segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

ateus por acaso ou o acaso da fé

andei pela minha cidade, é certo que não consegui deixar de reparar que tudo continua na mesma, isto é, até parece que nada se alterou nas eleições autárquicas mais recentes; mas, acaso não se "alembrem" a gestão é comunista ou cdu, seja isso o que for (já agora, quem é o vereador verde? é que pela cor não vou lá) e tudo continua na mesma como se a gestão não se tivesse alterado por desígnios ditos democráticos;
tudo continua como lia em alguns blogues cá da terra, blogues agora passados ao esquecimento ou apenas a memórias do passado de lutas feito;
mas tudo continua envolto em alguma penumbra, com um cinzentismo q.b., a ausência de luzes e de enfeites de natal, a inexistência de uma estratégia comercial de afirmação do centro histórico como centro comercial a céu aberto, as conivências que sempre nos facilitam argumentos e políticas; ora porra que o pcp - ou a cdu, vá lá eu perceber quem é quem - continuam na mesma, será que aqui também há um bloco central autárquico local?....
é certo que o camarada sá pode ser entre o agnóstico e o ateu, que os seus camaradas se podem ficar pelos discursos, sempre convenientes como desculpabilizantes, da herança, do legado chosialista, do muito que já foi feito - como marx nas penumbras das estruturas profundas ou catacumbas; mas a merda toda é que évora continua como limbo, nem sei do quê, agora com gestão cdu ou pc ou verde, não sei...

do natal

tenho ouvido, por aí e por ali, os piores comentários ao natal; quase que por moda ou apenas por questões de merda e esquesitices idiotas há quem diga que já não gosta do natal, que o natal já não é como era, que o natal é muito comercial ou material, muito sei lá o quê, olhe, uma merda;
merda para os esquesitos, merda para os que gostam de modas mas se ficam sempre nas primeiras, merda para os adizeres críticos que mais não são que cretinices próprias de quem gosta de se afirmar apenas pela afirmação oca, vazia, despida de nada e vestida de tudo o que seja estupidez;
que me perdoem, que eu sei que não é coisa fácil, mas cá o je, este autor de escrita que assim se espraia, continua a gostar do natal, a gostar dos enfeites, das luzes, dos cheiros, das birras, do lufa lufa, das expectativas e ansiedades do que nos reserva a noite, do stresse da ceia, das políticas - políticas não, que isso é merda que por aqui não entra - de quem vem, quem está, quem faz o quê, quem traz o quê, chega-se a dizer que é família, mas qual delas, de sangue, de amizade, de amores e sentimentos ou apenas de acolhimento, qual família...
cá o je, para o bom e para o mau, continuo a gostar do natal como quando, eu criança, se convidava impreterivelmente o engraxador Farraxa, não sei se apelido se de nome, se apenas de alcunha, para comer qualquer coisa quente, pelo menos naquela noite, que o 53 se divertia mais que nos outros dias, que o meu pai chegava, como quase sempre, mais tarde que o habitual;
continuo a gostar do natal, não pela memória do que foi, nem por aquilo que ele é com os meus e a minha família, mas mais por aquilo que cada um nós dele pode e deve fazer; como tudo na vida, fazemos o que podemos ou apenas o que queremos e escondemo-nos no resto, na hipocrisia, na idiotice, na estupidez, seja ela argumentativa, justificativa ou apenas desculpabilizadora - depois perguntam-me se estou zangado, azedo ou apenas parvo, obviamente que azedo, isto é fora de prazo, e parvo como sempre, pois claro;
em altura de natal, altura em que aqueles que me educaram apelam à paz na terra e ao espírito de boa vontade entre os homens, faço minhas as palavras daquele em que acredito enquanto homem e líder político, paz na terra aos homens (e mulheres) de boa vontade; aos demais... a puta que os pariu...
FELIZ NATAL

domingo, 22 de dezembro de 2013

brincar a sério

houve uma afirmação, assim a modos que pretensamente maledicente ou insidiosa, que me foi atirada no decorrer das reuniões de avaliação; constou de afirmarem que nunca sabem se estou a brincar se a falar a sério; 
descobri, nestas palavras, o porquê de eu desencadear receios nas pessoas que comigo lidam fugazmente; a dificuldade de gerirem o imprevisível o inesperado o inopinado; 
as pessoas têm por hábito arrumar as coisas em gavetas mais ou menos definidas; gavetas de acordo com os mundos e esferas de acção em que se movimentam; são rótulos que auxiliam à identificação e referenciação das situações, desde as mais básicas (amigo/inimigo, próximo/distante, eu/tu, nós/vós, entre muitos outros) até às mais complexas (dimensões ou esferas profissionais, sociais, afectivas ou aquelas que se desenrolam no contexto das emoções); ora eu cruzo todas elas e, há muito que o afirmo, que gosto de brincar com coisas sérias, como falar a sério de coisas a brincar; 
ora estas reuniões de avaliação remeteram, em muito, para este campo de brincar a sério; eram a brincar, mas pareciam, alguém queria que parecessem coisa séria, formal, pesada, administrativa; disse a um colega que me fizeram lembrar aquelas brincadeiras de criança onde estas levam a brincadeira muito a sério, que se zangam quando alguém discute ou diverge do seu registo; assim foram estas reuniões; ora assim sendo, seria difícil que a minha postura de brincar com aquilo com que os outros levam a sério se fizesse sentir; 
as reuniões foram assim coisa de brincar que alguém, com vários tipos de pretensão ainda que se afirmem pela despretensão, levou muito a sério; como o meu registo é outro, claramente de criança agaiatado, então o pessoal não gostou;
paciência, eu gostei... oh se gostei, aprendi como há muito não aprendia em reuniões de docentes...

sábado, 21 de dezembro de 2013

dividir para reinar

há muitos que os políticos, em particular os da ala da direita, perceberam que para gerir (não é governar, é mesmo gerir) a escola pública, precisavam de dividir os docentes, criar fissuras por entre as quais introduziam políticas e criavam pontes para a sua acção;
foi assim nos idos anos 80 com aquele que é um dos engenheiros do sistema, roberto carneiro, mediante a divisão entre docentes profissionalizados e os demais; anos mais tarde, com ferreira leite, foi a disputa de protagonismos entre estágios integrados e estágios em serviço, entre universidades ditas clássicas (lisboa, porto, coimbra) e universidades ditas novas (aveiro, minho, évora) na formação de docentes; esses conflitos sempre se reflectiram nas políticas educativas, no estatuto da carreira docente, nas abébias que foram criadas para que nos pusessem abaixo de zero, uns contra os outros - ganhando assim espaço o ministério para criar pretensos compromissos com uns ou com outros;
recentemente, nuno crato opta e assume a mesma estratégia, afirmando que os professores não são todos iguais; coisa maravilhosa, que caiu que nem sopa no mel nas escolas para reforçar divisões, acentuar a estupidez profissional e criar, novamente, espaço para que façam o que entendam, da forma que entendem e como entendam;
na sua sequência aparecem os cães de fila que mais não fazem que aproveitar a onda para ladrar, para fazer ouvir os seus latidos que, de outro modo, passariam perfeitamente despercebidos; e há quem lhes dê espaço e palco, os reproduza com argumentos contrários que mais não servem como emissários que espalham a palavra missionária e que cada um entende como quer;
puta que os pariu

e pronto

e pronto este primeiro período, grande, comprido, desgastante e coisa que nunca mais tinha fim, acabou;
prova provada que tudo, apesar das suas dimensões ou das suas características, acaba, bom ou mau, assim assim ou antes pelo contrário mais cedo ou mais tarde acaba;
já o poeta o afirmava, jorge luís borges, tudo o que é biológico um dia acaba, pode levar um dia, um mês, um ano ou uma vida, mas acaba, e o poeta refira-se ao amor;
as reuniões de avaliação pelo meu burgo foram qualquer coisa de... especial;
gostei de observar novos protagonistas de poderes efémeros, novas lógicas de gerir o quotidiano em funções de vazios, de perceber como outros poderes \se insurgem por entre os dias de fugida que nos atravessam;
é engraçado ver e tentar perceber como esses pretensos vazios são ocupados; há muito que defendo que, tal como na natureza, as dimensões do social recusam o vazio do poder; quando ele não é assumido, exercido, promovido etc coisa e tal há sempre algo, alguém ou alguma coisa que assume o poder - pela forma de exercício, de protagonismo, de política, de acção ou de discurso, mesmo que seja na sua negação;
as reuniões de 1º período permitiram-me vislumbrar estes arranjos, que nem sei se serão arranjos e menos ainda perceber se estratégicos, o que tenho dúvidas, mas é o assumir as rédeas de outros por ausência deles mesmos;
é engraçado ver e ouvir os discursos que nos revestem de nós mesmos, muitas vezes de pura ignorância, alguma idiotice, mas dito com a convicção de quem raramente se engana e nunca tem dúvidas;
falta saber como irá ser este segundo período;
para já sei que grande, enorme, certamente desgastante; provavelmente de formação de novos equilíbrios lá pela escolinha; equilíbrios de interesses, de protagonistas, de vazios ou ausências, de incompetências e alguma estupidez; isto se o pessoal deixar pois claro...

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

hegemonia algo hegemónica

há autores e pensadores, escritores e outros que há muito se debatem contra o chamado pensamento hegemónico, isto é, formas de pensar que, consideradas algo entre o normal e o natural, mais não fazem que esgotar, fictícia e ideologicamente, caminhos e vias alternativas, reduzir a um pretenso sentido único as possibilidades e as direções que se podem assumir;
na generalidade dos casos ou das situações nem dá para pensar nessa hegemonia; são efetivamente dados, elementos criados e, pelos menos na sua aparência, de tal modo naturalizados e reificados que consideramos que não há outros modos, outras formas de fazer a mesma coisa - direi, há boa maneira tuga, que até parece que há só uma maneira de esfolar o coelho e sabe-se que não, que há mais que uma;
isto a propósito de um governo que nos quer impingir formas únicas de pensar e agir, fazer-nos sentir culpados por nos empurrarem para aquele que dizem ser o único caminho, por outros, sejam eles quais forem, nos terem aqui deixado; que o privado é virtude, o público vício; que o Estado não é o de gerir interesses, mas defender privilégios;
isto a propósito de considerarmos, em muitas, em excessivas situações, que não há alternativas, outras vias de irmos em frente, possibilidades de nos pensarmos e de nos vermos de outra forma que não como culpados do que não fizemos, do que não ousámos pensar, do que não ousámos ousar;
isto a propósito de uma educação que pensa e define caminhos únicos, vias de sentido único, que nos indica os becos mas não as alternativas;
isto a propósito de uma escola onde se considera que é assim por que sim, por que tem de ser, por que a inspeção o determina ou manda, porque nos querem fazer pensar que este é o único caminho, o único sentido, a única direção; porque é o deles, de alguns, de interesses ou de objetivos, porque não se discutiram ne se acertaram, apenas se decidiram, alguns, em algum lado, pelo interesse de algo;
é mentira, em todos eles, em todos os casos, em todas as situações, é mentira que exista apenas um modo, um pretexto, uma causa, uma razão; é mentira, é falso que exista apenas um sentido único, uma forma uma verdade para o que quer que seja, para o que se diga ou exija;
há tantos caminhos, opções e sentidos quantos aqueles  que estivermos dispostos a aceitar, tivermos a coragem de assumir, a ombridade de reconhecer; não é por que nos mandam ou ditam que é assim, que deve ser cozido ou por que outros, distantes mas gestores, nos impingem isso ou aquilo, interesse deles, objetivo de alguns;
é assim por que queremos que seja, porque há alguém que é capaz de interpretar o nosso destino, criar o nosso futuro, antecipar o nosso caminho;
balelas? é verdade,
divagações? certamente;
incompreensão sobre o pretexto, o contexto ou o objetivo? garantidamente
até ao ponto, até aquele momento em que uns decidem, por si ou pelos outros, que chega, dizem basta, se insurgem e se revoltam, mostram que há alternativas, que não somos nem formigas no carreiro, nem borregos dos senhores...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O demérito do rigor administrativo

Ele há rigores que contribuem para o destaque ao aluno, para os rankings escolares, para acelerar processos de demência e de incompetência;
Nesta minha escola, agradavelmente colocada na penúltima posição dos rankings distritais, há quem consiga pensar, com requintes de malvadez, em grelhas, matrizes e processos de modo a que se confirme a necessidade de estarmos em último lugar e não apenas em penúltimo;
Escrevi no outro lado, no fb, que, por esta minha "santa" escolinha, o rigor se mescla com descricionaridade, critérios administrativos escondem - ou procuram esconder - arbitrariedades, que a clareza de procedimentos mais não pretendem que varrer para debaixo do tapete incompetências e/ou ressabiamentos;
No meio das retóricas da centralidade do aluno este é, para todos os efeitos, a menor senão mesmo o ausente total das reuniões de avaliação;
corre-se o risco de insanidade docente antes do natal, já que o spprting até se safa não nos safamos nós, elementos do agrupamento de escolas de vendas novas;
Doidice pura, simples e recambolesca, mas devaneio meu, pois claro...

Igualdades desiguais ou as desigualdades igualadas

Andei em ameno passeio por fora das minhas portas à procura de aliviar o espírito das birras do quotidiano, das hipocrisias de uns, das invejas de outros e ganhar algum alento para aturar a certeza dos ignorantes, o convencimento dos idiotas;
Deu para descobrir que, um pouco por toda esta europa, predominam sentimentos algo partilhados, como se partilham os seus efeitos;
Nota-se, faz-se sentir o descontentamento, as manifestações de revolta, as queixas de todos; em particular dos públicos, do setor público, dos contextos mais sociais da europa que criou o estado previdente; com resultados iguais, indiferença, distancia, frieza;
Deu para registar o gap que existe entre os governos, mais ou menos consertados na sua ação, e as reivindicações, setoriais, pontuais, individuais; saiem claramente ganhadores os governos, todos os demais saem a perder, incluindo nós mesmo, os do meio...
Mas fomos nós que fizemos esta europa;

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

desculpem lá qualquer coisinha mas eu preciso da prova

realmente, chegados quase, quase ao final do primeiro período (longo, comprido, desgastante), na preparação das reuniões de avaliação fico a perceber que o senhor ministro da educação e ciência, nuno crato, até é capaz de ter razão na exigência de uma prova de admissão à carreira docente;
eu explico
apesar de ser possuidor de uma licenciatura com estágio integrado, daquelas que habilitavam (penso que ainda habilitam) diretamente para o exercício da função docente (e já não falo da formação complementar obtida e reconhecida por universidades portuguesas), assumo que não sei preencher as matrizes, grelhas, formulários e coisas que tais que me são dadas a preencher para as reuniões de avaliação; e, acreditem, não é pirraça minha, é mesmo ignorância, simples burrice minha, desconhecimento;
quando ouvi falar em grelhas onde devo expressar a avaliação do aluno pelas dimensões de atitudes e comportamentos e cognitiva, que devem ficar anexas à ata, ainda pensei que pudesse ser apenas uma questão de elaboração da fórmula em folha excel; apesar de evidenciar uma clara desconfiança, pessoal e profissional na minha pessoa, como prevaricador ou simples não cumpridor de normas e regulamento, percebo que nem sequer é isso; qual quê, preciso mesmo ou de uma nova licenciatura - agora em preenchimento de pintelhices - ou de fazer prova de acesso à carreira, pois efetivamente não sei preencher a coisa;
querem ver que o tipo terá razão!!??
ou será que há pessoal ressabiado com a coisa educativa e são mais papistas que o papa em tempos de reforma do francismo?
vá lá saber, eu é que não sei mesmo preencher a coisa

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

uma dimensão política


tenho tido cá as minhas divergências com o senhor,  mas reconheço-lhe pertinência na escrita, argucia nos argumentos, agilidade nas ideias e conhecimento suficiente para poder ser desconfiado dele;
é certo que foi passos coelho a prefaciar um dos seus últimos livros, é certo que foi putativo ministro da educação deste mesmo governo, é verdade que até pode estar ressabiado (há tantos por aí); é certo que cruza caminhos que passaram pela fenprof ou por outros que tais com posições mais à direita, pelo menos destes; 
mas a afirmação é, no meu entendimento, da mais simples e clara transparência; 
sempre que, na escola, numa reunião de profes, se fala em política, há logo uns quantos a saltarem da cadeira, a resfolarem o cu pelo tampo da dita cuja, a sentirem pruridos por isto e por aquilo, uma qualquer urticária de última hora;
política não, qual quê, vá de retro qual satanás;
santa hipocrisia, como se o pessoal não votasse, como se a maior parte não tivesse estado em manifestações contra as políticas de um ou de outro governo, como se não fizessem escolhas, assumissem opções, definissem, sempre que entendem, o seu caminho; como se não se pusessem na sua missionação evangélica de cariz quase sempre pedagógico; 
viva a hipocrisia daqueles que se distanciam da política educativa e apenas se dedicam à pedagogização das massas; viva aqueles que, ignorantes do seu papel, transmitem a palavra dos governos como se de verdades se tratasse; 
tenho pena que a hipocrisia de um povo não permita que se assuma a dimensão política da educação; aqui, os profes, são comidos como criancinhas ao pequeno almoço pelo lobo mau; 

coisas normais fora do normal mas que não são anormais

um apontamento da aula de hoje, aula de história, turma de 8º ano; foi dia de apresentação de trabalhos, troca e discussão de ideias, acertos e correções a uns e a outros;
não é um dia, nem são posturas ditas normais mas, em dia de apresentação, assume-se a discussão de ideias, uma postura menos rígida, atitudes de um outro à-vontade;
quem entra numa sala destas não reconhecerá, pelo menos de forma mais direta, que é uma aula;
mas os tempos empurram-nos para outros contextos, para um negócio algo diferente da tradicional formalidade de papéis entre aquele que é o aluno e aquele que é o professor;
estes tempos não devem servir para esbater os papeis, as funções, os objetivos ou as preocupações de uns ou de outros, mas devem servir para nos (re)pensarmos, (re)equacionarmos e, se for esse o caso, (re)definerem-se questões de formalidade entre uns e outros;

Parvo e distraido

Chego às escolas, pois são duas ainda que separadas por uma vedação que divide mundos e culturas, práticas e sentimentos;
Estaciono o carro e acompanho uma colega em amena cavaqueira matinal para a escola de cima;
De repente, quase a entrar na sala lembro-me que hoje começo na escola de baixo; deixo a minha colega fazer o resto do caminho sem mim, volto para trás e vou, afinal, para a escola de baixo;
Ontem escreevi que ando mais parvo, hoje digo que também ando esquecido;
Não é da idade, é dos dias frios...

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

preparativos do que poderá ser alguma coisa

o pca (a turma de percurso curricular alternativo) está seriamente entretida com a preparação do que poderá ser a mostra do seu trabalho, do trabalho realizado nas diferentes áreas disciplinares ao longo deste 1º período;
a seu tempo darei conta, mas agora dou conta do que pode ser um entusiasmo de se criar não apenas uma exposição, mas sentidos ao que se faz na escola, seja por via de trabalhos e tarefas que conduzem a produtos concretos, numa lógica de aprender a fazer, seja por se perceber que a matemática até tem sentido quando aplicada e/ou conjugada com medições, alturas, escalas, etc,
nestes dias de preparativos é vê-los, entusiasmados, empenhados, colaborativos e disponíveis, não apenas na montagem da exposição e na mostra dos seus trabalhos, naquilo que será para todos os efeitos, o reconhecimento do que por aqui fazem, mas também e há que reconhecer, no colmatar do que não fizeram, na negociação das notas com os docentes, na criação de argumentos onde possam dizer que fizeram, pelo menos nestes dias

trabalhos de "afinal" de período

ontem entreguei (devolvi) as fichas de trabalho a uma turma de secundário (não interessa o ano para não se ser muito cusca); perante o panorama em que apenas um aluno respondeu a questões de desenvolvimento, pus o pessoal a escrever sobre um tema dado, quase, quase como aquelas redações do meu tempo sobre o fim de semana, como se o profe de então quisesse cuscar como vivia o povinho e os outros; mas aqui o objetivo é começar a obrigar o pessoal a escrever, a trocar ideias por letras e não apenas sons, pretendo palavras escritas, de modo a sermos capazes de acompanhar a velocidade do nosso pensamento enquanto a mão desliza seja pela folha em branco, seja pelo teclado; são velocidades perfeitamente distintas, aquela que decorre da relação entre pensamento e voz e uma outra que decorre da relação, muito mais lenta, entre pensamento e escrita;
ao fim de pouco tempo uma aluna pede-me para que possa escrever sobre o que ela quer e não sobre o que tinha sido solicitado; tábém, pronto, desde que haja escrita, desde que se transcrevam pensamentos para o papel, pode ser;
desfiou-me emoções daquelas que apertam o coração a um qualquer, as razões e as suas emoções de ter sido e estar institucionalizada;
melhor redação não conseguiria; mas inverteram-se os objetivos e cumpri o que alguns profes de outros tempos e com outros modos, pretendiam, conhecer os alunos; e a esta eu fiquei a conhecer melhor...

ando mais parvo do que habitualmente

uma das minhas caraterísticas é reconhecer alguns (dos muitos) erros e defeitos que possuo;
neste momento, perante notícias, acontecimentos e merdas que tais dou comigo a reconhecer e a assumir publicamente que tou mais parvo do que o habitual;
passo a dar conta de algumas das evidências;
depois do fim de semana em que o fcp perdeu e os outros de lisboa ganharam, até parece que acabou a crise, que se resolveram todos os diferendos, que, afinal, a troika até são uns gajos mais ou menos porreiros;
depois surgem nomeações para organismos regionais, (é certo que em concurso, mas que porra...) se é certo que vazios, não me deixo de surpreender, numa altura, esta mesma do natal, onde nada nos devia surpreender, mas pronto tábém, eu é que tou mais parvo que o habitual;
depois, com a bagunça dos estaleiros de viana do castelo, processos daqui e prá'li então não é que o lider da oposição faz oposição a si mesmo e está calado? porque não fala ele?
de certezinha que o problema é mesmo meu

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

ausência da escrita mas atenção ao que sinto

não tenho escrito sobre évora, nem sobre a nova cor política das "gestões" das minhas próximidades;
primeiro, escrever para quê, não irei mudar nada nos próximos tempos e apenas acudir à manifesta falta de ideias - ou à predominância do cinzento - que carateriza a equipa de évora;
segundo, não posso comentar nem reforçar pois mal conhecço montemor e, pelo que oiço, as comparações são constantes, recorrentes e... "burrocidas", pois comparar uma cidade com... outra (será), enfim, enfim;
terceiro, a própria blogosfera local e alguma regional, calou-se, fala de banalidades e trivialidades, descansa sobre os louros conseguidos de destronar o ps e de dar (e receber, entenda-se) o lugar aos seus;
quarto, afinal escrever para quê, bastaria criar ligações a alguns posts não muito antigos do pessoal mais... mais vermelho para dar conta que nada se alterou .. errado, alterou-se a demagogia, aquela ideia do faz de conta, do parece que é mas não é;
finalmente, escrever para quê, se é certo que algumas vozes de burro até chegam aos céus, outras, como a minha, por exemplo, só alegram quem não sabe cantar...

de protesto em protesto até à derrocada final

sobre o protesto lá pelo burgo ocupacional nada de monta;
é certo que vi uns senhores de "cambra" em punho, outros, talvez dois, de lápis espetado com bola em cima, tipo microfone; uns quantos pais que não me apercebi se estavam a deixar os filhotes na escola se em protesto, uns quantos alunos, todos a chegar e esses sim a protestarem por estar na escola, que deviam estar na cama ou em casa, que a escola é porreira, as aulas é que são uma seca, nada de monta;
não vi o diretor a dar entrevistas nem sequer a acompanhar pais ou os senhores das "cambras", (é que eu estou lá e sou exemplo a não seguir - private joke, sorry);
de resto lá continuamos com uma gestão de funcionários que nem sequer é de merceeria, mas faz lembrar o gaspar; lá se ouviram comentários e informações que a delegada escolar está a par, mas a portaria (aquela que define o número de funcionários) dá muito jeito, dá um jeitão;
lá continuamos serenamente até que um dia aconteça uma das boas e o pessoal perceba que se devia ter mexido, mas não mexeu;

repetição dos complicómetros

tenho consciencia, apesar de, por vezes, não ter muitas certezas, que me repito; em ideias, em conceitos, em posturas, em opiniões;
esta blogosfera e o que ela pode representar, deixa-nos a ideia de quão somos, ou não, coerentes; coerentes no que defendemos, no que afirmamos, nas posições assumidas;
ora hoje fui à procura, neste meu cantinho, e só este, de uma ideia que sabia - ou desconfiava - que já tinha divagado sobre ela , a ideia do complicómetro, nem mais, cá está ela; e agora divago para repetir quase a mesma coisa;
que em vez de simplificar há quem goste de complicar, por questões de preceito, para se dar a ideia de trabalho, de conhecimento ou saberes, de organização; mas apenas para dar a ideia, pois as grelhas servem para quase tudo menos para isso que aparentam dar a ideia; complicam a vida, assumem-se como proformas burrocráticos, consideram as pessoas como acéfalas, etc, etc;
ontem foi mais do mesmo numa dita cuja reunião, um ptt (entenda-se plano de trabalho de turma) que era mais um plano de trabalho para esmifrar professores - em especial o diretor de turma; querem encaixotar a realidade, cada vez mais diversa, complexa e plural, numa matriz onde pedem tudo e nada encaixa; querem teorizar, sobre trabalho colaborativo, sobre criação de sentidos, mas não fazem a mínima ideia do que é isso e do que isso implica;
ora deixem-se estr sossegados, sff...

terça-feira, 26 de novembro de 2013

de barriguinha em punho

as coisas não acontecem por dá cá aquela palha, por que se decreta, porque alguém determina que deve ser assim ou assado;
as coisas acontecem por que alguém faz com que elas acontençam; no meu entendimento quase tudo é uma construção social decorrente de interesses, objetivos, preocupações, conhecimentos que se cruzam num momento e a pretexto de um contexto;
isto a propósito da agregação da minha escola - e, se calhar, de muitas outras;
fazer esta ou qualquer outra agregação é juntar mundos e culturas diferentes e distantes; é colocar debaixo da mesma gestão processos e procedimentos habitualmente separados; é aumentar o número de variáveis e de vozes que se fazem ouvir, que se expressam por uma qualquer razão ou, mesmo, sem razão;
requer uma estratégia de ação, isto é, ações delliberadas e provocadas sobre o que se quer, como se quer e para que se quer essa agregação; o que fazer às variáveis acrescidas, como ouvir tanta gente no meio da cacofonia, como acertar pontos de vista, ideias ou meras opiniões; uma qualquer agregação requer saberes e competências, conhecimentos que vão além daquilo que era hábito, isto se quisermos fazer alguma coisa;
ora pelos lados desta santa terrinha implantada e encrustrada a sul o que se nota nas agregações é a barriguita a empurrar os problemas como se eles, por falta de insistência e ausência de persistência, se desvanecessem;
era bom era...

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Protesto

Na próxima quarta feira, dia 27, a associação de pais tem protesto marcado para a porta da escola sede do agrupamento;
reivindicam-se mais funcionários, uma outra gestão do pessoal auxiliar que permita chegar, com razoabilidade, a mais sitios e de forma mais adequada;
Preve-se boicote às aulas e entrega de moção;
Mais nada...

Construção de sentidos

Na análise do rendimento do aluno e do seu empenho e intereesse perante o processo de escolarização, um dos elementos que se destaca como mais comum a todos os alunos de menor rendimento (mais insucesso) passa pela ausência de uma perspetiva de futuro;
Um bom aluno pode não saber o que estará a fazer daqui a 4 ou 5 anos, mas sabe que a sua vida e esse seu futuro passa pela escola; um aluno marcado pelo insucesso, muitos descritos pelos docentes como desinteressados, alheados, indiferentes, não conta com a escola, independemente dos futuros;
Direi que um aluno marcado pelo insucesso, desinteressado e alheado do processo de escolarizaçãoo não tem nem sonhos, nem ambições, nem ajudas de quem o possa incentivar a construir castelos nas nuvens;
E a escola não tem sido grande ajuda...

domingo, 24 de novembro de 2013

apresentação e discussão

esta foi a apresentação que fiz no congresso internacional de políticas educativas e eficácia das escolas;
reonheço, depois da apresentação e depois dos comentários, que carece de muito, muito trabalho, para estar num ponto que me permita a ousadia de tentar ou de experimentar publicar;
escrever e trabalhar sozinho, no meio dos muitos afazeres que rodeiam as vidas, não é tarefa fácil; a única possibilidade de crescer e melhorar passa mesmo pela publicitação do trabalho, de modo a que possa perceber por onde ando e como vou;
aceitam-se comentários;

sábado, 23 de novembro de 2013

da imaginação e da emoção

vim à pouco do encontro com gonçalo m. tavares a pretexto do lançamento do seu último livro - atlas do corpo e da imaginação;
gosto do autor (pela escrita, direta, simples, escorreita), pelo pensamento (claro, entre o tradicional e o moederno, entre o coletivo individual ou o individual coletivo), fiquei a gostar pela pessoa (simples, clara, conversadoura, disponível); um espanto, tal como os géneos;
alguém lhe colocou a questão que em doze anos, mais coisa menos coisa, editou 35 livros como será o futuro; para surpresa dos presentes, afirmou que tem mais, muitos mais por publicar do que aqueles que estão publicados;
é obra

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Dos pulhas e da putice

Sessão de abertura do congresso de políticas educativas e eficacai das escolas, auditório da UÉvora; presente o pulha do secretario de estado dos ensinos básico e secundário;
O dito começa a falar e nada, ninguém se mexe, ninguém diz nem fdaz nada; não consigo, não resisto, levanto-me e saio, insurjo-me como posso; cá fora e sei que não era à minha espera, um trio de policias à paisana; infelizmente estão sozinhos, trocam conversas' nada os ocupa, nada os incomoda, é pena...

entre salva vidas e vida salva

as notícias de hoje dão conta do encontro de muitos, da esquerda à direita, passando, obviamente por todos os que estão no meio;
tenho pena de não poder estar presente, mas esta iniciativa, que alguns do meu lado teimam a sussurrar entre dentes, entre a desvalorização e as conivências baixas, é reveladora de um vazio à esquerda, demonstradora da dificuldade de o ps se constituir como alternativa, da inexistência de liderança à esquerda que seja aglutinadora e não que faça esmorecer ideias ou vontades;
é o que temos...

Do desenrasca à colaboração

Trabalhar na escola é um processo que tem sido muito marcado pelos desempenhos individuais; por muito incrível que possa parecer a muitos, ser professor é trabalhar sozinho - nas planificações, na organização pedagógica, na definição das dinâmicas de trabalho, ainda que no meio de muitos, nas correções de fichas e trabalhos; 
Ontem estive num encontro - que não designo como reunião - que foi exatamente o contrário do trabalho individual, do isolamento de cada um, do fechamento distante, da compartimentação estanque e continuaria pois gostei do que ontem 4 docentes fizeram;
Pensou-se a construção de um sentido coletivo ao que cada um faz, debateu-se o que podemos fazer juntos e não sozinhos, discutimos como partilhar ideias em vez de nos desenrascarmos cada um para seu lado, trocamos experiencias em vez de dissecaremos problemas, pensamos em soluções em vez de moer constrangimentos;
Para mim, ontem no meio daquelas colegas, estive num ponto alto da minha profissão; e gostei...

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Estupidez

Nos tempos que correm, entre politicas de merda e atitudes a descambar para o estúpido por parte de muita gente, considero assustador, no mínimo, recomendarem-me ter cuidado com o que escrevo, com o que digo, a quem digo e onde o digo (ou escrevo);
Muito provavelmente quem me aconselha não me conhece o suficiente, conhecerá de mim apenas o que resulta de dois dedos de conversa entre as correrias ou de um intervalo ou das muitas coisas que há para fazer; certamente quem me aconselha terá alguma consideração por mim, alertando-me, querendo-me prevenido; será também alguém conhecedor de eventuais ou prováveis consequências que possam decorrer daquilo que escrevo ou do que digo;
Mas que é estúpido, é;
Mas é também exemplo (infeliz, diga-se) dos tempos que correm, dos sentimentos de impunidade, do poder das arbitrariedades e descricionaridades que caraterizam algumas pessoas; do medo que emerge e ressurge, como forma de gestão dos ignorantes, é estúpido;

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Da imaginação

Não é nem desafio nem convite, talvez seja apenas uma tolice;
Como é que um professor, independentemente do seu nível de ensino, imagina a escola? Que espaços tem, que organização implica, que fluxos pressupõe, quais as suas funções e os seus objetivos, o papel de uns e de outros, quem são uns e outros;
Como é que um professor imagina o trabalho dos outros professores? Em sala de aula, em casa, no seu departamento; como imagina um professor que deve ser uma sala de aula? Qual a sua dinâmica, quais os intervenientes, como seleccionar os alunos, que conteúdos trabalhar, que relações se definem?
Já pensaram nisso? O que é que já fizeram para isso?

entreténs e qualificações

no final da semana, entre 5ª e sábado estarei pela minha cidade a ouvir - e a falar - sobre sucesso, formas de organização escolar, diferenciação educativa entre outros assuntos do mesmo tema, o sucesso; é o congresso internacional "políticas educativas, eficácia e melhoria das escolas";
as escolas têm, cada vez mais, mais docentes com mais qualificações; docentes que por uma qualquer razão aprofundaram conhecimentos e competências,obtiveram novas qualificações; para já e pelo lado que me toca, o do alentejo, não tenho muito conhecimento sobre o que faz e como faz este novo corpo docente (alguns já com alguns aninhos) para que seja aproveitado no sentido da melhoria dos desempenhos escolares e educativos, seja por via de propostas organizacionais, seja pelo debate ou formação que se promova, pela elaboração de relatórios críticos de atividade ou outra ação; na generalidade sobressai o bom ditado tuga que santos da casa não fazem milagres - no que me diz respeito é verdadinha mesmo;
só que, se as competências não são aproveitadas em prol do coletivo, não paro e continuo a tentar estudar, analisar e compreender como os professores se organizam, como se estruturam respostas educativas, como se gerem diferenças, como se lida com a diferença, que conhecimentos são mobilizados, como é visto o papel da escola e dos docentes, que parceiros e que parcerias se instituem, entre outras coisas; assim irei falar sobre o PCA que tenho o privilégio de acompanhar desde o ano passado; entre outras dimensões ando a construir um conceito, o de biopedagogia, no cruzamento de M. Foucaul, no que se refere à biopolítica, e de N. Rose, da bioeconomia; biopedagopgia no sentido de cruzar uma dimensão escolar (pedagógica) com uma dimensão social (de governo do próprio e para o outro, de sujeição às regras daqueles que delas fogem);
entretenho-me

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Refúgio

Uma das muitas particularidades das politicas e da muita falta de tato que se regista por algumas escolas, diz respeito à circunstância de ter isolado o professor;
Perante as inúmeras solicitações de que o docente é alvo (desde as sexualidades ao novel empreendedorismo, há de tudo, como na farmácia), passando pelo acréscimo de tempos letivos, das dimensões da turma, dos trabalhos a que está sujeito, o docente, por estes lados, tem optado pela pior solução, resguardar-se na sala de aula, fugir para esse espaço de aparentes acalmias ou de, pelo menos, pretenso maior controlo;
Ali, pretensamente, o docente fica com alguma aparência de acalmia, de controlo, de sossego, de domínio das inúmeras variáveis que o rodeiam;
Mas é pura ilusão e as dinâmicas, os estados de espírito o cansaço manifestam-se ainda mais; sozinhos não somos nada nem ninguém e estamos muito mais vulneráveis às incidências alheias;
Mas é o que temos...

Dos conselhos

Sejam o que os conselhos sejam podem ser bons ou maus em função daquilo que deles fizermos;
Isto a propósito de o dia de hoje, pela escola ajuntada, ser dedicado à eleição para o conselho geral;
Tal como há sensivelmente um ano atrás, aquando da eleição do conselho geral transitório, também desta vez não houve conversas, apresentação de ideias ou de quais as razões (se é que têm de existir) ou orientações ( se é que se definem) que estarão na base de uma lista que tem lá quase tudo, o cão, o gato, o tareco e o piu-piu;
Assim sendo, este conselho será como os outros quase todos, será aquilo que dele fizerem, caso saibam para que é que lá estão ou porque la estão; mas isso são outras coisas....

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

do desnecessário ao rídiculo

ontem, no final de uma reunião intercalar, escrevi assim:
Na generalidade é mais uma como muitas outras; diz-se mal dos alunos, a culpa é dos alunos ou, quanto muito, dos pais, que não são obedientes, não são submissos, que são faladores essas coisas mais ou menos habituais; A DT ainda insinuou uma perspetiva de soluções, mas rapidamente se desvaneceu na mera retórica circunstancial e opinativa;esquecem-se, não sei se deliberadamente se por mera incompetência, que não há soluções individuais para grupos; vamos sair daqui cada qual com a sua, ligeiramente mais leves apenas pelo desabafo e sem soluções;
esta é uma das grandes moengas da escola e dos professores, caír-se com alguma facilidade na opinião, no lugar comum, esquecerem-se que as soluções têm de ser, cada vez mais, partilhadas, coletivas, de todos, ser-se conhecedor do que compete a cada um, de qual o papel de cada um, de quais os objetivos de cada um e de todos e não meros remendos individuais, sejam eles decorrentes da personalidade, por opção, determinação ou o que seja do docente;
no contexto da reunião a grande moenga passou também por se identificarem soluções (propostas disso) para problemas que são sociais mas que se repercutem e refletem na sala de aula; como? com que capacidade da escola e dos professores? com que envolvimentos? com que parceiros ou com que parcerias? 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Opções e as ditas duras

Quino tem uma tira, entre muuiiitas, onde a Mafalda fala das ditas duras;
Isto a propósito das opções de política educativa deste governo;
Relembrem-se aqueles que, por uma qualquer razão, se terão esquecido que as ditaduras sempre se apoiaram em duas dimensões incontornáveis: controlo da comunicação social, domínio da escola e dos valores que ela transmite;
O regime de Salazar percebeu-o desde muito cedo, criando desde a mocidade aos eventos escolares e definindo o papel da escola nacional, como o dos professores;
Relembrem-se que muitos do nossos valores, daquilo que consideramos "natural" e "normal" nunca deixou de ser uma construção política de um regime, desde o dia de Portugal, passando pelo respeito aos mais velhos ou às instituições, à subserviência e à ignorância planeada;
E o que se vê fazer a este governo? Qual a ideia que perpassa pelas medidas de política educativa deste governo? Qual o papel da escola e dos professores para este governo? Comecem a responder e verão que nada têm de natural, nem de normal, mas são uma deveras recambolescas construção política e ideológica deste governo;

Coisas do futuro

O correio da manhã de hoje titula na primeira página, ainda que num canto, que há ordem para despedir professores; direi que há ordens para comprometer o futuro, mas eles é que sabem, e sabem o que fazem, porque o fazem;
Não se caia na ideia que a coisa não é pensada e deliberada; estes senhores não estão grandemente preocupados com o presente mas sim com o futuro... Só que não é o nosso futuro, é o deles;
E nós cá vamos...

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

sou o que escrevo ou escrevo o que sou - não me interessa nem quero saber

não me sinto zangado, mas sinto-me um pouco impaciente;
não estou lixado, mas sinto-me um bom bocado assim a modos que ... sem palavras;
ando azedo, é verdade, mas não é do prazo de validade (pelo menos assim espero eu) mas da vida que enfim, enfim;
a amargura que me pode caraterizar num contexto ou momento refere-se (ou pode-se referir) tão só a algumas expetativas furadas, guradas, escafedidas;
isto para anunciar, a plena escrita daqui figurada, que sou o que escrevo ou escrevo o que sou; sou o meu contexto, o meu espaço e o meu tempo, o meu saber e a minha incapacidade e ignorância de me escrever para além do que escrevo;
não sou poeta, mas divago entre linhas;
não sou escritor, mas escrevo o que penso;
sou eu, apenas eu, um homem de meia idade, farto de ignorantes sabedores, conhecedores cheio da estupidez alheia que preenchem discursos de frases feitas e lugares comuns, da hipócrisia de cada um da qual se reveste o sorriso eivado de fel, preenchido de banalidades diárias, vulgaridades, feitas letra de lei;
ou apenas da puta que os pariu,
sinceramente, sinceramente, não tenho é mesmo paciência

Coisas soltas

Depois do ajuntamento círculo rapidamente entre as duas salas de profes; por enquanto tenho essa possibilidade, a distância entre uma e outra permite-me apanhar ar, desanuviar, espairecer e preparar-me para a próxima aula;
As salas de profs destas duas escolas estão carregadas de silêncios ruidosos, sorrisos sociais, acenos de adeus, cumprimentos de obrigação; sinto a falta de afetos, de discussões e de comentários vazios; o pessoal, por estas escolas, refugia-se ou na sala de aula, no exterior da escola entre dois dedos de fumo ou circulando, pois circular é viver;
Nestas escolas sobrevive-see não é apenas profissionalmente...

terça-feira, 12 de novembro de 2013

entre o idiota e o erro - ou apenas a tentativa de salvação do professor

como idiota que sou procuro, na medida das minhas próprias incapacidades e limitações, identificar estratégias que me permitam gerir a dinâmica de sala de aula; não direi, mas também não recuso, a associação desta dinâmica a processos ligados às didáticas ou ao currículo; mas isso serão coisas para outra escrita;
gerir turmas com 25 ou 30 elementos, de origens muito diferentes, com objetivos que, a existirem, serão tão diferenciados quanto as suas origens, onde a maior parte do pessoal não percebe o que anda ali a fazer, qual a relação que a restauração, por exemplo, ou a arte grega, outro exemplo, pode ter para a sua vida mais imediata, é deveras complicado, coloca desafios e obriga-me a pensar;
a estratégia já passou por trabalhos de âmbito mais prático, assente no cruzamento entre uma lógica de projeto e uma outra de diferenciação (fosse de produtos, processo ou calendário); não sei se por questões de dimensão das turmas este ano a coisa não estava a resultar tão bem, sentia que falhava uma maior ligação do aluno ao trabalho mais quotidiano, registava um encosto de dinâmicas, algo que não percebia o quê ou do porquê;
vai daí e defini uma dupla estratégia: por um lado, avaliação do produto que se apresenta, por outro avaliação do processo, portanto, das etapas que conduzem ao produto; uma e outra é clarificada logo à partida, quais os critérios, quais os indicadores de análise e avaliação, quais os procedimentos a desenvolver;
para já está a resultar, falta saber se por enquanto se durante quanto tempo...

medidas políticas

as políticas educativas, deste e de outros governos, são o que são;
umas para cumprir outras para admirar e outras para fingir que se cumprem; outras ainda apenas para chatear e outras como medidas de regulação quer das práticas profissionais (docentes ou gestionárias) quer das relações entre escola e outra coisa qualquer (pais, comunidade, município, and so on);
agora se as políticas são o que são, compete às pessoas que delas são alvo, não criar nem complicações, nem complicometros; seja por via do diálogo e da criação de um qualquer entendimento, seja por via de um qualquer processo de adaptação e contextualização;
o problema é quando a legislação, essas mesmas medidas de política, tanto servem para justificar procedimentos, como argumentar sobre opiniões, para que uns obedeçam ou para que outros as considerem como ponto de fuga - em função de objetivos, interesses mais ou menos particulares, ou incompetências próprias;
se há conhecimento, decorra ele da experiência ou de formação, do mal o menos; o problema é quando utilizamos a experiência adquirida num contexto e ela não se adapta áquela realidade que tanto desejamos que existisse, mas não existe; aí, surge aquela afirmação muito tuga e de todo em todo adequada, quando um tipo não sabe até os tomates incomodam...

domingo, 10 de novembro de 2013

blablablabla

tenho consciência que as conversas deste fim de semana rodam em torno de dois eixos, o benfca-sporting de ontem (grande jogo) e dos rankings escolares;
nada digo quanto ao jogo; já quanto aos rankigs nmão me estico, mas aproveito esta entrada que diz muito sobre a coisa e me reconheço quase que integralmente na sua escrita;
a grande questão não são os rankings, os culpados, as escolas, o sistema ou o que seja, a grande questão é mesmo política e educativa; onde nos conduzem as políticas, que fazemos nós (professores e pais) para obviar, minimizar, mitigar processos e resultados, qual o papel do local na construção da escola?
há dias, num desabafo comigo mesmo escrevi numa turma:
Na apresentação e reorganização dos grupos ponho-me a pensar nos desafios desta profissão, o que é tentar trabalhar com 31 pessoa numa sala de aula, onde se pulverizam interesses, onde se dispersam objetivos, onde convivem muitos e muitas coisas que em nada se relacionam com este mundo; dá para pensar o que será lidar e trabalhar com um t. que mais parece da raia que da cidade, a J que se descobre, nuns e noutros que nem se perguntam do porque nem para o que; com matérias algo descontextualizadas e, ainda que interessantes, desgarradas umas das outras, excessivamente individualizadas e atomizadas onde nem mesmo a maior partes dos profes consegue dar ou criar sentido; como envolver um conjunto tão díspar de alunos, onde confluem tantos interesses, ou que apenas não se perspetivam objetivos, nem sentidos; como trabalhar com alunos que não se reconhecem na ação educativa, que se dispersam por tudo e por nada; o que fazer e como fazer sozinhos que estamos, os profes, isolados de qualquer mundo, a partir pedra por nós mesmos, como se fossemos pedreiros, mas com ferramentas de alfaiate, a tentar mover montanhas, as mesmas que são estes alunos, como se fossemos Moisés e nem isso somos; é um mundo de desafios, de tentativas, de esforços, quase sempre solitários;


Regresso regressado

Não consigo resistir à tentação da escrita - nem de outras tentações, diga-se;
Regresso com os mesmos temas e a vontade de sempre, de escrever sobre o meu contexto, ou seja, educação, escola e coisas várias que por aí possam andar a pulular;
com a quase garantia que este blogar será muito parecido com twits, mas já tinha vontade e afinal vou ao encontro de novos leitores, alguns dos meus alunos ...

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

entendam como quiserem

apesar de afastado não consigo deixar de deitar o meu bitaite aos resultados eleitorais, pelo menos aqueles que me estão mais próximos; 
a minha leitura dos resultados vai no cruzamento de duas ideias; 
por um lado, um voto de protesto, refletido tanto na sua distribuição sociológica, por vezes incompreendida para quem perde, como na abstenção, nos votos em branco ou nos votos nulos; 
por outro lado e para além do protesto, nota-se um voto de penalização, de castigo, fosse pelas escolhas efetuadas, pelas opções assumidas, pelas estratégias implementadas; é muito típico do tuga, gostar de castigar os outros mais do que valorizar ou destacar, pela positiva, pois claro, os seus próprios feitos; 
e entre contestação e penalização ontem, dia de resultados, fiquei assim a modos que...
sendo certo que as leituras são para todos os gostos, há que retirar ilações destes resultados aqui pela terra onde foi e é notório que, onde o ps se fechou sobre si mesmo perdeu em toda a linha, onde se abriu e soube ler e integrar vontades e interesses, competências e objetivos ganhou; 
como perderam famílias políticas e outras ganharam, vamos ver o que dirão as comadres...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

entretido

por um lado, tenho andado entretido com coisas da escola, o melhor, diga-se, por outro, com o desfrute da campanha eleitoral por aqueles concelhos que me dizem algo, évora, onde nasci e para todos os efeitos a minha cidade, e arraiolos onde resido (mas há outros que por uma ou outra razão acompanho ainda que sem grande atenção);
das eleições nem vale a pena falar, tão pobres que têm sido - em ideias, em campanha, em vontades... 
da escola uma nota; 
dá para ver e perceber o que dá juntar o cão e o gato, o trigo e o joio num processo de agregação que está longe, muito longe, de ser resolvido; apesar de ter sido em tempos favorável a esta agregação, separa as escolas uma simples vedação, a vivência dá para perceber como tem sido a coabitação de cada uma, cada qual para o seu canto, ignorando o que lhe está próximo, desfazendo nas diferenças e criando estereótipos de cá e de lá; resultado pelo menos nesta agregação e apesar de uma aparente acalmia e de tudo - ou quase tudo - correr serenamente, dá para ver que a coisa ainda se parece - e muito - com azeite e vinagre; estão juntos, é verdade, mas não se misturam;

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

coisas do pessoal

uma das coisas que ressalta à vista por esta santa terrinha alentejana (mas não exclusivamente) é a necessidade de algum distanciamento entre as pessoas, de um certo formalismo para que que possam ser escutadas; é o dito popular que santos da casa não fazem milagres, e, por aqui, dificilmente, muito dificilmente, tal coisa acontece; 
uma pessoa fala sobre isto e sobre aquilo, se estiver fora do seu contexto, ou seja, se for pessoa que ninguém ou quase ninguém conheça, até pode ser charlatão ou sumidade planetária que até pode existir gente que discorda, que rebate, que refuta e contradiz o que é dito, mas ouve e, nessa escuta, até há algum silêncio, o silêncio de quem escuta, por muito que depois possa dizer que é teoria, que está desfasado, que aqui não se enquadra, etc; 
agora se a pessoa que fala está no seu contexto, é um entre os pares até pode dizer as coisas mais acertadas, cordatas e assertivas que dificilmente é escutada; para além de muito dificilmente ser considerada; 
não é exclusivo do alentejo, não é não senhor, mas por estas bandas adquire uma dimensão assaz interessante...

coisas do insucesso

estive por fora, pela zona do oeste em processos de formação, própria e de outros; pela conversa, pelo que ouvimos dos outros, aprendemos sempre um pouco mais, ganhamos uma outra perspetiva; 
de manhã ouvi falar ana maria bettencourt sobre o relatório «o estado da educação 2012»; 
não é a leitura de quem participou no relatório, não destaco o relatório em si, mas algumas ideias que, no debate, foram atiradas; 
então não é que o insucesso, a pobreza e os seus reflexos na escola e no processo de escolarização ganham dimensão diferente entre o alentejo e o resto do país?
até nisto, no insucesso, somos diferentes... porra que é demais....

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

coisa de dúvidas

não tenho escrito à espera de perceber o que poderá ser este meu novo ano letivo;
para além de qualquer moenga, não sei nem consigo perspetivar o que me espera; 
para já percebo que os meus chefes mais parecem baratas tontas; não há coordenadores de nada nem estruturas intermédias, como não há documentos de orientação ou referência; nada que uns ou outros não fossem perfeitamente dispensáveis, as estruturas intermédias apenas servem para o ego de uns e para a chatice de outros (já lá vai o tempo que sempre aligeiravam a coisa), os documentos são mera cosmética, colocam algum brilho (quando é) no rosto mas a utilidade é muito pouca ou mesmo nenhuma; não é apenas na minha escola, é um pouco por todo o lado, pelo menos por estes meus lados, servem apenas para decorar, o pessoal continua na mesma;
este ano vou ter um desafio, pelo menos isso; lecionar uma disciplina que nunca antes trabalhei, a de história da cultura e das artes e, pelo que já pude ver, bem interessante cá para os meus lados, na perspetiva de ajudar o pessoal a pensar, apoiar e incentivar a aprender a aprender, colaborar na formação de ideias e de opiniões; o meu desafio não são os conteúdos, nem as estratégias, é mais desafiar o aluno a pensar, a escrever, a ler, a fundamentar ideias e opiniões, aí é que vão ser elas; há que descontruir ideias e opiniões, mesmo antes de conseguir apoiar e ajudar a pensar e a aprender; mas é um desafio; 
desafio acrescido por ser a minha direção de turma e, desse modo, poder chatear e moer a cabeça aos meus colegas mediante a gestão do currículo, a adequação de objetivos, pensar coletivamente estratégias e metodologias de trabalho - e, neste campo, sou o único amador, todos os restantes são profissionais; 
afinal todos gostamos muito do artigo, mas muitos dizem que é para outros e noutros contextos (coisa típica)... eu acho que não, que é possível aqui, neste mundo, com o que temos e com aquilo que queremos... a não ser que sejamos estúpidos e não tenho o pessoal nessa consideração... mas isso sou eu...

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

o tempo

acrescento, com toda a impertinência que me pode caraterizar, que o tempo é também um grande professor; 
o tempo molda, esculpe, gasta e desgasta consoante o vento, o sol, as correntes de calor, as estações do ano, o uso que fazemos e que damos às coisas; 
o tempo escolhe, seleciona, divide, separa o trigo do joio; com o tempo apercebemo-nos das coisas de forma diferente, parece que muda o nosso olhar, mas apenas o valor que damos a esse olhar ou ao que olhamos; 
o tempo, entre arquiteto e professor, define espaços de ação e pensamento, condiciona quem somos e o que fazemos, o que queremos e o que desejamos; o tempo faz-nos, como um qualquer arquiteto que define fluxos por onde podem escoar gentes como sentimentos, relações entre espaços, entre pessoas e coisas; o tempo faz-nos, como qualquer memória de um qualquer professor que uma vez nos disse e que nós recordamos como se tivessemos ouvido, recordamos sem saber porquê, que olhamos para trás e percebemos o tempo que temos pela frente; 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

mais do mesmo ou uma espécie de uma qualquer análise social regional

volto à temática; apaixona-me, entusiasma-me, gosto de perceber o porquê de algumas coisas; nunca tive um qualquer espírito de engenheiro, daqueles homens que desmontam coisas para perceber como funcionam; não tenho jeitinho nenhum para manualidades, por muito que tente e persista; 
em contrapartida sempre fui curioso sobre como funciona a sociedade, o meu mundo; é este meu mundo que eu procuro estudar, analisar e compreender no meio das minhas investigações em educação, as franjas, as relações de poder, as diferentes formas de sermos e de nos construirmos; 
vai daí e regresso a este mesmo tema, aquilo a que agora designo como uma qualquer espécie de análise social regional;
não me estendo para além da minha região, isto é do meu distrito, corro o risco de um qualquer abuso por generalização; aquilo que eu conheço e estudo no distrito de évora pode não ser extensível aos outros distritos alentejanos ou, a sê-lo, é com algum comedimento, pois a realidade social, apesar de se poder fundar e assentar nos mesmos pressupostos, tem variações significativas pelo contexto, pela história, pelas formas de apropriação; 
aqui, pelo distrito de évora, há quem e muito melhor que eu saiba fazer esta análise social, relacionar as diferentes formas de poder com partidos e a religião, questões sociais e políticas, dimensões inerentes aos terratenentes ou questões da educação e da formação; eu, por mim, alinhávo as minhas considerações;
primeiro, já me perguntaram do porquê de designar por larachas; foi assim que um camarada do partido em que milito e por quem tenho estima, designou aquilo que defendo e escrevo; marcou-me, pois percebi, tempos mais tarde, que mais não era que uma forma de eu me calar; não me calei; 
segundo, já me perguntaram do porquê de parecer zangado com tudo e com todos; não estou zangado, longe disso, apesar de o poder parecer; insurjo-me contra um estado de coisas, debato-me contra a minha própria impotência e incapacidade; aí sim, estou zangado por não conseguir juntar mais gente, por não fazer sentir e traduzir a minha razão; como um senhor disse, neste campo, onde a política se cruza com o social, não há razão nem antes nem depois de tempo; ou temos e conseguimos fazer o reconhecimento da nossa razão, ou simplesmente perdemos o timming, e eu perdi, há muito o meu timming
terceiro, pelas questões que falo, pela dependência aos senhores, sejam eles do partido, da terra ou da puta que os pariu, é que nós (alentejanos do distrito de évora) gostamos de ser maltratados; pensava eu que era apenas um adizer, mas não; gostamos do servilismo, de estarmos dependentes de um qualquer chefe, tenha ele ou não razão; gostamos de ser colocados no nosso cantinho, que nos digam qual o nosso galho porque, afinal e para todos os efeitos, cada macaco em seu galho; por isso, os serviços funcionam melhor quando á um qualquer filho da puta discricionário à frente, não se contesta, assume-me a sua razão e subsume-se a nossa pessoa pois nós, coitados, aguentamo-nos - e é ver os serviços que por aí existem, a descricionaridade e arbitrariedade que padecem, as formas de gerir as pessoas, a pontapé, à facada, a torto e a direito, a ausência de tato ou de simples bom senso, nem sequer estão com isso preocupados; por isso mesmo é de ver e sentir o silêncio que entre todos partilham, o fingimento que tudo corre, que não nos - me - calha, mas ao outro, desgraçado, que não caiu nas boas graças, como se isso, das boas graças, fosse critério; pode não ser critério, mas nós, mesmo agnósticos ou ateus, acreditamos que seja destino, que nos estava destinado, pois, a puta que os pariu; 
quarto, por isso mesmo, há muito que perdi qualquer veleidade de meritocracia, de competência seja do que for; é coisa de somenos importância perante os senhores; perante aqueles que nos colocam no lugar, nos dizem qual o espaço que podemos ter e assumir; a competência, seja do for, fica restringida ao amiguismo, a diferentes formas de subserviência, à obediência a alguma coisa que não sejam princípios, ideias ou valores, mas interesses pessoais e particulares, ao momento em que se é solicitado a dizer que sim sem perguntar, sem questionar; 
quinto, por isso mesmo um camarada que conheci há muito me disse um dia - e só tempos depois percebi - que há pessoas de fidelidade canina, daquelas que não contestam, não discutem, não questionam; obedecem e pronto; puta de vida, que não gosto dos gnus, dos formigueiros nem de borregos, todos aqueles bichos da conformidade, do carreirismo; puta que me pariu, pois sempre gostei de fazer o que faço, de ser quem sou; azar o meu? nem de perto nem de longe, tal como todos os outros durmo descansado; 
sexto, por isso mesmo os diferentes partidos entretém uns quantos senhores com um ou outro osso, dando a ideia que discutem espaços e pessoas, que definem objetivos e interesses mas, chegada a hora da verdade, lisboa, isto é, outros decidem por nós, também eles nos colocam no sítio, no lugar, no galho que nos cabe e compete; e nós dizemos que sim; 

das escolhas ou dos sentidos das escolhas

o a cinco tons, tem apresentado um conjunto de posts deveras interessantes sobre évora, seja a propósito de uma campanha eleitoral (que é virtual), seja pelas divergências entre famílias (sejam elas sociais, políticas, partidárias, religiosas ou um pouco de tudo isso);
acrescento, pelo que tenho lido e procurado analisar, algumas ideias a uma questão que considero crucial em tempos de eleição e escolha;
nós, alentejanos mais que outros de outras regiões, somos feitos de uma simples massa que nos molda o espírito e cava fundo no coletivo; 
está relacionada com a terra, a sua forma de exploração que condicionou, ao longo de séculos, formas de vida e organização social, quase sempre na extrema dependência de um senhor, fosse ele feitor, manageiro ou simples senhor por via da posse, do nome ou da prepotência; acabados os senhores, por via política e partidária, essa estranha forma de gerir pessoas, definir objetivos e cumprir interesses não se foi, ficou, aprofundou-se e reformulou-se à luz da democracia; foi a vez dos partidos ditarem as suas regras e substituíram, enquanto puderam, os senhores terratenentes; passaram a ser os senhores dos partidos a ditar a organização social, a distribuir benesses e protagonismos, a definir quem é o quê, que limites e que espaço cada um pode ocupar; os senhores, esses, juntaram-se aos partidos, distribuíram-se por eles mesmos, mas recusaram o protagonismo passado, ficaram-se pela reserva, pela sombra, condicionando quem decidia e quem podia decidir; o extremo provincianismo que nos carateriza, marcado pelo nosso isolamento e pela nossa própria ignorância, levou-nos a criar relações pelos apelidos, como se isso, o apelido, valesse, nos identificasse, criasse afiliações; marca tão distintiva de um provincianismo que ainda hoje carateriza qualquer terrinha do interior alentejano; 
é assim desde quase sempre; os diferentes movimentos de revolta nunca passaram de meras formas de contestação, por causa de um mais livre pensador, porque se zangaram comadres, porque alguém tinha olho em terra de cegos; nós, alentejanos, raramente nos revoltámos e, sempre que o fizemos, foi na fuga que marcamos posição, primeiro dos campos para a cidade, depois para o estrangeiro e agora  como antes de nós mesmos com o retorno do suicídio; e assim tem sido na gestão do poder local, de évora ou de qualquer outra sede de concelho; é a zanga de comadres, por via de saias ou de interesses privados, que se alteram lógicas e partidos, se trocam vereadores e se dominam os fregueses;
se é certo que a democracia veio mitigar (e mascarar) esta forma de gestão do coletivo e de definição dos interesses particulares, dando a ideia que o filho do sapateiro podia ser médico ou, no meu caso, o filho de um empregado de balcão podia ser doutor, a liberdade de movimentação foi sempre, mas sempre, condicionada por uma geografia das possibilidades que, ditada por cumplicidades ou simples reconhecimentos, permitia uma certa mobilidade social; o problema foi quando essa mesma mobilidade social começou a confrontar interesses e partidos, a redefinir objetivos e a ganhar massa; aí os senhores, agora alavancados nos partidos, onde garantiram uma ascensão social que de outra forma nunca teriam tido, começaram a reorganizar-se; 
foi um tempo, idos anos 80 do século passado, em que muitos dos poucos livre prensadores passaram por évora e por esta região; não eram pedreiros livres, nem novos cristãos, eram apenas sonhadores que, com a sua utopia ainda muito alimentada por uma revolução que julgaram popular e alguns marcados pelo cosmopolitismo (ao tempo ainda político ou académico) queriam mudar hábitos e modos, mentalidades e culturas; conheci alguns na universidade de évora, nas ruas da cidade, nos cafés, nas esquinas que todos nós frequentávamos, independentemente de crenças e filiações; todos, mas mesmo todos, foram embora passado pouco tempo de gritarem aos céus e se confrontarem com as limitações da sua geografia da ação; é a fuga à previsibilidade; 
os que por cá ficaram foram silenciados, menosprezados, silenciados, postos no seu lugar; 
em tempos ainda julguei, como outros antes de mim, poder mudar rumos e sentidos, também sonhei e também alimentei as minhas próprias utopias, eu e outros; grande asneira; dei por mim a valorizar-me desnecessariamente; pensando que aqueles que falavam depois de mim, me davam importância, me combatiam nas ideias ou nos sentidos; estava profundamente enganado; não me combatiam, não me davam importância nenhuma, limitavam-se a assegurar o seu território, a gerir os seus interesses, a garantir a sua geografia de ação e que não era colocada em causa nem por mim nem por nenhum outro que fugisse ao seu controlo, ao seu protagonismo, à sua influência de senhor terratenente; 
este cenário desemboca, uma vez mais, no confronto eleitoral autárquico onde ganha maior visibilidade na gestão dos interesses, na definição dos candidatos, na limitação dessa geografia de ação onde o senhor condiciona o servo, o põe no lugar; torna-se mais evidente, mas não necessariamente mais claro, a eterna dicotomia entre uns e outros, não obrigatoriamente de esquerda e direita, é vê-los a cruzar partidos; ricos e pobres, azuis e verdes (ou, noutros lado, amarelos); benfica e sporting, norte e sul, etc; é ver os senhores a distribuir as suas pedras, a contarem as espingardas, mas a resguardarem-se na sombra, numa presença sempre muito mais simbólica que efetiva; 
e esta dicotomia ganha espaço também no mundo do virtual, das redes sociais digitais; é ver os amigos, a interação com os amigos, os "gostos" disto e daquilo, aqui e ali, as respostas ou os silêncios, estes tão ruidosos como gritos mudos; tudo sempre alimentado por uma santa ignorância, por vezes dependente, outras subserviente, de uns quantos sempre necessários e mais papistas que o papa nestas coisas de garantir o espaço do senhor; é o provincianismo ignorante na sua mais singela forma; é ver e comparar com outras regiões, não isentas de lógicas de gestão dos interesses mais particulares, como ficou evidente no livro cuja imagem reproduzo, mas são outras as lógicas, são outras as formas de gerir os interesses; este nosso alentejo, esta minha cidade (ou aldeia) tem os seus modos e as suas modas; e não é nem caraterístico nem restringido a uma partido ou coligação; é ver como os nomes se espalham pelos diferentes partidos, como há famílias aqui e alí, à direita e à esquerda, por muito puristas que uns queiram ou pretendem ser mais que outros; 
e agora votamos...

terça-feira, 27 de agosto de 2013

desafios tecnológicos

nas vésperas de começar mais um ano letivo este ano dou comigo a ter sérias dúvidas quanto às ferramentas a utilizar; 
habitualmente, nesta mesma altura, as minhas dúvidas vão para aquilo que designo como sistema de informação escolar, isto é, o conjunto de registos do aluno que me permita formar, alimentar e avaliar uma ideia do trabalho desenvolvido, das competências adquiridas, dos conceitos e conteúdos trabalhados; este ano, para além desse desafio (aparentemente arrumado em duas plataformas, profebox e learnboost) o meu grande desafio vai para quais as ferramentas a utilizar - quer em sala de aula (apoio ao aluno, explicação de conteúdos, apresentação de conceitos, entre outros) quer em termos de trabalho colaborativo (entre alunos e professor, entre alunos, ou entre professores, por exemplo do mesmo conselho de turma);
as ideias, o manancial é tanto e tão diversificado que fico na dúvida de qual aquele que me pode ser mais útil, facilitar o trabalho, colaborar no cumprimento dos objetivos, ser facilitador da relação (em sala de aula e entre aluno e professor ou entre colegas); 
para escolher ferramentas e/ou plataformas tenho-me debatido com duas ideias ou dois critérios: facilidade de utilização (e esta facilitação está também relacionada com a perspetiva do aluno e da família) e internet based, isto é, tem de ser uma plataforma que não me condicione na utilização e disponibilidade, tem de estar onde preciso e não onde se ajeita; 
para já repare-se no desafio:
mind maps - disposição de conteúdos e conceitos - 1 e 2;
prezi - para apresentações; conteúdos, conceitos, objetivos;
glogster - cartazes, apresentações, esquemas;
quizz - testes, fichas, avaliação - neste há uma panóplia para esquecer;
edmodo ou examtime plataformas de colaboração;
educlipper - partilha de informação; 
isto para além daqueles que já me são essenciais, como a dropbox, evernote ou drive;
são os desafios da escola e da educação no inicio deste milénio; não faço o pino nem me viro para entusiasmar o pessoal, mas devo adaptar ferramentas e a tempos e a desafios; senão fico mais parecido com aqueles que foram meus professores, bons, alguns muito bons, mas há muito, muito tempo atrás...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

retoma

não é a económica mas a do tempo de regresso aos afazeres do quotidiano, a lenta retoma dos nossos dias; 
as férias estão-se a ir e, nesta altura, reconheço que já preciso de outros temas e outros contextos para me entreter; estou não direi cansado mas lá perto, das férias, do estio, dos afazeres mais domésticos e caseiros. da mornice dos dias quase sempre previsíveis, programados; sinto falta do rebuliço da escola, da imprevisibilidade dos gestos e dos acontecimentos, da intempestividade das dúvidas, da garantia das certezas; já sinto falta dos adizeres de uma sala de professores este ano mais pobre, muito mais pobre; 
para a semana regresso...