segunda-feira, 22 de novembro de 2010

mistura

 sou sincero, na próxima 4ª feira, dia em que não farei greve, apetecia-me ir às manifestações com uma bandeira do PS;

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

dúvidas

na sessão de abertura do vi encontro "aprender no alentejo" há um conjunto de questões que nos levam a questionar dos porquês;
temos um parque escolar recente, qualificado, moderno e claramente estimulante;
temos uma rede formativa articulada, coerente, sustentada que abrange escolas e ofertas formativas diversificadas;
temos uma relação de alunos por turma (a média não ultrapassa os 20 alunos por turma) claramente enquadrada nas petições nacionais de sindicatos e interesses;
temos uma relação de alunos por professor (a média regional está em 8 alunos por docente) que fariam inveja a qualquer país do norte da europa;
as escolas não têm grande dimensão, na generalidade das situações situam-se, em média, entre os 800 e os 1500 alunos, com uma média regional próximo dos 800 alunos por escola/agrupamento, longe das massas de gente de outras regiões, mesmo do interior do nosso país onde escolas de viseu, castelo branco, guarda e mesmo chaves apresentam números bem superiores;
temos opções políticas de âmbito municipal que privilegiam a educação, o esbatimento de diferenças sociais, o colmatar de dificuldades; uma cobertura da acção social escolar, complementada entre o nacional e o municipal, de fazer inveja ao resto do interior nacional; os municípios, na sua generalidade, estão atentos, preocupados e disponíveis para a educação, no apoio e resolução de quase tudo o que as escolas lhes colocam e solicitam;
temos uma rede de pré-escolar de praticamente 100%, uma oferta ao nível das actividades de enriquecimento curricular de 100%;
não temos problemas de abandono e a escolaridade de 12 anos está praticamente garantida em toda a região;
o alentejo tem acessibilidades, distâncias que apesar de longas em km, são curtas em termos de tempo;
apesar da crescente diversidade da população, conseguimos alguma homogeneidade cultural, que não tem comparação com o litoral;
temos problemas de indisciplina, de alteração de comportamentos, de disputas em sala de aula e na escola, mas incomparavelmente inferiores e menores a outras zonas do país e, na maior parte das situações, decorrentes de frágeis enquadramentos sociais e familiares; longe, muito longe, os gangues, os grupos organizados, a constestação das autoridades ou o questionar de poderes;
temos uma rede de formação incomparável à generalidade do país, complementada entre a rede de ensino superior, centros de formação de docentes e associações de formação e de formadores;
a população docente é relativamente nova, a média etária situa-se entre os 40 e os 50 anos de idade, longe das velhices das grandes cidades; formada, desde os complementos de licenciatura que abrange a grande maioria dos antigos bachareis, às pós graduações onde os doutoramentos estão cada vez mais presentes à especialização em diferentes áreas curriculares;
há, de modo generalizado, a adopção e implementação de diversificados programas e projectos que, de âmbito educativo, visam o sucesso, a organização e gestão de recursos - 34 escolas/agrupamentos com o mais sucesso, 9 teips, 2 com contrato de autonomia, 18 com programa gulbenkian, entre outros;
e mais haveria a acrescentar, a dizer a este rol de coisas boas que o alentejo tem e nos oferece sob o ponto de vista educativo;
contudo, o alentejo, de acordo com os diferentes relatórios (ME e IGE), é a última região nacional, nos resultados das provas de aferição de 4º e 6º anos, nos exames nacionais, na qualidade do sucesso, no diferencial entre avaliação interna e resultados externos, na perda de alunos na transição de ciclos, nos índices de formação escolar regular, nos custos por aluno, nas taxas de insucesso...
porquê?

gestão

se fosse apenas e só nos hospitais, certamente que o país estaria mal, mas não tão mal quanto estamos, no meio de crises alheias e de razões próprias;
a gestão de muitos organismos públicos, feita com base em cálculos de simples merceeiro, deixa muito a desejar, esbanja o que não temos e, acima de tudo e muito principalmente, não apresenta qualquer tipo de resultado que se possa sentir - e já não digo ver - seja ele técnico ou social;

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

comparação

durante o dia passaram pela casa de trabalho um conjunto de docentes de países tão diferentes quanto o podem ser a hungria e a noruega, a estónia ou a espanha, a inglaterra ou a dinamarca;
é sempre interessante perceber como funcionam outros sistemas educativos, quais os seus constrangimentos e os seus desafios, o papel dos professores e as dinâmicas que por outros lados se implementam;
retive dois aspectos;
interessante o ponto de partida da hungria e da estónia, as imagens que se viram podiam perfeitamente ser de muitas escolas do nosso país nos anos 30 e 40 do século passado; agora o ponto em que se encontram é que é manifestamente diferente do nosso; ganharam-nos a passos largos;
por outro lado, as semelhanças com o nosso sistema e com a nossa realidade, as posições quanto ao papel da autoridade do docente, todos algo entre a nostalgia do passado e as pesadas realidades do presente, ou a ausência de autonomia das escolas, autonomia bastante diferenciada de país para país;
agora retenho que a educação comparada é uma área de interesse...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

comportamentos

uma das ideias que irei defender é que os comportamentos escolares e educativos não mudaram por aí e além nos últimos trinta anos, espaço de tempo do meu projecto de investigação; pelo menos pelo que posso apurar e retirar do conjunto de actas que tenho analisado;
sejam eles comportamentos educativos, sociais ou pessoais a referência que retiro é que não se alteraram significativamente; continuam hoje como anteontem os mesmos argumentos, as mesmas referências - o desinteresse, o alheamento, a indiferença, o contexto familiar, os contextos sociais, os riscos, as sexualidades, etc;
o que mudou e aí significativamente, foi a forma de os nomear, de descrever estas situações, como se alteraram as relações entre conceitos utilizados;
afinal e pelo menos na aparência, tudo muda para que tudo fique na mesma...

afastamento

dedicado à minha escrita académica, propositadamente afasto-me de quase tudo para me embrenhar nos textos, nas análises;
até ao momento consegui cumprir grande parte dos objectivos a que me propus, incluindo uma conversa com o chefe orientador, conversa sem rede, isto é, sem texto de suporte; mas que foi interessante, sob diferentes aspectos, lá isso foi;
como, pelo empenho que tenho colocado, dou por mim a constantemente pensar na coisa, a criar associações, a rever mentalmente a escrita, os argumentos, o fluxo;
afasto-me inclusivamente das notícias, farto que já estava da crise, do fmi, da política, da cidade, onde não tenho ido, dos amigos, que já sinto a falta;
afastamento pessoal, quase que obrigatório para que a escrita possa acontecer...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

dinâmica

por questões de feitio ou de simples azelhice, andei mais de 4 anos de volta do meu quadro de análise, e ainda não o considero nem terminado nem fechado;
foi uma escrita dura, lenta, angustiante e de quando em vez depressiva, em face das dúvidas, dos solavancos que só não me deitaram abaixo por manifesta teimosia da minha parte e apoio cá de casa;
agora que ando de volta do campo empírico, dá para ver a diferença de ritmo e de dinâmica;
a escrita é muito mais fluída, mais escorreita, as dúvidas são mais fáceis de contornar, pelo menos na aparência;
volto a gostar de estar neste trabalho... mas estou de rastos...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

castigo

castigo ou coisa que se pareça, esta semana vou ficar por casa apenas com um objectivo, escrever;
escrever, escrever, escrever, é o desiderato da semana; escrever na tese, avançar na tese, criar texto na tese, centrar-me na tese;
por uma questão de personalidade que condicionou seriamente a opção seguida, dedico-me à parte empírica, é mais escorreita, mais fluída;
a brincar hoje consegui criar cerca de 12 páginas novas e estruturar o trabalho para mais umas quantas amanhã;
é o castigo da indisciplina...

personalização

isto da internet tem que se lhe diga;
ao princípio ou, pelo menos a alguns tempos atrás, eram banneres que nos recomendavam um pouco de tudo, mas indiferentes a quem clicava nesta ou naquela página;
progressivamente a internet permite a personalização de mensagens, mais não seja pela identificação do ip e a sua associação a um conjunto de bens e serviços que, pelos arredores, possam estar disponíveis;
permite-se, deste modo, a personalização das mensagens, uma maior individualização dos contactos;
enfim, modernices...

mil

estava a querer comemorar a posta mil, mas, com mãos cheias de nada e de coisa nenhuma, a não ser dores de cabeça tipo day after, que razões há para comemorar;
mas pronto, cá assinalo o post 1.000, já é o segundo mil, por outras bandas, devidamente assinaladas à esquerda, para variar, estão os outros;
daria para escrever diferentes livros, sobre diferentes coisas;
fico-me por aqui...

domingo, 7 de novembro de 2010

novos

nos idos anos 80 falava-se em novos ricos;
nos tempos que correm fala-se em novos pobres;
de novos não passamos...

ambição

levanto-me cedo, apesar de domingo, apesar da minha manifesta resistência ao levantar cedo;
mas há trabalho pela frente, há que andar com esta coisa da tese para ver onde me leva;
mas a minha ambição era mesmo dedicar-me à quinta, ir apanhar a azeitona, tratar das plantações de inverno, cuidar das árvores, tratar os terrenos;
ainda ontem, em passeio pelo mercado, se falou na compra de galinhas e perus, mas falta-me o tempo que eles exigem para acompanhamento;
mantenho a ambição...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

deslumbramento

um dos elementos do medo, ou talvez apenas do receio, reside no deslumbramento de algumas pessoas em face dos cargos públicos que têm e que ocupam;
são elementos, alguns, não todos, que têm ganho tiques de soberba e descomedimento perante aquilo que é, ou deve ser, o serviço público;
são aqueles que, ocupando cargos políticos, assumem posições de meros técnicos; são os outros que tendo papel técnico se assonhoriam dos espaços políticos;
às páginas tantas já não sei nem percebo onde está o técnico ou o político;
e, acresce que em tempos em que cheira a instabilidade, se vislumbra melhor a confusão entre uns e outros, a ver se passam nas gretas da chuva...

medo

há quem, por receio ou medo, hesitação ou simples compromisso, prefira omitir e guardar para si aquele que podia ser um pensamento nosso, do outro;
por mim, em questões de medo tenho dois cães, grandes, mansos e pachorrentos;
opto por dizer (e escrever) o que penso, são contributos em torno de pequenas - ou grandes - divagações, coisas de nada que servem para coisíssima nenhuma, a não ser para me aliviar o espírito e dar andamento aos meus princípios;
o prof. j. gil volta a falar do medo, de as pessoas sentirem medo, em tempos marcados pela incerteza, pelas angústias, pelos receios do emprego e da segurança familiar;
excelente entrevista para que possamos perceber um pouco mais e um pouco melhor a nossa sociedade, o nosso tempo e o nosso país

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

director

se o director geral da dgrhe não tivesse passado, em tempos bem recentes, pela escola, pela gestão educativa local, pelo contacto directo e diário quer com colegas, quer com as práticas da administração educativa, até era capaz de perceber algumas das diatribes pelas quais o senhor é, assumidamente, responsável - há quem lhe chame adequadamente caos;
agora tendo passado pela escola o caos criado poderá decorrer de diferentes situações;
não contrala a sua equipa e permite escrita perfeitamente arrepiante;
foi engolido pela máquina,
não sabe o que faz,

explicação

alguém me é capaz de explicar o que fazem os árbitros colocados atrás da baliza;
não consigo perspectivar sentido, utilidade, pertinência ou sequer simples necessidade;

virtual

não há volta a dar, desculpa esfarrapada que nos valha, a virtualização da política é um facto;
as redes sociais, do twitter ao facebock, passando pelas diferentes plataformas bloguistas, são espaço privilegiado de comunicação e pretensa interacção com partidos, candidatos, coligações e que tais;
em eleições passadas houve algumas tentativas, tímidas, hesitantes, que agora ganham destaque e protagonismo;
a rua, o contacto directo, a troca de conversa e de palavras com panfletos na mão terá os dias contados...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

erros

as notícias dão conta de erros de interpretação na progressão de muitos docentes;
situação que se não é caricata para lá caminha a passos largos, como se os docentes fossem culpados de progredir;
esta situação decorre de duas ordens de razão, por um lado da clara tentativa de responsabilização dos directores das escolas/agrupamentos, como se fosse necessário pegar num director ou num caso e abaná-lo à vista de todos, qual bandeira, para fazer perceber a responsabilidade necessária à gestão das escolas;
mas decorre também da complexidade dos textos, dos ofícios e circulares emanadas de grande parte dos serviços do ministério da educação em que poucos percebem o que ali se escreve, pouco ligam aos enunciados rebuscados;
talvez fossem de evitar se, à semelhança do diário da república, se colocasse uma tradução em português corrente...

o nove

mais um mês que se desenrola por entre os días;
já vamos no antigo mês nove, o de novembro;
os dias tornaram-se mais curtos, o serão prolonga-se por horas a fio;
entre dúvidas e incertezas há mais tempo para gastar de volta da lareira e do trabalho da minha tese;

domingo, 31 de outubro de 2010

comissão

na próxima terça-feira há a primeira reunião da comissão política, oriunda do último congresso distrital do partido socialista;
dos primeiros suplentes passo a membro efectivo, fruto da deslocação das inerências;
tenho pensado o que dizer e como dizer;
como é meu hábito não pactuo, nos tempos que correm, com carneirismo e seguidismo que, por muita legitimidade que possam ter, não fazem sentido e o meu objectivo e preocupação é igual aos demais, garantir a preponderância do ps;
mas esta preponderância terá que ser garantida e assegurada por intermédio de novas e diferentes estratégias, nomeadamente aquelas que permitam a partilha de responsabilidades, a desconcentração da acção, o respeito pelas individualizações (regionais e sectoriais);
caso contrário corre-se o risco do deserto... e seria extremamente negativo face ao que se perspectiva como alternativa...

vento

ontem e hoje têm estado uns dias que me poupam no trabalho da courela;
o vento que se faz sentir poupa-me o trabalho e atira-me a azeitona para o meio do chão, numa ajuda desnecessária quanto impertinente;
é o vento senhor, que faz abanar as árvores e sacudir a azeitona...

desafios

o âmbito profissional é, sempre que o queiramos ou assim o possamos entender, um desafio;
a semana que decorreu deu, entre conversas e trabalhos, por assumir um outro desafio, o de participar no aprender no alentejo;
assumindo um quadro de análise substancialmente diferente do tradicional, uma postura diferenciada da habitual, lá enviámos a nossa proposta de comunicação;
lá nos organizamos para palestral;
estou certo que dará azo a algumas conversas, a muita diversão e a algum conhecimento;
o fim-de-semana fica reservado à estruturação do material;
são desafios que se colocam, é uma outra consideração do papel de uma estrutura desconcentrada...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

rabugento

não sei se é da idade, se do cansaço, se da angústia de um trabalho de tese, se do desconforto do acordar cedo, se do raio que me parta, mas ando mais rabugento durante as manhãs, mais irritado, mais impaciente;
desanuvia um pouco durante o dia, mas chego à conclusão que é um mau período para deixar de fumar;
então a rabujice seria bem mais assentuada...

barómetro

cá está a confirmação daquilo que ontem aqui escrevi, o desalinho de estratégias e de opções políticas;
talvez sirva de alerta, esta queda do partido socialista e do seu lider e primeiro-ministro, a quem de direito, há necessidade de se repensarem algumas medidas de política, muitas das estratégias implementadas, principalmente aquelas que remetem para o isolacionismo do promeiro-ministro, da concentração da decisão, da menorização dos serviços, de alguma surdez autista;
se vai ou não a tempo isso é outro barómetro...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

estratégias

as negociações, entre ps e psd, para uma eventual passagem do orçamento de estado, foram pelo cano;
nas televisões, nas rádios, nos blogues seguem-se os culpados, as culpabilizações, como as desculpas e as justificações;
para qualquer um dos efeitos o português pouco percebe o que acontece e quais as implicações; perguntamo-nos, e agora;
mas é visível uma estratégia de parte a parte, ps e psd, que considero desadequada senão mesmo algo kamikaze;
explico, aparentemente o ps aposta na rigeza das posições a ver se renasce das cinzas da crise, qual fénix regenerada, que, quanto a mim, não tem a miníma possibilidade;
pelo lado do psd parece existir uma aposta de quanto pior melhor, e somos nós, todos os restantes portugueses, que nos sentimos piores;
são estratégias desadequadas e perante as quais não percebo nem sentidos, nem opções, nem qual o nosso destino colectivo;
e agora...

casa cheia

hoje, pela direcção regional de educação, é dia de casa cheia, seminário sobre a turma mais;
apesar de algumas divergências com o seu pensador, reconheço que é um projecto que pode desencadear mais valias próprias em cada escola; pode facilitar processos de reorganização, de pensamento crítico face às práticas, de conivência cumplíce com parceiros; ou seja, reforçar lógicas de autonomia e responsabilização interna e própria em cada escola;
não pode ser, de resto à semelhança de muitos outros programas e projectos, apenas mais um pretexto para isso ou para aquilo que, sem incidência nos processos internos, caia nas rotinas e se encaixe nas monotonias;
se não for isso, então há sérias hipótes de haver lugar para a escola situada, para os exercícios efectivos das autonomias, para a reorganização de processos como de procedimentos;
tudo depende de cada escola...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

super

no dia em que cavaco se chega à frente e inicia novo processo de candidatura, comento a imagem do passado sábado do jornal expresso;
cavaco apresenta-se, qual super-homem, que se prepara para salvar senão o mundo, pelo menos portugal;
digam lá senão parece mesmo o super-homem a arrancar casaco e camisa e a mostrar, em fundo azul, o imenso s, de super, apostado no peito a vermelho;
é uma imagem que reforça cavaco, um salvador, na sequência daquela que dava conta da sua pessoa como timoneiro;
agora já não é apenas timoneiro, é mesmo um super-homem...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

consequências

a previsível extinção ou reformulação das áreas de projecto, estudo acompanhado e formação cívica é um daqueles exemplos que evidencia os factos da educação;
hoje ficamos preocupados pela sua reformulação - já não digo extinção - mas foram áreas não disciplinares com as quais a generalidade das escolas e dos docentes sempre tiveram dificuldades em se entender e em se relacionar;
não se percebia muito bem qual o sentido da coisa, à semelhança, de resto, com aquela a que sucederam, a do projecto de escola, educativo ou o que o valha;
houve escolas que mostraram, para além de competência, criatividade na sua implementação, na articulação que efectuaram com as restantes disciplinas e com o currículo; mas a maioria, a grande maioria, questionava a sua utilidade, as finalidades, o propósito, levando ao ponto de em muitas situações terem sido desvirtuadas e algumas disciplinarizadas;
e hoje temos pena...

cadernos

muito provavelmente, o gosto que tenho por canetas e cadernos decorrerá de ter um pai que, desde que me conheço por gente, esteve atrás de balcões de papelarias;
sempre gostei de ter canetas, finas ou grossas, de aparo ou de feltro, de gel ou de carvão;
já fui prendado com um estojo onde guardo aquelas que mais me dizem, a primeira caneta, aquela que foi de final de curso, uma outra que me deram ou que comprei por simples gosto;
como gosto de cadernos, desde sempre me acompanharam, particularmente os pretos, de merceeiro, como muitos colegas lhe chamavam, já tive os de argolas e, nos tempos em que apareceram, os reciclados, de lombada colada a quente;
ultimamente tenho utilizado os moleskines; são práticos porque me permitem prender as inúmeras folhas soltas que lá vou colocando, pensamentos, notas e anotações;
mas andava algo desinteressado em face do tamanho, e o tamanho conta;
hoje comprei um novo moleskine para substituir aquele que se apresta a ficar esgotado; tamanho ligeiramente diferente, tipo b5, mas também com elástico e bolsa para enfiar as coisas soltas;
já me apetece escrever nele, mas ainda é cedo;
são os cadernos que me preenchem os momentos...

vez

a família da minha mãe era numerosa, quase que típica dos tempos do antigamente;
dos doze que nasceram, 7 conseguiram crescer e deixar família;
pelo número, pelas suas características, uns foram prá'qui outros prá'li, cada qual para sua banda;
os encontros foram poucos, a maior parte das vezes restringidos à doença, a um ou a outro aniversário; muito pontualmente a um casamento ou outro da descedência;
criei poucos laços com primos e primas; fui o único a viver nesta cidade; outros andaram por vilas e aldeias, outros pelos arrabaldes da grande cidade;
fruto da passagem dos anos temo-nos encontrado com maior assiduidade;
é a morte que nos junta;
dos 7 irmãos restam três;
vejo, nos olhos da minha mãe, na sua expressão enrugada, que se sente oprimida pela espera, por aquele momento em que será a sua vez de ser protagonista nestes encontros;

domingo, 24 de outubro de 2010

políticas

os tempos de algum fim de festa que percorrem as ruas e vielas deste nosso país, permitem pensar... e agora que alternativas de política educativa se colocam pela frente;
se não é garantido que possa existir a perda governativa do ps, pode ser também dado como garantido que o psd é a alternativa de governo, a existir;
e, neste contexto, quais as opções de política educativa do psd; quais as alternativas equacionadas pelos outros partidos de governo no contexto, por exemplo, do modelo de gestão escolar, do ensino especial ou do ensino artístico, da avaliação de docentes, da gestão de recursos humanos, seja por concurso e com que periodicidade e características, o papel da acção social escolar ou da parque escolar, dos exames nacionais ou das provas de aferição, da entrada e progressão na carreira docente, na gestão municipal da educação, da gestão do currículo ou das metas de aprendizagem;
se alguém conhece que diga, eu não conheço...

resultados

os tempos que correm são marcados, em termos educativos, por duas preocupações; resultados e resultados;
resultados da escola, do trabalho que aí se desenvolve, estes marcadamente no campo dos processos de socialização, de integração da criança no contexto dos adultos, na formação cívica e de cidadania; mas resultados também das provas de aferição, dos exames nacionais, das disciplinas, do sucesso, dos rankings;
há dias trocava ideias com um colega que silenciosamente pensava em como articular estes dois resultados; porquê valorizar um em detrimento do outro, de qual, afinal, o papel da escola;
penso que entre um e outro não deve existir nem menorização, nem desvalorização;
os resultados sociais da escola podem ser tão importantes quanto os rankings;
mas, desculpem lá qualquer coisinha, não existirão resultados sociais se esses não se traduzirem em margens de sucesso;
é de resultados que falamos...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

surpresa

a minha prenda de anos, da parte da família, foi surpresa até quase ao fim;
e valeu bem a pena assistir ao espectáculo, ouvir a esponjinha a rir como há muito não a ouvia, partilhar o final de dia com a família;
são momentos destes que nos atiram para o futuro e fazem querer mais... do mesmo

vivo

convenhamos que há medida que os anos passam cresce a afirmação que já não fazemos anos, pelo menos pelos meus lados;
as festas e os festejos ficam circunscritos aos filhos, esses sim, gostam da festa, de rasgar os embrulhos das prendas e lembranças, dos bolos e do convívio;
mas, mesmo que se passe pelo dia de aniversário como dia normal, não deixo de reconhecer que aqueles que se lembram de nós e nos dão os parabéns, sejam amizades das redes virtuais ou simples "alembraduras" me fazem sentir vivo;
e é bom sentirmo-nos vivos...

futuro

sempre me pautei pelo livre pensamento, pela crítica pontual, por vezes impertinente, reconheço, pela reflexão e pelo debate;
são questões de feitio, defeito de feitio; apesar de militante não abdico do meu pensamento, de pensar e analisar aquilo que me rodeia, nomeadamente no campo das políticas, onde, à semelhança daqueles com quem aprendi, sempre valorizei a autonomia, a reflexão;
tem custos, que sempre assumi, preferindo a liberdade de opinião, ao carneirismo seguidista e cego;
isto como intróito ao congresso federativo que amanhã se realiza em viana do alentejo;
momento de consenso, de assunção colectiva de desideratos partidários, de algum unanimismo também;
reconheço-me na moção de capoulas santos; pela regionalização, pela abertura e pluralismo político, pelo papel que évora tem de assumir se o alentejo se quiser afirmar, não contra nada, nem contra ninguém, mas, de forma mais complexa, a favor da região, de uma dinâmica regional como da permanente afirmação das políticas sociais, dimensão incontornável do partido socialista;
contudo, neste momento federativo de consensos torna-se também essencial questionar sobre as lideranças nacionais; se é certo que, contra tudo e a despeito de todos, assumi a minha preferência por josé sócrates, antes de qualquer coisa ou entendimento, também agora defendo que há que equacionar se sócrates faz ainda parte das soluções do ps ou se é parte do problema para a sua afirmação política do partido;
e a federação deve saber e poder assumir as suas orientações e opções sem seguir exemplos romanos mas evidenciando estratégias de futuro;
e é de futuro que se trata...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

47

e pronto, mais um de volta, menos um para cumprir;
aproximo-me a passos largos, do meio século; é obra... ou talvez não...

velocidade

no caminho para lisboa via auto-estrada, fico sempre surpreendido pela pressa dos outros;
não sou um rapaz de velocidades, ao qual acresce o facto de nunca ter tido uma viatura que permitisse grandes veleidades,
mas, circulando entre os 120 e os 140 km/h apenas consigo ultrapassar camiões dos grandes e alguns autocarros; digo alguns pois ontem ainda fui ultrapassado por uma dessas viaturas quando circulada, eu mesmo, a pouco mais de 130km/h;
o pessoal tem mesmo pressa...

adultos

ontem, os doutorandos do IE foram chamados à casa; objectivo, efectuar um balanço das participações em dois fóruns de investigação, um organizado pela casa, o outro pela de Aveiro;
o âmbito de intervenção deixou-me, uma vez mais, perplexo;
pela sinceridade, pelas propostas, pela abertura, pela consideração que é colocada a cada doutorando, pela disponibilidade evidenciada;
manifestamente neste trabalho uma pessoa sente-se crescida, e é bom que assim aconteça;
parabéns...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

auto

neste processo de avaliação, também são de considerar os procedimentos e, acima de tudo, as conclusões da auto-avaliação das escolas;
as escolas têm sido convidadas a obrigatoriamente desenvolver processos de auto-avaliação; à falta de melhor a maioria das opções tem recaído em procedimentos funcionalistas, caso do comonn acess framework, vulgo caf, ou em parâmetros oriundos da análise swot, constrangimentos, problemas, oportunidades e potencialidades; 
algumas conclusões são interessantíssimas de análise, algumas delas traduzidas numa tese de doutoramento de uma colega - bem mais adiantada que eu...

comparação

a eventual comparação entre resultados da avaliação externa, realizada pela ige e os resultados dos exames nacionais é um bom tema de conversa; concordo;
como os diferenciais existente entre os resultados da avaliação interna e a avaliação externa, decorrente dos exames se poderão imiscuir nessa conversa;
será que entre uns e outros é possível de perceber o nível de coerência da escola? ou será o sistema que é avaliado? o porquê de tão significativas diferenças entre processos de avaliação, como é o caso da ige e os exames nacionais onde, afinal, parece que os resultados se contradizem? será que há entre um e outro apenas o mascarar de situações, aquela que alguns designam como escola cosmética? será que também a escola vive de aparências?
são questões em que, estou certo, serão debatidas internamente...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

tempos

os tempos que correm, marcados que são pela crise, pelos apertos, pelos constrangimentos, são tempos que se prestam a uma fácil e insidiosa demagogia, à banalização do contra pela palavra fácil em argumentos vulgares:
são riscos, os dos tempos que se correm, que devem ser assumidos por quem exerce cargos públicos, por aqueles que denotam algum senso na opinião veiculada;
não é uma questão de se estar a favor ou contra - é fácil estar-se contra, é manifestamente difícil senão mesmo hipócrita estarmos a favor dos constrangimentos - mas deve-se evitar o extremar de posições, o confundir a árvore com a floresta;
os tempos que correm são de risco, mas são também de evidência das lideranças...

domingo, 17 de outubro de 2010

base

agora que está na moda consultar a base de dados nacional sobre contratação pública, também não deixei de por lá passar e colocar o descritor "arraiolos" apenas para ver o que dali saía;
duas referências aos resultados;
ficamos a saber que a câmara de arraiolos adjudicou, por ajuste directo, uma coisa como

SERVIÇOS ESPECIALIZADOS NA ÁREA DA ANTROPOLOGIA E ETNOGRAFIA PARA INVESTIGAÇÃO NO ÂMBITO DO PROJECTO IDENTIDADE E MEMÓRIA COLECTIVA

pela módica quantia de quase 70 mil €; compreensível se conhecermos quem desenvolve o estudo e qual a sua filiação; percebe-se a utilidade;
que pagou praticamente 20 mil euros por luz e som;
que terá o contribuinte a dizer: certamente ficamo-nos pelos planos de contenção... dos outros, pois claro...

extintos

considero que, em tempos, se perdeu uma óptima oportunidade de não utilizar algumas das conclusões daquilo que foi designado como programa de reestruturação da administração central, prace;
muito do trabalho então produzido esbarrou em interesses, lobings e coisas que tais;
felizmente algumas das conclusões, ou outras que tais, são hoje recuperadas em face do aperto e conhecidas algumas das extinções de serviços e coisas que são, senão redundantes pelo menos questionáveis;
na área da educação são alguns serviços, muitos, dentro e fora da educação, ficam ainda de fora, até um dia...

quo vadis

apetece-me perguntar, quo vadis europa, para onde caminhas tu europa;
portugal está como está, de garrote apertado; a espanha não está melhor, muito obrigado, a islândia debate-se na sua banca rota, a irlanda afunda-se, aquele que foi em tempos o tigre celta, exemplo a seguir inclusivamente por partidos nacionais, a grécia está paralisada, como está a frança em face das contestações; a itália junta aqueles que são os menos esperados fruto das aflições; a leste tudo na mesma, polónia, roménia, hungria viram as expectativas da união europeia irem pelo cano das dificuldades económicas;
safam-se, em princípio e salvo melhor oportunidade, a alemanha, motor europeu que dita regras e define normas, a inglaterra, fora do euro, com margens próprias de acção;
aparentemente a europa está sem lideres, os que existem nem no nacional conseguem sobreviver, resistir; faltam ideias, formas de afirmação de outras alternativas;
a união europeia é um enorme flope, uma desilusão, um vazio; seja ele a comissão que, aparentemente esbraceja no lodo económico, seja o parlamento, onde a democracia tem manifestas dificuldades em se afirmar como alternativa; houve uma revisão, uma espécie de preparação federalista, com o nome de lisboa e tudo, mas que de onde nada resulta ou sai, coisa que o comum dos mortais não percebe as implicações ou consequências;
o modelo social europeu, conquista do pós 2ª guerra está declaradamente colocado em causa pelos extremismos e radicalismos de direita, na suécia, na holanda, na dinamarca; a noruega nem quer ouvir falar de união europeia; a filandia, outrora icon europeu, desvanece no meio da confusão;
um qualquer zapping pelas notícias europeias e apercebemo-nos do cinzentismo, da confusão, do caos;
resta perguntar o que restará deste caos, da confusão e da dúvida do estado social europeu...

sábado, 16 de outubro de 2010

quinta

não me engano nos dias da semana, sei que hoje é sábado, mas foi dia de quinta;
não de feira, mas mesmo de quinta; aproveitei o dia solarengo e vá de andar de volta das coisas da terra;
cansa-se o corpo, descansa-se o espírito...

alentejo

os rankings educativos, valham eles o que possam valer ou fazer com que valham, dizem um coisa atroz, as escolas do alentejo estão na cauda da classificação;
falta de recursos e de condições que outros, como a damaia, barreiro, arrabaldes do porto, se calhar até têm; contextos sociais mais desfavorecidos como provavelmente outros, da belavista ou da boavista, em setúbal, do freixo, no porto, ou aqueles guetos nos arredores de lisboa, muito provavelmente não terão; ou, então, a ausência de responsabilidade e participação dos encarregados de educação, como os de castelo branco, bragança ou vila real assumirão e que, por aqui, se distanciam;
por muitas razões, factores ou simples desculpas que se possam apontar, há uma questão incontornável, o porquê do alentejo ficar no fim da cauda dos rankings de exames nacionais;
falta de recursos? falta de condições? situações sociais influenciadoras? desinteresse? alheamento?
seja qual for a razão apontada há uma evidência em qualquer uma delas, a escola pública, da integração, da inclusão, aquela que procura colmatar diferenças e handicaps pura e simplesmente não existe ou não é assumida por estas bandas;
digam o que disserem, justifiquem como entenderem, é um facto...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

confiança

tenho sido, há vários anos e sob diferentes perspectivas, um sério crítico do funcionamento da direcção regional de educação, este mesmo espaço onde, há pouco mais de um ano trabalho, mas que não é por isso que deixo de pensar e, se necessário, criticar;
continuo a dizer e a afirmar, perante quem de direito, que nem tudo são rosas, que há muitos espinhos, que há lógicas funcionais que se sobrepoem ao interesse colectivo, às orientações estratégicas, aos sentidos políticos da acção educativa - valha isto o que se entender...
mas há uma coisa que, para quem lida directamente com esta administração educativa, não pode ser colocado em causa sob nenhum aspecto ou facto, seja ele político, técnico, pedagógico ou pessoal, consiste na confiança depositada nas escolas, na sua capacidade de acção, intervenção, pensamento, autonomia;
foi esta confiança que fez com que, de 150 escolas que reuniam os requisitos para encerrar, tenham apenas encerrado 30; foi esta confiança que fez com que, à revelia do nacional, se agregassem apenas 3 ditos mega agrupamentos e todos consensuais localmente e não aqueles quase 30 que são óbvios até para quem lá está; é esta confiança que faz com que se segurem alguma acções claramente contraproducentes à lógica da escola a tempo inteiro, das orientações de política educativa ou aos sentidos pedagógico regionais;
não se desvie a atenção do essencial com capatazes ou coisas que tais; isso é minimizar, senão mesmo desvalorizar, o papel das autonomias locais, das capacidades dos professores, por intermédio dos seus órgãos, assumirem as suas responsabilidades, as suas opções e os seus sentidos estratégicos;
e o que está em causa é isso mesmo, são as opções locais que, mediante desculpabilizações estapafúrdias, colocam em causa a confiança;

debate

estes espaços, os da blogosfera e das chamadas redes sociais virtuais, são espaços de partilha, de debate;
permitem veicular opiniões pessoais e individuais mas, acima de tudo, incentivam à troca de ideias, ao confronto de opiniões, à troca de perspectivas;
são espaços plurais que, salvaguardadas algumas hipócrisias decorrentes do anonimato, saúdo, aplaudo e são forte contributo para o pluraismo que, aparentemente e na opinião de alguns, escasseia;
bem visível fica na troca de ideias, na promoção do debate que, felizmente e sem o querer, se promove neste meu espaço;
bem vindos os contributos do debate...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

o outro

temos por hábito culpabilizar o outro no meio da confusão, de tal forma que dizemos que a culpa morre quase sempre solteira, coitada;
não percebemos que, com esta atitude, de desresponsabilização individual e pessoal, nos atiramos para debaixo do comboio, nos trucidam;
é o que acontece com muitos - não todos - os senhores directores de escolas e agrupamentos que, em face dos constrangimentos, a coisa mais fácil, mais à mão e mais óbvia é dizer que a culpa é da direcção regional, do governo, dos deuses mas nunca, por nunca deles, da sua incapacidade de pensar e agir de forma diferente, de equacionar outras formas de trabalhar ou, como muita das vezes acontece, da sua incompetência;
a culpa é quase sempre do outro... coitadinho do outro...

real

nas notícias oiço, com alguma insistência, a preocupação de credibilizar a economia nacional perante os mercados internacionais;
é nesta afirmação, de credibilidade, que parecem apostar tanto ps como psd no jogo do gato e do rato relativamente ao orçamento;
desculpem lá, mas que me interessa a mim uma credibilidade de virgem em casa de putas, que os mercados internacionais desconfiem de quem não é de confiança se a mim e a muitos como eu, cortam ordenados, comparticipações, entre outros e que as coisas que aumentam, para além da minha dor de cabeça, são o irs, as despesas, o gás, a electricidade, a água, os combustíveis e um sem fim de coisas...