quinta-feira, 25 de abril de 2013

onde estava no 25 de abril

na altura tinha 10 anos e terminava aquela que era há altura, a escola primária; 
para mim, na ingenuidade do que pode conter a infância, não deixou de ser um ano normal; fiz os exames finais, para os quais fui todo vestidinho a rigor, inscrevi-me na nova escola, o então ciclo preparatório; 
o dia 25 de abril não deixou de ser algo diferente; primeiro porque não fui à escola; quando acordei lembro-me de sentir algum alvoroço que não era hábito àquela hora da manhã; os meus pais numa qualquer lufa lufa de dúvida, alguma ansiedade; de madrugada bem cedo, tinha ido lá a casa, bater à porta e pedir se o meu pai podia ir à loja e dispensar àquele militar alguma fita para isolar as zonas de intervenção; daí os meus pais saberem o que se estava a passar; 
como não fui à escola, mas os meus pais foram trabalhar, como se de um dia normal se tratasse, andei em cirandas e bolandas entre o largo de aviz e o largo de s. domingos onde era então o quartel general; no meio da correria passava pela praça de giraldo e pelas ruas e ruelas por entre a canalha se escoa como arei por entre os dedos; 
sinceramente não sabia o que se passava, mas gritava e esbracejava como todos os outros adultos que via pelas ruas; lembro-me de andar numa roda viva sem perceber a alegria daquele dia, mas partilhava como se fosse minha, mais não fosse porque tinha faltado à escola;

vontades

descobri apenas hoje e porque me foi solicitado o projecto de intervenção em suporte digital, que há 4 candidatos à gestão do agrupamento de arraiolos; 
sinal que afinal as coisas ainda não estão assim tão más que afaste plena e totalmente as pessoas; afinal e apesar dos ditos que se dizem, a gestão ainda atrai gente;
fico a aguardar desenvolvimentos

abril - sempre


terça-feira, 23 de abril de 2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

antes de o ser já o era

dizem-me que para director/a de arraiolos há já nome e dono/a?
que, independentemente daquilo que apresento, currículo e projecto de intervenção, a coisa está decidida; afinal a delegada escolar não me quer em lado nenhum, os meus, longe da porta, os outros dizem que sou assim e assado, isto e aquilo, como se de papão se tratasse;
talvez as pessoas, antes de decidirem, resolvam falar com outros, com colegas, de viana do alentejo, de vendas novas, por exemplo, de mora, por exemplo, com funcionários, auxiliares e técnicos, ouvir antes de formularem uma ideia pré-concebida; 
é verdade que já acreditei na honestidade das pessoas, na justeza dos actos administrativos, na transparência de processos; 
a vida e as situações mostram-me que nem a água é transparente, e que verdade e justiça são coisas que ... enfim...
mas que fiquem descansados, não impugnarei nada, não injuriarei o que quer que seja; afinal não preciso nem de emprego nem de trabalho... e há quem precise efectivamente...

domingo, 14 de abril de 2013

dizeres que serão ditos

na passada 4ª feira entreguei a documentação relativa ao procedimento concursal para o agrupamento de escolas de arraiolos;
fico agora à espera dos próximos desenvolvimentos; sem qualquer tipo de expectativa, por saber que já fiz o que tinha a fazer, por saber que irão surgir bocas, comentários e observações - alguns dos quais certamente correctos - relativamente à minha pessoa; 
depois dos prazos terminados ele será aqui colocado...

terça-feira, 2 de abril de 2013

coisa séria a brincar

por duas semanas, mais coisa menos coisa, regresso à sala de aula; 
gosto de ali estar, trocar ideias, ajudar o pessoal, aprender com olhos iluminados pela dúvida e pela incerteza de quem se apresenta; 
obviamente que duas semanas não dão para tapar buracos mas, perante os tempos, aproveita-se a oportunidade e vá de trabalhar de maneira diferente; 
desta vez são turmas de 8º e de 10º, já só me falta este ano, para cumprir o sistema regular, o 7º e o 12º de resto já os percorri;
hoje, primeira sessão, definição da estratégia, apresentação das regras de trabalho e dos critérios de avaliação; prazo de trabalho, duas semanas...

quinta-feira, 28 de março de 2013

currículo vocacional

enquanto me entretenho a ler e a trabalhar sobre currículo alternativo, a partir do decreto-lei 6/2001, revisito um outro diploma, já deste governo, referente ao dito ensino vocacional;
o que nele encontro mais não é que uma proposta da tutela de ou para a flexibilização curricular que, se pode ser bem entendido pode ser mal praticado; 
os professores têm receio de fugir ao manual, à pretensa segurança e conforto da garantia do programa; a gestão não tem ideias para organizar a escola de outra forma ou de outro modo que não passe pela industrialização do grupo/turma sequencial; se caírem, como já aqui referi à altura, no aproveitamento das franjas criando uma diferenciação sectária, então perde-se uma oportunidade de as escolas serem espaço de acção e não já de reacção; 
tenho é dúvidas que consigam fugir aos argumentos da segurança e da funcionalização...

quarta-feira, 27 de março de 2013

projecto de intervenção

projectos de intervenção para escolas e agrupamentos é coisa que não falta por esta internet fora; 
faltam, isso sim, ideias de escola que incorporem e articulem pessoas e números, lógicas pedagógicas e lógicas administrativas; 
reconheço que não é fácil pensar e menos ainda escrever de forma mais ou menos clara uma ideia de escola que cruze as diferentes dimensões, a administrativa, que vai da acção social escolar ao processo de avaliação dos assistentes técnicos e administrativos, passando pela gestão financeira, pedagógica onde se cruza a sala de aula com ofertas complementares de educação e projectos pedagógicos, resultados escolares e participação social, ou e finalmente, funcional, onde se identifiquem elementos que reforcem ou promovam o simples funcionamento de uma escola sem ser autofágico, ou seja, que não olhe ao umbigo em detrimento de tudo o mais; 
pois é, para que saiba eu tento cozinhar um projecto de intervenção, mais cedo do que pensava, mas é mesmo a única alternativa em me aproximar de casa, pois estou afastado mas não o suficiente para recair em eventuais bonificações;
se não for aceite, sem problema, não reclamarei...

tacanho

as visões sobre o papel dos professores e da escola que nos vem da cinco de outubro é manifestamente tacanho; seja deste ou de outros governos e ministros que antecederam o actual;
não discuto se há professores a mais ou escola a menos, se recursos em excessos ou escassez de alunos, o que discuto é mesmo a visão tacanha da escola em que uns impõem e determinam o que outros devem fazer e como fazer, garantindo, independentemente do partido que gere a educação, a centralização, a mão na coisa, não vá ela descambar;
tenho sérias dúvidas que descambase, mas enfim...
não poderiam docentes que, colocados na escola, podem estar sem componente lectiva, assegurar trabalho na área dos apoios, na organização de projectos entre a escola e o meio, na estruturação e organização de ofertas complementares, em estratégias de informação e comunicação, no apoio a directores de turma ou a turmas? poder poderiam, mas ninguém os quer, nem os directores, que coitados não têm visão para tanto, nem o ministro em que reduzir e cortar são palavras de ordem...

(re)começo pelo lado menos bom

é verdade, digo que estou curioso por aquilo que poderá não ser dito na entrevista de josé sócrates, qual filósofo que aponta a luz no meio das trevas de uma primavera que tarda em nos dar a ilusão da claridade;
não tenho dúvidas que a fronteira entre bestial e besta desta figura é muito, muito ténue e que muitos irão dizer e falar apenas para não ouvir o que a figura terá para dizer...
é diferente, uma situação manifestamente diferente esta de termos um ex-primeiro-ministro que dá entrevistas; antes, com soares ou cavaco, assim não aconteceu, um e outro remeteram-se a estratégicos silêncios que os levaram, a um e a outro, a belém e à presidência da república; os demais foram para partes incertas com a certeza da sua tranquilidade conquistada longe de portas; 
hoje como será? mais do que hoje gostarei e apreciarei os impactos da coisa nos dias que se seguirão, para um lado, da actual posição e confortável maioria, e do outro, da presente oposição, nomeadamente do meu ps...

terça-feira, 19 de março de 2013

pensamento estratégico

no final do século passado houve um período que se anunciou a saída do actor, saída do palco da acção condicionado que estava pelas estruturas; posteriormente foi anunciado o seu regresso, como elemento fundamental e estratégico da acção organizacional;
durante longo tempo a sociologia assumiu, em diferentes contextos e sob diferentes perspectivas, o papel estratégico dos actores, na definição de objectivos, no seu pensamento estratégico, na definição da sua acção, na gestão tanto de objectivos como de interesses; 
há medida que observo o contexto educativo, isto é, as escolas, vou-me apercebendo da ausência dessa dimensão estratégica (não pretendo generalizações, sempre redutoras quanto abusivas, restrinjo-me aos contextos por onde ando e estudo, como em tudo, há excepções)
raramente se nota um pensamento estratégico, um pensamento que consiga ir além da ponta do nariz de quem o pensou; a gestão, habitualmente, anda preocupada com as moengas do dia a dia, os constragimentos do momento ditados que são pela inúmera papelada ou plataformas a preencher; as estruturas intermédias ocupadas em não fazerem nada mas darem sempre a ideia que andam muito ocupadas e atarefadas com coisas importantes que poucos conhecem e ninguém valoriza, a não ser os próprios; os docentes sempre atarefados com as suas aulas, as situações de indisciplina, os testes, as reuniões sempre parvas, tardias e desnecessárias; 
em termos de reuniões é um vazio quase que constrangedor; a economia de uma reunião é despendida entre informações que facilmente circulariam por caixas de correio electrónico (diga-se que não são tão generalizadas quanto se possa pensar, pelo menos na consulta e gestão), situações pontuais ou casuísticas que não matam mas moem e desgastam, consomem tempo e recursos, análises que podiam e deviam ser feitas noutros contextos mas que, por questões de protagonismo ou simples ineficácia são levadas a um colectivo que se questiona sobre a sua importância ou pertinência; 
o que resta? o dia a dia, a reacção em detrimento da acção, a resposta em vez da pergunta, a conformidade em vez da criação, a justiça em vez de se ser justo; marca-se passo...

"piquinino"


O miguel, talvez regressado, deixa uma boa repescagem de uma entrada sua; 
como não consigo deixar ali comentários, faço-o pelo meu cantinho;
há já algum tempo que defendo que as semelhanças do portugal contemporâneo com o portugal da segunda metade do século xix se deve a uma única razão: portugal não mudou; mudamos, é certo, roupa e tecnologias, gadjets e modismos, algumas terminologia, mas o essencial - mesquinhez, egoísmo, sobranceria, estupidez, falta de formação - está lá como no século xix;
agora também considero que a prosa do miguel, para além das características que sempre a marcaram, enforma de uma coisa, é demasiadamente rebuscada para a realidade, esta, a realidade escolar, é mais comezinha, mais "piquinina", mais rudimentar; o pensamento estratégico está, o mais das vezes, completamente afastado das tricas e baldrocas da sala de professores, o que impera é mesmo a mesquinhez e a estupidez embrulhada em feitios mais ou menos hipócritas, muito embutidos na ignorância de alguns licenciados; 

segunda-feira, 18 de março de 2013

da falta de formação à rigidez da "gramática escolar"

acompanho um processo de implementação de um percurso curricular alternativo (PCA); 
estou interessado, essencialmente, em perceber como as teorias e as práticas pedagógicas produzem pessoas ou, mais adequadamente, se lida com a diferença, com as franjas educativas; 
apercebo-me de:
  • das dimensões doméstica e familiar da relação pedagógica - os professores querem ser bem vistos pelos seus alunos, têm um trato afável, afectivo, direi familiar, quase que maternalista; [péssimo no contexto de um PCA];
  • há quem assuma que não foi "formatado" para aquilo, como se alguém tivesse sido formatado para alguma coisa -evidencia-se, por palavras próprias, a necessidade de formação docente, que não se fique pelo corte e costura, mas ajude os docentes a pensar;
  • a pensar, pois o professor vê-se e retrata-se, em grande parte dos casos, como um executante, alguém que implementa ordens, dá consequências a decisões tomadas por outros - daí (re)quererem-se, muitas vezes, soluções à medidas, milagres profiláticos da acção de sala de aula, a uniformização excludente, a redução do número de alunos por turma, o controlo possível das variáveis;
  • entre falta de formação e a execução o docente tem, no caso, manifestas dificuldades de gerir, lidar e organizar a imprevisibilidade - logo o docente que é dos poucos profissionais mandado tratar com dezena de clientes de uma só vez; 
  • entre umas e outras e perante o meu interesse/objectivo [como é que as teorias e as práticas produzem pessoas], o docente acaba por formar, nem sempre de forma deliberada, é certo, algumas vezes de modo claramente inconsciente, um aluno submisso, sub alterno, dependente, executante, obediente, passivo, operário; reduzem-se assim as possibilidades de futuro do aluno que fica manifestamente condicionado pela escola que cerceia e limita oportunidades e não, como devia ser, alargar horizontes e possibilidades, ampliar vontades e objectivos;
  • todas juntas evidenciam a rigidez daquilo que alguém definiu como "gramática escolar" isto é, as invariantes educativas que petrificam o pensamento e naturalizam o que sempre foi e é uma construção ideológica; 

Os resultados, ainda muito parciais, não podem ser generalizados e qualquer tentativa de enquadramento de outras situações neste contexto requer cautelas e muitas ressalvas; 

ausências e presenças

tenho estado ausente por opção, senti que começava a escrever para demasiados passantes, alguns curiosos, é certo, outros mais atentos; mas a quantidade inibiu-me de escrever, pelo menos de escrever o que quero;
agora, quase em pausa pedagógica, talvez regresse... ou não;
discorrer sobre a coisa educativa é interessante, mas é um exercício que, sem consequência, se pode facilmente transformar em masturbação intelectual, o que não pretendo; 
é certo que registo ideias e os meus sentidos, as minhas preferências e as minhas opções (sejam elas quais forem e para o que se quiser); mas e depois? escrever para dar conta de outras perspectivas, pode sempre ser aliciante, mas depois fico inibido pelos passantes;
são as minhas próprias contradições, entre ausências e presenças;

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

evolução suícida

há dias escrevi aqui e propus ao jornal da terra a publicação (que não aconteceu) de duas notas sobre elites e sociedade; retomo a escrita;
um pouco por todo o lado se mostram e evidenciam as notas do cansaço social, que leva a situações extremas, da impaciência, que conduz à intolerância, da insatisfação, que conduz ao repúdio; 
um pouco por todo o lado se nota o descontentamento, mas também a incapacidade de alternativas, sejam elas quais forem, políticas ou partidárias, pessoais ou profissionais, sentimentais ou afectivas, estamos enleados em nós mesmos, nas tramas do nosso desígnio, maios prosaicamente, deitamo-nos na cama que fizemos; 
os partidos debatem-se no lamaçal que criaram (razão teve guterres ao referir-se ao pântano), os governos evidenciam o seu esgotamento e a democracia corre o sério risco de se ressentir e trazer para a boca de cena tristes figuras míticas do apocalipse; 
não temos quem nos ajude a pensar, ou temos, mas estão de tal modo pulverizados por aí que se torna difícil distinguir o trigo do joio; a cacofonia é de tal modo ensurdecedora que os argumentos se fazem valer pela gritaria, pelo esbracejar, como se isso servisse de argumento ou justificação; 
quase todos se fecham, qual concha, na procura do seu espaço de conforto e segurança, na tentativa de, por um lado, ver passar os outros enquanto os cães ladram; por outro lado, procuram passar despercebidos como se nada fosse com eles, ignorando responsabilidades e enjeitando culpas; 
évora está assim; está assim a modos que... debilitada, frágil, insegura, inconstante;
o alentejo está assim, cinzento, frio, húmido;
o país está assim, insustentável, impaciente, cansado, senão mesmo esgotado;
a europa está assim, duvidosa, insatisfeita, incapaz, receosa; 
o mundo está assim, em corda bamba, no fio da navalha, à espera, a ver o horizonte;

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

coisas interessantes


coisas que por aí se encontram, algumas bem interessantes:
três olhares sobre a sala de aula: um primeiro, no qual o espaço sala de aula é tido como continente e o currículo pensado, igualmente, como um continente de conteúdos programáticos, regras metodológicas e didácticas; um segundo movimento, o espaço sala de aula é concebido como relacional, ou seja, é constituído nas e pelas relações [que aí se estabelecem entre os diferentes elementos presentes e ausentes]; um terceiro movimento, que entende o mundo como um espaço relacional, propõe o espaço sala de aula como relação de forças.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

da falência das elites à falência social

uma qualquer espécie de análise onde procuro relacionar a abulia nacional, ainda que disfarçada por espasmos sindicais ou sectoriais, com o progressivo esgotamento social;
entre uma e outra situam-se duas dimensões terríveis do panorama nacional; por um lado uma mentalidade colectiva criada, fomentada e impregnada por Salazar que temos de ser, à viva força, pobrezinhos, remediados, mas honestos e imbuídos de santa virtude; foi assim que Salazar criou o 10 de junho que não foi abolido mas que nada justifica, foi assim que se criou e fomentou a santíssima trindade de fátima, fado e futebol, que se difundiu a imagem do país retratada pela varina da nazaré, pelo pastor alentejano, pela sardinha ou pelo bacalhau com todos, como se a imagem tivesse estagnada e o interior espaço idílico de virtudes, contraponto ao urbano depravado e pecaminoso; não deixa de ser esta a imagem que se impõe actualmente ao país; de um país que não merecia ser nem rico nem feliz, espaço e condição reservada a apenas alguns; àqueles que se podem dar ao beneplácito de serem misericordiosos na condição dos outros; 
por outro lado, a ausência de elites, sejam elas intelectuais ou sectoriais que permitam tornar colectivo aqueles que possam ser sentimentos individuais, dizer ou escrever o que a maioria pensa e sente mas que não tem espaço ou condição de o fazer ou o de ser reconhecido enquanto tal; as elites andam ou deserdadas ou desfazadas; a desvalorização da dimensão social das ciências, reflectida de forma mais directa na valorização das chamadas ciências naturais (de que são exemplo as "disciplinas estruturantes"), provoca, com propensa intencionalidade, o vazio do pensamento social; alia-se a isso o facto de as ciências sociais que deviam estar na rua, ouvir as pessoas, construir os actores se refugiarem nos gabinetes e nos estudos estatísticos, criando séries onde deviam estar pessoas, definindo análise e rácios onde deviam estar sentimentos e emoções; 
entre algum retorno da mentalidade salazarista, ainda que revestido de outras roupagens, mais urbanas e aparentemente cosmopolitas, com o silênciamento das elites, acantonadas por vontades alheias ao radicalismo partidário, o país vê-se entregue a si mesmo, sem armas nem condições de contrapor alternativas ao sentido único, à verdade proclamada apenas por alguns, ao destino que nos impõem, ao momento do voto, como se a democracia se cingisse, como alguns querem fazer crer, ao voto;
como alternativa torna-se essencial que as chamadas redes sociais (facebook, blogues, twitter, entre outros) sejam utilizadas como espaços alternativos, mostrem outras imagens do filme que nos impingem; mas é no quotidiano, na vida do dia a dia, no convívio que temos de desconstruir as verdades absolutas, os sentidos únicos, o destino que alguns, por força de uma qualquer maioria, nos forçam a viver; 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

nomeações

ele há com cada coisa que não deixo de assinalar;
atão não é que foram hoje publicadas as nomeações, despachos nº. 2507, 2508 e 2509, respectivamente norte, centro e lisboa e vale do tejo, em regime de substituição, dos novos delegados escolares (regionais) e não aparece a do alentejo;
ele há com cada coisa que, daqui a pouco, começo a acreditar que deus existe...

seminário "Políticas e práticas educativas em discussão"

uma excelente ideia que coloca frente-a-frente (ou será lado a lado?) investigadores e docentes numa troca de ideias entre o que é teoria e o que são práticas;
o objectivo é que possa existir cruzamento e reciprocidade no entendimento de uns e de outros; é um espaço de abertura da escola a pensar as suas práticas, momentos de reflexão partilhados entre o que se pensa e o que se faz;
um lote de oradores interessantes e conhecedores das realidades de que falam;
vale a pena num tempo em que os docentes são remetidos para a acefalia e as escolas para depósitos de produção...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

indisciplina e coisas que tais

a reportagem confunde, aparentemente de forma algo propositada, diferentes conceitos que têm em si diferentes significações, o de indisciplina, a remeter para a quebra das regras, a contestação à autoridade e poder do docente, a rotura com padrões instalados, a fuga à norma e à "normalidade", e o de violência, tenha ela que dimensão tenha e que coloca em causa a integridade de pessoas e bens; 
se é certo que habitualmente se pode registar uma excessiva proximidade entre uma e outra, é também certo que uma e outra atitude (de indisciplina ou de violência) terão, na generalidade, diferentes enquadramentos ou factores, como remetem para pressupostos habitualmente diferenciados e consequências também elas diferentes; 
finalmente uma e outra não podem ter o mesmo tipo de tratamento nem de análise; 

uma leitura pedagógica
se fosse há uns tempos atrás, muito provavelmente a minha análise, leitura e acção seriam diferentes daquela que é hoje, resultado da análise de um grupo de percurso curricular alternativo, onde as duas situações, indisciplina e violência, andam excessivamente próximas; hoje direi que há elementos/factores estranhos à escola e que nela se manifestam; a desestruturação social, as debilidades familiares são por demais evidentes e hoje regista-se, pelos espaços por onde ando, uma mais frágil tolerância, uma mais fácil quebra de consensos, níveis de paciência muito mais baixos que antes; são situações que também em função do número de alunos por turma se manifesta de outra maneira, quer entre alunos, quer entre alunos e docentes; a ser assim é impossível ser a escola, entendam-se os professores, a identificar soluções milagrosas para as situações; 
qualquer proposta de abordagem deverá passar por formação, os professores não têm formação para enfrentar a alteração de relações e a análise de processos recentes (nota-se um claro desfasamento entre a formação inicial e os contextos profissionais), a constituição de redes institucionais (escola, municípios, saúde, segurança social, outros locais) de modo a que possa existir uma abordagem direi "ecológica"; atitudes mais firmes e mais imediatas por parte dos órgãos de gestão que, como docentes que também são, precisam de formação para perceber o que se passa e destrinçar indisciplina de violência no seu contexto; 

números assustadores



Não são os números que são assustadores, é mesmo a realidade que se esconde atrás de cada número, de cada décima deste pesadelo; 
cada número é uma pessoa, com uma realidade, com sentimentos, emoções, muito provavelmente a sentir que a esperança se esvai por entre as angústias e as agruras desta realidade;
cruzam-se, de norte a sul, do litoral ao interior, os silêncios de quem perdeu o emprego, daqueles que estão velhos demais para um outro começo e novos em excessos para a reforma; 
há uns anos, por este meu alentejo, era ver as praças pejadas de velhotes a ilustrarem o envelhecimento da região; hoje, esses mesmos velhos, têm a companhia dos mais novos, daqueles que apenas esperam por uma oportunidade, seja por arranjar um qualquer afazer, seja para emigrar; 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

redes de sociabilidade

em sociologia existe o termo redes de sociabilidade para definir o conjunto de relações de proximidade existentes entre indivíduos por uma qualquer razão, familiar, profissional, social, política ou qualquer outra;
um termo que, de algum modo, foi adaptado daquilo que o pessoal da biologia e da natureza caracteriza como machos alfa e os demais; para todos os efeitos não deixam de ser relações construídas com base num qualquer pressuposto, no caso do grupo que frequenta um percurso curricular alternativo, o mais extrovertido e destemido que se constitui como macho alfa, um dos elementos aglutinadores da relação, em torno do qual rodeiam outros, que colhem um pouco dos seus despojos, as fêmeas que procuram espaço de afirmação e depois os demais; são grupos que denotam maior ou menor fragilidade de acordo com o número de indivíduos que constituem um grupo e em função do elemento que os une; de acordo com as suas características intrínsecas, poderão ser mais frágeis, se viverem por si, ou mais fortes se, por um qualquer motivo, se unem e reagrupam; 
gosto de observar estas redes de sociabilidade e perceber por onde e porque se movimentam elas; seja na escola, na aldeia ou por aí...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

morte

morreu ontem e foi hoje a descansar aquele que muito provavelmente seria o meu único amigo na aldeia que me acolheu;
figura conhecida por estar atrás de um dos balcões da aldeia, palito na boca, palavra fácil para comentar e opinar, recebeu-me como mais um; alinhou comigo quando muitos duvidaram do novato; deu-me palavras de conforto quando perdi; brincou comigo quando ali estava; incentivou-me quando merecia; 
a família cresceu à sua sombra altaneira, foi a descansar como merecia, rodeado de amigos e conhecidos num reconhecimento colectivo da aldeia por aquela que é uma das suas figuras...
fica em paz Constantino

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

a propósito de um percurso curricular alternativo

na sequência da minha anterior entrada digo, ou repito, que tenho tido o privilégio de acompanhar e estudar a implementação de um percurso curricular alternativo (pca) na minha escola; 
estes percursos, criados nos idos anos 90 do século passado (decreto-lei 22/seei/96) e atualizado a meio da década de 2000 (despacho normativo 1/2006) e aproveitado pelo atual governo (no âmbito do currículo, decreto-lei 139/2012) visam jovens com insucesso repetido, risco de abandono ou problemas de integração social; 
na altura da sua revisão tive oportunidade de dizer ao então secretário de estado que gostava mais de uma escola alternativa que de um currículo alternativo, na falta de um havia que aproveitar o outro salvaguardando alguns aspetos; 
o grande problema das ofertas complementares ao ensino regular (caso dos pca, cursos educação e formação ou, mesmo, cursos profissionais) consistem na sua estigmatização e na estigmatização daqueles que os frequentam; aparentemente mais não são que guetos escolares e educativos onde se reúne a população problemática de uma escola, isto é, são «projectos que acrescentam mais ao mesmo e [não] projectos que ajudem ao refazer de modos e conteúdos de trabalho com os alunos»; nesta medida e habitualmente, estes grupos são olhados por quem frequenta a escola com desconsideração, os docentes sentem a angustia de trabalhar com turmas difíceis, os restantes alunos o receio de frequentarem o mesmo espaço e os pais/encarregados de educação deixam as críticas e os comentários ao ambiente que se faz sentir; aparentemente ninguém, mas mesmo ninguém, nem mesmo aqueles que constituem o grupo , gosta deste tipo de ofertas;
a minha participação, num assumido processo de investigação-ação com alguns retoques de formação-ação,  vai ao encontro de duas preocupações; por um lado, participar no processo de avaliação interno, aferindo as situações e contribuindo para a sua dimensão organizacional no próximo ano letivo; por outro lado, aproveitar as dinâmicas de conflito resultantes da relação instituída entre alunos e docentes deste grupo enquanto elemento potenciador de mudança, seja ela aquela que acontece em contexto de sala de aula, seja em termos organizacionais, nomeadamente no envolvimento de estruturas, na gestão de recursos ou mesmo na definição de competências inerentes ao currículo; 
enquanto elemento potenciador de mudança, um percurso curricular alternativo tem, desde que aproveitado e canalizado nesse sentido, tudo o que é importante para a mudança; tem conflito, pois em tempo de paz ninguém mexe palha, não se sai da zona de conforto, tendemos à estabilidade e equilíbrio situacional, coisa ausente num pca; apresenta um manifesto desequilíbrio com a escola dita regular, isto é, a população carece de outras estratégias, outras metodologias, outras dinâmicas em contexto de sala de aula, seja por via do aproveitamento, que é sempre muito, muito baixo, seja por via do constante desafio, quando não mesmo conflito, que se institui entre autoridade (docente) e rotura (aluno); exige-se imaginação, pois o aluno não responde como o aluno de um curso regular, é sempre mais imprevisível e inconstante na resposta ou na adesão às propostas de trabalho; é volátil, tudo se passa de repente, seja pelo conflito, seja pela surpresa com que as coisas acontecem; há partilha, os docentes, por via administrativa, isto é, obrigatória, ou voluntariamente, falam sobre os seus problemas, trocam ideias, partilham recursos e, por vezes, definem estratégias; há avaliação, mais não seja porque se é obrigado a apresentar relatórios das estratégias e da análise da situação dos alunos, individual e coletivamente; 

há quase sempre uma primeira vez

talvez esta minha primeira vez não conte... ou conta;
acompanho um grupo/turma de percurso curricular alternativo, nomeadamente constituindo-me como adjunto (coadjuvante) de uma colega; imiscuo-me na aula, pois claro, não fosse este meu feitiozinho, largo o meu tatibitaite, apesar de procurar preservar e reservar o espaço da colega que me empurra lá para dentro; 
ontem, numa das sessões, preparava-se o trabalho, coisa pouca, comentar um filme, retirar dele duas ou três ideias que pudéssemos trocar entre todos; mas um miúdo já habitué realçava todo o seu empenho em moer o juízo aos professores e aos colegas, impedir o que quer que fosse, alguém fizesse o que fosse; trocamos palavras e argumentos, empertigámo-nos um ao outro, medimos forças, aferimos poderes e acabei com a conversa abrindo-lhe a porta e mandando-o sair; 
a aula decorreu como poucas vezes, empenho, participação, algum sossego e um mais que razoável ambiente de trabalho;
foi a minha primeira vez que não aguentei um miúdo dentro da sala de aula...

criança em espaço próprio

de quando em vez surpreendo-me com as pessoas, em particular com os mais jovens - por isso gosto da minha profissão;
dou conta de um miúdo da minha escola entre os 12 e os 13 anos, um vivo diabo, irrequieto, traquina, fraco estudante, maus resultados, uma repetência no 2º ano até agora, que está no 6º ano, com fraca acção escolar pois não gosta de acatar ordens, responde com palavra pronta na ponta da língua;
a roupa que trás, gasta pelo uso, suja de limpar o chão da escola em amenas brincadeiras e correrias, quando não mesmo uma ou outra tropelia, não favorecem a imagem;
mas ontem era vê-lo; subiu para o autocarro a acompanhar a avó e a irmã mais novas; um homem pequenino; mais que isso, assumia toda a sua responsabilidade e o seu papel de zelar pela segurança dos que acompanhava; uma senhora, ao reparar naqueles três comentou para a avó e para quem quis ouvir, isso é que é, um autêntico homenzinho; não o imagina ela na escola, por onde se rebola, esfrega o chão, foge a professores e funcionários, espicaça tudo e todos; afinal, talvez seja um dos poucos, senão mesmo o único espaço, onde esta criança pode ser criança...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

mudança ficando na mesma

Na escola e na educação um dos elementos da mudança regista-se, qual ironia, na permanência das situações, modos e organização da escola;
É tema recorrente na minha escrita, nas divagações que por aqui faço, mas é também elemento incontornável das preocupações o facto de a escola se manter persistentemente como nos anos 80 do século passado, período onde foram definidos os modos e os contornos organizacionais do tempo escolar, tais como constituição de turmas, organização funcional dos grupos, a estrutura disciplinar, o funcionamento das estruturas, conselho pedagógico, grupos/departamentos, sistema de avaliação, curriculo, etc, etc;
Nos tempos presentes, torna-se essencial ultrapassar lógicas de organização individual, solitárias; ultrapassou-se, nos tempos mais recentes, o isolacionismo do primeiro ciclo, mas isolou-se, por incapacidade, fuga ou simples segurança, todos os restantes docentes dos demais ciclos de ensino;
Frases feitas e lugares comuns caíram  no esquecimento sem que fossem substituídas, o vazio passou a ocupar um lugar determinante na acção educativa, caso de trabalho colaborativo, interdisciplinariedade, apoios educativos, estudante, estratégias, rede, comunidade escolar, entre outras; outras houve que foram slogans que muitos utilizaram, alguns sem perceber o seu sentido, outros sem preocupação de operacionalizarem, outros apenas por efeito de retóricas assente ou decorrente de modas, como foi o de autonomia, projecto, aluno, sujeito, politica, etc;
Interessante q. b., refere-se ao facto de as politicas educativas que têm sido definidas se basearem em muitas práticas que por ai se implementaram e criaram em muitos contextos, como serviram e foram oportunidade para desbravar caminhos e re-inventarem sentidos ao trabalho escolar; 
Hoje por lógicas e opções, o espaço de criação na escola não existe e as politicas redefinem apenas obrigações, normas, regras e imposições; retoma-se o aluno como objecto da acção educativa, com a agravante de se lhe juntar o docente enquanto objecto e não parceiro; a gestão, por medo, inépcia ou simples incompetência do deixa ver o que dá, colabora, quando não reforça está opção, por ausência de uma estratégia, por indefinição de opções, consequência do enorme vazio politico que tem promovidos na escola;

mudanças

Esta crise, que bem que poderá vir a ser conhecida como a crise das crises, está a mudar-nos, a alterar comportamentos, relações, formas de estar e de sermos, culturas, lógicas de organização; muito dificilmente sairemos dela como entramos, tenhamos consciência de tal facto ou não, sejamos nós capazes de indicar ou identificar aquilo que muda e o que fica, sejamos capazes de navegar na crista da onda ou sermos trucidados por ela, desaguarmos felizes e contentes numa qualquer praia ou esgotados no fim dos oceanos;
Serão muitas as áreas em que mudaremos, das sociais às familiares, das politicas às profissionais, das culturais às organizacionais os tempos são de mudança profunda; podemos olhar os tempos como se tudo ficasse ou continuasse na mesma, podemos ignorar ou fingir que não é nada connosco, que não nos diga respeito ou simplesmente procurar adaptar-nos, com maior ou menor dificuldade, dando um jeito daqui e dali, às circunstancias e aos tempos, às modas e aos modos;
Mas tudo muda à nossa volta, as relações sociais estão diferentes, há outras formas de juvenialidade que se prolonga, distende pelos anos; neste campo as sexualidades ganham fluidez, uma imbricação entre géneros, modos e formas de assumir os comportamentos e as relações; Perde-se, na aparência, o papel de um e de outro, interligam-se, penetram-se mutuamente, como se excluem por si;
as hierarquias diluem-se em ilusões de rede, perdendo-se ligações onde não se ganha autonomia; o próximo fica mais distante mas longe da relação com aquele que está distante;
Na escola, para não me esticar em dimensões profissionais que não domino, pwrdem-se papéis, diluem-se nas ausências do que não se assume, nas competências que se perdem e nos saberes que não se ganham;
O mundo está diferente e nós com ele...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

coisas ao contrário

em termos educativos quisemos acreditar (e alguns ainda querem) que a formação e a educação mudaria muito ou tudo; crozier e passeron foram crucificados nos idos 70 do século passado por provarem que a educação mais não faz que assegurar as continuidades sociais, a reprodução daquilo que temos e não, muito distante, do que queremos;
durante muito tempo, em portugal e não só, se mascaram resultados e políticas, se confundiram opções com organização, o sistema educativo com o sistema social, qual o resultado? a perpetuação do óbvio, isto é, o acesso do povo a alguns sítios ou lugares, a manutenção das elites, sejam elas o que forem, na condução do mando e do quero e posso; o sistema educativo acabou por ser mera ilusão, sonho perene de abril e de alguns que acreditaram que abril mudaria alguma coisa, não mudou, permanece a mesma iniquidade política e social, a escola abriu-se, alargou gentes mas permanece selectiva, sectária, segmentada;

ensaios

tenho por aqui escrito entre a divagação e as notas soltas, entre tons de educação e ares de política educativa; hoje surge, para memória futura, uma nova etiqueta, a de ensaio, onde procuro discorrer sobre o que me rodeia, tal como é hábito na minha escrita, mas agora com tons de ensaio, isto é, medeiam a análise e a interpretação, a descrição e a compreensão do que me rodeia; uma outra forma de interpretar aquilo que sinto por intermédio daquilo que vejo, ou será o contrário...
não valem nada nem para nada, apenas para memória futura, seja isso o que for...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

poder e relações do dito cujo

De quando em vez a blogosfera local promove discussão que até pode ser interessante, como é o caso de algumas das ultimas entradas do grupo dos cinco;
Na referência que fiz assumo duas notas;
Os conceitos de poder e, consequentemente, das relações que lhe estão inerentes, podem ser vistas sob diferentes perspectivas, desde as funcionalistas às estruturalistas ou pós qualquer coisa (de Foucault a Sousa Santos é escolher); a forma como o poder é perspectivado e analisado vai determinar, em muito, como se pressupõem as relações que lhe estão inerentes; defendo que tanto o conceito como as relações de poder  têm mudado e, por outro lado, muitos feito para que não mude numa aparente dialéctica de afirmação e protagonismos, como de oposição e confronto onde, uns e outros, mais não fazem que perpectuar lógicas funcionalistas das relações de poder; 
como segunda referência e intimamente ligada às questões do poder, o texto que referencio é um hino ao espírito tuga, não me interessa o que é nem como é, só sei que não me interessa, numa lógica que pode variar entre  o pretenso espírito anarquista e a simples contestação infanto-juvenil do por que sim ou por que não e pronto; 
entre um e outro, formas de poder e exercício político e partidário do assumir, não se crie a ilusão que o poder ou os partidos são entidades que transcendem o colectivo social, que vivem fora ou acima dele ou do conjunto de pessoas que constituem um tempo e um espaço, marcado que é por um conhecimento e por acções mais ou menos colectivas; o poder, os partidos, as organizações, este meu blogue são o que as deles fazemos e têm apenas a importância que lhe damos; 

pdi

A idade vai fazendo das suas, desgasta o físico, mói a cabeça e, entre um e outro, alteram-se estados de espirito; ontem foi dia de revisão quase geral, na continuidade do que costumo fazer no inicio de cada ano; consequência, o senhor dos olhos fez uma mais que adequada e pertinente observação, tenho uma quarentite muito aguda que ira descambar em cinquentite muito em breve;
Que me aguente, pois claro...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

questão de conduta

a colaboração com o grupo de percurso alternativo dá para perceber e compreender alguns mecanismos de funcionamento da sala de aula, da relação entre quem (pretensamente) ensina e quem (pretensamente) aprende;
há coisas de senso comum, mas ainda pouco praticadas, como, p.e., o envolvimento do aluno no seu processo, a criação de produtos de aprendizagem, a responsabilização mediante a avaliação mais imediata, o feedback constante e oportuno, a clareza dos objectivos;
mas há que assumir, por parte dos docentes, perante grupos e turmas em regime não regular, como é o caso dos currículos alternativos, a coragem e a ousadia de sair da zona de conforto, o mais das vezes definida pela realização de testes padronizados, pela uniformização de procedimentos, pela avaliação quantitativa, pelo normalização da acção; situações que raramente resultam e, não raramente, podem resultar em situações de indisciplina, na alteração dos comportamentos e numa conduta por vezes intempestiva e conflituosa entre professor e aluno;
perante a alteração de comportamento e pelo enfoque colocado nas condutas, não vale a pena inventar, mas partilhar opções, falarmos uns com os outros, perceber o que resulta num lado e por que resulta, partilhar ideias;esta uma proposta interessante;

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

não direi preocupante, mas...

foi hoje publica a orgânica da Direcção Geral dos Estabelecimentos escolares, numa lógica algo passadista, a olhar ao estabelecimento como algo reificado, extensão corpórea do ministério, tentáculo acéfalo e desprovido de sentido próprio, mas que depende da cabeça; uma legislação que remete para outros tempos, incluindo a criação dos seus delegados regionais (artº 1º, nº 3); perdem espaço próprio, perde-se autonomia para se criarem extensões, elementos de controlo remoto, mas...
com um asseto tónico colocado logo na primeira alínea das suas competências (artº. 3º), 

Acompanhar, coordenar e apoiar a organização e o funcionamento dos estabelecimentos de educação situados na respetiva circunscrição regional


de tal modo abrangente que lá recairá toda a descricionaridade e arbitrariedade déspota e, por vezes, ignorante dos seus delegados;
reservado ao futuro...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

conselho geral: espaço político ou encenação pobre

os tempos que correm, na educação, são próprios, ou impróprios, para a aferição do papel, objectivos e protagonismo dos conselhos gerais;
resultado das agregações, mas também pelo facto de muitos directores terminarem no corrente ano o seu mandato, os conselhos gerais serão chamados a assumir o seu papel e, nos tempos que correm, com alguma relevância acrescida relativamente à sua tradicional postura - digo desde já, algo apagada ou acinzentada no contexto das políticas educativas;
do ponto de vista da legislação (decretos-lei 75/2008 e 137/2012), refere-se o conselhos geral como:

"o órgão de direção estratégica responsável pela definição das linhas orientadoras da atividade da escola, assegurando a participação e representação da comunidade educativa, nos termos e para os efeitos do n.º 4 do artigo 48.º da Lei de Bases do Sistema Educativo"

No terreno educativo o conselho geral, de resto à semelhança do que já antes aconteceu com as assembleias de escola, são minimizados, desvalorizados, desconsiderados;
não tenho esta ideia, nem das antigas assembleias de escola nem dos conselhos gerais e resulta, em muito, do receio de as pessoas assumirem o protagonismo político - afinal cavaco silva, um dos maiores animais político do pós 25 de abril, não se assume como político, dando concretização à nossa aparente apolitização social;
poder-se-á argumentar que pouco ou nada fazem, que o seu espaço de acção e de intervenção é reduzido, quando não mesmo inexistente; que estão partidarizadas ou simplesmente municipalizados (como se fosse coisa feia ou má, conspurcada); 
não aceito qualquer uma das ideias desde logo por que serão aquilo que os seus elementos deixarão ou quererão que seja, e o legislador ainda não abdicou da maioria de elementos educativos;
os conselhos gerais são, para todos os efeitos, a estrutura de cúpula de uma escola/agrupamento, valerão não pela sua capacidade de execução mas pelas perguntas que os seus elementos sejam capazes de colocar, pelo processo de acompanhamento (senão mesmo de avaliação) do trabalho desenvolvido, da assunção de responsabilidades (num país onde a culpa morre quase sempre solteira, tadinha dela); é ali, em sede de conselho geral, que se apresentam contas, que se estabelecem políticas, que se definem critérios, regras e normas de orientação da acção colectiva;
que temos alguns receios da chamada politização desta estrutura, é verdade, mas não confundir política, enquanto definição de opções e escolhas do caminho a percorrer, com posições partidárias ou sectárias - e não é preciso pertencer a um partido para se ser sectário, pois não; 
os conselhos gerais que assumam o seu protagonismo ou, pelo menos, o papel que lhes foi conferido pelo legislador, ainda por cima em tempo de verificação de contas, isto é, de confronto entre projectos de intervenção e o sítio onde se está, ou as opções quanto aos modos e aos caminhos que se querem, como se querem e com quem se querem percorrer; 
e eu já fui presidente de um 

coincidências

há muito tempo e em diferentes circunstâncias, que os espaços sociais tugas são inundados por adizeres de eça de queiróz, ramalho ortigão, oliveira martins, entre muitos outros pensadores e escritores políticos portugueses do século xix;
achamos interessante a pertinência do seu pensamento e, acima de tudo, a sua contemporaneidade e pertinência; 
esquecemos que a sua presença e pertinência, nos dias de hoje, decorre, em muito, do facto de o país não ter mudado; 
continuamos, para quase todos os efeitos, arreigados às alternâncias partidárias, ao caciquismo social, à afirmação de protagonismos sociais, à preponderância de elites, sejam elas políticas ou outras, à valorização da idade em detrimento das competências, dos títulos em lugar dos resultados, das aparências em vez dos factos, a sermos juízes em causas próprias ou homens-bons em coisas más; 
portugal não mudou assim tanto entre a segunda metade do século xix e o princípio do século xx... e é pena...

professor

no âmbito da turma de currículos alternativos dá, enquanto observador, para perceber a importância estrutural do professor no contexto da sala de aula;
ultrapasso todos os lugares comuns relativos à importância de professor nesse contexto;
é enquanto "treinador", isto é, elemento que determina a coerência entre a diversidade de situações e atribui ou constrói um mesmo sentido a diferentes personagens que destaco o papel do professor; ser capaz de interpretar o jogo que ali se desenrola, avaliar a dinâmica relacional das estratégias colocadas em campo, apreciar os protagonismos individuais, o seu contributo para o colectivo, a capacidade de desequilíbrio de um ou de outro dos jogadores, as simulações e o "teatro" deste ou daquele que torna o papel e a interpretação do treinador determinante;
de quando em vez precisamos de apoio, colaboração para conseguir perceber a importância do professor e só com alguma coragem o fazemos, felizmente alguns fazem....

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

projectos municipais

há muito e pelos diferentes espaços por onde passei, que defendo, juntamente com outros, a existência de projectos educativos de âmbito municipal;
é certo que muitos ficaram a olhar para o je a perguntarem-se sobre que coisa é esta, para que serve, o que define, como se faz, que implicações tem;
o desconhecimento, quando não mesmo a ignorância sobre processos de integração, articulação e regulação de políticas locais de âmbito social são as razões das perguntas e da inoperância, isto é, da inexistência deste tipo de projectos; falta formação e competências ao pessoal, seja dos municípios (daí o meu receio pela eventual municipalização da educação), seja das escolas/agrupamentos (e daí os receios ou as questiúnculas sobre a delegação de competências) para que sejam capazes de sair da sua zona de conforto e assumir as políticas locais como forma de acção;
mas isso sou eu, pois claro, a pregar no deserto e falar de balelas... 

arrailos

numa pequena mensagem, num espaço algo inusitado, surgiu a indicação que  palmeira chaveiro, presidente da junta de freguesia de vimieiro, será a candidata do ps à câmara de arraiolos;
resta saber como reagirá a estrutura local do pc (arraiolos, ou de vimieiro) à coisa, é que de zangas o tempo já passou; comigo contam apenas à distância, mas contam....

manif

vou procurar estar presente, apesar dos horários da esposa e dos condicionalismos que isso acarreta;
mas, já há algum tempo, disse em sítio público cá da terra, que dificilmente existirá uma manifestação com 50 mil profs e acompanhantes (longe, muito longe, dos 100 mil de há quatro anos atrás;
o pc, isto é, a fenprof, gosta que a coisa esteja no quanto pior melhor, portanto e se a coisa for do ps, é mesmo bota abaixo, se for do psd, como é o caso, a alternativa é, para todos os efeitos, o ps, e o pessoal (da fenprof, pois claro) não gosta mas, de momento, não conseguem perspectivar alternativas e têm que dar o corpinho ao manifesto, a garganta ao barulho;
vou gostar, salvo seja, de ouvir a opinião do camarada nogueira e os comentários do pessoal do spzs, tais como joaquim páscoa, sempre solícitos contra o eixo do mal, mas vazios na alternativa, como vazios nas propostas...

no ps

no ps, partido em que milito desde os idos anos 90 do século passado, é possível encontrar de tudo, aqueles que se anunciam como convidados aos que se afirmam como redentores, passando por aqueles que apenas vão com o vento, consoante o momento - e o vento;
os tempos presentes, entre pedidos de antecipação do congresso e pedidos de posição e protagonismos perante as autárquicas, servem para todos os gostos, conquistam.-se espaços para quase todos os interesses;
e há dois que se destacam, por um lado, aqueles que olham ao umbigo, não conseguem, por muito que tentem, ir além da ponta do seu nariz, do dia de amanhã, do mais imediato em política; 
outros, porventura mais estratégicos, procuram aliar o imediatismo das modas com a concertina dos tempos e ver para onde sopra o vento; 
uns e outros sem quererem ficar presos a uma imagem mais particular e individual, procuram ser mais estratégicos, mas apenas nos seus interesses, esquecem ou renegam o colectivo em detrimento do individual;
em todo o lado, em todos os partidos há gente assim, coisas assim; 
por mim, aprecio apenas a sua passagem, como se do tempo se tratasse, das águas de rio que segue o seu curso;
é um privilégio...

coisas do tempo

o tempo dá para muito lados, diferentes interpretações e aquilo que cada um pode ou quer entender;
por estes lados e no que me diz respeito, o tempo está cinzento, húmido, triste;
tou cansado, cabisbaixo, triste pelo tempo;
preciso, qual caracol, de sol, tempo azul, céu fresco para que possa espreitar por aí....

imagem retirada daqui;

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

alternativo

Pesquiso e Organizo informação sobre os currículos alternativos, pca; fruto da oportunidade que me foi concedida, de andar a ganhar pela escola, coisa que alguns têm inveja, defini, com o órgão de gestão, que 
um dos meus objectivos passa por apoiar a turma de pca;
O apoio traduz-se em três áreas, administrativa (desmaterialização de processos e procedimentos), pedagógica (mediante processo de investigação acção) e, a parir deste ultimo considerando o definido na legislação, a avaliação da sua implementação; 
Nesta sequência já articulei com a coordenadora do grupo algumas opções de metodologia de modo a suportar o processo de investigação e a criar os necessários suportes empíricos, um claro desafio e uma das áreas aliciantes neste processo;
Enquanto opções metodológicas optei por: 
Criação de diário da coordenadora, onde possa colocar ideias, sentimentos, factos ocorridos, expressar opiniões, verter um pouco do seu quotidiano;
Análise de trabalhos, em forma de registos não programados de  alunos;
Observação de reuniões tendo como elementos de referência ideias expressas sobre o papel de cada um dos intervenientes e da escola, os recursos envolvidos, as estratégias de trabalho definidas, o conhecimento e as áreas de conhecimento mobilizadas;
Entre outras das quais irei dando conta;
Agradeço a oportunidade que me foi concedida e espero dar conta dela...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

erros e leituras


o tempo, o conhecimento e algumas ciências vieram redefinir e reescrever conceitos, prescrever atitudes e, muita das vezes, determinar as formas de relacionamento que adoptamos;
por muito incrível que a alguns possa parecer não foram propriamente as ciências da educação a redefinir modos e modas da relação pedagógica; muitas vezes foram as ciências médicas - ou lá próximas - que vieram determinar as relações que temos, com os filhos, com os alunos, com o outro;
este artigo deixa isso algo evidente, nomeadamente de não se cair em excessos ou exageros que retirem responsabilidades a quem toma uma qualquer atitude;
por vezes e para resolver muitas situações que ocorrem em sala de aula, nada melhor que uma postura mais drástica e radical por parte de professores (se a souberem assumir) para que a criança perceba qual o seu lugar - para já não falar nos pais que muitas vezes esquecem que são a primeira e essencial fonte de poder e autoridade na regulação dos comportamentos dos filhos...

alternativas

em semana de preparação de manifestação - à qual irei - resta-me procurar alternativas educativas às políticas que desmancham, des-regulam e desorientam a escola, os professores e muitos dos que com as políticas educativas se relacionam;
sou defensor que a escola se tinha que adaptar a novos tempos, novos pretextos, outras necessidades e diferentes circunstâncias que, desde há praticamente 20/25 anos a esta parte, têm assumido a escola como palco; 
quais as alternativas - sociais e pedagógicas - à avalanche ultra liberal de aumento do número de alunos por turma, à proletarização e funcionalização docente, à procura desenfreada de taxas de eficácia e eficiência, gestão de recursos e resultados?
uma alternativa poderá passar pelo aumento dos contratos de autonomia onde, mediante a definição de parte a parte de indicadores, objectivos e resultados se poderá fazer uma outra gestão da organização educativa, onde se considerem, local e contextualizadamente, os recursos, as condições e os objectivos; 
entre uma e outra das opções o meu receio - e alguma incapacidade, reconheço - é evitar a total ou completa des-regulação do sistema, isto é, a atomização de cada escola, o fechamento sobre si mesma de cada unidade...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

educação e "ensinagem"


reconheço que, no momento, um dos elementos que me desgasta e consome é alguma despaixão pela minha profissão; sempre, desde o princípio que gosto de ser professor, nunca percebi lá muito bem como é que me surgiu este gosto, mas desde o primeiro dia, da minha primeira presença em sala de aula que gosto da profissão, do convívio, do confronto, da relação, do negócio, da disputa, do improviso que acontece numa sala de aula; 
um professor é um pouco de tudo, de actor, criamos e recriamos personagens, estórias, narrativas, escritas de uns e de outros; rimos e fazemos rir, choramos mas aqui, o mais das vezes, no conforto e segurança dos bastidores, partilhamos emoções, estados de espírito, ideias e ideologias, valores e cultura; temos e recebemos palmas, apupos, olhares de emoção e outros de recriminação; há quem perceba o texto, há quem se fique pelo pretexto, há quem siga a pauta, há quem crie a sua pauta; 
para mim professor é isto, é acreditar que existe amanhã, que pode ser melhor, que é feito pelas pessoas, que a escola pode e é uma oportunidade para muitos, para subir na vida (já foi), para aprender, para conhecer mas, acima de tudo, para despertar curiosidades, levantar questões, colocar dúvidas, saber ir em frente mas corrigir caminhos se necessário;
todo o meu percurso pessoal e profissional foi assim, orientado por um estado de espírito, por emoções, daí dizer sempre e estar por aqui escrito, que sou eu e o meu contexto, feito de pessoas e emoções, sentimentos e relações, gostos e ambições, tudo misturado, mas também partilhado;
ao ler esta entrevista reaparece um pouco daquilo que me leva a gostar de ser professor e que, fruto das políticas mais recentes, tem andado bem alheado de mim mesmo;
sinto falta destes textos, destas conversas, dos pequenos nadas que nos fazem sentir úteis, de acreditar que é possível ir em frente, sonhar, apenas isso, sonhar
este governo tem tido o condão de me obrigar a olhar a escola e a educação como se de uma mercearia se tratasse, o que eu não gosto e me recuso, (com  custos que poucos conhecem), onde os pequenos nadas de todo o meu mundo, fossem dispensáveis, prescindíveis, supérfluos; não são; 
a escola continuará, o governo, tudo farei para que não...

intermitências

não me apetece escrever;
de há muito tempo que os primeiros meses do ano são o ponto mais baixo do meu biorritmo; 
apatia, indiferença, lassidão fazem com que me arraste por estes dois meses; 
faz-me lembrar uma qualquer espécie de hibernação, aguardo que cheguem dias mais soalheiros, recupere da noite e do frio;
até lá arrasto-me

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

dos tempos

para o comum dos mortais as eleições autárquicas estão ainda muito longe, serão em outubro deste ano;
mas há ou já se registam, para muitos, movimentações que permitem vislumbrar o que estará em jogo nessa eleição;
entre muitas coisas que se debaterão em muitos lados, há uma que cruza concelhos e partidos e se afirmará - como é o que resta saber - na altura do voto; 
refiro-me ao papel e à imagem dos políticos e da política de um modo geral;
estou afastado deste mundo, por deliberação e por opção, faço parte do comum dos mortais, mas não abdicarei nunca de opinar sobre o que me rodeia; nesta perspetiva considero que as próximas eleições poderão ser um bom momento de avaliação ao estado político da política e dos políticos nacionais;
considerando que serão eleições muito próximas das pessoas, onde os candidatos detém grande conhecimento do contexto e daqueles que o rodeiam, coo o inverso poderá também ser verdadeiro, poderá ser um momento para verificar até que ponto esta nossa democracia criou erosão aos políticos ou como se consolidaram ideias e imagens de uns e de outros numa disputa eleitoral; como serão conhecidos e reconhecidos, como se relacionarão com os próximos e com os afastados, como se repercutirá o voto nos partidos do poder e nos de oposição (local e nacional), como se vislumbrarão arranjos, equilíbrios e interesses locais e regionais na coisa da democracia, o que será apregoado por candidatos e o que será exigido por populações; 
não tenho dúvidas que existirão argumentos para todos os gostos, opções para todas as cores relativamente às posições de cada um e aos resultados que cada qual poderá obter; o certo é que, nesta minha região, o pc corre o sério risco de (re)ganhar protagonismos, o ps de perder (deliberadamente pelo que me parece) posições e de tudo, de uma ou de outra forma, ficar na mesma, o povinho na mó debaixo, o alentejo estagnado por uma ou por das opções, o tempo a marcar passo e o lider nacional de passagem;
este é mesmo para memória futura, o tempo e a democracia o determinará...

movimentações

os tempos e os momentos são de tal modo confusos que sobrou para um dos sindicatos de docentes cá da burgo; 
atão não é que parece que as comadres se zangaram e agora há, dentro do mesmo partido e do mesmo sindicato, diferentes candidatos ao mesmo lugar?
parece que o eterno funcionário do sindicato e do partido, qual fantoche, corre sério risco de ser apeado; nem digo por que razões, pois são mesmo, pelo que ouvi, muito particulares;
talvez lhe sobre aquilo que não queria, ser cabeça de lista cá pelo burgo... será....