segunda-feira, 26 de agosto de 2013

retoma

não é a económica mas a do tempo de regresso aos afazeres do quotidiano, a lenta retoma dos nossos dias; 
as férias estão-se a ir e, nesta altura, reconheço que já preciso de outros temas e outros contextos para me entreter; estou não direi cansado mas lá perto, das férias, do estio, dos afazeres mais domésticos e caseiros. da mornice dos dias quase sempre previsíveis, programados; sinto falta do rebuliço da escola, da imprevisibilidade dos gestos e dos acontecimentos, da intempestividade das dúvidas, da garantia das certezas; já sinto falta dos adizeres de uma sala de professores este ano mais pobre, muito mais pobre; 
para a semana regresso...

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

devaneios de um homem de meia idade

um primeiro post que é também e de certo modo, uma reconfiguração das linhas de orientação da minha escrita; quando comecei a escrever por estas bandas queria dissertar sobre a educação e a escola, o meu mundo, o alentejo, a minha terra, e sobre política, um gosto que há muito sinto entranhado em mim mesmo; 
hoje, fruto de vicissitudes dos filhos e, particularmente, da idade, deu-me para pensar sobre uma outra temática, relacionada com as coisas do homem; uma perspetiva diferente, esta mesma que faz com que olhemos a realidade e os seus acontecimentos com olhos que, de alguma forma, filtram interesses, hierarquizam importâncias e, essencialmente, coam a espuma dos dias que passam; 
por estas bandas da blogosfera há muitas coisas de mulheres, desde o sexo, a devaneios da idade, gostos, desgostos, interesses e aquilo que interesse; pouca coisa de homem, pouca coisa que, a partir de uma perspetiva masculina, mostre que homem também é homem por sentir e estar, ser e escrever; 
e, apesar de estarmos numa sociedade profundamente masculinizada, há estereótipos para tudo quanto é gosto e lado; sexo, se for a mulher a falar e a escrever sobre esta coisa básica, é erotismo, se for o homem é assumida pornografia; sentimentos, se for a mulher a dissertar sobre a coisa, são os sentimentos e a sensibilidade a ditar a escrita, se for homem é claro e assumido interesse em sexo que o orienta; se uma mulher falar de culinária, costura ou moda, são tendências, se for um homem ou bichanismo ou interesse em sexo; 
e pronto a partir de hoje e desta mesma posta, irão surgir devaneios de um homem de meia idade (o que não acredito, pois iria perfazer 100 anos, tempo de mais para o je), dissertações sobre como se sente a idade e o tempo, os acontecimentos e os sentimentos; uma outra perspetiva, porventura vulgar, ordinária (de comum e banal) mas também sentida; 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

em período de profunda degradação da escola pública, de reformulação dos sentidos políticos e pedagógicos que, praticamente desde os idos anos 80 do século passado, estavam consensualizados entre partidos do governo e sociedade, num tempo que muitos docentes esperam por uma qualquer nesga de oportunidade perdida para saberem se têm futuro...
com estas notícias pretende-se o quê? justificar políticas educativas? argumentar em favor das opções do governo? que há escola e professores a mais para as crianças? que os recursos humanos da educação estão desfasados dos contextos? que, afinal, a autonomia é apenas retórica? que os programas e projetos contra o insucesso são brincadeiras de faz de conta?, o que se pretende, nesta altura, com este tipo de notícias

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

coisa a importar

a importar de trazer cá para o burgo e a importar de relevância;
aqui está um "belo" exemplo da concorrência entre escolas, do despique e do livre mercado educativo;

preparação da preparação

em férias e com poucas solicitações, ninho quase vazio, quando não mesmo vazio, entretenho-me entre leituras, alguma escrita (aqui e académica) e a preparação dos preparativos do novo ano escolar; 
é certo que ainda não sei que níveis irei ter, nem que serviço me será atribuído; pelo que conheço daquela minha escolinha, será de esperar tudo e mais alguma coisa; cá me aguento; mais, nem sequer sei se fico na minha escolinha, pois concorri à mobilidade, segunda prioridade; espero pelos desenvolvimentos; 
mas entretenho-me, pois claro, pelo menos estou entretido, evito as horas de maior calor e os calos nas mãos por andar de volta da minha agricultura; no meio dos preparativos da preparação dou conta de material antigo, de outros anos e referencio que nessas alturas também era agosto o mês dos preparativos; coincidências? nem por isso, é mesmo preparação, organização e planeamento... digo estratégico; depois, quando a maior parte do pessoal andar a apontar-me por não trabalhar apenas sorriu e penso que já trabalhei, ao meu ritmo, na minha dinâmica, no compasso que entendo e não como outros querem ou procuram import; 

surpresa sem surpresa

as notícias primeiro deram conta que um tribunal, isto é, um/a juíz/a, decidiu, sobre o mesmo tema, a elegibilidade de presidentes de câmara, de modo diferente de outro; 
até parece que foi surpresa; 
depois, o mesmo tribunal que antes tinha afirmado uma coisa afirma agora outra, passados nem 10 dias; 
não considero surpreendente; começamos a descobrir que afinal os tribunais também são feitos por homens e mulheres, que têm sentimentos e afirmam sentidos, que têm conhecimento mas também têm opinião; 
é coisa fora do normal? não considero, consideraria, isso sim, se de norte a sul ou de leste a oeste decidissem todos da mesma maneira, aí sim, eu desconfiava;

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

política por sondagem

ontem, telefonicamente, fui abordado para responder a uma sondagem sobre o concelho de arraiolos; nada de monta; fiquei a saber que a sondagem era sobre o concelho; fiquei a saber que era sobre a opinião que cada um de nós tem sobre a vida que se tem por estas bandas; 
instala-se por cá aquilo que pelos anglo saxónicos é já muito típico, fazer política por sondagens;
não é novidade, nem sei que partido a terá encomendado; mas não deixo de registar a ideia que a política, na falta de ideias, se faz por sondagens; que o futuro se constrói, por falta de iniciativa, com base nas "sensações" de uma maioria de sondagem, que as afirmações, considerando a ausência de lideranças, se faz com base nos grandes números; 
crítica? nem por isso, reconhecimento, puro e simples, que, por estas bandas, faltam ideias, lideranças e estratégias de mobilização e de construção do futuro; 
se tenho pena? não, não tenho é futuro o que me leva a sentir saudades, longo eu, que, como um amigo costuma dizer, parafraseando um poeta, saudades só do futuro, daquele a dizer do anos 90 do bloco de esquerda, junta-te a uma imensa minoria; 
mas isso sou eu, que tenho a mania que sou parvo... os políticos espertos, esses, fazem política pelos grandes números...

concordo na discordância

aquando da sua indicação para patrono da antiga escola da malagueira não disse nada, houve outros que disseram mais e melhor que eu;
agora, perante as notícias, não resisto e faço o meu comentário;
este Homem é merecedor da distinção e do reconhecimento que, por estas bandas, muitos lhe rejeitam e contestam; 
estou à-vontade para o afirmar e defender; nunca concordámos um com o outro; desde os idos anos 80, eu, jovem estudante da UÉvora, e ele, responsável por uma área que se tornou fundamental e que, com a sua retirada, ou desvio, caiu para as ruas da amargura, os cursos de ensino, nos debatemos, nos confrontámos e discutimos;  eu cresci, ele aprendeu a respeitar a irreverência do sangue fresco; 
corrijo um ponto, sempre concordámos em dois aspetos, em discordar um do outro, em nos respeitarmos um ao outro; 
desde esses tempos que admiro a pessoa deste Professor à antiga, que me trata pelo nome, que pergunta pelos meus pais, que mostra curiosidade em saber como estão os meus filhos; coisas fúteis, banais, mas tão importantes na vida e nos afetos de cada um;
tenho e sinto um enorme prazer em ouvi-lo, simplesmente ouvi-lo; tem uma ideia de escola, que sempre defendeu e que me influenciou; tem uma ideia do que é ser professor, na qual me reconheço; tem um enorme gosto e um imenso prazer naquilo que sempre fez, ajudar os outros a crescer; 
parabéns caro Professor... merece, bem  feita :)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

tempos difíceis

há coisa de uma ano atrás referenciei o profebox; procurava formas de enfrentar uma das minhas maiores dificuldades na prática letiva, os registos de alunos, do dia a dia, da dinâmica das aulas, registo de observações, comentários, "impressões", ideias que me pudessem ajudar a avaliar procedimentos, desempenhos, competências; 
entre muitos outros dei com esta plataforma tuga; 
não é fácil de usar ou, pelo menos, não é de utilização direta, ainda que possua manuais vídeo muito interessantes, esclarecedores e bastante úteis; 
fiquei fã; agora, na preparação do próximo ano letivo deparei com algumas dificuldades, pequenos bugs, muito típicos de produtos em desenvolvimento; e vá de enviar mail a pedir apoio; foi rápido e, é isso que quero destacar, pessoal; escreveu-me o chefe dizendo-me que a coisa está nos finalmentes, estado comatoso, cuidados paliativos, no fio da navalha; 
o ministério nem quis saber da coisa (era o mais que faltava), sindicatos nem vê-los, escolas nem sabem o que isso é; de um universo global de mais de 100 mil docentes (dados das manifestações do tempo do camarada sócrates) pouco mais de 4 mil, e nem todos tugas, aderiram ao projeto; falta de meios, falta de financiamento, falta de capacidade e uma ideia deveras interessante arrisca-se a morrer; é pena, tenho pena; é bastante interessante e cumpria quase que plenamente, os meus objetivos; 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

cada cavadela cada minhoca

cada dia cada asneira e não é de asneiras que se trata, mas de propósitos estratégicos, deliberados, pensados e implementados;
cada dia cada novidade, cavadela, minhoca, agora, do mundo das cratinices, vem esta pérola de se dispensarem os funcionários; estou certo que o grande objetivo é deixar a escola vazia, começou-se pelos docentes, passou-se pelos alunos e agora os funcionários; o que resta da escola? paredes, quadros, alguns interativos, e pó...
pessoalmente não conheço nenhuma escola com funcionários a mais - e conheço algumas; é certo que as agregações colocaram em Xeque os técnicos administrativos que, de repente e por inépcia e incapacidade dos diretores (de redefinirem funções, requalificarem pessoas, reorganizar serviços), viram as suas funções dobradas por funcionários; 
para além do esvaziamento da escola esta notícia traz um acrescento com claros requintes de malvadez, determina que sejam os diretores a armarem-se em deuses e sejam eles a prescindir dos funcionários; pronto, tá o caldinho arrumado, amigos e amiguismos, companheiros e companhias a ordem está definida; (do que eu me safei); 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

públicas virtudes, vícios privados

esta do cheque ensino é coisa que já tem alguns anos e o cds/pp persiste e insiste em afirmar na opinião pública através das opiniões publicadas; muito provavelmente inserir-se-á na nova estratégia do segundo fôlego dos ministros do cds; 
depois da crise, depois das sondagens que remetem o cdps/pp não para um táxi mas para um smart e na ausência da senhora ministra da agricultura, é a vez de mota soares e pires de lima serem os cronistas das novas dinâmicas políticas; o primeiro marca presença assídua nas notícias, o segundo descobre, algures no ministério, verbas avultadas para o incentivo à economia; o psd que se cuide; 
sem mais ministros, são os secretários de estado do cds/pp que, mais insipidamente, com menos destaque e quase completa ausência mediática, procuram atirar milho aos parvos;
é o caso do cheque ensino; não tenho grande dúvidas que há gente, muita gente, de quase todos os setores políticos e partidários, que defenderá acerrimamente o cheque-ensino; não é o meu caso; 
primeiro porque manifestamente acentua as diferenças entre quem tem possibilidades de escolha e quem não as tem; neste contexto, o cheque ensino apenas irá reforçar as capacidades e condições daqueles que já hoje têm possibilidades de escolha; 
segundo, a estrutura da rede educativa ao permitir a total liberalização da escolha da escola pela família não se coaduna com a possibilidade cerceada às escolas públicas de definirem o seu orçamento, recrutarem os elementos necessários ao seu projeto - e não necessária ou exclusivamente docentes, de implementarem as suas opções e orientações; neste contexto, há uma clarissima desigualdade de oportunidades; 
terceiro, em nome da concorrência, da eficácia e da eficiência do sistema educativo, em particular da escola pública, valorizo mais a delegação de competências pelas diferentes estruturas educativas da escola, conselho geral, conselho pedagógico, direção e, mesmo, conselhos municipais do que a liberalização das escolhas, sempre limitada a zonas geográficas já de si privilegiadas, privilegiadora de quem já tem privilégios; 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

campanha eleitoral virtual

desta vez com maior preponderância, mais presença e consistência a campanha eleitoral para as próximas autárquicas marca presença pelos espaços virtuais das ditas redes sociais; 
é certo que, a maior parte dos sítios se limita a replicar, virtualmente, o vazio que objetivamente cada candidatura apresenta; nota-se, para além da falta de ideias, a ausência de uma estratégia de afirmação dos espaços virtuais - prefiro digitais - de articulação e ligação entre o contacto físico e as diferentes redes sociais digitais; 
é também verdade que existem honrosas excepções, onde é visível a articulação, continuidade e ligação entre os diferentes espaços, mas mesmo nestas e na sua generalidade se nota a falta de ideias que ultrapassem os lugares comuns, as vulgaridades e banalidades tão típicas de uma qualquer campanha; a principal caraterística que atravessa quase todas as campanhas, independentemente da sua cor, feitio ou padrinho/madrinha é mesmo a festa; aproveitando-se a época do ano é ver as festas e romarias e os mimetismos do paulinho das feiras, tão criticado por uns, distribuídos por tudo quanto é freguesia em festa a ser pespegado nas redes, em particular no facebook; 
pena é que no meio da festa e do arraial popular se esqueçam, ou propositadamente se esconda, o vazio das ideias com que se pensa gerir e afirmar o futuro, seja ele qual for - e estas pessoas deviam antecipar um futuro...

sábado, 3 de agosto de 2013

de laracha em laracha

continuo a escrever as minhas larachas, despreocupadamente, sem receio do controlo de uns e de outros, do medo que padrinhos e madrinhas me procuram impingir; já me fizeram de tudo, já me trataram de quase todas as maneiras possíveis - com particular destaque para modos abaixo de cão; umas fingi que não percebi, outras não percebi mesmo, outras joguei com o gosto da hipocrisia; já trataram a esposa assim e a assado, qual mafiosos que jogam com a família; por quase tudo passei e passamos; resisti com a família, com os meus, que sempre foram inquestionáveis e inamovíveis nos afetos; 
continuo a dizer as minhas larachas, certo que poucos me entendem, raros me percebem, outros nem me conhecem; mas é um prazer de escrita perceber os contornos aqueles que se movimentam nas sombras, nas zonas de penumbra que eles próprios criaram; gostava de perceber as razões das movimentações, de tratarem a gosto aqueles de que gostam e a desgosto aqueles de quem não gostam;
dá para perceber que é a oposição a quem resiste ao pensamento único, a quem sai do carreirinho formigueiro; hoje, no expresso, nem de propósito, uma afirmação bem interessante:
é verdade, a natureza humana não muda, apenas os modos se alteram. A liberdade de expressão ainda é entendida como a possibilidade de o outro dizer o que cada um gosta. Quando tal não acontece, quando se sai da cartilha, há uma alcateia de lobos disposta a trucidar o incauto. Fazem-no em nome de um princípio, de uma ideia, de uma verdade, e acham que esses nobres fins justificam a ação. Mas não era isso, palavra por palavra, que diziam inquisidores, fascistas e comunistas? (henrique monteiro, expresso)

estado e Estado

por culpa de quase todos os que passaram pelos corredores da política há hoje uma assumida zona de ninguém entre o que são serviços do Estado e o governo da nação, desse mesmo Estado; 
se perguntarmos às pessoas estou certo que uma boa maioria não saberia destrinçar aqueles que são serviços do Estado e aqueles que são serviços do Governo; uma assumida promiscuidade, o quebrar de barreiras entre Estado e governo como se elas não fossem necessárias, um espaço de Shenguen demarcado por interesses particulares e objetivos individuais; 
para quê, com que propósito, com que objetivos? 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

gostar eu gostava

sinceramente, gostava de perceber o que move padrinhos e madrinhas, interesses e interessados, mas não sei, não consigo vislumbrar um porquê plausível, entendível cá para o je; 
não consigo perceber se são questões de política, daquela que orienta escolhas e sentidos, que define valores e nos organiza a cabeça e, como se costuma dizer, serão as nossas mentalidades; ou se serão meras questões partidárias, de arregimento de forças e interesse pontual e casuisticamente comuns e que, nesse contexto, se encontram numa qualquer esquina; se são interesses do dinheiro, afinal move montanhas; se será uma mera questão de poder, daquele em que o cacique africano organiza a sua corte; ou se sexo, sempre presente no meio de umas e de outras; não sei, não consigo perceber por onde circulam estes interesses, que razões se movem e os movimentam; porque razão escolhem uns e preterem outros, se escondem na bruma ou se afirmam no vã poder de condicionar a vida de uns quantos, não sei; 
isto a propósito do cabeça de lista do ps à assembleia municipal ser um dos poucos militantes do ps e de já ter anunciado a sua saída do concelho a partir do início do ano letivo; não significa que abandone o lugar, claro, pode sempre cá vir e participar, afinal são apenas 4 ou 5 reuniões anuais, nada de monta; mas porquê uma coisa destas??????????

dos macacos

para quem passa férias por casa, em turismo rural, entretenho-me a organizar os meus afazeres para aquilo que penso vir a ter e a fazer a partir do próximo mês de setembro, aulas; 
dou uma vista de olhos no manual virtual adoptado lá na escola e confirmo que até um macaco, ou quase, poderia dar aulas, bastar-lhe-ia dizer onde carregar e coisa desenrolava-se; 
nessa medida o meu desafio (e de quase todos os docentes) está em pensar formas de envolver o aluno na dinâmica de trabalho, na sala de aula; como é meu hábito irei provocar alguma confusão, algumas expectativas e muita curiosidade, mas o desafio perante a organização de conteúdos que a editora propõe e os recursos que disponibiliza não me permitem ficar a olhar (ou a admirar) o e-livro; há que envolver o aluno, levá-lo a trabalhar, a participar no seu trabalho, a pensar nos seus objectivos, a negociar estratégias de envolvimento - diferenciação pedagógica e trabalho de projecto, vai ser a receita com que me irão criticar...

quarta-feira, 31 de julho de 2013

agradecimento

nunca aqui comentei os resultados do processo concursal a que fui opositor para director do agrupamento de escolas de arraiolos; foi o que foi, com o interesse de uns quantos, a motivação de outros, e a soberba de outros tantos - quando interessei fui chamado, quando me sentiram a mais fui descartado quem nem penso descartável (para ser simpático); 
como é muito meu hábito, há que encarar um mau resultado como uma oportunidade para dela retirar ensinamentos, alguma aprendizagem e, se possível e sem ser hipócrita, benefício das circunstâncias;
daí o meu agradecimento a quem não optou pelo projecto que apresentei, um agradecimento a todos e a todas que, no conselho geral (e fora dele) preteriram o meu currículo; um agradecimento por terem recusado (e alguns gozado) com  a ideia de escola que apresento e defendo; ao fim e ao cabo, um agradecimento por não me terem escolhidos e, dessa forma, por me terem proporcionado férias, uma clara fuga a moengas (das grandes), às contrariedades, ansiedades e angústias de gerir o impensável para mim, ser obrigado a dispensar pessoas, preterir competências e saberes, desmembrar uma história e uma cultura, porque as escolas são feitas disto mesmo, de pessoas, de histórias, de afectos; 
apesar de muito crente no meu agnosticismo há quem, com fé, me diga que deus escreve direito por linhas tortas; ufa, ainda bem, até quase que acredito e, pelo que vejo à minha frente nas políticas da educação e nos tempos de gestão na escola, safei-me de boa, obrigado; 
ao/à conselheiro/a que em mim votou, sozinho/a, isolado/a, o meu mais sincero agradecimento pela confiança que em mim foi depositada, mas, felizmente, há gente com tino e compostura e que me preteriu - e ainda bem, os tempos educativos, os tempos de escola não estão para tipos como eu, não gosto de ser asséptico, santo, e menos ainda indiferente ou desculpabilizante ao que muitos passam, sentem e sofrem; felizmente aqueles que embirram comigo, porque sou directo, coerente, digo verdades e nunca (ou quase nunca) minto, apesar de muitas vezes dizerem exactamente o seu contrário, fizeram-me um favor, um grande favor, obrigado; 

serenidade

enquanto o Estado social se desmembra a olhos vistos, enquanto grande partes das conquistas de abril são substituídas por precariedade, descricionaridade e arbitrariedade, lembrando, em muito, tempos antes de abril, o que fazem os nossos padrinhos e as nossas madrinhas? 
enquanto se despedem pessoas por incúria e má gestão, enquanto se desertifica o interior, enquanto vimos os jovens a imigrar, cabisbaixos como que envergonhados, que fazem aqueles que, nos partidos, têm posto e disposto a seu belo prazer e a contendo dos seus interesses?
enquanto vimos aldeias a ficarem desertas de gente, cheias de desempregados, campos queimados pela incúria ou o propósito de interesses particulares, que fazem aqueles que escolhem candidatos, que se vangloriam do seu vã poder, que negoceiam interesses e objectivos como quem troca tremoços e uma bejeca?
enquanto decorre a troca de galhardetes e piropos, ao som de uma pré campanha com resultados anunciados, que fazem aqueles que, em nome do povo, nos deviam orientar, servir (e não serem servidos), prestar contas (e não fazer de conta)?
não estou zangado, estou cansado da incúria de muitos, do silêncio de quase todos, do medo que nos preenche e, particularmente, defraudado com o estado a que temos votado a nossa aldeia, a nossa vila, a nossa cidade, a nossa região, o nosso país; 

insuportável

e não é o calor é o despedimento em massa pelo qual passam centenas, senão mesmo milhares de docentes dos ensinos básico e secundário; 
no meu agrupamento foram a destacamento por ausência de componente lectiva 22 docentes, todos do quadro; é um agrupamento de pequena/média dimensão, representará sensivelmente entre 15% a 20% do total de docentes; e os outros, os grandes, como será, quantos serão?
o insuportável não se refere ao calor mas à angustia que muitos e muitas estarão a passar sem saber qual o seu futuro, sem esperanças nem alternativas; 
é ingrato, é injusto, é desnecessário, nunca como agora concordei tanto com a expressão de um sindicato, não há professores a mais, há escola a menos...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

da norma ao normal

há alguns anos atrás, década de 90 essencialmente, havia em cada conselho directivo um dossier organizado com a legislação educativa; disponibilizado pela tutela, ministério da educação, era apresentado com o argumento de sintetizar toda a legislação que então começava a ser produzida e disponibilizada às escolas decorrente da lei de bases; conhecido pelo acrónimo de LAL por estar relacionado com o lançamento de cada ano lectivo;
era, para todos os efeitos, uma orientação da tutela para a conformidade legislativa e normativa; perante o crescimento da escola, a sua massificação e a crescente entrada de jovens docentes, a tutela procurava salvaguardar a sua acção, normalizar a crescente diferenciação de gestão e homogeneizar práticas; foi abolido já no início deste século, fruto de se começar a disponibilizar às escolas a legislação em suporte informático; mas era também visto uma clara contradição à propalada autonomia que então jorrava por tudo quanto era política educativa;
actualmente e também à pala da sistematização e da autonomia, reaparece o LAL, e com ele a preocupação pela norma, pelo normativo em clara vantagem sobre a acção local de docentes e estruturas educativas, do pensar e reflectir as relações e a acção pedagógica e de organizar os recursos de acordo com as condições e ideias que se expressam num território; 
o Estado, isto é, a tutela educativa, acaba por revelar receio das suas próprias palavras, do seu discurso em torno da crescente autonomia das escolas e, não vá o povinho mijar fora do penico, vá de o condicionar impondo a norma como mecanismo de regulação da gestão; 
a merda toda é que em algumas escolas/agrupamentos agora como antes, vai ser bíblia (logo eu, que sou agnóstico)...

sábado, 20 de julho de 2013

cratices ou cretinices

o correio da manhã de hoje dá conta da pretensão de alargamento do número de alunos por turma; 
sempre desejei falar para grandes audiências, não sabia como, mas há quem saiba

dúvidas - questões - curiosidades

apenas isso, sei que dificilmente terei alguma resposta;

que razões existirão para que se afastem quase todos aqueles que há quatro anos atrás deram o corpo ao manifesto e às balas por arraiolos?

que circunstâncias terão levado a que, no processo de decisão dos elementos das listas do ps no concelho de arraiolos às próximas autárquicas, poucos sejam os militantes socialistas, menos ainda os que encabeçaram há 4 anos atrás e menos ainda os que então participaram?

só a título de curiosidade, o porquê de se constituir uma lista, concretamente à assembleia municipal, feitas de corpo presente, distantes do discurso e da acção política?

porque razão, sempre que o ps se apresenta como alternativa de consistência e coerência no concelho de arraiolos, as estruturas distritais do ps anulam, silenciam, dispersam essa alternativa? aconteceu em 1997, em 2002 e em 2009;

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Carnival Is Over



e, se calhar, fruto da seally season, nós até somos capazes de acreditar
ou talvez não...

coisas do feitio

ou da falta dele
ora estou zangado, ora é o sacana do meu feitiozito, mas há sempre qualquer coisa de menos bom a justificar ou enquadrar os meus adizeres, nunca é por eventualmente ter razão, possuir um qualquer sentido de razoabilidade ou pertinência, olhar e escutar a realidade sob outra perspectiva, não senhora, é mesmo de feitio e mau, não podia ser coisa boa; 
mas é caso de ser só por estas bandas, noutras há quem me escute, há quem troque argumentos, há quem troque ideias; há quem diga que até tenho bom feitio; 
só por estas minhas bandas tenho mau feitio; alguém gostaria que assim fosse, mas estou mais próximo dos malucos do que muitos (ou algumas) possam pensar, essa é que é...

da salvação

falam-nos e fala-se de salvação nacional como quem fala de ir ali beber uma mini e já venho;
falar de salvação nacional, no meu (des)entendimento implicaria:
1 - crise incontornável, irremediável e que colocaria em causa a soberania e os valores nacionais;
2 - ameaça externa, bélica ou política tal como no passado (e, só para referir alguns exemplos, os mais badalados, 1383/85, 1580/1640, 1820, 1921), onde se poderiam justificar acções ou procedimentos manifestamente extraordinários (como foi o caso em cada uma das datas assinaladas);
assim sendo, ou estamos mesmo assim e somos mantidos na santa ignorância, eles é que sabem o que é que devem dizer e quando dizer ao povinho, ou andam a amedrontar as hostes para que a salvação nacional seja apenas a salvação de alguns (interesses e interessados), daqueles pequenos (e grandes) oligarcas que exercem o interesse em nome da nação, dizem que é pelos outros, mas efectivamente o que interessa, são coisas muito, muito particulares, pois o povinho é estúpido e acredita em histórias da carochinha;
e depois perguntem-me se estou zangado; claro que não, estou é mais parvo e deve ser do calor...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

contra o carreirismo

texto dado a conhecer ao presidente da federação distrital do ps, presidente da concelhia de évora e deputados do ps eleitos à assembleia da república e parlamento europeu em fevereiro deste ano;

PS – ambição, determinação, pluralismo, participação
Um conjunto de militantes do Partido Socialista, cientes dos enormes desafios que se colocam à cidade e ao país, resolveu expressar a sua opinião apelando à mobilização, abertura e participação o mais alargada de todos para a identificação das melhores propostas para a cidade e para o concelho e, consequentemente, para a região e para o País.
Desde 2001 que o PS exerce a governação da cidade. Reconhecemos que um longo e árduo caminho foi feito, de reorganização de serviços, de ultrapassagem de mitos, de um novo urbanismo, de uma outra participação cívica, no envolvimento de instituições e associações, na criação de redes de parceiros e de acção. No entanto também fruto de um conjunto de razões, nomeadamente maioria relativa no Executivo, quebra de receitas próprias e sucessivos cortes orçamentais, a acção do Município neste mandato tem revelado deficiente desempenho nos "cuidados básicos" da cidade bem como apatia e incapacidade de mobilizar as forças vivas da cidade.
Por essa ou por outras razões, nomeadamente, por sermos ambiciosos e exigentes, temos a consciência, que muito ficou por fazer e falta fazer. Por reconhecermos que é o PS que melhor pode corporizar os novos tempos, os desafios de uma nova contemporaneidade, apelamos às estruturas concelhia e distrital do PS para que promovam a abertura de ideias, o confronto de opiniões, a troca de argumentos e de pontos de vista, para que, colectivamente, possamos identificar as melhores propostas, as mais abrangentes e ambiciosas, os protagonistas mais adequados ao desafio.
Por estarmos conscientes dos enormes desafios que a governação das cidades coloca à população e aos partidos, por há muito defendermos a abertura e a pluralidade do debate, por entendermos o PS como plataforma de confluência de ideias e opiniões, de culturas e valores, reconhecemos que só o PS está em condições de promover o debate plural e ambicioso sobre o que se pretende que Évora seja nesta década no contexto regional e nacional.
Em tempos marcados por políticas de tendência ultraliberal, em que muitas das conquistas da democracia de Abril estão colocadas em causa, em que se exerce a governação de forma déspota e descricionária assente numa coligação com maioria, a reinvenção do espaço público local, por estar mais próximo das populações, é determinante na criação de formas sustentadas de participação, envolvimento, controlo e fiscalização democráticas. A governação local, sem ser contrapondo a nada nem a ninguém, deve criar o seu espaço de intervenção e mobilizar a sua população para a intervenção cívica e democrática.
No contexto da governação do espaço local, qualquer ideia ou proposta de governação de Évora não pode deixar de considerar o distrito e a região, como patamares também eles determinantes na e para a afirmação da cidade. Évora tem que reforçar a aposta na aeronáutica, na qualificação da sua população, na capacidade de atrair gente, de fixar investimento, de ser pólo central do turismo regional, zona de confluência entre a capital e a Extremadura espanhola.
Em síntese, há cerca de vinte anos - com a criação do FóRUM ALENTEJO, o PS abriu e soube criar uma onda que deu importantes contributos para o desenvolvimento do Alentejo. Neste momento particular onde os desafios são porventura mais complexos, o Alentejo necessita de um novo projecto político e social que lhe garanta riqueza e emprego. Necessitamos, por isso, de uma "nova onda" que crie novos desígnios e novos actores relembrando aos "surfistas do costume" que o caminho que o Alentejo necessita tem outro rumo. Por tudo isto, apelamos à abertura do PS ao debate e ao encontro de soluções maioritárias, amplas e plurais que permitam corporizar o espírito que Évora denotou ao longo dos tempos, de pluralismo, tolerância, integração, confluência, cruzamento. Espírito que em termos partidários reconhecemos prioritariamente ao Partido Socialista.

José Gazimba Simão - 21233
Agostinho Manuel Asper Banha - 16318
Manuel Dinis P. Cabeça - 42005


coisas da política ou do seu contrário

a acção política (os padrinhos e madrinhas que pretensamente mandam na acção política aqui desta terrinha) anda ocupada em arregimentar espingardas daqui e dali; há madrinhas e padrinhos preocupados em que, do seu lado, estejam mais, pretensamente vencedores, declaradamente yes qualquer coisa (homem ou mulher, jovem ou adulto, não importa); 
a acção política faz-se à distância do povinho, daquele que vota, convencido que com essa sua atitude contribui para a democracia; conheço melhores uns do que outros, mas eles estão nos diferentes partidos, dando conta que o país não mudou lá assim tanto desde finais do século XIX (dezanove); 
são pequenos (e grandes) oligarcas, que, com influência, persistência e muita filha da putice, põem e dispõem a seu belo prazer, trocam pessoas como peças de um qualquer xadrez, condicionam o mercado de trabalho ou, ao contrário, arranjam oportunidades inusitadas para alguns; dão espaço aos que com eles concordam e abanam subservientemente a cabecita, ou, pelo contrário, retiram todo o espaço, procurando remeter ao esquecimento e ao ostracismo aqueles que deles discordam, que os confrontam, que os questionam, directa ou apenas politicamente; 
a política tem sido assim, umas vezes mais insinuante, outras claramente desenvergonhada e óbvia; 
já acreditei poder contribuir para mudar alguma da sacanice, contudo, fui sempre engolido, umas vezes por amigos, outras por conhecidos, outras por aqueles que de mim se aproximavam apenas para serem putas desenvergonhadas; ele há de tudo, com todo o requinte ou sem requinte; e nós, ingénuos, benevolentes e crédulos, pensamos que, afinal, sempre assim foi... até nós deixarmos...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

salvação

anda-se a discutir a governação à revelia do povinho, com o acordo e a concordância de alguns, o desinteresse de muitos e a bonomia de outros tantos - como se fosse coisa menor; 
pela minha aldeia, igrejinha, aparentemente já tá montado o estendal da salvação, não será nacional, certamente, pretensamente local; ou seja, perspectiva-se coligação entre ps e psd local para as próximas autárquicas; 
aproveito a onda e digo que se se formalizar a aliança entre ps, psd e cds, podem registar que ficarei muito contente por não fazer parte deste ramalhate; não me reconheço na coisa e ficarei contente por me deixarem de fora (porque fui empurrado para fora, deixado de lado como peça de fruta madura demais para alguns interesses ou interessados - ainda bem);
já agora não há "chuchialistas" pela igrejinha???? eu sei que não conto, mas há quem conte, ou devesse contar...

regresso

não totalmente farto da distância, porque efectivamente nunca estive muito distante desta coisa, nem sequer cansado de nada dizer nem opinar (ando a atravessar um período de alguma irritação comigo mesmo e com a minha própria cacofonia ou, de acordo com um colega, farto da minha incontinência verbal), regresso devagarinho, quase que de mansinho, a ver se digo alguma coisa, ocupo o tempo, me entretenho;

quinta-feira, 30 de maio de 2013

nas costas dos outros o que de mim oiço

ele há coisas que não deixam de ser engraçadas, ainda que não nos coloquem a rir à gargalhada, e que nos ajudam a crescer, a fortalecer, a ganhar calo;
isto a propósito de na minha escola ter concorrido, ao cargo de director, uma pessoa de fora, uma outsider; fruto desta circunstância certamente que oiço a propósito desta "estranha" aquilo que muitos dirão sobre mim mesmo num outro espaço e contexto, pois também sou um outsider numa candidatura; 
não tenho escrito sobre o processo a que concorri pois sei que tudo o que diga, ou mesmo aquilo que não diga, será utilizado de muitas maneiras - para além de todas aquelas que já ouvi, algumas das quais são mesmo engraçadas - a seu tempo; 
mas ouvir os comentários, quer aqueles que uns consideram como favoráveis quer outros claramente contra, oiço o que de mim dizem e falam; a alguns desses comentários faço o meu comentário, a outros limito-me a ouvir e a tentar perceber os seus sentidos e as suas dimensões;
entre uns e outros há uma coisa que se me afigura deveras interessante, diz respeito à dimensão política (de âmbito pedagógico prioritariamente, mas não só) da coisa à qual todos e quase todos os comentários querem fugir, evitar, salvaguardar mas onde, quase que de forma inevitável, acabam por cair...

terça-feira, 28 de maio de 2013

interesses [talvez] interessantes

terminou na passada 6ª feira o prazo para a apresentação de candidaturas para a direcção da minha escolinha, agora agrupada e agregada; 
sem surpresas aparecem as perspectiváveis, com surpresa aparece uma terceira; 
revelador do interesse daqueles que passaram pela gestão sentem pela coisa, para uns e, para outros, o risco de se poder ganhar para que se criem as pontes entre gregos e troianos, numa justiça algo salomónica;
não concorri, é longe e dirigir uma escola não é tarefa das 9 às 5 em dias mais ou menos úteis...

segunda-feira, 27 de maio de 2013

entre o princípio do fim e o mito do eterno retorno

pela minha escolinha as coisas aproxima-se do finalmente; 
mais um ano virado e fica-se com aquela sensação de dúvida entre o merecido ou o receio de isto andar a passar depressa demais; 
olhamos em frente e ainda falta muito para o que for, olhamos para trás e temos um largo percurso feito, quase sem darmos por isso;
o certo é que os ânimos são disso mesmo, de finalmente, para alunos, que perspectivam exames ou simplesmente a pausa, para docentes que vêem chegado ao fim um ano de trabalho onde muito é para não esquecer, para os pais/encarregados de educação que talvez agora percebam qual o empenho dos descendentes na coisa educativa, apesar do negro do futuro, para os municípios que preparam para mais uma rodada;
chegados ao fim começamos a preparar tudo de novo, é que daqui a pouco há mais... do mesmo..

como o tempo, as alterações do hu/amor

ele havia tanto para que não se escrevesse ou se dissesse nada; 
outros, mais atroantes, dizem e escrevem aquilo que reconheço para mim:
Uma completa desmotivação, uma forma elegante de referir uma invisível greve de zelo, atravessa o Estado e a sociedade, resultado da perda de tónus social que vem do empobrecimento. Funcionários públicos aviltados que quereriam fazer greve, mas sabem que vão ser as "chefias" a decidir quem vai para o Sistema de Requalificação da Administração Pública, nome orwelliano para o despedimento
e ele há por aí tanta coisa digna de se pensar e, melhor ainda, de se escrever; por aí, por onde nós andamos todos os dias e não por aquilo que outros replicam como se de novidade se tratasse; coisas nossas, de nós e sobre nós, que nos dizem directamente respeito, que nos interessam e mexem com a vida de todos os dias; 
sejam eles os silêncios de uns que nada dizem sobre o silêncio dos outros, coisas de nada que ninguém escuta e alguns rotulam de normal, como se a normalidade não fosse ela também construída, um constructo político e social; a nomeação de uns, a indicação de outros, coisas que parecem novas e que são velhas agora que olhamos para trás e percebemos os percursos feitos, o dedilhar das cordas que ainda não percebo se da viola que nos dá música, se do bonecreiro que anima o final do dia; 
ele há por aí tanta coisa que mais vale o silêncio e só há silêncio porque alguém faz barulho...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

mudança

ao fim de oito anos, exactamente oito anos, mudo a máquina de trabalho da secretária; 
obviamente que quando se muda será, quase sempre, para melhor, ou, pelo menos a pensar nisso; contudo há sempre alguns receios em qualquer mudança, de transtornos, de incómodos por se perturbar a zona de conforto do pessoal, por implicar mexidas naquilo a que estamos habituados; mas a máquina velhinha, que me fez companhia ao longo de toda a tese, precisava de reforma e, uma vez que por aqui ainda não existem constrangimentos à idade de reforma, foi reformada; 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

coisas da escola com a cabeça noutro lado

os tempos que correm, na educação, são marcados por aquilo que descrevo como sendo algo parecido com desalento, tristeza, desapego, frieza, desencanto, gorar de expectativas e o findar de alguns, ou muitos, dos sonhos que alimentamos - de uma sociedade mais equilibrada e justa, de um futuro progressivo e atingível, reconhecimento do esforço e do mérito; 
a coisa educativa sempre se pautou pelos afectos, pela partilha; recheada de críticas e de censuras, é verdade; nunca as políticas ou os políticos que vigoraram interessaram a todos, o que será normal, digo eu; todas as políticas foram alvo de críticas no contexto do tempo em que surgiram, desde a autonomia à gestão, passando por avaliação ou currículo, formação ou carreira, fosse o que fosse; 
na generalidade das situações apenas passado algum tempo - a necessária estabilidade e o necessário tempo de degustação - tínhamos e sentíamos condições de avaliar, talvez com alguma objectividade o que tinham sido políticas e opções;
contudo, mais do que em qualquer outro sector da administração pública, fizemos e construímos a democracia, se consolidaram valores e princípios de respeito, tolerância, liberdade e democracia; 
mais que em qualquer outro sector da sociedade portuguesa (talvez a par da saúde), não olhamos de onde se vem, mas qual o empenho para se fazer o caminho; 
hoje sinto o pessoal a duvidar do caminho percorrido e muito particularmente do caminho a percorrer; falta uma visão estratégica que permita compensar o empenho dos afectos que, com o assoberbar do trabalho, se esboroam no quotidiano; crescem as situações difíceis de resolver, não direi disciplinares, mas altera-se o sentido e o sentimento de uma ordem, seja ela qual for, para se cair num caos de discussão, negociação, disputa, confronto; a sala de aula tanto é espaço de aprendizagem de alguns, como de mero entretém de outros, de discussão e crítica para uns como de disputa e negociação para outros, um espaço de aprendizagem, formação e conhecimento como um espaço sem sentido nem utilidade; 
falta bom senso para se pensarem alternativas e se recusar a coisa que nos é apresentada (mais horas, mais alunos, mais turmas, mais objectivos, mais funções, tudo com menos condições) como inevitável e incontornável; pensar em conjunto, sabendo as diferenças, mas cultivando pontes e olhares comuns, que existem, com parceiros e parcerias, com actores e vontades; 
em tempos de globalização, em tempos marcados por culturas e redes globais e colectivas, o professor voltou a balcanizar-se, a isolar-se, a distanciar-se de si e de todos, acantonando-se na sua sala de aula na angustia de como gerir o conflito e a tensão de ter trabalhar para resultados com a escola para todos e que a todos tem de responder; os professores distanciam-se de si mesmos, as culturas profissionais, mesmo que débeis, esbatem-se na saída daqueles que tinham uma memória colectiva, na passagem de muitos que pouco se relacionam com a educação e com a angustia daqueles que por aqui andam sem saber o que o futuro les perspectiva;
no meio de tudo isto, pergunto, que geração estamos nós a formar? qual o papel que neste início de século se pede à escola, aos professores e à educação? o que esperam de nós professores, pais e encarregados de educação? como nos vêem eles a nós e à nossa acção/actuação? que queremos nós ser?

passantes

nem dei pelos passantes, mas há já algum tempo que aqueles que por aqui passam ultrapassaram os 20 mil; é obra;
fico contente, sinto-me algo lisonjeado pela atenção e pela curiosidade; para o bem ou para o que se entenda espero que corresponda, senão às expectativas, pelo menos à curiosidade; 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

o melhor ainda está para vir, não sei o que é, mas será verdade, pois claro

agora é que vai ser
a melodia levantou muita suspeita
mas a saudade ainda está para nascer, ah pois é

memórias do futuro recordando o adamastor

somos quase sempre uma combinação entre o que fomos, a nossa memória, e aquilo ou aqueles com quem estamos, o nosso presente; somos nós e o nosso contexto...
entre memória e presente aliam-se competências, saberes ou, como disse o poeta, conhecimento de experiência feito; recentemente escrevo e defendo, à luz de uma sociologia da acção pública, a aliança entre conhecimento e acção, uma dimensão cognitiva e uma dimensão social; contudo há que saber evitar dicotomias, sentidos estritos e restritos do que somos ou do que queremos ser; os tempos não se compadecem (alguns interesses sim) na disputa entre opostos e aparentemente contrários, como sejam o nacional e o local, o normativo ou o cognitivo, a indução ou o dedutivo, o macro ou o micro, o saber ou o poder; há que os considerar a todos, como se de um retorno a antes da revolução (1789), a antes das luzes e conseguirmos aliar pensamento e acção ir ao encontro, para todos os efeitos, da afirmação popular que não há uma boa teoria sem uma prática, nem prática que não tenha uma boa teoria; 
os tempos que correm, ao nível da escola e da educação, mas não só, precisam que os repensemos,  que sejamos capazes de combinar pensamento e acção, sejamos capazes de ultrapassar modelos e pensamentos fixos, pré-conceitos ou estereótipos sejam eles quais forem, até de nós mesmos que nos pensamos assim e somos assado; precisamos de voltar a pensar a escola e a educação como um todo, evitar compartimentações ou de segmentar o plural, de saber respeitar e integrar diversidades (de interesses, objectivos, de acção, de culturas, de perspectivas), temos que saber re-construir a escola à luz da articulação entre tolerância, técnica e competências, sabermos ser unos na diversidade e diversos na nossa unidade; temos de ter e assumir uma visão estratégica, que ultrapasse interesses mais imediatos, saber assumir as opções, ir em frente, enfrentar, de novo e com outra tenacidade, ventos e marés, adamastores e fantasmas, o desconhecido porque estamos certos das nossas convicções e, apesar de todas as dúvidas, sabermos ir em frente; temos de saber ser políticos, de assumir a dimensão política que a vida tem, isto é, de escolhermos, de irmos em frente, de enfrentar o desconhecido e saber arrepiar caminho, pois também é sinal de inteligência; 
ser diferente não custa o que custa é ser...


sexta-feira, 3 de maio de 2013

coisas do silêncio que ensurdecem

reparo aqui e ali, por onde passo e pelo que escuto, um conjunto de atitudes que me constrangem, enervam e assustam, tudo ao mesmo tempo; 
as atitudes dizem respeito a um silêncio adoptado por opção e não por imposição, um murmúrio de forma a que não nos oiçam, um sussurrar de forma a passarmos despercebidos, uma troca rápida de olhares e um falar em andamento de forma a que não nos vejam; 
ninguém nos manda calar, ninguém nos manda falar mais baixo, ninguém nos controla; assumimos, por que queremos, esse silêncio que mais não é que omissão;
assumimos nós mesmos a forma mais profunda e entranhada do despotismo e de censura, aquela em que calamos sem que nos digam, aquela em que omitimos, sem que nos perguntem; 
entramos, sinto por onde passo e por aquilo que vejo, formas de autocensura que julgava banidas, vejo silêncios que pensava ultrapassados; 
constrange-me, aflige-me este clima de autocensura, forma dérmica de nos corroermos por dentro, de nos amargurarmos e dizermos que está tudo bem, quando não está; brincamos com o inócuo, escrevemos coisas assépticas, bailamos, cantamos e divertimo-nos como se de fingimento se tratassse, enganamo-nos a enganar os outros; 
retomamos a ideia fatídica do destino, como algo inolvidável, inevitável; como se o destino nos definisse e não fossemos nós a definir o destino;
e ninguém nos manda calar, ninguém nos proíbe de nada, somos nós mesmos o produto e o produtor dos nossos fantasmas; 
aparentemente ainda não conseguimos 
abolir a divisão ao par poder-saber/pobreza-ignorância do tempo do salazarismo. Porque na sociedade actual, o medo, a reverência, o respeito temeroso, a passividade perante instituições e os homens supostos deterem e dispensarem o poder-saber não foram ainda quebrados por novas forças de expressão da liberdade. Numa palavra, o Portugal democrático de hoje é ainda uma sociedade de medo. É o medo que impede a crítica. Gil, J. (2005). Portugal Hoje - o medo de existir. Ed. Relógio D'Água. Lisboa. p.40

quinta-feira, 2 de maio de 2013

agregações ou a formalização da idiotice

cá pelo burgo alargado, isto é, esta minha região alentejo, formalizaram-se as agregações, junção de escolas básicas com escolas secundárias; 
de quase todas ficaram de fora teips e autonomias contratualizadas (se bem que estas não sejam exemplo para ninguém, pois existem duas - sec stª isabel e ae portel - e uma delas está sozinha, portel);
aparentemente nada se passou, pelo menos pelo que me consigo aperceber pelos corredores dos mentideros, pela praça da minha cidade ou pelos blogues, não encontro referências, não oiço comentários - certamente porque não terei propcurado ou nos sítios certos ou adequadamente; 
os directores das secundárias (gabriel pereira e andré de gouveia) foram afastados, claro que com a excepção da severim de faria, qual dinossauro da gestão escolar, que mantém o exercício da coisa; por outras cidades quem foi afastado foi o director do agrupamento, noutras foram todos afastados e pronto, não percebo quais os critérios, certamente porque não atinjo a iluminadura de algumas cabecitas;
aparentemente assumem-se as agregações como coisa intransponível, coisa certa, garantida e segura, incontornável, como se de destino se tratasse; nem as aleivosias da delegada escolar são comentadas, tudo se passa como se existisse uma qualquer pide, ou similar, fossemos parvos ou assumíssemos o destino como inevitável; 
será assim mesmo...

alterações e mudanças - para que tudo (ou quase) fique na mesma

alterei a lista de blogues, os que sigo, aqueles que leio, aqueles de quem gosto (pela escrita, pelas ideias, pela corrente, pela temática, and so on);
há quase 10 anos que por aqui ando e que acompanho a escrita dos outros, ajudam-me a pensar, a criar ideias e a formar a opinião, mesmo no meio de muita idiotice que se escreve, mesmo na confusão de uma cacofonia aparentemente caótica; 
tal como com os livros, os blogues que aqui estão ao lado, uns que visito mais que outros, mas pelos quais passo com regular frequência, dizem muito de mim e da minha pessoa; 
boa leituras

quarta-feira, 1 de maio de 2013

apresentação

ando entretido com o PCA, um grupo de percurso curricular alternativo;
o primeiro objectivo tem sido o de apoiar os docentes, em particular a sua coordenadora e uma colega que me solicitou a colaboração para dentro da sala de aula;
vai daí e depois de um longo percurso de investigação, comecei a estudar esta estratégia pedagógica nas suas dimensões curriculares e de formação; esta tanto na perspectiva do aluno enquanto sujeito, quer na perspectiva do docente, enquanto área de trabalho;
tenho estado de volta da coisa desde o primeiro período altura em que referenciei e apresentei uma proposta de trabalho ao I congresso internacional de envolvimento dos alunos na escola; perspectivas da educação e da psicologia, que se realizará em lisboa em julho no instituto de educação
a proposta que apresentei foi aceite e preciso agora de acelerar alguns processos e ver se apresento um texto digno dos alunos e dos docentes com quem tenho trabalhado; 
fiquei contente...

domingo, 28 de abril de 2013

entre o fim e o vazio - a ausência da educação

m. alves coloca no seu cantinho um texto de um outro autor com a qual estou perfeitamente de acordo;
e acrescento mais;
no tempo da democracia, desde que me lembro de dar atenção à coisa educativa, que me lembro de chavões, palavras, apelos, sentidos sentimentos que os políticos responsáveis pela área da educação utilizavam como mote; 
podiam ser vazias, ocas, despidas, podiam significar nada, mas existiam palavras que trocávamos, que ouvíamos, que aplaudíamos ou repudiávamos; 
mas existiam palavras, desde os tempos de sotto mayor cardia, as da gestão democrática, passando por r. carneiro, da autonomia ou de projecto educativo, das de f. leite relativamente à inclusão das crianças com necessidades educativas, as de m. grilo relativamente ao pré-escolar ou ao novo modelo de gestão, às de l. rodrigues, da escola a tempo inteiro; 
essas ou outras, muitas outras, eram palavras que davam aos profissionais da educação algum sentido, ânimo mesmo para discutir os sentidos que a educação ia ganhando com o tempo, com os modos e com as modas; 
hoje não temos nada, o vazio de palavras e de sentidos, a ausência de qualquer som que nos pudesse orientar; 

sábado, 27 de abril de 2013

seja bem vindo quem vier por bem

este meu cantinho, de escritas e divagações, ganhou alento mediante a publicitação da coisa via o meu mural  do facebook; 
rapidamente ultrapassou as 100 visitas diárias, coisa que em média costuma andar pelas 30/40; o contador de passantes ganhou dinâmica e da serenidade alentejana esta minha aldeia, até parece acelerado pela curiosidade passante; 
afinal, o pessoal escreve, aqui ou em qualquer outro lado, para ser lido, para dar a conhecer ideias e crenças, valores e meros pontos de vista; 
cá vou, cá me entretenho entre dizeres e adizeres, comentários e opiniões; 
como diria o poeta, traz outro amigo... pois é bem vindo quem vier por bem

sexta-feira, 26 de abril de 2013

a ordem do caos

ando a ler r. iturra, "o caos da criança";
preciso de algumas referências no âmbito da antropologia da educação, em concreto na área da etnometodologia, que me permita orientar no processo de análise do pca em que ando enredado; 
estou a gostar imenso da leitura, entre o ensaio e a empíria; 
percebo melhor como pode a educação hoje e em particular a sala de aula, ser um processo de atribuição de alguma ordem no caos contemporâneo, de atribuir alguma significação aos nossos quotidianos, de como tirar proveito das heterogeneidades e das diferenças; 

do dito que é dito e o que fica por dizer

registo nos comentários que oiço e que me fazem chegar que uma das críticas à minha pessoa no concurso a director do ae de arraiolos é, para além daquelas já habituais de quem não me conhece, eu estar ligado ao ps; 
e não dizes nada, pá, é importante que te demarques dessas ideias...
são os comentários ao meu silêncio; 
fico em silêncio pois fizeram-me o favor de me deixar viver em liberdade e democracia, fez ontem precisamente 39 anos; de a existência de partidos políticos e o livre associativismo ser uma das conquistas dessa liberdade e da democracia; que quem tem medo tem cães e eu, de momento, não tenho nenhum; 
por outro lado, quem faz afirmações desta não faz grande ideia do que é ser professor, do que é ensinar; desde sempre, desde os tempos da grécia clássica que ensinar é um acto profundamente político, enraizado em ideias e valores, crenças e modelos; 
ou então esqueceram-se porque certamente em tempos terão pelo menos ouvido falar de m. aple, educação e poder;

quinta-feira, 25 de abril de 2013

onde estava no 25 de abril

na altura tinha 10 anos e terminava aquela que era há altura, a escola primária; 
para mim, na ingenuidade do que pode conter a infância, não deixou de ser um ano normal; fiz os exames finais, para os quais fui todo vestidinho a rigor, inscrevi-me na nova escola, o então ciclo preparatório; 
o dia 25 de abril não deixou de ser algo diferente; primeiro porque não fui à escola; quando acordei lembro-me de sentir algum alvoroço que não era hábito àquela hora da manhã; os meus pais numa qualquer lufa lufa de dúvida, alguma ansiedade; de madrugada bem cedo, tinha ido lá a casa, bater à porta e pedir se o meu pai podia ir à loja e dispensar àquele militar alguma fita para isolar as zonas de intervenção; daí os meus pais saberem o que se estava a passar; 
como não fui à escola, mas os meus pais foram trabalhar, como se de um dia normal se tratasse, andei em cirandas e bolandas entre o largo de aviz e o largo de s. domingos onde era então o quartel general; no meio da correria passava pela praça de giraldo e pelas ruas e ruelas por entre a canalha se escoa como arei por entre os dedos; 
sinceramente não sabia o que se passava, mas gritava e esbracejava como todos os outros adultos que via pelas ruas; lembro-me de andar numa roda viva sem perceber a alegria daquele dia, mas partilhava como se fosse minha, mais não fosse porque tinha faltado à escola;

vontades

descobri apenas hoje e porque me foi solicitado o projecto de intervenção em suporte digital, que há 4 candidatos à gestão do agrupamento de arraiolos; 
sinal que afinal as coisas ainda não estão assim tão más que afaste plena e totalmente as pessoas; afinal e apesar dos ditos que se dizem, a gestão ainda atrai gente;
fico a aguardar desenvolvimentos

abril - sempre


terça-feira, 23 de abril de 2013