porque ocupa o tempo, porque se anda entretido com tantas outras coisas, talvez até mais importantes;
o que eventualmente se notará é o professor enquanto funcionário público, onde o problema não é dele é dos outros (do aluno, da família, do contexto, das políticas), enquanto mero gestor administrativo onde a pedagogia é uma chatice porque os outros não se lhe adaptam, numa lógica de pronto a vestir e não de alfaiate - porra que o elefante não consegue voar tão bem quanto o canário...
mas tudo isto são meras ilações, conjecturas ou suposições; pois os números valem o que valem e para mim valem muito pouco...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

de um lado e do outro como se fosse barricada

estive a ouvir a directora de turma da filhota;
desbobinou cobras e lagartos da turma durante mais de 30 minutos; nem uma única coisa boa daquela turma;
irrequietos, faladores, telemóveis, participação indisciplinada e aleatória, argumentativos (é verdade é problema), and so on, and on;
por ventura ter-se-á esquecido de referir que apenas é a melhor turma da escola, em média de notas, que é aquela que mais gente tem dado e dá para aquelas coisas parvas como sejam a associação de estudantes, as iniciativas de cidadania e participação escolar, mas pronto;
culpados na coisa, apenas os aluno/as como se fossem serial prevaricadores;
pronto, tá bém;
gosto de estar do outro lado a ouvir o que dizem os senhores professores;
gosto de estar do outro lado e perceber que também sou docente e que também eu posso dizer aquele conjunto de aleivosias;
gosto de estar do outro lado, mais não seja para perceber que devo respeitar quem está do outro lado;
já agora, mas há lado nesta coisa de ensinar e de aprender, de educar e formar?

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

das dificuldades e das teimosias

sempre tive uma enorme dificuldade a matemática; desde o 2º ciclo que estou referenciado como aluno com dificuldades na disciplina; e não foi por questão de professores; daqueles que me lembro do básico e secundário a sua esmagadora maioria eram docentes de matemática - nem digo nomes, nem alcunhas, mas estão cá na memória;
apesar de tudo, das dificuldades e das contrariedades que a disciplina sempre representou para mim, lá fiz um 12º de matemática, à segunda, pois claro, que da primeira não fui nem capaz nem audaz;
contudo e apesar das dificuldades e de na sequência de todo o meu trabalho académico me ter dedicado a dimensões qualitativas (análise de conteúdos, ideias, valores, and so on) o quantitativo e a estatística de quando em vez puxam-me para a teimosia e para a curiosidade da sua análise;
até há pouco tinha um bimbo (privat joke, iac, iac) que me auxiliava na coisa; eu fazia perguntas e ele ia à procura dos gráficos; a juntar ao bimbo um chefe que me despertou curiosidade q.b. sobre a dimensão quantitativa;
agora, sozinho e teimoso quanto curioso, vá de brincar com a coisa, com os números, sabendo de antemão que a estatística tanto vale tudo como exactamente o seu contrário, que nos indica tendências, mas as causas e os efeitos podem estar à parte...
mas não deixa de ser engraçado perceber essas tendências; como mais engraçado, cá está o meu lado mais qualitativo, interpretar causas, apresentar proposta ou simplesmente trocar ideias de volta de uma imagem...

sábado, 4 de janeiro de 2014

tarefas

quase, quase a começar o segundo período dou conta que concluí as tarefas que (auto)agendei para esta pausa natalícia; para além de preparar aulas e organizar o trabalho lectivo, o que não foi pouco, ainda conclui o texto enviado, reorganizei e disponibilizo a minha página web pessoal, organizei papeis e papelada, preparei reuniões e estruturei o trabalho direi mais administrativo que me cabe e que me espera para este segundo período - assessorias, departamento e procedimentos pedagógico-administrativos; é certo que me ficou a faltar um relatório que gostava de ter feito, mas que, apesar dos meus pedidos a quem de direito lá pela minha escolinha ninguém me ligou, certamente por afazeres;
para além de tudo isso, descansei, recuperei e estou pronto para mais do mesmo;
assim até gosto

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

hoje escrevi por outros lados, com outras intenções e objectivos;
preocupação essencial, a de dar cumprimento aos requisitos do congresso e enviar o texto que para todos os efeitos suportou a comunicação que fiz - já aqui tinha deixado a apresentação, repesco o link para que se possa criar a associação entre texto oral e texto escrito;
teoricamente o texto ficará oportunamente disponível em edição digital do congresso; até lá ficam por aqui as linhas de escrita e a total disponibilidade para ouvir comentários, sejam eles quais forem e venham de onde vierem;

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

o povo é sereno

neste primeiro dia entre as expressões mais que batidas e as banalidades de sempre, não deixei de pensar nas palavras que ontem tive oportunidade de ver e ouvir - o povo é sereno;
mudar para quê, são todos iguais;
afinal fazem todos a mesma coisa, alimentam-se;
estamos bem assim, para pior mais vale assim;
afinal são os outros que beneficiam do tacho, a nós só nos restam os ossos;
o povo é sereno, aguenta estoicamente na sua ignorância comezinha, aquela mesma de trazer por casa e ter à mão como que de banalidade se tratasse; resiste à pressão e à opressão, afinal foi para isso que fomos educados e instruídos, a obedecer, a respeitar, a cumprir primeiro e depois, se assim for o caso, a reclamar;
o que nos trará este 2014? a folha está em branco, o livro vazio e só nos restam duas de muitas opções: esperar que alguém escreva em cada página, que definam os nossos dias, por nós, como se não tivéssemos opinião nem voto;
construir o texto, o nosso texto, seja ele em escrita criativa a muitas mãos e muitos pensamentos, seja individual na determinação nas nossas convicções;
criar o texto alternadamente entre imagens e coisas que nos dão ou impõem, onde o nosso pensamento se mistura entre o dado e o construído, o definido por nós ou decidido por outros;
mas a mediocridade, a mentira e, essencialmente, a hipocrisia impera e determina os dias...




O Primeiro Dia

mais que em qualquer outro este é mesmo o nosso primeiro dia do resto das nossas vidas;
o primeiro depois de todos os outros, o primeiro antes de todos os outros;
vale a pena recordar e não esquecer que é de frases batidas que a vida é feita, de lutas que não se esquecem, de vontades que não esmorecem;~
hoje mais que nunca, o primeiro dia

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

e vira o disco e vamos a mais do mesmo

e pronto, apesar de me parecer algo incrível, pela velocidade algo estonteante a que passou o presente ano, o certo, certinho é que estamos no último dia do dito cujo;
sem ser balanço, outros melhor que eu o farão, para trás ficaram dias inenarráveis, inesquecíveis, para esquecer e para o que der e vier em memória futura; regressei à minha escolinha e às aulas, candidatei-me a director de um agrupamento (fui recusado), tive razão nas eleições autárquicas, não tive razão em determinadas birras, senti-me despeitado e assumo que pretendo estar mais calmo, menos emotivo, mais racional (a idade tem das suas); fiz meio século, coisa com a qual nunca me imaginei; participei em dois congressos internacionais sobre coisas da educação, mantenho a vontade de estudar, conhecer e talvez compreender a escola, as políticas educativas, a acção dos professores, o sentido individual do trabalho colectivo; faleceu um dos poucos amigos da minha aldeia; passeei, desfrutei e fiz o que podia, mesmo quando não me queriam deixar;
pela frente teremos outro ano dos grandes, daqueles que, olhando em frente, parecem não ter fim - serão eleições europeia, mundial de futebol, renegociações com a troika, mais cortes e mais costura, o alinhar de personagens e perfis para eleições legislativas e para as presidenciais; quero continuar a escrever e, nesse ano de 2014, ver se publico em revista própria; quero ser feliz ou, melhor dito, construir momentos de felicidade com os meus, a minha família, os meus amigos, com alguns inimigos, pois a inveja também nos dá algum prazer; quero continuar a passear e a estudar, a ler e a escrever, a amar e a desfrutar da vida enquanto por cá ando;
BOM ANO, façam dele aquilo que cada considera que merece e que faz por merecer;
(imagem tirada daqui)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

coisas da vida ou a estupidez da vida

nos tempos que correm a fé, aquela coisa em que se acredita sem questionar, que se aceita sem qualquer réstia de dúvida, aquela coisa que fazemos sem perguntar coisa alguma, nem duvidar, tem um espaço algo limitado;
a fé tem, nos dias de hoje, um espaço que está condicionado por coisas mais supérfluas mas mais à mão, como sejam os prazeres quotidianos, o materialismo que não seja o dialéctico, o imediatismo que não o meramente político ou partidário, o gosto pelo prazer de sentir e desfrutar e pronto;
depois temos estas surpresas, coisas que nos obrigam a questionar sobre coisas banais, frívolas, triviais, como sejam a existência de Deus, o papel do destino, o que nos está reservado, aquelas coisas banais que Camões chamou de fado, Pessoa de destino e nós, míseros seres efémeros, questionamos como se, por vezes, até acreditássemos;
mas que a vida nos prega partidas estúpidas, ou talvez a vida como a encaramos (ou como eu a encaro) seja apenas estúpida, isso, de quando em vez, até parece ficar gnosticamente provado,

a sala de aula do futuro




se há coisas em que sou assumidamente curioso, cusca, interessado (isto porque não sigo nenhuma linha organizada de pensamento e/ou estudo/pesquisa) uma é como será a sala de aula - ou a escola - daqui a 10, 15 ou 20 anos; não sei se será a escola - ou a sala de aula do futuro - e como será esse futuro, imagino que a tecnologia passe por ela de uma ponta a outra, que a sala de aula se cruze entre qualquer coisa que pode ser aquilo a que hoje alguns chamam de sala de aula, ao que em alguns sítios designam como biblioteca, ou um vago centro de recursos, ou e porque não - apesar de isso ofender puristas - um cibercafé;
(um aparte, não resisto mesmo: no decorrer das reuniões de avaliação ouvi alguém da minha escola, com responsabilidades de chefias intermédias, afirmar que se podia proibir a utilização de pc ou dispositivos móveis de acesso à net nas reuniões de profes, de modo a não prejudicarem o trabalho, e depois dizem que eu é que conto anedotas, tábém tá);
uma coisa para mim poderá passar pelo certo, para além da utilização e do papel que a tecnologia possa ter ou assumir, será a alteração da estrutura organizacional da escola, que muitos pensam que foi sempre assim, a alteração tecnológica de ensinar a muitos como se de um só se tratasse, um professor muitos alunos, resultados médios, em função de uma média, perspectivando-se a média estatística;
contudo e apesar de todo o papel que possa ser atribuído à tecnologia há uma dimensão que, pelo menos para mim, não deixa de ser incontornável à escola e que, por si só, a tecnologia não responde, refiro-me ao processo de socialização e de fabricação do sujeito, do cidadão; isto é, a escola recebe crianças e, para além de ter como objecto o que alguns designam de produzir creditações/diplomados, a escola também produz quasi adultos, homens e mulheres que, na sua juventude, se insurgem para o mundo do adulto, profissional, social, político (e não se prendam apenas aos partidos, é de intervenção de cidadania que refiro); provavelmente num tempo e em modos que a escola tecnológica poderá individualizar processos de aprendizagem, segmentar as necessidades educativas, o processo de construção/fabricação do adulto assume importância ainda maior; mas muitas escolas, muitos docentes chutam ao lado esta dimensão que a escola desde sempre teve e soube assumir;

das ideias, da concordância ou simplesmente a estupidez política no seu melhor

os professores contratados foram abandonados pelo PS, que apenas pediu uma pífia “suspensão” da prova, e os trabalhadores dos Estaleiros de Viana, que marcharam pelas ruas de Lisboa com as suas famílias, a caminho da miséria, não merecem nem um levantar de sobrancelhas dos doutos conselheiros económicos do “líder” Seguro. O PS, que tinha já enormes responsabilidades na situação actual de ambos os sectores profissionais, agora mostrou de novo por que razão não é confiável como partido de oposição, mas, pelo contrário, é confiável, pela mão de Seguro, para lá de muitas encenações, para os que mandam em Portugal, sempre os mesmos.
eu não escrevo coisas destas, apesar de as pensar;
eu não escrevo assim, apesar de o sentir;
eu não escrevo, nem digo que é assim por que todos vêem que é mesmo assim,
contudo, não deixam de existir labregos que apenas esperam pelo turnover para mamarem do mesmo e serem mais do mesmo;
e depois sou eu que ando indisposto, ah pois é...