terça-feira, 27 de abril de 2010

chegada

depois de um dia passado a achatar o cu é bom chegar a casa, sentar-me no alpendre, desfrutar de uma bejeca, da companhia dos cães e do fio do horizonte onde o sol desce à procura de esconderijo da noite;
o resto é conversa...

coisas

não me deitei tarde;
de repente, acordo com a sensação de ser manhã e início de mais um dia;
olho para o relógio e fico deveras surpreendido, passaram pouco mais de 30 minutos desde que me deitei e parece que dormi a noite toda;

segunda-feira, 26 de abril de 2010

voltas

de volta da tese de quando em vez apetece-me rasgar tudo o que escrevi, desfazer o que está feito, recomeçar;
dou por mim a misturar ideias com argumentos, conceitos com pressupostos; tudo coisas normais mas que são imperdoáveis numa prova de doutoramento;
e o tempo a escoar-se por entre as linhas da escrita...

contradições

o senhor presidente da câmara ontem, em dia da liberdade, falou de participação e representação, abertura e pluralismo;
mas só falou ele mesmo, só houve uma perspectiva, uma voz;
ninguém mais, nem mesmo o presidente da assembleia municipal, todo pimpolho de cravo ao peito, teve direito a conversa, a expressar a sua opinião, a dizer de sua justiça;
são contradições evidentes entre o que se diz e o que se faz, o que se apregoa e o que se pratica que progressivamente se vão apagando...

domingo, 25 de abril de 2010

sempre

desde o início que tem existido alguma tentativa de apropriação do 25 de Abril, alguns que afirmam que Abril é mais de uns que de outros;
Abril é de todos, por muito que uns quantos teimem em querer fazer juízos de opinião ou de valor sobre ele;
costumo dizer que apesar de ter nascido em ditadura me fizeram o favor de poder crescer em liberdade e democracia;
faço os possíveis para poder corresponder aos desafios que isso coloca a cada um de nós;
25 de Abril, sempre...

sábado, 24 de abril de 2010

experiência

apesar da máquina do pão já estar cá por casa há algum tempo, só hoje me deu para fazer experiências e tentar fazer uma massa de pizza;
de acordo com as instruções lá juntei os condimentos e a deixei serenar;
depois estendia-a, sem forma de pizza, sem ser redondinha, e distribui os condimentos;
dez minutos passados no forno e a massa ainda se apresentava com necessidades de mais tempo;
mas ficou comestível...

abandono

a minha filha comenta que a nossa quinta parece abandonada, tal são as ervas que despontam por quase tudo quanto é lado;
não está abandonada, mas o tempo é curto;
ainda pensei dedicar-me à coisa neste fim-de-semana, felizmente a máquina ainda não estava arranjada;
apesar o sol brilhar e a vontade ser a de ir desfrutar dele, fiquei-me cá por dentro, de volta de limpezas e da indisciplina, uma cartografia da indisciplina;

sexta-feira, 23 de abril de 2010

mulheres


mulheres e sapatos são uma relação e peras;
por casa tenho duas que se pegam no despique sobre quem usa que sapato - e então quando eles são novos...
com os sapatos da minha mãe até pareço uma mulher...

dia

hoje é do livro, do editor e dos direitos de autor;
já passei pela câmara a ouvir falar de livros e ilustrações;
por uma escolinha de 1º ciclo onde li a história do bicho-carpinteiro;
logo mais é uma exposição de livros e fotografias;
dia preenchido, pois claro...

boa

por um lado, felizmente não tenho tido oportunidade de me aproximar deste cantinho;
por outro, infelizmente os comentários vão passando e a oportunidade desvanece-se com a distância;
gostava de ter escrito que o senhor presidente da câmara da minha terra desta feita não gaguejou mas enervou-se, lá isso sim;
e outras coisas que tais; paciência, mas boa...

terça-feira, 20 de abril de 2010

devagar

esta é uma página eminentemente alentejana;
o contador anda devagar, devagarinho;
os passantes não se atropelam, nem se acotovelam nos acessos;
conheço quase todos os que por aqui se passeiam, em amena cavaqueira da voltinha dos tristes que pouco mais têm para fazer, tal qual o largo da minha aldeia;
mas, tal como o alentejo, ele lá vai, paulatinamente, sendo centro de passagem para os mais inesperados quanto bem vindos passantes;
curioso, como os velhotes do largo da minha aldeia, vejo-os passar, entre a visita inesperada e a simples passagem para um qualquer outro lado;
olham-me de soslaio, com aquele olhar entre o curioso e o etnográfico, lêem-me à procura do óbvio, daquilo que já estavam à espera;
outros nem tantos;
devagar, devagarinho vou conhecendo quem  por aqui passa, uns melhores que outros, uns mais que outros...

cromo

há sim, hoje sou cromo;
talvez coleccionável, talvez até descartável;
mas cromo, daqueles que se guardam, daqueles que se recordam;
e isso mói, não mói

diferenças

as diferenças entre o dito e o feito é um dos calcanhares de aquiles de muitos políticos, do jogo táctico de cintura, da promessa fácil e convicente;
progressivamente ficam bem evidentes a falta de resposta, a ausência de ideias, os argumentos tornam-se confusos e os nervos sobem à flor da pele, pois já não há razão que chegue;
devagar as diferenças sobem à tona e aquilo que antes era certeza e convicção passa a ser palco de dúvidas e de questionamento;
é o primeiro passo para a queda...

coisas

hoje, fruto da assembleia municipal da noite passada, muita coisa haveria para escrever, dizer e analisar;
não vale a pena;
fico-me pela recusa do pc em realizar reuniões da assembleia muncipal pelas freguesias; consideram que não se justifica, que não vale a pena;
tá dito...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

estratégia

o PCP de Arraiolos apresentou para discussão aquilo que designa como estratégia integrada de desenvolvimento;
um documento feito à medida de alguns interesses e dos preceitos definidos no âmbito do quadro de referência estratégica nacional; é notória a ausência de uma estratégia para o concelho, que articule dinâmicas tão diferentes quanto são as freguesias de Vimieiro e Stª. Justa, S. Pedro ou Igrejinha;
o que os senhores procuram esconder é claramente o falhanço de todas as estratégias e de todas as políticas adoptadas neste concelho há mais de trinta anos e consequência da gestão PC; 

cinzas

as cinzas do vulcão da Islândia vêm apenas dizer que o mundo continua como sempre, redondinho, distante, franco e cruel na sua natureza;
afinal e ainda que esporadicamente, as distâncias continuam distantes, o Homem condicionado pela natureza;
relembra-nos que estamos de passagem...

história

gosto de conversar, de conhecer outras perspectivas;
então quando as pessoas são mais crescidas que eu, com outras experiências, a conversa pode tomar um rumo entre a curiosidade e o conhecimento de nós mesmos;
foi isso que me aconteceu no fim-de-semana; festa de anos, amigos e conhecidos reunidos à volta de uma mesma mesa, ainda que condicionados pelo tamanho da barriguinha;
a conversa decorreu entre a história recente e os protagonistas de sempre, foi um prazer conhecer coisas, factos e acontecimentos que marcaram e marcam a história do presente desta minha região;
e ele há coisas...

sábado, 17 de abril de 2010

adulto

o meu filho, 16 anos, perguntou-me quando somos adultos;
resposta, a partir dos 16 somos imputáveis judicialmente, a partir dos 18 votamos, aos 20/21 vamos à tropa, mais ou menos nos 20 somos pais;
ser adulto é um estado ou uma consideração?
por mim ainda não me sinto totalmente adulto, mas isso sou eu...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

hierarquias

há muito que sei, por teoria e experiência prática, que a nossa administração adora a lógica militar das hierarquias, das linhas de comando, da verticalidade das responsabilidades;
por muito que se faça as lógicas estão assim montadas e a formação da generalidade das chefias não dá para mais; é o que temos;
mas, tenho de reconhecer, que não gosto de ser atirado para a categoria dos soldados razos, não tenho idade nem pachorra para isso;
no meu serviço compraram-se novos equipamentos, uns ficam com os topos de gama, outros com a gama de topo e o resto, eu incluído pois claro, com os sobrantes; não gostei, reconheço;
não lhes ficaria nada mal se passassem a vista sobre um livrinho já antigo, com o título sociologia da empresa, de luís rosa, editorial presença; uma belíssima metáfora e paródia à nossa administração pública; talvez aprendessem mais qualquer coisinha...

sucesso

ele há projectos que não lembram a quase ninguém e que poucos conhecem;
conhecem, porventura, um projecto em torno do sucesso designado de epis, eu não conhecia, mas fiquei a conhecer;
provavelmente interessante, como concorrente de outros já existentes e mais divulgados; prosseguem os mesmos objectivos, utilizam  diferentes metodologias, custam, qualquer um deles, algum dinheirão, apresentam a mesma preocupação dos resultados, do quantitativo;
mas, qualquer que seja o projecto, bem que podem ser um dos instrumentos a utilizar pela escolas...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

suspiro

nem parece que há uma semana atrás, por estas horas, estava eu de molho em banho de mar salgado, descansadinho do stress quotidiano, das arrelias, das caras franzidas ou dos simples sorrisos de circunstância social;
hoje estou aqui que na posso, a desejar férias, cansado e meramente social;
é motivo para suspirar, ah isso é...

terça-feira, 13 de abril de 2010

autonomias

fiquei a saber que os contratos de autonomia são opção a acentuar, não apenas nesta zona norte mas pelo país;
como os contratos teip têm tendência a passar também a contratos de autonomia;
as escolas constituem-se como centros de custo e, espero, centros de avaliação dos senhores directores, com um sistema de avaliação plausível e adequado aos contratos celebrados;
mas há quem destaque as tensões e as contradições entre as autonomias e as heteronomias;
mas sinto, pela referência que aqui vejo, que por estas bandas as autonomias são mais efectivas que pelo meu alentejo; fruto, acima de tudo, da assunção de responsabilidades e das ousadias assumidas...

diferenças

passear por sítios e zonas diferentes permite-nos conhecer outras realidades, outras práticas, outros sentidos dos nossos quotidianos;
ao nível das escolas, entre norte e alentejo, destacam-se as significativas diferenças de dinâmicas, de formação e liderança; por aqui sinto como mais generalizada a concepção de professor reflexivo, escola inclusiva, aluno sujeito, educação participada que na minha santa terrinha; já não são tão distintas algumas práticas, sejam elas pedagógicas ou organizacionais;
ao nível das estruturas da direcção regional então as diferenças são inquestionáveis, seja pela abrangência geográfica, pela formação das chefias intermédias ou pelo número de equipas de apoio às escolas; semelhante permanecem algumas concepções relativamente às direcções regionais quanto ao facto de serem mais intromissivas que cooperativas;

porto

de quando em vez, sem saber ler nem escrever, faço uns desvios, profissionais pois claro;
hoje estou pela cidade invicta a ouvir falar de territórios educativos de intervenção prioritária;
e valeu a pena ter-me levantado cedo e feitos tantos kim...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

banalidades

a vontade de escrever neste espaço quase que ficou por terras de fora;
a opção era entre deixar de escrever e escrever banalidades, mais ainda;
por que a escrita faz parte dos meus dias, opto por escrever - e assentuar - as minhas banalidades, vulgaridades e coisas de nada;
coisas sérias ficam para outros...

volta

depois da pausa o regresso;
não consegui publicar o post anterior, era acompanhado de imagem onde se podia ver o mar azul;
fica hoje disponível;

pausa

em pausa pedagógica dá para admirar o país à distância, via rtp internacional;
há coisas para as quais não há distância, outras que gostaríamos de ter deixado para trás, esquecer;
em pausa apenas descanso, recuperam-se energias para mais do mesmo;
da janela vejo o mar azul, o quase mediterrâneo que, mesmo nesta altura está convidativo...

sábado, 3 de abril de 2010

manancial

a internet é um manancial de informação perfeitamente descomunal;
podem-se encontrar, para além das coisas e situações mais óbvias, todo um conjunto de informação útil, pertinente e adequado para o que se entenda e para o que se precise;
nos tempos presentes, com este manancial perfeitamente à mão de semear o que se coloca é, para além de destrinçar entre aquilo que é lixo informacional e coisa pertinente, o modo, a forma e o método de utilização;
referenciei textos e documentos deveras pertinentes em que, agora, a coisa que tenho que fazer é saber utilizá-los em proveito próprio, não caindo no mais fácil, que é o copy/paste, mas na sua integração naquilo que ando a fazer...

social

esta coisa das redes sociais é engraçada sem lhe achar gracinha nenhuma;
temos amigos, que confirmamos ou que solicitamos, mas não temos compromissos;
trocam-se ideias, simples, rápidas, fugazes, sem esperar que o amigo nos responda;
não há grandes hipóteses de zangas, amuos ou qualquer arrufo de amizade, apenas o conhecimento da amizade;
comecei pelos alunos, alastrou-se a colegas docentes e agora a minha rede é cada vez mais larga;
há gente que se lembra de mim que não lembra ao diabo, muito provavelmente apenas para coleccionar amizades;
e as quantidades são elemento essencial nesta coisa;
é mesmo uma questão social...

estado

não é do Estado, com letra maiúscula, é mesmo o estado, enquanto condição, em que se encontra este meu cantinho;
depois de dois dias de trabalho, com algum rendimento e proveito, está um caos;
ele são livros, cinza, cinzeiro cheio, copos, taças, esferográficas, cópias e fotocópias, papéis soltos, com apontamentos ou notas soltas e mais coisas;
pouco é o espaço para que o teclado ou o rato tenham espaço de sobrevivência;
mas isto está a ir...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

escrita

no meio de muitas dúvidas e algumas angústias a minha escrita oficial e académica lá vai fluindo entre argumentos e pressupostos;
de quando em vez imprimo um capítulo; foi o que ontem fiz com as opções metodológicas; descobri que na mão o documento ganha uma visibilidade mais globalizante, mais abrangente, que me permite detectar a sua coerência e os mecanismos de articulação entre ideias; o digital, o ver o documento apenas no ecrã, retira-me essa dimensão;
como consequência e apesar de apenas ontem impresso já está bem diferente; mas ainda carece de apontamentos, de desbaste;
devagar vai...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

sítios

para quem gosta de jazz e procura constantemente novas sonoridades ou apenas novas misturas, deixo aqui duas referências que, a cada dia que passa, se tornam mais insubstituíveis;
uma primeira de uma rádio on-line, com misturas um pouco fora do comum, misturando o chamado jazz mais tradicional com variações acústicas deveras interessantes, em http://www.jazz24.org/;
uma outra, de origem brasileira, que tem a particularidade de ser pior que eu, neste gosto, junta as referências que consegue e deixa ao gosto do cliente a sua navegação, imperdível, digo eu, em http://www.sobresites.com/jazz/radios1.htm;

tentações

este ano as amêndoas são uma tentação;
então aquelas envoltas em açúcar caramelizado, ui, uuuiiiiiiii...

diferença

desde os anos 60 do século passado se pode afirmar que as escolas são e fazem a diferença;
quem anda pelas escolas percebe com relativa facilidade as diferenças, de culturas, lógicas organizacionais, de liderança, de práticas pedagógicas, de sentidos, de opções, de papéis e de centralidades;
se, para além de um conjunto de escolas, tivermos oportunidade de conhecer outras regiões percebe-se ainda com maior facilidade, que o rural é diferente do urbano, o interior do litoral, o sul do norte;
estas diferenças têm sido "combatidas" com o chavão das autonomias, forma peculiar de homogeneizar e uniformizar a diferença; mesmo as práticas administrativas têm tendência a simplificar o complexo, a uniformizar o diferente;
a resitência a esta uniformização tem de recair nas escolas, nas suas culturas e práticas organizacionais;
sem essa diferença o sistema deixa de fazer sentido...

flexibilidade

depois de um mau exemplo, hoje aparecem alguns caldos de galinha, um temperar de situação;
fala-se, agora, em flexibilidade;
flexibilidade curricular, flexibilidade escolar, de escolhas e opções locais;
estou certo que, não tardará muito, para aparecerem as opiniões que isso é contranatura, desvio das orientações centrais, entre outras ideias;
o certo é que, apesar de favorável, não vejo as escolas com uma cultura suficiente para que essa flexibilidade curricular faça parte do seu projecto educativo;
e, a não fazer, perde-se algum do seu sentido e muita da sua pertinência...

quarta-feira, 31 de março de 2010

engano

ontem, em sede parlamentar, a senhora ministra da educação talvez tenha cometido um pequeno lapso ao afirmar que as escolas poderão escolher entre disciplinas semestrais e anuais e, como exemplo, referiu a História e a Geografia, uma num semestre, outra noutro;
se é certo que todas as disciplinas são cruciais ao currículo existente, se considerarmos que perante uma ou outra insinuação todos se levantarão contra, não posso deixar de manifestar a minha surpresa perante uma vez mais se desvalorizar a memória;
a disciplina de História passou, ao nível do secundário, a ser opção, mesmo nos cursos humanísticos; no unificado ocupa um espaço variável entre disciplinas e manchas horárias, já encavalitada que se encontra com a geografia;
assentuar esta desvalorização da memória é perder referências, é assentuar as dúvidas quanto aos futuros desejáveis, é tornar perene aquilo que pode e devia ser estruturante;
espero que tenha apenas sido um mau exemplo...

terça-feira, 30 de março de 2010

família

tenho tido uma relação com a família entre o seco e o distante;
apesar da quantidade de tios e tias, 7 do lado da mãe, 3 do lado do pai, foi com estes que, por proximidade, desenvolvi maiores contactos e mais afectos;
mas há primos e primos, aqueles que, sei lá por quê, me ficaram na memória;
hoje soube do falecimento de um, vítima da tradicional doença prolongada;
fruto da distância e da relativa secura, pouco me fica na memória e pouco me sinto atirado para a frente;

duo

se há coisas de que gosto mesmo, uma é de jazz;
e, neste campo, não separo o nacional do restante; por cá há autores suficientes para que me sinta deleitado;
um exemplo de um duo que é simplesmente maravilhoso;

 

nesga

pela manhã notam-se as nesgas de sol que provocam um abrir de sorrisos nas gentes com que me cruzo;
o cinzento da chuva e do escuro dos dias cede, espero que não seja temporariamente, espaço e oportunidade ao sol;
prazer o nosso que nos deleitamos entre nesgas do astro rei...

tempo

reconheço que, apesar de curioso, não perdi muito tempo com mais um debate sobre a escola;
do que vi, entre soluços de zaping, realço duas ou três notas;
primeiro, os lugares comuns, as vulgaridades e as banalidades sobre a escola que ditas de forma tão convincente até parecem novas realidades;
segundo, até parece que o estatuto do aluno é feito para aluno ver, não é, por muito incrível que possa parecer, o estatuto do aluno visa o adulto ainda que por intermédio do aluno;
terceiro, faltaram outros nomes e outros protagonistas para a diferença de argumentos e de pontos de vista sobre a escola; até parecia que P. Portas e N. Crato estavam em oposição, e não estão;

segunda-feira, 29 de março de 2010

pausa

apesar de em pausa pedagógica, a escola não descansa dos debates, das considerações, das insinuações quase que subliminares, dos prós e dos contras que olham a escola como objecto de opinião (e, porventura, de culto) mais do que como sujeito social;
diz-se tanto e escreve-se tanto que a escola nos passa como algo adquirido e não enquanto reinvenção social;

chuva

depois de um fim-de-semana agradável, em que variei entre o interior da casa e o trabalho da courela, regressa a chuva, o dia cinzento;
reconheço que não lhe sentia a falta nem saudades deste tempo...

sábado, 27 de março de 2010

quarta-feira, 24 de março de 2010

xadrez

do que eu gosto mesmo é de perceber e ver as movimentações de bastidores, tentar perceber como as pedras de um qualquer xadrez social se movimentam, em função do quê, para onde e com que estratégia;
não sou grande jogador de xadrez, apesar do gosto que tenho pelo jogo, mas admirar as lógicas da minha administração pública é um regalo;
perceber por onde se anda, por que se anda, com quem se anda, para que se anda, é um gosto à qual não consigo resistir;
hoje, para bem dos meus pecados, abro o jogo a um colega; mostro como somos, nós pessoas, animais, que jogam na convivialidade, na insinuação, nos equilíbrios de poder, autoridade, supremacia e, quando não mesmo, de evidência e protagonismo mediante a utilização - ou abuso - da posição que se detém;
gostamos, por muito que o disfarcemos, de ser pavões, de ter o protagonismo da situação, de mandar, do mando tão soberbo do humano, de aparentarmos uma superioridade sobre o mais fraco que não detemos se argumentada, de afirmar a posição só pela posição, porque tudo o mais corre o risco de ser vazio;
não sou diferente dos restantes, mas as minhas preocupações não passam pelo protagonismo que possa ter neste meu sítio profissional; gosto mais de ser rato, de sentir os sentimentos dos outros, de perceber como se movimentam, que receios enfrentam, de quais as suas fragilidades;
a conclusão a que cheguei é que a nossa administração pública padece, excessivamente, dos erros mais óbvios, mais evidentes do protagonismo individual, da afirmação pessoal, do destaque fulanizado;
mas isso aguenta-se...

dos outros

há já algum tempo que não é meu hábito citar ou referenciar blogues sem nome;
mas a estas duas notícias, não resisto há tentação de evidenciar aquilo para a qual chamo, eu e outros, a atenção há muito;
as evidências das manifestas contradições entre os discursos e as práticas, as palavras e as acções de um poder que se auto-consome, a olhos vistos;
e hão-de cair, como outros, disso não tenho dúvidas...

dias

mais um dia que me obrigou, felizmente, escrevo eu, a andar pelas escolas, a conhecer o que por lá se faz, o que se diz, como se organizam e o que promovem;
mais uma agradável surpresa, daquelas em que quase que me insurjo para que seja feita fora do quintal da escola;
são iniciativas que, promovidas pelas escolas, participadas por alunos e docentes, assistidas por quase toda a família, deviam ser feitas fora de portas, fora das escolas, em espaço público, impondo-se e quase que se impingindo à comunidade, ao meio onde estão, mostrando-se e mostrando que há mais coisas para além do diz que disse, do que talvez tenha acontecido, do saber ler, escrever e contar;
sendo territórios educativos de intervenção prioritária e tendo várias valências na área da educação especial e tendo quase todos eles participado na festa, teria sido bem mais agradável que fosse fora da escola;

contente

Um em cada cinco portugueses sofre de doença psiquiátrica...
depois de ontem ver as notícias e de hoje as ler, tenho que reconhecer que me sinto mais contente;
afinal, não sou o único, há mais como eu, a sentirem-se triste, angustiados, amargurados, a não ver grande sentido no nosso quotidiano, a andarem arrasados com os dias cinzentos e persistentemente chuvosos;
descobri que, afinal, terei uma qualquer doença tratável mediante consulta psiquiátrica;
posso estar maluco, mas estou contente, pois tem tratamento;
ou não...

terça-feira, 23 de março de 2010

cheio

ontem, por virtude das obrigações, participei numa iniciativa de divulgação da ciência numa escola do 1º ciclo da cidade de Évora;
casa cheia, primeira surpresa, para ouvir dois senhores a falar dos mistérios do universo; eles eram as crianças, os pais das crinças, os tios e as avós;
segunda surpresa, uma escola que ainda há bem pouco tempo era apontada como particular dada a diversidade de públicos que a frequentavam e dos problemas sociais que a rodeavam, hoje está claramente uma escola inclusiva, onde se integra e convive na diversidade, se respeita o outro, se aprende com o outro;
faz sentido defender a escola pública, é bom ver estes exemplo;

cansado

estou assim a modos que...
cansado, incapacidade de concentração, de estruturar um pensamento ao de leve, de produzir o que quer que seja;
preciso de pausa, reset, reboot, etc...

sexta-feira, 19 de março de 2010

a +

há um programa chamado + sucesso, que engloba dois projectos bem distintos, o turma + e o fénix;
mas quem se sente, de quando em vez a mais, sou eu;
manifestamente a mais;
gosto de perceber isso pela expressão das pessoas, por aquilo que não dizem, pelos seus apartes, pelas entrelinhas dos seus discursos por vezes excessivamente rebuscados;
tenho uma experiência, pessoal e profissional, que não é propriamente comum; tenho uma formação que não é propriamente vulgar; que lhe hei-de fazer;
a partir de uma e de outra e por muito incrível que possa parecer a muita gente, não me ponho em bicos de pés, não preciso, mas defendo as minhas ideias - sempre com muita emotividade;
tenho lógicas de liderança e trabalho que não são o mais comum na administração pública;
tudo elementos que confundem, com relativa facilidade, algumas cabecitas e que me fazem sentir a mais;
não existissem outros dependentes do meu trabalho e logo lhes diria;
como, habitualmente, sou sempre eu que quebro... é a parte mais fraca...