hoje não foi um dia perfeito, à boa maneira tuga, talvez amanhã, talvez um dia..
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
espaço
a educação, a escola em particular é o meu mundo, um espaço sob o qual tenho, aparentemente, algum domínio, algum controlo; mesmo que seja apenas na aparência e seja ela, a escola, a exercer e a determinar o total domínio sob o meu ser, gosto da coisa, da escola, das pessoas, mesmo quando me magoam, mesmo quando são feias, porcas e mesquinhas, gosto, pronto, sei lá porquê, talvez por que me faça sentir o tempo de estudante, da qual não tenho saudades, jovem, que não tenho o mínimo interesse em regressar; talvez pelos olhares, pelas perspetivas que cada qual coloca na coisa; talvez goste pela frieza e pela crueza pura e singela dos miúdos, dos alunos, dos estudantes nas suas afirmações, nos seus adizeres;
foi tudo isso que ontem me levou a sair de casa e a participar numa coisa onde os pensantes e mandantes faltaram; conversa, política e partidária, sobre educação; foi uma conversa deveras interessante onde, para além do debate, dos contributos e da participação de muito boa gente deu para perceber que, sobre educação, todos temos a resposta, a solução; alguns de caráter prescritivo, outros nem por isso, mas que nenhuma proposta irá agradar a todos, disso não tenho dúvidas...
coisas da escrita
ando assim a modos que... talvez dos dias, do tempo, da idade, do raio que me parta, mas ando...
opto, neste estado, por não escrever, por vezes limitar-me a estar por aqui, por este lado da blogosfera e evitar espaços manifestamente mais concorridos, mais frequentados, a escrever coisas de nada, simples divagações de modo a não chamar os bois pelos nomes; e ser mais um no meio dos outros todos;
de quando em quando até me apetece deixar este espaço de alguma modorra e ser um pouco, apenas um pouco, aquilo que sempre fui, algo destemperado, de palavra fácil e argumento ágil, desbocado, mesmo; particularmente quando penso naquilo que defendo, deixar-me de lamurias e ir à luta; e a luta hoje faz-se, como quase sempre, de palavras, escritas ou ditas, de dizer que esta merda está uma merda e parece que a culpa, como quase sempre - excepto talvez na dívida pública - não é de ninguém, que este é o único caminho, como se mesmo entre a espada e a parede não existisse alternativa entre um ou outro;
empobrecemos a olhos vistos, mas esperamos para ver como irá ser o recibo de... fevereiro; aí é que irão ser elas, até lá... logo se vê; enquanto profissionais deixamos de ter paciência para as relações que temos, para os miudos, para os colegas; regista-se um destempero fácil, alguma impaciência, quando não mesmo intolerância a raiar a fricção; o volume sobe nas aulas, uns falam outros gritam, uns gesticulam, outros apontam qual arma em riste; não registo grandes conversas, mas negociações, não nos ouvimos, berramos; gritamos como se fosse argumento útil, válido, não é;
até nos miudos se nota a efervescência dos dias e dos tempos; as brincadeiras são mais rudes, imprevistas e intempestivas, o som mais alto, os gestos mais rispidos, há menos sorrisos,mais rápidos e mais secos, as crianças crescem mais depressa, são obrigadas a isso;
como seremos no próximo ano, como reagiremos há medida que a tensão cresce e se sente não apenas no bolso, não apenas no fim de cada mês mas no dia a dia, nas relações familiares e delas para as profissionais e sociais; como reagiremos quando percebermos que o estado previdente não assegura nem um cagagésimo daquilo para a qual trabalhamos; como iremos reagir quando percebermos que não são apenas os outros os alvos da gula devoradora do gaspar e que o gaspar não é rei e menos ainda mago...
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
autonomia
a propósito do parecer do conselho nacional de educação relativamente ao processo de autonomia das escolas e agrupamentos de escolas duas breves notas, depois de uma leitura na diagonal;
a autonomia não se decreta nem se delega, isso é constatação há muito assumida; dentro desta ideia, a autonomia exerce-se é assumida pelos protagonistas locais em função das ideias que se implementam, dos objetivos que se desenham, da ação do coletivo; para esse efeito necessita-se de perceber e conhecer quais os límites da responsabilidade que se pode e deve assumir em função dos espaços de autonomia; entre o exercício da autonomia e a assunção de responsabilidades por parte dos atores locais a minha experiência diz-me que se costuma ir pelo lado dos interesses mais imediatistas e, quando se alargam estes espaços de autonomia, há quem procure cercear, qual funcionário público zeloso, as suas margens de ação;
finalmente nunca foi revogado o famoso "decreto da autonomia" o decreto-lei 43/89 de fevereiro desse ano; mais que qualquer outro é este que configura as balizas da autonomia; configurar aqueles que dele dependem (no caso presente o decreto lei 137/2012) sem mexer nas suas origens é acertar os retrovisores quando o problema está no motor;
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
agradecidos
perante as notícias e em face da constatação da coisa, teremos de estar agradecidos - como alguns nos querem fazer crer - pela simpatia, amabilidade e disponibilidade dos senhores da troika;
como se não fossem, também eles e talvez em primeira instância, interessados no preço praticado; como se não fossem eles a determinar o preço praticado;
este agradecimento apenas me faz lembrar os chás caritativos de alguns setores sociais...
terça-feira, 20 de novembro de 2012
faces
pela biblioteca da minha escola, por onde me encontro, dou com um título de há perto de vinte anos, editado pelo ministério da educação era ministra manuela ferreira leite; dá conta de uma outra face da escola, outra relativamente à ideia e à face que então circulava, marcada que era pelo descontentamento, pela falta de recursos e de condições, pelo insucesso, abandono e absentismo, pelos cortes que a tutela implementava a tordo e a direito;
a questão que coloco é quantas faces constituem a escola? que faces tem a escola?
faço a questão e adianto uma resposta, a minha, afirmando que a escola tem tantas faces quantos os rostos que a compõem, de alunos, professores, funcionários, pais, munícipes, parceiros;
são faces que oram reluzem de esperança e contentamento, como se contraem na expressão da dúvida, da ansiedade, do trabalho;
são faces de nenhuma moeda, pois não são apenas duas, mas muitas as faces qual poliedro por onde perpassam sentimentos e sentidos, dúvidas e anseios, esperanças e receios;
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
cinza
o dia está em tons de cinza, do cinzento que cobre o céu;
confesso que já gostei mais destes dias; mesmo quando por casa apetecem-me outros tons, mais quentes;
não sei se será da idade, se do tempo se apenas por vontade do espírito;
confesso que já gostei mais destes dias; mesmo quando por casa apetecem-me outros tons, mais quentes;
não sei se será da idade, se do tempo se apenas por vontade do espírito;
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
rescaldo
fiz greve; preciso do dinheiro, como todos, ao fim do mês, mas fiz greve; dizer que preciso do dinheiro é uma evidência, mas é também uma atitude individual, remete para o particular aquela que é e deve ser uma luta coletiva, ao fazer greve alinho com o coletivo, deixo de lado os individualismos particulares;
não entro em balanços de números, muitos, poucos, antes pelo contrário; quem faz greve são pessoas, por convicções e ideias, por interesses que vão além do mero umbiguismo e que partilham o coletivo colocando em causa o individual, o custo de cada um;
foi dia algo violento, as televisões andam parcimoniosas nas notícias, mas a net não deixa mentir; quem semeia ventos colhe tempestades, é um risco...
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
dia e noite
em tempos de luta e perseverança um toque que divide entre a noite e o dia, entre a luta e a opressão, a defesa e a intransigência dos tempos;
EM GREVE
ah pois é, estou de
GREVE
contra:
as políticas que me roubam no fim de cada mês
me atrasam a vida
me moem o juízo
roubam o futuro aos meus filhos,
tornam incerto o nosso presente
desbaratam a escola pública
destroem o Estado social
despedem professores
tornam precários os vínculos adquiridos
retornam à saudade passadista
querem fazer crer que mais vale pobrezinho e honesto
nos impõem o caminho único
a falta de alternativas
estou de GREVE
terça-feira, 13 de novembro de 2012
pitada de sal
o sal deve estar presente na gastronomia, sem excessos;
dei com este produto, numa simpática e transferível opinião sobre o aparentemente cessante presidente do município de montemor-o-novo;
simpática porque, aparentemente, não deixa de veicular a opinião e o sentimento de gratidão - não sei se por quem cessa se pelo desempenho cessante;
transferível porque não deixa de ser adequada a arraiolos e ao presidente deste município, jerónimo loios; já não é tão adequada ao seu vice-presidente, de acordo com o protagonismo que lhe foi outorgado uma perfeita nulidade; o mesmo já não se poderá dizer da vereadora, será???
mas isto sou eu a divagar, pois claro...
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
valorização
enquanto o ensino profissional for ou não deixar de ser um qualquer parente pobre do sistema educativo, duvido que as metas, algumas delas ambiciosas, sejam cumpridas;
para além da necessária valorização do sistema profissional, não como degenerescência do sistema regular, mas em clara complementaridade, torna-se ainda essencial não esconder o gato deixando-lhe o rabo de fora, isto é, não pode ser uma panaceia ao desemprego jovem, nem formas mais ou menos simplistas de prolongamento (algo forçado) da escolarização;
o ensino profissional tem de ser uma alternativa, complementar, ao sistema regular; deve permitir a dupla opção no seu final, a continuação dos estudos ou a integração no mercado de trabalho; deve ainda permitir a permutabilidade entre áreas e não serem excessivamente estanques umas das outras nem entre o ensino profissional e, se assim se entender, o ensino regular; não deve ser visto nem considerado com de segunda pois o regular manifestamente não é de primeira;
e não é o sistema de ensino profissional que precisa de ser revisto, é o dito regular que precisa de ser repensado, quer em organização, quer em currículo...
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
refundação
cá querem a refundação do Estado, por outras bandas são mais parcimoniosos e apenas se apela à refundação da escola;
esta refundação, pegue-se-lhe por onde der, diga-se o que quiser, faça-se o que se pensar, é uma necessidade senão mesmo uma inevitabilidade;
a escola pública - e não se entenda aqui por exclusivo estatal - tem de criar mecanismos de apoio e compensação educativos, de integração social e profissional, de definição de projetos pessoais, de articulação entre esferas de ação (escolar e profissional, sem dúvida, mas também sociais e culturais, entendendo a educação como um dos elementos culturais de desenvolvimento económico), de apoio a elementos com necessidades especiais ou simplesmente diferenciadas; o próprio trabalho docente tem de ser repensado, no sentido de ir ao encontro de alternativas, de uma maior flexibilidade profissional e concetual, de maior adaptação e integração, de articulação e colaboração - mas não pode nem deve ser entendido como pau para toda a obra (como tem acontecido, por parte de docentes e da tutela);
o como não é o busílis da questão, está muito dependente de cada contexto, dos seus recursos, dos seus objetivos; regulamentar em excesso é cercear capacidades, por defeito limitar competências;
regulação
um dos meus elementos de regulação profissional são os meus filhos; oriento muita da minha prática por aquilo que dizem da sua relação com os professores; o objetivo é simples, fazer-me entender, tornar mais claros procedimentos, regras, orientações, critérios de atuação;
tal situação leva-me, algumas das vezes, a fazer coisas de maneira diferente, a assumir o aluno como um parceiro de trabalho e não o mero objeto da ação educativa;
tenho pena que outros, também pais e mães não façam ou não pensem o mesmo, levem em consideração o que os filhos dizem;
isto a propósito de uns crómios docentes entregarem um teste com banalidades e generalidades como elementos de correção, onde apenas eles, os crómios, são conhecedores dos critérios de avaliação e de classificação; mas enchem a boca que tudo é claro aos professores, é a alguns professores, pois nem eu, da área percebo a coisa, e não é aos alunos nem aos pais dos alunos;
pôem-se a jeito, pois claro...
autonomia
diferentes jornais e com insistência em rádios e televisões as notícias dão conta de crianças a passar fome nas escolas;
primeiro, elas não passam fome nas escolas, passam fome em casa e trazem-na para a escola, já presenciei e apoiei algumas dessas situações;
segundo, área deveras interessante para opercionalizar a autonomia, caso ela não fosse mera e simples retórica, deixem as escolas, os agrupamentos, as pessoas da direção tomar conta do que se passa, agilizar procedimentos que permitam minimizar ou enfrentar estas situações, não é necessário regulamentar a coisa - a não ser com o objetivo de veicular o assistencialismo tão caro a uma direita pacóvia e bafienta;
entre muitos exemples este é mais um onde o local decide e atua bem melhor se fora das garras procedimentais da tutela;
mas compreendo, mas não aceito, a lógica assistencialista e algo miserabilista com que nos querem brindar, qual governo de salvação dos coitadinhos;
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
agregação
não são apenas as escolas que se agregam, também e por propostas de simples tugas nacionais (talvez por falta de "especialistas" internacionais), as freguesias se agrupam, independentemente da opinião ou dos pareceres locais;
por arraiolos a assembleia municipal pronunciou-se contra a agregação (ou extinção) de freguesias, onde defendi que o documento apresentado pelo pc aponta ao passado e não ao futuro, fica à espera da desgraça e não cria nem promove alternativas; independentemente dessas circunstâncias surge a "proposta" (só para rir, pois claro) de agregar s. gregório e stª. justa e s. pedro e sabugueiro; de 9 passam-se a 7 freguesias (que o documento considera de início);
no nacional eles que se entendam, por arraiolos estou certo que, há semelhança de vimieiro, a câmara criará um espaço municipal para atendimento;
dual
bem que começaria, qual dual qual carapuça...
mas pronto
perante as notícias referente às opções das políticas educativas coloco duas questões:
os alunos escolhem ou são orientados para a escolha;
qual o papel dos professores e a sua articulação com formas complementares de formação;
pela comunicação social, pelos fazedores de opinião e mesmo por algumas salas de professores, até parece existir um certo consenso em torno deste sistema dual; ninguém reparará que é o regresso ao ensino técnico e ao liceal? ao ensino para uns e ao ensino para os outros, sejam eles os ricos, burros ou desinteressados? que até os parvos da ocde consideram desadequada a opção? são as coisas engraçadas da relação entre política e conhecimento, os técnicos internacionais da troika até dão jeito na reorganização do papel e das funções do Estado, venham eles, os parvos da ocde são parvos deixem-nos ao longe...
mas pronto
perante as notícias referente às opções das políticas educativas coloco duas questões:
os alunos escolhem ou são orientados para a escolha;
qual o papel dos professores e a sua articulação com formas complementares de formação;
pela comunicação social, pelos fazedores de opinião e mesmo por algumas salas de professores, até parece existir um certo consenso em torno deste sistema dual; ninguém reparará que é o regresso ao ensino técnico e ao liceal? ao ensino para uns e ao ensino para os outros, sejam eles os ricos, burros ou desinteressados? que até os parvos da ocde consideram desadequada a opção? são as coisas engraçadas da relação entre política e conhecimento, os técnicos internacionais da troika até dão jeito na reorganização do papel e das funções do Estado, venham eles, os parvos da ocde são parvos deixem-nos ao longe...
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
diário
este meu cantinho e os outros que se acrescentam são, para todos os efeitos, uma forma de diário; diário sobre mim mesmo mas, acima de tudo, sobre aquilo que me rodeia, o meu mundo e, nesse, o da educação;
acho engraçado ir atrás e ver o que escrevi sobre isto ou sobre aquilo, a repetição de temas, de abordagens, a irritabilidade que sinto sobre alguma coerência do meu pensamento, os afazeres, preocupações, entre outros;
no meio de uma revista referencio um tema que considero absolutamente maravilhoso, os dários de aula;
terça-feira, 6 de novembro de 2012
maningâncias
maningâncias, teimosias, coisas esquisitas e de difícil rotulação;
as escolas foram agrupadas por vontade de algo, disposição de alguém e conivência de quem de direito;
coexistem no processo e num mesmo agrupamento, dois pedagógicos, dois conselhos gerais uma comissão administrativa; os documentos precisam de ser aprovados num e noutro dos palcos;
sucede que um mesmo documento, por mero acaso estratégico à ação educativa e aos apoios educativos, foi aprovado num dos lados e recusado no outro;
e agora? quem desempata?
prioritário
parece, segundo se sussurra pela sala de professores tanto da escola de riba com da de bajo, que houve - ou há - uma proposta do agrupamento cá do ge passar a território educativo prioritário;
bom ou mau ou antes pelo contrário?
não sei, qual será a intenção, o objetivo? é instrumental ao agrupamento ou funcional à tutela? ou seja, a quem interessa a coisa?
concordará o município ou o conselho municipal de educação ser rotulado de prioritário, ao qual está associada uma conotação pejorativa?
que áreas se intervenção se definem, que dimensões de ação se equacionam?
isto de serem os pensantes a decidir para que os demais papem sem interjeições tem muito que se lhe diga; mas eu não digo nada...
uma dupla proposta oriunda dos tempos difíceis italianos, os presentes tal como os nossos;
primeiro, passar a designação de ministério da educação para da instrução; não é novo, menos ainda original mas, provavelmente, mais adequado aos tempos que correm
segundo e pode inviabilizar a proposta anterior, acabar simplesmente com a coisa; afinal em tempos eramos bem mais ignorantes e sobrevivemos, no meio de uma ditadura é certo, mas sobrevivemos;
a brincar a brincar...
futuro
hoje é dia decisivo para os estados unidos como, um pouco e de diferentes modos, para o planeta terra, dia de eleições;
apesar de mais parra que uva há um conjunto de medidas de política económica da administração obama que teimam em dar resultados, mas que poderão ser um balão de salvação para muitos, incluindo tuguinhas;
do outro lado, romney será a outra face da senhora merkel, porventura mais grave e mais hediondo que com w. bush, o que não augura grandes futuros;
para onde penderá o voto, qual a posição dos nossos tuguinhas que apoiam a (des)governação de nós mesmos?
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
dinâmicas
com o aumento do número de turmas por professor, o aumento do número de alunos por turma pergunto como é possível manter o tradicional teste? que pachorra existe e resiste a ver 100, 150 ou 200 testes como é o caso de muitos docentes;
a manter esta dinâmica o aluno é um ponto no processo de trituração da escola, o professor um operário classificador e a escola algo como... um triturador, pois claro...
tradição
já é e já tem alguma tradição o facto de os pais me questionarem e interroguem sobre outras formas de "esfolar o coelho", isto é, de criar uma dinâmica de sala de aula que não passa pela tradicional exposição de matéria e que envolve e implica o aluno no trabalho;
hoje, em dia de reuniões intercalares, já deu para atravessar a ponte, de um lado, os pais a questionarem-me, do outro uma agradável conversa com uma colega que, diz, precisa de outros estímulos e incentivos para enfrentar a escola e a sala de aula;
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
persistência
com o tempo e com as coisas da vida, aprendi a ser persistente, saber esperar (qual virtude alentejana), a desfrutar dos momentos e perceber que a seguir ao tempo vem sempre mais tempo;
isto, imagine-se, a propósito do trabalho com as turmas; construção individual do saber, definição particular da sua ação, estabelecer os seus objetivos, saber articular ideias, organizar o pensamento, estruturar trabalho e respostas, saber e reconhecer o erro, voltar atrás e avançar convictamente para a dúvida, assumir a dúvida como baliza do trabalho; coisas demasiadamente complicadas para alguns, estranheza para outros, de questionamento duvidoso para outros, sempre de avaliação pronta;
trocamos ideias e acertamos que, afinal, este é o caminho...
ditos
não é necessário dizer ou escrever, de fora, o que alguns de dentro dizem e escrevem melhor que muitos, e que eu em particular; não é necessário recordar o professor "martelo" nas suas divagações a caminho imagine-se de onde, basta recordar outros que, de origem diversa comungam da mesma crítica;
este governo está a oriente de tudo e centrado em alguns, os outros, como eu, que os aguentemos, como podemos e enquanto podemos...
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
eleições
cá pelo agrupamento é dia de eleições para o conselho geral transitório, aquele mesmo que lá mais para a frente irá selecionar o novo diretor;
duas notas; não houve debate, vota-se, portanto, nas pessoas, diretamente, naquilo que fizeram ou no que pretensamente representam; segunda nota, as duas listas preparam espaço e reunem condições para a apresentação, por cada uma delas, de candidato a diretor; fica aqui escrito para ver se é assim... ou não
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
risco
um dos mitos da educação mais recente, daqueles que, na minha geração, até dizem que o senhor foi incontornável; o magnífico de lisboa diz que é um dos três engenheiros do sistema educativo, a par, antes dele, de josé simão e, depois dele, marçal grilo;
no seu discurso esquece que para o estado deixar o monopólio apenas se torna necessário que o privado assuma o risco de investir ou os privados querem arriscar à conta do estado? esta é que é a merda do privado social em detrimento do estado social... é só para o que dá jeito... assim também eu...
tecnologias
isto de se ser docente nos tempos que correm tem das suas, algo diferentes daquelas de há apenas meia dúzia de anos atrás - apesar de uma irritante persistência das invariáveis do sistema;
os alunos contactam-me via facebook sobre questões da matéria, dos trabalhos, dos testes; querer restringir a sala de aula às 4 paredes de uma sala e mentira, coloca outros desafios não menos aliciantes;
a partir do senhor professor tic tenho recolhido ideias e propostas; reconheço que nem com todas estou à vontade, seja pela necessidade de formação e de informação, seja pelo desenvolvimento de outras competências que não tenho, seja simplesmente pela necessidade que sinto onde a pressa é inimiga da qualidade;
entretenho-me numa plataforma recentemente referenciada que me parece bem interessante, o profebox.com, vamos ver o que dá...
uma espécie
há muito tempo que não passava noventa minutos de uma aula em teste, há muito tempo que não fazia um teste;
considero que há outras formas de avaliar, porventura mais adequadas e equilibradas, que façam a união, a ponte entre a aplicação/trabalho do aluno e a necessária certificação dos conhecimentos;
mas estou em regime de substituição e não devo alterar demasiadas situações, modos ou simples hábitos; com o tempo lá se irá;
mas estranho estar em teste...
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
moengas
os tempos não estão nem são fáceis; um pouco por todo o lado, independentemente dos contextos (rurais ou urbanos, campestres ou cidadinos) fazem-se sentir as dificuldades;
dificuldades que se repercutem na escola, nas relações de autoridade entre alunos e professores, mas também entre alunos, numa qualquer espécie de afirmação do macho alfa;
pela minha escola isso é mais que evidente, fruto de ser um contexto de transição entre muitos contextos, do rural ao urbano, do interior ao litoral, do pequeno ao enorme;
perante as situações que por aqui se vivem e se fazem sentir (disputas, pequenos ou médios conflitos, zangas ou birras, alguma violência, espalhada entre corredores ou compartimentos mais familiares), não há soluções e menos ainda milagres que permitam ultrapassar ou sequer resolver a coisa e menos ainda pela escola ou pelos docentes; há apenas pequenos enxertos que, com o tempo, poderão resultar, uns melhores que outros, desde que os docentes façam aquilo que sabem, ensinar, e não se entretenham com minudecências que não são do nosso foro mas às quais, por excesso de voluntarismo, queremos sempre responder;
o esquema traduz o cruzamento entre o que é vontade expressa por quem conhece a coisa e as solicitações voluntariosas, onde incluíram o meu nome, colocadas aos docentes; nem sim nem não, por mera curiosidade, ir-me-ei entreter a estudar como é que esta fábrica à qual chamamos escola produz o cidadão, isto é, transforma o aluno (desinteressado, desmotivado, alheado, marcado pelo insucesso, pelo absentismo quando não mesmo abandono) em cidadão, pessoa que assume as suas responsabilidades, que participa na sua comunidade, que vota e assume escolhas (sejam elas quais forem)...
pelo menos ando entretido...
saudades
tenho sempre alguma nostalgia, saudades dos sítios por onde passei; sinto a falta de pessoas - mais de umas que de outras, pois claro - do convívio, dos sorrisos, até de moengas, pois tudo contribui para a saudade;
a minha antiga escola envia convite que divulgo:
amanhã, dia 27 de outubro, na igreja da misericórdia do castelo de viana, será feita a apresentação do livro Nova Antologia de Poetas Alentejanos, com a presença do diretor da obra e vários/as poetas. É pelas 18:30h e é organização da Biblio0teca Escolar, com os apoios do costume
custos
as notícias do dia dão conta dos custos por aluno entre escolas públicas e privadas; trocam-se argumentos a favor e contra uns e outros como se a privatização dos serviços, nomeadamente os de âmbito social, fosse a panaceia para a resolução de todos os nossos males, solução milagrosa para a crise; não é...
não é pois o privado aposta onde lhe dá lucro, descura os prejuízos, pode ser estratégia para os vauchers educativos que há muito estes senhores defendem, não deixando ser triste ver concorrência entre quem tem recursos, condições e possibilidades manifestamente desiguais;
em tempo que se questionam as funções - e os custos - do Estado saber o que se quer com a educação e da escola;
e há putas que neste jogo se querem fazer passar por virgens na casa do bataclã...
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
ansiedades
o miguel, no seu espaço, chama-lhe crise de identidades; mais prosaicamente direi que são momentos, estados, sensações de ansiedades ou de angústia que se fazem sentir na classe docente desta banda;
desde que aqui cheguei que tentava perceber um qualquer estado de espírito que a todos incomoda, que a muitos faz com que estejam mais amargos, que a outros torne mais irascível e a outros mais instáveis ou imprevisíveis;
está associada a uma crescente desvalorização pessoal de uma profissão que se assume há muito pela vocação, pela dedicação, pela relação; parece que fomos traídos e não nem o destino nem nós, foram mesmo os governos, as políticas e os políticas que fazem com que aqui cheguemos, docentes mas não só, esgotados, cansados, defraudados...
terça-feira, 23 de outubro de 2012
pulsar
uma sala de professores pode ser um barómetro do pulsar, do sentir e do estar de uma escola;
ter estado fora e regressado e entretanto ter passado por uma outra escola, permite-me olhar este sentir com alguma distância, aquela de quem está dentro da coisa mas ainda não integrado;
nesta sala de professores o pulsar é algo arrítmico, saltilhado de pequenos amuos, grandes moengas e alguma divisão (entre grupos disciplinares, níveis de escolaridade, origens e tempo de estadia, familiaridades e afinidades, coisas a mais para o meu gosto)....
listas
no placard das informações estão afixadas as listas candidatas ao conselho geral transitório; listas docentes, na sala de professores, no átrio de entrada estão também as listas de pessoal não docente; cumpre-se o ritual definido na legislação, docentes e não docentes serem eleitos em lista mediante o método de hont;
sem comentar as listas, comento os objetivos; que se pretenderá com a publicitação das listas? conhecer as pessoas e pressupor ideias? afinal será o conselho que irá selecionar o futuro diretor; não atinjo se é federação disto ou daquilo, se é a favor ou contra e do quê;
irei votar e, até lá, logo se determinará o âmbito
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
falência
a partir dos rankings escolares, perante os quais não teci comentários considerando a cacofonia que desencadeiam, há uma ideia que não vi nas discussões, análises e diferentes considerações que foram ditas, escritas ou simplesmente opinadas;
à luz do definido no despacho normativo 13-A/2012 muitos concelhos correm o sério risco de entrar em falência educativa no decurso dos próximos 4 a 5 anos (a manterem-se os critérios de atribuição de créditos e de bonificações definidos na legislação);
se, no caso alentejano, juntarmos o progressivo esvaziamento demográfico então teremos entre mãos uma bomba que não faz barulho mas que irá rebentar mais cedo ou mais tarde; e não sou, nem quero ser arauto da desgraça, basta ver o número de meninos no pré-escolar ou no primeiro ciclo, olhar como esse número tem variado nos últimos anos e perspetivar o que aí vem;
imagens
a partir deste apontamento (aconselho vivamente a sua consulta) é possível olhar as imagens e retirar duas ideias, pelo menos duas;
em todos os espaços há uma invariável presente e determinante, o confinar dos alunos a um mesmo espaço e, muito provavelmente, a poucos docentes em sala de aula;
uma outra ideia que varia entre imagens, o trabalho é aparentemente individual, marcado que está ou condicionado que é pelas secretárias;
se olharmos retrospetivamente a nossa realidade é fácil perceber como se tem mantida inalterável esta lógica e como a modernização se tem processado por via de substituição (dos mapas aos retroprojetores, destes aos slides e diaporamas, a progressiva introdução do PC e os atuais quadros interativos);é o que temos...
rir
ele há coisas que só dão vontade de rir; ele há coisas que dão sentido e pertinência ao dístico que o miguel tem, há muito tempo, na entrada do seu espaço - a gargalhada;
o problema é que não é para rir, há quem considere que é razoável, que se deve discutir uma coisa destas, que isto é sério, pois da alemanha, para além dos bm, mercedes e outras coisas vendidas aos japoneses ou americanos, há exemplos a seguir;
a mim, só me dá vontade de rir, para não escrever outra coisa...
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
atrás
as notícias do orçamento do estado dão conta de enormes retrocessos na área social;
inevitavelmente (?) a educação é uma das que sofre mais cortes;
tal como o investimento, os reflexos na educação dos cortes que se perspetivam não se farão sentir no imediato mas resultarão de ondas que se propagarão durante muitos e maus anos;
o sistema educativo português está longe de estar consolidado e a par da europa, de forma sustentada;
debatemo-nos com taxas de insucesso fora de moda, com abandono incompreensível, com níveis de absentismo típicas dos anos 80 do século passado; com falta de formação docente para adequação a exigências, tempos e modos; com lógicas organizacionais caducas e desajustadas;
a tudo isto grande maioria do público diz que é culpa dos alunos, que não estudam, não se empenham, nem se dedicam; utilizam exatamente os mesmos argumentos que este governo para cortar, é de seleção que se trata, esquecendo-se daquilo que vinhamos conquistando;
é pena e não faço a menor ideia quanto e como iremos recuperar... se é que conseguimos recuperar...
terça-feira, 16 de outubro de 2012
finalmente
![]() |
| da esquerda para a direita: joão amado, josé verdasca, joão barroso, o ge, luís miguel carvalho e natércio afonso |
chega ao fim um longo, excessivamente longo, percurso da minha vida profissional, uma etapa da minha vida; desconfio que não consigo voltar ao que era antes, não matou, mas moeu muito;
ao longo de todo este tempo partilhei, comigo e com muitos daqueles que por aqui passam, muita das vicissitudes deste trabalho; trabalho individual, solitário, monótono, cansativo por onde perpassam todos os estados de espírito, paixão, entusiasmo, terror, desespero, desanimo, alegria, tristeza, ilusão e desilusão, cansaço, fartura, exaustão, empenho, emoção, desencanto, tudo se sente; escrevi algures que este meu trabalho fica marcado por nódoas de jazz, cerveja e jameson, tal o número de noites que me acompanharam;
não estou mais gordo, nem mais alto, mas sinto-me mais satisfeito, cumprido um dos objetivos que tracei para a minha vida;
porra, acabei...
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
bicho
ontem, por razões que não são para aqui chamadas, dei boleia a um bicho (vulgo, caloiro local da uévora) que frequenta os primeiros dias da educação básica;
à pergunta, o que pretendes fazer, foi célere a resposta, dar aulas;
ainda se convencem disso, ou será que não acrescentou que seria num qualquer outro país que não o nosso?
o futuro está hipotecado, os sonhos condicionados, as expetativas adiadas, mas o presente segue inexorável o seu caminho...
tradição
algumas das ideias sobre as aulas, a sua dinâmica e a sua relação entre alunos e docente, o envolvimento e participação dos alunos, vou buscá-la cá por casa, ao filho e à filha, aos seus comentários e interjeições sobre o tema no decorrer do seu quotidiano escolar;
e mantém-se, na generalidade, a tradição de ensinar a muitos como se de um só se tratasse; a participação do aluno é diminuta, senão mesmo ausente; acontece mais por solicitação do docente do que por iniciativa individual; a acontecer por iniciativa individual é considerada, o mais das vezes, insubordinação e intromissão /perturbação na dinâmica da aula;
mas afinal, não há mais que razões para que se altere a dinâmica de sala de aula? que razões existem hoje, outubro de 2012, para manter lógicas, modos e modelos de há 10, 20 ou mesmo 30 anos atrás? não basta pensar que se mudou, é necessário mudar a dinâmica de sala de aula, envolver o aluno, redefinir papéis e objetivos de uns e de outros, colocar outros objetivos...
até lá, a escola é porreira, as aulas é que são uma seca...
terça-feira, 9 de outubro de 2012
leituras
para além dos exames, nota-se a coerência (?!) do ministério da educação em coisas tão básicas quanto o plano nacional de leitura e os livros propostos;
de tal modo que há autoras que se insurgem;
e podem dizer que a equipa vem de trás, é bem capaz de ser verdade mas não omite a incompetência de quem de direito...
recuo
apesar da coisa ser uma falsa questão, a propósito da matéria de exame - como se procederá nos exames de equivalência à frequência por exemplo - é um evidente sinal de desorientação deste ministério e deste governo;
apesar de algumas situações que se podem entender, caso da articulação com a área da formação profissional, com a qual concordo, não se nota nem se registam sinais de articulação, coerência e menos ainda de consistência;
faz-se porque sim ou porque não, corta-se a a torto e a direito (de onde sairão a maioria dos contratados?) e pronto;
é o que temos não é seguramente o que merecemos;
domingo, 7 de outubro de 2012
saber
estou a sim a modos que...
pretensiosismo q.b., apetece-me dizer (escrever) que só sei que nada sei;
destaco a minha ignorância, o gosto de saber e de procurar a dúvida, de ter dúvidas mais do que qualquer certeza;
no meio disto tudo, reencontro r. leão,
discussão
tenho pena de não poder estar presente onde gostaria; discutiu-se a blogosfera e as políticas educativas, dando-se conta em, pelo menos, dois sítios;
cá do fundo da minha rua deixo os meus bitaites, em duas notas;
uma sobre a blogosfera e a educação; a segunda geração da internet permitiu alargar o espaço de participação e de discussão, não implicou, necessariamente maior qualificação; mais do que a blogosfera seria interessante, em minha opinião, descobrir como é que as discussões da blogosfera vão para as reuniões de professor, como se retrata o sentir dos professores e como se reflete na discussão profissional; interessante também procurar perceber qual o envolvimento de outros parceiros, sem serem docentes, nesta discussão e como se integram ou articulam entre si;
segunda nota sobre a administração e gestão, qualquer modelo será sempre desadequado no contexto docente, por uma ou por outras razões, há sempre descontentamento, crítica, desaprovação; na sua falta critica-se; a cultura docente é (aparentemente) horizontal, lida menos bem com a hierarquia, mas exige-a, quer debate e participação, mas não deixa de exigir orientações e normatividade hierárquica, são contradições sistémicas;
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
divagação
pura divagação, puro pretensiosismo, este que me leva ao ensaio de escrita:
Os tempos que correm serão um prec ao contrário, agora da direita. As afirmações, aparentemente inconsequentes e algo despropositadas, mostram que o que está em jogo no campo político não é apenas ideologia e menos ainda partidária. São modelos de sociedade, valores e lógicas de ação que se confrontam. As afirmações de antónio borges, quando disse que os empresários são todos ignorantes, as de carlos moedas ainda ontem evidenciando uma clara birra por a tsu não ter sido aceite pretensamente pelo grupo que suporta o governo, mostra que são modelos, lógicas e valores que organizam o palco político e que a economia vai além do restrito espaço ideológico dos partidos.
São as velhas elites sociais, vá lá saber-se do porquê, a recuperarem espaço de ação e protagonismo. São as velhas castas sociais que ditam regras; é o mais puro e bafiento ar salazarista que está de regresso; maniqueísta, dicotómico, dialético, de um lado, dos ricos, a cultura, o conhecimento, o poder, o discernimento, a arrogância e a prepotência da ostentação, do outro, do lado dos pobrezinhos e desprovidos socialmente, a ignorância, o confronto, a dependência, o despesismo, a incapacidade de se organizarem, o miserabilismo; entre um e outro dos lados, são valores que se movimentam mais do que simples ideologias, de um lado, os fascistas, do outro, o povo em confronto de forças em que uns concederam, durante uma boa fatia do tempo desta república, a sensação que o povo mandava.
Puro engano, manifesta ilusão. Fartos do seu próprio engano, esgotada a ilusão, eis o regresso das velhas castas sociais, da organização social em fatias, dos estratos da velha senhora do antigo regime, esse mesmo que pretensamente terá ficado por 1789 na europa ou em 74 em Portugal; são as ordens sociais que retomam as suas posições e re-assumem o seu protagonismo político, já que o social nunca o perderam, agora travestidos no discurso do irs; uns, as ordens superiores, com direito a tudo porque sim, outras, as do povo, desde que façam por merecer e sejam reconhecidas nesse merecimento, seja a saúde, a educação ou a segurança mais básica, coisas perfeitamente prescindíveis, despiciendas à governação, à boa governação dirão aqueles que são os conhecedores. A educação, essa velha malapata da democracia, assume o seu papel, reservada que está a apenas alguns núcleos, com nichos de abertura para parecer democracia. É o regresso não só da méritocracia, mas também do elitismo, do sectarismo, da subserviência, do medo, do darwinismo social, isto é, da seleção que alguns apregoarão de “natural” feita pelos resultados escolares, pelas competências educativas, pelas capacidades individuais.
A História, a nossa História nacional, mostra que o povo se aguenta ou, melhor dito, se vai aguentando como pode. Sofre no silêncio do seu regaço. Ao contrário do que o senhor primeiro ministro apregoou não é piegas. Sofre de mansinho, os comentários são feitos com a/o parceira/o, tenta-se não se envolver os filhos, a ignorância é santa. Para os outros disfarça-se, melhor ou pior, finge-se, brinca-se com coisa séria, contam-se anedotas, desenham-se caricaturas à falta de outras oportunidades não vá o patrão, o chefe ou a puta que o pariu pensar que estamos a falar a sério. Espera-se por melhores dias que a esperança e a ansiedade diz que virão, um dia. Contudo, esgotada a paciência, despendidos os últimos esforços para garantir o sucesso de todos os outros menos o seu, o povo manifesta-se. Habitualmente nas ruas, desde a Patuleia ao 25 de Abril de 1974, passando pela sargentada e pelo 31 de janeiro de 1891 ou pela implantação da república. Antes, nesses tempos que uns dirão afastados e distantes, sossegando-se com a aparência do tempo, o tempo corria muito mais lento, as notícias levavam muito mais tempo a percorrer as azinhagas do país, os fazedores de opinião estavam todos juntos, fáceis de controlar e localizar. Hoje o tempo corre célere, as opiniões espalham-se pelas redes sociais, o cochicho da taberna dá lugar à partilha de ficheiros por correio eletrónico e o povo, essa massa aparentemente desprovida de sentido e de lideranças, não é ignorante como o foram os meus pais e, muito particularmente, não tem medo.
Onde nos levarão estes tempos...
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