terça-feira, 19 de novembro de 2013

entreténs e qualificações

no final da semana, entre 5ª e sábado estarei pela minha cidade a ouvir - e a falar - sobre sucesso, formas de organização escolar, diferenciação educativa entre outros assuntos do mesmo tema, o sucesso; é o congresso internacional "políticas educativas, eficácia e melhoria das escolas";
as escolas têm, cada vez mais, mais docentes com mais qualificações; docentes que por uma qualquer razão aprofundaram conhecimentos e competências,obtiveram novas qualificações; para já e pelo lado que me toca, o do alentejo, não tenho muito conhecimento sobre o que faz e como faz este novo corpo docente (alguns já com alguns aninhos) para que seja aproveitado no sentido da melhoria dos desempenhos escolares e educativos, seja por via de propostas organizacionais, seja pelo debate ou formação que se promova, pela elaboração de relatórios críticos de atividade ou outra ação; na generalidade sobressai o bom ditado tuga que santos da casa não fazem milagres - no que me diz respeito é verdadinha mesmo;
só que, se as competências não são aproveitadas em prol do coletivo, não paro e continuo a tentar estudar, analisar e compreender como os professores se organizam, como se estruturam respostas educativas, como se gerem diferenças, como se lida com a diferença, que conhecimentos são mobilizados, como é visto o papel da escola e dos docentes, que parceiros e que parcerias se instituem, entre outras coisas; assim irei falar sobre o PCA que tenho o privilégio de acompanhar desde o ano passado; entre outras dimensões ando a construir um conceito, o de biopedagogia, no cruzamento de M. Foucaul, no que se refere à biopolítica, e de N. Rose, da bioeconomia; biopedagopgia no sentido de cruzar uma dimensão escolar (pedagógica) com uma dimensão social (de governo do próprio e para o outro, de sujeição às regras daqueles que delas fogem);
entretenho-me

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Refúgio

Uma das muitas particularidades das politicas e da muita falta de tato que se regista por algumas escolas, diz respeito à circunstância de ter isolado o professor;
Perante as inúmeras solicitações de que o docente é alvo (desde as sexualidades ao novel empreendedorismo, há de tudo, como na farmácia), passando pelo acréscimo de tempos letivos, das dimensões da turma, dos trabalhos a que está sujeito, o docente, por estes lados, tem optado pela pior solução, resguardar-se na sala de aula, fugir para esse espaço de aparentes acalmias ou de, pelo menos, pretenso maior controlo;
Ali, pretensamente, o docente fica com alguma aparência de acalmia, de controlo, de sossego, de domínio das inúmeras variáveis que o rodeiam;
Mas é pura ilusão e as dinâmicas, os estados de espírito o cansaço manifestam-se ainda mais; sozinhos não somos nada nem ninguém e estamos muito mais vulneráveis às incidências alheias;
Mas é o que temos...

Dos conselhos

Sejam o que os conselhos sejam podem ser bons ou maus em função daquilo que deles fizermos;
Isto a propósito de o dia de hoje, pela escola ajuntada, ser dedicado à eleição para o conselho geral;
Tal como há sensivelmente um ano atrás, aquando da eleição do conselho geral transitório, também desta vez não houve conversas, apresentação de ideias ou de quais as razões (se é que têm de existir) ou orientações ( se é que se definem) que estarão na base de uma lista que tem lá quase tudo, o cão, o gato, o tareco e o piu-piu;
Assim sendo, este conselho será como os outros quase todos, será aquilo que dele fizerem, caso saibam para que é que lá estão ou porque la estão; mas isso são outras coisas....

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

do desnecessário ao rídiculo

ontem, no final de uma reunião intercalar, escrevi assim:
Na generalidade é mais uma como muitas outras; diz-se mal dos alunos, a culpa é dos alunos ou, quanto muito, dos pais, que não são obedientes, não são submissos, que são faladores essas coisas mais ou menos habituais; A DT ainda insinuou uma perspetiva de soluções, mas rapidamente se desvaneceu na mera retórica circunstancial e opinativa;esquecem-se, não sei se deliberadamente se por mera incompetência, que não há soluções individuais para grupos; vamos sair daqui cada qual com a sua, ligeiramente mais leves apenas pelo desabafo e sem soluções;
esta é uma das grandes moengas da escola e dos professores, caír-se com alguma facilidade na opinião, no lugar comum, esquecerem-se que as soluções têm de ser, cada vez mais, partilhadas, coletivas, de todos, ser-se conhecedor do que compete a cada um, de qual o papel de cada um, de quais os objetivos de cada um e de todos e não meros remendos individuais, sejam eles decorrentes da personalidade, por opção, determinação ou o que seja do docente;
no contexto da reunião a grande moenga passou também por se identificarem soluções (propostas disso) para problemas que são sociais mas que se repercutem e refletem na sala de aula; como? com que capacidade da escola e dos professores? com que envolvimentos? com que parceiros ou com que parcerias? 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Opções e as ditas duras

Quino tem uma tira, entre muuiiitas, onde a Mafalda fala das ditas duras;
Isto a propósito das opções de política educativa deste governo;
Relembrem-se aqueles que, por uma qualquer razão, se terão esquecido que as ditaduras sempre se apoiaram em duas dimensões incontornáveis: controlo da comunicação social, domínio da escola e dos valores que ela transmite;
O regime de Salazar percebeu-o desde muito cedo, criando desde a mocidade aos eventos escolares e definindo o papel da escola nacional, como o dos professores;
Relembrem-se que muitos do nossos valores, daquilo que consideramos "natural" e "normal" nunca deixou de ser uma construção política de um regime, desde o dia de Portugal, passando pelo respeito aos mais velhos ou às instituições, à subserviência e à ignorância planeada;
E o que se vê fazer a este governo? Qual a ideia que perpassa pelas medidas de política educativa deste governo? Qual o papel da escola e dos professores para este governo? Comecem a responder e verão que nada têm de natural, nem de normal, mas são uma deveras recambolescas construção política e ideológica deste governo;

Coisas do futuro

O correio da manhã de hoje titula na primeira página, ainda que num canto, que há ordem para despedir professores; direi que há ordens para comprometer o futuro, mas eles é que sabem, e sabem o que fazem, porque o fazem;
Não se caia na ideia que a coisa não é pensada e deliberada; estes senhores não estão grandemente preocupados com o presente mas sim com o futuro... Só que não é o nosso futuro, é o deles;
E nós cá vamos...

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

sou o que escrevo ou escrevo o que sou - não me interessa nem quero saber

não me sinto zangado, mas sinto-me um pouco impaciente;
não estou lixado, mas sinto-me um bom bocado assim a modos que ... sem palavras;
ando azedo, é verdade, mas não é do prazo de validade (pelo menos assim espero eu) mas da vida que enfim, enfim;
a amargura que me pode caraterizar num contexto ou momento refere-se (ou pode-se referir) tão só a algumas expetativas furadas, guradas, escafedidas;
isto para anunciar, a plena escrita daqui figurada, que sou o que escrevo ou escrevo o que sou; sou o meu contexto, o meu espaço e o meu tempo, o meu saber e a minha incapacidade e ignorância de me escrever para além do que escrevo;
não sou poeta, mas divago entre linhas;
não sou escritor, mas escrevo o que penso;
sou eu, apenas eu, um homem de meia idade, farto de ignorantes sabedores, conhecedores cheio da estupidez alheia que preenchem discursos de frases feitas e lugares comuns, da hipócrisia de cada um da qual se reveste o sorriso eivado de fel, preenchido de banalidades diárias, vulgaridades, feitas letra de lei;
ou apenas da puta que os pariu,
sinceramente, sinceramente, não tenho é mesmo paciência

Coisas soltas

Depois do ajuntamento círculo rapidamente entre as duas salas de profes; por enquanto tenho essa possibilidade, a distância entre uma e outra permite-me apanhar ar, desanuviar, espairecer e preparar-me para a próxima aula;
As salas de profs destas duas escolas estão carregadas de silêncios ruidosos, sorrisos sociais, acenos de adeus, cumprimentos de obrigação; sinto a falta de afetos, de discussões e de comentários vazios; o pessoal, por estas escolas, refugia-se ou na sala de aula, no exterior da escola entre dois dedos de fumo ou circulando, pois circular é viver;
Nestas escolas sobrevive-see não é apenas profissionalmente...

terça-feira, 12 de novembro de 2013

entre o idiota e o erro - ou apenas a tentativa de salvação do professor

como idiota que sou procuro, na medida das minhas próprias incapacidades e limitações, identificar estratégias que me permitam gerir a dinâmica de sala de aula; não direi, mas também não recuso, a associação desta dinâmica a processos ligados às didáticas ou ao currículo; mas isso serão coisas para outra escrita;
gerir turmas com 25 ou 30 elementos, de origens muito diferentes, com objetivos que, a existirem, serão tão diferenciados quanto as suas origens, onde a maior parte do pessoal não percebe o que anda ali a fazer, qual a relação que a restauração, por exemplo, ou a arte grega, outro exemplo, pode ter para a sua vida mais imediata, é deveras complicado, coloca desafios e obriga-me a pensar;
a estratégia já passou por trabalhos de âmbito mais prático, assente no cruzamento entre uma lógica de projeto e uma outra de diferenciação (fosse de produtos, processo ou calendário); não sei se por questões de dimensão das turmas este ano a coisa não estava a resultar tão bem, sentia que falhava uma maior ligação do aluno ao trabalho mais quotidiano, registava um encosto de dinâmicas, algo que não percebia o quê ou do porquê;
vai daí e defini uma dupla estratégia: por um lado, avaliação do produto que se apresenta, por outro avaliação do processo, portanto, das etapas que conduzem ao produto; uma e outra é clarificada logo à partida, quais os critérios, quais os indicadores de análise e avaliação, quais os procedimentos a desenvolver;
para já está a resultar, falta saber se por enquanto se durante quanto tempo...

medidas políticas

as políticas educativas, deste e de outros governos, são o que são;
umas para cumprir outras para admirar e outras para fingir que se cumprem; outras ainda apenas para chatear e outras como medidas de regulação quer das práticas profissionais (docentes ou gestionárias) quer das relações entre escola e outra coisa qualquer (pais, comunidade, município, and so on);
agora se as políticas são o que são, compete às pessoas que delas são alvo, não criar nem complicações, nem complicometros; seja por via do diálogo e da criação de um qualquer entendimento, seja por via de um qualquer processo de adaptação e contextualização;
o problema é quando a legislação, essas mesmas medidas de política, tanto servem para justificar procedimentos, como argumentar sobre opiniões, para que uns obedeçam ou para que outros as considerem como ponto de fuga - em função de objetivos, interesses mais ou menos particulares, ou incompetências próprias;
se há conhecimento, decorra ele da experiência ou de formação, do mal o menos; o problema é quando utilizamos a experiência adquirida num contexto e ela não se adapta áquela realidade que tanto desejamos que existisse, mas não existe; aí, surge aquela afirmação muito tuga e de todo em todo adequada, quando um tipo não sabe até os tomates incomodam...

domingo, 10 de novembro de 2013

blablablabla

tenho consciência que as conversas deste fim de semana rodam em torno de dois eixos, o benfca-sporting de ontem (grande jogo) e dos rankings escolares;
nada digo quanto ao jogo; já quanto aos rankigs nmão me estico, mas aproveito esta entrada que diz muito sobre a coisa e me reconheço quase que integralmente na sua escrita;
a grande questão não são os rankings, os culpados, as escolas, o sistema ou o que seja, a grande questão é mesmo política e educativa; onde nos conduzem as políticas, que fazemos nós (professores e pais) para obviar, minimizar, mitigar processos e resultados, qual o papel do local na construção da escola?
há dias, num desabafo comigo mesmo escrevi numa turma:
Na apresentação e reorganização dos grupos ponho-me a pensar nos desafios desta profissão, o que é tentar trabalhar com 31 pessoa numa sala de aula, onde se pulverizam interesses, onde se dispersam objetivos, onde convivem muitos e muitas coisas que em nada se relacionam com este mundo; dá para pensar o que será lidar e trabalhar com um t. que mais parece da raia que da cidade, a J que se descobre, nuns e noutros que nem se perguntam do porque nem para o que; com matérias algo descontextualizadas e, ainda que interessantes, desgarradas umas das outras, excessivamente individualizadas e atomizadas onde nem mesmo a maior partes dos profes consegue dar ou criar sentido; como envolver um conjunto tão díspar de alunos, onde confluem tantos interesses, ou que apenas não se perspetivam objetivos, nem sentidos; como trabalhar com alunos que não se reconhecem na ação educativa, que se dispersam por tudo e por nada; o que fazer e como fazer sozinhos que estamos, os profes, isolados de qualquer mundo, a partir pedra por nós mesmos, como se fossemos pedreiros, mas com ferramentas de alfaiate, a tentar mover montanhas, as mesmas que são estes alunos, como se fossemos Moisés e nem isso somos; é um mundo de desafios, de tentativas, de esforços, quase sempre solitários;


Regresso regressado

Não consigo resistir à tentação da escrita - nem de outras tentações, diga-se;
Regresso com os mesmos temas e a vontade de sempre, de escrever sobre o meu contexto, ou seja, educação, escola e coisas várias que por aí possam andar a pulular;
com a quase garantia que este blogar será muito parecido com twits, mas já tinha vontade e afinal vou ao encontro de novos leitores, alguns dos meus alunos ...

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

entendam como quiserem

apesar de afastado não consigo deixar de deitar o meu bitaite aos resultados eleitorais, pelo menos aqueles que me estão mais próximos; 
a minha leitura dos resultados vai no cruzamento de duas ideias; 
por um lado, um voto de protesto, refletido tanto na sua distribuição sociológica, por vezes incompreendida para quem perde, como na abstenção, nos votos em branco ou nos votos nulos; 
por outro lado e para além do protesto, nota-se um voto de penalização, de castigo, fosse pelas escolhas efetuadas, pelas opções assumidas, pelas estratégias implementadas; é muito típico do tuga, gostar de castigar os outros mais do que valorizar ou destacar, pela positiva, pois claro, os seus próprios feitos; 
e entre contestação e penalização ontem, dia de resultados, fiquei assim a modos que...
sendo certo que as leituras são para todos os gostos, há que retirar ilações destes resultados aqui pela terra onde foi e é notório que, onde o ps se fechou sobre si mesmo perdeu em toda a linha, onde se abriu e soube ler e integrar vontades e interesses, competências e objetivos ganhou; 
como perderam famílias políticas e outras ganharam, vamos ver o que dirão as comadres...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

entretido

por um lado, tenho andado entretido com coisas da escola, o melhor, diga-se, por outro, com o desfrute da campanha eleitoral por aqueles concelhos que me dizem algo, évora, onde nasci e para todos os efeitos a minha cidade, e arraiolos onde resido (mas há outros que por uma ou outra razão acompanho ainda que sem grande atenção);
das eleições nem vale a pena falar, tão pobres que têm sido - em ideias, em campanha, em vontades... 
da escola uma nota; 
dá para ver e perceber o que dá juntar o cão e o gato, o trigo e o joio num processo de agregação que está longe, muito longe, de ser resolvido; apesar de ter sido em tempos favorável a esta agregação, separa as escolas uma simples vedação, a vivência dá para perceber como tem sido a coabitação de cada uma, cada qual para o seu canto, ignorando o que lhe está próximo, desfazendo nas diferenças e criando estereótipos de cá e de lá; resultado pelo menos nesta agregação e apesar de uma aparente acalmia e de tudo - ou quase tudo - correr serenamente, dá para ver que a coisa ainda se parece - e muito - com azeite e vinagre; estão juntos, é verdade, mas não se misturam;

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

coisas do pessoal

uma das coisas que ressalta à vista por esta santa terrinha alentejana (mas não exclusivamente) é a necessidade de algum distanciamento entre as pessoas, de um certo formalismo para que que possam ser escutadas; é o dito popular que santos da casa não fazem milagres, e, por aqui, dificilmente, muito dificilmente, tal coisa acontece; 
uma pessoa fala sobre isto e sobre aquilo, se estiver fora do seu contexto, ou seja, se for pessoa que ninguém ou quase ninguém conheça, até pode ser charlatão ou sumidade planetária que até pode existir gente que discorda, que rebate, que refuta e contradiz o que é dito, mas ouve e, nessa escuta, até há algum silêncio, o silêncio de quem escuta, por muito que depois possa dizer que é teoria, que está desfasado, que aqui não se enquadra, etc; 
agora se a pessoa que fala está no seu contexto, é um entre os pares até pode dizer as coisas mais acertadas, cordatas e assertivas que dificilmente é escutada; para além de muito dificilmente ser considerada; 
não é exclusivo do alentejo, não é não senhor, mas por estas bandas adquire uma dimensão assaz interessante...

coisas do insucesso

estive por fora, pela zona do oeste em processos de formação, própria e de outros; pela conversa, pelo que ouvimos dos outros, aprendemos sempre um pouco mais, ganhamos uma outra perspetiva; 
de manhã ouvi falar ana maria bettencourt sobre o relatório «o estado da educação 2012»; 
não é a leitura de quem participou no relatório, não destaco o relatório em si, mas algumas ideias que, no debate, foram atiradas; 
então não é que o insucesso, a pobreza e os seus reflexos na escola e no processo de escolarização ganham dimensão diferente entre o alentejo e o resto do país?
até nisto, no insucesso, somos diferentes... porra que é demais....

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

coisa de dúvidas

não tenho escrito à espera de perceber o que poderá ser este meu novo ano letivo;
para além de qualquer moenga, não sei nem consigo perspetivar o que me espera; 
para já percebo que os meus chefes mais parecem baratas tontas; não há coordenadores de nada nem estruturas intermédias, como não há documentos de orientação ou referência; nada que uns ou outros não fossem perfeitamente dispensáveis, as estruturas intermédias apenas servem para o ego de uns e para a chatice de outros (já lá vai o tempo que sempre aligeiravam a coisa), os documentos são mera cosmética, colocam algum brilho (quando é) no rosto mas a utilidade é muito pouca ou mesmo nenhuma; não é apenas na minha escola, é um pouco por todo o lado, pelo menos por estes meus lados, servem apenas para decorar, o pessoal continua na mesma;
este ano vou ter um desafio, pelo menos isso; lecionar uma disciplina que nunca antes trabalhei, a de história da cultura e das artes e, pelo que já pude ver, bem interessante cá para os meus lados, na perspetiva de ajudar o pessoal a pensar, apoiar e incentivar a aprender a aprender, colaborar na formação de ideias e de opiniões; o meu desafio não são os conteúdos, nem as estratégias, é mais desafiar o aluno a pensar, a escrever, a ler, a fundamentar ideias e opiniões, aí é que vão ser elas; há que descontruir ideias e opiniões, mesmo antes de conseguir apoiar e ajudar a pensar e a aprender; mas é um desafio; 
desafio acrescido por ser a minha direção de turma e, desse modo, poder chatear e moer a cabeça aos meus colegas mediante a gestão do currículo, a adequação de objetivos, pensar coletivamente estratégias e metodologias de trabalho - e, neste campo, sou o único amador, todos os restantes são profissionais; 
afinal todos gostamos muito do artigo, mas muitos dizem que é para outros e noutros contextos (coisa típica)... eu acho que não, que é possível aqui, neste mundo, com o que temos e com aquilo que queremos... a não ser que sejamos estúpidos e não tenho o pessoal nessa consideração... mas isso sou eu...

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

o tempo

acrescento, com toda a impertinência que me pode caraterizar, que o tempo é também um grande professor; 
o tempo molda, esculpe, gasta e desgasta consoante o vento, o sol, as correntes de calor, as estações do ano, o uso que fazemos e que damos às coisas; 
o tempo escolhe, seleciona, divide, separa o trigo do joio; com o tempo apercebemo-nos das coisas de forma diferente, parece que muda o nosso olhar, mas apenas o valor que damos a esse olhar ou ao que olhamos; 
o tempo, entre arquiteto e professor, define espaços de ação e pensamento, condiciona quem somos e o que fazemos, o que queremos e o que desejamos; o tempo faz-nos, como um qualquer arquiteto que define fluxos por onde podem escoar gentes como sentimentos, relações entre espaços, entre pessoas e coisas; o tempo faz-nos, como qualquer memória de um qualquer professor que uma vez nos disse e que nós recordamos como se tivessemos ouvido, recordamos sem saber porquê, que olhamos para trás e percebemos o tempo que temos pela frente; 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

mais do mesmo ou uma espécie de uma qualquer análise social regional

volto à temática; apaixona-me, entusiasma-me, gosto de perceber o porquê de algumas coisas; nunca tive um qualquer espírito de engenheiro, daqueles homens que desmontam coisas para perceber como funcionam; não tenho jeitinho nenhum para manualidades, por muito que tente e persista; 
em contrapartida sempre fui curioso sobre como funciona a sociedade, o meu mundo; é este meu mundo que eu procuro estudar, analisar e compreender no meio das minhas investigações em educação, as franjas, as relações de poder, as diferentes formas de sermos e de nos construirmos; 
vai daí e regresso a este mesmo tema, aquilo a que agora designo como uma qualquer espécie de análise social regional;
não me estendo para além da minha região, isto é do meu distrito, corro o risco de um qualquer abuso por generalização; aquilo que eu conheço e estudo no distrito de évora pode não ser extensível aos outros distritos alentejanos ou, a sê-lo, é com algum comedimento, pois a realidade social, apesar de se poder fundar e assentar nos mesmos pressupostos, tem variações significativas pelo contexto, pela história, pelas formas de apropriação; 
aqui, pelo distrito de évora, há quem e muito melhor que eu saiba fazer esta análise social, relacionar as diferentes formas de poder com partidos e a religião, questões sociais e políticas, dimensões inerentes aos terratenentes ou questões da educação e da formação; eu, por mim, alinhávo as minhas considerações;
primeiro, já me perguntaram do porquê de designar por larachas; foi assim que um camarada do partido em que milito e por quem tenho estima, designou aquilo que defendo e escrevo; marcou-me, pois percebi, tempos mais tarde, que mais não era que uma forma de eu me calar; não me calei; 
segundo, já me perguntaram do porquê de parecer zangado com tudo e com todos; não estou zangado, longe disso, apesar de o poder parecer; insurjo-me contra um estado de coisas, debato-me contra a minha própria impotência e incapacidade; aí sim, estou zangado por não conseguir juntar mais gente, por não fazer sentir e traduzir a minha razão; como um senhor disse, neste campo, onde a política se cruza com o social, não há razão nem antes nem depois de tempo; ou temos e conseguimos fazer o reconhecimento da nossa razão, ou simplesmente perdemos o timming, e eu perdi, há muito o meu timming
terceiro, pelas questões que falo, pela dependência aos senhores, sejam eles do partido, da terra ou da puta que os pariu, é que nós (alentejanos do distrito de évora) gostamos de ser maltratados; pensava eu que era apenas um adizer, mas não; gostamos do servilismo, de estarmos dependentes de um qualquer chefe, tenha ele ou não razão; gostamos de ser colocados no nosso cantinho, que nos digam qual o nosso galho porque, afinal e para todos os efeitos, cada macaco em seu galho; por isso, os serviços funcionam melhor quando á um qualquer filho da puta discricionário à frente, não se contesta, assume-me a sua razão e subsume-se a nossa pessoa pois nós, coitados, aguentamo-nos - e é ver os serviços que por aí existem, a descricionaridade e arbitrariedade que padecem, as formas de gerir as pessoas, a pontapé, à facada, a torto e a direito, a ausência de tato ou de simples bom senso, nem sequer estão com isso preocupados; por isso mesmo é de ver e sentir o silêncio que entre todos partilham, o fingimento que tudo corre, que não nos - me - calha, mas ao outro, desgraçado, que não caiu nas boas graças, como se isso, das boas graças, fosse critério; pode não ser critério, mas nós, mesmo agnósticos ou ateus, acreditamos que seja destino, que nos estava destinado, pois, a puta que os pariu; 
quarto, por isso mesmo, há muito que perdi qualquer veleidade de meritocracia, de competência seja do que for; é coisa de somenos importância perante os senhores; perante aqueles que nos colocam no lugar, nos dizem qual o espaço que podemos ter e assumir; a competência, seja do for, fica restringida ao amiguismo, a diferentes formas de subserviência, à obediência a alguma coisa que não sejam princípios, ideias ou valores, mas interesses pessoais e particulares, ao momento em que se é solicitado a dizer que sim sem perguntar, sem questionar; 
quinto, por isso mesmo um camarada que conheci há muito me disse um dia - e só tempos depois percebi - que há pessoas de fidelidade canina, daquelas que não contestam, não discutem, não questionam; obedecem e pronto; puta de vida, que não gosto dos gnus, dos formigueiros nem de borregos, todos aqueles bichos da conformidade, do carreirismo; puta que me pariu, pois sempre gostei de fazer o que faço, de ser quem sou; azar o meu? nem de perto nem de longe, tal como todos os outros durmo descansado; 
sexto, por isso mesmo os diferentes partidos entretém uns quantos senhores com um ou outro osso, dando a ideia que discutem espaços e pessoas, que definem objetivos e interesses mas, chegada a hora da verdade, lisboa, isto é, outros decidem por nós, também eles nos colocam no sítio, no lugar, no galho que nos cabe e compete; e nós dizemos que sim; 

das escolhas ou dos sentidos das escolhas

o a cinco tons, tem apresentado um conjunto de posts deveras interessantes sobre évora, seja a propósito de uma campanha eleitoral (que é virtual), seja pelas divergências entre famílias (sejam elas sociais, políticas, partidárias, religiosas ou um pouco de tudo isso);
acrescento, pelo que tenho lido e procurado analisar, algumas ideias a uma questão que considero crucial em tempos de eleição e escolha;
nós, alentejanos mais que outros de outras regiões, somos feitos de uma simples massa que nos molda o espírito e cava fundo no coletivo; 
está relacionada com a terra, a sua forma de exploração que condicionou, ao longo de séculos, formas de vida e organização social, quase sempre na extrema dependência de um senhor, fosse ele feitor, manageiro ou simples senhor por via da posse, do nome ou da prepotência; acabados os senhores, por via política e partidária, essa estranha forma de gerir pessoas, definir objetivos e cumprir interesses não se foi, ficou, aprofundou-se e reformulou-se à luz da democracia; foi a vez dos partidos ditarem as suas regras e substituíram, enquanto puderam, os senhores terratenentes; passaram a ser os senhores dos partidos a ditar a organização social, a distribuir benesses e protagonismos, a definir quem é o quê, que limites e que espaço cada um pode ocupar; os senhores, esses, juntaram-se aos partidos, distribuíram-se por eles mesmos, mas recusaram o protagonismo passado, ficaram-se pela reserva, pela sombra, condicionando quem decidia e quem podia decidir; o extremo provincianismo que nos carateriza, marcado pelo nosso isolamento e pela nossa própria ignorância, levou-nos a criar relações pelos apelidos, como se isso, o apelido, valesse, nos identificasse, criasse afiliações; marca tão distintiva de um provincianismo que ainda hoje carateriza qualquer terrinha do interior alentejano; 
é assim desde quase sempre; os diferentes movimentos de revolta nunca passaram de meras formas de contestação, por causa de um mais livre pensador, porque se zangaram comadres, porque alguém tinha olho em terra de cegos; nós, alentejanos, raramente nos revoltámos e, sempre que o fizemos, foi na fuga que marcamos posição, primeiro dos campos para a cidade, depois para o estrangeiro e agora  como antes de nós mesmos com o retorno do suicídio; e assim tem sido na gestão do poder local, de évora ou de qualquer outra sede de concelho; é a zanga de comadres, por via de saias ou de interesses privados, que se alteram lógicas e partidos, se trocam vereadores e se dominam os fregueses;
se é certo que a democracia veio mitigar (e mascarar) esta forma de gestão do coletivo e de definição dos interesses particulares, dando a ideia que o filho do sapateiro podia ser médico ou, no meu caso, o filho de um empregado de balcão podia ser doutor, a liberdade de movimentação foi sempre, mas sempre, condicionada por uma geografia das possibilidades que, ditada por cumplicidades ou simples reconhecimentos, permitia uma certa mobilidade social; o problema foi quando essa mesma mobilidade social começou a confrontar interesses e partidos, a redefinir objetivos e a ganhar massa; aí os senhores, agora alavancados nos partidos, onde garantiram uma ascensão social que de outra forma nunca teriam tido, começaram a reorganizar-se; 
foi um tempo, idos anos 80 do século passado, em que muitos dos poucos livre prensadores passaram por évora e por esta região; não eram pedreiros livres, nem novos cristãos, eram apenas sonhadores que, com a sua utopia ainda muito alimentada por uma revolução que julgaram popular e alguns marcados pelo cosmopolitismo (ao tempo ainda político ou académico) queriam mudar hábitos e modos, mentalidades e culturas; conheci alguns na universidade de évora, nas ruas da cidade, nos cafés, nas esquinas que todos nós frequentávamos, independentemente de crenças e filiações; todos, mas mesmo todos, foram embora passado pouco tempo de gritarem aos céus e se confrontarem com as limitações da sua geografia da ação; é a fuga à previsibilidade; 
os que por cá ficaram foram silenciados, menosprezados, silenciados, postos no seu lugar; 
em tempos ainda julguei, como outros antes de mim, poder mudar rumos e sentidos, também sonhei e também alimentei as minhas próprias utopias, eu e outros; grande asneira; dei por mim a valorizar-me desnecessariamente; pensando que aqueles que falavam depois de mim, me davam importância, me combatiam nas ideias ou nos sentidos; estava profundamente enganado; não me combatiam, não me davam importância nenhuma, limitavam-se a assegurar o seu território, a gerir os seus interesses, a garantir a sua geografia de ação e que não era colocada em causa nem por mim nem por nenhum outro que fugisse ao seu controlo, ao seu protagonismo, à sua influência de senhor terratenente; 
este cenário desemboca, uma vez mais, no confronto eleitoral autárquico onde ganha maior visibilidade na gestão dos interesses, na definição dos candidatos, na limitação dessa geografia de ação onde o senhor condiciona o servo, o põe no lugar; torna-se mais evidente, mas não necessariamente mais claro, a eterna dicotomia entre uns e outros, não obrigatoriamente de esquerda e direita, é vê-los a cruzar partidos; ricos e pobres, azuis e verdes (ou, noutros lado, amarelos); benfica e sporting, norte e sul, etc; é ver os senhores a distribuir as suas pedras, a contarem as espingardas, mas a resguardarem-se na sombra, numa presença sempre muito mais simbólica que efetiva; 
e esta dicotomia ganha espaço também no mundo do virtual, das redes sociais digitais; é ver os amigos, a interação com os amigos, os "gostos" disto e daquilo, aqui e ali, as respostas ou os silêncios, estes tão ruidosos como gritos mudos; tudo sempre alimentado por uma santa ignorância, por vezes dependente, outras subserviente, de uns quantos sempre necessários e mais papistas que o papa nestas coisas de garantir o espaço do senhor; é o provincianismo ignorante na sua mais singela forma; é ver e comparar com outras regiões, não isentas de lógicas de gestão dos interesses mais particulares, como ficou evidente no livro cuja imagem reproduzo, mas são outras as lógicas, são outras as formas de gerir os interesses; este nosso alentejo, esta minha cidade (ou aldeia) tem os seus modos e as suas modas; e não é nem caraterístico nem restringido a uma partido ou coligação; é ver como os nomes se espalham pelos diferentes partidos, como há famílias aqui e alí, à direita e à esquerda, por muito puristas que uns queiram ou pretendem ser mais que outros; 
e agora votamos...

terça-feira, 27 de agosto de 2013

desafios tecnológicos

nas vésperas de começar mais um ano letivo este ano dou comigo a ter sérias dúvidas quanto às ferramentas a utilizar; 
habitualmente, nesta mesma altura, as minhas dúvidas vão para aquilo que designo como sistema de informação escolar, isto é, o conjunto de registos do aluno que me permita formar, alimentar e avaliar uma ideia do trabalho desenvolvido, das competências adquiridas, dos conceitos e conteúdos trabalhados; este ano, para além desse desafio (aparentemente arrumado em duas plataformas, profebox e learnboost) o meu grande desafio vai para quais as ferramentas a utilizar - quer em sala de aula (apoio ao aluno, explicação de conteúdos, apresentação de conceitos, entre outros) quer em termos de trabalho colaborativo (entre alunos e professor, entre alunos, ou entre professores, por exemplo do mesmo conselho de turma);
as ideias, o manancial é tanto e tão diversificado que fico na dúvida de qual aquele que me pode ser mais útil, facilitar o trabalho, colaborar no cumprimento dos objetivos, ser facilitador da relação (em sala de aula e entre aluno e professor ou entre colegas); 
para escolher ferramentas e/ou plataformas tenho-me debatido com duas ideias ou dois critérios: facilidade de utilização (e esta facilitação está também relacionada com a perspetiva do aluno e da família) e internet based, isto é, tem de ser uma plataforma que não me condicione na utilização e disponibilidade, tem de estar onde preciso e não onde se ajeita; 
para já repare-se no desafio:
mind maps - disposição de conteúdos e conceitos - 1 e 2;
prezi - para apresentações; conteúdos, conceitos, objetivos;
glogster - cartazes, apresentações, esquemas;
quizz - testes, fichas, avaliação - neste há uma panóplia para esquecer;
edmodo ou examtime plataformas de colaboração;
educlipper - partilha de informação; 
isto para além daqueles que já me são essenciais, como a dropbox, evernote ou drive;
são os desafios da escola e da educação no inicio deste milénio; não faço o pino nem me viro para entusiasmar o pessoal, mas devo adaptar ferramentas e a tempos e a desafios; senão fico mais parecido com aqueles que foram meus professores, bons, alguns muito bons, mas há muito, muito tempo atrás...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

retoma

não é a económica mas a do tempo de regresso aos afazeres do quotidiano, a lenta retoma dos nossos dias; 
as férias estão-se a ir e, nesta altura, reconheço que já preciso de outros temas e outros contextos para me entreter; estou não direi cansado mas lá perto, das férias, do estio, dos afazeres mais domésticos e caseiros. da mornice dos dias quase sempre previsíveis, programados; sinto falta do rebuliço da escola, da imprevisibilidade dos gestos e dos acontecimentos, da intempestividade das dúvidas, da garantia das certezas; já sinto falta dos adizeres de uma sala de professores este ano mais pobre, muito mais pobre; 
para a semana regresso...

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

devaneios de um homem de meia idade

um primeiro post que é também e de certo modo, uma reconfiguração das linhas de orientação da minha escrita; quando comecei a escrever por estas bandas queria dissertar sobre a educação e a escola, o meu mundo, o alentejo, a minha terra, e sobre política, um gosto que há muito sinto entranhado em mim mesmo; 
hoje, fruto de vicissitudes dos filhos e, particularmente, da idade, deu-me para pensar sobre uma outra temática, relacionada com as coisas do homem; uma perspetiva diferente, esta mesma que faz com que olhemos a realidade e os seus acontecimentos com olhos que, de alguma forma, filtram interesses, hierarquizam importâncias e, essencialmente, coam a espuma dos dias que passam; 
por estas bandas da blogosfera há muitas coisas de mulheres, desde o sexo, a devaneios da idade, gostos, desgostos, interesses e aquilo que interesse; pouca coisa de homem, pouca coisa que, a partir de uma perspetiva masculina, mostre que homem também é homem por sentir e estar, ser e escrever; 
e, apesar de estarmos numa sociedade profundamente masculinizada, há estereótipos para tudo quanto é gosto e lado; sexo, se for a mulher a falar e a escrever sobre esta coisa básica, é erotismo, se for o homem é assumida pornografia; sentimentos, se for a mulher a dissertar sobre a coisa, são os sentimentos e a sensibilidade a ditar a escrita, se for homem é claro e assumido interesse em sexo que o orienta; se uma mulher falar de culinária, costura ou moda, são tendências, se for um homem ou bichanismo ou interesse em sexo; 
e pronto a partir de hoje e desta mesma posta, irão surgir devaneios de um homem de meia idade (o que não acredito, pois iria perfazer 100 anos, tempo de mais para o je), dissertações sobre como se sente a idade e o tempo, os acontecimentos e os sentimentos; uma outra perspetiva, porventura vulgar, ordinária (de comum e banal) mas também sentida; 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

em período de profunda degradação da escola pública, de reformulação dos sentidos políticos e pedagógicos que, praticamente desde os idos anos 80 do século passado, estavam consensualizados entre partidos do governo e sociedade, num tempo que muitos docentes esperam por uma qualquer nesga de oportunidade perdida para saberem se têm futuro...
com estas notícias pretende-se o quê? justificar políticas educativas? argumentar em favor das opções do governo? que há escola e professores a mais para as crianças? que os recursos humanos da educação estão desfasados dos contextos? que, afinal, a autonomia é apenas retórica? que os programas e projetos contra o insucesso são brincadeiras de faz de conta?, o que se pretende, nesta altura, com este tipo de notícias

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

coisa a importar

a importar de trazer cá para o burgo e a importar de relevância;
aqui está um "belo" exemplo da concorrência entre escolas, do despique e do livre mercado educativo;

preparação da preparação

em férias e com poucas solicitações, ninho quase vazio, quando não mesmo vazio, entretenho-me entre leituras, alguma escrita (aqui e académica) e a preparação dos preparativos do novo ano escolar; 
é certo que ainda não sei que níveis irei ter, nem que serviço me será atribuído; pelo que conheço daquela minha escolinha, será de esperar tudo e mais alguma coisa; cá me aguento; mais, nem sequer sei se fico na minha escolinha, pois concorri à mobilidade, segunda prioridade; espero pelos desenvolvimentos; 
mas entretenho-me, pois claro, pelo menos estou entretido, evito as horas de maior calor e os calos nas mãos por andar de volta da minha agricultura; no meio dos preparativos da preparação dou conta de material antigo, de outros anos e referencio que nessas alturas também era agosto o mês dos preparativos; coincidências? nem por isso, é mesmo preparação, organização e planeamento... digo estratégico; depois, quando a maior parte do pessoal andar a apontar-me por não trabalhar apenas sorriu e penso que já trabalhei, ao meu ritmo, na minha dinâmica, no compasso que entendo e não como outros querem ou procuram import; 

surpresa sem surpresa

as notícias primeiro deram conta que um tribunal, isto é, um/a juíz/a, decidiu, sobre o mesmo tema, a elegibilidade de presidentes de câmara, de modo diferente de outro; 
até parece que foi surpresa; 
depois, o mesmo tribunal que antes tinha afirmado uma coisa afirma agora outra, passados nem 10 dias; 
não considero surpreendente; começamos a descobrir que afinal os tribunais também são feitos por homens e mulheres, que têm sentimentos e afirmam sentidos, que têm conhecimento mas também têm opinião; 
é coisa fora do normal? não considero, consideraria, isso sim, se de norte a sul ou de leste a oeste decidissem todos da mesma maneira, aí sim, eu desconfiava;

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

política por sondagem

ontem, telefonicamente, fui abordado para responder a uma sondagem sobre o concelho de arraiolos; nada de monta; fiquei a saber que a sondagem era sobre o concelho; fiquei a saber que era sobre a opinião que cada um de nós tem sobre a vida que se tem por estas bandas; 
instala-se por cá aquilo que pelos anglo saxónicos é já muito típico, fazer política por sondagens;
não é novidade, nem sei que partido a terá encomendado; mas não deixo de registar a ideia que a política, na falta de ideias, se faz por sondagens; que o futuro se constrói, por falta de iniciativa, com base nas "sensações" de uma maioria de sondagem, que as afirmações, considerando a ausência de lideranças, se faz com base nos grandes números; 
crítica? nem por isso, reconhecimento, puro e simples, que, por estas bandas, faltam ideias, lideranças e estratégias de mobilização e de construção do futuro; 
se tenho pena? não, não tenho é futuro o que me leva a sentir saudades, longo eu, que, como um amigo costuma dizer, parafraseando um poeta, saudades só do futuro, daquele a dizer do anos 90 do bloco de esquerda, junta-te a uma imensa minoria; 
mas isso sou eu, que tenho a mania que sou parvo... os políticos espertos, esses, fazem política pelos grandes números...

concordo na discordância

aquando da sua indicação para patrono da antiga escola da malagueira não disse nada, houve outros que disseram mais e melhor que eu;
agora, perante as notícias, não resisto e faço o meu comentário;
este Homem é merecedor da distinção e do reconhecimento que, por estas bandas, muitos lhe rejeitam e contestam; 
estou à-vontade para o afirmar e defender; nunca concordámos um com o outro; desde os idos anos 80, eu, jovem estudante da UÉvora, e ele, responsável por uma área que se tornou fundamental e que, com a sua retirada, ou desvio, caiu para as ruas da amargura, os cursos de ensino, nos debatemos, nos confrontámos e discutimos;  eu cresci, ele aprendeu a respeitar a irreverência do sangue fresco; 
corrijo um ponto, sempre concordámos em dois aspetos, em discordar um do outro, em nos respeitarmos um ao outro; 
desde esses tempos que admiro a pessoa deste Professor à antiga, que me trata pelo nome, que pergunta pelos meus pais, que mostra curiosidade em saber como estão os meus filhos; coisas fúteis, banais, mas tão importantes na vida e nos afetos de cada um;
tenho e sinto um enorme prazer em ouvi-lo, simplesmente ouvi-lo; tem uma ideia de escola, que sempre defendeu e que me influenciou; tem uma ideia do que é ser professor, na qual me reconheço; tem um enorme gosto e um imenso prazer naquilo que sempre fez, ajudar os outros a crescer; 
parabéns caro Professor... merece, bem  feita :)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

tempos difíceis

há coisa de uma ano atrás referenciei o profebox; procurava formas de enfrentar uma das minhas maiores dificuldades na prática letiva, os registos de alunos, do dia a dia, da dinâmica das aulas, registo de observações, comentários, "impressões", ideias que me pudessem ajudar a avaliar procedimentos, desempenhos, competências; 
entre muitos outros dei com esta plataforma tuga; 
não é fácil de usar ou, pelo menos, não é de utilização direta, ainda que possua manuais vídeo muito interessantes, esclarecedores e bastante úteis; 
fiquei fã; agora, na preparação do próximo ano letivo deparei com algumas dificuldades, pequenos bugs, muito típicos de produtos em desenvolvimento; e vá de enviar mail a pedir apoio; foi rápido e, é isso que quero destacar, pessoal; escreveu-me o chefe dizendo-me que a coisa está nos finalmentes, estado comatoso, cuidados paliativos, no fio da navalha; 
o ministério nem quis saber da coisa (era o mais que faltava), sindicatos nem vê-los, escolas nem sabem o que isso é; de um universo global de mais de 100 mil docentes (dados das manifestações do tempo do camarada sócrates) pouco mais de 4 mil, e nem todos tugas, aderiram ao projeto; falta de meios, falta de financiamento, falta de capacidade e uma ideia deveras interessante arrisca-se a morrer; é pena, tenho pena; é bastante interessante e cumpria quase que plenamente, os meus objetivos; 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

cada cavadela cada minhoca

cada dia cada asneira e não é de asneiras que se trata, mas de propósitos estratégicos, deliberados, pensados e implementados;
cada dia cada novidade, cavadela, minhoca, agora, do mundo das cratinices, vem esta pérola de se dispensarem os funcionários; estou certo que o grande objetivo é deixar a escola vazia, começou-se pelos docentes, passou-se pelos alunos e agora os funcionários; o que resta da escola? paredes, quadros, alguns interativos, e pó...
pessoalmente não conheço nenhuma escola com funcionários a mais - e conheço algumas; é certo que as agregações colocaram em Xeque os técnicos administrativos que, de repente e por inépcia e incapacidade dos diretores (de redefinirem funções, requalificarem pessoas, reorganizar serviços), viram as suas funções dobradas por funcionários; 
para além do esvaziamento da escola esta notícia traz um acrescento com claros requintes de malvadez, determina que sejam os diretores a armarem-se em deuses e sejam eles a prescindir dos funcionários; pronto, tá o caldinho arrumado, amigos e amiguismos, companheiros e companhias a ordem está definida; (do que eu me safei); 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

públicas virtudes, vícios privados

esta do cheque ensino é coisa que já tem alguns anos e o cds/pp persiste e insiste em afirmar na opinião pública através das opiniões publicadas; muito provavelmente inserir-se-á na nova estratégia do segundo fôlego dos ministros do cds; 
depois da crise, depois das sondagens que remetem o cdps/pp não para um táxi mas para um smart e na ausência da senhora ministra da agricultura, é a vez de mota soares e pires de lima serem os cronistas das novas dinâmicas políticas; o primeiro marca presença assídua nas notícias, o segundo descobre, algures no ministério, verbas avultadas para o incentivo à economia; o psd que se cuide; 
sem mais ministros, são os secretários de estado do cds/pp que, mais insipidamente, com menos destaque e quase completa ausência mediática, procuram atirar milho aos parvos;
é o caso do cheque ensino; não tenho grande dúvidas que há gente, muita gente, de quase todos os setores políticos e partidários, que defenderá acerrimamente o cheque-ensino; não é o meu caso; 
primeiro porque manifestamente acentua as diferenças entre quem tem possibilidades de escolha e quem não as tem; neste contexto, o cheque ensino apenas irá reforçar as capacidades e condições daqueles que já hoje têm possibilidades de escolha; 
segundo, a estrutura da rede educativa ao permitir a total liberalização da escolha da escola pela família não se coaduna com a possibilidade cerceada às escolas públicas de definirem o seu orçamento, recrutarem os elementos necessários ao seu projeto - e não necessária ou exclusivamente docentes, de implementarem as suas opções e orientações; neste contexto, há uma clarissima desigualdade de oportunidades; 
terceiro, em nome da concorrência, da eficácia e da eficiência do sistema educativo, em particular da escola pública, valorizo mais a delegação de competências pelas diferentes estruturas educativas da escola, conselho geral, conselho pedagógico, direção e, mesmo, conselhos municipais do que a liberalização das escolhas, sempre limitada a zonas geográficas já de si privilegiadas, privilegiadora de quem já tem privilégios; 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

campanha eleitoral virtual

desta vez com maior preponderância, mais presença e consistência a campanha eleitoral para as próximas autárquicas marca presença pelos espaços virtuais das ditas redes sociais; 
é certo que, a maior parte dos sítios se limita a replicar, virtualmente, o vazio que objetivamente cada candidatura apresenta; nota-se, para além da falta de ideias, a ausência de uma estratégia de afirmação dos espaços virtuais - prefiro digitais - de articulação e ligação entre o contacto físico e as diferentes redes sociais digitais; 
é também verdade que existem honrosas excepções, onde é visível a articulação, continuidade e ligação entre os diferentes espaços, mas mesmo nestas e na sua generalidade se nota a falta de ideias que ultrapassem os lugares comuns, as vulgaridades e banalidades tão típicas de uma qualquer campanha; a principal caraterística que atravessa quase todas as campanhas, independentemente da sua cor, feitio ou padrinho/madrinha é mesmo a festa; aproveitando-se a época do ano é ver as festas e romarias e os mimetismos do paulinho das feiras, tão criticado por uns, distribuídos por tudo quanto é freguesia em festa a ser pespegado nas redes, em particular no facebook; 
pena é que no meio da festa e do arraial popular se esqueçam, ou propositadamente se esconda, o vazio das ideias com que se pensa gerir e afirmar o futuro, seja ele qual for - e estas pessoas deviam antecipar um futuro...

sábado, 3 de agosto de 2013

de laracha em laracha

continuo a escrever as minhas larachas, despreocupadamente, sem receio do controlo de uns e de outros, do medo que padrinhos e madrinhas me procuram impingir; já me fizeram de tudo, já me trataram de quase todas as maneiras possíveis - com particular destaque para modos abaixo de cão; umas fingi que não percebi, outras não percebi mesmo, outras joguei com o gosto da hipocrisia; já trataram a esposa assim e a assado, qual mafiosos que jogam com a família; por quase tudo passei e passamos; resisti com a família, com os meus, que sempre foram inquestionáveis e inamovíveis nos afetos; 
continuo a dizer as minhas larachas, certo que poucos me entendem, raros me percebem, outros nem me conhecem; mas é um prazer de escrita perceber os contornos aqueles que se movimentam nas sombras, nas zonas de penumbra que eles próprios criaram; gostava de perceber as razões das movimentações, de tratarem a gosto aqueles de que gostam e a desgosto aqueles de quem não gostam;
dá para perceber que é a oposição a quem resiste ao pensamento único, a quem sai do carreirinho formigueiro; hoje, no expresso, nem de propósito, uma afirmação bem interessante:
é verdade, a natureza humana não muda, apenas os modos se alteram. A liberdade de expressão ainda é entendida como a possibilidade de o outro dizer o que cada um gosta. Quando tal não acontece, quando se sai da cartilha, há uma alcateia de lobos disposta a trucidar o incauto. Fazem-no em nome de um princípio, de uma ideia, de uma verdade, e acham que esses nobres fins justificam a ação. Mas não era isso, palavra por palavra, que diziam inquisidores, fascistas e comunistas? (henrique monteiro, expresso)

estado e Estado

por culpa de quase todos os que passaram pelos corredores da política há hoje uma assumida zona de ninguém entre o que são serviços do Estado e o governo da nação, desse mesmo Estado; 
se perguntarmos às pessoas estou certo que uma boa maioria não saberia destrinçar aqueles que são serviços do Estado e aqueles que são serviços do Governo; uma assumida promiscuidade, o quebrar de barreiras entre Estado e governo como se elas não fossem necessárias, um espaço de Shenguen demarcado por interesses particulares e objetivos individuais; 
para quê, com que propósito, com que objetivos? 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

gostar eu gostava

sinceramente, gostava de perceber o que move padrinhos e madrinhas, interesses e interessados, mas não sei, não consigo vislumbrar um porquê plausível, entendível cá para o je; 
não consigo perceber se são questões de política, daquela que orienta escolhas e sentidos, que define valores e nos organiza a cabeça e, como se costuma dizer, serão as nossas mentalidades; ou se serão meras questões partidárias, de arregimento de forças e interesse pontual e casuisticamente comuns e que, nesse contexto, se encontram numa qualquer esquina; se são interesses do dinheiro, afinal move montanhas; se será uma mera questão de poder, daquele em que o cacique africano organiza a sua corte; ou se sexo, sempre presente no meio de umas e de outras; não sei, não consigo perceber por onde circulam estes interesses, que razões se movem e os movimentam; porque razão escolhem uns e preterem outros, se escondem na bruma ou se afirmam no vã poder de condicionar a vida de uns quantos, não sei; 
isto a propósito do cabeça de lista do ps à assembleia municipal ser um dos poucos militantes do ps e de já ter anunciado a sua saída do concelho a partir do início do ano letivo; não significa que abandone o lugar, claro, pode sempre cá vir e participar, afinal são apenas 4 ou 5 reuniões anuais, nada de monta; mas porquê uma coisa destas??????????

dos macacos

para quem passa férias por casa, em turismo rural, entretenho-me a organizar os meus afazeres para aquilo que penso vir a ter e a fazer a partir do próximo mês de setembro, aulas; 
dou uma vista de olhos no manual virtual adoptado lá na escola e confirmo que até um macaco, ou quase, poderia dar aulas, bastar-lhe-ia dizer onde carregar e coisa desenrolava-se; 
nessa medida o meu desafio (e de quase todos os docentes) está em pensar formas de envolver o aluno na dinâmica de trabalho, na sala de aula; como é meu hábito irei provocar alguma confusão, algumas expectativas e muita curiosidade, mas o desafio perante a organização de conteúdos que a editora propõe e os recursos que disponibiliza não me permitem ficar a olhar (ou a admirar) o e-livro; há que envolver o aluno, levá-lo a trabalhar, a participar no seu trabalho, a pensar nos seus objectivos, a negociar estratégias de envolvimento - diferenciação pedagógica e trabalho de projecto, vai ser a receita com que me irão criticar...

quarta-feira, 31 de julho de 2013

agradecimento

nunca aqui comentei os resultados do processo concursal a que fui opositor para director do agrupamento de escolas de arraiolos; foi o que foi, com o interesse de uns quantos, a motivação de outros, e a soberba de outros tantos - quando interessei fui chamado, quando me sentiram a mais fui descartado quem nem penso descartável (para ser simpático); 
como é muito meu hábito, há que encarar um mau resultado como uma oportunidade para dela retirar ensinamentos, alguma aprendizagem e, se possível e sem ser hipócrita, benefício das circunstâncias;
daí o meu agradecimento a quem não optou pelo projecto que apresentei, um agradecimento a todos e a todas que, no conselho geral (e fora dele) preteriram o meu currículo; um agradecimento por terem recusado (e alguns gozado) com  a ideia de escola que apresento e defendo; ao fim e ao cabo, um agradecimento por não me terem escolhidos e, dessa forma, por me terem proporcionado férias, uma clara fuga a moengas (das grandes), às contrariedades, ansiedades e angústias de gerir o impensável para mim, ser obrigado a dispensar pessoas, preterir competências e saberes, desmembrar uma história e uma cultura, porque as escolas são feitas disto mesmo, de pessoas, de histórias, de afectos; 
apesar de muito crente no meu agnosticismo há quem, com fé, me diga que deus escreve direito por linhas tortas; ufa, ainda bem, até quase que acredito e, pelo que vejo à minha frente nas políticas da educação e nos tempos de gestão na escola, safei-me de boa, obrigado; 
ao/à conselheiro/a que em mim votou, sozinho/a, isolado/a, o meu mais sincero agradecimento pela confiança que em mim foi depositada, mas, felizmente, há gente com tino e compostura e que me preteriu - e ainda bem, os tempos educativos, os tempos de escola não estão para tipos como eu, não gosto de ser asséptico, santo, e menos ainda indiferente ou desculpabilizante ao que muitos passam, sentem e sofrem; felizmente aqueles que embirram comigo, porque sou directo, coerente, digo verdades e nunca (ou quase nunca) minto, apesar de muitas vezes dizerem exactamente o seu contrário, fizeram-me um favor, um grande favor, obrigado; 

serenidade

enquanto o Estado social se desmembra a olhos vistos, enquanto grande partes das conquistas de abril são substituídas por precariedade, descricionaridade e arbitrariedade, lembrando, em muito, tempos antes de abril, o que fazem os nossos padrinhos e as nossas madrinhas? 
enquanto se despedem pessoas por incúria e má gestão, enquanto se desertifica o interior, enquanto vimos os jovens a imigrar, cabisbaixos como que envergonhados, que fazem aqueles que, nos partidos, têm posto e disposto a seu belo prazer e a contendo dos seus interesses?
enquanto vimos aldeias a ficarem desertas de gente, cheias de desempregados, campos queimados pela incúria ou o propósito de interesses particulares, que fazem aqueles que escolhem candidatos, que se vangloriam do seu vã poder, que negoceiam interesses e objectivos como quem troca tremoços e uma bejeca?
enquanto decorre a troca de galhardetes e piropos, ao som de uma pré campanha com resultados anunciados, que fazem aqueles que, em nome do povo, nos deviam orientar, servir (e não serem servidos), prestar contas (e não fazer de conta)?
não estou zangado, estou cansado da incúria de muitos, do silêncio de quase todos, do medo que nos preenche e, particularmente, defraudado com o estado a que temos votado a nossa aldeia, a nossa vila, a nossa cidade, a nossa região, o nosso país; 

insuportável

e não é o calor é o despedimento em massa pelo qual passam centenas, senão mesmo milhares de docentes dos ensinos básico e secundário; 
no meu agrupamento foram a destacamento por ausência de componente lectiva 22 docentes, todos do quadro; é um agrupamento de pequena/média dimensão, representará sensivelmente entre 15% a 20% do total de docentes; e os outros, os grandes, como será, quantos serão?
o insuportável não se refere ao calor mas à angustia que muitos e muitas estarão a passar sem saber qual o seu futuro, sem esperanças nem alternativas; 
é ingrato, é injusto, é desnecessário, nunca como agora concordei tanto com a expressão de um sindicato, não há professores a mais, há escola a menos...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

da norma ao normal

há alguns anos atrás, década de 90 essencialmente, havia em cada conselho directivo um dossier organizado com a legislação educativa; disponibilizado pela tutela, ministério da educação, era apresentado com o argumento de sintetizar toda a legislação que então começava a ser produzida e disponibilizada às escolas decorrente da lei de bases; conhecido pelo acrónimo de LAL por estar relacionado com o lançamento de cada ano lectivo;
era, para todos os efeitos, uma orientação da tutela para a conformidade legislativa e normativa; perante o crescimento da escola, a sua massificação e a crescente entrada de jovens docentes, a tutela procurava salvaguardar a sua acção, normalizar a crescente diferenciação de gestão e homogeneizar práticas; foi abolido já no início deste século, fruto de se começar a disponibilizar às escolas a legislação em suporte informático; mas era também visto uma clara contradição à propalada autonomia que então jorrava por tudo quanto era política educativa;
actualmente e também à pala da sistematização e da autonomia, reaparece o LAL, e com ele a preocupação pela norma, pelo normativo em clara vantagem sobre a acção local de docentes e estruturas educativas, do pensar e reflectir as relações e a acção pedagógica e de organizar os recursos de acordo com as condições e ideias que se expressam num território; 
o Estado, isto é, a tutela educativa, acaba por revelar receio das suas próprias palavras, do seu discurso em torno da crescente autonomia das escolas e, não vá o povinho mijar fora do penico, vá de o condicionar impondo a norma como mecanismo de regulação da gestão; 
a merda toda é que em algumas escolas/agrupamentos agora como antes, vai ser bíblia (logo eu, que sou agnóstico)...

sábado, 20 de julho de 2013

cratices ou cretinices

o correio da manhã de hoje dá conta da pretensão de alargamento do número de alunos por turma; 
sempre desejei falar para grandes audiências, não sabia como, mas há quem saiba

dúvidas - questões - curiosidades

apenas isso, sei que dificilmente terei alguma resposta;

que razões existirão para que se afastem quase todos aqueles que há quatro anos atrás deram o corpo ao manifesto e às balas por arraiolos?

que circunstâncias terão levado a que, no processo de decisão dos elementos das listas do ps no concelho de arraiolos às próximas autárquicas, poucos sejam os militantes socialistas, menos ainda os que encabeçaram há 4 anos atrás e menos ainda os que então participaram?

só a título de curiosidade, o porquê de se constituir uma lista, concretamente à assembleia municipal, feitas de corpo presente, distantes do discurso e da acção política?

porque razão, sempre que o ps se apresenta como alternativa de consistência e coerência no concelho de arraiolos, as estruturas distritais do ps anulam, silenciam, dispersam essa alternativa? aconteceu em 1997, em 2002 e em 2009;

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Carnival Is Over



e, se calhar, fruto da seally season, nós até somos capazes de acreditar
ou talvez não...

coisas do feitio

ou da falta dele
ora estou zangado, ora é o sacana do meu feitiozito, mas há sempre qualquer coisa de menos bom a justificar ou enquadrar os meus adizeres, nunca é por eventualmente ter razão, possuir um qualquer sentido de razoabilidade ou pertinência, olhar e escutar a realidade sob outra perspectiva, não senhora, é mesmo de feitio e mau, não podia ser coisa boa; 
mas é caso de ser só por estas bandas, noutras há quem me escute, há quem troque argumentos, há quem troque ideias; há quem diga que até tenho bom feitio; 
só por estas minhas bandas tenho mau feitio; alguém gostaria que assim fosse, mas estou mais próximo dos malucos do que muitos (ou algumas) possam pensar, essa é que é...

da salvação

falam-nos e fala-se de salvação nacional como quem fala de ir ali beber uma mini e já venho;
falar de salvação nacional, no meu (des)entendimento implicaria:
1 - crise incontornável, irremediável e que colocaria em causa a soberania e os valores nacionais;
2 - ameaça externa, bélica ou política tal como no passado (e, só para referir alguns exemplos, os mais badalados, 1383/85, 1580/1640, 1820, 1921), onde se poderiam justificar acções ou procedimentos manifestamente extraordinários (como foi o caso em cada uma das datas assinaladas);
assim sendo, ou estamos mesmo assim e somos mantidos na santa ignorância, eles é que sabem o que é que devem dizer e quando dizer ao povinho, ou andam a amedrontar as hostes para que a salvação nacional seja apenas a salvação de alguns (interesses e interessados), daqueles pequenos (e grandes) oligarcas que exercem o interesse em nome da nação, dizem que é pelos outros, mas efectivamente o que interessa, são coisas muito, muito particulares, pois o povinho é estúpido e acredita em histórias da carochinha;
e depois perguntem-me se estou zangado; claro que não, estou é mais parvo e deve ser do calor...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

contra o carreirismo

texto dado a conhecer ao presidente da federação distrital do ps, presidente da concelhia de évora e deputados do ps eleitos à assembleia da república e parlamento europeu em fevereiro deste ano;

PS – ambição, determinação, pluralismo, participação
Um conjunto de militantes do Partido Socialista, cientes dos enormes desafios que se colocam à cidade e ao país, resolveu expressar a sua opinião apelando à mobilização, abertura e participação o mais alargada de todos para a identificação das melhores propostas para a cidade e para o concelho e, consequentemente, para a região e para o País.
Desde 2001 que o PS exerce a governação da cidade. Reconhecemos que um longo e árduo caminho foi feito, de reorganização de serviços, de ultrapassagem de mitos, de um novo urbanismo, de uma outra participação cívica, no envolvimento de instituições e associações, na criação de redes de parceiros e de acção. No entanto também fruto de um conjunto de razões, nomeadamente maioria relativa no Executivo, quebra de receitas próprias e sucessivos cortes orçamentais, a acção do Município neste mandato tem revelado deficiente desempenho nos "cuidados básicos" da cidade bem como apatia e incapacidade de mobilizar as forças vivas da cidade.
Por essa ou por outras razões, nomeadamente, por sermos ambiciosos e exigentes, temos a consciência, que muito ficou por fazer e falta fazer. Por reconhecermos que é o PS que melhor pode corporizar os novos tempos, os desafios de uma nova contemporaneidade, apelamos às estruturas concelhia e distrital do PS para que promovam a abertura de ideias, o confronto de opiniões, a troca de argumentos e de pontos de vista, para que, colectivamente, possamos identificar as melhores propostas, as mais abrangentes e ambiciosas, os protagonistas mais adequados ao desafio.
Por estarmos conscientes dos enormes desafios que a governação das cidades coloca à população e aos partidos, por há muito defendermos a abertura e a pluralidade do debate, por entendermos o PS como plataforma de confluência de ideias e opiniões, de culturas e valores, reconhecemos que só o PS está em condições de promover o debate plural e ambicioso sobre o que se pretende que Évora seja nesta década no contexto regional e nacional.
Em tempos marcados por políticas de tendência ultraliberal, em que muitas das conquistas da democracia de Abril estão colocadas em causa, em que se exerce a governação de forma déspota e descricionária assente numa coligação com maioria, a reinvenção do espaço público local, por estar mais próximo das populações, é determinante na criação de formas sustentadas de participação, envolvimento, controlo e fiscalização democráticas. A governação local, sem ser contrapondo a nada nem a ninguém, deve criar o seu espaço de intervenção e mobilizar a sua população para a intervenção cívica e democrática.
No contexto da governação do espaço local, qualquer ideia ou proposta de governação de Évora não pode deixar de considerar o distrito e a região, como patamares também eles determinantes na e para a afirmação da cidade. Évora tem que reforçar a aposta na aeronáutica, na qualificação da sua população, na capacidade de atrair gente, de fixar investimento, de ser pólo central do turismo regional, zona de confluência entre a capital e a Extremadura espanhola.
Em síntese, há cerca de vinte anos - com a criação do FóRUM ALENTEJO, o PS abriu e soube criar uma onda que deu importantes contributos para o desenvolvimento do Alentejo. Neste momento particular onde os desafios são porventura mais complexos, o Alentejo necessita de um novo projecto político e social que lhe garanta riqueza e emprego. Necessitamos, por isso, de uma "nova onda" que crie novos desígnios e novos actores relembrando aos "surfistas do costume" que o caminho que o Alentejo necessita tem outro rumo. Por tudo isto, apelamos à abertura do PS ao debate e ao encontro de soluções maioritárias, amplas e plurais que permitam corporizar o espírito que Évora denotou ao longo dos tempos, de pluralismo, tolerância, integração, confluência, cruzamento. Espírito que em termos partidários reconhecemos prioritariamente ao Partido Socialista.

José Gazimba Simão - 21233
Agostinho Manuel Asper Banha - 16318
Manuel Dinis P. Cabeça - 42005


coisas da política ou do seu contrário

a acção política (os padrinhos e madrinhas que pretensamente mandam na acção política aqui desta terrinha) anda ocupada em arregimentar espingardas daqui e dali; há madrinhas e padrinhos preocupados em que, do seu lado, estejam mais, pretensamente vencedores, declaradamente yes qualquer coisa (homem ou mulher, jovem ou adulto, não importa); 
a acção política faz-se à distância do povinho, daquele que vota, convencido que com essa sua atitude contribui para a democracia; conheço melhores uns do que outros, mas eles estão nos diferentes partidos, dando conta que o país não mudou lá assim tanto desde finais do século XIX (dezanove); 
são pequenos (e grandes) oligarcas, que, com influência, persistência e muita filha da putice, põem e dispõem a seu belo prazer, trocam pessoas como peças de um qualquer xadrez, condicionam o mercado de trabalho ou, ao contrário, arranjam oportunidades inusitadas para alguns; dão espaço aos que com eles concordam e abanam subservientemente a cabecita, ou, pelo contrário, retiram todo o espaço, procurando remeter ao esquecimento e ao ostracismo aqueles que deles discordam, que os confrontam, que os questionam, directa ou apenas politicamente; 
a política tem sido assim, umas vezes mais insinuante, outras claramente desenvergonhada e óbvia; 
já acreditei poder contribuir para mudar alguma da sacanice, contudo, fui sempre engolido, umas vezes por amigos, outras por conhecidos, outras por aqueles que de mim se aproximavam apenas para serem putas desenvergonhadas; ele há de tudo, com todo o requinte ou sem requinte; e nós, ingénuos, benevolentes e crédulos, pensamos que, afinal, sempre assim foi... até nós deixarmos...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

salvação

anda-se a discutir a governação à revelia do povinho, com o acordo e a concordância de alguns, o desinteresse de muitos e a bonomia de outros tantos - como se fosse coisa menor; 
pela minha aldeia, igrejinha, aparentemente já tá montado o estendal da salvação, não será nacional, certamente, pretensamente local; ou seja, perspectiva-se coligação entre ps e psd local para as próximas autárquicas; 
aproveito a onda e digo que se se formalizar a aliança entre ps, psd e cds, podem registar que ficarei muito contente por não fazer parte deste ramalhate; não me reconheço na coisa e ficarei contente por me deixarem de fora (porque fui empurrado para fora, deixado de lado como peça de fruta madura demais para alguns interesses ou interessados - ainda bem);
já agora não há "chuchialistas" pela igrejinha???? eu sei que não conto, mas há quem conte, ou devesse contar...

regresso

não totalmente farto da distância, porque efectivamente nunca estive muito distante desta coisa, nem sequer cansado de nada dizer nem opinar (ando a atravessar um período de alguma irritação comigo mesmo e com a minha própria cacofonia ou, de acordo com um colega, farto da minha incontinência verbal), regresso devagarinho, quase que de mansinho, a ver se digo alguma coisa, ocupo o tempo, me entretenho;