quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

questão de conduta

a colaboração com o grupo de percurso alternativo dá para perceber e compreender alguns mecanismos de funcionamento da sala de aula, da relação entre quem (pretensamente) ensina e quem (pretensamente) aprende;
há coisas de senso comum, mas ainda pouco praticadas, como, p.e., o envolvimento do aluno no seu processo, a criação de produtos de aprendizagem, a responsabilização mediante a avaliação mais imediata, o feedback constante e oportuno, a clareza dos objectivos;
mas há que assumir, por parte dos docentes, perante grupos e turmas em regime não regular, como é o caso dos currículos alternativos, a coragem e a ousadia de sair da zona de conforto, o mais das vezes definida pela realização de testes padronizados, pela uniformização de procedimentos, pela avaliação quantitativa, pelo normalização da acção; situações que raramente resultam e, não raramente, podem resultar em situações de indisciplina, na alteração dos comportamentos e numa conduta por vezes intempestiva e conflituosa entre professor e aluno;
perante a alteração de comportamento e pelo enfoque colocado nas condutas, não vale a pena inventar, mas partilhar opções, falarmos uns com os outros, perceber o que resulta num lado e por que resulta, partilhar ideias;esta uma proposta interessante;

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

não direi preocupante, mas...

foi hoje publica a orgânica da Direcção Geral dos Estabelecimentos escolares, numa lógica algo passadista, a olhar ao estabelecimento como algo reificado, extensão corpórea do ministério, tentáculo acéfalo e desprovido de sentido próprio, mas que depende da cabeça; uma legislação que remete para outros tempos, incluindo a criação dos seus delegados regionais (artº 1º, nº 3); perdem espaço próprio, perde-se autonomia para se criarem extensões, elementos de controlo remoto, mas...
com um asseto tónico colocado logo na primeira alínea das suas competências (artº. 3º), 

Acompanhar, coordenar e apoiar a organização e o funcionamento dos estabelecimentos de educação situados na respetiva circunscrição regional


de tal modo abrangente que lá recairá toda a descricionaridade e arbitrariedade déspota e, por vezes, ignorante dos seus delegados;
reservado ao futuro...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

conselho geral: espaço político ou encenação pobre

os tempos que correm, na educação, são próprios, ou impróprios, para a aferição do papel, objectivos e protagonismo dos conselhos gerais;
resultado das agregações, mas também pelo facto de muitos directores terminarem no corrente ano o seu mandato, os conselhos gerais serão chamados a assumir o seu papel e, nos tempos que correm, com alguma relevância acrescida relativamente à sua tradicional postura - digo desde já, algo apagada ou acinzentada no contexto das políticas educativas;
do ponto de vista da legislação (decretos-lei 75/2008 e 137/2012), refere-se o conselhos geral como:

"o órgão de direção estratégica responsável pela definição das linhas orientadoras da atividade da escola, assegurando a participação e representação da comunidade educativa, nos termos e para os efeitos do n.º 4 do artigo 48.º da Lei de Bases do Sistema Educativo"

No terreno educativo o conselho geral, de resto à semelhança do que já antes aconteceu com as assembleias de escola, são minimizados, desvalorizados, desconsiderados;
não tenho esta ideia, nem das antigas assembleias de escola nem dos conselhos gerais e resulta, em muito, do receio de as pessoas assumirem o protagonismo político - afinal cavaco silva, um dos maiores animais político do pós 25 de abril, não se assume como político, dando concretização à nossa aparente apolitização social;
poder-se-á argumentar que pouco ou nada fazem, que o seu espaço de acção e de intervenção é reduzido, quando não mesmo inexistente; que estão partidarizadas ou simplesmente municipalizados (como se fosse coisa feia ou má, conspurcada); 
não aceito qualquer uma das ideias desde logo por que serão aquilo que os seus elementos deixarão ou quererão que seja, e o legislador ainda não abdicou da maioria de elementos educativos;
os conselhos gerais são, para todos os efeitos, a estrutura de cúpula de uma escola/agrupamento, valerão não pela sua capacidade de execução mas pelas perguntas que os seus elementos sejam capazes de colocar, pelo processo de acompanhamento (senão mesmo de avaliação) do trabalho desenvolvido, da assunção de responsabilidades (num país onde a culpa morre quase sempre solteira, tadinha dela); é ali, em sede de conselho geral, que se apresentam contas, que se estabelecem políticas, que se definem critérios, regras e normas de orientação da acção colectiva;
que temos alguns receios da chamada politização desta estrutura, é verdade, mas não confundir política, enquanto definição de opções e escolhas do caminho a percorrer, com posições partidárias ou sectárias - e não é preciso pertencer a um partido para se ser sectário, pois não; 
os conselhos gerais que assumam o seu protagonismo ou, pelo menos, o papel que lhes foi conferido pelo legislador, ainda por cima em tempo de verificação de contas, isto é, de confronto entre projectos de intervenção e o sítio onde se está, ou as opções quanto aos modos e aos caminhos que se querem, como se querem e com quem se querem percorrer; 
e eu já fui presidente de um 

coincidências

há muito tempo e em diferentes circunstâncias, que os espaços sociais tugas são inundados por adizeres de eça de queiróz, ramalho ortigão, oliveira martins, entre muitos outros pensadores e escritores políticos portugueses do século xix;
achamos interessante a pertinência do seu pensamento e, acima de tudo, a sua contemporaneidade e pertinência; 
esquecemos que a sua presença e pertinência, nos dias de hoje, decorre, em muito, do facto de o país não ter mudado; 
continuamos, para quase todos os efeitos, arreigados às alternâncias partidárias, ao caciquismo social, à afirmação de protagonismos sociais, à preponderância de elites, sejam elas políticas ou outras, à valorização da idade em detrimento das competências, dos títulos em lugar dos resultados, das aparências em vez dos factos, a sermos juízes em causas próprias ou homens-bons em coisas más; 
portugal não mudou assim tanto entre a segunda metade do século xix e o princípio do século xx... e é pena...

professor

no âmbito da turma de currículos alternativos dá, enquanto observador, para perceber a importância estrutural do professor no contexto da sala de aula;
ultrapasso todos os lugares comuns relativos à importância de professor nesse contexto;
é enquanto "treinador", isto é, elemento que determina a coerência entre a diversidade de situações e atribui ou constrói um mesmo sentido a diferentes personagens que destaco o papel do professor; ser capaz de interpretar o jogo que ali se desenrola, avaliar a dinâmica relacional das estratégias colocadas em campo, apreciar os protagonismos individuais, o seu contributo para o colectivo, a capacidade de desequilíbrio de um ou de outro dos jogadores, as simulações e o "teatro" deste ou daquele que torna o papel e a interpretação do treinador determinante;
de quando em vez precisamos de apoio, colaboração para conseguir perceber a importância do professor e só com alguma coragem o fazemos, felizmente alguns fazem....

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

projectos municipais

há muito e pelos diferentes espaços por onde passei, que defendo, juntamente com outros, a existência de projectos educativos de âmbito municipal;
é certo que muitos ficaram a olhar para o je a perguntarem-se sobre que coisa é esta, para que serve, o que define, como se faz, que implicações tem;
o desconhecimento, quando não mesmo a ignorância sobre processos de integração, articulação e regulação de políticas locais de âmbito social são as razões das perguntas e da inoperância, isto é, da inexistência deste tipo de projectos; falta formação e competências ao pessoal, seja dos municípios (daí o meu receio pela eventual municipalização da educação), seja das escolas/agrupamentos (e daí os receios ou as questiúnculas sobre a delegação de competências) para que sejam capazes de sair da sua zona de conforto e assumir as políticas locais como forma de acção;
mas isso sou eu, pois claro, a pregar no deserto e falar de balelas... 

arrailos

numa pequena mensagem, num espaço algo inusitado, surgiu a indicação que  palmeira chaveiro, presidente da junta de freguesia de vimieiro, será a candidata do ps à câmara de arraiolos;
resta saber como reagirá a estrutura local do pc (arraiolos, ou de vimieiro) à coisa, é que de zangas o tempo já passou; comigo contam apenas à distância, mas contam....

manif

vou procurar estar presente, apesar dos horários da esposa e dos condicionalismos que isso acarreta;
mas, já há algum tempo, disse em sítio público cá da terra, que dificilmente existirá uma manifestação com 50 mil profs e acompanhantes (longe, muito longe, dos 100 mil de há quatro anos atrás;
o pc, isto é, a fenprof, gosta que a coisa esteja no quanto pior melhor, portanto e se a coisa for do ps, é mesmo bota abaixo, se for do psd, como é o caso, a alternativa é, para todos os efeitos, o ps, e o pessoal (da fenprof, pois claro) não gosta mas, de momento, não conseguem perspectivar alternativas e têm que dar o corpinho ao manifesto, a garganta ao barulho;
vou gostar, salvo seja, de ouvir a opinião do camarada nogueira e os comentários do pessoal do spzs, tais como joaquim páscoa, sempre solícitos contra o eixo do mal, mas vazios na alternativa, como vazios nas propostas...

no ps

no ps, partido em que milito desde os idos anos 90 do século passado, é possível encontrar de tudo, aqueles que se anunciam como convidados aos que se afirmam como redentores, passando por aqueles que apenas vão com o vento, consoante o momento - e o vento;
os tempos presentes, entre pedidos de antecipação do congresso e pedidos de posição e protagonismos perante as autárquicas, servem para todos os gostos, conquistam.-se espaços para quase todos os interesses;
e há dois que se destacam, por um lado, aqueles que olham ao umbigo, não conseguem, por muito que tentem, ir além da ponta do seu nariz, do dia de amanhã, do mais imediato em política; 
outros, porventura mais estratégicos, procuram aliar o imediatismo das modas com a concertina dos tempos e ver para onde sopra o vento; 
uns e outros sem quererem ficar presos a uma imagem mais particular e individual, procuram ser mais estratégicos, mas apenas nos seus interesses, esquecem ou renegam o colectivo em detrimento do individual;
em todo o lado, em todos os partidos há gente assim, coisas assim; 
por mim, aprecio apenas a sua passagem, como se do tempo se tratasse, das águas de rio que segue o seu curso;
é um privilégio...

coisas do tempo

o tempo dá para muito lados, diferentes interpretações e aquilo que cada um pode ou quer entender;
por estes lados e no que me diz respeito, o tempo está cinzento, húmido, triste;
tou cansado, cabisbaixo, triste pelo tempo;
preciso, qual caracol, de sol, tempo azul, céu fresco para que possa espreitar por aí....

imagem retirada daqui;

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

alternativo

Pesquiso e Organizo informação sobre os currículos alternativos, pca; fruto da oportunidade que me foi concedida, de andar a ganhar pela escola, coisa que alguns têm inveja, defini, com o órgão de gestão, que 
um dos meus objectivos passa por apoiar a turma de pca;
O apoio traduz-se em três áreas, administrativa (desmaterialização de processos e procedimentos), pedagógica (mediante processo de investigação acção) e, a parir deste ultimo considerando o definido na legislação, a avaliação da sua implementação; 
Nesta sequência já articulei com a coordenadora do grupo algumas opções de metodologia de modo a suportar o processo de investigação e a criar os necessários suportes empíricos, um claro desafio e uma das áreas aliciantes neste processo;
Enquanto opções metodológicas optei por: 
Criação de diário da coordenadora, onde possa colocar ideias, sentimentos, factos ocorridos, expressar opiniões, verter um pouco do seu quotidiano;
Análise de trabalhos, em forma de registos não programados de  alunos;
Observação de reuniões tendo como elementos de referência ideias expressas sobre o papel de cada um dos intervenientes e da escola, os recursos envolvidos, as estratégias de trabalho definidas, o conhecimento e as áreas de conhecimento mobilizadas;
Entre outras das quais irei dando conta;
Agradeço a oportunidade que me foi concedida e espero dar conta dela...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

erros e leituras


o tempo, o conhecimento e algumas ciências vieram redefinir e reescrever conceitos, prescrever atitudes e, muita das vezes, determinar as formas de relacionamento que adoptamos;
por muito incrível que a alguns possa parecer não foram propriamente as ciências da educação a redefinir modos e modas da relação pedagógica; muitas vezes foram as ciências médicas - ou lá próximas - que vieram determinar as relações que temos, com os filhos, com os alunos, com o outro;
este artigo deixa isso algo evidente, nomeadamente de não se cair em excessos ou exageros que retirem responsabilidades a quem toma uma qualquer atitude;
por vezes e para resolver muitas situações que ocorrem em sala de aula, nada melhor que uma postura mais drástica e radical por parte de professores (se a souberem assumir) para que a criança perceba qual o seu lugar - para já não falar nos pais que muitas vezes esquecem que são a primeira e essencial fonte de poder e autoridade na regulação dos comportamentos dos filhos...

alternativas

em semana de preparação de manifestação - à qual irei - resta-me procurar alternativas educativas às políticas que desmancham, des-regulam e desorientam a escola, os professores e muitos dos que com as políticas educativas se relacionam;
sou defensor que a escola se tinha que adaptar a novos tempos, novos pretextos, outras necessidades e diferentes circunstâncias que, desde há praticamente 20/25 anos a esta parte, têm assumido a escola como palco; 
quais as alternativas - sociais e pedagógicas - à avalanche ultra liberal de aumento do número de alunos por turma, à proletarização e funcionalização docente, à procura desenfreada de taxas de eficácia e eficiência, gestão de recursos e resultados?
uma alternativa poderá passar pelo aumento dos contratos de autonomia onde, mediante a definição de parte a parte de indicadores, objectivos e resultados se poderá fazer uma outra gestão da organização educativa, onde se considerem, local e contextualizadamente, os recursos, as condições e os objectivos; 
entre uma e outra das opções o meu receio - e alguma incapacidade, reconheço - é evitar a total ou completa des-regulação do sistema, isto é, a atomização de cada escola, o fechamento sobre si mesma de cada unidade...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

educação e "ensinagem"


reconheço que, no momento, um dos elementos que me desgasta e consome é alguma despaixão pela minha profissão; sempre, desde o princípio que gosto de ser professor, nunca percebi lá muito bem como é que me surgiu este gosto, mas desde o primeiro dia, da minha primeira presença em sala de aula que gosto da profissão, do convívio, do confronto, da relação, do negócio, da disputa, do improviso que acontece numa sala de aula; 
um professor é um pouco de tudo, de actor, criamos e recriamos personagens, estórias, narrativas, escritas de uns e de outros; rimos e fazemos rir, choramos mas aqui, o mais das vezes, no conforto e segurança dos bastidores, partilhamos emoções, estados de espírito, ideias e ideologias, valores e cultura; temos e recebemos palmas, apupos, olhares de emoção e outros de recriminação; há quem perceba o texto, há quem se fique pelo pretexto, há quem siga a pauta, há quem crie a sua pauta; 
para mim professor é isto, é acreditar que existe amanhã, que pode ser melhor, que é feito pelas pessoas, que a escola pode e é uma oportunidade para muitos, para subir na vida (já foi), para aprender, para conhecer mas, acima de tudo, para despertar curiosidades, levantar questões, colocar dúvidas, saber ir em frente mas corrigir caminhos se necessário;
todo o meu percurso pessoal e profissional foi assim, orientado por um estado de espírito, por emoções, daí dizer sempre e estar por aqui escrito, que sou eu e o meu contexto, feito de pessoas e emoções, sentimentos e relações, gostos e ambições, tudo misturado, mas também partilhado;
ao ler esta entrevista reaparece um pouco daquilo que me leva a gostar de ser professor e que, fruto das políticas mais recentes, tem andado bem alheado de mim mesmo;
sinto falta destes textos, destas conversas, dos pequenos nadas que nos fazem sentir úteis, de acreditar que é possível ir em frente, sonhar, apenas isso, sonhar
este governo tem tido o condão de me obrigar a olhar a escola e a educação como se de uma mercearia se tratasse, o que eu não gosto e me recuso, (com  custos que poucos conhecem), onde os pequenos nadas de todo o meu mundo, fossem dispensáveis, prescindíveis, supérfluos; não são; 
a escola continuará, o governo, tudo farei para que não...

intermitências

não me apetece escrever;
de há muito tempo que os primeiros meses do ano são o ponto mais baixo do meu biorritmo; 
apatia, indiferença, lassidão fazem com que me arraste por estes dois meses; 
faz-me lembrar uma qualquer espécie de hibernação, aguardo que cheguem dias mais soalheiros, recupere da noite e do frio;
até lá arrasto-me

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

dos tempos

para o comum dos mortais as eleições autárquicas estão ainda muito longe, serão em outubro deste ano;
mas há ou já se registam, para muitos, movimentações que permitem vislumbrar o que estará em jogo nessa eleição;
entre muitas coisas que se debaterão em muitos lados, há uma que cruza concelhos e partidos e se afirmará - como é o que resta saber - na altura do voto; 
refiro-me ao papel e à imagem dos políticos e da política de um modo geral;
estou afastado deste mundo, por deliberação e por opção, faço parte do comum dos mortais, mas não abdicarei nunca de opinar sobre o que me rodeia; nesta perspetiva considero que as próximas eleições poderão ser um bom momento de avaliação ao estado político da política e dos políticos nacionais;
considerando que serão eleições muito próximas das pessoas, onde os candidatos detém grande conhecimento do contexto e daqueles que o rodeiam, coo o inverso poderá também ser verdadeiro, poderá ser um momento para verificar até que ponto esta nossa democracia criou erosão aos políticos ou como se consolidaram ideias e imagens de uns e de outros numa disputa eleitoral; como serão conhecidos e reconhecidos, como se relacionarão com os próximos e com os afastados, como se repercutirá o voto nos partidos do poder e nos de oposição (local e nacional), como se vislumbrarão arranjos, equilíbrios e interesses locais e regionais na coisa da democracia, o que será apregoado por candidatos e o que será exigido por populações; 
não tenho dúvidas que existirão argumentos para todos os gostos, opções para todas as cores relativamente às posições de cada um e aos resultados que cada qual poderá obter; o certo é que, nesta minha região, o pc corre o sério risco de (re)ganhar protagonismos, o ps de perder (deliberadamente pelo que me parece) posições e de tudo, de uma ou de outra forma, ficar na mesma, o povinho na mó debaixo, o alentejo estagnado por uma ou por das opções, o tempo a marcar passo e o lider nacional de passagem;
este é mesmo para memória futura, o tempo e a democracia o determinará...

movimentações

os tempos e os momentos são de tal modo confusos que sobrou para um dos sindicatos de docentes cá da burgo; 
atão não é que parece que as comadres se zangaram e agora há, dentro do mesmo partido e do mesmo sindicato, diferentes candidatos ao mesmo lugar?
parece que o eterno funcionário do sindicato e do partido, qual fantoche, corre sério risco de ser apeado; nem digo por que razões, pois são mesmo, pelo que ouvi, muito particulares;
talvez lhe sobre aquilo que não queria, ser cabeça de lista cá pelo burgo... será....

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

tempos difíceis

os tempos são complicados de entender, de gerir e, muito particularmente, de digerir;
o Estado Social que Portugal conquistou após Abril de 1974 está moribundo, em estado comatoso profundo, em agonia; 
que era preciso mudar diria que era inquestionável, os tempos são outros, as circunstâncias são diferentes, as solicitações e as tecnologias mudaram significativamente entre os anos 80 do século passado e o presente; mas era de mudança que se deveria tratar e não do seu fim, do seu enterro; o que se está a propor e a fazer, por vezes de mansinho, é mesmo a enterrar o Estado Social; 

incapacidade

perante as notícias, em forma de manchete:


FMI propõe dispensa de 50 mil professores ...



não resisto ao reforço dos estados de espírito que ainda ontem aqui dei conta; 
são tantas as incidências, os incidentes, os pequenos acontecimentos entre o nada e o quase tudo, a permanente disputa, o confronto direto, a negociação persistente e insistente que, de repente, somos (docentes e não docentes) confrontados com a impaciência, a incapacidade, a impotência, que tudo aumenta consideravelmente, nomeadamente a sensação de esgotamento;
assim vamos, devagar, devagarinho até à morte final do resta dos sonhos de se ser professor

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

profissão: docente

pelos tempos que correm é ver o desânimo, o esgotamento, o desencanto e o desalento perante a profissão de professor;
Entre conversas por onde se expressam estados de espírito, sentidos e sentimentos do que a profissão nos faz sentir é ouvir o fim dos lirismos, dos sonhos e das expetativas que marcaram muitos ao longo de anos, décadas de profissão; 
a saída apressada e algo intempestiva de muitos professores, faz com que se percam culturas, memorias, identidades e afetos; as escolas assentuam o seu lado mais negro, porque funcional, administrativo no seu funcionamento; queira-se ou não, goste-se ou não, a profissão está em declínio profundo e não auguro nada de bom para a geração que hoje está entre os 10 e os 14/15 anos, aqueles que mais não são que o objeto de trabalho, a massa inerte que constituí o sistema escolar (porque de educativo tem cada vez menos)...

tempos perigosos

Os tempos que vivemos mostram-nos uma ideia de quão perigosas podem ser as ideias e as opiniões;
Sem criar qualquer tipo de ligação, não me interessa replicar mentiras ou insinuações, dou como exemplo noticias sobre sondagens (e consequentes comentários e análises efectuadas), o concurso para formador do IEFP, as cogitações políticas e partidárias  visando as próximas eleições autárquicas;
Quem teve oportunidade de ler as diferentes noticias, certamente se terá apercebido do que falo, circunstancia que agrava seriamente a imprevisibilidade deste ano;
Temos como sorte e algum privilégio poder consultar outras fontes de informação, cruzar ideias, opiniões e escrita de argumentos e perceber que os tempos não correm, escorrem, não se entranha, estranha-se;

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

expetativas

tenho andado sem ideias nem vontade de escrita, pelo facto que ainda ando a tentar descobrir o que me poderá reservar este ano de 2013;
se é certo que existirão inúmeras variáveis, e algumas invariáveis, que não domino nem consigo controlar, também é certo que existem outras tantas que estão ao meu alcance de, pelo menos, as condicionar;
não consigo controlar o concurso de docentes que ocorrerá este ano; não consigo controlar o facto de um manda chuva no ps não gostar de mim (e não me refiro à figura que está na federação, coitado, esperem pela indicação da candidata a arraiolos e perceberão), não consigo controlar a vontade que sinto em ser impertinente e de me manifestar enquanto tal; 
consigo controlar para onde poderei concorrer, interna e externamente, consigo ter vontade própria no que escrevo e para quem escrevo, posso selecionar os amigos e as amizades, para além daqueles que frequentam a minha casa; 
contudo, no meio das dúvidas e de alguma construção ainda teórica do que poderá ser este ano, fico-me pelo absentismo - mais me apetecia que fosse, como o poeta, pelo absinto, mas o fígado não se aguenta; 
vamos ver os próximos dias... à semelhança do borda d'água poderão ser ilustrativos do que estará para vir...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

reacções

A primeira reacção sobre notícia que as origens sociais e económicas dos alunos passa a contar para a avaliação externa das escolas e consequentemente na avaliação de desempenho dos professores, ate pode ser positiva e alguns afirmarem, convictamente, que assim é que é;
Certamente que esta opção não irá contar para criar ilhas de excelência e de exclusão, sítios para onde se quer ir e outros que se evitam, como o diabo da cruz, que as formulas do famoso despacho normativo 12-A/2012, serão vistas diferenciadamente, que a progressiva delegação de competências educativas nos municipios será armadilha a considerar em qualquer projecto educativo municipal e desculpa governativa perante os resultados;

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

de passagem

passei, fruto de obrigações, pela minha antiga escolinha; 
primeiro, afirmo e digo o que algumas (boas) colegas me chamaram à atenção no decorrer do ano passado, era efetivamente a minha escola; pelas saudades, pelo travo na garganta, senti que era a minha;
gostei de rever pessoas, particularmente aquelas a quem, de uma maneira ou de outra, dei e dou voz, a dos simples funcionários que estimo e por quem nutro particular carinho;
não gostei de ver o gabinete do senhor presidente, perdeu personalidade, ganhou ocupação, fruto dos tempos e das circunstâncias;
não acalento esperanças, nem à minha pessoa, nem a ninguém, não regresso ali, sopas depois de almoço, não obrigado, passou, tá passado...

perigo de deslizes

como o ano é novo e a coisa, este espaço cá do je, até anda algo concorrido e bem frequentado, pois claro, fica o aviso para os mais desprevenidos (como se isso fosse efetivamente necessário); 
quem frequenta este espaço terá de se acautelar com os perigos, e há um, entre muitos outros obviamente, para o qual chamo a particular atenção, a do perigo de deslize e/ou de inundação; é que de quando em vez meto mesmo água, deslizo nas minhas palavras, ou nas emoções que com elas sinto, podendo provocar despistes ou outros acidentes;
fica o aviso...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

vida velha

depois da volta do calendário, em mês e em ano, continua a nossa vida, o que delas nos deixam fazer e aquilo que, entre desejos e possibilidades, vamos fazendo com ela, na boa utilização do gerúndio alentejano; 
este ano será ano de acertos e algumas arrumações do sistema; ano de concurso muita água irá correr e escorrer por entre os dias do calendário; criam-se expectativas, desejos, algumas ambições e vamos lá ver o que é possível fazer;
por mim gostava de trocar de escola, contudo, entre aposentações e reorganização letiva, tenho sérias dúvidas; restam-me poucas alternativas, mas existem e há que as equacionar em tempo; 
procuro aproveitar a oportunidade e até meado do ano quero apresentar proposta de escrita, para revista de educação, na área do PCA da escolinha, desafios entre inovação docente e organização pedagógica; 
vou apoiar o conselho de docentes na área do pca, em particular a sua coordenadora, desmaterializando funções e redefinindo fluxos de informação;
depois logo se verá, o tempo e as circunstâncias, como sempre me marcaram, irão determinar, ou nõ, o que é possível fazer...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

balanço1

em termos de balanço do ano há duas ou três áreas que considero cruciais no decorrer do presente ano e que se irão repercutir mais além; são áreas que condicionam e estruturam a ação escolar, os desempenhos educativos; são elas, a área legislativa (continua-se a olhar o sistema educativo como uma enorme estrutura político administrativa), a organização e funcionamento da escola (não há cão nem gato que não lhe queira mexer), a estrutura docente (sorvedouro de recursos e muita ineficácia), os impactos nos resultados e nos processos decorrentes de lógicas de eficácia e eficiência (ou seja, a mudança de uma lógica de afetos para uma lógica de mercado);
para este primeiro apontamento de balanço, a estrutura política e administrativa;
no decorrer do presente ano não houve ponta por onde o atual ministério não tivesse pegado e deixado a sua marca administrativa, foi a revisão da avaliação de desempenho, a gestão e administração, o currículo, a avaliação, entre outras; são medidas que irão condicionar a estrutura e funcionamento da escola nos próximos anos, seja por efeitos das medidas de política, seja pela tentativa de adequação dessas propostas, seja na sua implementação; 
por via administrativa, quase sempre área privilegiada da atuação política e ministerial, o sistema muda lentamente de lógicas de funcionamento e organização; mas ao se pretender mudar o sistema não implica necessariamente que a escola mude, e essa não muda, tende à resistência, a conformar-se nas suas zonas de conforto e segurança, dadas por anos de experimentação; resgista-se assim alguma tensão, senão mesmo contradição, entre a estrutura política e administrativa e o funcionamento da escola; não será de escolas de cosmética que falo, mas de desadequação entre estruturas de organização e funcionamento onde se criam tensões e contradições; tensões que irão durar e perdurar por muito mais tempo; 

(des)Governo

Ontem, a propósito de notícias vindas a público e dadas aos comentários ao longo do dia, escrevi (no meu cantinho do facebook):
Acredito, como socialista que sou, que o PS tem e deve ser alternativa, mas nesta altura existem ainda excessivos fantasmas e teias de aranha a mais, pelo menos nas figuras que ilustram aquela bancada, para que possa ser alternativa; preparado pode estar, mas há muito pó para limpar... Isto se quiser ser alternativa de futuro e não mero penso rápido.
Obviamente que poucos me ligaram; mais, em espaço de camarada, onde também deixei comentário, passou despercebido; 
é a ignorância da minha pessoa, o olhar para o lado, assobiar e fingir que nada se passa; 
pois é, há quem procure outras coisas que não a mera e simples afirmação de opiniões - neste país e nos últimos tempos é proibido ter opiniões, e não é apenas na área do governo; 
não escrevi eu que aqueles que defendem que o PS está pronto para governar, são muitos daqueles que estão afastados do ps, mas que nele mandam, põe e dispõem com conhecimento da coisa; não basta, em meu entender, querer o desgoverno do país, para isso já cá andam outros que defendem que quanto pior melhor; há que afirmar alternativas (e não meras alternâncias) que deverão passar por outros rostos, menos comprometidos com o profissionalismo da política...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

distraído

Reconheço que mesmo antes de um qualquer balanço tenho andado distraido, deve ser da pausa pedagógica, das festas ou dos comes e dos bebes em amenas cavaqueiras, o certo é que a discussão local sobre os mega agrupamentos me tem passado um pouco ao lado;
A partir de um apontamento que considero deveras interessante, suscitam-me dúvidas sobre como corre a coisa por estas bandas, é tudo muito opaco, restrito e circunscrito a poucos espaços de diálogo, debate e menos ainda se participação;
Porque será?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

do balanço

Terminado o natal, ainda a desfrutar das prendinhas - e eu que recebi uma que me deixou de olhos e alma arregalados - é tempo de se começarem os balanços de um ano, este mesmo que se apresta a terminar;
para já apenas a referência das alembraduras que o facebook nos deixa; considerei bastante interessante a revisão que nos lega de coisas que nós próprios ali colocamos e que nós também valorizamos; circunstancialmente irei deixando alguns apontamentos do balanço deste ano que, globalmente e cá para o fé, foi para esquecer, apesar se um outro dia mais ou menos;

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

fim

pelo menos até ao momento e no que se refere à minha pessoa, o fim do mundo ainda não chegou;
começo a desconfiar que o fim do mundo é mesmo obrigarem-me a ver o que este governo nos anda a (des)fazer...
aproveitem e FELIZ NATAL

coisas da educação

a educação, mais do que qualquer outra área social, anda constantemente nas bocas do mundo, nas considerações dos fazedores de opinião, na análise pessoal de cada profissional;
a propósito das agregações não há cão nem gato que não tenha opinião, mas aqueles mais diretamente envolvidos e pretensamente interessados devem andar em pausa natalícia, ou distraídos, ou à espera para ver o que dá, ou ver para crer, ou à espera da reforma...
a saúde alterou o seu modelo de gestão, a opinião pública, os utentes poucos se terão apercebido de tal, mas os grupos profissionais, fruto das implicações que consideram, mexeram-se e, uns mais que outros, condicionaram o modelo que acabou por entrar em vigor; 
na educação também... não...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

circulos

em tempos de virtualidades, das distâncias físicas partilhadas pelo proximidade das redes sociais, (re)criou-se um grupo de amigos que, cara a cara, frente a frente, olhos nos olhos, trocam ideias e partilham argumentos; nem sempre estão de acordo, mais não seja pelos clubismos que cada qual é do seu, pelas políticas que, apesar das militâncias, se registam diferenças, mas o bom mesmo são os dois dedos de conversa, o frente a frente, a companhia que fazemos uns aos outro; 
são momentos de partilha, catarse e simples amizades entre pessoas algo diferentes;
já tinha saudades destas amenas cavaqueiras...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

nem sim nem não antes pelo contrário

a propósito das notícias da eventual transferência da gestão escolar para os municípios direi nem sim nem nem não, antes pelo contrário; tudo dependerá do município e da sua equipa, como da gestão escolar e das orientações que define; 
ou seja, não me prendo a circunstancialismo de política (cartão para os diretores, conivências partidárias, etc), nem a coloquialismos bacocos (amiguismos, clientelismos e outras farsas trafulhas de pouca monta); 
dependerá em muito do município e da sua equipa e, assim sendo, quanto maior o município melhor, menos presença o presidente da câmara terá e eventualmente maior a articulação entre entidades; agora em pequenos municípios do interior, sem quadros e com muita testa de ferro pela frente corre-se o risco de, das suas uma: o município ser um claro entrave nas políticas educativas, querendo assumir o seu protagonismo mais imediatista ou simplesmente desvincular-se da coisa, deixando ao livre arbítrio do diretor;
uma ou outra poderão ser boas, más ou assim assim;
o grande, mesmo grande problema que encontro nestas medidas, é o receio que tanto as populações como os profissionais da educação se desvinculem do processo, não exercendo nem o controlo democrático nem exigindo a prestação de contas devida numa democracia participativa e se abandonem a si mesmos - e há tantos casos assim nas recentes agregações, ou na sua tentativa...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

alternativo

dentro das funções que assumo, estive na reunião do pca (percursos curriculares alternativo) da minha escolinha; entretenho-me a estudar e a perceber a coisa; o objetivo é perceber como se institui o pca como uma tecnologia organizacional alternativa ao ensino pretensamente regular, mas também enquanto forma cooperativa entre docentes; retirei diferentes notas que já remeti a alguns docentes; deixo aqui apenas uma:

as oportunidades que limitam, como é o caso da implementação de um pca na procura de outros modos de agir sobre as mesmas dificuldades, de se encarar uma eventual resposta a desafios docentes, com os limites que normalizam, como acabou por acontecer com as grelhas de acompanhamento dos alunos, de identificação de estratégias de “apoio e promoção do sucesso” [tábém tá] que em nada se relacionam ou articulam com um percurso que deveria ser, mas não é, alternativo;

será interessante perceber como "encaixotar" ou como os docentes encontrarão formas e que formas de "encaixotar" estas ofertas (e/ou outras) na estrutura normalizada do despacho normativo 24-A/2012;
afinal deixo de ser o único criativo por estas bandas...

coisas da gestão

como observador privilegiado de diferentes realidades, dá para perceber que a gestão escolar pouca falta faz; 
talvez para resolver problemas criados por outros, enfrentar as moengas dos outros, acima de tudo ter alguém ou algo que ature aquele problema, aquela situação, daquele aluno/a; mas isso não é gestão e menos ainda administração, houvesse dispersão de competências na escola, por exemplo pelos diretores de turma, pelos coordenadores de departamento, e a gestão faria ainda menos falta;
ao olhar para a escola onde estive o ano transato, ou para o meu agrupamento de escolas, a gestão fica resumida a duas ou três semanas entre finais de agosto e princípios de setembro, todo o restante período os professores resolvem, desenrascam... mas não é de voluntarismo nem de desenrascanço que se precisa, essa é que é a moenga...
precisa-se de uma ideia de escola a médio/longo prazo, de estabilidade para implementar medidas, de um pensamento que envolva e comprometa os parceiros no alcance de metas, na resolução de problemas, e, aí, é que falta muita coisa...

inveja

esta coisa da inveja tem muito que se lhe diga e somos, nós os tugas, um bom bocados invejosos;
têm inveja da minha situação, bem que trocava com qualquer um; não há trabalho que nos valha, há inveja, talvez por aquelas razões mais parvas, não fosse a própria inveja parva, mas irrita-me sentir a inveja das pessoas, já nem comento, não digo nada sigo em frente da inveja dos outros...

domingo, 16 de dezembro de 2012

memória futura

será a primeira e última vez (digo eu hoje, pois claro) que escrevo sobre política regional; e faço-o apenas em termos de memória futura e a pretexto de mais um anúncio de candidatos autárquicos no distrito de évora;
o tempo o dirá se tenho razão ou se estou apenas ressabiado, zangado ou qualquer outra coisa dessas;
nas próximas eleições autárquicas o meu ps, o ps daqueles valores e das ideias pelas quais norteio a minha ação, poderá ficar na história por ser o responsável por desbaratar o trabalho dos últimos anos, em particular de 2001 para cá; 
de 2001 para cá o ps do distrito de évora passou e afirmou o seu protagonismo e os seus projetos municipais; no início do século o ps detinha a presidência de 6 municípios contra 8 do pcp; nas últimas eleições, 2009, o ps ficou com a presidência em 7 municípios contra 4 do pc, passando de 34% para 39% no distrito e o pc desceu de 41% em 2001 para 34% em 2009
nas próximas, outubro do próximo ano, vamos ver o que acontece mas tenho dúvidas em muitos dos concelhos sobre a capacidade do ps em se afirmar e mais ainda em ganhar novos espaços; há muitas variáveis em jogo que, nesta altura, não se conhecem, mas o que se augura não é bom, não é não senhor...
esperar para ver...

acefalia

se cruzarmos o despacho normativo 13-A/2012 (organização do ano letivo e dos que hão-de vir) com o 24-A/2012 (relativo à avaliação do ensino básico) facilmente se percebe que este governo pretende um grupo docente acéfalo, sem espaço de pensamento e menos ainda de crítica; entre um e outros dos despachos poderá ficar subentendido que o objetivo é retirar qualquer espaço de pensamento à classe docente, ocupar o pessoal para que não haja possibilidade de respirar, quanto mais pensar; fica-se restringido à ideologia ou à fé e pronto...
primeiro, são ambos despachos normativos, isto é, não pretendem deixar espaços de interpretação que não seja a definida pelo legislador; são normas onde, de acordo com o direito português, primeiro se cumpre e obedece e depois, só depois, se pode questionar;
segundo, ocupam de tal maneira o docente que não há espaço para qualquer forma de pensamento; em particular o docente do 2º ciclo para cima; ou seja, considerando um e outro dos despachos, define-se uma componente letiva doida, uma vez que aumenta a componente letiva e, por sua vez, o número de turmas e já aumentou o número de alunos por turma, determina-se a obrigatoriedade de elaboração de programas de apoio pedagógico individual e a elaboração de processos individuais (clínicos) do aluno e o docente não tem espaço para nada, nem para respirar; 
terceiro, poucos docentes ainda se terão apercebido, que a alocação de recursos (sejam eles quais foram, docentes, técnicos, horas ou outros) estão condicionados aos resultados no final de ano e que por esta via poucas escolas, muito poucas os irão atingir; 
quarto, entre um e outro dos despachos estão criadas as condições de justificação de retórica política para o final do ano, a escola não conseguiu melhor? os resultados não são os esperados? os pais reclamam? problema da escola (entenda-se dos professores e da gestão) pois tiveram a autonomia necessária para que se organizassem;
finalmente e sem ser o último, a avaliação de desempenho docente está indexada aos resultados escolares, independentemente das turmas ou dos alunos, das suas capacidades, competências ou contextos (sociais, familiares, económicos ou o que sejam) e este ano ir-se-á realizar avaliação; 

ligações

nunca percebi do por quê de este meu cantinho, ou outros que o antecederam, não estar referenciado noutros espaços, noutros cantos de escrita, sejam eles da educação (que eu conheça neste campo em apenas um), regionais ou outros; 
em todos aqueles que estão aqui ao lado e de acordo com o que percebo estou referenciado em dois, no do miguel e no largo das alterações cá da terra, nada mais;
nunca percebi se é por mero desconhecimento de que por aqui ando, se por simples ignorância da escrita e das divagações ou se por tentativa de silenciamento; 
tenho pena, reconheço, mais não seja por questões bloguistas - nada de confusões com boquistas, hann;

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

recheio

dia de chuva, vento e algum desencanto lá por fora, como consequência o espaço da biblioteca, já habitualmente utilizado como espaço lúdico e sala de convívio, cresce na procura

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

mais de acordo

outra afirmação com a qual concordo em absoluto e me atrevo a acrescentar mais uns bitaites;
não sei (já perdi um pouco o fio à meada) se já aqui o escrevi, mas digo, de vez ou de novo, a escola está a ser empurrada para um outro mundo, para um outro paradigma; é empurrada à força, sem que alguém lhe tivesse perguntado o que queria e sem que alguém, dentro dela, tivesse dito que sim ou talvez...
fui formado e comigo milhares de colegas (desde os anos 80 do século passado até bastante recentemente), numa lógica de escola cultural, marcada pelos afetos e pelas relações afetivas entre alunos, entre alunos e professores, entre a escola e a sua comunidade; uma escola que era caraterizada pela dualidade de situações (quando não mesmo dialéticas), professor/aluno, escola/comunidade, sucesso/insucesso, próximo/distante, particular/global, eu/tu, nós/outros; uma escola marcada pelos sentimentos, pelos valores de aprender e de ensinar, de nos relacionarmos e pela consideração que a todos  era possível aprender e que os problemas mais não eram que oportunidades de desafio ao professor, à sua imaginação e criatividade; fui formado numa escola que agora se desvanece, como relação velha, que não aguenta o passar dos tempos, o desgaste da proximidade, as rugas das agruras e das angústias;
hoje, a escola pública portuguesa é empurrada, à força e por contingências várias, para a meritocracia, para a eficácia e eficiência económicas, para o desapego social, para o salve-se quem puder, para o individualismo da desresponsabilização, para o confronto frio da negociação entre partes, para as percentagens que rotulam e definem entendimentos e médias; cada vez somos mais uma escola fabril onde a acefalia reina e impera a frieza de processos e a distância dos procedimentos e nos sentimentos peças numa qualquer engrenagem, um número no meio de muitos outros; esta escola é quantitativa, não tem fim, a outra era afetiva, tinha pessoas e conheciam um fim...

concordo

é ver aqueles que estão bem, ou querem estar bem, com deus e com diabo; que votaram psd ou pp e que agora respingam como flores debaixo da chuva de inverno; aqueles que são mais papistas que o papa e se agarram à letra da lei, à orientação legislativa e normativa por mera incapacidade de pensar diferente, de fazer por si, que inventam esquemas e grelhas, tabelas e coisas que tais apenas por mero prazer de malvadez alheia; 
são estes os principais culpados de a escola e a educação ser o alvo fácil de ministros despudorados... e não são tão poucos assim... ainda que resguardados em discursos simpáticos, quando não mesmo críticos;

agregações

as agregações, isto é, a junção de agrupamentos de escolas básicas com escolas com secundário dão água pela barba aqui pela minha terra;
ainda não conheço em detalhe os pormenores da coisas, mas percebo, pelo que leio e oiço, que a coisa não se afigura fácil; juntar numa cidade, capital de distrito, lógicas de organização e funcionamento muito distintas, culturas próprias, uma história muito individual é querer juntar deus com o diabo e dizer que temos fé;
é assim um pouco por todo o lado, e falo apenas no meu alentejo, que vou conhecendo ou ouvindo; perante isto (e couves) duas pequenas notas;
hás necessidade de algum discernimento para que se consiga perspetivar a quadratura do circulo, isto é, juntar e gerir escolas diferentes, culturas diferentes, modos de estar e pensar diferentes - e não basta a vontade e menos ainda o voluntarismo docente e muito menos o querer, há que saber o que se faz e como se faz; 
segunda nota, comigo foi o bom e o bonito, quando se soube que fui dispensado da gestão de um agrupamento por falta de confiança política por não acatar as ordens da agregação, poucos foram os diretores de évora que me disseram fosse o que fosse (apenas uma teve oportunidade de me dizer que isto é uma merda e nem sequer é do meu partido), qual receio que o processo fosse contagioso, atão não é que é mesmo contagioso... aguentem-se, que eu também me aguento; 

pela assembleia

ontem pela assembleia municipal, muito provavelmente a minha última participação, duas notas;
a saudade que já sinto do futuro; gosto da discussão, gosto do debate, gosto da troca de argumentos; gosto ainda mais quando os interlocutores são elevados e conseguem descer o discurso sem dar muito nas vistas; foi o que ontem aconteceu, com troca de piropos em que o presidente da câmara de arroiolos brincou ao toca e foge, isto é, à utilização do tempo de antena definido e gerido pelo presidente da assembleia, onde eu fico claramente perdedor, para trocar piropos com a minha pessoa; simpático, mas insuficiente nos argumentos;

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

europa

um pouco por todo o lado por onde se afirmam as opções mais conservadoras e liberais a educação está debaixo de atenção e de fogo; o objetivo é simples, cortar, poupar, mudar (para onde?);
uma atenção que decorre da necessidade de resultados (sempre muito imediatistas), dos índices de comparabilidade (entre europeus e/ou ocde), da sua instrumentalidade (ligada à economia ou aos índices de produtividade); 
o certo é que tem sido a escola dos últimos 20/30 anos que tem formado a massa cinzenta que percorre a europa, que nos (des)governa, mas também que emigra para os states, que se sente ameaçada pelo desemprego e pela precariedade; no meio de tudo isto, os professores são alvo a abater, por que trabalham pouco (conheço médicos que trabalham bem menos, quando trabalham, e que ganham bem mais), que rendem ainda menos (já não falo nos juízes),  que são uns privilegiados (e atão os tropas?), etc...
e o que fazer...

natal

afinal é natal, afinal tristezas não pagam dívidas, afinal lágrimas não criam rios;
nunca fui otimista, mas também não posso assumir nenhuma espécie de pessimismo - para isso já basta a minha mãe; ontem, pela minha escolinha, queixaram-se da minha escrita; boa, gostei, atão vamos lá falar do sol que espreita por entre nesgas de cinza, dos gritos da maralhada, do espaço de lazer que é a biblioteca, das moengas do mestre zé ou da boa sopinha da minha cozinha....

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

reforma

o número de docentes que tem antecipado a reforma coloca em destaque a educação como um dos sectores que mais tem contribuído para a redução da despesa pública por via do pessoal;
o número de docentes que antecipam a reforma serão ilustrativos do desencanto (da passagem de uma escola de afetos e emoções para os números e rácios), do esgotamento (por via do persistente e insistente bombardeamento que a educação tem sido alvo, para o bem ou para o mal, desde 2005), do cansaço (poucos, para além dos docentes poderão perceber o que é estar com turmas com mais de vinte alunos numa sala de aula), da frustração e alguma incapacidade (de mobilizar e sensibilizar o pessoal para o trabalho educativo e escolar); 
para que escola e para que educação caminharemos nós...

mais

a educação - e os docentes - continuam a ser almofada das marretadas da crise e do governo;
as notícias dão conta do aumento de horas letivas; crescem as solicitações, as obrigações e as imposições; não tenho dúvidas que a educação, mais que a escola, se ressentirá num futuro próximo;
gostava de ouvir as consciências daqueles que, apenas por raiva aos socialistas, votaram nesta coligação, o que esperariam eles, que expetativas teriam e como se sentem...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

participação

um colega sindicalista do norte do país, dava conta no seu espaço no facebook da pouca participação dos professores, do envolvimento de apenas alguns para resultados em muitos;
os professores estão como o país e o país como os professores; não falamos na coisa porque, ao não falarmos, ignoramos a coisa, ao não nomear ela não existe e, assim, não nos preocupamos, não é problema; nada de mais errado; 
não sei se é generalizável mas, pelo meu cantinho dá para perceber como fingimos que não é com connosco, que não passamos aflições, que disfarçamos, assobiamos para o lado como se não fossemos vistos nem achados, como se este natal fosse igual a todos os outros;
nada de mais errado, espero que não seja tarde quando começarmos a agitar a malta