terça-feira, 4 de janeiro de 2011

dúvidas

ao pessoal da educação não restam grandes dúvidas que a educação está muito mais complicada;
mais complicada pelas políticas, pelas orientações, pela informação, pela oferta, por aquilo que se transmite e exige aos pais, pelas notícias, enfim, apenas por duas razões, por tudo e por nada;
para os pais e para todos aqueles que se relacionam com a educação por intermédio dos seus filhos e com as suas memórias próprias do seu tempo de escola, então as coisas estão deveras complicadas;
um colega e pai de um filho no 1º ciclo, pediu-me recentemente ajuda para o esclarecer da informação recebida sobre um plano de recuperação proposto para o seu filho;
lá tentei descodificar o eduquês, traduzir a coisa para linguagem comum e, eventualmente, mais simples; penso que o terei serenado um pouco, mas, enquanto técnico, não consigo perceber como, numa turma com 15 meninos e que tem mais docente em apoio a dois alunos, se torna necessário um plano de recuperação, acrescido do facto que a própria docente diz que o aluno até responde quando solicitado, apenas manifesta alguma desatenção;
dúvidas...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

retorno

esta coisa de escrever por estes lados da blogosfera permite-nos, com uns simples cliques, ir buscar aquilo que escrevemos há tempos atrás - direi que é uma espécie de dissecação das ideias;
como escrevo por aqui desde 2003 já tenho uma quantidade significativa de memórias - espalhadas pelos diferentes blogues que estão assinalados ao lado;
por mera curiosidade, e não é mórbida, fui ver o que tinha escrito nesta mesma altura em anos diferentes;
há traços de continuidade, nuns e noutros, preparo o semestre, procuro organizar tarefas e distribuir as acções; nuns e noutros há o pleno reconhecimento daquilo que domino como daquilo que não depende da minha pessoa e que pode condicionar o trabalho, o rendimento, os objectivos; nuns e noutros há boas intenções (das quais o inferno está repleto) e uma ou outra tentativa de pragmatismo;
mas é engraçado retornar a essas escritas e perceber o que nos fica daquilo que por nós passa...

segundas

as segundas-feiras costumam ser dias pesarosos cá para o meu lado;
nunca percebi porquê, se por ter nascido a uma segunda-feira se, mais simplesmente, ser o início de mais uma semana de trabalho;
mas esta segunda-feira, não sei se por mero acaso se por obra e graça vá lá eu saber de quem, até comecei bem o dia, algo activo, bem disposto, com energia;
situação que não augura grandes efeitos para o resto da semana em que irei, quase de certeza, perdendo energias...

domingo, 2 de janeiro de 2011

objectivos

não foi preciso um siadap e menos ainda uma avaliação docente para me habituar a trabalhar por objectivos; há muito que o faço; 
faço-o para me obrigar a organizar, coisa em que careço um bom bocado; 
para definir as minhas prioridades, tantas vezes trocadas por coisa pouca; 
para me orientar na profusão da minha própria confusão, dos dias sempre escassos para tanta coisa;
de há uns anos a esta parte passei também a registar os meus próprios objectivos para cada ano que  começa; 
faço o balanço do que consegui realizar no anterior e volto a escrever novos; 
são marcos que me orientam de modo a não perder o rumo nem a desvalorizar prioridades; 
vamos ver o que dão...

novo

passou-se o ano, passaram-se as festas, o dia-a-dia retoma a sua aparente normalidade;
as coisas deixam de ter razão de festejo e de sorriso simpático, para as voltarmos a olhar com traços de desconfiado, de descrença, de expectativa, de rezingão, qual anão indisposto com tudo e com todos;
do ano passado pouco há a registar, tanto que foi para esquecer - ou talvez não;
para o que agora se inicia apenas os votos de trabalho, persistência e alguma teimosia q.b. que me permita concluir a tese, um longo, muito longo trabalho...
a ver vamos, assim diz o cego da minha terra...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

passou-se

e chegamos ao fim de mais um ano;
nem bom nem mau, assim-assim ou talvez não;
foi duro, no meio da crise, dos cortes, do aumento dos preços, da tensão do déficit, da estabilidade muito instável da política, de um fim-de-ciclo que parece retornar ao ponto de partida, das notícias de despedimentos, dos números sempre no vermelho, dos sorrisos que apenas disfarçam a angústia do dia-a-dia;
o próximo a deus pertence, ou a nós mesmos, o que dele fizermos e não nos limitarmos a esperar que as coisas aconteçam;
este ano até a minha escrita se ressentiu; escrevi menos que em anos anteriores, já estive para suspender a coisa, mas o vício da escrita é maior que a vontade de parar;
vamos ver como é o próximo; espero entregar a tese, espero e tudo farei para que isso aconteça ainda no primeiro semestre do novo ano; tenho saudades da normalidade, de não pensar, das coisas simples, de ter tempo a mais e de não saber o que com ele fazer;
este já se passou, venha o próximo, bom ano...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ofertas

as ofertas de natal de tão insistentes, levaram-me à descoberta de um novo autor em língua portuguesa;
de novo apenas a minha referência, pois é prolixo na produção; em pouco tempo, qualquer coisa como10 anos, escreveu e editou 10 livros, uma média bem forte e significativa da sua capacidade de escrita;
os comentários que li davam conta de auras e laudas significativas;
bem que os pedi no natal, não houve hipótese pois não existe na cidade de évora; assim que pude comprei dois dos seus títulos, aqueles que estavam presentes na livraria;
um já se foi, matteo perdeu o emprego; história urbana entre mitos e rotinas, taras e ensaio;
vale a pena... acreditem...

passeio

entre o natal e a passagem de ano, sem abranger esta, opto por passear pelo meu país;
o passeio faz-se pelo interior, seja no centro ou no norte, a desculpa é descansar, mudar de sítio e de ares;
desta feita fui até à cidade de bandarra, trancoso, no lado norte da serra da estrela;
há duas coisas que saltam à vista; 
o interior, de norte a sul, desvanece, esmorece, morre em lenta agonia; não são suficientes as estradas construídas, as acessibilidades; é preciso muito mais e não sei realmente o quê;
como segunda nota pelo interior adentro, a referência que o alentejo é moda; não apenas pelo vinho, também pela gastronomia;
entramos num restaurante na zona da Guarda e a ementa dava conta de diferentes referências ao alentejo; o empregado, solicito quanto baste, bem insistiu que optássemos por uma das suas ofertas alentejanas, quando lhe dissemos que do alentejo vinhamos nós, a opção foi outra; 
foi passeio de reconforto e descoberta sempre permanente do meu país... de um interior que lentamente se vai...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

já foi

vivem-se, na generalidade, intensamente os 24 dias que antecedem a ceia de Natal para, de repente como que em estalar de dedos, já se ter ultrapassado esse momento de rasgar embrulhos, fazer cara de espanto e desejar festas felizes;
o Natal já foi, mais um ...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

manifestação

andava eu pelas ruas da cidade quando, um pouco ao longe e no meio das gentes, dou com uma cara conhecida, um antigo aluno meu; depois dois, depois três;
na generalidade das situações fico-me por um olá, não sabendo como reagem os rapazes e raparigas, fruto das idades;
de repente, no entanto, vi-me rodeado de gente, autêntica manifestação; eles não eram três ou quatro, eram duas turmas inteirinhas em visita de estudo à cidade;
fiquei rodeado de pessoal entre conversas de saudades e recordações de uma relação;
faz bem ao ego, dá jeito no reconhecimento do trabalho que se faz...

ortodoxia

ainda na última assembleia municipal ficaram bem evidentes as opções retrógadas, passadista, ortodoxas do município de arraiolos, em clara reviravolta ideológica onde se assentuam dimensões antes remetidas para segundo plano;
no ano passado o documento referente ao orçamento e às opções apresentava um sentidos político, direi natural, normal, decorrentes de opções técnicas e políticas; nada a discutir, a não ser o confronto das opções; este ano, opta por marcar terreno ideológico, utilizando termos e conceitos que fariam inveja, hoje em dia, a fidel e corariam o grande irmão il sung;
o senhor presidente não gosta do reconhecimento da sua ortodoxia, mas fica bem evidente no seu próprio discurso que diz mudar porque a isso é obrigado, critica opções administrativas mas afirma que muda para que tudo fica na mesma;
afinal as atitudes ficam sempre com quem as pratica... as palavras também...

estratégia

a reunião da última assembleia municipal de arraiolos até tinha começado mais ou menos;
o conjunto de pontos na ordem de trabalho davam oportunidade a, por um lado, se procurarem alguns pontos de concenso, por outro, a existir discussão considerando as opções políticas e ideoloógicas ali presentes;
é assim que entendo esta e qualquer assembleia, espaço de discussão, debate e confronto ideológico; não é um espaço de silêncios ou de mera ratificação da vereação, é o espaço privilegiado de participação da democracia;
assim não o entende o senhor presidente de arraiolos, pouco ou nada habituado a ter que trocar ideias, apresentar argumentos, numa claríssima lógica do eu quero, posso e mando;
terá legitimidade para isso mesmo, mas não se poderá furtar ao confronto ideológico, à identificação de outras perspectivas ou ideias;
desta vez, apesar de me atribuirem as culpas, quem não foi correcto foi o senhor presidente, mas decorrente de uma clara alteração estratégica que ele lá saberá explicar...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

confusão

em tempos de crise, de persistente instabilidade e alguma perenidade, de manifesta confusão torna-se essencial o despertar dos lideres e, acima de tudo, das lideranças;
não sou defensor do líder iluminado ou sapiente, aquele que tudo pode ou sabe; defendo, preferencialmente, as lideranças que apelam ao bom senso, ao tacto, à gestão dos interesses colectivos sabendo respeitar circunstâncias particulares ou individuais, à possível colaboração na identificação de soluções;
e isto porque anda tudo num claro alvoroço um pouco por todo o lado; nem o dito espírito natalício apazigua as hostes ou nos traz bom senso;
e bem que precisamos de bom senso...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

coboiada

há muito que não ouvia falar destes senhores, têm novo disco, ainda por cima;
fizeram-me companhia em noites de adolescência, regressam agora com influência orientais em álbum que, pelo que já ouvi, repesca toda a força interior de um grupo marcado por vastos espaços acanhados pelo som;

serviços

o meu serviço é pior que o teu;
sempre que dois funcionários se encontram e trocam ideias sobre as organizações, o mais certo é surgir este tipo de afirmação; 
áh o teu é isso, pois tu nem imaginas o meu;
mas ele há coisas que me incomodam, que mexem com as minhas entranhas republicanas e socialistas;
uma delas é perguntar por um determinado processo que, pretensamente, digo eu, terá dado entrada lá para julho - sendo simpático;
dizem-me que está despachado, boa, pensei para os meus botões, e já foi dado conhecimento do despacho, pergunto eu, não vá... enfim, que não; modestamente pergunto porquê, por que não houve tempo, é a resposta;
certo, mas não houve tempo de agosto até agora?
pronto, tábem, por aqui me fico...

azáfama

ando numa azáfama que nem dou por isso, preocupado que ando com as prendas de Natal;
afinal, o que nos apetece dizer nestas alturas é que Natal é sempre que uma pessoa quiser;
tábem, tá, sabe-se que este tipo de afirmação mais não é que desculpa esfarrapada para a falta de imaginação, para a ausência de ideias ou simplesmente na procura de evitar o desconforto de andar de um lado para o outro à procura da melhor prenda, da lembrança mais carinhosa, do gesto mais simples;
ele há sempre muitas ideias; pergunto à esponjinha ou à filhota e elas descartam logo ali um vasto rol de oportunidades, das mais óbvias diga-se;
claramente o Natal parece talhado para as mulheres, pelo menos para as cá de casa, sempre disponíveis a uma voltinha pelas lojas, um entra e sai, um arrumar de ideias;
já os homens cá de casa são muito mais secos em ideias; e eu lá continuo sem grandes ideias de natal... essa é que é essa...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

quinta

tem estado um dia entre o sim e o não, isto é, ente o cinzento, com umas pingas à mistura, e umas nesgas de sol;
resultado, hoje não me apetece estar por aqui, vou aproveitar a nesga de sol que se insurge por entre as nuvens e dedicar-me à quinta, a fazer aquilo que não sei, entre muitas outras coisas, pois claro...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

companhia

hoje, para variar e descansar um pouquito do jazz, porque também é preciso, a companhia tem sido de uma rádio on-line de música clássica, um mimo;
qual cotonete qual carapuça;
e não se fica pela música clássica como não se fica por nos dar música apenas; pode-se criar o nosso canal ou apenas seleccionar um conjunto de coisas que nos façam companhia;
a mim tem sido a música barroca;

produção

já que estamos em maré de números, reparei agorinha mesmo que o mês de novembro foi, a par de maio e junho, dos meses menos produtivos que tive este ano na blogosfera;
coincidência, talvez, de ter aproveitado para escrever para mim mesmo, para os meus botões e não me apetecer repetir ideias - da remodelação, do tempo, da crise, das políticas educativas;
para além disso estou e ficar-me-ei muito longe da produção do ano passado;
obviamente que efeitos da crise que todos chega e a tudo toca...

questões

no meio da escrita com que me entretenho, da tese, pois claro, é engraçado perceber como o capítulo que considero que melhor estruturei e organizei antes de escrita é aquele que mais trabalho me tem dado exactamente por uma questão de organização, ele há coisas...

desculpas

apetece-me pedir desculpas a quem por aqui passa e não encontra nada de novo;
já é hábito, é certo; por aqui é quase sempre tudo muito igual, divagações, coisas de nada e coisas que tal, pois claro;
mas não me tem apetecido escrever, mero apetite; os dias têm estado frios ou cinzentos, entretenho-me entre o aconchego do lume de chão ou o sossego de dias em descanso; 
e é tão bom ter um livro para ler e não o fazer...

domingo, 28 de novembro de 2010

espera

gosto de trocar ideias com o miguel, desde os primeiros passos que um e outro demos neste espaço da blogosfera e já lá vão uns anos;
diferimos em muita coisa, comungamos de muitas outras, nomeadamente no respeito pelas ideias e pela postura profissional;
mas destaco na escrita do miguel um sentimento de eterna espera de plena perfeição, não fosse ele da educação física e pensaria que se trata de um desenhador;
este sentimento de espera é comum na generalidade da classe docente, espera por melhores políticas, espera por melhores desempenhos, espera por melhores condições, espera por um mundo novo;
não é de sonho nem de ambição que se trata, pois um e outro implicam mobilização pessoal na sua concretização, é mesmo de espera;
espera que estas políticas não degradem tudo e todos, espera que apareçam melhores políticas, espera que surjam melhores políticos; espera de melhores tempos e de outros dias;
é uma espera entre o submisso ao destino e o passivo perante os desafios; 
não digo que o miguel tenha abdicado de si e da sua profissionalidade, não acredito, mas depreendo da sua escrita que, aparentemente, deixou de tentar, se sente cansado de ventos e marés e se limita a esperar;
e o determinante em minha opinião nos tempos que correm, independentemente de políticos e de políticas, é mesmo a recusa da espera e mostrarmos, aos políticos e às políticas, à escola e à sociedade, que somos capazes de fazer diferente, melhor, que somos capazes de articular resultados e expectativas, integrar o diferente a fazer o mesmo, mas melhor, que os números nos interessam apenas para regozijo e reconhecimento e não como metas;
diz-se que quem espera desespera, mas também se diz que quem espera sempre alcança, pode ser é tarde demais...

novo

ao lado surge, no final da lista, em virtude da ordem alfabética, um novo sítio, novo aqui, pois claro, de nome vida breve;
retratos sociais de um quotidiano que, aparentemente anda cada vez mais afastado de tudo e de todos, esquecemo-nos das pequenas coisas e olhamos para o lado certos quase sempre da nossa ignorância;
pelo que pude ver foi uma agradável surpresa, um refresh de ideias e um conjunto de perspectivas sociais que gosto;

do contra

no início, sempre que passeava pela blogosfera, deixava um ou outro comentário; era um tempo de curtas paragens, pois os blogues eram poucos e com um rápido zapping facilmente se acedia a quase todos;
nos tempos que correm passeio e restrinjo-me aqueles que compõem a minha lista, são companhias inseparáveis do meu pensamento;
hoje deixei dois comentários em sítios diferentes mas ambos com a mesma preocupação a partilha profissional, a preocupação pelas políticas educativas;
num, assumo que as coisas não são novas por aí além, existem há muito um pouco por todo o país, torna-se essencial é não misturar o cão e o gato, mas que podem ser desafios profissionais, disso não tenho dúvidas;
noutro, de igual modo a situação decorre da integração das práticas individuais em processos colectivos, passa pela reorganização - até funcional - do trabalho docente e são um conjunto de boas práticas que se evidenciam;  
entre uma e outra das entradas e sendo eu conhecedor de quem lhes está por trás, fico com a sensação que hoje é mais fácil ser do contra, do que mostrar o que de bom decorre de práticas profissionais, de sentidos sociais de se ser docente;
corre-se o risco nesta afirmação persistente do contra de deitar fora o menino com a água do banho...
(a imagem foi sonegada a este sítio)

sábado, 27 de novembro de 2010

encontros

há dias, em sessão pública, reencontrei uma antiga chefe da educação hoje fora da área;
foi interessante perceber da sua alteração de pensamentos, do descentrar de preocupações, como foi interessante apenas o reencontro;
a vida também é feita destas esquinas onde, sem querer, nos cruzamos com quem menos esperamos...

vida

fruto de circunstâncias várias já deu para perceber que a vida é uma merda, um virar de página instantâneo e imediato;
uma colega, 45 anos, limpava a casa quando, aparente sem mais, virou vegetal;
incomoda, faz-nos sentir grãos de areia na imensa praia que a vida não é...

justiça

para quem é gerido, sob diferentes formas ou feitios, desde as coisas mais comezinhas às mais sérias, como sejam o espaço das organizações ou o país, o sentimento de justiça é essencial para que possamos alinhar, participar, aceitar ou simplesmente compreender a gestão, os seus sentidos ou os seus objectivos;
há dias fui acusado de injusto no processo de negociação e de debate dentro da equipa; corre-se esse risco, de forma propositada ou nem por isso, quando se exige que as pessoas pensem o que se faz, reflictam sobre o seu trabalho, possam dar aquilo que de melhor têm dentro de si;
os sentimentos cruzam-se entre o que são interesses pessoais e interesses de uma equipa; resultados individuais e acção colectiva;
o que me importa é que os sentimentos sejam geridos, também eles, como fruto das relações e dos processos e não apenas enquanto elementos individuais;
mas o risco está sempre do lado de quem gere...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

inquéritos

perante o inquérito que, sob diferentes formas e com diferentes questões, corre hoje pelos jornais, opto por não responder;
nenhum dos inquéritos que vi traz as opções que considero acertadas e adequadas à questão levantada;
a culpa dos resultados ou é do governo e da crise, ou culpa dos sindicatos e da greve;
agora culpa do jesus, dos jogadores ou dos adversários, mais parece brincadeira...

opções

as sondagens ou os simples barometros, são o que são e valem o que valem;
mas são sempre leituras de sentidos mais ou menos colectivos;
a greve de ontem mostra que têm de existir mexidas - seja onde for, no governo, na estrutura administrativa, na estratégia, nas políticas; mexidas que se vejam e o comum dos mortais possa perceber;
no entanto, assumo que prefiro os erros do ps às virtudes do psd cada vez mais neoliberal e republicano (das américas);
prefiro os vícios das políticas socialistas à adolescência crítica do bloco de esquerda, como prefiro as hesitações deste governo à esclerose múltipla do pc;
nem tudo são rosas, mas são opções...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

greve

foi dia de greve, de paragem completa em muitos sítios, de transtorno em outros, de complicações ou de percalço noutros ainda;
como foi dia de manifestações;
não fiz greve, considero que este tipo de greve, mais não é que uma forma de afirmação dos poderes de sindicatos e alguns partidos, dos trunfos que procuram jogar e utilizar nos terrenos sempre algo movediços da democracia;
mas, para além da afirmação de poderes ou trunfos institucionais, e para além do sempre debate sobre os números é preciso reconhecer, perante a greve geral, a falência de estratégias e de opções de política governativa; reconhecer de facto e não em mera retórica partidária o que significa uma greve geral; reconhecer mediante acções que sejam visíveis e compreensíveis pelo comum dos cidadãos;
mexendo na estrutura do governo, redefinindo estratégias que possam passar pela desconcentração, destacando dimensões sociais da acção governativa, corrigindo erros de cena, de casting, dando oportunidade a outros para um merecido descanso; envolvendo o país e não apenas lisboa, mobilizando as estruturas da administração pública e não apenas o terreiro do paço;

terça-feira, 23 de novembro de 2010

impressão

todos os dias, desde o verão, fazendo sol ou chuva, me cruzo todos os dias com um senhor que, decorrente de circunstâncias de saúde, percorre a rua por onde passo, numa insistência infalível, é, pelo menos a minha impressão, de recuperação da pessoa;
é uma insistência infatigável que me causa impressão...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

mistura

 sou sincero, na próxima 4ª feira, dia em que não farei greve, apetecia-me ir às manifestações com uma bandeira do PS;

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

dúvidas

na sessão de abertura do vi encontro "aprender no alentejo" há um conjunto de questões que nos levam a questionar dos porquês;
temos um parque escolar recente, qualificado, moderno e claramente estimulante;
temos uma rede formativa articulada, coerente, sustentada que abrange escolas e ofertas formativas diversificadas;
temos uma relação de alunos por turma (a média não ultrapassa os 20 alunos por turma) claramente enquadrada nas petições nacionais de sindicatos e interesses;
temos uma relação de alunos por professor (a média regional está em 8 alunos por docente) que fariam inveja a qualquer país do norte da europa;
as escolas não têm grande dimensão, na generalidade das situações situam-se, em média, entre os 800 e os 1500 alunos, com uma média regional próximo dos 800 alunos por escola/agrupamento, longe das massas de gente de outras regiões, mesmo do interior do nosso país onde escolas de viseu, castelo branco, guarda e mesmo chaves apresentam números bem superiores;
temos opções políticas de âmbito municipal que privilegiam a educação, o esbatimento de diferenças sociais, o colmatar de dificuldades; uma cobertura da acção social escolar, complementada entre o nacional e o municipal, de fazer inveja ao resto do interior nacional; os municípios, na sua generalidade, estão atentos, preocupados e disponíveis para a educação, no apoio e resolução de quase tudo o que as escolas lhes colocam e solicitam;
temos uma rede de pré-escolar de praticamente 100%, uma oferta ao nível das actividades de enriquecimento curricular de 100%;
não temos problemas de abandono e a escolaridade de 12 anos está praticamente garantida em toda a região;
o alentejo tem acessibilidades, distâncias que apesar de longas em km, são curtas em termos de tempo;
apesar da crescente diversidade da população, conseguimos alguma homogeneidade cultural, que não tem comparação com o litoral;
temos problemas de indisciplina, de alteração de comportamentos, de disputas em sala de aula e na escola, mas incomparavelmente inferiores e menores a outras zonas do país e, na maior parte das situações, decorrentes de frágeis enquadramentos sociais e familiares; longe, muito longe, os gangues, os grupos organizados, a constestação das autoridades ou o questionar de poderes;
temos uma rede de formação incomparável à generalidade do país, complementada entre a rede de ensino superior, centros de formação de docentes e associações de formação e de formadores;
a população docente é relativamente nova, a média etária situa-se entre os 40 e os 50 anos de idade, longe das velhices das grandes cidades; formada, desde os complementos de licenciatura que abrange a grande maioria dos antigos bachareis, às pós graduações onde os doutoramentos estão cada vez mais presentes à especialização em diferentes áreas curriculares;
há, de modo generalizado, a adopção e implementação de diversificados programas e projectos que, de âmbito educativo, visam o sucesso, a organização e gestão de recursos - 34 escolas/agrupamentos com o mais sucesso, 9 teips, 2 com contrato de autonomia, 18 com programa gulbenkian, entre outros;
e mais haveria a acrescentar, a dizer a este rol de coisas boas que o alentejo tem e nos oferece sob o ponto de vista educativo;
contudo, o alentejo, de acordo com os diferentes relatórios (ME e IGE), é a última região nacional, nos resultados das provas de aferição de 4º e 6º anos, nos exames nacionais, na qualidade do sucesso, no diferencial entre avaliação interna e resultados externos, na perda de alunos na transição de ciclos, nos índices de formação escolar regular, nos custos por aluno, nas taxas de insucesso...
porquê?

gestão

se fosse apenas e só nos hospitais, certamente que o país estaria mal, mas não tão mal quanto estamos, no meio de crises alheias e de razões próprias;
a gestão de muitos organismos públicos, feita com base em cálculos de simples merceeiro, deixa muito a desejar, esbanja o que não temos e, acima de tudo e muito principalmente, não apresenta qualquer tipo de resultado que se possa sentir - e já não digo ver - seja ele técnico ou social;

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

comparação

durante o dia passaram pela casa de trabalho um conjunto de docentes de países tão diferentes quanto o podem ser a hungria e a noruega, a estónia ou a espanha, a inglaterra ou a dinamarca;
é sempre interessante perceber como funcionam outros sistemas educativos, quais os seus constrangimentos e os seus desafios, o papel dos professores e as dinâmicas que por outros lados se implementam;
retive dois aspectos;
interessante o ponto de partida da hungria e da estónia, as imagens que se viram podiam perfeitamente ser de muitas escolas do nosso país nos anos 30 e 40 do século passado; agora o ponto em que se encontram é que é manifestamente diferente do nosso; ganharam-nos a passos largos;
por outro lado, as semelhanças com o nosso sistema e com a nossa realidade, as posições quanto ao papel da autoridade do docente, todos algo entre a nostalgia do passado e as pesadas realidades do presente, ou a ausência de autonomia das escolas, autonomia bastante diferenciada de país para país;
agora retenho que a educação comparada é uma área de interesse...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

comportamentos

uma das ideias que irei defender é que os comportamentos escolares e educativos não mudaram por aí e além nos últimos trinta anos, espaço de tempo do meu projecto de investigação; pelo menos pelo que posso apurar e retirar do conjunto de actas que tenho analisado;
sejam eles comportamentos educativos, sociais ou pessoais a referência que retiro é que não se alteraram significativamente; continuam hoje como anteontem os mesmos argumentos, as mesmas referências - o desinteresse, o alheamento, a indiferença, o contexto familiar, os contextos sociais, os riscos, as sexualidades, etc;
o que mudou e aí significativamente, foi a forma de os nomear, de descrever estas situações, como se alteraram as relações entre conceitos utilizados;
afinal e pelo menos na aparência, tudo muda para que tudo fique na mesma...

afastamento

dedicado à minha escrita académica, propositadamente afasto-me de quase tudo para me embrenhar nos textos, nas análises;
até ao momento consegui cumprir grande parte dos objectivos a que me propus, incluindo uma conversa com o chefe orientador, conversa sem rede, isto é, sem texto de suporte; mas que foi interessante, sob diferentes aspectos, lá isso foi;
como, pelo empenho que tenho colocado, dou por mim a constantemente pensar na coisa, a criar associações, a rever mentalmente a escrita, os argumentos, o fluxo;
afasto-me inclusivamente das notícias, farto que já estava da crise, do fmi, da política, da cidade, onde não tenho ido, dos amigos, que já sinto a falta;
afastamento pessoal, quase que obrigatório para que a escrita possa acontecer...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

dinâmica

por questões de feitio ou de simples azelhice, andei mais de 4 anos de volta do meu quadro de análise, e ainda não o considero nem terminado nem fechado;
foi uma escrita dura, lenta, angustiante e de quando em vez depressiva, em face das dúvidas, dos solavancos que só não me deitaram abaixo por manifesta teimosia da minha parte e apoio cá de casa;
agora que ando de volta do campo empírico, dá para ver a diferença de ritmo e de dinâmica;
a escrita é muito mais fluída, mais escorreita, as dúvidas são mais fáceis de contornar, pelo menos na aparência;
volto a gostar de estar neste trabalho... mas estou de rastos...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

castigo

castigo ou coisa que se pareça, esta semana vou ficar por casa apenas com um objectivo, escrever;
escrever, escrever, escrever, é o desiderato da semana; escrever na tese, avançar na tese, criar texto na tese, centrar-me na tese;
por uma questão de personalidade que condicionou seriamente a opção seguida, dedico-me à parte empírica, é mais escorreita, mais fluída;
a brincar hoje consegui criar cerca de 12 páginas novas e estruturar o trabalho para mais umas quantas amanhã;
é o castigo da indisciplina...

personalização

isto da internet tem que se lhe diga;
ao princípio ou, pelo menos a alguns tempos atrás, eram banneres que nos recomendavam um pouco de tudo, mas indiferentes a quem clicava nesta ou naquela página;
progressivamente a internet permite a personalização de mensagens, mais não seja pela identificação do ip e a sua associação a um conjunto de bens e serviços que, pelos arredores, possam estar disponíveis;
permite-se, deste modo, a personalização das mensagens, uma maior individualização dos contactos;
enfim, modernices...

mil

estava a querer comemorar a posta mil, mas, com mãos cheias de nada e de coisa nenhuma, a não ser dores de cabeça tipo day after, que razões há para comemorar;
mas pronto, cá assinalo o post 1.000, já é o segundo mil, por outras bandas, devidamente assinaladas à esquerda, para variar, estão os outros;
daria para escrever diferentes livros, sobre diferentes coisas;
fico-me por aqui...

domingo, 7 de novembro de 2010

novos

nos idos anos 80 falava-se em novos ricos;
nos tempos que correm fala-se em novos pobres;
de novos não passamos...

ambição

levanto-me cedo, apesar de domingo, apesar da minha manifesta resistência ao levantar cedo;
mas há trabalho pela frente, há que andar com esta coisa da tese para ver onde me leva;
mas a minha ambição era mesmo dedicar-me à quinta, ir apanhar a azeitona, tratar das plantações de inverno, cuidar das árvores, tratar os terrenos;
ainda ontem, em passeio pelo mercado, se falou na compra de galinhas e perus, mas falta-me o tempo que eles exigem para acompanhamento;
mantenho a ambição...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

deslumbramento

um dos elementos do medo, ou talvez apenas do receio, reside no deslumbramento de algumas pessoas em face dos cargos públicos que têm e que ocupam;
são elementos, alguns, não todos, que têm ganho tiques de soberba e descomedimento perante aquilo que é, ou deve ser, o serviço público;
são aqueles que, ocupando cargos políticos, assumem posições de meros técnicos; são os outros que tendo papel técnico se assonhoriam dos espaços políticos;
às páginas tantas já não sei nem percebo onde está o técnico ou o político;
e, acresce que em tempos em que cheira a instabilidade, se vislumbra melhor a confusão entre uns e outros, a ver se passam nas gretas da chuva...

medo

há quem, por receio ou medo, hesitação ou simples compromisso, prefira omitir e guardar para si aquele que podia ser um pensamento nosso, do outro;
por mim, em questões de medo tenho dois cães, grandes, mansos e pachorrentos;
opto por dizer (e escrever) o que penso, são contributos em torno de pequenas - ou grandes - divagações, coisas de nada que servem para coisíssima nenhuma, a não ser para me aliviar o espírito e dar andamento aos meus princípios;
o prof. j. gil volta a falar do medo, de as pessoas sentirem medo, em tempos marcados pela incerteza, pelas angústias, pelos receios do emprego e da segurança familiar;
excelente entrevista para que possamos perceber um pouco mais e um pouco melhor a nossa sociedade, o nosso tempo e o nosso país

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

director

se o director geral da dgrhe não tivesse passado, em tempos bem recentes, pela escola, pela gestão educativa local, pelo contacto directo e diário quer com colegas, quer com as práticas da administração educativa, até era capaz de perceber algumas das diatribes pelas quais o senhor é, assumidamente, responsável - há quem lhe chame adequadamente caos;
agora tendo passado pela escola o caos criado poderá decorrer de diferentes situações;
não contrala a sua equipa e permite escrita perfeitamente arrepiante;
foi engolido pela máquina,
não sabe o que faz,

explicação

alguém me é capaz de explicar o que fazem os árbitros colocados atrás da baliza;
não consigo perspectivar sentido, utilidade, pertinência ou sequer simples necessidade;

virtual

não há volta a dar, desculpa esfarrapada que nos valha, a virtualização da política é um facto;
as redes sociais, do twitter ao facebock, passando pelas diferentes plataformas bloguistas, são espaço privilegiado de comunicação e pretensa interacção com partidos, candidatos, coligações e que tais;
em eleições passadas houve algumas tentativas, tímidas, hesitantes, que agora ganham destaque e protagonismo;
a rua, o contacto directo, a troca de conversa e de palavras com panfletos na mão terá os dias contados...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

erros

as notícias dão conta de erros de interpretação na progressão de muitos docentes;
situação que se não é caricata para lá caminha a passos largos, como se os docentes fossem culpados de progredir;
esta situação decorre de duas ordens de razão, por um lado da clara tentativa de responsabilização dos directores das escolas/agrupamentos, como se fosse necessário pegar num director ou num caso e abaná-lo à vista de todos, qual bandeira, para fazer perceber a responsabilidade necessária à gestão das escolas;
mas decorre também da complexidade dos textos, dos ofícios e circulares emanadas de grande parte dos serviços do ministério da educação em que poucos percebem o que ali se escreve, pouco ligam aos enunciados rebuscados;
talvez fossem de evitar se, à semelhança do diário da república, se colocasse uma tradução em português corrente...

o nove

mais um mês que se desenrola por entre os días;
já vamos no antigo mês nove, o de novembro;
os dias tornaram-se mais curtos, o serão prolonga-se por horas a fio;
entre dúvidas e incertezas há mais tempo para gastar de volta da lareira e do trabalho da minha tese;