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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

amena cavaqueira entre aluna e professor - ou entre filha e pai

queixo-me que os ambientes pelos lado das minhas escolinhas andam assim a modos que, caras tristonhas,  resingonas, murchas, ambiente choucho; compreendo que seja segunda feira, compreendo até que algumas apenas hoje se tenham cruzado comigo depois daquelas reuniões de nada nem para nada, mas caramba, isso é coisa pouca, e os demais?
algumas para além do mal humorado claramente deseducadas, pouco faladoras, outras ainda arrogantes e pretensiosas, convencidas que são importantes, válidas em alguma coisa ou para alguma coisa que só elas sabem ou conhecem, outras então conhecedoras da sua certeza, certas da sua razão e da sua verdade, aquela que cada um constrói como que inabalável na sua santa ignorância - ignorância não, nada disso, certeza, consciência de si e de todos os outros;
a filha, por seu lado, remata com a figura triste que muitos professores fazem, considerando as criancinhas de 11º como se de criancinhas se tratassem, mas, como os próprios afirmam, pró que dá jeito, pró que interessa; fala da incoerência e da inconsistência dos profes, do que pedem e do que mandam, mas esquecem ou lembram de acordo com a gestão de comportamentos em sala de aula, benesses de animal amestrado;
não sei se fico contente por o ambiente macambuzio não se reduzir à minha escola se contente; vá lá saber...

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

dilemas da profissão docente

na sequência da posta anterior, direi que a profissão docente, de há uns anos a esta parte, se encontra confrontada com um conjunto de dilemas difíceis de gerir e mais difíceis ainda de digerir;
em particular desde o período de david justino, 2003/2005, tudo mudou na educação, de um modo geral, e em particular na escola;
mesmo que permanecendo a sensação da mesma "gramática escolar" mudaram formas de organização, tempos escolares, disciplinas e tempos disciplinares, formas de relação e relacionamento, modos de gerir a avaliação e a acção pedagógica, as lógicas e os tempos de escola, mudaram políticos mas também mudaram políticas;
permanece como sensação de estabilidade, que as práticas não mudaram, que as concepções e alguns modos de agir, em particular docente, não mudaram; mas enganam-se redondamente, olhem as estatísticas, olhem os números e, não percebendo causas ou consequências, se percebem tempos e momentos de viragem, mudança - desde os pei aos pit's acabando nos ptt ou no raio que os parta;
mudaram as relações entre docentes, considerando os modos de gestão, de david justino, os titulares e os outros, da lurdes, os bons e os maus, da isabel, ou os das eses e os outros do agora crato;
mudaram as escolas, em função das agregações ou, melhor dito, dos ajuntamentos, mudaram as relações da escola com os pais, estes mais formados, mais (im)pertinentes, tanto ausentes como presentes, consoante processos de reivindicação escolar ou educativa;
sabem o que permaneceu? a mesma solidão e o mesmo isolamento profissional dos professores; a mesma falta de formação que de instrumental e utilitária não passa e à reflexão não chega; que os modos de gestão da "informação para que se transforme em conhecimento" chocam frontalmente com interesses e objectivos, tanto particulares, como sectoriais, que gerir ajuntamentos não é a mesma coisa que fazer o que sempre se fez agora a dobrar, ou alterar o topo da página e adequar cabeçalhos;
falta formação e, em particular e acima de tudo, reflexão à escola, aos seus profissionais, reflexão e pensamento colectivo, partilhado, sem medo nem vergonha de dizer o que se sente, aquilo que nos vai na alma (ou onde quer que seja), espaço para que nos oiçam e não nos julguem, apenas nos oiçam;

devagar vou lá, vou é devagar

devagar, devagarinho vou percebendo um pouco mais e talvez, apenas talvez, um pouco melhor o funcionamento e a organização da minha santa escolinha;
ontem estive em duas horas e meia de reunião (mais uma dúzia de pessoas) para receber informações (que de forma directa não tem implicações no quotidiano, seja docente seja de coordenador de um departamento) e se fazer o ponto de situação ao que um ou dois colegas têm feito;
percebi assim, uma das razões da falta de tempo, fez-se uma reunião para realizar o ponto de situação e ter-se-á que fazer pelo menos mais uma para se analisarem acções que se enquadrem no ponto de situação realizado e, talvez ou muito provavelmente, levar a discussão a conselho pedagógico que, como foi dito, é o local onde estão os mais implicados no processo ontem analizado; percebo que não haja tempo ou o que o tempo seja escasso para tanta reunião, como percebo o porquê de em tempos o ministério ter distribuído um power point de como se dirige uma reunião, a sua organização e etc, agora percebi, mais vale tarde que nunca, pronto;
percebi também que não se faz grande ideia do que compete às diferentes estruturas educativas, para que servem, quais os seus objectivos, qual a sua responsalidade na acção educativa e escolar; ou, talvez melhor dito (escrito), talvez exista uma ideia das estruturas, para que servem e o que fazem, não se terá é em grande ideia quem está à frente das ditas cujas e aí talvez eu tenha de dar a mão à palmatória e reconhecer que os chefes até são capazes de ter razão; chefes no qual incluo o ministro (pretensamente o pior ministro da educação, apenas pretensamente) em não confiar nos profes ou nas escolas, obrigado, se os que estão na escola não confiam neles como é possível que quem está por lisboa confie? tá quieto oh bicho;
percebi também que a gestão da informação é como era há muito tempo, guardada, como se a internet fosse um espaço fechado, gerida parcimoniosamente, como se não tivessesmos e trocássemos ideias com gente que está um pouco por todo o lado, como ali se faz ou deixa de fazer; disponibilizada de acordo com os interesses de quem a tem e não de quem a gere e tem como obrigação a sua implementação, como se não tivessemos conhecidos ou amigos aqui e ali; é pena, deve desgastar e cansar, para já não dizer que deve moer um pouco, mas pronto, percebi que a tradição ainda é o que era;
percebi que não são apenas os santos da casa que não fazem milagres - e atenção que não sou nem tenho nada nem nunca tive alguma coisa de santo; são mesmo as pessoas, os colegas da casa que não contam para nada; para percebermos o que nos pode ser útil teremos de perguntar a outros, aos académicos, sabedores da coisa mas a quem, depois de os ouvir, se atira com teóricos, desajustados e coisas que tal, para desanuviarmos da coisa teremos de perguntar a outros em processo dito de constituição de micro redes, isto é, forma outra de designar o que também foi designado de boas práticas (coisa tão cara à tecnocracia neoliberal que considera o outro acéfalo e capaz de se ajeitar mediante formação e conhecimento do bom, do belo); e eu pergunto, porque não começar com os da casa, encontrar espaços, momentos e tempos onde cef, pca, pief (e fica tudo em código tuguês) e uma ou outra turma que de regular apenas tem a sua própria irregularidade e trocar ideias, partilhas experiências, aferir estratégias, regular (porque não) práticas; discutir, debater, confundir o que nos é confuso, talvez, e apenas talvez se torne útil a alguém, mesmo que não se torne em conhecimento;
a este propósito - o do conhecimento - foi dito em ponto de situação que o importante destas coisas é transformar a informação em fontes de conhecimento; gostei, mas ninguém me conseguiu explicar o que significa tal coisa, mas é bonito de se ouvir, lá isso é;
e pronto, lá fiz novamente figura de tótó moenga, incomodando por perguntar, chateando por me desconsiderarem, moendo por me obrigarem a sucessivas de sucessivas reuniões e encontros de nada; dando razões e oferecendo argumentos para que me tratem e considerem como um moenga;

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

formas de regular a desorientação que se cria

decorrente da minha prática lectiva e pedagógica, assumo um conjunto de diferenças que precisam constantemente de ser acompanhadas, reguladas, monitorizadas e avaliadas; a preocupação recai sobre o trabalho do aluno, mas considero que a minha acção não é menos importante e carece também ela de ser acompanhada
relativamente ao aluno tenho uma dupla estratégia de regulação; 
uma regulação do trabalho do aluno, onde pretendo criar e implementar mecanismo que centrem o aluno no seu trabalho, o apoiem no desenvolvimento de competências, o centrem e concentrem na dinâmica de trabalho; 
uma regulação das aprendizagens onde dou destaque aos conteúdos, conceitos e elementos de base disciplinar; 
entre uma e outra das formas de regulação coloco ora fichas de trabalho (para a primeira) ora fichas de avaliação (para a segunda); a diferença entre elas decorre da sua importância (mais extrínseca, isto é, atribuída e construída, que intrínseca); as primeiras são feitas com consulta, visam os conceitos e os acontecimentos históricos, habitualmente não são corrigidas pelo docente; as segundas assentam prioritariamente em questões de desenvolvimento e são corrigidas pelo docente; nesta segunda opção ainda não senti dificuldades, nem qualquer processo de desvalorização ou de banalização; nas primeiras sim, senti que o aluno as desvalorizou, as minimizou e ficou quase sempre à espera das fichas de avaliação, corrigidas pelo docente, para se regular nos processos, tanto no seu trabalho, como na sua aprendizagem; vai daí e optei por fazer fichas de trabalho, na mesma e com as mesmas características, mas perante as quais introduzi uma ligeira - e espero para determinar a sua importância - alteração: dei a indicação para que na ficha de trabalho o aluno seleccionasse uma questão para entrega e correcção; proximamente serei eu a seleccionar a questão, algo aleatoriamente, mas considerando as características de cada aluno;

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

do que ouvi, do sou ou do que fui

ontem, na minha sala de profes ouvi um conjunto de comentários a pais e mães, a alunos e a professores que me deixaram a pensar; inclusivamente cheguei a trocar conversa sobre o tema com um ou outro colega; estava assim a modos que... pensativo;
então é assim,
se eu, a minha pessoa, o je, hoje andasse na escola enquanto aluno o que seria de mim?
trazendo para os tempos actuais a minha pessoa e o meu contexto dos tempos de aluno o que esperar de mim enquanto aluno?
raramente os meus pais participaram em reuniões com directores de turma ou em reuniões desse tipo; não porque não existissem, apenas não iam porque ambos trabalhavam;
fui - e ainda sou - um qualquer tipo mediano, da média, nem bom nem mau, antes pelo contrário; é certo que nunca chumbei, mas passei sempre assim com notas a modos que, a generalidade três, um ou outro quatro que nem recordo a quê; aluno mediano em termos de rendimento, daqueles que não incomoda, mas também não se destaca;
em termos de comportamento, bem aí a coisa já chia mais fininho, filho único, criado e afirmado na transição democrática era o bom e o bonito; palavra sempre na ponta da língua (ainda hoje), teimoso q.b., por vezes insistente quando não mesmo irritante (ainda hoje), em particular quando sinto que estou na razão, vá lá saber porquê, ainda hoje sou assim; aluno de tirar do sério qualquer um e boas discussões recordo com um ou outro dos que foram meus professores; fruto dos argumentos e da palavra rápida ou simplesmente porque gosto de dar nas vistas (ainda hoje), não foram poucas as vezes que fui "arejar", apanhar ar, ver quem passa; a pontos de, não recordo em que ano, ter criado um registo de faltas para que não me descuidasse pois então em casa é que seriam elas;
em minha casa não abundavam os livros; a minha mãe lia as revistas femininas da altura, o meu pai um ou outro jornal (diário popular, a bola, pois claro) e um ou outro livro de cowboys, que recordo; obviamente que fizeram alguns sacrifícios de comprar as enciclopédias que começavam a circular, afinal eram a internet de então; discos nem vê-los; foram os meus primos que me despertaram a curiosidade, primeiros pelos discos, pois claro, depois pelos livros; e uns e outros comecei pelo lado mais difícil, piaf, breel, nascimento, vinicius, buarque, zeca, tudo coisas em onda de esquerda nos idos 70 e princípios de 80 do século atrás; a escrita começou com cristhies, com simenon, com os policiais que então fervilhavam na liberdade;
foi a escola e foi na escola que comecei a adequar a minha idade e as minhas leituras, na biblioteca da escola encontrei de tudo um pouco, os 5, memórias, perfis educativos, biografias e descobri o quanto gosto de ler;
e se fosse hoje? será que a escola me conseguiria interessar? será que seria aluno mediano mas sem retenções? será que conseguiria criar algum sentido ao que ali andaria a fazer? será que hoje a escola conseguiria colmatar o que em casa não tinha?

domingo, 12 de janeiro de 2014

das políticas, da estatística, dos professores e em fim de semana

regresso ao tema que me ocupa o fim de semana e me tem consumido os poucos neurónios nos últimos dias - a análise estatística do meu departamento;
e para trocar algumas ideias com a recente alteração ao código da estrada;
por ventura alguém alterou, de forma visível e significativa, o seu comportamento decorrente da alteração do código da estrada?
por ventura se foi à procura de informação quanto aos procedimentos a adoptar, as implicações das alterações, ou as coimas por se entrar em desconformidade?
tenho dúvidas, não digo que não exista um ou outro tuga que efectivamente tenha, pelo menos para já, alterado o seu comportamento, lido as implicações e pensado nas suas consequências; mas a generalidade esteve e está-se cagando para a coisa (à boa maneira alentejana);
é a associação que agora faço com as políticas educativas, para dizer que as concepções, as práticas e os modos de acção serão certamente muito mais importantes e relevantes que qualquer medida de política, qualquer alteração normativa ou qualquer orientação legislativa que aconteça e, não menos interessante, onde aconteça, se no terreiro do paço, nas próximidades ou na direcção daqueles que pretensamente nos (des)orientam; ;
as práticas, a acção e, acima de tudo, as concepções ou as formas de pensar aquilo que fazemos (porque fazemos, como fazemos, em nome do que fazemos) são bem mais importantes e determinantes na acção quotidiana do que qualquer medida de política;
tal situação faz com que a análise estatística (aquela mesma com que me entretenho) seja tão boa quanto chuva no verão, sopas depois de almoço e coisa que tal....
mas brinco com os números, aprendo com eles e fico a conhecer um pouco mais e um pouco melhor a casa onde trabalho, depois cada um fará o que entende, retomando o código das estrada, continua a fazer o que sempre fez, está-se cagando para alterações e/ou modernices...

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

dos sentidos ou da sua falta

ao nível da acção pedagógica sobre os resultados escolares, uma das ideias que tem despertado em mim algum interesse, relaciona-se com a relação entre resultados escolares e sentidos escolares;
ou seja, na generalidade das situações (não são todas, não é lei universal e indiscutível) o aluno com boas notas, bons resultados tem uma perspectiva de futuro, uma ideia do que anda aqui a fazer; vê e reconhece interesse na escola e no processo de escolarização mesmo que não saiba ainda para quê; pode não saber o que quererá fazer ou ser no futuro, mas aceita tacitamente que a escola é um meio para o que pretender ser e fazer no futuro; reconhece e assume o peso da escola e o papel dos professores nesse processo; mesmo que só mais tarde venha a descobrir ou a identificar um efectivo sentido à coisa;
um aluno com maus resultados, é um aluno que não faz a menor ideia do que quererá fazer amanhã e menos ainda no próximo ano lectivo; não vê nem reconhece utilidade à escola e menos ainda à sala de aula, circunstância que vê como constrangedora, castradora e inibidora da sua vontade ou disposição;
perguntem a um aluno que teve, no primeiro período, mais de 5 «negas» sobre o que ele pretende fazer no próximo período (o razoável seria mesmo perguntar o que pretende fazer no próximo ano ou quando deixar a escola, quais as suas expectativas), faça-se a mesma pergunta a um aluno que teve tudo três (ou tem média na casa dos 11/12) ou a um aluno que teve montes de 4 e 5 (ou tem média superior a 14) e analise-se- a resposta, considerando o tempo que medeia entre o pensamento e a acção, o seu presente e o seu futuro, o que descreve entre um e outro;
é neste processo que designo como de construção de sentidos, que o docente tem papel essencial, insubstituível; não vale a pena referenciar contextos, políticas ou outras coisas;

da estatística ou do que se quiser e os seus efeitos

já aqui o referi e volto a dizê-lo, não percebo quase nada de números, tenho sérias dificuldades em trabalhar números;
em tempos foi mesmo o meu calcanhar de aquiles pois o presidente da câmara de então sabia para onde me conduzir e, se o deixava, saía perdedor; profissionalmente tenho sempre procurado apoios, ajudas, parceiros que percebam dos números e tenham capacidade de me aturar de modo a organizar os dados para responderem à minha curiosidade, às questões que coloco, pois há muito que afirmo que não é o número que me interessa mas o que ele pretensamente mostra ou o que eventualmente esconde;
isto porque tenho andado entretido com a estatística do meu departamento, uma série de cinco ano, entre muitas e diferentes (pelo menos aparentemente) disciplinas, anos de escolaridade ou períodos lectivos;
é um trabalho claramente académico, mera masturbação intelectual; isto porque ainda não tive oportunidade de perceber se alguém, algum dia, alterou estratégias, modificou metodologias, adoptou outras técnicas de gestão de sala de aula só porque olhou a estatística do período, do ano lectivo ou da sua disciplina; mais, é mais fácil individualmente o docente olhar aquela sua turma, por ventura no contexto de outras, e tentar pensar nos números, na gestão, na dinâmica estatística que os números mostram ou escondem, destacam ou simplesmente omitem do que um departamento onde está o cão, o gato, o tareco e tudo o mais;
o que a estatística me mostra, na série de cinco anos lectivos em análise (na disciplina, na transição de períodos, na transições de anos ou no encontro de disciplinas, entre outras) , dentro das minhas sérias limitações, é tudo e não é nada; isto é, a partir de uma simples análise estatística poder-se-ão destacar:
efeito docente - na gestão das dinâmicas de sala de aula, na acção pedagógica de gerir interesses, comportamentos ou atitudes por parte do aluno; expresso na variabilidade entre o 3º e o 1º período, entre períodos, no arranjo dos sucessos entre diferentes disciplinas ou áreas disciplinares (and so one);
efeito grupo/turma - considerando origens, contextos sociais ou económicos, uniformidade ou homogeneidade, relações sociais ou familiares - os números mostram a capacidade reivindicativa de uns anos relativamente a outros, de determinadas disciplinas sobre outras; neste âmbito e sob este efeito, dá para perceber que a escola pública de vendas novas, a minha escola, não faz compensações sociais, não minimiza circunstâncias económicas, nem regula processos de mobilidade social, isto é, quem tem enquadramento (social, familiar, económico) é sempre favorecido (tem melhores resultados escolares, mais referências) relativamente aos que não têm;
efeito políticas (e aqui as políticas tanto são nacionais como locais) - momentos de viragem, períodos de conflito, circunstância de discussão, debate ou afloramento; orientações ou determinações; reforço de autonomia ou desresponsabilização pessoal e/ou profissional;
O que claramente não se nota (ou notar-se-á pela sua fragilidade senão mesmo ausência) é o trabalho intradepartamento, de articulação entre diferentes docentes, de diferentes ciclos ou de diferentes áreas; talvez porque não sabem, porque é chato e dá trabalho, porque ocupa o tempo, porque se anda entretido com tantas outras coisas, talvez até mais importantes;
o que eventualmente se notará é o professor enquanto funcionário público, onde o problema não é dele é dos outros (do aluno, da família, do contexto, das políticas), enquanto mero gestor administrativo onde a pedagogia é uma chatice porque os outros não se lhe adaptam, numa lógica de pronto a vestir e não de alfaiate - porra que o elefante não consegue voar tão bem quanto o canário...
mas tudo isto são meras ilações, conjecturas ou suposições; pois os números valem o que valem e para mim valem muito pouco...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

de um lado e do outro como se fosse barricada

estive a ouvir a directora de turma da filhota;
desbobinou cobras e lagartos da turma durante mais de 30 minutos; nem uma única coisa boa daquela turma;
irrequietos, faladores, telemóveis, participação indisciplinada e aleatória, argumentativos (é verdade é problema), and so on, and on;
por ventura ter-se-á esquecido de referir que apenas é a melhor turma da escola, em média de notas, que é aquela que mais gente tem dado e dá para aquelas coisas parvas como sejam a associação de estudantes, as iniciativas de cidadania e participação escolar, mas pronto;
culpados na coisa, apenas os aluno/as como se fossem serial prevaricadores;
pronto, tá bém;
gosto de estar do outro lado a ouvir o que dizem os senhores professores;
gosto de estar do outro lado e perceber que também sou docente e que também eu posso dizer aquele conjunto de aleivosias;
gosto de estar do outro lado, mais não seja para perceber que devo respeitar quem está do outro lado;
já agora, mas há lado nesta coisa de ensinar e de aprender, de educar e formar?

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

das dificuldades e das teimosias

sempre tive uma enorme dificuldade a matemática; desde o 2º ciclo que estou referenciado como aluno com dificuldades na disciplina; e não foi por questão de professores; daqueles que me lembro do básico e secundário a sua esmagadora maioria eram docentes de matemática - nem digo nomes, nem alcunhas, mas estão cá na memória;
apesar de tudo, das dificuldades e das contrariedades que a disciplina sempre representou para mim, lá fiz um 12º de matemática, à segunda, pois claro, que da primeira não fui nem capaz nem audaz;
contudo e apesar das dificuldades e de na sequência de todo o meu trabalho académico me ter dedicado a dimensões qualitativas (análise de conteúdos, ideias, valores, and so on) o quantitativo e a estatística de quando em vez puxam-me para a teimosia e para a curiosidade da sua análise;
até há pouco tinha um bimbo (privat joke, iac, iac) que me auxiliava na coisa; eu fazia perguntas e ele ia à procura dos gráficos; a juntar ao bimbo um chefe que me despertou curiosidade q.b. sobre a dimensão quantitativa;
agora, sozinho e teimoso quanto curioso, vá de brincar com a coisa, com os números, sabendo de antemão que a estatística tanto vale tudo como exactamente o seu contrário, que nos indica tendências, mas as causas e os efeitos podem estar à parte...
mas não deixa de ser engraçado perceber essas tendências; como mais engraçado, cá está o meu lado mais qualitativo, interpretar causas, apresentar proposta ou simplesmente trocar ideias de volta de uma imagem...

sábado, 4 de janeiro de 2014

tarefas

quase, quase a começar o segundo período dou conta que concluí as tarefas que (auto)agendei para esta pausa natalícia; para além de preparar aulas e organizar o trabalho lectivo, o que não foi pouco, ainda conclui o texto enviado, reorganizei e disponibilizo a minha página web pessoal, organizei papeis e papelada, preparei reuniões e estruturei o trabalho direi mais administrativo que me cabe e que me espera para este segundo período - assessorias, departamento e procedimentos pedagógico-administrativos; é certo que me ficou a faltar um relatório que gostava de ter feito, mas que, apesar dos meus pedidos a quem de direito lá pela minha escolinha ninguém me ligou, certamente por afazeres;
para além de tudo isso, descansei, recuperei e estou pronto para mais do mesmo;
assim até gosto

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

hoje escrevi por outros lados, com outras intenções e objectivos;
preocupação essencial, a de dar cumprimento aos requisitos do congresso e enviar o texto que para todos os efeitos suportou a comunicação que fiz - já aqui tinha deixado a apresentação, repesco o link para que se possa criar a associação entre texto oral e texto escrito;
teoricamente o texto ficará oportunamente disponível em edição digital do congresso; até lá ficam por aqui as linhas de escrita e a total disponibilidade para ouvir comentários, sejam eles quais forem e venham de onde vierem;

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

a sala de aula do futuro




se há coisas em que sou assumidamente curioso, cusca, interessado (isto porque não sigo nenhuma linha organizada de pensamento e/ou estudo/pesquisa) uma é como será a sala de aula - ou a escola - daqui a 10, 15 ou 20 anos; não sei se será a escola - ou a sala de aula do futuro - e como será esse futuro, imagino que a tecnologia passe por ela de uma ponta a outra, que a sala de aula se cruze entre qualquer coisa que pode ser aquilo a que hoje alguns chamam de sala de aula, ao que em alguns sítios designam como biblioteca, ou um vago centro de recursos, ou e porque não - apesar de isso ofender puristas - um cibercafé;
(um aparte, não resisto mesmo: no decorrer das reuniões de avaliação ouvi alguém da minha escola, com responsabilidades de chefias intermédias, afirmar que se podia proibir a utilização de pc ou dispositivos móveis de acesso à net nas reuniões de profes, de modo a não prejudicarem o trabalho, e depois dizem que eu é que conto anedotas, tábém tá);
uma coisa para mim poderá passar pelo certo, para além da utilização e do papel que a tecnologia possa ter ou assumir, será a alteração da estrutura organizacional da escola, que muitos pensam que foi sempre assim, a alteração tecnológica de ensinar a muitos como se de um só se tratasse, um professor muitos alunos, resultados médios, em função de uma média, perspectivando-se a média estatística;
contudo e apesar de todo o papel que possa ser atribuído à tecnologia há uma dimensão que, pelo menos para mim, não deixa de ser incontornável à escola e que, por si só, a tecnologia não responde, refiro-me ao processo de socialização e de fabricação do sujeito, do cidadão; isto é, a escola recebe crianças e, para além de ter como objecto o que alguns designam de produzir creditações/diplomados, a escola também produz quasi adultos, homens e mulheres que, na sua juventude, se insurgem para o mundo do adulto, profissional, social, político (e não se prendam apenas aos partidos, é de intervenção de cidadania que refiro); provavelmente num tempo e em modos que a escola tecnológica poderá individualizar processos de aprendizagem, segmentar as necessidades educativas, o processo de construção/fabricação do adulto assume importância ainda maior; mas muitas escolas, muitos docentes chutam ao lado esta dimensão que a escola desde sempre teve e soube assumir;

domingo, 22 de dezembro de 2013

brincar a sério

houve uma afirmação, assim a modos que pretensamente maledicente ou insidiosa, que me foi atirada no decorrer das reuniões de avaliação; constou de afirmarem que nunca sabem se estou a brincar se a falar a sério; 
descobri, nestas palavras, o porquê de eu desencadear receios nas pessoas que comigo lidam fugazmente; a dificuldade de gerirem o imprevisível o inesperado o inopinado; 
as pessoas têm por hábito arrumar as coisas em gavetas mais ou menos definidas; gavetas de acordo com os mundos e esferas de acção em que se movimentam; são rótulos que auxiliam à identificação e referenciação das situações, desde as mais básicas (amigo/inimigo, próximo/distante, eu/tu, nós/vós, entre muitos outros) até às mais complexas (dimensões ou esferas profissionais, sociais, afectivas ou aquelas que se desenrolam no contexto das emoções); ora eu cruzo todas elas e, há muito que o afirmo, que gosto de brincar com coisas sérias, como falar a sério de coisas a brincar; 
ora estas reuniões de avaliação remeteram, em muito, para este campo de brincar a sério; eram a brincar, mas pareciam, alguém queria que parecessem coisa séria, formal, pesada, administrativa; disse a um colega que me fizeram lembrar aquelas brincadeiras de criança onde estas levam a brincadeira muito a sério, que se zangam quando alguém discute ou diverge do seu registo; assim foram estas reuniões; ora assim sendo, seria difícil que a minha postura de brincar com aquilo com que os outros levam a sério se fizesse sentir; 
as reuniões foram assim coisa de brincar que alguém, com vários tipos de pretensão ainda que se afirmem pela despretensão, levou muito a sério; como o meu registo é outro, claramente de criança agaiatado, então o pessoal não gostou;
paciência, eu gostei... oh se gostei, aprendi como há muito não aprendia em reuniões de docentes...

sábado, 21 de dezembro de 2013

dividir para reinar

há muitos que os políticos, em particular os da ala da direita, perceberam que para gerir (não é governar, é mesmo gerir) a escola pública, precisavam de dividir os docentes, criar fissuras por entre as quais introduziam políticas e criavam pontes para a sua acção;
foi assim nos idos anos 80 com aquele que é um dos engenheiros do sistema, roberto carneiro, mediante a divisão entre docentes profissionalizados e os demais; anos mais tarde, com ferreira leite, foi a disputa de protagonismos entre estágios integrados e estágios em serviço, entre universidades ditas clássicas (lisboa, porto, coimbra) e universidades ditas novas (aveiro, minho, évora) na formação de docentes; esses conflitos sempre se reflectiram nas políticas educativas, no estatuto da carreira docente, nas abébias que foram criadas para que nos pusessem abaixo de zero, uns contra os outros - ganhando assim espaço o ministério para criar pretensos compromissos com uns ou com outros;
recentemente, nuno crato opta e assume a mesma estratégia, afirmando que os professores não são todos iguais; coisa maravilhosa, que caiu que nem sopa no mel nas escolas para reforçar divisões, acentuar a estupidez profissional e criar, novamente, espaço para que façam o que entendam, da forma que entendem e como entendam;
na sua sequência aparecem os cães de fila que mais não fazem que aproveitar a onda para ladrar, para fazer ouvir os seus latidos que, de outro modo, passariam perfeitamente despercebidos; e há quem lhes dê espaço e palco, os reproduza com argumentos contrários que mais não servem como emissários que espalham a palavra missionária e que cada um entende como quer;
puta que os pariu

e pronto

e pronto este primeiro período, grande, comprido, desgastante e coisa que nunca mais tinha fim, acabou;
prova provada que tudo, apesar das suas dimensões ou das suas características, acaba, bom ou mau, assim assim ou antes pelo contrário mais cedo ou mais tarde acaba;
já o poeta o afirmava, jorge luís borges, tudo o que é biológico um dia acaba, pode levar um dia, um mês, um ano ou uma vida, mas acaba, e o poeta refira-se ao amor;
as reuniões de avaliação pelo meu burgo foram qualquer coisa de... especial;
gostei de observar novos protagonistas de poderes efémeros, novas lógicas de gerir o quotidiano em funções de vazios, de perceber como outros poderes \se insurgem por entre os dias de fugida que nos atravessam;
é engraçado ver e tentar perceber como esses pretensos vazios são ocupados; há muito que defendo que, tal como na natureza, as dimensões do social recusam o vazio do poder; quando ele não é assumido, exercido, promovido etc coisa e tal há sempre algo, alguém ou alguma coisa que assume o poder - pela forma de exercício, de protagonismo, de política, de acção ou de discurso, mesmo que seja na sua negação;
as reuniões de 1º período permitiram-me vislumbrar estes arranjos, que nem sei se serão arranjos e menos ainda perceber se estratégicos, o que tenho dúvidas, mas é o assumir as rédeas de outros por ausência deles mesmos;
é engraçado ver e ouvir os discursos que nos revestem de nós mesmos, muitas vezes de pura ignorância, alguma idiotice, mas dito com a convicção de quem raramente se engana e nunca tem dúvidas;
falta saber como irá ser este segundo período;
para já sei que grande, enorme, certamente desgastante; provavelmente de formação de novos equilíbrios lá pela escolinha; equilíbrios de interesses, de protagonistas, de vazios ou ausências, de incompetências e alguma estupidez; isto se o pessoal deixar pois claro...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O demérito do rigor administrativo

Ele há rigores que contribuem para o destaque ao aluno, para os rankings escolares, para acelerar processos de demência e de incompetência;
Nesta minha escola, agradavelmente colocada na penúltima posição dos rankings distritais, há quem consiga pensar, com requintes de malvadez, em grelhas, matrizes e processos de modo a que se confirme a necessidade de estarmos em último lugar e não apenas em penúltimo;
Escrevi no outro lado, no fb, que, por esta minha "santa" escolinha, o rigor se mescla com descricionaridade, critérios administrativos escondem - ou procuram esconder - arbitrariedades, que a clareza de procedimentos mais não pretendem que varrer para debaixo do tapete incompetências e/ou ressabiamentos;
No meio das retóricas da centralidade do aluno este é, para todos os efeitos, a menor senão mesmo o ausente total das reuniões de avaliação;
corre-se o risco de insanidade docente antes do natal, já que o spprting até se safa não nos safamos nós, elementos do agrupamento de escolas de vendas novas;
Doidice pura, simples e recambolesca, mas devaneio meu, pois claro...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

desculpem lá qualquer coisinha mas eu preciso da prova

realmente, chegados quase, quase ao final do primeiro período (longo, comprido, desgastante), na preparação das reuniões de avaliação fico a perceber que o senhor ministro da educação e ciência, nuno crato, até é capaz de ter razão na exigência de uma prova de admissão à carreira docente;
eu explico
apesar de ser possuidor de uma licenciatura com estágio integrado, daquelas que habilitavam (penso que ainda habilitam) diretamente para o exercício da função docente (e já não falo da formação complementar obtida e reconhecida por universidades portuguesas), assumo que não sei preencher as matrizes, grelhas, formulários e coisas que tais que me são dadas a preencher para as reuniões de avaliação; e, acreditem, não é pirraça minha, é mesmo ignorância, simples burrice minha, desconhecimento;
quando ouvi falar em grelhas onde devo expressar a avaliação do aluno pelas dimensões de atitudes e comportamentos e cognitiva, que devem ficar anexas à ata, ainda pensei que pudesse ser apenas uma questão de elaboração da fórmula em folha excel; apesar de evidenciar uma clara desconfiança, pessoal e profissional na minha pessoa, como prevaricador ou simples não cumpridor de normas e regulamento, percebo que nem sequer é isso; qual quê, preciso mesmo ou de uma nova licenciatura - agora em preenchimento de pintelhices - ou de fazer prova de acesso à carreira, pois efetivamente não sei preencher a coisa;
querem ver que o tipo terá razão!!??
ou será que há pessoal ressabiado com a coisa educativa e são mais papistas que o papa em tempos de reforma do francismo?
vá lá saber, eu é que não sei mesmo preencher a coisa

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

uma dimensão política


tenho tido cá as minhas divergências com o senhor,  mas reconheço-lhe pertinência na escrita, argucia nos argumentos, agilidade nas ideias e conhecimento suficiente para poder ser desconfiado dele;
é certo que foi passos coelho a prefaciar um dos seus últimos livros, é certo que foi putativo ministro da educação deste mesmo governo, é verdade que até pode estar ressabiado (há tantos por aí); é certo que cruza caminhos que passaram pela fenprof ou por outros que tais com posições mais à direita, pelo menos destes; 
mas a afirmação é, no meu entendimento, da mais simples e clara transparência; 
sempre que, na escola, numa reunião de profes, se fala em política, há logo uns quantos a saltarem da cadeira, a resfolarem o cu pelo tampo da dita cuja, a sentirem pruridos por isto e por aquilo, uma qualquer urticária de última hora;
política não, qual quê, vá de retro qual satanás;
santa hipocrisia, como se o pessoal não votasse, como se a maior parte não tivesse estado em manifestações contra as políticas de um ou de outro governo, como se não fizessem escolhas, assumissem opções, definissem, sempre que entendem, o seu caminho; como se não se pusessem na sua missionação evangélica de cariz quase sempre pedagógico; 
viva a hipocrisia daqueles que se distanciam da política educativa e apenas se dedicam à pedagogização das massas; viva aqueles que, ignorantes do seu papel, transmitem a palavra dos governos como se de verdades se tratasse; 
tenho pena que a hipocrisia de um povo não permita que se assuma a dimensão política da educação; aqui, os profes, são comidos como criancinhas ao pequeno almoço pelo lobo mau; 

coisas normais fora do normal mas que não são anormais

um apontamento da aula de hoje, aula de história, turma de 8º ano; foi dia de apresentação de trabalhos, troca e discussão de ideias, acertos e correções a uns e a outros;
não é um dia, nem são posturas ditas normais mas, em dia de apresentação, assume-se a discussão de ideias, uma postura menos rígida, atitudes de um outro à-vontade;
quem entra numa sala destas não reconhecerá, pelo menos de forma mais direta, que é uma aula;
mas os tempos empurram-nos para outros contextos, para um negócio algo diferente da tradicional formalidade de papéis entre aquele que é o aluno e aquele que é o professor;
estes tempos não devem servir para esbater os papeis, as funções, os objetivos ou as preocupações de uns ou de outros, mas devem servir para nos (re)pensarmos, (re)equacionarmos e, se for esse o caso, (re)definerem-se questões de formalidade entre uns e outros;