quinta-feira, 30 de maio de 2013

nas costas dos outros o que de mim oiço

ele há coisas que não deixam de ser engraçadas, ainda que não nos coloquem a rir à gargalhada, e que nos ajudam a crescer, a fortalecer, a ganhar calo;
isto a propósito de na minha escola ter concorrido, ao cargo de director, uma pessoa de fora, uma outsider; fruto desta circunstância certamente que oiço a propósito desta "estranha" aquilo que muitos dirão sobre mim mesmo num outro espaço e contexto, pois também sou um outsider numa candidatura; 
não tenho escrito sobre o processo a que concorri pois sei que tudo o que diga, ou mesmo aquilo que não diga, será utilizado de muitas maneiras - para além de todas aquelas que já ouvi, algumas das quais são mesmo engraçadas - a seu tempo; 
mas ouvir os comentários, quer aqueles que uns consideram como favoráveis quer outros claramente contra, oiço o que de mim dizem e falam; a alguns desses comentários faço o meu comentário, a outros limito-me a ouvir e a tentar perceber os seus sentidos e as suas dimensões;
entre uns e outros há uma coisa que se me afigura deveras interessante, diz respeito à dimensão política (de âmbito pedagógico prioritariamente, mas não só) da coisa à qual todos e quase todos os comentários querem fugir, evitar, salvaguardar mas onde, quase que de forma inevitável, acabam por cair...

terça-feira, 28 de maio de 2013

interesses [talvez] interessantes

terminou na passada 6ª feira o prazo para a apresentação de candidaturas para a direcção da minha escolinha, agora agrupada e agregada; 
sem surpresas aparecem as perspectiváveis, com surpresa aparece uma terceira; 
revelador do interesse daqueles que passaram pela gestão sentem pela coisa, para uns e, para outros, o risco de se poder ganhar para que se criem as pontes entre gregos e troianos, numa justiça algo salomónica;
não concorri, é longe e dirigir uma escola não é tarefa das 9 às 5 em dias mais ou menos úteis...

segunda-feira, 27 de maio de 2013

entre o princípio do fim e o mito do eterno retorno

pela minha escolinha as coisas aproxima-se do finalmente; 
mais um ano virado e fica-se com aquela sensação de dúvida entre o merecido ou o receio de isto andar a passar depressa demais; 
olhamos em frente e ainda falta muito para o que for, olhamos para trás e temos um largo percurso feito, quase sem darmos por isso;
o certo é que os ânimos são disso mesmo, de finalmente, para alunos, que perspectivam exames ou simplesmente a pausa, para docentes que vêem chegado ao fim um ano de trabalho onde muito é para não esquecer, para os pais/encarregados de educação que talvez agora percebam qual o empenho dos descendentes na coisa educativa, apesar do negro do futuro, para os municípios que preparam para mais uma rodada;
chegados ao fim começamos a preparar tudo de novo, é que daqui a pouco há mais... do mesmo..

como o tempo, as alterações do hu/amor

ele havia tanto para que não se escrevesse ou se dissesse nada; 
outros, mais atroantes, dizem e escrevem aquilo que reconheço para mim:
Uma completa desmotivação, uma forma elegante de referir uma invisível greve de zelo, atravessa o Estado e a sociedade, resultado da perda de tónus social que vem do empobrecimento. Funcionários públicos aviltados que quereriam fazer greve, mas sabem que vão ser as "chefias" a decidir quem vai para o Sistema de Requalificação da Administração Pública, nome orwelliano para o despedimento
e ele há por aí tanta coisa digna de se pensar e, melhor ainda, de se escrever; por aí, por onde nós andamos todos os dias e não por aquilo que outros replicam como se de novidade se tratasse; coisas nossas, de nós e sobre nós, que nos dizem directamente respeito, que nos interessam e mexem com a vida de todos os dias; 
sejam eles os silêncios de uns que nada dizem sobre o silêncio dos outros, coisas de nada que ninguém escuta e alguns rotulam de normal, como se a normalidade não fosse ela também construída, um constructo político e social; a nomeação de uns, a indicação de outros, coisas que parecem novas e que são velhas agora que olhamos para trás e percebemos os percursos feitos, o dedilhar das cordas que ainda não percebo se da viola que nos dá música, se do bonecreiro que anima o final do dia; 
ele há por aí tanta coisa que mais vale o silêncio e só há silêncio porque alguém faz barulho...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

mudança

ao fim de oito anos, exactamente oito anos, mudo a máquina de trabalho da secretária; 
obviamente que quando se muda será, quase sempre, para melhor, ou, pelo menos a pensar nisso; contudo há sempre alguns receios em qualquer mudança, de transtornos, de incómodos por se perturbar a zona de conforto do pessoal, por implicar mexidas naquilo a que estamos habituados; mas a máquina velhinha, que me fez companhia ao longo de toda a tese, precisava de reforma e, uma vez que por aqui ainda não existem constrangimentos à idade de reforma, foi reformada; 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

coisas da escola com a cabeça noutro lado

os tempos que correm, na educação, são marcados por aquilo que descrevo como sendo algo parecido com desalento, tristeza, desapego, frieza, desencanto, gorar de expectativas e o findar de alguns, ou muitos, dos sonhos que alimentamos - de uma sociedade mais equilibrada e justa, de um futuro progressivo e atingível, reconhecimento do esforço e do mérito; 
a coisa educativa sempre se pautou pelos afectos, pela partilha; recheada de críticas e de censuras, é verdade; nunca as políticas ou os políticos que vigoraram interessaram a todos, o que será normal, digo eu; todas as políticas foram alvo de críticas no contexto do tempo em que surgiram, desde a autonomia à gestão, passando por avaliação ou currículo, formação ou carreira, fosse o que fosse; 
na generalidade das situações apenas passado algum tempo - a necessária estabilidade e o necessário tempo de degustação - tínhamos e sentíamos condições de avaliar, talvez com alguma objectividade o que tinham sido políticas e opções;
contudo, mais do que em qualquer outro sector da administração pública, fizemos e construímos a democracia, se consolidaram valores e princípios de respeito, tolerância, liberdade e democracia; 
mais que em qualquer outro sector da sociedade portuguesa (talvez a par da saúde), não olhamos de onde se vem, mas qual o empenho para se fazer o caminho; 
hoje sinto o pessoal a duvidar do caminho percorrido e muito particularmente do caminho a percorrer; falta uma visão estratégica que permita compensar o empenho dos afectos que, com o assoberbar do trabalho, se esboroam no quotidiano; crescem as situações difíceis de resolver, não direi disciplinares, mas altera-se o sentido e o sentimento de uma ordem, seja ela qual for, para se cair num caos de discussão, negociação, disputa, confronto; a sala de aula tanto é espaço de aprendizagem de alguns, como de mero entretém de outros, de discussão e crítica para uns como de disputa e negociação para outros, um espaço de aprendizagem, formação e conhecimento como um espaço sem sentido nem utilidade; 
falta bom senso para se pensarem alternativas e se recusar a coisa que nos é apresentada (mais horas, mais alunos, mais turmas, mais objectivos, mais funções, tudo com menos condições) como inevitável e incontornável; pensar em conjunto, sabendo as diferenças, mas cultivando pontes e olhares comuns, que existem, com parceiros e parcerias, com actores e vontades; 
em tempos de globalização, em tempos marcados por culturas e redes globais e colectivas, o professor voltou a balcanizar-se, a isolar-se, a distanciar-se de si e de todos, acantonando-se na sua sala de aula na angustia de como gerir o conflito e a tensão de ter trabalhar para resultados com a escola para todos e que a todos tem de responder; os professores distanciam-se de si mesmos, as culturas profissionais, mesmo que débeis, esbatem-se na saída daqueles que tinham uma memória colectiva, na passagem de muitos que pouco se relacionam com a educação e com a angustia daqueles que por aqui andam sem saber o que o futuro les perspectiva;
no meio de tudo isto, pergunto, que geração estamos nós a formar? qual o papel que neste início de século se pede à escola, aos professores e à educação? o que esperam de nós professores, pais e encarregados de educação? como nos vêem eles a nós e à nossa acção/actuação? que queremos nós ser?

passantes

nem dei pelos passantes, mas há já algum tempo que aqueles que por aqui passam ultrapassaram os 20 mil; é obra;
fico contente, sinto-me algo lisonjeado pela atenção e pela curiosidade; para o bem ou para o que se entenda espero que corresponda, senão às expectativas, pelo menos à curiosidade; 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

o melhor ainda está para vir, não sei o que é, mas será verdade, pois claro

agora é que vai ser
a melodia levantou muita suspeita
mas a saudade ainda está para nascer, ah pois é

memórias do futuro recordando o adamastor

somos quase sempre uma combinação entre o que fomos, a nossa memória, e aquilo ou aqueles com quem estamos, o nosso presente; somos nós e o nosso contexto...
entre memória e presente aliam-se competências, saberes ou, como disse o poeta, conhecimento de experiência feito; recentemente escrevo e defendo, à luz de uma sociologia da acção pública, a aliança entre conhecimento e acção, uma dimensão cognitiva e uma dimensão social; contudo há que saber evitar dicotomias, sentidos estritos e restritos do que somos ou do que queremos ser; os tempos não se compadecem (alguns interesses sim) na disputa entre opostos e aparentemente contrários, como sejam o nacional e o local, o normativo ou o cognitivo, a indução ou o dedutivo, o macro ou o micro, o saber ou o poder; há que os considerar a todos, como se de um retorno a antes da revolução (1789), a antes das luzes e conseguirmos aliar pensamento e acção ir ao encontro, para todos os efeitos, da afirmação popular que não há uma boa teoria sem uma prática, nem prática que não tenha uma boa teoria; 
os tempos que correm, ao nível da escola e da educação, mas não só, precisam que os repensemos,  que sejamos capazes de combinar pensamento e acção, sejamos capazes de ultrapassar modelos e pensamentos fixos, pré-conceitos ou estereótipos sejam eles quais forem, até de nós mesmos que nos pensamos assim e somos assado; precisamos de voltar a pensar a escola e a educação como um todo, evitar compartimentações ou de segmentar o plural, de saber respeitar e integrar diversidades (de interesses, objectivos, de acção, de culturas, de perspectivas), temos que saber re-construir a escola à luz da articulação entre tolerância, técnica e competências, sabermos ser unos na diversidade e diversos na nossa unidade; temos de ter e assumir uma visão estratégica, que ultrapasse interesses mais imediatos, saber assumir as opções, ir em frente, enfrentar, de novo e com outra tenacidade, ventos e marés, adamastores e fantasmas, o desconhecido porque estamos certos das nossas convicções e, apesar de todas as dúvidas, sabermos ir em frente; temos de saber ser políticos, de assumir a dimensão política que a vida tem, isto é, de escolhermos, de irmos em frente, de enfrentar o desconhecido e saber arrepiar caminho, pois também é sinal de inteligência; 
ser diferente não custa o que custa é ser...


sexta-feira, 3 de maio de 2013

coisas do silêncio que ensurdecem

reparo aqui e ali, por onde passo e pelo que escuto, um conjunto de atitudes que me constrangem, enervam e assustam, tudo ao mesmo tempo; 
as atitudes dizem respeito a um silêncio adoptado por opção e não por imposição, um murmúrio de forma a que não nos oiçam, um sussurrar de forma a passarmos despercebidos, uma troca rápida de olhares e um falar em andamento de forma a que não nos vejam; 
ninguém nos manda calar, ninguém nos manda falar mais baixo, ninguém nos controla; assumimos, por que queremos, esse silêncio que mais não é que omissão;
assumimos nós mesmos a forma mais profunda e entranhada do despotismo e de censura, aquela em que calamos sem que nos digam, aquela em que omitimos, sem que nos perguntem; 
entramos, sinto por onde passo e por aquilo que vejo, formas de autocensura que julgava banidas, vejo silêncios que pensava ultrapassados; 
constrange-me, aflige-me este clima de autocensura, forma dérmica de nos corroermos por dentro, de nos amargurarmos e dizermos que está tudo bem, quando não está; brincamos com o inócuo, escrevemos coisas assépticas, bailamos, cantamos e divertimo-nos como se de fingimento se tratassse, enganamo-nos a enganar os outros; 
retomamos a ideia fatídica do destino, como algo inolvidável, inevitável; como se o destino nos definisse e não fossemos nós a definir o destino;
e ninguém nos manda calar, ninguém nos proíbe de nada, somos nós mesmos o produto e o produtor dos nossos fantasmas; 
aparentemente ainda não conseguimos 
abolir a divisão ao par poder-saber/pobreza-ignorância do tempo do salazarismo. Porque na sociedade actual, o medo, a reverência, o respeito temeroso, a passividade perante instituições e os homens supostos deterem e dispensarem o poder-saber não foram ainda quebrados por novas forças de expressão da liberdade. Numa palavra, o Portugal democrático de hoje é ainda uma sociedade de medo. É o medo que impede a crítica. Gil, J. (2005). Portugal Hoje - o medo de existir. Ed. Relógio D'Água. Lisboa. p.40

quinta-feira, 2 de maio de 2013

agregações ou a formalização da idiotice

cá pelo burgo alargado, isto é, esta minha região alentejo, formalizaram-se as agregações, junção de escolas básicas com escolas secundárias; 
de quase todas ficaram de fora teips e autonomias contratualizadas (se bem que estas não sejam exemplo para ninguém, pois existem duas - sec stª isabel e ae portel - e uma delas está sozinha, portel);
aparentemente nada se passou, pelo menos pelo que me consigo aperceber pelos corredores dos mentideros, pela praça da minha cidade ou pelos blogues, não encontro referências, não oiço comentários - certamente porque não terei propcurado ou nos sítios certos ou adequadamente; 
os directores das secundárias (gabriel pereira e andré de gouveia) foram afastados, claro que com a excepção da severim de faria, qual dinossauro da gestão escolar, que mantém o exercício da coisa; por outras cidades quem foi afastado foi o director do agrupamento, noutras foram todos afastados e pronto, não percebo quais os critérios, certamente porque não atinjo a iluminadura de algumas cabecitas;
aparentemente assumem-se as agregações como coisa intransponível, coisa certa, garantida e segura, incontornável, como se de destino se tratasse; nem as aleivosias da delegada escolar são comentadas, tudo se passa como se existisse uma qualquer pide, ou similar, fossemos parvos ou assumíssemos o destino como inevitável; 
será assim mesmo...

alterações e mudanças - para que tudo (ou quase) fique na mesma

alterei a lista de blogues, os que sigo, aqueles que leio, aqueles de quem gosto (pela escrita, pelas ideias, pela corrente, pela temática, and so on);
há quase 10 anos que por aqui ando e que acompanho a escrita dos outros, ajudam-me a pensar, a criar ideias e a formar a opinião, mesmo no meio de muita idiotice que se escreve, mesmo na confusão de uma cacofonia aparentemente caótica; 
tal como com os livros, os blogues que aqui estão ao lado, uns que visito mais que outros, mas pelos quais passo com regular frequência, dizem muito de mim e da minha pessoa; 
boa leituras

quarta-feira, 1 de maio de 2013

apresentação

ando entretido com o PCA, um grupo de percurso curricular alternativo;
o primeiro objectivo tem sido o de apoiar os docentes, em particular a sua coordenadora e uma colega que me solicitou a colaboração para dentro da sala de aula;
vai daí e depois de um longo percurso de investigação, comecei a estudar esta estratégia pedagógica nas suas dimensões curriculares e de formação; esta tanto na perspectiva do aluno enquanto sujeito, quer na perspectiva do docente, enquanto área de trabalho;
tenho estado de volta da coisa desde o primeiro período altura em que referenciei e apresentei uma proposta de trabalho ao I congresso internacional de envolvimento dos alunos na escola; perspectivas da educação e da psicologia, que se realizará em lisboa em julho no instituto de educação
a proposta que apresentei foi aceite e preciso agora de acelerar alguns processos e ver se apresento um texto digno dos alunos e dos docentes com quem tenho trabalhado; 
fiquei contente...

domingo, 28 de abril de 2013

entre o fim e o vazio - a ausência da educação

m. alves coloca no seu cantinho um texto de um outro autor com a qual estou perfeitamente de acordo;
e acrescento mais;
no tempo da democracia, desde que me lembro de dar atenção à coisa educativa, que me lembro de chavões, palavras, apelos, sentidos sentimentos que os políticos responsáveis pela área da educação utilizavam como mote; 
podiam ser vazias, ocas, despidas, podiam significar nada, mas existiam palavras que trocávamos, que ouvíamos, que aplaudíamos ou repudiávamos; 
mas existiam palavras, desde os tempos de sotto mayor cardia, as da gestão democrática, passando por r. carneiro, da autonomia ou de projecto educativo, das de f. leite relativamente à inclusão das crianças com necessidades educativas, as de m. grilo relativamente ao pré-escolar ou ao novo modelo de gestão, às de l. rodrigues, da escola a tempo inteiro; 
essas ou outras, muitas outras, eram palavras que davam aos profissionais da educação algum sentido, ânimo mesmo para discutir os sentidos que a educação ia ganhando com o tempo, com os modos e com as modas; 
hoje não temos nada, o vazio de palavras e de sentidos, a ausência de qualquer som que nos pudesse orientar; 

sábado, 27 de abril de 2013

seja bem vindo quem vier por bem

este meu cantinho, de escritas e divagações, ganhou alento mediante a publicitação da coisa via o meu mural  do facebook; 
rapidamente ultrapassou as 100 visitas diárias, coisa que em média costuma andar pelas 30/40; o contador de passantes ganhou dinâmica e da serenidade alentejana esta minha aldeia, até parece acelerado pela curiosidade passante; 
afinal, o pessoal escreve, aqui ou em qualquer outro lado, para ser lido, para dar a conhecer ideias e crenças, valores e meros pontos de vista; 
cá vou, cá me entretenho entre dizeres e adizeres, comentários e opiniões; 
como diria o poeta, traz outro amigo... pois é bem vindo quem vier por bem

sexta-feira, 26 de abril de 2013

a ordem do caos

ando a ler r. iturra, "o caos da criança";
preciso de algumas referências no âmbito da antropologia da educação, em concreto na área da etnometodologia, que me permita orientar no processo de análise do pca em que ando enredado; 
estou a gostar imenso da leitura, entre o ensaio e a empíria; 
percebo melhor como pode a educação hoje e em particular a sala de aula, ser um processo de atribuição de alguma ordem no caos contemporâneo, de atribuir alguma significação aos nossos quotidianos, de como tirar proveito das heterogeneidades e das diferenças; 

do dito que é dito e o que fica por dizer

registo nos comentários que oiço e que me fazem chegar que uma das críticas à minha pessoa no concurso a director do ae de arraiolos é, para além daquelas já habituais de quem não me conhece, eu estar ligado ao ps; 
e não dizes nada, pá, é importante que te demarques dessas ideias...
são os comentários ao meu silêncio; 
fico em silêncio pois fizeram-me o favor de me deixar viver em liberdade e democracia, fez ontem precisamente 39 anos; de a existência de partidos políticos e o livre associativismo ser uma das conquistas dessa liberdade e da democracia; que quem tem medo tem cães e eu, de momento, não tenho nenhum; 
por outro lado, quem faz afirmações desta não faz grande ideia do que é ser professor, do que é ensinar; desde sempre, desde os tempos da grécia clássica que ensinar é um acto profundamente político, enraizado em ideias e valores, crenças e modelos; 
ou então esqueceram-se porque certamente em tempos terão pelo menos ouvido falar de m. aple, educação e poder;

quinta-feira, 25 de abril de 2013

onde estava no 25 de abril

na altura tinha 10 anos e terminava aquela que era há altura, a escola primária; 
para mim, na ingenuidade do que pode conter a infância, não deixou de ser um ano normal; fiz os exames finais, para os quais fui todo vestidinho a rigor, inscrevi-me na nova escola, o então ciclo preparatório; 
o dia 25 de abril não deixou de ser algo diferente; primeiro porque não fui à escola; quando acordei lembro-me de sentir algum alvoroço que não era hábito àquela hora da manhã; os meus pais numa qualquer lufa lufa de dúvida, alguma ansiedade; de madrugada bem cedo, tinha ido lá a casa, bater à porta e pedir se o meu pai podia ir à loja e dispensar àquele militar alguma fita para isolar as zonas de intervenção; daí os meus pais saberem o que se estava a passar; 
como não fui à escola, mas os meus pais foram trabalhar, como se de um dia normal se tratasse, andei em cirandas e bolandas entre o largo de aviz e o largo de s. domingos onde era então o quartel general; no meio da correria passava pela praça de giraldo e pelas ruas e ruelas por entre a canalha se escoa como arei por entre os dedos; 
sinceramente não sabia o que se passava, mas gritava e esbracejava como todos os outros adultos que via pelas ruas; lembro-me de andar numa roda viva sem perceber a alegria daquele dia, mas partilhava como se fosse minha, mais não fosse porque tinha faltado à escola;

vontades

descobri apenas hoje e porque me foi solicitado o projecto de intervenção em suporte digital, que há 4 candidatos à gestão do agrupamento de arraiolos; 
sinal que afinal as coisas ainda não estão assim tão más que afaste plena e totalmente as pessoas; afinal e apesar dos ditos que se dizem, a gestão ainda atrai gente;
fico a aguardar desenvolvimentos

abril - sempre


terça-feira, 23 de abril de 2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

antes de o ser já o era

dizem-me que para director/a de arraiolos há já nome e dono/a?
que, independentemente daquilo que apresento, currículo e projecto de intervenção, a coisa está decidida; afinal a delegada escolar não me quer em lado nenhum, os meus, longe da porta, os outros dizem que sou assim e assado, isto e aquilo, como se de papão se tratasse;
talvez as pessoas, antes de decidirem, resolvam falar com outros, com colegas, de viana do alentejo, de vendas novas, por exemplo, de mora, por exemplo, com funcionários, auxiliares e técnicos, ouvir antes de formularem uma ideia pré-concebida; 
é verdade que já acreditei na honestidade das pessoas, na justeza dos actos administrativos, na transparência de processos; 
a vida e as situações mostram-me que nem a água é transparente, e que verdade e justiça são coisas que ... enfim...
mas que fiquem descansados, não impugnarei nada, não injuriarei o que quer que seja; afinal não preciso nem de emprego nem de trabalho... e há quem precise efectivamente...

domingo, 14 de abril de 2013

dizeres que serão ditos

na passada 4ª feira entreguei a documentação relativa ao procedimento concursal para o agrupamento de escolas de arraiolos;
fico agora à espera dos próximos desenvolvimentos; sem qualquer tipo de expectativa, por saber que já fiz o que tinha a fazer, por saber que irão surgir bocas, comentários e observações - alguns dos quais certamente correctos - relativamente à minha pessoa; 
depois dos prazos terminados ele será aqui colocado...

terça-feira, 2 de abril de 2013

coisa séria a brincar

por duas semanas, mais coisa menos coisa, regresso à sala de aula; 
gosto de ali estar, trocar ideias, ajudar o pessoal, aprender com olhos iluminados pela dúvida e pela incerteza de quem se apresenta; 
obviamente que duas semanas não dão para tapar buracos mas, perante os tempos, aproveita-se a oportunidade e vá de trabalhar de maneira diferente; 
desta vez são turmas de 8º e de 10º, já só me falta este ano, para cumprir o sistema regular, o 7º e o 12º de resto já os percorri;
hoje, primeira sessão, definição da estratégia, apresentação das regras de trabalho e dos critérios de avaliação; prazo de trabalho, duas semanas...

quinta-feira, 28 de março de 2013

currículo vocacional

enquanto me entretenho a ler e a trabalhar sobre currículo alternativo, a partir do decreto-lei 6/2001, revisito um outro diploma, já deste governo, referente ao dito ensino vocacional;
o que nele encontro mais não é que uma proposta da tutela de ou para a flexibilização curricular que, se pode ser bem entendido pode ser mal praticado; 
os professores têm receio de fugir ao manual, à pretensa segurança e conforto da garantia do programa; a gestão não tem ideias para organizar a escola de outra forma ou de outro modo que não passe pela industrialização do grupo/turma sequencial; se caírem, como já aqui referi à altura, no aproveitamento das franjas criando uma diferenciação sectária, então perde-se uma oportunidade de as escolas serem espaço de acção e não já de reacção; 
tenho é dúvidas que consigam fugir aos argumentos da segurança e da funcionalização...

quarta-feira, 27 de março de 2013

projecto de intervenção

projectos de intervenção para escolas e agrupamentos é coisa que não falta por esta internet fora; 
faltam, isso sim, ideias de escola que incorporem e articulem pessoas e números, lógicas pedagógicas e lógicas administrativas; 
reconheço que não é fácil pensar e menos ainda escrever de forma mais ou menos clara uma ideia de escola que cruze as diferentes dimensões, a administrativa, que vai da acção social escolar ao processo de avaliação dos assistentes técnicos e administrativos, passando pela gestão financeira, pedagógica onde se cruza a sala de aula com ofertas complementares de educação e projectos pedagógicos, resultados escolares e participação social, ou e finalmente, funcional, onde se identifiquem elementos que reforcem ou promovam o simples funcionamento de uma escola sem ser autofágico, ou seja, que não olhe ao umbigo em detrimento de tudo o mais; 
pois é, para que saiba eu tento cozinhar um projecto de intervenção, mais cedo do que pensava, mas é mesmo a única alternativa em me aproximar de casa, pois estou afastado mas não o suficiente para recair em eventuais bonificações;
se não for aceite, sem problema, não reclamarei...

tacanho

as visões sobre o papel dos professores e da escola que nos vem da cinco de outubro é manifestamente tacanho; seja deste ou de outros governos e ministros que antecederam o actual;
não discuto se há professores a mais ou escola a menos, se recursos em excessos ou escassez de alunos, o que discuto é mesmo a visão tacanha da escola em que uns impõem e determinam o que outros devem fazer e como fazer, garantindo, independentemente do partido que gere a educação, a centralização, a mão na coisa, não vá ela descambar;
tenho sérias dúvidas que descambase, mas enfim...
não poderiam docentes que, colocados na escola, podem estar sem componente lectiva, assegurar trabalho na área dos apoios, na organização de projectos entre a escola e o meio, na estruturação e organização de ofertas complementares, em estratégias de informação e comunicação, no apoio a directores de turma ou a turmas? poder poderiam, mas ninguém os quer, nem os directores, que coitados não têm visão para tanto, nem o ministro em que reduzir e cortar são palavras de ordem...

(re)começo pelo lado menos bom

é verdade, digo que estou curioso por aquilo que poderá não ser dito na entrevista de josé sócrates, qual filósofo que aponta a luz no meio das trevas de uma primavera que tarda em nos dar a ilusão da claridade;
não tenho dúvidas que a fronteira entre bestial e besta desta figura é muito, muito ténue e que muitos irão dizer e falar apenas para não ouvir o que a figura terá para dizer...
é diferente, uma situação manifestamente diferente esta de termos um ex-primeiro-ministro que dá entrevistas; antes, com soares ou cavaco, assim não aconteceu, um e outro remeteram-se a estratégicos silêncios que os levaram, a um e a outro, a belém e à presidência da república; os demais foram para partes incertas com a certeza da sua tranquilidade conquistada longe de portas; 
hoje como será? mais do que hoje gostarei e apreciarei os impactos da coisa nos dias que se seguirão, para um lado, da actual posição e confortável maioria, e do outro, da presente oposição, nomeadamente do meu ps...

terça-feira, 19 de março de 2013

pensamento estratégico

no final do século passado houve um período que se anunciou a saída do actor, saída do palco da acção condicionado que estava pelas estruturas; posteriormente foi anunciado o seu regresso, como elemento fundamental e estratégico da acção organizacional;
durante longo tempo a sociologia assumiu, em diferentes contextos e sob diferentes perspectivas, o papel estratégico dos actores, na definição de objectivos, no seu pensamento estratégico, na definição da sua acção, na gestão tanto de objectivos como de interesses; 
há medida que observo o contexto educativo, isto é, as escolas, vou-me apercebendo da ausência dessa dimensão estratégica (não pretendo generalizações, sempre redutoras quanto abusivas, restrinjo-me aos contextos por onde ando e estudo, como em tudo, há excepções)
raramente se nota um pensamento estratégico, um pensamento que consiga ir além da ponta do nariz de quem o pensou; a gestão, habitualmente, anda preocupada com as moengas do dia a dia, os constragimentos do momento ditados que são pela inúmera papelada ou plataformas a preencher; as estruturas intermédias ocupadas em não fazerem nada mas darem sempre a ideia que andam muito ocupadas e atarefadas com coisas importantes que poucos conhecem e ninguém valoriza, a não ser os próprios; os docentes sempre atarefados com as suas aulas, as situações de indisciplina, os testes, as reuniões sempre parvas, tardias e desnecessárias; 
em termos de reuniões é um vazio quase que constrangedor; a economia de uma reunião é despendida entre informações que facilmente circulariam por caixas de correio electrónico (diga-se que não são tão generalizadas quanto se possa pensar, pelo menos na consulta e gestão), situações pontuais ou casuísticas que não matam mas moem e desgastam, consomem tempo e recursos, análises que podiam e deviam ser feitas noutros contextos mas que, por questões de protagonismo ou simples ineficácia são levadas a um colectivo que se questiona sobre a sua importância ou pertinência; 
o que resta? o dia a dia, a reacção em detrimento da acção, a resposta em vez da pergunta, a conformidade em vez da criação, a justiça em vez de se ser justo; marca-se passo...

"piquinino"


O miguel, talvez regressado, deixa uma boa repescagem de uma entrada sua; 
como não consigo deixar ali comentários, faço-o pelo meu cantinho;
há já algum tempo que defendo que as semelhanças do portugal contemporâneo com o portugal da segunda metade do século xix se deve a uma única razão: portugal não mudou; mudamos, é certo, roupa e tecnologias, gadjets e modismos, algumas terminologia, mas o essencial - mesquinhez, egoísmo, sobranceria, estupidez, falta de formação - está lá como no século xix;
agora também considero que a prosa do miguel, para além das características que sempre a marcaram, enforma de uma coisa, é demasiadamente rebuscada para a realidade, esta, a realidade escolar, é mais comezinha, mais "piquinina", mais rudimentar; o pensamento estratégico está, o mais das vezes, completamente afastado das tricas e baldrocas da sala de professores, o que impera é mesmo a mesquinhez e a estupidez embrulhada em feitios mais ou menos hipócritas, muito embutidos na ignorância de alguns licenciados; 

segunda-feira, 18 de março de 2013

da falta de formação à rigidez da "gramática escolar"

acompanho um processo de implementação de um percurso curricular alternativo (PCA); 
estou interessado, essencialmente, em perceber como as teorias e as práticas pedagógicas produzem pessoas ou, mais adequadamente, se lida com a diferença, com as franjas educativas; 
apercebo-me de:
  • das dimensões doméstica e familiar da relação pedagógica - os professores querem ser bem vistos pelos seus alunos, têm um trato afável, afectivo, direi familiar, quase que maternalista; [péssimo no contexto de um PCA];
  • há quem assuma que não foi "formatado" para aquilo, como se alguém tivesse sido formatado para alguma coisa -evidencia-se, por palavras próprias, a necessidade de formação docente, que não se fique pelo corte e costura, mas ajude os docentes a pensar;
  • a pensar, pois o professor vê-se e retrata-se, em grande parte dos casos, como um executante, alguém que implementa ordens, dá consequências a decisões tomadas por outros - daí (re)quererem-se, muitas vezes, soluções à medidas, milagres profiláticos da acção de sala de aula, a uniformização excludente, a redução do número de alunos por turma, o controlo possível das variáveis;
  • entre falta de formação e a execução o docente tem, no caso, manifestas dificuldades de gerir, lidar e organizar a imprevisibilidade - logo o docente que é dos poucos profissionais mandado tratar com dezena de clientes de uma só vez; 
  • entre umas e outras e perante o meu interesse/objectivo [como é que as teorias e as práticas produzem pessoas], o docente acaba por formar, nem sempre de forma deliberada, é certo, algumas vezes de modo claramente inconsciente, um aluno submisso, sub alterno, dependente, executante, obediente, passivo, operário; reduzem-se assim as possibilidades de futuro do aluno que fica manifestamente condicionado pela escola que cerceia e limita oportunidades e não, como devia ser, alargar horizontes e possibilidades, ampliar vontades e objectivos;
  • todas juntas evidenciam a rigidez daquilo que alguém definiu como "gramática escolar" isto é, as invariantes educativas que petrificam o pensamento e naturalizam o que sempre foi e é uma construção ideológica; 

Os resultados, ainda muito parciais, não podem ser generalizados e qualquer tentativa de enquadramento de outras situações neste contexto requer cautelas e muitas ressalvas; 

ausências e presenças

tenho estado ausente por opção, senti que começava a escrever para demasiados passantes, alguns curiosos, é certo, outros mais atentos; mas a quantidade inibiu-me de escrever, pelo menos de escrever o que quero;
agora, quase em pausa pedagógica, talvez regresse... ou não;
discorrer sobre a coisa educativa é interessante, mas é um exercício que, sem consequência, se pode facilmente transformar em masturbação intelectual, o que não pretendo; 
é certo que registo ideias e os meus sentidos, as minhas preferências e as minhas opções (sejam elas quais forem e para o que se quiser); mas e depois? escrever para dar conta de outras perspectivas, pode sempre ser aliciante, mas depois fico inibido pelos passantes;
são as minhas próprias contradições, entre ausências e presenças;

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

evolução suícida

há dias escrevi aqui e propus ao jornal da terra a publicação (que não aconteceu) de duas notas sobre elites e sociedade; retomo a escrita;
um pouco por todo o lado se mostram e evidenciam as notas do cansaço social, que leva a situações extremas, da impaciência, que conduz à intolerância, da insatisfação, que conduz ao repúdio; 
um pouco por todo o lado se nota o descontentamento, mas também a incapacidade de alternativas, sejam elas quais forem, políticas ou partidárias, pessoais ou profissionais, sentimentais ou afectivas, estamos enleados em nós mesmos, nas tramas do nosso desígnio, maios prosaicamente, deitamo-nos na cama que fizemos; 
os partidos debatem-se no lamaçal que criaram (razão teve guterres ao referir-se ao pântano), os governos evidenciam o seu esgotamento e a democracia corre o sério risco de se ressentir e trazer para a boca de cena tristes figuras míticas do apocalipse; 
não temos quem nos ajude a pensar, ou temos, mas estão de tal modo pulverizados por aí que se torna difícil distinguir o trigo do joio; a cacofonia é de tal modo ensurdecedora que os argumentos se fazem valer pela gritaria, pelo esbracejar, como se isso servisse de argumento ou justificação; 
quase todos se fecham, qual concha, na procura do seu espaço de conforto e segurança, na tentativa de, por um lado, ver passar os outros enquanto os cães ladram; por outro lado, procuram passar despercebidos como se nada fosse com eles, ignorando responsabilidades e enjeitando culpas; 
évora está assim; está assim a modos que... debilitada, frágil, insegura, inconstante;
o alentejo está assim, cinzento, frio, húmido;
o país está assim, insustentável, impaciente, cansado, senão mesmo esgotado;
a europa está assim, duvidosa, insatisfeita, incapaz, receosa; 
o mundo está assim, em corda bamba, no fio da navalha, à espera, a ver o horizonte;

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

coisas interessantes


coisas que por aí se encontram, algumas bem interessantes:
três olhares sobre a sala de aula: um primeiro, no qual o espaço sala de aula é tido como continente e o currículo pensado, igualmente, como um continente de conteúdos programáticos, regras metodológicas e didácticas; um segundo movimento, o espaço sala de aula é concebido como relacional, ou seja, é constituído nas e pelas relações [que aí se estabelecem entre os diferentes elementos presentes e ausentes]; um terceiro movimento, que entende o mundo como um espaço relacional, propõe o espaço sala de aula como relação de forças.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

da falência das elites à falência social

uma qualquer espécie de análise onde procuro relacionar a abulia nacional, ainda que disfarçada por espasmos sindicais ou sectoriais, com o progressivo esgotamento social;
entre uma e outra situam-se duas dimensões terríveis do panorama nacional; por um lado uma mentalidade colectiva criada, fomentada e impregnada por Salazar que temos de ser, à viva força, pobrezinhos, remediados, mas honestos e imbuídos de santa virtude; foi assim que Salazar criou o 10 de junho que não foi abolido mas que nada justifica, foi assim que se criou e fomentou a santíssima trindade de fátima, fado e futebol, que se difundiu a imagem do país retratada pela varina da nazaré, pelo pastor alentejano, pela sardinha ou pelo bacalhau com todos, como se a imagem tivesse estagnada e o interior espaço idílico de virtudes, contraponto ao urbano depravado e pecaminoso; não deixa de ser esta a imagem que se impõe actualmente ao país; de um país que não merecia ser nem rico nem feliz, espaço e condição reservada a apenas alguns; àqueles que se podem dar ao beneplácito de serem misericordiosos na condição dos outros; 
por outro lado, a ausência de elites, sejam elas intelectuais ou sectoriais que permitam tornar colectivo aqueles que possam ser sentimentos individuais, dizer ou escrever o que a maioria pensa e sente mas que não tem espaço ou condição de o fazer ou o de ser reconhecido enquanto tal; as elites andam ou deserdadas ou desfazadas; a desvalorização da dimensão social das ciências, reflectida de forma mais directa na valorização das chamadas ciências naturais (de que são exemplo as "disciplinas estruturantes"), provoca, com propensa intencionalidade, o vazio do pensamento social; alia-se a isso o facto de as ciências sociais que deviam estar na rua, ouvir as pessoas, construir os actores se refugiarem nos gabinetes e nos estudos estatísticos, criando séries onde deviam estar pessoas, definindo análise e rácios onde deviam estar sentimentos e emoções; 
entre algum retorno da mentalidade salazarista, ainda que revestido de outras roupagens, mais urbanas e aparentemente cosmopolitas, com o silênciamento das elites, acantonadas por vontades alheias ao radicalismo partidário, o país vê-se entregue a si mesmo, sem armas nem condições de contrapor alternativas ao sentido único, à verdade proclamada apenas por alguns, ao destino que nos impõem, ao momento do voto, como se a democracia se cingisse, como alguns querem fazer crer, ao voto;
como alternativa torna-se essencial que as chamadas redes sociais (facebook, blogues, twitter, entre outros) sejam utilizadas como espaços alternativos, mostrem outras imagens do filme que nos impingem; mas é no quotidiano, na vida do dia a dia, no convívio que temos de desconstruir as verdades absolutas, os sentidos únicos, o destino que alguns, por força de uma qualquer maioria, nos forçam a viver; 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

nomeações

ele há com cada coisa que não deixo de assinalar;
atão não é que foram hoje publicadas as nomeações, despachos nº. 2507, 2508 e 2509, respectivamente norte, centro e lisboa e vale do tejo, em regime de substituição, dos novos delegados escolares (regionais) e não aparece a do alentejo;
ele há com cada coisa que, daqui a pouco, começo a acreditar que deus existe...

seminário "Políticas e práticas educativas em discussão"

uma excelente ideia que coloca frente-a-frente (ou será lado a lado?) investigadores e docentes numa troca de ideias entre o que é teoria e o que são práticas;
o objectivo é que possa existir cruzamento e reciprocidade no entendimento de uns e de outros; é um espaço de abertura da escola a pensar as suas práticas, momentos de reflexão partilhados entre o que se pensa e o que se faz;
um lote de oradores interessantes e conhecedores das realidades de que falam;
vale a pena num tempo em que os docentes são remetidos para a acefalia e as escolas para depósitos de produção...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

indisciplina e coisas que tais

a reportagem confunde, aparentemente de forma algo propositada, diferentes conceitos que têm em si diferentes significações, o de indisciplina, a remeter para a quebra das regras, a contestação à autoridade e poder do docente, a rotura com padrões instalados, a fuga à norma e à "normalidade", e o de violência, tenha ela que dimensão tenha e que coloca em causa a integridade de pessoas e bens; 
se é certo que habitualmente se pode registar uma excessiva proximidade entre uma e outra, é também certo que uma e outra atitude (de indisciplina ou de violência) terão, na generalidade, diferentes enquadramentos ou factores, como remetem para pressupostos habitualmente diferenciados e consequências também elas diferentes; 
finalmente uma e outra não podem ter o mesmo tipo de tratamento nem de análise; 

uma leitura pedagógica
se fosse há uns tempos atrás, muito provavelmente a minha análise, leitura e acção seriam diferentes daquela que é hoje, resultado da análise de um grupo de percurso curricular alternativo, onde as duas situações, indisciplina e violência, andam excessivamente próximas; hoje direi que há elementos/factores estranhos à escola e que nela se manifestam; a desestruturação social, as debilidades familiares são por demais evidentes e hoje regista-se, pelos espaços por onde ando, uma mais frágil tolerância, uma mais fácil quebra de consensos, níveis de paciência muito mais baixos que antes; são situações que também em função do número de alunos por turma se manifesta de outra maneira, quer entre alunos, quer entre alunos e docentes; a ser assim é impossível ser a escola, entendam-se os professores, a identificar soluções milagrosas para as situações; 
qualquer proposta de abordagem deverá passar por formação, os professores não têm formação para enfrentar a alteração de relações e a análise de processos recentes (nota-se um claro desfasamento entre a formação inicial e os contextos profissionais), a constituição de redes institucionais (escola, municípios, saúde, segurança social, outros locais) de modo a que possa existir uma abordagem direi "ecológica"; atitudes mais firmes e mais imediatas por parte dos órgãos de gestão que, como docentes que também são, precisam de formação para perceber o que se passa e destrinçar indisciplina de violência no seu contexto; 

números assustadores



Não são os números que são assustadores, é mesmo a realidade que se esconde atrás de cada número, de cada décima deste pesadelo; 
cada número é uma pessoa, com uma realidade, com sentimentos, emoções, muito provavelmente a sentir que a esperança se esvai por entre as angústias e as agruras desta realidade;
cruzam-se, de norte a sul, do litoral ao interior, os silêncios de quem perdeu o emprego, daqueles que estão velhos demais para um outro começo e novos em excessos para a reforma; 
há uns anos, por este meu alentejo, era ver as praças pejadas de velhotes a ilustrarem o envelhecimento da região; hoje, esses mesmos velhos, têm a companhia dos mais novos, daqueles que apenas esperam por uma oportunidade, seja por arranjar um qualquer afazer, seja para emigrar; 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

redes de sociabilidade

em sociologia existe o termo redes de sociabilidade para definir o conjunto de relações de proximidade existentes entre indivíduos por uma qualquer razão, familiar, profissional, social, política ou qualquer outra;
um termo que, de algum modo, foi adaptado daquilo que o pessoal da biologia e da natureza caracteriza como machos alfa e os demais; para todos os efeitos não deixam de ser relações construídas com base num qualquer pressuposto, no caso do grupo que frequenta um percurso curricular alternativo, o mais extrovertido e destemido que se constitui como macho alfa, um dos elementos aglutinadores da relação, em torno do qual rodeiam outros, que colhem um pouco dos seus despojos, as fêmeas que procuram espaço de afirmação e depois os demais; são grupos que denotam maior ou menor fragilidade de acordo com o número de indivíduos que constituem um grupo e em função do elemento que os une; de acordo com as suas características intrínsecas, poderão ser mais frágeis, se viverem por si, ou mais fortes se, por um qualquer motivo, se unem e reagrupam; 
gosto de observar estas redes de sociabilidade e perceber por onde e porque se movimentam elas; seja na escola, na aldeia ou por aí...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

morte

morreu ontem e foi hoje a descansar aquele que muito provavelmente seria o meu único amigo na aldeia que me acolheu;
figura conhecida por estar atrás de um dos balcões da aldeia, palito na boca, palavra fácil para comentar e opinar, recebeu-me como mais um; alinhou comigo quando muitos duvidaram do novato; deu-me palavras de conforto quando perdi; brincou comigo quando ali estava; incentivou-me quando merecia; 
a família cresceu à sua sombra altaneira, foi a descansar como merecia, rodeado de amigos e conhecidos num reconhecimento colectivo da aldeia por aquela que é uma das suas figuras...
fica em paz Constantino

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

a propósito de um percurso curricular alternativo

na sequência da minha anterior entrada digo, ou repito, que tenho tido o privilégio de acompanhar e estudar a implementação de um percurso curricular alternativo (pca) na minha escola; 
estes percursos, criados nos idos anos 90 do século passado (decreto-lei 22/seei/96) e atualizado a meio da década de 2000 (despacho normativo 1/2006) e aproveitado pelo atual governo (no âmbito do currículo, decreto-lei 139/2012) visam jovens com insucesso repetido, risco de abandono ou problemas de integração social; 
na altura da sua revisão tive oportunidade de dizer ao então secretário de estado que gostava mais de uma escola alternativa que de um currículo alternativo, na falta de um havia que aproveitar o outro salvaguardando alguns aspetos; 
o grande problema das ofertas complementares ao ensino regular (caso dos pca, cursos educação e formação ou, mesmo, cursos profissionais) consistem na sua estigmatização e na estigmatização daqueles que os frequentam; aparentemente mais não são que guetos escolares e educativos onde se reúne a população problemática de uma escola, isto é, são «projectos que acrescentam mais ao mesmo e [não] projectos que ajudem ao refazer de modos e conteúdos de trabalho com os alunos»; nesta medida e habitualmente, estes grupos são olhados por quem frequenta a escola com desconsideração, os docentes sentem a angustia de trabalhar com turmas difíceis, os restantes alunos o receio de frequentarem o mesmo espaço e os pais/encarregados de educação deixam as críticas e os comentários ao ambiente que se faz sentir; aparentemente ninguém, mas mesmo ninguém, nem mesmo aqueles que constituem o grupo , gosta deste tipo de ofertas;
a minha participação, num assumido processo de investigação-ação com alguns retoques de formação-ação,  vai ao encontro de duas preocupações; por um lado, participar no processo de avaliação interno, aferindo as situações e contribuindo para a sua dimensão organizacional no próximo ano letivo; por outro lado, aproveitar as dinâmicas de conflito resultantes da relação instituída entre alunos e docentes deste grupo enquanto elemento potenciador de mudança, seja ela aquela que acontece em contexto de sala de aula, seja em termos organizacionais, nomeadamente no envolvimento de estruturas, na gestão de recursos ou mesmo na definição de competências inerentes ao currículo; 
enquanto elemento potenciador de mudança, um percurso curricular alternativo tem, desde que aproveitado e canalizado nesse sentido, tudo o que é importante para a mudança; tem conflito, pois em tempo de paz ninguém mexe palha, não se sai da zona de conforto, tendemos à estabilidade e equilíbrio situacional, coisa ausente num pca; apresenta um manifesto desequilíbrio com a escola dita regular, isto é, a população carece de outras estratégias, outras metodologias, outras dinâmicas em contexto de sala de aula, seja por via do aproveitamento, que é sempre muito, muito baixo, seja por via do constante desafio, quando não mesmo conflito, que se institui entre autoridade (docente) e rotura (aluno); exige-se imaginação, pois o aluno não responde como o aluno de um curso regular, é sempre mais imprevisível e inconstante na resposta ou na adesão às propostas de trabalho; é volátil, tudo se passa de repente, seja pelo conflito, seja pela surpresa com que as coisas acontecem; há partilha, os docentes, por via administrativa, isto é, obrigatória, ou voluntariamente, falam sobre os seus problemas, trocam ideias, partilham recursos e, por vezes, definem estratégias; há avaliação, mais não seja porque se é obrigado a apresentar relatórios das estratégias e da análise da situação dos alunos, individual e coletivamente; 

há quase sempre uma primeira vez

talvez esta minha primeira vez não conte... ou conta;
acompanho um grupo/turma de percurso curricular alternativo, nomeadamente constituindo-me como adjunto (coadjuvante) de uma colega; imiscuo-me na aula, pois claro, não fosse este meu feitiozinho, largo o meu tatibitaite, apesar de procurar preservar e reservar o espaço da colega que me empurra lá para dentro; 
ontem, numa das sessões, preparava-se o trabalho, coisa pouca, comentar um filme, retirar dele duas ou três ideias que pudéssemos trocar entre todos; mas um miúdo já habitué realçava todo o seu empenho em moer o juízo aos professores e aos colegas, impedir o que quer que fosse, alguém fizesse o que fosse; trocamos palavras e argumentos, empertigámo-nos um ao outro, medimos forças, aferimos poderes e acabei com a conversa abrindo-lhe a porta e mandando-o sair; 
a aula decorreu como poucas vezes, empenho, participação, algum sossego e um mais que razoável ambiente de trabalho;
foi a minha primeira vez que não aguentei um miúdo dentro da sala de aula...

criança em espaço próprio

de quando em vez surpreendo-me com as pessoas, em particular com os mais jovens - por isso gosto da minha profissão;
dou conta de um miúdo da minha escola entre os 12 e os 13 anos, um vivo diabo, irrequieto, traquina, fraco estudante, maus resultados, uma repetência no 2º ano até agora, que está no 6º ano, com fraca acção escolar pois não gosta de acatar ordens, responde com palavra pronta na ponta da língua;
a roupa que trás, gasta pelo uso, suja de limpar o chão da escola em amenas brincadeiras e correrias, quando não mesmo uma ou outra tropelia, não favorecem a imagem;
mas ontem era vê-lo; subiu para o autocarro a acompanhar a avó e a irmã mais novas; um homem pequenino; mais que isso, assumia toda a sua responsabilidade e o seu papel de zelar pela segurança dos que acompanhava; uma senhora, ao reparar naqueles três comentou para a avó e para quem quis ouvir, isso é que é, um autêntico homenzinho; não o imagina ela na escola, por onde se rebola, esfrega o chão, foge a professores e funcionários, espicaça tudo e todos; afinal, talvez seja um dos poucos, senão mesmo o único espaço, onde esta criança pode ser criança...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

mudança ficando na mesma

Na escola e na educação um dos elementos da mudança regista-se, qual ironia, na permanência das situações, modos e organização da escola;
É tema recorrente na minha escrita, nas divagações que por aqui faço, mas é também elemento incontornável das preocupações o facto de a escola se manter persistentemente como nos anos 80 do século passado, período onde foram definidos os modos e os contornos organizacionais do tempo escolar, tais como constituição de turmas, organização funcional dos grupos, a estrutura disciplinar, o funcionamento das estruturas, conselho pedagógico, grupos/departamentos, sistema de avaliação, curriculo, etc, etc;
Nos tempos presentes, torna-se essencial ultrapassar lógicas de organização individual, solitárias; ultrapassou-se, nos tempos mais recentes, o isolacionismo do primeiro ciclo, mas isolou-se, por incapacidade, fuga ou simples segurança, todos os restantes docentes dos demais ciclos de ensino;
Frases feitas e lugares comuns caíram  no esquecimento sem que fossem substituídas, o vazio passou a ocupar um lugar determinante na acção educativa, caso de trabalho colaborativo, interdisciplinariedade, apoios educativos, estudante, estratégias, rede, comunidade escolar, entre outras; outras houve que foram slogans que muitos utilizaram, alguns sem perceber o seu sentido, outros sem preocupação de operacionalizarem, outros apenas por efeito de retóricas assente ou decorrente de modas, como foi o de autonomia, projecto, aluno, sujeito, politica, etc;
Interessante q. b., refere-se ao facto de as politicas educativas que têm sido definidas se basearem em muitas práticas que por ai se implementaram e criaram em muitos contextos, como serviram e foram oportunidade para desbravar caminhos e re-inventarem sentidos ao trabalho escolar; 
Hoje por lógicas e opções, o espaço de criação na escola não existe e as politicas redefinem apenas obrigações, normas, regras e imposições; retoma-se o aluno como objecto da acção educativa, com a agravante de se lhe juntar o docente enquanto objecto e não parceiro; a gestão, por medo, inépcia ou simples incompetência do deixa ver o que dá, colabora, quando não reforça está opção, por ausência de uma estratégia, por indefinição de opções, consequência do enorme vazio politico que tem promovidos na escola;

mudanças

Esta crise, que bem que poderá vir a ser conhecida como a crise das crises, está a mudar-nos, a alterar comportamentos, relações, formas de estar e de sermos, culturas, lógicas de organização; muito dificilmente sairemos dela como entramos, tenhamos consciência de tal facto ou não, sejamos nós capazes de indicar ou identificar aquilo que muda e o que fica, sejamos capazes de navegar na crista da onda ou sermos trucidados por ela, desaguarmos felizes e contentes numa qualquer praia ou esgotados no fim dos oceanos;
Serão muitas as áreas em que mudaremos, das sociais às familiares, das politicas às profissionais, das culturais às organizacionais os tempos são de mudança profunda; podemos olhar os tempos como se tudo ficasse ou continuasse na mesma, podemos ignorar ou fingir que não é nada connosco, que não nos diga respeito ou simplesmente procurar adaptar-nos, com maior ou menor dificuldade, dando um jeito daqui e dali, às circunstancias e aos tempos, às modas e aos modos;
Mas tudo muda à nossa volta, as relações sociais estão diferentes, há outras formas de juvenialidade que se prolonga, distende pelos anos; neste campo as sexualidades ganham fluidez, uma imbricação entre géneros, modos e formas de assumir os comportamentos e as relações; Perde-se, na aparência, o papel de um e de outro, interligam-se, penetram-se mutuamente, como se excluem por si;
as hierarquias diluem-se em ilusões de rede, perdendo-se ligações onde não se ganha autonomia; o próximo fica mais distante mas longe da relação com aquele que está distante;
Na escola, para não me esticar em dimensões profissionais que não domino, pwrdem-se papéis, diluem-se nas ausências do que não se assume, nas competências que se perdem e nos saberes que não se ganham;
O mundo está diferente e nós com ele...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

coisas ao contrário

em termos educativos quisemos acreditar (e alguns ainda querem) que a formação e a educação mudaria muito ou tudo; crozier e passeron foram crucificados nos idos 70 do século passado por provarem que a educação mais não faz que assegurar as continuidades sociais, a reprodução daquilo que temos e não, muito distante, do que queremos;
durante muito tempo, em portugal e não só, se mascaram resultados e políticas, se confundiram opções com organização, o sistema educativo com o sistema social, qual o resultado? a perpetuação do óbvio, isto é, o acesso do povo a alguns sítios ou lugares, a manutenção das elites, sejam elas o que forem, na condução do mando e do quero e posso; o sistema educativo acabou por ser mera ilusão, sonho perene de abril e de alguns que acreditaram que abril mudaria alguma coisa, não mudou, permanece a mesma iniquidade política e social, a escola abriu-se, alargou gentes mas permanece selectiva, sectária, segmentada;

ensaios

tenho por aqui escrito entre a divagação e as notas soltas, entre tons de educação e ares de política educativa; hoje surge, para memória futura, uma nova etiqueta, a de ensaio, onde procuro discorrer sobre o que me rodeia, tal como é hábito na minha escrita, mas agora com tons de ensaio, isto é, medeiam a análise e a interpretação, a descrição e a compreensão do que me rodeia; uma outra forma de interpretar aquilo que sinto por intermédio daquilo que vejo, ou será o contrário...
não valem nada nem para nada, apenas para memória futura, seja isso o que for...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

poder e relações do dito cujo

De quando em vez a blogosfera local promove discussão que até pode ser interessante, como é o caso de algumas das ultimas entradas do grupo dos cinco;
Na referência que fiz assumo duas notas;
Os conceitos de poder e, consequentemente, das relações que lhe estão inerentes, podem ser vistas sob diferentes perspectivas, desde as funcionalistas às estruturalistas ou pós qualquer coisa (de Foucault a Sousa Santos é escolher); a forma como o poder é perspectivado e analisado vai determinar, em muito, como se pressupõem as relações que lhe estão inerentes; defendo que tanto o conceito como as relações de poder  têm mudado e, por outro lado, muitos feito para que não mude numa aparente dialéctica de afirmação e protagonismos, como de oposição e confronto onde, uns e outros, mais não fazem que perpectuar lógicas funcionalistas das relações de poder; 
como segunda referência e intimamente ligada às questões do poder, o texto que referencio é um hino ao espírito tuga, não me interessa o que é nem como é, só sei que não me interessa, numa lógica que pode variar entre  o pretenso espírito anarquista e a simples contestação infanto-juvenil do por que sim ou por que não e pronto; 
entre um e outro, formas de poder e exercício político e partidário do assumir, não se crie a ilusão que o poder ou os partidos são entidades que transcendem o colectivo social, que vivem fora ou acima dele ou do conjunto de pessoas que constituem um tempo e um espaço, marcado que é por um conhecimento e por acções mais ou menos colectivas; o poder, os partidos, as organizações, este meu blogue são o que as deles fazemos e têm apenas a importância que lhe damos; 

pdi

A idade vai fazendo das suas, desgasta o físico, mói a cabeça e, entre um e outro, alteram-se estados de espirito; ontem foi dia de revisão quase geral, na continuidade do que costumo fazer no inicio de cada ano; consequência, o senhor dos olhos fez uma mais que adequada e pertinente observação, tenho uma quarentite muito aguda que ira descambar em cinquentite muito em breve;
Que me aguente, pois claro...