assumi a minha travessia do deserto político e partidário;
apesar de me reconhecer na acção nacional (e na moção de Sócrates) tenho muitas dificuldades em reconhecer o que quer que seja na estratégia e nos actores locais e regionais;
o amorfismo não é nem complacência nem incompetência, é estratégia; nessa medida resta-me esperar para fazer o caminho, como quem espera que estes dias cinzentos e chuvosos tragam dias de sol e melhor disposição;
mas sempre que ponho a cabeça de fora, há quem me desafie; não percebo se pelo desafio se apenas para ver como vão as minhas intenções e poderem, assim, controlar o rapaz;
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
domingo, 8 de fevereiro de 2009
convite
amanhã reunião na direcção regional, por intermédio de convite;
o convite mais não é que o reconhecimento pleno do não exercício de qualquer preponderância sobre as escolas, da diluição de um poder que se esvai no esvaziamento de competências, objectivos e funcionalidades;
pessoalmente considero este facto com alguma tristeza, pois podiam e deviam ser órgãos de apoio, acompanhamento e estruturação da acção das escolas;
mas a política (educativa neste caso, mas não só) tem sido inexorável face às estruturas desconcentradas, num permanente esvaziamento e descomprometimento...
o convite mais não é que o reconhecimento pleno do não exercício de qualquer preponderância sobre as escolas, da diluição de um poder que se esvai no esvaziamento de competências, objectivos e funcionalidades;
pessoalmente considero este facto com alguma tristeza, pois podiam e deviam ser órgãos de apoio, acompanhamento e estruturação da acção das escolas;
mas a política (educativa neste caso, mas não só) tem sido inexorável face às estruturas desconcentradas, num permanente esvaziamento e descomprometimento...
empate
o glorioso não perdeu, mas não ganhou;
um empate que sabe a pouco, fruto das circunstâncias que ditaram aquele penalti;
campeonato pela frente e viva o Sporting, de Braga, pois claro :)
um empate que sabe a pouco, fruto das circunstâncias que ditaram aquele penalti;
campeonato pela frente e viva o Sporting, de Braga, pois claro :)
neura
desenvolver um projecto de investigação há já 4 anos é motivo forte para, de quando em vez, sentir uma neura do tamanho das casas;
reconheço que o projecto tem tido desenvolvimentos consentâneos com os objectivos que tenho definido e desenhado; contudo, não invalida que fruto do meu bio-ritmo e sentindo-me cansado, não sinta uma clara fartura deste trabalho, um apetite inexorável em não ter nada para fazer, preocupações que me apoquentem;
neste momento, atravesso uma fase em que não sinto prazer nem na investigação nem na escrita, apenas uma dor de fartura e manifesto cansaço;
reconheço que o projecto tem tido desenvolvimentos consentâneos com os objectivos que tenho definido e desenhado; contudo, não invalida que fruto do meu bio-ritmo e sentindo-me cansado, não sinta uma clara fartura deste trabalho, um apetite inexorável em não ter nada para fazer, preocupações que me apoquentem;
neste momento, atravesso uma fase em que não sinto prazer nem na investigação nem na escrita, apenas uma dor de fartura e manifesto cansaço;
sábado, 7 de fevereiro de 2009
lógicas
o movimento de contra-reforma nacional, esse mesmo que marcou a reacção da igreja católica aos movimentos de separação e contestação ao longo dos séculos XVII e XVIII, deixou marcas insalubres na nossa sociedade que ainda hoje criam pseudo lógicas de pensamento;
uma das medidas procurou assegurar a compartimentação dos grupos sociais, num período em que se insinuava alguma "promiscuidade" entre os grupos e se fazia sentir alguma mobilidade social, particularmente ascendente, decorrente do crescente peso da burguesia;
esta compartimentação foi ao ponto de assegurar que cada cada um permaneceria nas suas origens e assim se condicionou o vestuário, bem definido e regulamentado de acordo com o estatuto social, que quem era rico assim permaneceria, mesmo já não o sendo e proibindo a ascensão daqueles que, por razões diversas, o conseguiam fazer;
não é de História que falo, ainda hoje esta lógica se inculca no pensar nacional mediante a crítica de quem subiu na vida e vê apoucado, criticado quando não mesmo rotulado de muitos nomes e prevaricações apenas por que ousou deixar as suas origens;
permanece, de algum modo, instalado no pensar nacional que ricos são apenas os ricos e que os restantes se devem confinar ao seu espaço de origem, não lhe permitindo a ousadia de daí sair; e não são poucos os casos, desde o comerciante que fruto do seu trabalho subiu na vida, ao político do interior que ousou desafiar poderes instituídos...
uma das medidas procurou assegurar a compartimentação dos grupos sociais, num período em que se insinuava alguma "promiscuidade" entre os grupos e se fazia sentir alguma mobilidade social, particularmente ascendente, decorrente do crescente peso da burguesia;
esta compartimentação foi ao ponto de assegurar que cada cada um permaneceria nas suas origens e assim se condicionou o vestuário, bem definido e regulamentado de acordo com o estatuto social, que quem era rico assim permaneceria, mesmo já não o sendo e proibindo a ascensão daqueles que, por razões diversas, o conseguiam fazer;
não é de História que falo, ainda hoje esta lógica se inculca no pensar nacional mediante a crítica de quem subiu na vida e vê apoucado, criticado quando não mesmo rotulado de muitos nomes e prevaricações apenas por que ousou deixar as suas origens;
permanece, de algum modo, instalado no pensar nacional que ricos são apenas os ricos e que os restantes se devem confinar ao seu espaço de origem, não lhe permitindo a ousadia de daí sair; e não são poucos os casos, desde o comerciante que fruto do seu trabalho subiu na vida, ao político do interior que ousou desafiar poderes instituídos...
família
as famílias juntam-se, o mais das vezes, em tempos de funeral, na morte de alguém que era uma das pontas de união da família, ou apenas um ponto numa rede de cumplicidades e afinidades;
com a minha tem sido assim; nos últimos tempos temo-nos reunido/encontrado no funeral de alguém que nos viu crescer;
hoje, um primo resolveu quebrar essa regra e a família cujo apelido consta na designação deste espaço, resolveu juntar os homens; três gerações, o meu pai, o único sobrevivente da família e os respectivos sobrinho, para além de mim, pois claro;
um almoço de estórias, memórias e saudades de futuro, de nos voltarmos a encontrar e a conviver; tão agradável que ficámos com vontade de mais...
com a minha tem sido assim; nos últimos tempos temo-nos reunido/encontrado no funeral de alguém que nos viu crescer;
hoje, um primo resolveu quebrar essa regra e a família cujo apelido consta na designação deste espaço, resolveu juntar os homens; três gerações, o meu pai, o único sobrevivente da família e os respectivos sobrinho, para além de mim, pois claro;
um almoço de estórias, memórias e saudades de futuro, de nos voltarmos a encontrar e a conviver; tão agradável que ficámos com vontade de mais...
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
bruxas
em conversa rápida um colega (entre amigo e controleiro) perguntava-me por onde ando;
limito-me às bases, à infraestrutura política, numa travessia do deserto assumida pela distância que quero ter às agremiações de avental, uma vez que o PS desta terra é cada vez mais a boca de cena de argumentos escritos noutros lados;
diz-me que não, para não acreditar em cabalas;
respondo-lhe que em cabalas e em bruxas eu não acredito, mas ...
limito-me às bases, à infraestrutura política, numa travessia do deserto assumida pela distância que quero ter às agremiações de avental, uma vez que o PS desta terra é cada vez mais a boca de cena de argumentos escritos noutros lados;
diz-me que não, para não acreditar em cabalas;
respondo-lhe que em cabalas e em bruxas eu não acredito, mas ...
crise
na cidade onde trabalho, Vendas Novas, a crise sente-se;
há muito que tem a pretensão de ser uma cidade industrial; pelo bom e pelo mau até tem tradição;
mas a tradição não chega em tempos de crise;
uma das maiores empresas, uma para a qual grande parte dos jovens da escola gostaria de ir trabalhar, está em crise; e aqui sim, se espirra todo o concelho fica com tuberculose;
e a escola também não fica imune; sentem-se algumas amarguras nos jovens, é um silêncio que se prolonga, é uma ausência de sorrisos, são faces mais contraídas;
distantes da realidade, mas muito próximos dos afectos caseiros...
há muito que tem a pretensão de ser uma cidade industrial; pelo bom e pelo mau até tem tradição;
mas a tradição não chega em tempos de crise;
uma das maiores empresas, uma para a qual grande parte dos jovens da escola gostaria de ir trabalhar, está em crise; e aqui sim, se espirra todo o concelho fica com tuberculose;
e a escola também não fica imune; sentem-se algumas amarguras nos jovens, é um silêncio que se prolonga, é uma ausência de sorrisos, são faces mais contraídas;
distantes da realidade, mas muito próximos dos afectos caseiros...
ouver
ontem fui "ouver" (como diz o Zé Duarte) José Sócrates;
a clientela do costume, nada de novo; até para mim, mais não é que um marcar de presença, dizer que ainda estamos vivos, que se existe;
não comento, dado que há por aí comentários q.b., nem mesmo na área da educação onde a novidade assenta no prolongamento da escolaridade, nem na juventude, onde lhe são dedicadas 4 ou 5 linhas;
o meu comentário vai para a sua frescura; depois de uma tarde na Assembleia da República de certamente ter resolvido mais uns quantos berbicachos, apresenta-se fresco que nem alface;
fiquei impressionado, reconheço...
a clientela do costume, nada de novo; até para mim, mais não é que um marcar de presença, dizer que ainda estamos vivos, que se existe;
não comento, dado que há por aí comentários q.b., nem mesmo na área da educação onde a novidade assenta no prolongamento da escolaridade, nem na juventude, onde lhe são dedicadas 4 ou 5 linhas;
o meu comentário vai para a sua frescura; depois de uma tarde na Assembleia da República de certamente ter resolvido mais uns quantos berbicachos, apresenta-se fresco que nem alface;
fiquei impressionado, reconheço...
alegria
afinal o canito voltou a casa;
foi ver os sorrisos e o descomprimir;
até eu passei o dia mais leve, muito mais leve...
foi ver os sorrisos e o descomprimir;
até eu passei o dia mais leve, muito mais leve...
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
tristeza
estou triste;
desapareceu-me o mais recente amigo lá de casa, o nosso cão;
três meses de vida, há um em casa e hoje não o vimos;
estou triste
desapareceu-me o mais recente amigo lá de casa, o nosso cão;
três meses de vida, há um em casa e hoje não o vimos;
estou triste
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
pote
clique
já aqui o disse, esta geração, que se encontra na faixa dos 10 - 15 anos, designo-a como geração clique;
já foi designada de geração google, fruto do predominância que esta ferramenta tem dito nos últimos anos;
mas a designada geração clique caracteriza-o como mais imediatista e instância, à velocidade do clique, seja no rato, no icon da net ou no botão do aparelhómetro electrónico;
se a juventude sempre foi caracterizada pela rapidez e imediatismo, agora a velocidade altera-se e o imediato é o clique;
já foi designada de geração google, fruto do predominância que esta ferramenta tem dito nos últimos anos;
mas a designada geração clique caracteriza-o como mais imediatista e instância, à velocidade do clique, seja no rato, no icon da net ou no botão do aparelhómetro electrónico;
se a juventude sempre foi caracterizada pela rapidez e imediatismo, agora a velocidade altera-se e o imediato é o clique;
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
nome
quando escrevo preciso de o fazer em face de um nome, um título;
o nome ou a designação serve-me como elemento de orientação, uma referência de trabalho de acordo com uma linha argumentativa;
neste início de ano considero que a minha escrita finalmente desemperrou;
tinha uma designação - a regulação dos quotidianos educativos, instrumentos das políticas disciplinares na escola pública;
agora reconfigurei essa designação e é tão só: A escola e o governo de nós mesmos;
para já poderá ser o título da minha tese; a ver vamos...
o nome ou a designação serve-me como elemento de orientação, uma referência de trabalho de acordo com uma linha argumentativa;
neste início de ano considero que a minha escrita finalmente desemperrou;
tinha uma designação - a regulação dos quotidianos educativos, instrumentos das políticas disciplinares na escola pública;
agora reconfigurei essa designação e é tão só: A escola e o governo de nós mesmos;
para já poderá ser o título da minha tese; a ver vamos...
andamento
primeiro a sala de aula;
depois de um primeiro período em que opto por questionar todo o processo de ensino-aprendizagem, levando a que grande parte dos alunos, e respectivas famílias, se sintam desorientados face à autonomia outorgada, o segundo período tende para a estabilização;
é engraçado ver os alunos a entrar, a puxar do material necessário e avançar sem sobressaltos para o trabalho;
ganha-se em responsabilidade no mesmo nível que a autonomia se insinua;
o tempo de concentração é ainda limitado, mas nada de anormal quando se tem apenas 11, 12 ou 13 anos;
mas é um privilégio percebe-los e vê-los a crescer;
depois de um primeiro período em que opto por questionar todo o processo de ensino-aprendizagem, levando a que grande parte dos alunos, e respectivas famílias, se sintam desorientados face à autonomia outorgada, o segundo período tende para a estabilização;
é engraçado ver os alunos a entrar, a puxar do material necessário e avançar sem sobressaltos para o trabalho;
ganha-se em responsabilidade no mesmo nível que a autonomia se insinua;
o tempo de concentração é ainda limitado, mas nada de anormal quando se tem apenas 11, 12 ou 13 anos;
mas é um privilégio percebe-los e vê-los a crescer;
domingo, 1 de fevereiro de 2009
novidades
e por muito incrível que nos possa parecer a segunda-feira do ano já lá vai;
novo mês, Fevereiro, se inicia e com ele todos os desejos de poder avançar com confiança e alguma determinação;
já defini objectivos, reformulei alguns e apontei baterias a um mês em que o pai fará anos;
novo mês, Fevereiro, se inicia e com ele todos os desejos de poder avançar com confiança e alguma determinação;
já defini objectivos, reformulei alguns e apontei baterias a um mês em que o pai fará anos;
modelos
há muito que os modelos da família dita tradicional se alteraram; ou talvez nunca tenha sido como os pensamos, mas apenas como os vivemos;
cá por casa sinto a manifesta dificuldade de ser pai e mãe, nos interregnos em que a esposa está de serviço;
entre refeições, neuras e roupas para o dia seguinte é um ver se te avias no desdobrar das atenções, da gestão de atritos quando não mesmo de conflitos, de interesses e o que mais apareça;
quando as minhas colegas dizem que eu não sei o que é ser mãe/mulher, apenas me sai um sorriso...
cá por casa sinto a manifesta dificuldade de ser pai e mãe, nos interregnos em que a esposa está de serviço;
entre refeições, neuras e roupas para o dia seguinte é um ver se te avias no desdobrar das atenções, da gestão de atritos quando não mesmo de conflitos, de interesses e o que mais apareça;
quando as minhas colegas dizem que eu não sei o que é ser mãe/mulher, apenas me sai um sorriso...
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
seguidores
tenho aqui ao lado o quadro de seguidores;
começou a Sofia, amiga desconhecida de longa data perante a qual sinto uma admiração ...
depois juntou-se o Luís, outro amigo, referenciado por mim nas esquinas da vida e da qual espero não perder o rumo, nem o sul - que nos une;
agora juntou-se uma conterrânea do hemisfério sul que, espero eu, tenha aqui reconhecido algum dos seus muitos e diferentes prazeres que existem nesta coisa que é ensinar, a escola, a educação e a vida do professor(ado);
bago a bago...
começou a Sofia, amiga desconhecida de longa data perante a qual sinto uma admiração ...
depois juntou-se o Luís, outro amigo, referenciado por mim nas esquinas da vida e da qual espero não perder o rumo, nem o sul - que nos une;
agora juntou-se uma conterrânea do hemisfério sul que, espero eu, tenha aqui reconhecido algum dos seus muitos e diferentes prazeres que existem nesta coisa que é ensinar, a escola, a educação e a vida do professor(ado);
bago a bago...
trabalho
há medida que avanço no trabalho da tese, tenho vontade de reconfigurar alguns procedimentos e algumas técnicas de recolha de dados;
tenho consciência do trabalho, da carga de trabalhos, que isso me acarretará;
não será para já mas tenho consciência que irei alterar o suporte que criei para os dados que tenho recolhidos, e são já muitos, muitas páginas, centenas...
tenho consciência do trabalho, da carga de trabalhos, que isso me acarretará;
não será para já mas tenho consciência que irei alterar o suporte que criei para os dados que tenho recolhidos, e são já muitos, muitas páginas, centenas...
aparências
este meu cantinho tem como predominância a escola e a educação, mas nunca resisto a passear por outros espaços de cidadania e participação;
em reunião realizada recentemente e na qual participei foi visível a ilusão dos poderes e a sofreguidão da governação;
há argumentos que são utilizados que não têm, nem se sente qualquer correspondência por quem os refere e utiliza;
ficamo-nos pelas aparências, sendo certo que novidades apenas no...
em reunião realizada recentemente e na qual participei foi visível a ilusão dos poderes e a sofreguidão da governação;
há argumentos que são utilizados que não têm, nem se sente qualquer correspondência por quem os refere e utiliza;
ficamo-nos pelas aparências, sendo certo que novidades apenas no...
censura
por manifestas dificuldades em articular os diferentes afazeres e por uma censura instituída na escola, estive distante deste meu canto de escrita;
a censura decorreu de se ter instalado uma rede de permissões nos acessos à net na escola, de modo a que não se passeie por sítios pouco ou nada educativos;
só que os blogues caíram na malha apertada, esquecendo-se, quem configurou as permissões, que a escola tem um blogue;
a censura decorreu de se ter instalado uma rede de permissões nos acessos à net na escola, de modo a que não se passeie por sítios pouco ou nada educativos;
só que os blogues caíram na malha apertada, esquecendo-se, quem configurou as permissões, que a escola tem um blogue;
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
currículo
os tempos que correm, marcados pela crise e pela incerteza, é uma óptima oportunidade em termos da análise do currículo da nossa escola;
nomeadamente no papel que a História poderia adquirir não tivesse sido, de há uns anos a esta parte, tão desvalorizado e tornado mesmo dispensável - caso do ensino secundário;
a crise que se vive tem contornos próprios e originais; mas perceber as consequências das dores de crescimento do final do século XIX, que deu origem à primeira guerra mundial, os arranjos e desacertos da regulação inexistente no pós guerra que conduziu à crise de 1929 e as consequências dessa crise que mais não fez que conduzir à segunda guerra mundial, seria essencial para que as pessoas entendessem as causas e as consequências (sendo minimalista e dicotómico);
a História, desvalorizada que está face ao imediatismo dos futuros, poderia dar o seu contributo e ajudar em perceber como poderíamos sair do buraco em que nos metemos - ou enfiaram;
nomeadamente no papel que a História poderia adquirir não tivesse sido, de há uns anos a esta parte, tão desvalorizado e tornado mesmo dispensável - caso do ensino secundário;
a crise que se vive tem contornos próprios e originais; mas perceber as consequências das dores de crescimento do final do século XIX, que deu origem à primeira guerra mundial, os arranjos e desacertos da regulação inexistente no pós guerra que conduziu à crise de 1929 e as consequências dessa crise que mais não fez que conduzir à segunda guerra mundial, seria essencial para que as pessoas entendessem as causas e as consequências (sendo minimalista e dicotómico);
a História, desvalorizada que está face ao imediatismo dos futuros, poderia dar o seu contributo e ajudar em perceber como poderíamos sair do buraco em que nos metemos - ou enfiaram;
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
observatório
assim vai a minha terra, atrasada, parada, suspensa por tempo intedeterminado;
o observatório do desenvolvimento do Alentejo, assente na Universidade de Évora teve a sua última actualização há 4 anos atrás;
ou não há desenvolvimento ou há desleixo; e não é de desleixo que se trata, na senhora...
conhecimento
não é de hoje nem de ontem, mas o conhecimento tem adquirido um protagonismo e um destaque que o colocam a par das ideologias;
hoje, por dá cá aquela palha, o conhecimento é factor de decisão, elemento de opção, argumento justificativo, legitimativo e fundador de uma qualquer política;
tanto o é na opção do aeroporto como no TGV, mas também na educação onde quer os pareceres quer as opções são justificadas por um dado conhecimento;
substituir a política pelo conhecimento mais não é que alterar os pressupostos da acção colectiva, uma vez que o conhecimento não é nem inocente, nem despido de valores ou interesses;
hoje, por dá cá aquela palha, o conhecimento é factor de decisão, elemento de opção, argumento justificativo, legitimativo e fundador de uma qualquer política;
tanto o é na opção do aeroporto como no TGV, mas também na educação onde quer os pareceres quer as opções são justificadas por um dado conhecimento;
substituir a política pelo conhecimento mais não é que alterar os pressupostos da acção colectiva, uma vez que o conhecimento não é nem inocente, nem despido de valores ou interesses;
domingo, 25 de janeiro de 2009
enleios
as notícias dão conta do eventual envolvimento do nosso primeiro-ministro em negócios menos claros;
as notícias enleiam-se entre o mal-estar da crise e situações sectoriais, adensadas pela meteorologia;
os partidos políticos, pelo menos alguns, envolvem-se nas construções das muitas listas eleitorais que preenchem o ano, numa gestão (interesses, protagonismos, poderes, objectivos, lógicas) que vai muito para além do estrito interesse político e partidário;
nós por cá ficamos a ver a caravana passar; a militância está, pelo menos em alguns sectores, restringida à entrega do folheto ou da bandeirinha;
não se discute pois isso daria oportunidade a outras ideias; apenas em momentos previamente encenados, marcados pela aparência de formalização e pronto...
são enleios que uns tecem, que uns aproveitam e enquanto se discutem trocos, há quem sinta que o mundo foge para onde não deve...
as notícias enleiam-se entre o mal-estar da crise e situações sectoriais, adensadas pela meteorologia;
os partidos políticos, pelo menos alguns, envolvem-se nas construções das muitas listas eleitorais que preenchem o ano, numa gestão (interesses, protagonismos, poderes, objectivos, lógicas) que vai muito para além do estrito interesse político e partidário;
nós por cá ficamos a ver a caravana passar; a militância está, pelo menos em alguns sectores, restringida à entrega do folheto ou da bandeirinha;
não se discute pois isso daria oportunidade a outras ideias; apenas em momentos previamente encenados, marcados pela aparência de formalização e pronto...
são enleios que uns tecem, que uns aproveitam e enquanto se discutem trocos, há quem sinta que o mundo foge para onde não deve...
dúvidas
o problema de se querer conhecer, são as dúvidas que se nos colocam;
gostava de perceber por que é que a minha santa terrinha não ata nem desata;
já culpei um dinossauro do poder local; já responsabilizei quadros ideológicos; já apontei o dedo aos interesses mais individuais, como já culpabilizei as incompetências e os desleixos institucionais;
contudo, cada vez mais me apercebo que não será nada disto, mas uma concertação estratégica;
não explico, mas adianto, aparentemente há partidos que mais não são que a boca de cena de representações encapotadas, palcos públicos de interesses privados, exibições abertas de enredos cobertos; assume-se, aparentemente, uma formalização de algo decidido noutros palcos, institucionaliza-se aquilo que é apenas de alguns;
incompetência? longe disso; interesses isso sim, e não são mesquinhos, mas de agremiações que não prestam contas a nada nem a ninguém e que utilizam os outros em seu belo proveito;
nada de mal viria ao mundo se estas agremiações se limitassem a afirmar os seus valores e as suas ideias; o problema é que se instituem como claras forças do bloqueio; bloqueio de ideias, de participação, de discussão; arrogam-se no direito de serem eles, apenas e somente, a terem direito;
gostava de perceber por que é que a minha santa terrinha não ata nem desata;
já culpei um dinossauro do poder local; já responsabilizei quadros ideológicos; já apontei o dedo aos interesses mais individuais, como já culpabilizei as incompetências e os desleixos institucionais;
contudo, cada vez mais me apercebo que não será nada disto, mas uma concertação estratégica;
não explico, mas adianto, aparentemente há partidos que mais não são que a boca de cena de representações encapotadas, palcos públicos de interesses privados, exibições abertas de enredos cobertos; assume-se, aparentemente, uma formalização de algo decidido noutros palcos, institucionaliza-se aquilo que é apenas de alguns;
incompetência? longe disso; interesses isso sim, e não são mesquinhos, mas de agremiações que não prestam contas a nada nem a ninguém e que utilizam os outros em seu belo proveito;
nada de mal viria ao mundo se estas agremiações se limitassem a afirmar os seus valores e as suas ideias; o problema é que se instituem como claras forças do bloqueio; bloqueio de ideias, de participação, de discussão; arrogam-se no direito de serem eles, apenas e somente, a terem direito;
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
livros
há livros e livros;
aqueles que nos ajudam a compreender as coisas, o mundo, os sentimentos e os afectos;
há outros que apenas nos ajudam a pensar, sobre tudo e sobre nós;
há outros que apenas nos colocam interrogações, nos questionam, inquirem sobre o que somos e o que fazemos;
tive oportunidade, ao fim de algum tempo e com o beneplácito do meu orientador, de ter acesso a um livro que é tudo isso e muito mais;
um autêntico desafio sob todos os aspectos; um livro que, em tempos mais à frente, poderá ser um marco sobre o que é a escola e o que tem sido a educação;
maravilhoso...
aqueles que nos ajudam a compreender as coisas, o mundo, os sentimentos e os afectos;
há outros que apenas nos ajudam a pensar, sobre tudo e sobre nós;
há outros que apenas nos colocam interrogações, nos questionam, inquirem sobre o que somos e o que fazemos;
tive oportunidade, ao fim de algum tempo e com o beneplácito do meu orientador, de ter acesso a um livro que é tudo isso e muito mais;
um autêntico desafio sob todos os aspectos; um livro que, em tempos mais à frente, poderá ser um marco sobre o que é a escola e o que tem sido a educação;
maravilhoso...
escola
as coisas pela escola vão de mal a pior;
ele há coisas que não lembram nem ao Diabo - com letra maiúscula não vá ele tecê-las;
então não houve quem procurasse convencer colegas a não entregar os objectivos quando já os tinha entregue?
ele há coisas que não lembram nem ao Diabo - com letra maiúscula não vá ele tecê-las;
então não houve quem procurasse convencer colegas a não entregar os objectivos quando já os tinha entregue?
reconhecimento
na generalidade dos casos os elementos da agremiação de balcão não se reconhecem, pelo menos publicamente, enquanto tal;
mas sempre há uns quantos que, fruto de alguma exibição mais ou menos narcísica, se assumem;
não é bom nem mau, é péssimo;
mas sempre há uns quantos que, fruto de alguma exibição mais ou menos narcísica, se assumem;
não é bom nem mau, é péssimo;
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
dias
os dias passam-se, com a particularidade deste mês de Janeiro estar a ser marcado pelo cinzento da chuva, dos rostos encolhidos e dos espíritos constritos;
nesta minha escola é último dia para entrega de objectivos individuais; a sala de professores está que na se pode;
assumo, entreguei os meus objectivos, apesar de tudo e para além de tudo;
nesta minha escola é último dia para entrega de objectivos individuais; a sala de professores está que na se pode;
assumo, entreguei os meus objectivos, apesar de tudo e para além de tudo;
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Janeiro
não gosto deste mês, pronto;
o meu biorritmo manifesta-se no negativo;
impaciência, irritabilidade... desejo de apenas chegar ao fim;
uma colega diz-me que é o síndroma das segundas-feiras adaptado ao calendário do ano;
o meu biorritmo manifesta-se no negativo;
impaciência, irritabilidade... desejo de apenas chegar ao fim;
uma colega diz-me que é o síndroma das segundas-feiras adaptado ao calendário do ano;
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
separação
a situação vivida na escola e na educação, o confronto e a radicalização de situações leva-me a temer que se promova a separação de professores;
mais que titulares e os outros, poderá ser uma separação de amizades e cumplicidades de quem está comigo ou contra mim;
mais que titulares e os outros, poderá ser uma separação de amizades e cumplicidades de quem está comigo ou contra mim;
outros modos
penso que seja possível equacionar outras dimensões e outros processos inerentes à avaliação de desempenho;
a situação hoje enleia-se na intransigência de quem não quer ser avaliado, nas posições políticas e partidárias face às políticas educativas, na incapacidade de pensar outros modos ou formas de viver e construir as dimensões profissionais ou na simplificação de processos que mais não fazem que conduzir ao seu próprio esboroamento;
é possível e desejável, em meu entendimento, pensarmos outros modos de fazer, determinar outros processos, equacionar realidades contextuais e situadas e mostrar que é possível outra forma de desenvolver o processo de avaliação;
há muito que opto por estar do lado de quem procura soluções, negando-me a estar do lado daqueles que mais não fazem que moer a moenga já moída;
a situação hoje enleia-se na intransigência de quem não quer ser avaliado, nas posições políticas e partidárias face às políticas educativas, na incapacidade de pensar outros modos ou formas de viver e construir as dimensões profissionais ou na simplificação de processos que mais não fazem que conduzir ao seu próprio esboroamento;
é possível e desejável, em meu entendimento, pensarmos outros modos de fazer, determinar outros processos, equacionar realidades contextuais e situadas e mostrar que é possível outra forma de desenvolver o processo de avaliação;
há muito que opto por estar do lado de quem procura soluções, negando-me a estar do lado daqueles que mais não fazem que moer a moenga já moída;
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
falta
na próxima segunda-feira não farei greve;
falto à manifestação, saturado que estou de um claro impasse e pela impaciência que tem marcados os últimos anos lectivos;
demarco-me de todo um processo que, em meu entender, está esgotado;
apesar de ter plena consciência da dimensão política de que se reveste todo este processo, de parte a parte, o meu voto fica restringido à escola e ao normal dia de trabalho - leia-se como se entender;
em todo este processo, desde a revisão do estatuto à avaliação de desempenho, há, como em tudo, coisas erradas, muitas, como há outras acertadas, poucas, perante as quais o interesse profissional deverá passar pela adequação, contextualização e apropriação - desde que se saiba, possa ou simplesmente queira;
falto à manifestação, saturado que estou de um claro impasse e pela impaciência que tem marcados os últimos anos lectivos;
demarco-me de todo um processo que, em meu entender, está esgotado;
apesar de ter plena consciência da dimensão política de que se reveste todo este processo, de parte a parte, o meu voto fica restringido à escola e ao normal dia de trabalho - leia-se como se entender;
em todo este processo, desde a revisão do estatuto à avaliação de desempenho, há, como em tudo, coisas erradas, muitas, como há outras acertadas, poucas, perante as quais o interesse profissional deverá passar pela adequação, contextualização e apropriação - desde que se saiba, possa ou simplesmente queira;
progressos
à medida que os dias e os tempos decorrem, cada vez mais me apercebo dos progressos dos alunos, adaptando-se a uma metodologia de trabalho, compreendendo as regras de trabalho e sabendo utilizar as diferentes ferramentas;
por cada período há um conjunto específico de estratégias e de opções de trabalho; como em cada ano lectivo há um conjunto diferenciado de conceitos;
há quem diga que os miúdos não estão preparados; lérias, quem não está preparado são aqueles que têm todas as certezas deste mundo;
por cada período há um conjunto específico de estratégias e de opções de trabalho; como em cada ano lectivo há um conjunto diferenciado de conceitos;
há quem diga que os miúdos não estão preparados; lérias, quem não está preparado são aqueles que têm todas as certezas deste mundo;
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
stress
nota-se, por estas bandas, o agudizar dos níveis de stress, de pressão, de uma clara dificuldade de gerir situações;
mas há, mesmo neste contexto, coisas boas; uma professora que se abre, que aproveita para conversar e falar; desabafar;
por mim opto por um xanax made in Irland; é um descanso, não há stresse que me entre;
mas há, mesmo neste contexto, coisas boas; uma professora que se abre, que aproveita para conversar e falar; desabafar;
por mim opto por um xanax made in Irland; é um descanso, não há stresse que me entre;
autoridade
não sei como será nas restantes escolas, falo da que conheço;
por aqui as disputas de autoridade, os desafios negociais entre alunos e docente é uma constante;
há um permanente desafio, uma procura de estabelecer limites, campos de possibilidade, uma divisão de fronteiras e uma persistente tentativa de as galgar, de se saber até onde se vai, até onde se pode ir;
situação acrescida na lógica da ocupação plena dos tempos lectivos, em que o desconhecimento relacional, entre aquela turma e o docente que se apresenta, leva a uma negociação assente num delicado desequilíbrio entre o atrito e a tensão, entre a negociação e os afectos;
o papel do professor altera-se, reconfigura-se e, necessariamente, tem de deixar de ser impositivo para ser persuasivo, vertical para ser negocial;
por aqui as disputas de autoridade, os desafios negociais entre alunos e docente é uma constante;
há um permanente desafio, uma procura de estabelecer limites, campos de possibilidade, uma divisão de fronteiras e uma persistente tentativa de as galgar, de se saber até onde se vai, até onde se pode ir;
situação acrescida na lógica da ocupação plena dos tempos lectivos, em que o desconhecimento relacional, entre aquela turma e o docente que se apresenta, leva a uma negociação assente num delicado desequilíbrio entre o atrito e a tensão, entre a negociação e os afectos;
o papel do professor altera-se, reconfigura-se e, necessariamente, tem de deixar de ser impositivo para ser persuasivo, vertical para ser negocial;
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
espanto
não tenho, neste sítio, um contador ou qualquer outro mecanismo que me permita perceber quem por aqui passa, com que hábitos e frequência;
escrevo mais a pensar nos meus botões do que para os outros; a escrita, para mim, sempre foi uma forma de racionalizar e pensar os meus dias, o meu trabalho, daí a imensa influência que os contextos (de espaço e tempo) exercem nesta escrita, nas ideias, na opinião que aqui expresso;
mas não deixo de sentir algum espanto, quando não mesmo surpresa quando me apercebo que sou lido, que há comentários à minha escrita;
afinal, estar aqui é estar no mundo... o que não deixa de ser um espanto, apreciador que sou da escrita de Manuel da Fonseca...
escrevo mais a pensar nos meus botões do que para os outros; a escrita, para mim, sempre foi uma forma de racionalizar e pensar os meus dias, o meu trabalho, daí a imensa influência que os contextos (de espaço e tempo) exercem nesta escrita, nas ideias, na opinião que aqui expresso;
mas não deixo de sentir algum espanto, quando não mesmo surpresa quando me apercebo que sou lido, que há comentários à minha escrita;
afinal, estar aqui é estar no mundo... o que não deixa de ser um espanto, apreciador que sou da escrita de Manuel da Fonseca...
absorvido
sinto-me neste início de ano, como me devia ter sentido há um ano atrás, face ao trabalho de investigação;
claramente orientado, objectivamente argumentado e com um sustentação de trabalho que me absorve o quotidiano e as demais preocupações;
sinto, ao fim de quase três anos de trabalho de investigação - leituras, análises, quadros de análise e perspectivas metodológicas, alguma escrita e muitapreocupação - que começam a surgir os frutos de um empenho e de muita, mas mesmo muita teimosia;
já fiz muito, muito me falta ainda fazer e o ano é bem curto face aos objectivos;
claramente orientado, objectivamente argumentado e com um sustentação de trabalho que me absorve o quotidiano e as demais preocupações;
sinto, ao fim de quase três anos de trabalho de investigação - leituras, análises, quadros de análise e perspectivas metodológicas, alguma escrita e muitapreocupação - que começam a surgir os frutos de um empenho e de muita, mas mesmo muita teimosia;
já fiz muito, muito me falta ainda fazer e o ano é bem curto face aos objectivos;
retóricas
ontem, em amena cavaqueira virtual com um amigo, acabei por escrever que os discursos
ou um conjunto de retóricas acabaram por estruturar as práticas profissionais e as lógicas pedagógicas; é engraçado quando ouvimos os professores a dizerem que são práticos e pragmáticos, afinal não foram as práticas a definir a profissionalidade, mas os discursos que delimitaram as lógicas de acção
os discursos, as retóricas de racionalização da acção, acabaram por configurar e moldar os conceitos, conferindo às práticas profissionais um dado sentido e conferir-lhe uma força prática que marca indelevelmente a profissão docente e a prática pedagógica;
isto com base na análise de actas suporte ao meu projecto de tese;
ou um conjunto de retóricas acabaram por estruturar as práticas profissionais e as lógicas pedagógicas; é engraçado quando ouvimos os professores a dizerem que são práticos e pragmáticos, afinal não foram as práticas a definir a profissionalidade, mas os discursos que delimitaram as lógicas de acção
os discursos, as retóricas de racionalização da acção, acabaram por configurar e moldar os conceitos, conferindo às práticas profissionais um dado sentido e conferir-lhe uma força prática que marca indelevelmente a profissão docente e a prática pedagógica;
isto com base na análise de actas suporte ao meu projecto de tese;
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
instântaneo
por muito incrível que possa parecer aos mais novos, habituados que estão aos sms's, ao msn e coisas que tais, ao simples clique no pc, ao botão das aparelhagens, que até podem pensar que é tudo assim, mesmo a vida de todos os dias;
explico aos meus filhos, ansiosos que estão pela vinda de um cão oferecido, que a vida não se faz de mensagens instantâneos e os cliques ficam muito àquem dos desejos e possibilidades;
à que esperar, suster a ansiedade e pensar que a vida tem coisas que não são propriamente compatíveis com o clique ou a mensagem mais instantânea;
explico aos meus filhos, ansiosos que estão pela vinda de um cão oferecido, que a vida não se faz de mensagens instantâneos e os cliques ficam muito àquem dos desejos e possibilidades;
à que esperar, suster a ansiedade e pensar que a vida tem coisas que não são propriamente compatíveis com o clique ou a mensagem mais instantânea;
novidades
a "guerra" instalada na escola e na educação, relativa à avaliação de desempenho, leva ao surgimento de algumas novidades;
esta, que dá conta de uma greve de avaliadores, deverá ser uma delas, em que os interessados são os primeiros prejudicados;
não devem ter sido muitas as greves em que tal situação se passou...
esta, que dá conta de uma greve de avaliadores, deverá ser uma delas, em que os interessados são os primeiros prejudicados;
não devem ter sido muitas as greves em que tal situação se passou...
evangelização
Foucault defendia que uma das primeiras formas de exercício do poder e da governamentalidade assentava no poder pastoral que as igrejas, primeiro, e o Estado depois, utilizavam para o domínio das almas, para a regulação das condutas;
obviamente que outros sectores sociais acabaram por replicar esse poder e utilizar as suas próprias ferramentas para a sua pastoralidade, de acordo com os seus interesses e objectivos;
hoje, na minha escola, decorreu uma reunião sindical; o objectivo era efectuar uma "jornada de reflexão e luta", como muito provavelmente terá acontecido por muitas escolas deste país;
digam-me lá se este não é um exercício pastoral ou de simples evangelização? pode não ser de convencimento, mas será certamente para evitar a dispersão do rebanho...
obviamente que outros sectores sociais acabaram por replicar esse poder e utilizar as suas próprias ferramentas para a sua pastoralidade, de acordo com os seus interesses e objectivos;
hoje, na minha escola, decorreu uma reunião sindical; o objectivo era efectuar uma "jornada de reflexão e luta", como muito provavelmente terá acontecido por muitas escolas deste país;
digam-me lá se este não é um exercício pastoral ou de simples evangelização? pode não ser de convencimento, mas será certamente para evitar a dispersão do rebanho...
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
comentários
se, numa análise de situação e de compreensão, levarmos em linha de conta os comentários feitos aqui e ali, poder-se-á ficar com uma de muitas sensações;
a mensagem não passa e os professores têm dificuldade em "explicar" a matéria que os rodeia;
que a luta contra a avaliação de desempenho se tornou sócio-profissional, demasiadamente fechada e demasiadamente circunscrita;
que as pontas se afastam, a tensão cresce e que as saídas são cada vez mais improváveis;
no final, entre jornadas de luta e greves intermináveis, onde estará o bom senso que permita ultrapassar um manifesto impasse?
a mensagem não passa e os professores têm dificuldade em "explicar" a matéria que os rodeia;
que a luta contra a avaliação de desempenho se tornou sócio-profissional, demasiadamente fechada e demasiadamente circunscrita;
que as pontas se afastam, a tensão cresce e que as saídas são cada vez mais improváveis;
no final, entre jornadas de luta e greves intermináveis, onde estará o bom senso que permita ultrapassar um manifesto impasse?
debates
chego à escola e o tema é a avaliação;
afixado no quadro de informações, mais uma circular interna referente ao simplex da avaliação de desempenho docente;
em cima da mesa um cartaz a anunciar a greve de professores para dia 19;
inevitavelmente é o debate, de dúvidas persistentes e insistentes entre uma e outra das informações;
contrastes
na minha escola pedem-me explicações sobre o que faço, as minhas opções de trabalho em sala de aula;
na escola do vizinho, aqui mesmo ao lado, pedem-me para falar sobre o que faço, género de amena cavaqueira de formação e informação;
constrastes...
domingo, 11 de janeiro de 2009
local
cá pelo burgo discutem-se e formam-se (ou procuram-se formar) as diferentes listas de candidatos em ano de quase todas as eleições;
é um equilíbrio delicado que leva em consideração muitas outras questões para além das estritamente partidárias; são interesses de agremiações escondidas que procuram as suas zonas de influência e preponderância, são lógicas locais a debaterem-se no protagonismo regional e nacional;
as discussões das listas de candidatos nunca foram feitas na praça pública, como também não o foram em sede partidária;
restas apenas a alguns, muito poucos, eleitos o dom de poderem assumir esta luta; depois chamam os outros, os bate-portas, os palma ruas e mercados, para a entrega da bandeirinha ou do adereço e dar a ideia e se sentirem que participam;
mas não participam; a participação política e partidária, cá pelos burgos a que pertenço, está cada vez mais afastada das pessoas, isolada da sociedade, enquistada nas agremiações sombrias e ocultas;
a política cada vez mais se parece com o paranormal...
é um equilíbrio delicado que leva em consideração muitas outras questões para além das estritamente partidárias; são interesses de agremiações escondidas que procuram as suas zonas de influência e preponderância, são lógicas locais a debaterem-se no protagonismo regional e nacional;
as discussões das listas de candidatos nunca foram feitas na praça pública, como também não o foram em sede partidária;
restas apenas a alguns, muito poucos, eleitos o dom de poderem assumir esta luta; depois chamam os outros, os bate-portas, os palma ruas e mercados, para a entrega da bandeirinha ou do adereço e dar a ideia e se sentirem que participam;
mas não participam; a participação política e partidária, cá pelos burgos a que pertenço, está cada vez mais afastada das pessoas, isolada da sociedade, enquistada nas agremiações sombrias e ocultas;
a política cada vez mais se parece com o paranormal...
questionamento
a minha forma de trabalhar em sala de aula, os métodos pelos quais opto e defino dinâmicas são, para muitos esquisitos; circunstância que me acarreta a necessidade de explicar, informar e esclarecer sobre as minhas opções e sobre os meus métodos de trabalho, nomeadamente e em primeiro lugar, aos alunos, e, depois, também aos pais/encarregados de educação e também e não poucas vezes, aos meus colegas docentes;
já aqui escrevi (e noutros locais também) que cruzo diferentes opções, entre lógicas da escola moderna e cultural (enormemente defendida pelo M. Pinto e aqui com um texto seu), princípios da pedagogia diferenciada (com predominância para os escritos de P. Perrenoud) e lógicas de trabalho de projecto;
alterar ou mesmo modificar o tradicional ensino expositivo, assente nos conhecimento e numa relação vertical entre aluno e professor, considerando o aluno como um objecto e não como um sujeito da aprendizagem, acarreta, no mínimo, desconfianças e estranheza; se aliarmos a esta alteração, a avaliação por portefólio, onde se procuram as evidências dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos, os modos e formas de resolverem os problemas, ultrapassarem as dificuldades, então teremos reunidas quase todas as condições para que, aqueles que não conhecem e têm dificuldades de entendimento, se questionem métodos, se interroguem as opções, se duvidem das certezas inabaláveis deste mundo;
é o que me acontece sempre que inicio este trabalho com turmas novas; no início do ano procuro explicar as coisas, entrego documentação, redijo apontamentos, troco ideias; mesmo em conselhos de turma deixo a indicação que se irá estranhar e porventura questionar das opções e métodos de trabalho; mas é sempre insuficiente;
aceito e assumo que há quem perceba muito mais disto que eu, não sendo sequer a minha área de trabalho e de investigação - apesar de andar lá por perto;
agora e uma vez mais (não é a primeira vez) são os pais/encarregados de educação de uma das minhas turmas, que me exigem esclarecimentos sobre o que faço e as suas implicações na relação, aproveitamento e rendimento dos alunos; é certo que olham ao mais imediato e mais próximo, não conseguindo, muita das vezes, nem perspectivar as características do trabalho que se faz (é minha obrigação esclarecer) nem ver as consequências da educação em termos futuros ou, pelo menos, de médio prazo (é trabalho meu também informar);
lá estarei um dia destes a trocar ideias com os pais/encarregados de educação sobre as minhas opções, a tentar convencer que é uma opção que não prejudica nada nem ninguém, apesar das suas diferenças com os métodos ditos mais tradicionais - exposição da matéria, realização de testes, avaliação - e a procurar aprender um pouco mais sobre as formas em que poderei informar e esclarecer os pais/encarregados de educação sobre um outro método de se trabalhar em sala de aula;
obviamente que estou disponível para trocar ideias, não sabendo se adiantará muito, mas lá estarei...
já aqui escrevi (e noutros locais também) que cruzo diferentes opções, entre lógicas da escola moderna e cultural (enormemente defendida pelo M. Pinto e aqui com um texto seu), princípios da pedagogia diferenciada (com predominância para os escritos de P. Perrenoud) e lógicas de trabalho de projecto;
alterar ou mesmo modificar o tradicional ensino expositivo, assente nos conhecimento e numa relação vertical entre aluno e professor, considerando o aluno como um objecto e não como um sujeito da aprendizagem, acarreta, no mínimo, desconfianças e estranheza; se aliarmos a esta alteração, a avaliação por portefólio, onde se procuram as evidências dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos, os modos e formas de resolverem os problemas, ultrapassarem as dificuldades, então teremos reunidas quase todas as condições para que, aqueles que não conhecem e têm dificuldades de entendimento, se questionem métodos, se interroguem as opções, se duvidem das certezas inabaláveis deste mundo;
é o que me acontece sempre que inicio este trabalho com turmas novas; no início do ano procuro explicar as coisas, entrego documentação, redijo apontamentos, troco ideias; mesmo em conselhos de turma deixo a indicação que se irá estranhar e porventura questionar das opções e métodos de trabalho; mas é sempre insuficiente;
aceito e assumo que há quem perceba muito mais disto que eu, não sendo sequer a minha área de trabalho e de investigação - apesar de andar lá por perto;
agora e uma vez mais (não é a primeira vez) são os pais/encarregados de educação de uma das minhas turmas, que me exigem esclarecimentos sobre o que faço e as suas implicações na relação, aproveitamento e rendimento dos alunos; é certo que olham ao mais imediato e mais próximo, não conseguindo, muita das vezes, nem perspectivar as características do trabalho que se faz (é minha obrigação esclarecer) nem ver as consequências da educação em termos futuros ou, pelo menos, de médio prazo (é trabalho meu também informar);
lá estarei um dia destes a trocar ideias com os pais/encarregados de educação sobre as minhas opções, a tentar convencer que é uma opção que não prejudica nada nem ninguém, apesar das suas diferenças com os métodos ditos mais tradicionais - exposição da matéria, realização de testes, avaliação - e a procurar aprender um pouco mais sobre as formas em que poderei informar e esclarecer os pais/encarregados de educação sobre um outro método de se trabalhar em sala de aula;
obviamente que estou disponível para trocar ideias, não sabendo se adiantará muito, mas lá estarei...
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
encontros
os encontros entre directores de turma e pais/encarregados de educação são, nos tempos que correm, uma rotina que varia entre o banal e a catarse psicológica;
banal pois as relações estão instituídas e os pais/encarregados de educação que encontramos já estão escolarizados, informados e são curiosos e interessados na vida dos filhos (na grande maioria dos casos);
catarse pois é uma oportunidade de muitos pais deitarem cá para fora um conjunto de preocupações que muito provavelmente só com o professor o farão; a conversa com o professor dos nossos filhos permite uma outra perspectiva sobre os filhos, os seus comportamentos, hábitos e atitudes e acrescentar um conhecimento que, muita das vezes, é distante, muito distante da consciência dos pais;
banal pois as relações estão instituídas e os pais/encarregados de educação que encontramos já estão escolarizados, informados e são curiosos e interessados na vida dos filhos (na grande maioria dos casos);
catarse pois é uma oportunidade de muitos pais deitarem cá para fora um conjunto de preocupações que muito provavelmente só com o professor o farão; a conversa com o professor dos nossos filhos permite uma outra perspectiva sobre os filhos, os seus comportamentos, hábitos e atitudes e acrescentar um conhecimento que, muita das vezes, é distante, muito distante da consciência dos pais;
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