sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

livros

há livros e livros;
aqueles que nos ajudam a compreender as coisas, o mundo, os sentimentos e os afectos;
há outros que apenas nos ajudam a pensar, sobre tudo e sobre nós;
há outros que apenas nos colocam interrogações, nos questionam, inquirem sobre o que somos e o que fazemos;
tive oportunidade, ao fim de algum tempo e com o beneplácito do meu orientador, de ter acesso a um livro que é tudo isso e muito mais;
um autêntico desafio sob todos os aspectos; um livro que, em tempos mais à frente, poderá ser um marco sobre o que é a escola e o que tem sido a educação;
maravilhoso...

escola

as coisas pela escola vão de mal a pior;
ele há coisas que não lembram nem ao Diabo - com letra maiúscula não vá ele tecê-las;
então não houve quem procurasse convencer colegas a não entregar os objectivos quando já os tinha entregue?

reconhecimento

na generalidade dos casos os elementos da agremiação de balcão não se reconhecem, pelo menos publicamente, enquanto tal;
mas sempre há uns quantos que, fruto de alguma exibição mais ou menos narcísica, se assumem;
não é bom nem mau, é péssimo;

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

dias

os dias passam-se, com a particularidade deste mês de Janeiro estar a ser marcado pelo cinzento da chuva, dos rostos encolhidos e dos espíritos constritos;
nesta minha escola é último dia para entrega de objectivos individuais; a sala de professores está que na se pode;
assumo, entreguei os meus objectivos, apesar de tudo e para além de tudo;

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Janeiro

não gosto deste mês, pronto;
o meu biorritmo manifesta-se no negativo;
impaciência, irritabilidade... desejo de apenas chegar ao fim;
uma colega diz-me que é o síndroma das segundas-feiras adaptado ao calendário do ano;

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

apetite

não me apetece escrever;
prefiro o silêncio aos ruídos;
mas não há silêncio sem ruídos...

domingo, 18 de janeiro de 2009

separação

a situação vivida na escola e na educação, o confronto e a radicalização de situações leva-me a temer que se promova a separação de professores;
mais que titulares e os outros, poderá ser uma separação de amizades e cumplicidades de quem está comigo ou contra mim;

outros modos

penso que seja possível equacionar outras dimensões e outros processos inerentes à avaliação de desempenho;
a situação hoje enleia-se na intransigência de quem não quer ser avaliado, nas posições políticas e partidárias face às políticas educativas, na incapacidade de pensar outros modos ou formas de viver e construir as dimensões profissionais ou na simplificação de processos que mais não fazem que conduzir ao seu próprio esboroamento;
é possível e desejável, em meu entendimento, pensarmos outros modos de fazer, determinar outros processos, equacionar realidades contextuais e situadas e mostrar que é possível outra forma de desenvolver o processo de avaliação;
há muito que opto por estar do lado de quem procura soluções, negando-me a estar do lado daqueles que mais não fazem que moer a moenga já moída;

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

falta

na próxima segunda-feira não farei greve;
falto à manifestação, saturado que estou de um claro impasse e pela impaciência que tem marcados os últimos anos lectivos;
demarco-me de todo um processo que, em meu entender, está esgotado;
apesar de ter plena consciência da dimensão política de que se reveste todo este processo, de parte a parte, o meu voto fica restringido à escola e ao normal dia de trabalho - leia-se como se entender;
em todo este processo, desde a revisão do estatuto à avaliação de desempenho, há, como em tudo, coisas erradas, muitas, como há outras acertadas, poucas, perante as quais o interesse profissional deverá passar pela adequação, contextualização e apropriação - desde que se saiba, possa ou simplesmente queira;

progressos

à medida que os dias e os tempos decorrem, cada vez mais me apercebo dos progressos dos alunos, adaptando-se a uma metodologia de trabalho, compreendendo as regras de trabalho e sabendo utilizar as diferentes ferramentas;
por cada período há um conjunto específico de estratégias e de opções de trabalho; como em cada ano lectivo há um conjunto diferenciado de conceitos;
há quem diga que os miúdos não estão preparados; lérias, quem não está preparado são aqueles que têm todas as certezas deste mundo;

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

stress

nota-se, por estas bandas, o agudizar dos níveis de stress, de pressão, de uma clara dificuldade de gerir situações;
mas há, mesmo neste contexto, coisas boas; uma professora que se abre, que aproveita para conversar e falar; desabafar;
por mim opto por um xanax made in Irland; é um descanso, não há stresse que me entre;

autoridade

não sei como será nas restantes escolas, falo da que conheço;
por aqui as disputas de autoridade, os desafios negociais entre alunos e docente é uma constante;
há um permanente desafio, uma procura de estabelecer limites, campos de possibilidade, uma divisão de fronteiras e uma persistente tentativa de as galgar, de se saber até onde se vai, até onde se pode ir;
situação acrescida na lógica da ocupação plena dos tempos lectivos, em que o desconhecimento relacional, entre aquela turma e o docente que se apresenta, leva a uma negociação assente num delicado desequilíbrio entre o atrito e a tensão, entre a negociação e os afectos;
o papel do professor altera-se, reconfigura-se e, necessariamente, tem de deixar de ser impositivo para ser persuasivo, vertical para ser negocial;

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

espanto

não tenho, neste sítio, um contador ou qualquer outro mecanismo que me permita perceber quem por aqui passa, com que hábitos e frequência;
escrevo mais a pensar nos meus botões do que para os outros; a escrita, para mim, sempre foi uma forma de racionalizar e pensar os meus dias, o meu trabalho, daí a imensa influência que os contextos (de espaço e tempo) exercem nesta escrita, nas ideias, na opinião que aqui expresso;
mas não deixo de sentir algum espanto, quando não mesmo surpresa quando me apercebo que sou lido, que há comentários à minha escrita;
afinal, estar aqui é estar no mundo... o que não deixa de ser um espanto, apreciador que sou da escrita de Manuel da Fonseca...

absorvido

sinto-me neste início de ano, como me devia ter sentido há um ano atrás, face ao trabalho de investigação;
claramente orientado, objectivamente argumentado e com um sustentação de trabalho que me absorve o quotidiano e as demais preocupações;
sinto, ao fim de quase três anos de trabalho de investigação - leituras, análises, quadros de análise e perspectivas metodológicas, alguma escrita e muitapreocupação - que começam a surgir os frutos de um empenho e de muita, mas mesmo muita teimosia;
já fiz muito, muito me falta ainda fazer e o ano é bem curto face aos objectivos;

retóricas

ontem, em amena cavaqueira virtual com um amigo, acabei por escrever que os discursos

ou um conjunto de retóricas acabaram por estruturar as práticas profissionais e as lógicas pedagógicas; é engraçado quando ouvimos os professores a dizerem que são práticos e pragmáticos, afinal não foram as práticas a definir a profissionalidade, mas os discursos que delimitaram as lógicas de acção
os discursos, as retóricas de racionalização da acção, acabaram por configurar e moldar os conceitos, conferindo às práticas profissionais um dado sentido e conferir-lhe uma força prática que marca indelevelmente a profissão docente e a prática pedagógica;
isto com base na análise de actas suporte ao meu projecto de tese;

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

instântaneo

por muito incrível que possa parecer aos mais novos, habituados que estão aos sms's, ao msn e coisas que tais, ao simples clique no pc, ao botão das aparelhagens, que até podem pensar que é tudo assim, mesmo a vida de todos os dias;
explico aos meus filhos, ansiosos que estão pela vinda de um cão oferecido, que a vida não se faz de mensagens instantâneos e os cliques ficam muito àquem dos desejos e possibilidades;
à que esperar, suster a ansiedade e pensar que a vida tem coisas que não são propriamente compatíveis com o clique ou a mensagem mais instantânea;

novidades

a "guerra" instalada na escola e na educação, relativa à avaliação de desempenho, leva ao surgimento de algumas novidades;
esta, que dá conta de uma greve de avaliadores, deverá ser uma delas, em que os interessados são os primeiros prejudicados;
não devem ter sido muitas as greves em que tal situação se passou...

evangelização

Foucault defendia que uma das primeiras formas de exercício do poder e da governamentalidade assentava no poder pastoral que as igrejas, primeiro, e o Estado depois, utilizavam para o domínio das almas, para a regulação das condutas;
obviamente que outros sectores sociais acabaram por replicar esse poder e utilizar as suas próprias ferramentas para a sua pastoralidade, de acordo com os seus interesses e objectivos;
hoje, na minha escola, decorreu uma reunião sindical; o objectivo era efectuar uma "jornada de reflexão e luta", como muito provavelmente terá acontecido por muitas escolas deste país;
digam-me lá se este não é um exercício pastoral ou de simples evangelização? pode não ser de convencimento, mas será certamente para evitar a dispersão do rebanho...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

comentários

se, numa análise de situação e de compreensão, levarmos em linha de conta os comentários feitos aqui e ali, poder-se-á ficar com uma de muitas sensações;
a mensagem não passa e os professores têm dificuldade em "explicar" a matéria que os rodeia;
que a luta contra a avaliação de desempenho se tornou sócio-profissional, demasiadamente fechada e demasiadamente circunscrita;
que as pontas se afastam, a tensão cresce e que as saídas são cada vez mais improváveis;
no final, entre jornadas de luta e greves intermináveis, onde estará o bom senso que permita ultrapassar um manifesto impasse?

debates

chego à escola e o tema é a avaliação;
afixado no quadro de informações, mais uma circular interna referente ao simplex da avaliação de desempenho docente;
em cima da mesa um cartaz a anunciar a greve de professores para dia 19;
inevitavelmente é o debate, de dúvidas persistentes e insistentes entre uma e outra das informações;

contrastes

na minha escola pedem-me explicações sobre o que faço, as minhas opções de trabalho em sala de aula;
na escola do vizinho, aqui mesmo ao lado, pedem-me para falar sobre o que faço, género de amena cavaqueira de formação e informação;
constrastes...

domingo, 11 de janeiro de 2009

local

cá pelo burgo discutem-se e formam-se (ou procuram-se formar) as diferentes listas de candidatos em ano de quase todas as eleições;
é um equilíbrio delicado que leva em consideração muitas outras questões para além das estritamente partidárias; são interesses de agremiações escondidas que procuram as suas zonas de influência e preponderância, são lógicas locais a debaterem-se no protagonismo regional e nacional;
as discussões das listas de candidatos nunca foram feitas na praça pública, como também não o foram em sede partidária;
restas apenas a alguns, muito poucos, eleitos o dom de poderem assumir esta luta; depois chamam os outros, os bate-portas, os palma ruas e mercados, para a entrega da bandeirinha ou do adereço e dar a ideia e se sentirem que participam;
mas não participam; a participação política e partidária, cá pelos burgos a que pertenço, está cada vez mais afastada das pessoas, isolada da sociedade, enquistada nas agremiações sombrias e ocultas;
a política cada vez mais se parece com o paranormal...

questionamento

a minha forma de trabalhar em sala de aula, os métodos pelos quais opto e defino dinâmicas são, para muitos esquisitos; circunstância que me acarreta a necessidade de explicar, informar e esclarecer sobre as minhas opções e sobre os meus métodos de trabalho, nomeadamente e em primeiro lugar, aos alunos, e, depois, também aos pais/encarregados de educação e também e não poucas vezes, aos meus colegas docentes;
já aqui escrevi (e noutros locais também) que cruzo diferentes opções, entre lógicas da escola moderna e cultural (enormemente defendida pelo M. Pinto e aqui com um texto seu), princípios da pedagogia diferenciada (com predominância para os escritos de P. Perrenoud) e lógicas de trabalho de projecto;
alterar ou mesmo modificar o tradicional ensino expositivo, assente nos conhecimento e numa relação vertical entre aluno e professor, considerando o aluno como um objecto e não como um sujeito da aprendizagem, acarreta, no mínimo, desconfianças e estranheza; se aliarmos a esta alteração, a avaliação por portefólio, onde se procuram as evidências dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos, os modos e formas de resolverem os problemas, ultrapassarem as dificuldades, então teremos reunidas quase todas as condições para que, aqueles que não conhecem e têm dificuldades de entendimento, se questionem métodos, se interroguem as opções, se duvidem das certezas inabaláveis deste mundo;
é o que me acontece sempre que inicio este trabalho com turmas novas; no início do ano procuro explicar as coisas, entrego documentação, redijo apontamentos, troco ideias; mesmo em conselhos de turma deixo a indicação que se irá estranhar e porventura questionar das opções e métodos de trabalho; mas é sempre insuficiente;
aceito e assumo que há quem perceba muito mais disto que eu, não sendo sequer a minha área de trabalho e de investigação - apesar de andar lá por perto;
agora e uma vez mais (não é a primeira vez) são os pais/encarregados de educação de uma das minhas turmas, que me exigem esclarecimentos sobre o que faço e as suas implicações na relação, aproveitamento e rendimento dos alunos; é certo que olham ao mais imediato e mais próximo, não conseguindo, muita das vezes, nem perspectivar as características do trabalho que se faz (é minha obrigação esclarecer) nem ver as consequências da educação em termos futuros ou, pelo menos, de médio prazo (é trabalho meu também informar);
lá estarei um dia destes a trocar ideias com os pais/encarregados de educação sobre as minhas opções, a tentar convencer que é uma opção que não prejudica nada nem ninguém, apesar das suas diferenças com os métodos ditos mais tradicionais - exposição da matéria, realização de testes, avaliação - e a procurar aprender um pouco mais sobre as formas em que poderei informar e esclarecer os pais/encarregados de educação sobre um outro método de se trabalhar em sala de aula;
obviamente que estou disponível para trocar ideias, não sabendo se adiantará muito, mas lá estarei...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

encontros

os encontros entre directores de turma e pais/encarregados de educação são, nos tempos que correm, uma rotina que varia entre o banal e a catarse psicológica;
banal pois as relações estão instituídas e os pais/encarregados de educação que encontramos já estão escolarizados, informados e são curiosos e interessados na vida dos filhos (na grande maioria dos casos);
catarse pois é uma oportunidade de muitos pais deitarem cá para fora um conjunto de preocupações que muito provavelmente só com o professor o farão; a conversa com o professor dos nossos filhos permite uma outra perspectiva sobre os filhos, os seus comportamentos, hábitos e atitudes e acrescentar um conhecimento que, muita das vezes, é distante, muito distante da consciência dos pais;

frio

não é novidade que nesta época do ano faz frio;
não é novidade que as escolas na sua generalidade e com particular destaque para as da zona sul, não estão minimamente preparadas nem apetrechadas para os rigores do Inverno;
temos na cabeça muitas certezas que desde sempre estiveram erradas; que vivemos num clima ameno, que os Invernos são simpáticos (e são se comparadas com os muitos graus negativos do norte da Europa), que as nossas casas estão adequadas à geografia do clima (estiveram quando o conhecimento decorria da experiência e não se especulava com a construção);
entrar em algumas salas da minha escola é quase como entrar no frigorífico, um gelo; há alunos que comentam que talvez lá fora esteja menos frio que na sala de aula;
ninguém tira gorros, luvas e menos ainda os casacos;
é o frio...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

limpezas

a visita da inspecção tem destas coisas, aproveita-se, quais visitas importantes, para limpar, arrumar e arranjar a casa, isto é, pôr a escrita em ordem, dar uma limpeza e porventura uma outra organização aos dossiers e à escrita, formalizar (escrever) coisas que se disseram, que aconteceram mas que não se registaram (por falta de hábito, por falta de tempo ou por simples desleixo);
talvez fosse boa ideia a possibilidade de aproveitar estas limpezas para imprimir um outro ritmo e criar outras dinâmicas de trabalho; sempre era uma boa desculpa;
já agora, sabem a quem calhou a conversa que os senhores inspectores querem ter com um director de Turma? exactamente, nem mais...

saudades

há tempos foi publicado um estudo em que se afirmava que muitos professores, se pudessem, deixariam a profissão;
mas também há aqueles que deixaram a profissão, por idade e obrigação, mas que a ela continuam ligados, que não se conseguem desligar das pequenas e das grandes vicissitudes do quotidiano profissional, escolar e educativo;
é o caso de uma amiga, que, atingido o limite de idade, se reformou no início deste ano lectivo mas que não deixa de me questionar de como vão as coisas, de quais as novidades, de saber o que se passa e como se passa na sala de professores, na sala de aula, nas reuniões;
como em todas as profissões e como em tudo na vida, há uns e outros; esta minha colega é claramente fora deste jogo, uma Senhora, onde predomina o bom senso e o saber de longa experiência feito e prova provada que só não aprende quem é burro e limitado na sua visão;
e deixou-me saudades...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

lideranças

o simplex da avaliação, ao remeter todo o protagonismo (será poder?) para as mãos do director irá destacar os processos de liderança que existem ou não nas nossas escolas;
não é de imposição que se trata; nem sequer de negociação do processo, que está seriamente condicionado pelo disposto na legislação;
será, acima de tudo, uma capacidade de gestão, de gerir interesses, de encontrar zonas de consenso, criar pontes, unir e não dividir os elementos que fazem parte da escola e assumir o colectivo por intermédio da acção individualizada do director;
e não será nada fácil...

posição

face à publicação do simplex da avaliação, muita água irá ainda correr; desde a discussão minimamente orientada, à desorientação pessoal, estou certo que um pouco de tudo se registará;
os sindicatos tentarão conduzir as hostes, os animadores de conversa e os fazedores de opinião ditarão as suas orientações, sejam locais seja por esta via (a net), os comentadores continuarão a comentar;
no meio de tudo, a posição de cada professor irá valer, faltar-me-á perceber qual o resultado desta soma, se maior que as suas partes ou se a dividir as partes;
será uma questão de posição...

regresso

hoje sim, é o regresso à plena normalidade do meu quotidiano;
o Benfica perdeu, os clube da terra não ganharam; a escola continua no seu alvoroço normal; temos a visita da inspecção, discute-se a avaliação simplex, cruzam-se ainda festejos e as aulas decorrem dentro do alvoroço típico do regresso...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

apertadinho

depois do almoço de ano novo, passado em família, procuro retomar a rotina e organizar o trabalho;
os objectivos, para este ano, são deveras apertadinhos, deixar-me-ão uma margem de manobra muito estreita; tenho definido período de controlo e verificação;
na abertura de um novo caderno, o 4º na geração dos molesquines, as primeiras folhas foram exactamente para objectivos e prazos e condições de verificação;
falta saber se consigo e como consigo cumprir; tenho consciência que são mundos algo paralelos, aqueles que me preenchem o quotidiano (escola, tese, casa e família) e que o cumprimento de uns, poderá ser interferências no cumprimento de outros;
a ver vamos... dizia o cego da minha terra...

retorno

é o mito do eterno retorno; um eterno regresso ao princípio de quase tudo, é um retorno às possibilidades, à plena consideração que se não foi antes talvez possa ser desta;
e cá estou eu para uma nova saga de ideias, opiniões e escritas;
muda o ano, permaneço com a vontade de escrever...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009

e pronto, agora escritas só para o ano;

um excelente 2009 e que façamos dele aquilo que mais desejamos;

catarse

o Miguel faz anos nesta rede de cumplicidades, de troca de ideias e de opiniões;
tem sido um dos mais coerentes, insistentes e persistentes na defesa de uma ideia de escola;
divirjo dele em alguns aspectos ou posições; concordo com ele em muitas das suas ideias;
reconheço nele a vontade de uma outra escola, de um outro professor, de uma outra educação;
é nesta divergência e na comunhão de ideias, que nos construímos;
fiquei menos burro desde que ele por aqui anda;

saudades

um amigo (assim o considero, apesar de controleiro) costumava dizer, repetindo as palavras do poeta, que saudades só do futuro;
mas há situações em que apetece desfrutar dessas saudades;
ontem estive à conversa com um colega de curso; amena cavaqueira que começou por uma obrigação e estendeu-se pela simples vontade de conversar, de trocar ideias, de encolher o tempo, de colocar em dia a partilha de vontades;
soube bem e fiquei com a nítida sensação que, caso se tivesse proporcionado de outra forma, teríamos ali ficado, sem compromisso nem obrigação, apenas a falar, conversar... a matar saudades...

últimas

e pronto chega-se ao fim de mais um ano;
lento a passar, rápido a fazer-se sentir na incredulidade de tudo o que o marcou;
deixo para outros o balanço colectivo do ano, mas não resisto a olhar para trás e a escrever duas ou três ideias;
quando, lá mais para a frente, olharmos para o ano de 2008, sentiremos um qualquer sentimento de dejá vu; o ano fica marcado pelo fim do capitalismo selvagem, pelo esgotamento da proclamada auto-regulação dos mercados; tudo o que daqui possa sair terá de ser diferente, como, com que contornos e assente em que características serão as grandes incógnitas do futuro;
o ano de 2008, em termos colectivos, não deixa saudades, marcado que fica eventualmente mais pelos seus aspectos mais nefastos e péssimistas do que que por uma outra qualquer razão mais soalheira; de uma ponta a outra, apenas consigo referenciar a medalha de ouro no triplo salto, de resto é para esquecer - o 5º lugar do glorioso, o enxovalho sucessivo da selecção, a ausência de políticas de futuro, de protagonistas presentes, do constante sumisso da minha terra e da minha região do mapa político, a afirmação de agremiações de sombra;
o futuro será aquilo que dele conseguirmos fazer...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

diferendos

e o Presidente da República lá se pronunciou sobre o estatuto dos Açores;
contrariado, acedeu à sua promulgação, mas irá ferido de constitucionalidade e certamente invalidado pelo respectivo tribunal;
daquilo que ouvi das palavras do presidente, ressaltam-me duas ideias; por um lado, que o atrito entre presidência e governo, directa ou indirectamente por intermédio da Assembleia da República, se irá acentuar no decorrer dos próximos tempos; neste sentido, se 2009 não se perspectiva optimista o crescendo de fricção entre órgãos de soberania poderá, pelo menos, agravar a sensação e perturbar espíritos;
por outro e esta uma segunda ideia, a disputa de posições entre a assembleia e a presidência poderão ser um claro exemplo do que aqui tenho escrito sobre a afirmação das agremiações que se confrontam nos pequenos e grandes pormenores;

objectivos

o Miguel realiza uma sondagem sobre quem entrega ou não os objectivos individuais;
já votei, disse que entregava (mas, na realidade, até já os entreguei em Outubro passado) e pertenço aquela imensa minoria que entregou;
a definição de objectivos, seja na escola ou num qualquer outro serviço (mesmo que muitos docentes digam que não será bem assim) é das coisas mais complicadas de se fazer;
além do mais, até à introdução do fadado SIADAP, ninguém estava habituado a definir objectivos;
as coisas iam acontecendo de acordo com a normalidade dos quotidianos, das peripécias das situações, da vontade ou da bondade de uma ou outra pessoa; mas de forma sistemática, pensada e estruturada, nem de perto nem de longe, nem na administração pública, nem na escola; as coisas aconteciam porque sim, por que se seguiam uns dias atrás dos outros;
um dos desafios que a avaliação de desempenho coloca, a despeito das suas desvirtudes, consiste exactamente em pensar a nossa acção no médio e no longo prazo, em definir, de modo mais ou menos coerente e consistente, um caminho que se pretende trilhar; poderá não ser fácil de definir ou de implementar, mas será ou servirá como um azimute que se traça, mesmo que cheguemos ao fim e demos por nós no sentido oposto; mas aí teremos elementos necessários e suficientes para tentar, pelo menos, perceber do porquê; hoje simplesmente não temos nada e, em algumas realidades, é a desresponsabilização que impera;

domingo, 28 de dezembro de 2008

perspectivas

depois do balanço um perspectivar o próximo, 2009 mais de como gostaria que fosse, o que quero e pretendo fazer dele;
para 2009 um conjunto de intenções, que se ficam pela vertente mais académica:

  • concluir o trabalho de campo - levantamento de actas, realização de entrevistas, análise de dados;
  • redigir uma/duas apresentações/artigos - Abril/Maio e segundo semestre do ano;
  • iniciar o processo de escrita - organização de dados, estruturação da escrita, definição de linhas de orientação e redacção;
  • conversar com orientador, conversas pelo menos trimestrais;
  • em termos de produto ter, pelo menos no final do ano, o corpo documental organizado e estruturado;
  • redigir o capítulo referente às opções metodológicas e procedimentos adoptados na organização e tratamento dos dados;
em termos pessoais os objectivos e intenções ficam-se mais cá por casa do que por qualquer outro lado; 2009 é ainda tempo de atravessar o deserto que eu criei e que uma ou outra agremiação desfruta, mas há tempo para quase tudo, particularmente para aquilo que pretendemos fazer de um novo ano;

balanço

fim de um ano início de novo, é tempo de balanços, de equacionar o deve e o haver do nosso quotidiano, de perspectivar forças e fraquezas que nos consomem e condicionam, que nos empurram para o sorriso ou para a tristeza, para o sol dos dias primaveris ou para o cinzento do Inverno; entre um e outro é certo e sabido que nem um nem outro são eternos, que se cruzam numa manifesta instabilidade climatérica que, por vezes, torna incertos tanto a previsão como a projecção;
2008 fica marcado - cá para o ge - por ter:
  • conseguido delimitar um objecto de estudo, definir um objecto de investigação - neste processo foi para mim determinante ter conseguido transformar um objecto de interesse social (como é a indisciplina na escola pública) num objecto de investigação (a análise da alteração dos comportamentos por intermédio dos instrumentos de acção pública de regulação e governação do sistema);
  • retornado ao quotidiano lectivo, ao confronto sempre frutificante (como desgastante) de ajudar a crescer novas gerações - a utilização de uma metodologia que cruza os princípios do projecto com pedagogia diferenciada é um desafio diário na tentativa de perceber os acertos, correcções, rectificações e surpresas;
  • a passar noites apenas com os filhotes, pois a esposa retomou ao hospital e ao trabalho por turnos;
  • a ter mudado de sítio de escrita e de divagações e a ter assentuado aquilo que preenche os meus dias, a escola e a educação;
  • conseguido escrever diariamente para um jornal virtual cá da terra, apesar das bandeiras que usei (e uso) ou do tom panfletário de que me acusaram - e ainda bem, não gosto de coisas inócuas;
  • sido vigiado, controlado nas minhas acções e, particularmente, nas minhas intenções político-partidárias - é um regozijo sentir que alguém me dá importância;
  • ficado sem carro e, desse modo, condicionado na minha mobilidade que significa também alguma falta de contacto civilizacional, um outro ar;
  • visto e sentido os meus filhos a crescer, a afirmar ideias e opiniões, a definir a sua personalidade a cada dia que passa;
poderão ser coisa pouca, ou poucas coisas para um ano inteiro na minha vida pessoal, mas são aquelas que destaco de um ano que se apresta a finalizar, que por razões e vicissitudes várias me ficam nesta contabilidade;

avaliação

em final de período faço sempre um balanço do trabalho, das opções, das metodologias e das estratégias e processos de trabalho;
tenho consciência que o tipo de trabalho que desenvolvo (já aqui o escrevi, cruza uma metodologia de projecto com pedagogias diferenciadas e bebe alguma coisa na escola moderna e cultural) é diferente e aceite assim mesmo, como diferente;
mas como diferente que é traz sempre alguma desconfiança, uma necessidade permanente e consistente de se avaliar o seu ponto de situação, o rendimento do aluno, os seus resultados, a adequação ao seu perfil e aos seus objectivos - aferir os níveis de autonomia, a capacidade de resolução de problemas, o de confrontar competências com objectivos (santa incoerência, mas é verdade);
iniciar um processo de trabalho com estas características com um grupo em início de ciclo (7º ano) é uma vantagem, mas que traz consigo a necessidade de permanentes acertos, diálogos, negociação;
e os resultados globalmente não foram maus, longe disso, mas há acertos a fazer, nomeadamente ao nível da resolução de problemas e da definição das margens de autonomia de cada um;
situação a rever no início do 2º período...

sábado, 27 de dezembro de 2008

leituras

no meio da confusão e de muito ruído há textos que nos ajudam a pensar, há escritos que nos deixam a pensar;
este, de hoje do Prof. Manuel Maria Carrilho, é desses;
cruza a incredulidade dos tempos com a análise do possível, entremeado com o o desejável, sempre sem as certezas e garantias dos ignorantes, mas com a incerteza, a dúvida de quem procura um rumo, certo de convicções valores, hoje tão despojados;
destaco um parágrafo, podia referenciar outros, mas recomendo vivamente a leitura na integra:

Foram décadas de esvaziamento ideológico e de constante "virtualização" da realidade, em nome de exigências cada vez mais ocas. Falar de reformas passou a ser um estereótipo sem conteúdo. Proclamar a modernidade tornou-se num tique sem projecto. Invocar as novas tecnologias transformou-se no álibi de todos os impasses estratégicos. O essencial continua assim à espera: e o essencial é que se ultrapasse, com decisões e medidas concretas que exigem muita coragem, o abismo que se criou entre o poder da finança e o Estado de direito, entre as dinâmicas do mercado e as exigências da democracia. Porque é aqui que , clarissimamente, está a origem de todos os nossos principais problemas.

imagens

as imagens percorrem as televisões, são manchete de jornal e circulam um pouco por todo o lado e dão conta de um quotidiano de violência, provocação e até mesmo ou apenas de simples brincadeira;
a escola torna-se notícia vulgar, que cruza a banalidade das manifestações sindicais e socio-profissionais, com a vulgaridade de ameaças e pretensa violência;
a julgarmos a escola e a educação apenas por aquilo que nos é dado a ver e a ler em televisões e jornais começamos a acreditar que a escola está um caos, a educação um pandemónio e as relações aí existentes são feitas no fio da navalha, na tensão da proximidade, no stress das obrigações profissionais;
se é verdade que a escola hoje em dia não é igual há de dez ou vinte anos atrás, também é certo que teremos de relativizar e ler com algum espírito crítico, aquilo que nos é dado a ver e a ler pela comunicação social e não podemos, nem devemos, confundir a árvore com a floresta;
a grande falha que aponto à escola de hoje em dia, é a manifesta falta de formação de muitos que a habitam (e rodeiam na sua escrita) que impede ou condiciona que tenha uma outra estrutura organizacional para poder lidar com as diferenças, com o meio e o contexto em que se insere;
persistir numa regulamentação que tudo procura homogeneizar, uniformizar e a tornar monocromático, quando a realidade é cada mais diversa e policromática é querer tapar o sol com a peneira...

cabala

não sou adepto de cabalas, de organizações mais ou menos nefastas que com intencionalidade e sistematização organizam coisas que acabam por prejudicar uns e outros e retirar apenas dividendos próprios e individuais sem nunca se conhecer um rosto, um protagonista, um actor;
mas considero engraçado, para me ficar apenas pela ironia, perceber como as coisas funcionam ou pretensamente funcionam;
olhe-se ao diário da república on-line, agora democratizado no seu acesso, passível de muitas e diversificadas interpretações na sua leitura, 1ª e 2ª série, particularmente esta última;
não é num dia, nem em dois, são semanas consecutivas onde o Alentejo prima pela ausência;
são dirigentes, chefias nomeadas politicamente e outras estruturas intermédias que se perpetuam no poder, atravessando partidos, políticas e interesses, com manifesta tendência para o funcionarismo mais bacoco que se possa imaginar; consequência mais óbvia, o silenciamento de estruturas e de vozes dissidentes, minoritárias ou apenas não alinhadas - e não se pense que é de alinhamento partidário que escrevo, nem de perto nem de longe;
incompetência? sem dúvida; incapacidades? não dúvido; mas acima de tudo uma estratégia pensada, alinhavada e implementada eventualmente com origens em agremiações que não se assumem como tal, mas não deixam de cozinhar as suas influências, de fazer valer os seus interesses, posições e valores - nas mais pequenas e comezinhas coisas e situações, algumas ridículas outras nem por isso;
têm sido estes interesses e a sua afirmação que têm governado, direi antes regido, os destinos de uma região; umas vezes com vontade de participação, de alguma abertura, de alguma tolerância, sempre q.b.; mas os mais das vezes apenas com secretas sapiências de marasmo, de silênciamento, de jogo encapotado por regras que alguns, poucos, conhecem e outros, menos ainda, dominam;
resta tentar perceber até quando...

descanço

as pausas servem para isto mesmo, descansar, restabelecer, recomeçar;
esta está-me a saber que nem ginjas, família junta, alguma confusão à mistura, sossego e muito descanso;
de tal modo que já começo a pensar em trabalho; então sento-me a ver se passa...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

lembranças

é sabido que nesta quadra o despachar de sms's é obra e meio fácil, prático e rápido de chegar a quase toda a gente; mesmo àqueles com quem pouco passamos, mas como constam da lista, siga sms, fica bem e não custa (quase nada);
mas tem sido para mim uma surpresa receber mensagens e votos de pessoas que há muito tempo não vejo, que imaginava que não constaria da sua lista de distribuição e que mais não seria que uma lembrança passada;
sinal que o mau feito cá do ge é apenas referência numa ou noutra agremiação e não atinge amizades; valha-me esta quadra para sentir que existo, porque se lembram de mim...

Natal

ontem como muito provavelmente a grande maioria das cidades portuguesas, Évora fervilhava de Natal;
era um rodopio de gentes, de olhos ávidos de referenciar uma prenda, mais uma lembrança;
fiquei com a sensação que o subsídio de Natal se destinou ao equilíbrio doméstico e que o vencimento deste mês às compras;
Feliz Natal;

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

últimas

há que fazer as últimas compras de Natal; aproveitar uma ou outra ideia, uma ou outra necessidade e avançar para as surpresas;

FELIZ NATAL

sábado, 20 de dezembro de 2008

formalização

conhecendo diferentes realidades públicas e por comparação, terei de dizer que a escola não é, nem de perto nem de longe, o prototipo da burocracia; há outros locais bem piores, mais kafkianos, mais enlaçados nas teias da vil burocracia - apesar e muito para além de Weber;
mas há coisas que, apesar de necessárias (digo eu) tornam-se enormes laços de um processo de formalização que coincide, em muito, com o preenchimento do totoloto;
concordo em absoluto com esta ideia, que expressa claramente o que digo e já aqui escrevi; a inutilidade da formalização, mas também a obrigação de se pensar o que fazer e como fazer; só que as teias cerzidas em seu redor levam a que sejam apenas papeis e não se considerem as realidades que estão na pessoa daquele(a) aluno(a)...

afazeres

apesar da pausa de Natal mandar mais descansar e usufruir da família do que outra coisa, desenho alguns afazeres que procuro impor a mim mesmo nesta quadra;
coisas que cruzam os afazeres diários da escola e que só em pausa há oportunidade de pensar e fazer, com situações de investigação e organização do trabalho;
vamos ver o que faço...