sábado, 22 de novembro de 2008

límites

esta coisas das tecnologias acabam, algumas vezes, por definir os límites do possível;
ligo o computador e diz-me que não tenho bateria; perco a oportunidade de registar ideias e trocar opiniões por este meio colectivo;

governação


Em Braga, na casa de Prometeu, na imagem, Universidade do Minho, onde oiço falar de governação e políticas de educação;
uma redescoberta permanente de ideias e opiniões, argumentos e posições;

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

análise

no meio da parafernália de discursos em torno da educação, não percebo se estamos no limbo de passagem, entre uma escola que uns defendem e imaginam e outra que querem impor ou determinar, se apenas na confusão do que é ser professor hoje, no século XXI

debate

para onde me viro o discursos é quase sempre o mesmo, de um lado ou do outro, faça chuva ou sol, não há volta a dar;
não sei se atingimos o zénite da coisa, o certo é que a intransigência preenche as conversas, a ausência de bom senso dita ordens e os discursos reificam a coisa;

terça-feira, 18 de novembro de 2008

dúvidas

tenho dúvidas quanto à greve - da sua pertinência, da sua adequação face às pretensões reivindicativas, mesmo da sua postura num momento em que a escola e a educação precisam de bom senso e não de fundamentalismos;
certeza quanto a não prejudicar nem alunos nem famílias boicotando o processo de avaliação dos alunos;

rotina

os dias caem na rotina, na normalidade, no simples rodopiar de um dia após o outro;
ontem encontrei um colega que há muito não via; trocamos ideias de circunstância, apenas para colocar a conversa em dia;
então, e novidades?
qual quê, apenas rotinas, quotidiano, um claro sentimento de castração, de estupidificação, pessoal e profissional;
será que fizemos os dias assim? ou eles são mesmo assim?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

mais

isto está bem encaminhado, qual poderá ser o final, a luz ao fundo do túnel e que este não seja apenas o comboio a vir em nossa direcção;

normalidade

começo-me a convencer que a anormalidade que vivem a escola e a educação nestes nossos dias é normal;

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

espiral

a situação na educação entrou, em minha opinião, numa espiral algo insolúvel;
acabar com o processo de avaliação docente não é socialmente justificável ou, sequer, aceitável;
suspender o processo não é politicamente adequado;
qualquer solução, neste momento, é escassa e remete para a impossibilidade de identificação da quadratura do circulo;
para onde caminhamos e quais as consequências serão as cenas dos próximos capítulos;

manifestação

Vendas Novas, 08h30, foi com alguma surpresa que chego à escola e dou com uma autêntica manifestação de alunos junto às escolas;
numa e noutra, que são contiguas, juntam-se algumas dezenas de alunos; não deixam entrar ninguém;
oiço que o portão da secundária está trancado; os agentes da GNR
circulam, ou procuram circular, entre os jovens que não gritam nem incomodam, apenas apelam a que ninguém entre na escola;

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

engenharias

sala de professores; meio da manhã, numa daquelas ocupações obrigatórias entre tempos de escolas e afazeres domésticos;
um computador não quer arrancar;
no seu assumido voluntarismo um colega, este mesmo da imagem, mete-se debaixo da mesa, mexe e remexe em fios e tomadas;
de repente... pum, ficamos sem luz, nada de mais, apenas o quadro que não aguenta a sobrecarga eléctrica;
e o computador lá continuou mudo e quedo;
será que conta para a avaliação individual;

modas

se estas situações se tornam um hábito, corre-se o sério risco de virar moda;
se for apenas entre jovens e adolescentes, vá que não vá;
o problema será outro se ganhar outra dimensão;

desadequação

considero que a estratégia pela qual o PS e o primeiro-ministro optam, nesta questão dos professores e da avaliação é, no mínimo, desadequada;
não será pela exaustão dos professores que o ME ganhará a razão que não tem;
não será pelo isolamento dos professores, face ao restante corpo social (como aconteceu com a escola a tempo inteiro, a ocupação plena dos tempos escolares ou o reforço do tempo de escola), que se afirmará a razão que a ministra não tem;

desculpas

aprendi que as desculpas não se pedem, devem evitar-se;

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

rotinas

as coisas, em termos de escola e de desempenho pessoal e profissional, estão claramente fora da rotina;
por estas bandas, nesta altura do campeonato, três docentes em atestado, dois em eminência de afundamento, outros à base de estimulantes;
estamos apenas em meados de Novembro;
de rotina este ano não tem nada de rotineiro;

terça-feira, 11 de novembro de 2008

mais

palavras para quê:
assistimos a uma ruptura de política educativa entre o governo liderado por Guterres e o governo de Sócrates; onde se construía a autonomia das escolas, assiste-se agora a uma burocratização excessiva e esmagadora.

s. martinho










apesar de tudo e contra muitos, a escola continua a assegurar a permanência de lendas, mitos e estórias;
é o caso do dia de hoje, de S. Martinho, onde, em cada escola, permanecem traços de sempre nessa continuidade de mitos e lendas;
imagens desta minha escola em dia de feira de S. Martinho;

opinião

não é por se ser socialista - como é o meu caso - que não se tem uma outra opinião;
ser socialista não pode significar uma atitude meramente contemplativa às medidas de política, mas, pelo contrário, terá de significar pensamento reflexivo, atitude crítica, opinião fundamentada e sustentada;
é o caso desta corrente de opinião que, para além de outros eventuais objectivos, mostra que existem outras ideias, outras possibilidades, outros caminhos, outros possíveis;
isto também é opinião socialista;

processo

tive oportunidade de, no contexto de outras funções, ter participado na implementação do SIADAP o sistema de avaliação da administração pública;
nesse serviço, houve, formação, informação e esclarecimentos;
nas escolas, o processo de avaliação de desempenho docente, foi atirado para cima da mesa, implicando o reformular de todo um vasto conjunto de procedimentos internos, sem o mínimo apoio, enquadramento ou esclarecimento;
o pessoal que se desfiasse;
qual o papel das direcções regionais neste processo? qual o campo de intervenção da inspecção? quais os objectivos que poderiam ser conferidos aos novos centros de formação?
tudo indicações claras de um processo que foi conduzido com os pés e à revelia dos principais actores, os professores...

do contra

nesta altura é difícil, senão mesmo impossível, dizer coisas novas ou apenas diferentes contra o processo de avaliação;
assim sendo, repito o que sinto:
não concordo por procurar o respeito pela diferença e procurar a uniformização;
não concordo por defender o ensino diferenciado e assentuar a homogeneização;
não concordo por desresponsabilizar a escola e responsabilizar o docente;
não concordo por se afirmar a autonomia das escolas e se imporem regras externas;
não concordo por ter sido atirado para cima das escolas e elas que se desenrascassem;
não concordo por procurar o mérito e promover o carreirismo;

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

dúvidas

no meio da confusão em que estão as escolas e a educação, pergunto-me se seremos (os professores)culpados de termos razão;

day after

no dia a seguir à manifestação tudo se diz, muito se comenta, nada se faz;
a minha sala de professores está repleta de cópias de escolas que pedem a suspensão do processo, mas ninguém se atreve a apresentar uma por estas bandas;
os comentários tudo querem e tudo prometem, mas por aqui as reuniões, disto e daquilo, sobre isto sobre aquilo, mantém o seu ritmo de sofreguidão...

nacionalização

uns, porque tinham um buraco de 700 M€ foram nacionalizados; e estes não?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

oportunidade

não deixa de ser elucidativo, ia escrever engraçado, que o PSD se pronuncie sobre a educação apenas depois de o seu líder, o presidente da república, ainda que indirectamente, se pronunciar sobre a temática e a situação;
não terá sido despropositado, mas não ouvi alternativas, nem propostas contrárias; suspender apenas? para mais tarde se reiniciar?

espera

sempre que estou à espera, aproveito para verter ideias e deixar alguma escrita para mais tarde recordar ou utilizar, consoante as situações e as circunstâncias que lhe dão origem;
agora espero pela filha e escrevo aqui;
vantagens de uma tecnologia sem fios, da mobilidade destas coisas que arrasta consigo ideias e oportunidades;

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

culturas

as culturas escolares sempre foram muito marcadas pela corporação, mais do que pela cooperação;
mas noto, pontual e casuisticamente, uma ligeira alteração dessas culturas, direi, mais tradicionais, fechadas na sua relação individual de sala de aula, de comentários colaterais sobre os outros (nomeadamente os alunos), e o progressivo aparecimento de lógicas de cooperação, entreajuda, ainda que marcadas, como quase sempre, pelas cumplicidades individuais, pelas conversas bilaterais, pelos interesses em comum;
mas a sofreguidão dos dias escolares (cada vez mais menos educativos) levam a que se esmoreçam e se esbatam;
vamos ver até quando e com que consequências;

como tudo

como tudo e como em todo o lado, é a plena normalidade dos quotidianos;
nesta minha escola há professore(a) muito, muito bons;
empenhados, críticos, reflexivos, preocupados, atentos, são aquilo que designo como profissionais;
alguns procuram passar despercebidos, sorrateiramente entre um toque e o outro, revelando-se essencialmente na dinâmica relacional da sala de aula, na estratégia alternativa que configura;
mas há outros que são para esquecer.
como tudo

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

comentários

trabalho de porta aberta; está sempre pronta para ser atravessada, de um lado e do outro;
hoje, durante uma aula, um aluno CIFado, como diria um colega, entra-me pela sala, senta-se a meu lado e, depois de um pequeno silêncio, pergunta-me, para o ano és meu professor;
não sei, mas é provável que não;
oh, que pena, vou ter saudades de brincar contigo;

passagem

não falo nem comento outras realidades, desconhecidas ou distantes;
parto do meu contexto e digo que, fruto de muitas e variadas circunstâncias, hoje não se está na escola, passasse pela escola;

terça-feira, 4 de novembro de 2008

assembleia

em sessão de formação cívica hoje a opção foi pela realização de uma assembleia de alunos;
reorganização da sala, para que todos nos pudessemos ver e ouvir, definidas as regras de saber falar e saber ouvir, apontadas as linhas do debate, trocaram-se ideias, partilharam-se opiniões;
aliviam-se tensões e procura-se compreender o outro lado;
difícil mas não impossível, é trabalhar as soluções, sem moer (pelo menos excessivamente) os problemas;

posição

há discursos marcados pelo silêncio;
as propostas do PSD, em tempo de Magalhães e rankings, pauta-se pelo ruido silêncioso da inexistência de alternativas quando afirma que se pretende uma "educação exigente, não "uma política de computadores Magalhães";

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

(des)União

O Paulo, conhecido e reconhecido por estes lado, bem pede - “Unidade e dignidade da classe.”;
contudo, tenho sérias dúvidas quanto ao que pede;
nunca estivemos unidos, nem mesmo na adversidade, onde é tão fácil reunir consensos, a dignidade sempre deixou muito a desejar, tão diversos e dispersos que somos;
há partidos a mais onde falta política, como dizia (e bem) o Miguel;

futuro

no âmbito da área de projecto, que lecciono, tenho um subgrupo a trabalhar sobre a escola do futuro;
desde ideias recolhidas aqui e ali, até contributos individuais sobre perspectivas dos jovens sobre o que pode/deve ser a escola do futuro, estou, reconheço, curioso;

regulamentação

li há dias, a propósito de um membro do governo, que era a favor do pluralismo, desde que devidamente enquadrado;
situação semelhante se pode dizer da nossa ministra da educação e parceira do outro senhor no governo, que é a favor das autonomias (das escolas, dos profissionais) desde que devidamente regulamentadas;
são resquícios de quadros políticos, partidários e ideológicos aos quais pertenceram mas que ainda não largaram;

domingo, 2 de novembro de 2008

hábitos

passados tantos anos, em que é requerida ou obrigatória a presença de encarregados de educação (EE) em algumas reuniões de conselho de turma, há hábitos que não se interiorizam;
é perceptível, por parte de alguns docentes, o incómodo que causa a sua presença, as hesitações aquando das explicações, o atabalhoamento dos argumentos;
profissão colectiva esta a de professor, é feita de um encerramento excessivamente individualista;

individual

o fim-de-semana foi passado entre os acertos de um programa educativo individual e um projecto curricular de turma;
o problema é que quase ninguém tem tempo para as obrigações, quanto mais para coisas que designam de acessórias;
sobra para o Director de Turma, pois claro;

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

frases

sabemos que as frases feitas são sempre curtas, escassas para aquilo que dizemos; é um dos seus objectivos, resumir, sintetizar numa curta expressão um pensamento bem mais amplo quando não mesmo complexo;
a expressão, "época de mudança ou mudança de época" é paradigmática de muito do que pode ser subentendido e dá direito a curso de filosofia;

negócio

a professora tinha pedido, com o devido tempo de antecedência, que os meninos e meninas da turma trouxessem elásticos, de preferência coloridos, para uma acção que iria dinamizar na sala de aula;
chegado o dia apenas um menino tinha trazido os elásticos, um saco deles que se fazia ver pela diversidade de cores que o compunha;
perante o esquecimento (?) generalizado, a professora interrogava-se como fazer;
rapidamente o menino que tinha trazido os elásticos arranjou a solução, "não há problema stora, cada elástico custa 5 cêntimos, todos os meninos compram e podemos avançar";
resultado, o saco de elásticos tinha custado 50 cêntimos ele fez ali praticamente 3€; digam lá se não é espírito empreendedor;

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

paixão

tou apaixonado;
é certo que não chega cá à terra (desvantagens da interioridade), mas aproveito o movimento pendular do carro para ouvir e as disponibilidades da net para usufruir cá por casa;

mas não é só por cá que as coisas andam em roda viva, também por lá, no caso a Itália, persistem as reformas centrais e centralizadoras devidamente acompanhadas pelo descontentamento dos profissionais;
resta perguntar para onde caminha a educação europeia, conhecida, pelo menos até há pouco tempo, pelo conjunto de valores de democracia, cidadania e participação que caracterizava, cada qual a seu modo e com as suas próprias caracteristicas, os diferentes sistemas educativos;

reorganização

face às notícias, Conselho Nacional de Educação defende reorganização do ensino, que persistem e insistem nos processos de mudança central e disseminadoras de orientações normativas, caminha a escola, no seu constante movimento imparável - um rodopio, uma roda viva;
muito provavelmente a reorganização persistirá até há desorganização total, ou exaustão completa, ou impaciência persistente;

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

outras

haja boas notícias, Número de nascimentos está a aumentar, daquelas que nos dão algum prazer ou, pelo menos, aos que este contribuíram para isso;

rankings

talvez nem de propósito, foram hoje dados a conhecer os resultados dos exames nacionais do ano lectivo anterior (as provas de aferição estão disponíveis, para alguns, desde 26 de Outubro);
entre a muita tinta que irá correr, destaco dois aspectos que, no contexto, considero cruciais;
por um lado, a descida generalizada das escolas públicas;
por outro, que os dados só são conhecidos por interposição da comunicação social e não, como deveria ser, directamente por quem entenda, mediante, por exemplo, disponibilização no sítio do ME;

ai jesus

e, face às notícias de propostas, que dão conta que o Conselho Nacional de Educação propõe fim de reprovações no ensino básico, vai ser o Carmo e a Trindade, vai ser o ai Jesus do sistema educativo;
nada melhor que uma propostas destas para que se confrontem, se arrumem e acantonem ideias, valores e lógicas sobre o sistema de ensino;
esta discussão tem estado latente, agora sobressai de forma a que tudo mudará, para que tudo fique na mesma;

terça-feira, 28 de outubro de 2008

recuperação

de quando em vez, na navegação livre que faço pela net (re)encontro coisas úteis, quer antes quer agora;
agora, porque se discute a avaliação dos docentes e os seus suportes, dois links (já antigos) sobre o portefólio do professor:
1 -Teacher Portfolio Assessment
2 - Teacher Vision

sossegar

depois de um dia passado na escola, entre aulas e afazeres diversos (tão diversos quanto algo petrificantes) é tempo de assentar em casa.
enquanto não chega o resto do pessoal aproveito para ouvir uma música que me sossegue, restabeleça forças e me dê vontade (?) para me dedicar a outros afazeres meus;

persistência

na minha escola as situações de alteração de rotinas, normas ou regras tem-se sucedido a um ritmo deveras significativo e com gente cada vez mais nova - fui instrutor de um processo que tinha como protagonista um aluno do 2º ano, 7 anos;
seria interessante a existência (local, porque nacional existe) de um observatório de indisciplina, violência, bullyng e coisas que tais; não apenas para observar passivamente, mas para que se possam perspectivar modos, formas ou meios de enfrentar a situação;
e o que sinto, pelo menos pela minha escola, é que nos estamos a ficar por medidas de remediação e não de prevenção;

alteração

as notícias dão conta não apenas da insustentabilidade da situação, mas também da incapacidade de se resolverem os problemas designados de indisciplina;
é impossível ser a escola, isolada, a inventar soluções; é impensável que o ministério determine lógicas de repressão ou amedrontamento;
as soluções, se as existirem, terão de ser pensadas e implementadas por uma pluralidade de actores e intervenientes; à escola cabe uma parte, e apenas isso, no enfrentar das situações;

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

esconde


de vez enquando trabalhamos, mas também nos escondemos uns dos outros, na dúvida sobre o que fazemos e o que os outros pensam de nós

tempo

o tempo, para os professores e na vida dos professores, tem particularidades que fogem ao comum dos mortais;
o tempo tem sido objecto e objectivo de investigação há muito e muito tempo, mas ainda ninguém conseguiu ultrapassar a delicada e complicada gestão do tempo educativo;
é algo que foge à normalidade e, por incrível que possa parecer, os professores também são pessoais normais;